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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Apartidários e Apolíticos: a manipulação ideológica!



(por Runildo Pinto)


Aquele que se diz militante, até quem se diz revolucionário e apoia movimentos apartidários está totalmente equivocado, não sabe o que é ser militante e muito menos revolucionário.

Os movimentos apartidários têm um caráter pequeno burguês e uma capacidade de se extinguir rapidamente pela dispersão dos propósitos e inconsistência política, como forma de não alterar as relações de poder e, somente, se mobiliza para reforçar interesses individuais, particularizados e de grupos, geralmente é oriundo da classe média, que porventura é atingida em determinado momento por algum episódio pontual que a desagrade. Estes movimentos fazem de tudo para que os “fatos motivadores” não se politizem, e não ultrapassem os limites da ideologia dominante. Tem como característica o reforço da alienação do senso comum e o descompromisso com os contextos políticos fundamentais. São movimentos sem unidade política, filosófica e sociológica. Se constituem em dinâmicas neoliberais, vulneráveis e submetidos a diversos interesses privados e “mercadológicos”. É comum que as lideranças sejam pessoas que buscam aparecer publicamente e adquirir destaque pessoal, atuam de forma “moderada e/ou deslumbrada” conciliando áreas de interesses contraditórios e influenciadas de diversos matizes elitizantes, sempre em consonância com a ordem. Desde o empresariado até o poder público, e ao buscarem acesso as instâncias Estatais se ligam as siglas partidárias por puro oportunismo.

Para estas lideranças os partidos políticos servem como trampolim de acesso aos governos municipais, estaduais e federal, como forma de conseguir todo o tipo barganhas, tirar proveito - favores e privilégios. Mas a luta “contra os partidos” nunca foi uma bandeira do próprio movimento, e sim da direita. Por trás destes movimentos estão os tubarões dos partidos de direita, as autoridades influentes, empresários ligados a entidades como Lions Club, Rotary Club, pessoas que lidam com cultura, por exemplo, que dependem do dinheiro público para manter suas ONG's, entidades similares e OSCIP's, que colaboram com o poder público e da iniciativa privada no apaziguamento das massas e não se arriscam a terem posição política explicita, para não contrariar a “gregos e troianos” quando se revezam nas instâncias do parlamento e de governos.

No Brasil, foi a ditadura militar quem mais utilizou o discurso “apartidário” para combater o movimento estudantil. Os militares acusavam os ativistas de “partidarizar os DAs” e exigiam medidas concretas dos reitores contra a atuação dos partidos nas universidades. Na tentativa de desarticular o movimento, a ditadura perseguia os estudantes filiados a partidos. Somente esse fato bastaria para se entender o enorme desserviço prestado ao movimento pelos defensores do “apartidarismo”, cujo discurso é igual àqueles pronunciados por generais e reitores durante os piores anos de nossa História.

Os apartidários ou apolíticos querem passar a ideia de neutralidade, uma falsa imagem para a população em geral. Esta postura tem a intenção de recalcar no povo a negação das classes sociais e principalmente da luta de classes, de que não há classes sociais mas uma sociedade plural, e que todos devem respeito as diferenças (discriminação - desigualdade social), porque a sociedade é assim mesmo e sempre será. Esta é a ideia que querem inculcar!. Uma forma da ideologia dominante, a da burguesia, preservar sua hegemonia de classe sobre as demais classes da sociedade capitalista. Isto chama-se ditadura burguesa, isto é: significa a supremacia dos interesses da classe burguesa, que está no poder, sobre as outras classes, principalmente sobre a classe trabalhadora.

Em 1905, Lenin, no decurso das movimentações de classe que culminaram na Revolução de 1917, escrevia: “como já mostramos, o apartidarismo é um produto ou, se quiserem, uma expressão do caráter burguês da nossa revolução. A burguesia não pode deixar de tender para o apartidarismo, pois a ausência de partidos entre os combatentes pela liberdade da sociedade burguesa significa a ausência de uma nova luta contra esta própria sociedade burguesa. Quem trava uma luta «sem partido» pela liberdade ou não tem consciência do caráter burguês da liberdade, ou santifica este regime burguês, ou adia a luta contra ele, o seu «aperfeiçoamento», para as calendas gregas. E, inversamente, quem consciente ou inconscientemente está ao lado da ordem burguesa não pode deixar de sentir atração pela ideia do apartidarismo”. Assumindo um papel destacado à frente desta ramificação do apartidarismo encontramos lado a lado anarquistas e extrema-direita alardeando nas manifestações a máxima “o povo unido não precisa de partido”, uma deturpação velhaca da famosa frase que proclama “o povo unido jamais será vencido”.

domingo, 17 de março de 2013

Por que um Papa Latino-americano?



(por Runildo Pinto)


"A pretexto e veladamente a mídia passa uma imagem angelical, humilde, encantadora e pura do novo Papa, o Francisco. E, a nossa tarefa é desvelar o caráter político e ideológico da eleição de Jorge Mário Bergoglio."




A eleição de um Papa Latino-americano, reflete a abrangência da crise posta no capitalismo e na Igreja como partes da mesma face ideológica, o sintoma da evasão dos crentes e dos problemas éticos vividos pela Igreja católica é a caricatura da conjuntura política e econômica mundial principalmente da norte-americana e europeia. 

A América Latina, hoje, é ponto estratégico para o Status Qo da elite mundial. O conjunto de questões: crise política e econômica das relações imperialistas articulada com a crise no centro da Igreja Católica, demonstra os resultados e repercussões conjunturais a efeito e desvio do eixo econômico causado pela China, Rússia, Índia e Brasil, das revoltas árabes e de alguns governos Latino-americanos em desalinho com os interesses do império norte-americano, principalmente da dinâmica neoliberal em uma mudança de época (do modernismo para o pós-modernismo) que desarticula as superestruturas de Estado em cada país. Os governos latino-americanos como o da Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador e Cuba se posicionam por uma postura de resistência e em defesa da soberania em repercussão, se solidarizam com Palestina, Irã e Síria em uma conjuntura mundial que expõe a fragilidade do poder dos EUA e na Europa, mais precisamente da incapacidade de superar a crise na Grécia, Espanha, Portugal e França com receituários neoliberais. Enquanto a América Latina se rearticula política e economicamente em uma nascente perspectiva potencializada na construção de uma unidade política pela esquerda. Todos estes fatores e a decadência do império norte-americano, que se mantém à direção do mundo por conta do aparato militar e da guerra Faz da eleição do Papa Bergoglio um projeto de rearticulação mundial orientada pela reeleição de Barak Obama na Presidência dos EUA. A política de hora utilizar a guerra, hora da "negociação imposta" e/ou substituição de governos indesejáveis por governos títeres "maleáveis" que mais alteram a fachada que a essência, tem marcado a política internacional dos EUA.

Na América Latina e Central está localizado o maior contingente de adeptos à religião católica e por sua vez, depois do petróleo árabe, o objeto de desejo do grande capital é a biodiversidade, portanto, o Papa vem como o primeira mudança de rumo da tática e estratégia dos capitalistas, em impor uma unidade pela direita, fazer um trabalho ideológico e contraponto contra as mobilizações e repercussões da Revolução Bolivariana (apostam na descontinuidade desta após a morte do Comandante Chávez) e da resistência da revolução cubana e das crescentes ações políticas e econômicas levadas a efeito na ilha revolucionária, que faz vazar o bloqueio econômico imposto pelos norte-americanos. A meu ver o movimento conservador, reacionário da igreja orientada para um papel fervoroso de reabilitação da manipulação ideológica mundial reforçando a ação dos capitalistas em uma retomada de sua hegemonia apostando no desmonte dos governos à esquerda na América Latina e a suposta e desejada mudança de rumo da revolução cubana em direção ao capitalismo seguindo o modelo Chinês.


É importante que estejamos atentos em ampliar a avaliação sobre as reais intenções da eleição de um Papa latino-americano. O Papa João Paulo II, não foi eleito por acaso, veio no interior (nos passos da descontinuação da Guerra Fria) do desmonte da URSS e dos países do socialismo real do leste europeu, da divisão da Iugoslávia e implantação do modelo neoliberal. Mais uma vez a Igreja vem cumprir um papel ideológico importante para que os interesses do capital continue impondo sua perversidade. A esquerda tem que abrir o olho e se recompor, se reorganizar, atualizando suas concepções e práticas fortalecendo a ideologia da classe trabalhadora na luta de classes para uma ação revolucionária eficaz junto à massa trabalhadora contra mais uma evolução da burguesia internacional. Portanto, esta singela avaliação serve para levantar a discussão sobre o tema descartando qualquer paranoia. A pretexto e veladamente a mídia passa uma imagem angelical, humilde, encantadora e pura do novo Papa, o Francisco. E, a nossa tarefa é desvelar o  caráter político ideológico da eleição de Jorge Mário Bergoglio como a a face da doce referência que vai impor a austeridade que a burguesia internacional necessita.

sábado, 10 de novembro de 2012

O PT (Partido dos “Trabalhadores”) PATRÃO




Por Runildo Pinto


"A luta interior dá força e vitalidade ao partido; a melhor prova da fraqueza de um partido é sua posição difusa e a extinção de fronteiras nitidamente traçadas; o Partido reforça-se depurando-se..."
 
(trecho de uma carta de Lassalle a Marx, de 24 de junho de 1852)
 

         A superestrutura política-ideológica da burguesia está fincada dentro da institucionalidade do Estado, é constituída pela estrutura jurídico-política representada pelo Estado e pelo direito: a relação de exploração de classe no nível econômico repercute na relação de dominação política, estando o Estado a serviço da classe dominante. Nessa direção podemos apontar como se manifesta o Estado burguês e dos Partidos políticos da burguesia quando governam e como enfrentam os movimentos sociais, greves e protestos dos trabalhadores. O Estado burguês usa de todos os recursos para persuadir os trabalhadores, submetê-los aos interesses dos ricos: primeiro, procuram manipular os direitos dos trabalhadores a seu favor, através das leis, depois, ao se defrontar com os movimentos sociais, usam da negociação e se esta não gera resultados satisfatórios aos interesses da máquina estatal a serviço das grandes corporações empresariais privadas (o Estado governa os interesses de quem realmente tem o poder-grandes empresários), usa o recurso do corte de ponto e consequentemente do desconto salarial dos dias parados pelos trabalhadores estatais ou privados, demite lideranças e trabalhadores mais destacados dos movimento reivindicatório, e o uso, até, da repressão explícita através da polícia e do exército. Portanto, quando um partido que realmente representa os interesses da classe trabalhadora e de esquerda, assume o governo, deve ter bem entendido que esta montado no Estado burguês que foi estruturado para gerenciar os interesses dos ricos empresários donos dos grandes meios de produção e foi feito para reproduzir ideologia capitalista. Um governo de esquerda realmente comprometido com a classe trabalhadora tem juntamente com os trabalhadores tanto da esfera estatal quanto dos que trabalham na iniciativa privada, para governar com estes, criar unidos mecanismos de organização popular que interfiram na ordem, contra a ordem e garantam a participação direta no reforço, e em sentido contrário, que pressionem e tencionem toda estrutura do Estado (desde constituição, parlamento, até as estruturas de repressão - polícia) a favor da classe trabalhadora, invertendo o máximo possível com o objetivo de conquistar mais direitos, manutenção e ampliação destes, como também, espaços consideráveis na estrutura de Estado que diminua o poder hegemônico da classe dominante e crie por dentro das instituições uma correlação de forças em tensão, que fomente tradição democrático popular debilitando o poder dos burgueses, como forma da classe trabalhadora realmente enxergar e passar a exercer os seus interesses de classe, mediada por uma vanguarda que se estrutura no interior da sociedade, polarizando e explicitando para toda a sociedade a estratificação social escondida pelos ricos através da sistema estatal político-ideológico. 

                O PT – PARTIDO DOS “TRABALHADORES” que se diz de esquerda quando assumiu o governo federal (Estado burguês), tomou as primeiras providências para virar as costas para a classe trabalhadora. Primeiro, realizou o sonho do “Pacto Social” desejado pela burguesia no final dos anos 80 e por toda a década de 90, para implementar este feito, o PT, corrompeu a maioria dos sindicatos, federações e confederações ligadas aos trabalhadores, através de cargos e cooptação premiada para implementar as políticas de interesse do governo ou colocando ONGs dentro dos sindicatos mantidas por polpudas verbas fornecidas pelo governo federal PTista, e, ainda de quebra, conseguiu destruir com o MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, sonho dos grandes proprietários de terra (latifundiários). Em segundo lugar, repercussão da primeira, manteve todas as retiradas de direitos, flexibilização dos contratos de trabalho e nesse sentido, manteve a política de privatizações e terceirizações que precarizaram relações de trabalho, patrocinadas pelos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Em terceiro lugar, manteve todo o receituário neoliberal.
       
O Governo Federal PTista, não faz nada diferente dos demais partidos burgueses - “realizaram”, fez mais, não possibilitou a criação de novos direitos trabalhistas desmobilizaram os movimentos sociais, e, ainda, propõe uma reforma trabalhista que retira mais direitos e privilegia o capital. O PT tira proveito de uma conjuntura econômica especifica, pontual e passageira, sob a crise do capitalismo agudizada com a queda da bolsa em 2008, onde a crise se acentuou nas economias da Europa e América do Norte, por conta da especulação imobiliária e do fluxo do capital financeiro na forma do endividamento das populações e da crise de recursos naturais em matéria-prima em esgotamento nos países europeus e nos EUA, do desequilíbrio causado pelo crescimento econômico do eixo China, Índia e Rússia fundamentalmente.


                  O PT optou pelo reformismo, pelo desenvolvimentismo, por pautar direitos, deveres e democracia como mercadoria, enquanto vivemos em um capitalismo maduro, que usa das formas tecnologicamente sofisticadas de exclusão. A corrupção inerente ao Estado capitalista, exacerbou com a globalização à crise das instituições e o PT embarcou na onda da máxima de Paulo Maluf: “roubo, mas 'faço'!”, com todas as suas forças. Os governos PTistas reprimem, punem os trabalhadores como qualquer patrão mais conservador, arrocham os salários, retiram direitos e privilegiam "CC's e FG's" no serviço público e, principalmente às empresas privadas com isenção de impostos e empréstimos do BNDS,  a juros privilegiados. Assim, o PT caiu na vala comum dos partidos burgueses traindo os interesses da classe trabalhadora: passou de campeão da honestidade a corrupto de carteirinha, e correia de transmissão do grande capital. De Partido combativo contra a ordem burguesa e organizador dos movimentos sociais, passou à Partido da ordem reforçando a ideologia e a hegemonia da burguesia contra os trabalhadores. É o PT PATRÃO! Que administra com competência os interesses dos ricos contra os trabalhadores. O partido que conseguiu calar os movimentos sociais, o partido da prevaricação galopante e assevera uma sociedade submissa, acomodada e alienada! Como disse o Diretor Presidente do BRADESCO: “- O Lula é um valor a ser preservado”! Com esta frase ele quis dizer: a burguesia agradece, obrigado PT!

sábado, 30 de outubro de 2010

Carta à verdadeira esquerda brasileira

Nota do Editor: A publicação do artigo é de responsabilidade do Editor do Bolg e não significa que este concorde inteiramente com o conteúdo da matéria, o importante é que o artigo remete à uma reflexão extraordinária sobre as vicissitudes decorrente à esquerda no Brasil e no mundo contemporâneo.

Por Gregório Grisa

Articulação e ideologia

Primeiramente, é importante destacar a que não se presta o presente documento, faz-se isso para que desde já não haja nenhum tipo de confusão sobre seu conteúdo reflexivo e propositivo. Não se quer aqui relativizar a importância e a necessidade primordial de condutas éticas e comprometidas com princípios fundamentais, absolutamente. Também não se está propondo que a radicalidade propositiva e organizativa da verdadeira esquerda seja abrandada e nem que se conceda menor valor às principais demandas históricas do socialismo.

A presente reflexão não trata desses aspectos, o tema central aqui é a maneira como a verdadeira esquerda brasileira tem confeccionado suas articulações políticas e, para se debater essa questão, é indispensável pensar sobre a ideologia, ou como o imaginário e as múltiplas visões de mundo se constituem e se relacionam. Esse texto não se pretende acadêmico e não é dotado de preocupações com normas ou qualquer tipo de formalismo.

A definição para se construir articulações políticas de esquerda tem de mudar no cenário atual brasileiro, é necessário, entre outras coisas, levar a cabo uma inversão pontual, qual seja: priorizar ou ter mais em conta a possibilidade do desenvolvimento de práticas que modifiquem, de alguma forma, o rumo histórico e o pensamento dos grupos articulados (que nunca terão identidade absoluta), do que pré-requisitos de posturas ideológicas e morais ou práticas já promovidas por esses grupos. Tendo em vista as diferentes e múltiplas condições concretas de cada grupo e de seus indivíduos ao desenvolverem suas atuais ideias e práticas, é urgente que se faça essa inversão.

A possibilidade de unificação na diferença deve estar na frente da necessidade absoluta de identidade ideológica e programática. Os efeitos de uma possível articulação política devem sobrepor os pré-requisitos ou causas carregadas de condicionantes para fazê-la.

O desenvolvimento de uma prática social iluminada pela teoria coerente, não pode ter, nessa teoria, seu ponto de impossibilidade, não deve tê-la como absoluta, pois incorre no erro de não desenvolver o seu critério de verdade, qual seja, a prática social, e assim o fazendo, desliza para um idealismo que prioriza o discurso e a teoria pré-estabelecida. A prática social com base teórica deve privilegiar a possibilidade, o devir, sem buscar a segurança de prever, adivinhar ou em outros termos, pré-teorizar o resultado ainda inexistente de uma articulação ou prática política. Os teóricos de esquerda devem se tornar também práticos sociais e os práticos sociais de esquerda devem se tornar também teóricos. Essas duplas transformações devem ser frequentes e dinâmicas, atravessadas por outro tipo de articulação política e desprendidas das redomas “acadêmicas”, do “voluntarismo pseudoneutro” e “da militância detentora da moralidade”.

A teoria que nos orienta não pode querer, isoladamente, estar certa sobre o futuro, pois se mistificaria em uma postura astrológica de “vidente”. Na práxis, a teoria é constantemente reformulada, filha da incerteza e da possibilidade do real, isto é, das relações concretas entre os sujeitos e grupos. Não são as configurações à priori das forças e grupos sociais que devem balizar as articulações, mas sim seus potenciais, suas possibilidades diferentes de amadurecimento e intervenção social e histórica. Ou seja, devemos transferir os critérios para iniciar e desenvolver as relações entre os grupos sociais das origens “genéticas” de classe para os efeitos ou resultados possíveis dessa articulação ou nova prática social coletiva.

É necessário superarmos a visão simplificadora de que as pessoas de determinadas classes têm um pensamento inscrito, como códigos sociológicos pré-definidos ou genética e culturalmente herdados. O modo de pensar e a visão de mundo das pessoas não são como “pacotes de costumes e valores” que se codificam nos cérebros, mas sim, construções dinâmicas, dialéticas, processuais que guardam em si a possibilidade de diferentes horizontes e de mudanças.

Há, sem dúvida, condicionantes ideológicos reais, advindos de processos históricos socioeconômicos e culturalmente dispostos, no entanto, há a possibilidade de práticas e articulações que apontem para outras direções, mas essas articulações hão de ser construídas, desenvolvidas, criadas, engendradas e é aí que reside o desafio contemporâneo. Como superar os preconceitos políticos e a eterna vontade de unanimidade ideológica que temos em um espaço concreto que “fisicamente” não permite tal unanimidade? As diferentes trajetórias dos sujeitos e dos coletivos impedem essa possibilidade. Como superar as avaliações superficiais e até preconceituosas que são feitas pela esquerda acerca de coletivos e grupos relativamente desconhecidos? Tais avaliações congelam a compreensão e sectarizam as práticas.

A luta de classes está viva e sendo feita pelos adversários (a direita que luta para manter privilégios) com muito mais poder de acesso às pessoas (mídia, entre outros mecanismos) e com mais poder de propor articulações. E a essa conjuntura se deve o fato de as pessoas e grupos sociais terem construído e estarem continuamente construindo suas ideologias, suas visões de mundo de modo compatível com a classe que os acessa com mais volume e frequência. Isso se dá hoje via as tecnologias multimídia, pelo Estado, pelas igrejas, pela mídia televisiva, pelas relações de trabalho, pela escola, pelo monopólio da informação. E nas relações familiares e institucionais, tal pensamento se multiplica em proporções infinitas. Todos esses segmentos reproduzem valores que os constituem e a visão de mundo que mais os acessa. Essa reprodução não é linear, determinista, mas existe e tem diferentes graus de eficácia e abrangência.

Porém esse processo é dinâmico e acreditar na rigidez das ideias dos sujeitos é uma armadilha, pois isso imobiliza para a luta ideológica e política. O modo como as pessoas interpretam o mundo é diferente e passível de mudança constante, essas transformações dependem muito das condições de vida e de articulações que as pessoas acessam. As coletividades contemporâneas, em geral, oferecem um contexto de promoção da alienação e da mistificação da realidade, ou então, reproduzem um conjunto de “verdades” que asseguram a passividade dos sujeitos que, ao perceberem suas relações com o mundo como algo “natural”, não vislumbram outro entendimento.

Pressupor que o sujeito forma seu pensamento e o detém com total noção desse processo seria uma ingenuidade, é a maleabilidade dessa formação que carrega a possibilidade de mudança do pensar. O movimento dialético de constituição de uma visão de mundo não se dá como uma inscrição ou um depósito de valores e ideias no sujeito, esse a desenvolve sem saber que o está fazendo por uma ótica ou perspectiva específica (no caso mais comum, a hegemônica), tanto que, quando atinge um grau minimamente elaborado, ele considera tal arcabouço de ideias constituído uma produção somente sua, puramente individual, o que até não deixa de ser, entretanto, é também fruto de um conjunto de experiências e ideias que o formaram. Seu pensamento agora instituído sofreu mais influências externas da sua conjuntura histórica, do seu meio e de quem mais o acessou do que da sua capacidade autônoma de discernir.

Pode-se dizer que os níveis de ideologia têm suas dosagens condicionadas pelo grau maior ou menor de acessibilidade e envolvimento concreto dos sujeitos às e nas relações sociais, políticas, culturais e econômicas específicas. As ideias são passíveis de mudança não no sentido de as trocarmos por outras absolutamente diferentes, como se faz com um chip de telefone, mas sim, através de um processo incessante de descobertas, de acesso a outros bens e relações culturais e, principalmente, pela mudança concreta das condições materiais de vida. Como Gramsci nos lembra com freqüência, as múltiplas visões de mundo ou ideologias só se tornam historicamente efetivas se constantemente vencerem a disputa pelo senso-comum e, inclusive, parcialmente forem se transformando nele. Entendendo a esquerda como corrente histórica, veja o que esse autor afirma:

Cada corrente histórica deixa para trás um sedimento de senso-comum; este é o documento de sua eficácia histórica. O senso-comum não é rígido ou imóvel, mas se transforma continuamente, se enriquece com ideias científicas e opiniões filosóficas que se infiltram na vida comum. O senso-comum cria o folclore do futuro, que é uma fase relativamente rígida do conhecimento popular num dado local e tempo. (passagem de Gramsci, citado in HALL, Stuart, Da diáspora identidades e mediações culturais, pg. 303).

Para se direcionar a sensibilidade a outro rumo ou a um horizonte mais complexo e maduro, é necessário sentir e interagir com essa possibilidade. Com o perdão da dupla tautologia, mas sensibilidade nenhuma irá ser aflorada ou redimensionada sem sentir outras sensações, e o que pode oferecer isso são articulações diferentes, amplas e desenraizadas do jeito hegemônico de fazer política e enraizadas nas possibilidades orientadas pela eterna busca pela emancipação humana em seu sentido ontológico.

É claro que a noção repetidamente aqui proposta de inversão das causas pelos efeitos, da troca dos pré-requisitos carregados pelas possibilidades do devir para se construir outras articulações políticas não se refere a algo mecânico, isto é, algo como uma lógica ou receita, isso seria uma inversão de predeterminações. Trata-se de uma autocrítica pessoal e coletiva que a esquerda como um todo deve fazer, caso isso não ocorra, essa mesma esquerda, nos moldes atuais de organização e representatividade, tende literalmente a sumir nas próximas gerações ou a ficar limitada a micro células sociais que serão tratadas como grupos caricatos e exóticos mais do que já as tratam.

Há um mito tácito dentro da verdadeira esquerda brasileira de que estabelecer um diálogo com setores da sociedade sem uma explícita identidade ideológica é um fato político que a rebaixaria ética e moralmente. Ninguém se diminui por se relacionar criticamente com diferentes grupos políticos, assim como ninguém é mais “puro” ou coerente por fazer a luta política isoladamente como vanguarda. Essa é uma visão de fazer política ultrapassada, a articulação que propomos aqui não se pauta na busca comunicativa por consensos entre as classes e grupos de diferentes orientações programáticas, mas sim, tem como pauta a construção de alternativas concretas e factíveis através do confronto.

É ingênuo ter o consenso como centralidade, o que define a identidade e a práxis da esquerda é o confronto, seja ele político, social ou ideológico. Sendo assim, para que haja o confronto, é necessária a relação, isto é, a articulação. Se o modelo de articulação política que a esquerda vem produzindo não dá conta de desenvolver renovação e ampliação dos seus debates e muito menos de construir um confronto, este “constituidor” da prática social de esquerda, que responda a essas demandas.

A esquerda política hoje, salvo alguns movimentos sociais populares, está engolida pelo aparato legal e eleitoral do Estado. As últimas eleições servem de exemplo claro de que, ou a esquerda se recicla enquanto práticas e articulações, ou ficará cada vez mais refém do formato eleitoral excludente que privilegia o capital e a fama e irá realmente rumar para um ostracismo no que se refere, principalmente, à capacidade de acesso às novas gerações, cada vez menor.

Portanto, é urgente que, ao mesmo tempo em que a verdadeira esquerda se diferencie dos “pseudo-comunistas” (apoiados e aparelhados nos grêmios escolares, no movimento estudantil e no discurso da governabilidade do Estado) e da nova direita com roupagem “ecológico-democrática”, ela também vislumbre possibilidades de diálogo, articulações e confronto. Que se repense e deixe de se ver somente como guardiã da coerência, da ética, da moralidade e da verdade, mas transcenda esse olhar catedrático para melhor entender, interagir e intervir na realidade que se apresenta, cada vez mais, dinâmica e complexa. Que se perca a vergonha de fazer um tipo de política contemporânea que contrasta com a tradicional, pois isso não desqualifica a ação nem a torna menos original e honesta, ao contrário, é um ato de contextualização e de reinterpretação do atual bloco histórico brasileiro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

MENSAGEM DA PROFA VIRGINIA FONTES (uff)


Caros companheiros, não pude responder antes às perguntas, pois estava viajando por diversas regiões e sem a calma necessária para enfrentar questões tão inquietantes. Agora estou em casa. Infelizmente, ainda não sinto a calma que gostaria frente a essas questões, pois o que nos acalmaria seria ver imensas reações populares, o que nos transtornaria o cotidiano e abriria futuros muitos mais interessantes.

Preliminarmente, há que considerar dois planos: o que já estamos vendo, até aqui, aponta para pouquíssima transformação no processo de concentração internacional de capitais que já vinha ocorrendo. A única diferença é o comprometimento dos recursos públicos de forma ainda mais escancarada com tal concentração. É nesse quadro que respondi às questões. Mas há um segundo plano, que pode ser disparado no momento em que a crise que atinge parcela do capital abatter-se em cheio sobre as populações, tanto nos países centrais quanto nos demais. Até aqui, o intervalo de tempo entre o disparo da crise e seus efeitos mais rigorosos no plano social atua "silenciando" as massas populares.


1. Qual é a natureza da crise (profundidade, período, duração, etc)?

Esta é mais uma das crises cíclicas do capital. Marx apontou suas características fundamentais: sobreacumulação e, portanto, desequilíbrio entre os diferentes setores do capital, levando-o a queimar parcela do trabalho morto acumulado, a destruir forças produtivas e, sobretudo, a subordinar de maneira ainda mais feroz os trabalhadores, desta feita de forma planetária. Muitos a consideram apenas uma crise do "capital especulativo", mas isso parece-me, em todos os casos, uma temeridade. Em primeiro lugar, pois o capital especulativo (que existe) não é uma excrescência do capital produtivo (de mais-valor), mas dele faz parte como ponta de lança. Assim, destruição (mesmo se fosse apenas de especula dores) atingiria o capital como um todo. Em segundo lugar, pois se a imagem difundida pela mídia parece ser de destruição apenas de "papéis podres", ela envolve gastos púbilcos internacionais brutais, comprometendo ainda mais solidamente os Estados com o mega-capital-concentrado.

Há questões novas que nos colocam novos desafios. A profunda interconexão entre os setores produtivos e bancários no plano internacional precisa ser analisada com cautela. Desde 1974 as crises passaram a ter perfil
mundializado, ainda que em algusn casos mais ou menos contidas em certas fronteiras regionais. O caso atual sugere longo tempo de tensão e de concorrência entre países (e mega-conglomerados) para assegurar concentração de capitais capazes de se manter como "players" no cenário internacional. Não parece estar ocorrendo nenhum recuo para o ãmbito nacional e, sim, um aprofundamento da escala mundial de monopolização e concentração, redesenhando as formas de extração de mais-valor ao redor do mundo.

Se for este o caso, a tendência é para um aprofundamento das formas de subalternização do trabalho em escala internacional, correspondendo ao novo patamar de concentração que vem sendo oferecido pelos Estados a seus capitais concentrados e aos grupos "dóceis". Não esquecer que os EUA e a Europa admitiram "auxiliar" trambém capitais de procedência exterior.

2. O que pode acontecer com a economia dos Estados Unidos, sua hegemonia política, ideológica?

Está aberto um período de tensão no cenário internacional, do qual deve emergir nova reconfiguração da hegemonia no cenário internacional. Os EUA seguirão durante bastante tempo - caso não haja revoltas populares internas e internacionais - como ponto central de contenção militar para o capital, embora possam perder pólos de predomínio econômico e monetário, com uma maior difusão de centros e de polaridades (especialmente China e Russia). Assim, seguirão como país dominante, embora talvez não sejam mais dirigentes na mesma proporção que o fizeram até aqui.

Do ponto de vista cultural, deve abrir-se um período de maior diversidade de influências internacionais, mas isso ainda não é claro, pois as agências de mídia prosseguem altamente concentradas e com forte base estadunidense.

3. O que pode acontecer com o sistema capitalista mundial a partir da crise?

Há duas direções imediatas, embora apenas a primeira esteja sendo encaminhada.

A) garantir a concentração de capitais em escala ainda superior (permitir fusões e aquisições baratas aos grandes monopolizadores) e prosseguir com a mesma dinãmica de extração de mais-valor sob formatos diversificados
(tendência ainda maior á redução de direitos associados ao trabalho), com manutenção e, talvez, aprofundamento das expropriações primárias (de camponeses) através do mundo. B) Proteger certos grupos de trabalhadores, tanto em ãmbitos nacionais quanto em alguns setores estratégicos, impedindo uma aproximação de luta entre os diversos segmentos de trabalhadores, já bastante fracionados pelas políticas impostas nos últimos 20 anos. Essa última opção depende da resistência imposta por trabalhadores dos países centrais à utilização sem contrapartidas dos recursos públicos como doação para o capital. Nenhuma dessas duas opções aponta direções revolucionárias, embora a segunda possa figurar como uma espécie de "exemplo" a ser seguido
pelos países periféricos. Essa seria a forma mais próxima de uma caricatura de "welfare state".

Nessa vertente, não é impossível imaginar um sucesso internacional de políticas como "bolsa-família", asseguradas diretamente por parcerias entre empresas concentradas e governos. Elas, entretanto, somente são viáveis como "apassivadoras" das reivindicações populares se aplicadas em larga escala e, para tanto, é preciso capitais de grande porte concentrados. Não é este o caso para a maioria dos países, que terão de defrontar-se com escassez de recursos e com a voracidade das mega-concentrações.

É de imaginar que, uma vez deslanchadas as políticas de subordinação dos trabalhadores que a atual sangria de recursos públicos para o grande capital monopolista-imperialista-mega-concentrado supõe, haja reações populares de novo tipo. Mas ainda não temos como prevê-las. Somente elas permitem um impulso efetivamente revolucionário. Por exemplo, exigir direitos iguais para todos os trabalhadores em cada território nacional (e não apenas para os nacionais ou aos "contratuais") colocaria a questão em novo patamar.

4. O que os governos progressistas dos países do sul, deveriam fazer diante dessa crise?

Apoiar os povos, e não bancos ou conglomerados. Socializar o sistema financeiro (bancos diversos) e as parcelas dos setores industriais que estarão demandando recursos para novas fusões e aquisições (para capacitar sua manutenção na concorrência internacional). Intensificar as formas da socialização do processo produtivo não proprietário - recusar patentes e formas de extorsão, construindo formas internacionais não-proprietárias.

Estatizações e nacionalizações devem ocorrer juntamente com a formação de conselhos populares para seu controle. A experiência boliviana da gestão da água é ilustrativa e precisa ser aprofundada para todos os setores. Mas não basta um segmento, é preciso expandi-la para todos os setores socialmente sensíveis (e não sensíveis para o grande capital). Estabelecer políticas internacionais não-proprietárias e tendencialmente socializantes.

5. O que as forças populares deveriam fazer diante dessa situação?

Não perder a clareza de que serão convocadas por fragmentos e por frações do capital para apoiá-los contra outras frações do mesmo capital. As tensões intercapitalistas - e este é um momento em que elas se exacerbam - se caracterizam por convocar setores populares de maneira "sedutora" e, em muitos casos, também através da utilização da violência paga (milícias e outros). Parece-me ser o momento de elaborar um plano de emergência social e de impor as medidas que consideramos fundamentais, dentre elas: - suspensão das expropriações populares (terra, casa, saúde, educação e direitos do trabalho) - garantia de alimentação, habitação, saúde e educação (dos 2 aos 18) anos para todos SEM MERCADO, sob gestão popular - introdução de políticas de pesquisa, desenvolvimento e utilização de todas as formas não-proprietárias já existentes; - controle de exportação de capitais - somente seriam admitidas as saídas como socialização (entre políticas populares) - expropriação e socialização imediata (com punição dos responsáveis) de empresas, propriedades e bancos com problemas.

Um grande abraço,
Virgínia



Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
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  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
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  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira