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domingo, 17 de março de 2013

Por que um Papa Latino-americano?



(por Runildo Pinto)


"A pretexto e veladamente a mídia passa uma imagem angelical, humilde, encantadora e pura do novo Papa, o Francisco. E, a nossa tarefa é desvelar o caráter político e ideológico da eleição de Jorge Mário Bergoglio."




A eleição de um Papa Latino-americano, reflete a abrangência da crise posta no capitalismo e na Igreja como partes da mesma face ideológica, o sintoma da evasão dos crentes e dos problemas éticos vividos pela Igreja católica é a caricatura da conjuntura política e econômica mundial principalmente da norte-americana e europeia. 

A América Latina, hoje, é ponto estratégico para o Status Qo da elite mundial. O conjunto de questões: crise política e econômica das relações imperialistas articulada com a crise no centro da Igreja Católica, demonstra os resultados e repercussões conjunturais a efeito e desvio do eixo econômico causado pela China, Rússia, Índia e Brasil, das revoltas árabes e de alguns governos Latino-americanos em desalinho com os interesses do império norte-americano, principalmente da dinâmica neoliberal em uma mudança de época (do modernismo para o pós-modernismo) que desarticula as superestruturas de Estado em cada país. Os governos latino-americanos como o da Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador e Cuba se posicionam por uma postura de resistência e em defesa da soberania em repercussão, se solidarizam com Palestina, Irã e Síria em uma conjuntura mundial que expõe a fragilidade do poder dos EUA e na Europa, mais precisamente da incapacidade de superar a crise na Grécia, Espanha, Portugal e França com receituários neoliberais. Enquanto a América Latina se rearticula política e economicamente em uma nascente perspectiva potencializada na construção de uma unidade política pela esquerda. Todos estes fatores e a decadência do império norte-americano, que se mantém à direção do mundo por conta do aparato militar e da guerra Faz da eleição do Papa Bergoglio um projeto de rearticulação mundial orientada pela reeleição de Barak Obama na Presidência dos EUA. A política de hora utilizar a guerra, hora da "negociação imposta" e/ou substituição de governos indesejáveis por governos títeres "maleáveis" que mais alteram a fachada que a essência, tem marcado a política internacional dos EUA.

Na América Latina e Central está localizado o maior contingente de adeptos à religião católica e por sua vez, depois do petróleo árabe, o objeto de desejo do grande capital é a biodiversidade, portanto, o Papa vem como o primeira mudança de rumo da tática e estratégia dos capitalistas, em impor uma unidade pela direita, fazer um trabalho ideológico e contraponto contra as mobilizações e repercussões da Revolução Bolivariana (apostam na descontinuidade desta após a morte do Comandante Chávez) e da resistência da revolução cubana e das crescentes ações políticas e econômicas levadas a efeito na ilha revolucionária, que faz vazar o bloqueio econômico imposto pelos norte-americanos. A meu ver o movimento conservador, reacionário da igreja orientada para um papel fervoroso de reabilitação da manipulação ideológica mundial reforçando a ação dos capitalistas em uma retomada de sua hegemonia apostando no desmonte dos governos à esquerda na América Latina e a suposta e desejada mudança de rumo da revolução cubana em direção ao capitalismo seguindo o modelo Chinês.


É importante que estejamos atentos em ampliar a avaliação sobre as reais intenções da eleição de um Papa latino-americano. O Papa João Paulo II, não foi eleito por acaso, veio no interior (nos passos da descontinuação da Guerra Fria) do desmonte da URSS e dos países do socialismo real do leste europeu, da divisão da Iugoslávia e implantação do modelo neoliberal. Mais uma vez a Igreja vem cumprir um papel ideológico importante para que os interesses do capital continue impondo sua perversidade. A esquerda tem que abrir o olho e se recompor, se reorganizar, atualizando suas concepções e práticas fortalecendo a ideologia da classe trabalhadora na luta de classes para uma ação revolucionária eficaz junto à massa trabalhadora contra mais uma evolução da burguesia internacional. Portanto, esta singela avaliação serve para levantar a discussão sobre o tema descartando qualquer paranoia. A pretexto e veladamente a mídia passa uma imagem angelical, humilde, encantadora e pura do novo Papa, o Francisco. E, a nossa tarefa é desvelar o  caráter político ideológico da eleição de Jorge Mário Bergoglio como a a face da doce referência que vai impor a austeridade que a burguesia internacional necessita.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Censura a blogueiro cubano confirma proteção midiática a Yoany Sanchez

Por José Manzaneda*
De La pupila Insomne

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Desde hace meses, la bloguera cubana Yoani Sánchez trabaja como columnista o cronista radial para poderosas empresas de comunicación de varios países, que han implantado una férrea política de protección de su figura (1). Cualquier información u opinión en su contra es censurada.


A entrevista a El Comércio que teve resposta omitida


Así le ha ocurrido al también bloguero cubano Carlos Alberto Pérez, autor del blog “La Chiringa de Cuba”, que fue entrevistado vía Twitter por “El Comercio”, el diario de mayor tirada de Perú (2).

La entrevista, publicada en su versión digital, recogió todas las respuestas del bloguero, salvo una, la referida a su opinión sobre Yoani Sánchez (3). En su contestación, comedida y respetuosa, Carlos Alberto se limitó a señalar las vinculaciones de la citada bloguera con el gobierno de EEUU, sus ingresos de centenares de miles de dólares, y el tono de exageración en sus crónicas desde Cuba.

Esta censura de sus opiniones provocó que el bloguero enviara una protesta escrita al periodista peruano Ronny Isla, cuya explicación de lo ocurrido, vía Twitter, es clarificadora de cómo funciona esto que llaman “libertad de prensa”: “El retiro de la última pregunta (de tu entrevista) fue una decisión editorial, (ya que) Yoani Sánchez es columnista del (periódico) `El Comercio´”.

En la entrevista, además, el diario peruano presenta al autor de “La Chiringa de Cuba” como un bloguero que “no apoya al gobierno castrista pero sí a la Revolución”, algo que el entrevistado confirma como una invención del periodista. “¿En qué momento de la entrevista dije que no apoyo al `gobierno castrista´?”, se pregunta Carlos Alberto Pérez en su blog.

Y es que los grandes medios internacionales, en la información sobre Cuba, no solo practican una sistemática censura de cualquier crítica a sus protegidos. Además, reconvierten las posiciones de sus oponentes políticos en algo digerible para su línea editorial, presentando incluso a quienes apoyan a la Revolución cubana –en una grotesca pirueta periodística- en contrarios al Gobierno revolucionario de la Isla.


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=en&v=l7ILyc_lTe8&gl=US

*José Manzaneda es coordinador de Cubainformación.
___________
(1) http://www.elpais.com/articulo/opinion/Habana/gladiolos/elpepiopi/20111023elpepiopi_4/Tes


 (2) http://elcomercio.pe/tecnologia/1348403/noticia-ciberguerra-cuba-segun-blogger-que-dio-conocer-facebook-cubano


 (3) http://lachiringa.wordpress.com/2011/12/15/el-blogger-el-facebook-y-la-censura-de-el-comercio-de-per/


domingo, 29 de maio de 2011

TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA




ACJM/RS, em 29 de maio de 2011



“TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA” REÚNE REPRESENTANTES DE INSTITUIÇÕES JURÍDICAS, UNIVERSITÁRIAS E DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO PARA O JULGAMENTO DOS CINCO CUBANOS PRESOS NOS EUA

Além do julgamento, a VI Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba apresenta dois painéis para informar sobre o bloqueio midiático e as razões para as mudanças econômicas e sociais na Ilha

Por Vânia Barbosa, MTB 8927

Na tarde da última sexta – feira (27), os participantes do “Tribunal da Consciência”, em parceria com a Frente Parlamentar de Solidariedade ao Povo Cubano da Assembleia gaúcha e a Associação Cultural José Marti do RS, definiram a forma de julgamento dos Cinco antiterroristas cubanos presos, há quase 13 anos, em cárceres privados dos Estados Unidos.

O julgamento de Gerardo Hernández, René González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González ocorre na próxima sexta – feira (03/06), às 19h, no Plenário João Neves da Fontoura (Plenarinho), no 3º andar do Poder Legislativo, com a presença do Embaixador Cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodrígues, autoridades e representantes de entidades convidadas. O evento faz parte das atividades da VI Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, preparatória para o Encontro Nacional, em São Paulo, de 21 a 26 de junho.

Segundo o Coordenador da Frente Parlamentar, Deputados Raul Carrion, “a realização de um novo julgamento dos “Cinco”, mesmo simbólica contribui de forma ética/pedagógica para desvendar as dúvidas sobre a justiça e a imparcialidade do caso, e as condições de encarceramento as quais são submetidos”. Os “Cinco foram detidos por agentes do FBI e condenados a penas que vão de 15 anos a duas prisões perpétuas

Para o presidente da Associação Cultural José Marti, Ricardo Haesbaert, “o apoio da Frente Parlamentar e dos jurados - que representam importantes instituições e entidades do Estado – para realizar o “Tribunal da Consciência”, demonstra o forte interesse em avaliar não só tecnicamente, mas também eticamente um caso que intriga centenas de entidades internacionais e, inclusive, 10 Prêmios Nobel da Paz”.

O Tribunal será formado por uma juíza, três advogados de defesa, dois promotores, um relator e 12 jurados, além de estudantes de quatro universidades gaúchas e um dirigente da ACJM/RS, que representam os Cinco antiterroristas.

Participam do Júri

Presidente Nacional do Opinio Iuris e juíza aposentada, Antônia Mara Vieira Loguércio; Defensor Público Estadual: Carlos Frederico Guazzelli; Desembargador Rui Portanova; advogado e Coordenador da Assessoria Jurídica da Secretaria da Educação do Governo do RS, Edson Mello da Rosa; Advogada Marilinda Marques; Promotora do Ministério Público Estadual, Miriam Balestro; Procurador - Geral do Estado do RS, Carlos Henrique Kaipper; Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS, Ricardo Breier; Presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos RS, Jair Krischke; advogado e organizador do livro “Os cinco herois prisioneiros do Império”, Jeferson Braga (BA); Presidente da Associação de Juízes do RS – AJURIS, João Ricardo dos Santos Costa; advogados e dirigente da ACJM/RS Silvio Jardim; Jorge Garcia e Ronald Dutra; professor do Programa de Pós-Graduação em Neurociências – ICBS,da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jorge A. Quillfeldt; socióloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS, Ruth Ignácio e a Sub – Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Mari Perusso e o advogado e assessor parlamentar, João Augusto Moogen. Representando os “Cinco”: o dirigente da ACJM/RS, Guilherme Oliveira; os estudantes de Direito do Centro Universitário Ritter dos Reis, Gabriel Pontes Fonseca Pinto, da Fundação do Ministério Público – FMP, Pedro Prazeres Fraga Pereira, e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Jader Paz, além do dirigente da ACJM/RS, Gilberto Godinho.

A VI Convenção Estadual prevê, também, audiência com o Vice – Governador do Estado e o Embaixador cubano, e realiza dois painéis para informar sobre o bloqueio midiático a Cuba e as razões para as mudanças econômicas e sociais na Ilha.

Ainda na sexta – feira (3/06), o Vice – Governador gaúcho, Beto Gril, acompanhado de secretários do Estado, recebe em audiência, o Embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodriguez, o Presidente da ACJM/RS, Ricardo Haesbaert, o Coordenador da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba da Assembleia gaúcha, Deputado Raul Carrion, a jornalista cubana, Norelys Morales Aguilera, o Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS – Sindjors, José Nunes, além de dirigentes e apoiadores da ACJM/RS. Na pauta, o incentivo à integração e parcerias entre os governos de Cuba e do Rio Grande do Sul, nas áreas de saúde, educação, agricultura, biotecnologia, cultura e desportos.

No dia 4 de junho (sábado), às 9 h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, a ACJM/RS dá prosseguimento às atividades da sua VI Convenção com a Conferência do Embaixador Carlos Zamora Rodriguez, sobre Os bloqueios estadunidenses a Cuba e a política de realinhamento econômico e social do governo, aprovada, em abril, durante o Congresso do Partido Comunista Cubano – PCC. O cantor e compositor, Raul Ellwanger, encerra as atividades da manhã.

Também no Plenarinho, a partir das 14h ocorre o painel O bloqueio midiático a Cuba e as alternativas para enfrentá-lo, com a coordenação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS – Sindjors. Como painelistas participam a jornalista de Santa Clara – Cuba, Norelys Morales Aguilera, criadora da Red Blogueros y Corresponsales de la Revolución, dos blogs Islamía, El blog de Norelys e En la misma costura; a Jornalista e membro do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, Elaine Tavares; o Editor dos Sites Carta Maior e RS Urgente, Marco Weissheimer, e o Presidente do Sindjors, José Maria Nunes. A abertura terá a apresentação do cantor e compositor, Pedro Munhoz.

Às 17 h serão apreciadas as propostas apresentadas durante o encontro e defendidas na XIX Convenção Nacional, em São Paulo. A atriz Ana Campo apresenta o esquete “Fragmento: te doy una canción” - uma homenagem aos “Cinco” -, uma composição do grande músico cubano, Silvio Rodrigues.

Exposição “Minha Visão sobre Cuba”,

Durante os dois dias da convenção, o estudante de jornalismo e fotógrafo, Michael Susin, do município gaúcho de Caxias do Sul, expõe na Galeria dos Municípios, no térreo do Poder Legislativo, a mostra fotográfica “Minha Visão sobre Cuba”, resultado da sua participação, em novembro de 2010, no “VI Colóquio pela Libertação dos Cinco”, na Província de Holguín, e na “Brigada Internacional Contra o Terrorismo Midiático”, em Caimito, na ilha caribenha.

Para o evento a ACJM/RS conta, até este momento, com o apoio da Assembleia Legislativa do Estado; Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul – Sindjors; Blogueiros Progressistas do RS – BlogProgRS;

Maiores informações no Site: www.josemarti.com.br

Contatos: (51)3224 4953 (tarde) e email:

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Falleció el terrorista Orlando Bosch, en medio de la impunidad en Miami

Written by La Radio del Sur


Bocsh y Posada Carriles, dos terroristas internacionales protegidos por la CIA y en la impunidad total por los crímenes que cometieron

Resumen Latinoamericano/La Radio del Sur - Orlando Bosch, el terrorista que junto a Luis Posada Carriles planificó la voladura de un avión comercial cubano en 1976 que costó la vida a 73 personas, murió en Miami el miércoles, según un comunicado emitido en nombre de la familia y divulgado por el diario El Nuevo Herald.

Su muerte se produjo después de “enfrentar una larga y dolorosa enfermedad” que no fue detallada en el comunicado. La causa de su muerte no fue anunciada de inmediato. Tenía 84 años.

“Orlando falleció a las 12:05 de la tarde hoy (miércoles)”, dijo el comunicado citado por el diario de Miami.

Su cómplice, Luis Posada Carriles, fue juzgado recientemente en El Paso, Texas, bajo cargos de mentir a funcionarios de inmigración acerca de cómo se infiltró en el país en el 2005 y sobre su presunta participación en atentados contra lugares turísticos de Cuba en 1997. Fue absuelto de todos los cargos tras un juicio de 13 semanas que el jurado remató en tres horas, reseñó Cubadebate.

En 1976, Posada y Bosch fueron detenidos en Venezuela y acusados de planear el ataque contra el avión, sobre lo cual se cuentan con todo tipo de pruebas, incluyendo documentos oficiales del gobierno de los EEUU. Bosch fue absuelto de los cargos tras un proceso rocambolesco en Caracas, mientras Posada se fugó antes de que dictaran sentencia, y aún tiene esta causa pendiente ante la justicia venezolana, que reclama su extradición.

Bosch, en una autobiografía publicada en septiembre, incluyó un capítulo sobre el ataque al avión en el que afirma categóricamente que no tuvo “responsabilidad alguna en este sabotaje”. En una entrevista telefónica en julio del 2005, dos meses después de que Posada fuera detenido en Miami, Bosch le dijo a The Miami Herald que la verdad sobre la voladura del avión sería revelada en una cinta y documentos que se harían públicos después de su muerte.

Pediatra de profesión, Bosch abandonó la práctica médica para dedicarse al terrorismo contra el gobierno cubano. Además de la voladura del avión, el ataque más famoso atribuido a Bosch se produjo el 16 de septiembre de 1968 cuando él y otros terroristas dispararon un rifle sin retroceso contra un carguero polaco fondeado en el Puerto de Miami.

Encontrado culpable por el ataque, Bosch fue condenado a 10 años en la penitenciaría de Atlanta, y después de ser puesto en libertad condicional huyó al extranjero.

Bosch no volvería a Miami sino hasta 1988, a partir de un perdón que le otorgó George Bush, padre, antiguo empleador de Luis Posada Carriles en el caso Irán-Contras.

Bosch llamó a su estrategia de combate terrorista “guerra por los caminos del mundo”, un método por el cual estaba dispuesto a ir a cualquier parte del planeta para atacar objetivos cubanos, de acuerdo con El Herald.

Cronología realizada por la Agencia Cubana de Información sobre los actos terroristas de Orlando Bosch:

Orlando Bosch Ávila, médico pediatra de origen cubano radicado en Miami. Con 79 años de edad - los cumplirá el 18 de agosto próximo - posee un abultado expediente terrorista.

Su actividad criminal comenzó solo unos meses después del triunfo de la Revolución Cubana, en enero de 1959.

A continuación una cronología de las más sobresalientes y conocidas acciones de las que ha sido organizador, autor o cómplice directo.


1960:

A mediados de año su nombre apareció vinculado a las bandas contrarrevolucionarias en el Escambray, autoras de decenas de crímenes contra la población campesina.

Según sus propias confesiones -sin comprobar- participó como cabecilla de una de ellas, la que abandonó para trasladarse a Miami.

Investigaciones realizadas por la Comisión Permanente del Comité de Crímenes de la Cámara de Representantes de EE.UU, en 1978 indican que Bosch fue reclutado por la CIA desde ese propio año. Fue instruido por ella en técnicas de asesinato y sabotajes y de guerra de guerrillas.


Agosto de 1960:

Es nombrado representante de la organización Movimiento Insurreccional de Recuperación Revolucionaria (MIRR)


1961:

Organizó varios teams de infiltración en Cuba con el fin de brindar apoyo a las bandas que operaban en la Sierra del Escambray, en la región central del país y que fueron los autores de decenas de crímenes entre la población campesina asentada en ese lomerío.

Por órdenes de la CIA instala tres campamentos de entrenamiento en la Florida, con esos fines.


1963:

Organizó decenas de ataques terroristas desde aviones contra instalaciones económicas cubanas con un saldo de varios muertos y heridos y millones de pesos en pérdidas materiales.

Bill Johnson, ex piloto de la CIA, declaró haber volado con Bosch, bajo contrato, en incursiones aéreas contra ingenios azucareros cubanos.

17 de enero de 1965:

Lanzó bombas de napalm y fósforo vivo sobre el central Niágara, Pinar del Río. Declara entonces a la prensa de Miami: "Si tuviéramos recursos, ardería Cuba de un extremo a otro."


11 de junio de 1965:

Fue detenido en unión de cinco de sus hombres, en Zellwood, Orlando, Tampa, cuando trataba de sacar del país sin licencia 18 bombas aéreas. También se le ocupó un arsenal de armas de grueso calibre. Resultó acusado solamente de exportar material de guerra a pesar de haberse comprobado que se disponía a bombardear la refinería de La Habana.

En el proceso judicial se conoció que el MIRR había saboteado también el barco cubano Aracelio Iglesias cuando cruzaba el Canal de Panamá, causando daños por 145 mil dólares.


30 de septiembre de 1965:

Aviones al servicio de Bosch arrojaron explosivos sobre Punta Pastelillo y Puerto Tarafa, Camagüey.


Octubre de 1965:

Por órdenes de Orlando Bosch, en San Juan, Puerto Rico, se colocó una bomba en el casco del barco de turismo español "Satrústeguí", con 101 pasajeros y 109 tripulantes.

Bosch declaró "oficialmente" la guerra a España y Gran Bretaña por mantener relaciones comerciales con Cuba.

Ese propio año fue detenido en Hartford, Connecticut, por extorsionar a comerciantes cubanos negados a pagar contribuciones para financiar actividades terroristas.


15 de noviembre de 1966:

Desde un avión al servicio de Bosch fueron lanzados sobre una planta electroquímica "Cepero Bonilla", en la provincia de Matanzas.


1967:

Bosch transforma el MIRR en Poder Cubano, cambio que obedece a la necesidad de evadir los controles policiales.


1968:

Solamente ese año, el terrorista ejecutó 82 acciones terroristas diversas en los propios Estados Unidos contra intereses cubanos, norteamericanos y de terceros países.


8 de enero de 1968:

Explosión de una bomba dentro de una valija postal, en el almacén del Ministerio de Comunicaciones de Cuba. Fueron heridos tres trabajadores. Poder Cubano se

acreditó el hecho.

21 de enero de 1968:

Hombres de la organización Poder Cubano dinamitaron un avión modelo B-25 en el aeropuerto internacional de Miami, que transportaba medicinas a Cuba. Por demoras en la salida la carga de C-4 explotó antes de despegar y solo afectó un ala.


8 de febrero-22 de abril de 1968:

Poder Cubano se atribuye la colocación de cuatro bombas en New York, seis en Los Angeles, dos en Chicago, y en la residencia del cónsul de México en Miami, en una agencia de turismo de España y en los negocios de varios emigrados cubanos, en la misma ciudad.


3 de agosto de 1968:

Este día coloca dinamita en el buque mercante inglés Caribbean Ventura. Antes la residencia del cónsul británico en Miami, Francis Pelly, fue objeto también de un atentado con bomba.


13 de septiembre de 1968:

Dinamita Poder Cubano el barco mercante español Coromoto, en San Juan, Puerto Rico.

16 de septiembre de 1968:

Es impactado por un proyectil de cañón de 57 milímetros el barco mercante polaco Polánica, anclado en el puerto de Isla Dodge, EE.UU. La acción se la atribuyó Poder Cubano.


Noviembre de 1968:

Un jurado de Estados Unidos declaró a Orlando Bosch Ávila culpable de terrorismo contra barcos mercantes, firmar comunicados amenazantes a la prensa y la realización de otros 40 actos terroristas ejecutados en Miami en ese año. Fue condenado a 18 años de prisión por cinco cargos diferentes. Desde prisión mantiene su actividad como dirigente de Poder Cubano.


15 de diciembre de 1972:

Fue puesto en libertad condicional después de haber cumplido solo cuatro años en la cárcel.

Enero de 1973:

Para evadir nuevamente los controles policiales Bosch suprime Poder Cubano y crea Acción Cubana, con iguales fines terroristas.

En meses posteriores pacta con las autoridades norteamericanas, comprometiéndose a no realizar actos terroristas en su territorio y dirigir sus actividades contra entidades y personal cubano.


1974

Bosch abandonó Estados UNDISO PARa eludir al FBI, que lo busca como presunto autor del asesinato del dirigente contrarrevolucionario de origen cubano Elías de la Torriente.


Junio de 1974:

Se trasladó ilegalmente a Chile para solicitar apoyo de la Junta militar fascista de Augusto Pinochet. Se involucró en acciones criminales de todo tipo, entre ellas el asesinato del general Carlos Prats y su esposa, en Buenos Aires, 1974; el atentado en Roma 1975 contra Bernardo Leighton, vicepresidente del Partido Demócrata Cristiano chileno en el exilio y el asesinato en Washington, 1976, del ex canciller chileno Orlando Letelier y su colaboradora Ron Moffitt; también toma parte en 14 acciones terroristas contra misiones diplomáticas y personal cubano en distintos países.

Junio de 1976:

Fundó en Bonao, República Dominicana, el CORU (Coordinadora de Organizaciones Revolucionarias Unidas), integrado por cinco organizaciones contrarrevolucionarias y que ejecutarían en ese y siguientes años decenas de acciones terroristas contra entidades cubanas, de países centroamericanos y europeos.


10 de julio de 1976:

Un artefacto explosivo estalla en las oficinas de la línea aérea British West Indies, que representa los intereses de Cubana de Aviación en Barbados. Autor: CORU.


11 de julio de 1976:

Atentado contra Air Panamá, en Colombia. Llevado a cabo por elementos del CORU.


23 de julio de 1976:

Asesinato del funcionario del Instituto Cubano de la Pesca en Mérida, Yucatán, Artagñan Díaz Díaz, cuando intentaban secuestrar al cónsul cubano. El crimen se lo atribuyó el CORU.


9 de agosto de 1976:

Secuestro y asesinato por miembros del CORU de dos funcionarios cubanos acreditados en Argentina. Los hacen desaparecer en el mar.


Agosto de 1976:

Orlando Bosch Ávila aparece al frente de escuadrones de la muerte vinculados a la Operación Cóndor para, según dijo, hacer un "Frente Solidario, fuerte, pujante y virilde combate al comunismo en el continente."


Septiembre de 1976:

El periodista Jay Mallín, del semanario norteamericano Time, definió al médico pediatra del siguiente modo: "El éxito de Bosch tiene una explicación muy simple, él es del viejo estilo gangsteríl de Chicago, si usted no paga, él le pone una bomba en su oficina, así de sencillo...Bosch es un extorsionista, no un patriota."


6 de octubre de 1976:

Este día fue la destrucción en pleno vuelo, en Barbados de un avión de Cubana de Aviación, donde perecieron las 73 personas a bordo, de ellos 57 cubanos, 11 guyaneses y cinco coreanos. Bosch fue uno de los organizadores del sabotaje.

Apenas iniciadas las investigaciones aparecen Orlando Bosch y Luis Posada Carriles como principales autores intelectuales de tan horrendo crimen. Resultó detenido por las autoridades venezolanas y sometido a juicio.

Como ha sido comprobado mediante los documentos de la CIA y el FBI desclasificados recientemente, el gobierno norteamericano conocía los detalles de este criminal acto terrorista y ocultó información a los tribunales venezolanos.


24 de octubre de 1976:

a estuvo relacionada con los grupos entrenados por la CIA, y mencionó entre sus más connotados autores a Orlando Bosch.


1987:

Después de 11 años de dilaciones jurídicas por el atentado de Barbados, fue sancionado por un tribunal venezolano.

Posteriormente lo deportaron hacia Estados Unidos, donde después de nueve meses de encarcelamiento fue puesto en libertad por órdenes del presidente George Bush, padre, en virtud de gestiones de la Fundación Nacional Cubano Americana (FNCA).


Este perdón fue concedido a pesar de que el fiscal general en funciones Joseph D. Whitley, le negó asilo "por ser un peligroso terrorista y constituir una amenaza pública." Antes, 31 países habían rechazado el pedido oficial del gobierno norteamericano de acoger al terrorista.

En un editorial del Times sobre el tema, se planteó que "fue liberado no por exigencias legales sino por una visible presión política, malgastando la credibilidad estadounidense en materia de lucha contra el terrorismo."


1990:

a mediados de julio, un editorial del The New York Times recordó que entre los más entusiastas defensoras de la liberación de Bosch estuvo el hoy gobernador de la Florida, Jeb Bush.

Después de su liberación, Orlando Boshc continuó sus actividades terroristas contra Cuba en el grupo Partido Protagonista del Pueblo, sin siquiera ser molestado por las autoridades norteamericanas, a pesar de que hace constantes alardes públicos y en la prensa sobre su vocación por la violencia a la que, confiesa, no ha renunciado.

Vive con total impunidad en una confortable residencia en Miami, con la generosa protección política y económica de la Fundación Nacional Cubano Americana (FNCA)

"A veces sale a la calle con la pulsera de seguimiento que le instaló el FBI, y otras veces se olvida," según plantea en su artículo "Los Bush y el terrorismo Bosch" el periodista colombiano Hernando Calvo Ospina, quien se declaró testigo de tales "olvidos".


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quando meias palavras transformam uma meia verdade em mentira.


Por Maria Fernanda Araújo e Otávio Marhofer Dutra*


Em resposta ao texto: “Vamos cercar de solidariedade os trabalhadores e o povo cubano” publicado pela LIT-QI e pelo PSTU.

Somos estudantes brasileiros em Cuba, país irmão no qual vivemos há quatro anos, e escrevemos este texto a fim de solidarizar-nos verdadeiramente com nossos hermanos e de contribuir sobre a reflexão quanto ao processo revolucionário cubano.

Confessamos que num primeiro momento a leitura do referido texto causou tamanha indignação, diante de tantos equívocos e disparates sobre uma realidade a qual estamos tendo a incrível oportunidade de vivenciar. No princípio, nos questionamos sobre as reais intenções deste texto. Longe de ser uma análise concreta sobre a realidade cubana, acreditamos que o texto da LIT não supera uma visão superficial, fragmentada e idealista de um complexo processo, impossível de compreender em poucos dias de viagem pelos rincões turísticos do país.

Essa é uma questão fundamental: para realizar qualquer discussão ou análise sobre a Revolução Cubana é necessário antes despir-nos de dogmas e preconceitos, compreendendo-a por si própria em sua diversidade. Os únicos pressupostos pelos quais devemos orientar-nos são que a realidade é dialética, e portanto contraditória e dinâmica, de maneira que toda transformação contém elementos do passado e embriões do futuro; e que é necessário ser radical, ou seja, compreender seus problemas a partir das suas raízes.

Sobre os caminhos históricos desde o triunfo de 1959

Sem a ciência da história ao nosso lado - buscando compreender sua dinâmica e seu movimento, sem cair nas facilidades das dicotomias ou dos atos de fé - podemos realizar análises equivocadas, seja pela ingenuidade, ignorância ou pelo oportunismo. No texto da LIT as falsas dicotomias entre bem ou mal e certo ou errado são tratadas como verdades absolutas e os sentidos comuns são o que há de mais freqüente. Assim cabe a nós fazer uma breve reflexão histórica, em que por razões dos objetivos do texto trataremos de 1959 aos dias de hoje.

Com o triunfo da revolução em primeiro de janeiro de 1959, à medida que avançavam as conquistas do heróico povo cubano, crescia também a contra-ofensiva do império. Ainda em 1961, a CIA financia e organiza o ataque de 1200 mercenários a Playa Girón, cujas tropas foram derrotadas pelo povo combatente. Foi então que para organizar o povo cubano e defender suas conquistas foram criados os Comitês de Defesa da Revolução – CDR, possibilitando a construção do socialismo e da democracia popular em cada bairro.

Em 16 de abril de 61, Fidel declara o caráter socialista da Revolução Cubana e com a vitória de Playa Girón, que cumpre 50 anos este 19 de abril, o governo revolucionário realiza mais expropriações de empresas estratégicas e planificação do Estado. Depois desse, vieram muitos outros ataques, que seguem até os dias de hoje. Como se não bastasse, em 1962 os EUA expulsam Cuba da Organização dos Estados Americanos - OEA, e declaram o bloqueio econômico à ilha socialista, buscando impedir que outros países comercializem ou desenvolvam qualquer tipo de relação com este país. Com o bloqueio genocida, Cuba estreita suas relações com a União Soviética, através de acordos comerciais, militares e de solidariedade.

A partir da vitória de 61, os feitos da revolução cubana seguiram impressionando. Em poucos anos Cuba desenvolve-se como potência científica em diversas áreas, como a medicina e a farmacologia. Torna-se o país com maior expectativa de vida e menor mortalidade infantil das Américas, números comparáveis aos mais desenvolvidos países europeus. Desenvolve-se no âmbito dos esportes e cultural, sendo, por exemplo, o país de todo mundo com o maior percentual de escritores per capita, mostra do nível intelectual alcançado pelo povo durante o socialismo. Nas artes plásticas, na dança, na música, no cinema e no teatro a revolução deixou também sua marca: um povo culto é um povo livre, parafraseando José Martí.

O povo cubano em sua grande maioria, ao contrario do que afirma a LIT, é extremamente crítico e conhecedor da sua história e da história dos outros povos do mundo, atualizado como nenhum outro sobre a conjuntura e os desafios dos processos que vivem os oprimidos em qualquer parte. É, sobretudo, um povo ativo e autônomo, soberano e independente, pouco passível às manipulações e ilusões de falsas verdades.

Pátria é humanidade: o internacionalismo de Cuba

Seguimos utilizando a história como instrumento para compreender outros disparates do texto da LIT, que peca pela ausência de base científica. O texto afirma que “a direção cubana implementou a mesma política que tiveram as direções da URSS, China, Alemanha Oriental etc.: a coexistência pacífica com o imperialismo, ao invés da revolução latino-americana e mundial”. O socialismo cubano, como a história prova, não acabou em si mesmo e muito menos coexistiu pacificamente com os EUA, como brevemente relatamos acima. Os cubanos deixaram marcas de emancipação em diversos países e internacionalizaram sua revolução mais do que qualquer outra. Um país pobre, de pequenas extensões geográficas e bloqueado economicamente por grande parte do mundo, jamais hesitou em solidarizar-se com um povo irmão. Desde a década de 60 aos anos 90 apoiou direta ou indiretamente as tentativas emancipatórias na América Latina, exportando sua experiência de guerrilhas, treinando militantes política e militarmente, ou apoiando financeiramente e com recursos humanos diversas organizações e governos revolucionários. Bolívia, Chile, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, El Salvador, Peru, Nicarágua, Guatemala, México são alguns dos exemplos na América Latina. Na África contribuíram com exércitos e profissionais diversos aos esforços de libertação nacional de várias nações, como Angola, Etiópia, Congo, Moçambique (e muitos outros) sendo sua participação fundamental para o fim do regime Apartheid na África do Sul.

Desde o triunfo da revolução já somam centenas de milhares os jovens oriundos de países da periferia do sistema que receberam cursos universitários em Cuba; dezenas de milhões os que foram alfabetizados por cubanos e cubanos; milhões os que voltaram a enxergar através cirurgias de catarata realizadas pelas missões médicas cubanas; dezenas de milhões que receberam atenção médica cubana nas mais diversas áreas, seja em desastres ambientais, epidemiológicos (como recentemente o terremoto e a epidemia de cólera no Haíti) ou para estruturar os sistemas nacionais de saúde e educação. Detalhe, Cuba realiza o que considera um princípio – a solidariedade – sem exigir nada em troca. Pelas proporções dos seus gestos, jamais houve tamanho internacionalismo. Quem diga o contrario ou desconhece profundamente a história ou bem intencionado não está.

Hoje, mesmo enfrentando tantas dificuldades econômicas, Cuba segue sendo vanguarda no que se refere à solidariedade internacional. Um exemplo é que atualmente estudam em Cuba cerca de 50 mil estudantes estrangeiros, dos mais diversos cursos universitárias, sendo a maioria medicina. Além disso, as missões cubanas de solidariedade na área de saúde e educação estão presentes em mais de 70 países. Somente na Venezuela são mais de 35 mil cubanos, entre médicos, profissionais da saúde e educadores.

Outro relevante exemplo do internacionalismo do socialismo cubano é o projeto Escola Latino Americana de Medicina - ELAM, idealizado pelo Comandante Fidel Castro em um momento em que toda a América Central havia sido assolada por três furacões. O projeto ELAM já possui 12 anos de existência, com uma grande quantidade de médicos atuando em toda a América Latina. Atualmente, cerca de 700 brasileiros estudam em Cuba, outros 400 já se formaram, e em sua maioria estão comprometidos em trabalhar para construir um SUS 100% público, estatal, universal, integral e eqüitativo para o povo brasileiro, em que a gestão popular seja o principal instrumento de controle e planificação, a exemplo do que vivenciamos diariamente em Cuba.

A desintegração da URSS e as contradições atuais

Seguindo os caminhos da história chegamos no período de desintegração da URSS e do bloco socialista. Na década de 80 recordamos que os acordos com o campo socialista passaram a responder por 85% do intercambio de mercadorias realizadas por Cuba, aprofundando a dependência econômica. Na década de 90, com a desintegração da URSS e do socialismo no leste europeu, teve inicio uma das épocas mais difíceis da história do aguerrido povo cubano: o período especial.

No primeiro ano após a dissolução do campo socialista do leste europeu e da União Soviética, o produto interno bruto decaiu 33%. A questão energética foi uma das mais prejudicadas, colapsando o transporte e a indústria. Cuba infelizmente possui reservas muito pequenas e de difícil acesso de recursos como o Petróleo ou carvão mineral. Um exemplo do caos energético gerado foram as muitas safras de alimentos que apodreceram no campo, já que sem combustível para o transporte não podiam ser deslocadas às cidades. Faltavam alimentos, remédios e outros produtos essenciais, como de vestuário e higiene. Nesse contexto, o cruel bloqueio imperialista tornou-se ainda mais perverso. Mas para a LIT tudo segue preto ou branco e, ignorando a lógica marxista, simplifica superficialmente as soluções para problemas tão profundos e complexos.

Mesmo com tamanhas dificuldades, em pleno período especial, o povo cubano ratifica sua vontade de seguir construindo o socialismo em plebiscito nacional, com mais de 90% dos votos e uma participação de quase 100% da população, com voto secreto, não obrigatório e universal aos maiores de 16 anos. Talvez, por tão heróica resistência e convicção do rumo escolhido, que Fidel considera o Período Especial “o mais glorioso dos 50 anos da Revolução Cubana”.

O povo cubano viveu anos de profunda escassez e sacrifícios. De fato, a dependência econômica que mantinha do campo socialista era profunda, o que se mostrou um grande equivoco na construção do socialismo em Cuba, talvez o maior que cometeram. As seqüelas da dependência se mostraram mais perversas no período especial, o país entrou em colapso. No entanto, julgar a história desde o futuro é fácil. As autocríticas da direção do Partido Comunista e das organizações de massa do povo cubano foram muitas e periódicas, mas não transformam o passado. Servem principalmente para evitar que erros similares voltem a ocorrer.

O período especial gerou também uma serie de novas contradições cujas soluções são hoje, junto com o desafio de dinamizar a economia, os principais desafios para o avanço do socialismo em Cuba. Para reverter o processo de carência e dependência econômica criaram-se diversas empresas mistas (parcerias entre o Estado - sócio majoritário – e empresas capitalistas), com a finalidade de ampliar a infra-estrutura industrial, aumentar e diversificar a produção de bens de consumo para a população. Para incrementar a arrecadação do Estado, Cuba foi obrigada a abrir-se ao predatório turismo internacional e, para isso, fazer concessões as grandes redes turísticas, que detém o monopólio do turismo na Europa e América do Norte, de onde vem o grande contingente de turistas a Cuba. O povo cubano não teve escolhas, porque infelizmente a história não depende somente dos desejos, e os cubanos sabiam em que barco estavam entrando e os problemas que estavam por surgir. Mas para a LIT a resposta continua simples e se resume na seguinte fórmula: Cuba restaurou a economia de mercado.

Com tais medidas, Cuba pôde evitar a ofensiva da contra-revolução capitalista, como ocorreu nos países do antigo bloco socialista. Admirável é a convicção com que LIT defende essas contra-revoluçoes financiados pelo imperialismo, que deterioram a vida de milhões nesses países, como revoluções sociais. Através do controle do Estado sobre as principais empresas estratégicas, planificação da economia e a manutenção das mais importantes conquistas da revolução nas áreas da saúde, educação, arte e cultura e produção de ciência e tecnologia Cuba pode resistir a tal contra-ofensiva. No entanto, este longo período de dificuldades materiais foi bastante marcante na determinação da consciência social. Um grande contingente de cubanos deixou o país durante os anos do período especial, e problemas como a prostituição, o mercado negro e a corrupção, tornaram-se presentes. As desigualdades internas foram intensificadas, especialmente quanto à valoração do trabalho.

Com o objetivo de proteger a população e garantir o mínimo necessário para que todo cubano pudesse seguir vivendo dignamente foi criada uma economia interna “fictícia”, com desvalorização da moeda e forte subsidio do Estado Cubano aos produtos essenciais. Assim, com o período especial foram criadas duas moedas: o Peso conversível (equivalente ao dólar), utilizado nas transações comerciais internacionais e no turismo; e o peso Cubano (que equivale a 1/24 de peso conversível), utilizado no mercado interno de produtos subsidiados pelo Estado.

Todo trabalhador cubano recebe seu salário em peso cubano, e compra seus alimentos e produtos de primeira necessidade com valores muito abaixo do mercado internacional. O salário mínimo é de cerca 400 pesos cubanos, equivalentes aos 18 dólares relatados no texto da LIT. Mas, o essencial que omitiu é o real poder aquisitivo do peso cubano internamente. Exemplifiquemos. O quilo do arroz e do feijão custam 2 pesos cubanos, equivalente a 15 centavos de real para o cubano. O litro do leite custa menos de 1 peso cubano e é gratuito para as crianças de até 10 anos e idosos com mais de 60. A tarifa de ônibus vale 40 centavos de peso cubano (equivalentes a 3 centavos de real) e o pagamento é opcional. Uma sessão de cinema, teatro ou ballet não passa de 40 centavos de real, ou 5 pesos cubanos, isso quando não são oferecidos os freqüentes descontos aos trabalhadores ou estudantes. Agora façamos as contas: algum cubano “passa fome”?

Contudo, um trabalhador que recebe seus ganhos em Peso conversível (em geral aqueles que trabalham em setores vinculados ao turismo, como um taxista particular, alguém que recebe dinheiro de um familiar no exterior ou que aluga um quarto para estrangeiros), já que esta moeda tem um valor 24 vezes maior que o peso cubano, têm maiores possibilidades de consumo que um exemplar operário, um engenheiro, um médico ou um reconhecido professor universitário. Um problema que já é grande por si só é amplificado pelas informações equivocadas da LIT, quando afirma que “os cubanos que trabalham nas empresas internacionais não têm a proteção do Estado “socialista” cubano. Ao contrário, o trabalhador cubano não recebe o mesmo salário que essas empresas pagam em outras partes do mundo. Os cubanos só ganham os seus miseráveis 18 dólares mensais”. Basta informar-se minimamente para rebater esta falácia.

O Estado Cubano recebe pelo trabalho de qualquer cubano de uma empresa mista um valor próximo à média que recebe um trabalhador com semelhante capacitação em qualquer lugar do mundo. Dependendo da função do trabalhador e de sua preparação técnica repassa cerca de 10% desse salário. Um engenheiro de uma empresa mista com um salário em torno de 3 mil dólares recebe cerca de 300 dólares do Estado, que utiliza os outros 2700 para financiar os gastos sociais. Com 300 dólares um trabalhador cubano tem a possibilidade de viver confortável e dignamente em Cuba.

No entanto contradições como essa têm sido um dos maiores desafios do Estado cubano, do Partido Comunista e das organizações de massa do povo. A fim de avançar na superação delas, o governo revolucionário tem proposto à população uma série de reformas que visam principalmente aumentar a produtividade de setores estratégicos (especialmente àqueles vinculados à alimentação e o desenvolvimento de meios de produção). Uma delas trata da legislação trabalhista e objetiva aumentar a produtividade industrial e a agilidade dos serviços, por meio de incentivos materiais aos trabalhadores mais dedicados e comprometidos com a revolução.

Tal medida vem no sentido de reafirmar o principio socialista de “receber de acordo com seu próprio trabalho e esforço”, rumando assim no sentido de diminuir a burocratização dos serviços e a corrupção, que estagnam a produção. Outra importante medida adotada recentemente é a distribuição das terras ociosas do Estado aos pequenos agricultores e a garantia de condições para produzir, com o objetivo de aproximar Cuba da soberania alimentar, com aumento e diversificação da produção agrícola. Este é um dos grandes desafios de Cuba: manter os trabalhadores na terra.

Tendo em vista a ampla especialização da força de trabalho no país, em virtude do acesso irrestrito à educação, atualmente em Cuba faltam agricultores, trabalhadores técnicos, e sobram especialistas universitários a um ponto que em muitos setores da economia parte significativa da força de trabalho não está vinculada diretamente à produção. Com isso, por resolução do Conselho de Ministros da Assembléia Nacional do Poder Popular, debatida em todas as instâncias da sociedade cubana e movimentos de massa, tem sido realizada a redistribuição, e não a demissão como insiste erroneamente a LIT, dos trabalhadores nos diferentes setores da economia, de maneira que em cada local de trabalho pelo menos 80% dos trabalhadores sejam vinculados diretamente à produção, de maneira a aumentá-la e diminuir a burocracia do estado. Para atender à demanda de trabalhadores que não queiram ser redistribuídos, o Estado cubano aumentou a rede de serviços, ampliando a possibilidade de abertura de pequenos negócios (como cafeterias, restaurantes, cabelereiros, aluguel), assim como a ampliação de vagas em cursos técnicos.

Outro equivoco, por omissão de parte da verdade, é quando diz que “a maioria dos produtos que faziam parte da caderneta de abastecimento foi eliminada, ao mesmo tempo em que se anuncia o fim da própria caderneta”. Isso realmente tem acontecido, no entanto os produtos têm sido redirecionados aos setores sociais mais desfavorecidos. O fim do igualitarismo é uma das metas em curto prazo, já que isso não é um princípio socialista. Se é fato que a sociedade cubana hoje apresenta níveis de desigualdades (em proporções abismalmente distintas de qualquer sociedade capitalista) é dever do Estado socialista buscar um resgate do equilíbrio. Esse é um dos atuais objetivos. A caderneta pode num futuro deixar de ser universal para atender mais e melhor aos que mais precisam. Além disso, o texto da LIT diz que “na maioria das empresas os refeitórios foram fechados”. Ao contrário: os trabalhadores estão recebendo um incremento diário de cerca de 15 pesos cubanos e foram abertos restaurantes nas mesmas empresas que servem refeições de 5 a 15 pesos cubanos, com comidas de melhor qualidade, menos desperdícios e corrupção. O texto da LIT é repleto de meias palavras.

Agora, quando afirmam que “as belas crianças cubanas não tem brinquedos. Não poucos brinquedos. Sem brinquedos. É que os brinquedos são proibidos” parecem estar brincando. Não apenas tem brinquedos, como brincam durante todo o dia, e estão bem alimentadas. Aliás, 100% delas estão nas escolas, que é obrigatória até os 14 anos, em que as aulas iniciam às 8h e terminam às 16h. As crianças recebem alimentação e toda a atenção pedagógica durante esse período e não existe perspectiva alguma de acabar com “o período integral nas escolas”. Nenhuma criança cubana trabalha. Elas apenas estudam e brincam. Se para a LIT os brinquedos tem que ser os caríssimos brinquedos das grandes indústrias capitalistas e do consumismo ou um vídeo game de última geração e não apenas objetos para divertir e incentivar a criação e a imaginação da criança então, e somente assim, poderíamos afirmar que em Cuba as crianças não tem brinquedos.

Democracia em Cuba: o povo no poder

O texto da LIT afirma que em Cuba existe “uma ditadura muito similar às piores e mais sanguinárias ditaduras do mundo”. Uma prova disso deve ser o fato de que Cuba é o país da América Latina com a menor taxa de homicídios do continente e uma das menores do mundo. Ou que é o país do nosso continente com o menor proporção de presos e prisões.

Vejamos, então, como é a estrutura de poder nesta ilha socialista. A estrutura de poder em Cuba inicia desde baixo, desde cada quadra: os CDR’s (Comitês de Defesa da Revolução). Estes têm função de garantir a segurança, a limpeza, a organização e convivência coletiva. O conjunto de CDR’s forma a Circunscrição, formada por cerca de 2 mil cubanos. Cada uma delas realiza Assembléias Comunitárias periódicas para debater desde as questões mais relevantes do bairro até os mais importantes temas da economia nacional. A presença nas assembléias não é obrigatória, mas é difícil chegar numa em que não exista ao menos um representante por família. Inclusive as crianças têm direito a expressão, e o utilizam intensamente. Nessas assembléias se indicam os candidatos do bairro para delegados da Assembléia do Poder Popular Municipal, órgão máximo a nível do município. Por voto livre, universal (aos maiores de 16 anos), secreto e não obrigatório elegem os delegados. Todos os cubanos e cubanas podem se candidatar, desde que maiores de idade. Os candidatos podem anunciar sua própria candidatura nas reuniões públicas realizadas nos seus bairros, ou serem indicados por organizações de massas (estudantes, trabalhadores, mulheres etc.).

O Partido Comunista Cubano não indica nem escolhe candidatos. Depois, os cubanos escolhem os candidatos a delegados da Assembléia Provincial, por indicação das organizações de massas e das Assembléias Municipais e os deputados da Assembléia Nacional, em que os candidatos são indicados pelas mesmas organizações. As eleições para a Assembléia Municipal ocorrem a cada dois anos e meio. Já os pleitos para a Assembléia Provincial e a Assembléia Nacional são realizados a cada cinco anos.

As Assembléias do Poder Popular - APP são a máxima estrutura do poder a nível Municipal, Provincial ou Nacional. Entre seus representantes são divididas as funções executivas do Estado, em que apenas se executam as deliberações da APP. Todos os delegados ou deputados podem ter seu mandato revogado a qualquer momento pela base que representam. Nenhum recebe nem um centavo a mais pelo cargo, recebe o mesmo salário que tinha antes de ocupar a função.

As campanhas eleitorais são feitas por meio de um cartaz padronizado, em que todos os candidatos têm o mesmo espaço para expressar suas idéias e sua biografia. Os cartazes são colocados nos principais locais de movimentação do povo, publicados nos jornais de circulação massiva e divulgados na televisão, com o mesmo tempo e formato gráfico.

O presidente de Cuba não passa de mero executor das deliberações da APP Nacional, não tendo qualquer poder para além dessa. Antes de tudo, como qualquer outro membro da APP Nacional, o presidente de Cuba deve ser eleito deputado. Fidel, nas últimas eleições foi eleito deputado com cerca de 97% do votos em sua província e Raul Castro com 98%. Os dois tiveram iguais condições de apresentar sua candidatura que qualquer outro candidato.

Vale esclarecer que o Partido Comunista Cubano não cumpre nenhuma função de Estado, e todos suas posições, para tornarem-se realidade, devem ser construídas junto ao povo, que pode ou não reconhecer as posições do PCC como as mais acertadas. Caso não exista o convencimento do povo pelo Partido as políticas simplesmente não são aplicadas.

Dessa forma, consideramos que a comparação do nível da democracia cubana com qualquer “democracia” ocidental, deve ser bastante cuidadosa, já que em tais democracias o poder do povo está restrito ao voto, absolutamente manipulado pelos interesses econômicos e pelo monopólio da mídia, em que são os partidos da ordem e as classes dominantes, e não o povo, quem ditam as regras. Já a comparação da democracia cubana com “as piores e mais sanguinárias ditaduras do mundo”, em coro com o discurso de Bush ou Obama, para nós que vivemos há 4 anos nesta ilha e participamos ativamente dos instrumentos democráticos construídos pelo povo cubano, é sem dúvida a maior de todas as mentiras expressadas pela LIT em seu texto.

Acesso à informação

Os ataques imperialistas não cessam, mesmo o texto da LIT afirmando que a convivência é pacífica. O assassino bloqueio segue vigente, mesmo com as sucessivas votações contrárias nas assembléias da ONU, em que apenas 3 nações do mundo se mantêm favoráveis a sua continuidade. Os prejuízos para Cuba são incalculáveis: em apenas 8 horas de bloqueio o governo cubano poderia reparar cerca de 40 creches ou em 1 dia comprar 139 ônibus de transporte urbano. O caso dos cinco heróis cubanos é outro exemplo da desumanidade que impõe o monstro do norte - como definia Simon Bolívar – presos por lutar contra o terrorismo dos EUA.

É parte verdade o que diz o texto da LIT: nenhuma organização cubana votou pela proibição do acesso à internet. Sua restrição – e não sua proibição – é outro exemplo da ação do bloqueio estadunidense em Cuba, pois o monopólio e bloqueio do acesso a sinal de internet desde de satélites ianques, e pelos cabos que passam pelo Caribe fazem com a banda total de internet de Cuba seja menor do que uma Universidade Federal do Brasil, restringindo seu acesso aos trabalhadores em seus locais de trabalho (governo, escolas, hospitais, policlínicas), hotéis, Joven Clubs (espécie de lan house) e a residência de profissionais especializados. Essa situação se espera que melhore logo que o cabo submarino de fibra ótica que está sendo construído através da ALBA desde Venezuela chegue a terras cubanas.

Quanto ao acesso à informação no país, é verdade que o Granma é o órgão de informação oficial do Partido Comunista Cubano, que é distribuído em todo o país. Mas o/a autor(a) do texto esqueceu de informar sobre as outras dezenas de publicações especializadas, políticas, culturais e de lazer publicadas em todo o país, por organizações populares, nas quais as criticas e autocríticas ao processo revolucionário são freqüentes, quase cotidianas. E bem se vê que o/a correspondente da LIT aproveitou bastante sua viagem pelo Caribe e sequer teve um tempinho de assistir à televisão recheada de programas, filmes e documentários nacionais e das maiores redes de televisões do mundo em canal aberto e estatal, sem espaços para propagandas comerciais. Infelizmente, talvez não pôde aproveitar os debates com especialistas cubanos e de outros países sobre a situação no Oriente Médio, ocorridos no programa Mesa Redonda, que diariamente enfoca temas de importância nacional e internacional em horário nobre. Ou assistir na televisão os jornais diários, ou ler algumas das reflexões do companheiro Fidel e de muitos outros intelectuais cubanos sobe o assunto, publicadas tanto no próprio Granma quanto em periódicos internacionais e na internet.

Dessa forma afirmamos categoricamente que a LIT se equivoca quando diz que “o governo e o Partido Comunista Cubano (...) não permitem que chegue, por meio da televisão ou da rádio (ambas controladas pelo governo), qualquer tipo de informação sobre o que as massas estão fazendo nos países árabes”. Para verificar a verdade não é necessário muito esforço, nem estar em Cuba, basta entrar nos inúmeros sites cubanos (inclusive das redes de televisão e rádio) que informam sua própria população e o mundo sobre o processo que vivem os povos árabes.

As estatísticas não mentem

Segundo o texto, o cubano vive no pior dos mundos (...). A partir da revolução, Cuba transformou-se no país mais igualitário da América, mas hoje é exatamente o contrário. Certamente, Cuba tornou-se o país mais igualitário das Américas, e quiçá as contradições surgidas com o período especial possibilitaram o surgimento de algumas diferenças sociais. Contudo, engana-se quem afirma que Cuba perdeu seu status de país mais igualitário da América, e isso percebemos cotidianamente: em Cuba, você jamais verá uma criança pedindo esmola. Pelo contrário, você encontrará inúmeros jovens brasileiros e demais latino-americanos e caribenhos, ex-crianças de rua, sem terra ou sem teto, tendo a possibilidade de estudar medicina, além de outras carreiras como engenharia, agronomia, arte, educação física, pedagogia. Jovens estes originários de países em que o acesso à educação, saúde, moradia e cultura é ainda limitado, mesmo sendo uma das dez maiores economias do mundo, como é o caso do Brasil.

Isso é visível nos dados sócio-econômicos sobre Cuba, publicados e disponíveis em sites de organizações de referência internacional, como a Organização Mundial da Saúde ou da ONU. Nestes 50 anos de Revolução, mesmo diante de condições econômicas diversas, Cuba atinge taxas de Índice de Desenvolvimento Humano e de expectativa de vida invejáveis. O Brasil, por exemplo, que possui o oitavo maior Produto Interno Bruto do Mundo (estimado em US$ 1,995 trilhões em 2007, e um PIB per capita de US$ 10.296), possuía no mesmo ano o 75º IDH do mundo, e tinha uma media de expectativa de via em 72,4 anos (92º no ranking mundial). Enquanto que Cuba, no mesmo período, sendo a 85ª economia (PIB de US$ 51,11 bilhões, e um per capita de US$ 4,5 mil), era o 51º em IDH (o,86) e 37º em expectativa de vida (78,3 anos).

Outro indicador importante, oferecida pela Oficina Nacional de Estadísticas de Cuba, é a progresão da mortalidade infantil e materna nos últimos anos, assim como os de acesso aos serviços de saúde, conforme segue abaixo.

Evolución de los indicadores de salud. Años seleccionados


Indicadores seleccionados

1960

1980

1990

1995

2000

Tasa de mortalidad infantil (por mil nacidos vivos)

42,0

19,6

10,7

9,4

7,2


Tasa de mortalidad en niños menores de 5 años (por mil nacidos vivos)

42,4a

24,3

13,2

12,5

9,1


Índice de niños con bajo peso al nacer (en %)

...

9,7

7,6

7,9

6,1


Tasa de mortalidad materna (por 100 000 nacidos vivos)

120,1

52,6

31,6

32,6

34,1


Partos atendidos en instituciones hospitalarias (%)

63,0

98,5

99,8

99,8

99,9


Habitantes por médico

...

635

275

193

169


No último ano, Cuba alcançou a cifra de mortalidade infantil de 4,4 para cada mil nascidos vivos. Essa progressão mostra como, mesmo em tão difíceis condições econômicas e de embargo depois de mais de 20 anos do fim da URSS, os indicadores sociais de Cuba continuam melhorando. No mesmo período são diversos os estudos que mostram uma situação completamente distinta nos países do leste europeu em que existiram contra-revoluçoes capitalistas. Os índices de educação e acesso a cultura também estão progressivamente avançando, assim como os indicadores de segurança pública, que ao contrário do mundo se mantém estáveis, com os menores índices de violência do mundo. E como se alcança níveis de IDH e expectativa de vida tão avançados? A resposta é bastante objetiva: oferecendo a sua população possibilidades ao seu pleno desenvolvimento como seres humanos, em condições de igualdade e universalidade de acesso a educação, saúde, cultura, arte e lazer – condições jamais alcançáveis se em Cuba tivesse ocorrido ou ocorrendo a volta do capitalismo.

A solidariedade que o povo cubano necessita: a verdade!

Mas a paciência dos cubanos parece estar chegando ao fim (...)Mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores cubanos vão se rebelar contra essa situação”. Quanto a isso a LIT está certa: é verdade que os cubanos já não tem mais paciência com tantas dificuldades. No entanto se equivoca contra o quê e de que forma vão se rebelar. Os cubanos são profundamente rebeldes. E estão rebelando-se contra tudo que está ruim em sua revolução, interna e externamente. As reformas são urgentes, assim como o fim do bloqueio, pois realmente é difícil um país viver tantos anos com tamanhos entraves. Mas a certeza de que o socialismo é o caminho que o povo cubano defende com todas as suas forças foi comprovada na marcha do dia 16 de abril, pelos milhões de cubanos que marcharam por Havana e por toda Cuba em comemoração aos 50 anos do socialismo em Cuba e da vitória de Playa Girón, e que também abriu o VI Congresso do PCC. Neste dia, militares, trabalhadores e estudantes, por livre vontade e convicção - e não por opressão das armas como ocorriam nas ditaduras mais sanguinolentas de América Latina - caminharam juntos, unidos, em defesa da Revolução, do seu governo revolucionário e do socialismo cubano. É possível que milhões (em um país de não mais de 11 milhões de habitantes) marchem alegres e unidos através de mecanismos de opressão?

Para finalizar, muitos insistem em deturpar o caminho escolhido pelo povo cubano, mas os fatos não escondem a verdade: em 51 anos o socialismo humanizou a sociedade cubana. Cuba é o único país das Américas em que a violência, tão crescente no Brasil, é insignificante. Havana, uma capital com quase 3 milhões de habitantes, é tão tranqüila quanto uma pacata cidade do interior, em que assassinatos e seqüestros ficam restritos aos romances policiais.

Cuba é um país que trabalha cotidianamente para superar a desigualdade de direitos entre os gêneros, para superar o racismo, a discriminação por qualquer orientação sexual e tantas formas de opressão, tão enraizadas em nossas sociedades. Outros não cansam de afirmar que a Revolução Cubana é coisa do passado e que o socialismo morreu junto a URSS. Para esses respondemos que não somente é presente o socialismo em Cuba, mas que vem fortalecendo seus princípios e ideais à medida que avançam os processos revolucionários na América Latina. Contudo, a construção do socialismo não depende somente da vontade das pessoas, mas de condições históricas, objetivas e concretas, cuja complexidade vai para além do que está nos manuais ou nos livros, pois a realidade é antes de tudo, dialética.

Revolução é fazer do extraordinário cotidiano. E isso em Cuba é diário, em cada criança que brinca livremente nas praças do país, sem preocupações com tráfico de drogas, assaltos, ou com o ganha pão diário. Crianças de um país pobre e bloqueado economicamente, mas que mesmo assim sabemos que terão todas as condições de desenvolver-se plenamente como seres humanos. Este, independente dos caminhos que se tomem, é fim principal do que entendemos por socialismo.

Cuba e o socialismo nos permitem seguir sonhando com a utopia de um mundo humano, no mesmo sentido em que dedicaram suas vidas tantos mártires nesses 52 anos de revolução. Por eles e pelas gerações futuras o povo cubano jamais abandonará as trincheiras conquistadas.

17 de abril de 2011 - Havana, Cuba

* Maria Fernanda Araújo e Otávio Marhofer Dutra são estudantes de medicina na Universidade de Ciências Médicas de Havana e militantes da base Paulo Petry do Partido Comunista Brasileiro e da União da Juventude Comunista em Cuba, formada por 16 estudantes.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
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  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
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  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
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  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
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  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira