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sexta-feira, 7 de julho de 2017

A NECESSIDADE COMUNISTA NA CONJUNTURA ATUAL

Por, Runildo Pinto

Nosso programa do Moncada não era ainda um programa socialista,
 porque não se pode propor um programa - seria utopia -
quando não estão dadas as condições objetivas e subjetivas... (Fidel Castro)

É delicada a proposição que vou fazer aqui, mas a necessidade exige urgência nessa  perspectiva para a organização comunista na atual conjuntura.  O horizonte da construção revolucionária no Brasil passa por um momento em que a turbulência e a radicalidade da crise e das ações radicais da burguesia contra a classe trabalhadora, coloca muitos desafios, também, radicais  para a ação dos comunistas.

A chegada ao governo dos EUA, do Sr. Donald Trump vem para colocar no bolo neoliberal a velas acessas do conservadorismo,  não é por nada que o neoliberalismo edita o que tem de mais reacionário no cenário político e econômico mundial. Trump significa um sinal de alerta na contradição neoliberalismo e o liberalismo conservador que retoma a formula protecionistas já consideradas superadas.  Não podemos negar, há uma contradição entre o Estado protecionista e o Estado mínimo neoliberal. O lugar da política protecionista se estabelece nos EUA, na maior potencia imperialista já conhecida, portanto, estratégico.  Esta é o lugar onde a humanidade chega dentro de uma crise de longa duração. É o começo do fim da globalização? Trump pode conciliar o neoliberalismo com um Estado forte protecionista?

O Brasil parece aparentemente alheio a esse desenrolar mundial, com uma burguesia subalterna, submissa ao capital internacional-, entreguista ataca os trabalhadores como nunca na história.

Há uma disparidade (estratégica) prática entre a ação dos comunistas e os movimentos sociais, isto é: o partido além de estar nos movimentos sociais, tem que adquirir (ter) (desenvolver) a capacidade militante de ação social própria de característica militar-, ação conspirativa, subversiva. (descompasso) Tem que ser a mola propulsora do potencial contraditório da crise moral  do governo Temer, desprovido total de ética e os intransigentes ataques contra a classe trabalhador, a repercussão na vida é real.

Nesse sentido, essa mola propulsora (a organização comunista) tem de agir para além dos movimentos sociais. Se há um descompasso entre os movimentos sociais e as medidas excludentes do governo e os comunistas tem consciência desse fato, não quer dizer que a massa está totalmente alheia aos fatos, está sofrendo as consequências, pode estar paralisada, impotente diante da realidade.

E por quê? Porque os comunistas necessitam ter uma ação para além do ritmo dos  movimentos sociais, ativar a idiossincrasia dele, a influência e o convencimento que pode exercer e a reconhecer o que lhe parece alheio. Fazendo paralelamente o envolvimento ulterior às atividades da vanguarda, que tem a responsabilidade de ação, dar a reposta a altura da conjuntura, acelerar e movimentar, dinamizar e explicitar as relações de poder entre a burguesia e a classe trabalhadora; explicitando ao máximo quem é o inimigo de classe dos trabalhadores.

Esta mediação tem que sair da simples denuncia, tem que ser feita pelos comunistas, com seu partido que assuma esta tarefa urgente, se organize para suprir tal necessidade,  a esta função dentro de uma estratégia e táticas bem delineadas e engendradas por quadros dispostos a ir além, dos limites impostos pela burocracia sindical, pelo esgotamento das ações do MST e MTST. As condições objetivas e subjetivas estão em contradição e estão dadas para uma tarefa, ligada a outras condições, ainda não estão dadas-, o passo adiante, que precisa ser potencializado pelas próprias contradições da primeira.

A compatibilidade entre essas condições é tarefa dos comunistas, não caem do céu.  Essa é a tarefa revolucionária a ser realizada no momento.  Não há utopia alguma em forjar em cima das  contradições, ações que ativem consciências contidas pela precarização da vida dos trabalhadores provocadas pelas ações radicalizadas da  burguesia brasileira.  Qual a possibilidade da Greve Geral vitoriosa? É hora de explicitar a luta de classes!

PÁTRIA OU MORTE!
ATÉ A VITÓRIA!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

SARTORI SEMPRE TEVE PROJETO. ANTES, DURANTE E DEPOIS DAS ELEIÇÕES: UM GOLPE BEM DADO NA POPULAÇÃO RIO-GRANDENSE.

Por, Runildo Pinto


Temos que nos dar conta, a ingenuidade política é comumente “compreensiva” por parte de certas pessoas, e não pode referenciar, o horizonte da política implementada pela presidente dilma e por exemplo, governos como o de sartori no RS e beto richa no Paraná.

A saber, temos que ter em conta, o Estado no capitalismo só serve para reproduzir o capitalismo, mais nada. Assim aqueles que acham que o governador sartori não tem projeto e/ou está tentando resolver os problemas financeiros - endividamento do Estado estão redondamente enganados: sartori tem projeto, só o ignorou da população nas eleições, e o outro engano é que não está a resolver o problema da dívida do Estado, mas sim aproveita para, através da dívida, repartir as empresas do Estado com os grandes empresários brasileiros e internacionais.

Para isto, precisa repassar a conta para a classe trabalhadora e aos pequenos empresários. Nesse sentido o Estado está cumprindo seu papel de reproduzir mais capitalismo e precisa se apoiar nos grandes empresários, que não se manifestam em nenhum momento contra o projeto, pelo contrário se reúnem com sartori para elaborar como levar a cabo a rifa, a forma de sortear as empresas do Estado, para aqueles que serão os privilegiados a participar desse rateio.

Sartori não tem intenção de fazer as empresas do Estado realizarem serviços de qualidade à população, mas sim fazer delas mercadoria para os lucros do setor privado, que vai fazê-lo de modo a quem pode pagar pelos serviços. Assim, o projeto se viabiliza e o Estado cumpre seu papel de tirar a sua intervenção na saúde, educação, distribuição da água, energia e serviços essenciais à população.

Obviamente que as contradições, nesse Estado neoliberal, vai ser a de não se responsabilizar pelos resultados para quem não pode pagar pela água, por exemplo. A intervenção do Estado vai ser a de criar as “agências reguladoras”, que como já vivenciamos, sempre sai em defesa dos interesses das empresas privadas, no máximo regula algumas questões tangencias e que acaba burocratizando a vida e efetivando regras que agilizam a circulação dos serviços como mercadoria, o que cria muitas dificuldades de acesso por conta da eficácia do mercado, não levando em conta as necessidades da população, reduzindo a margem de direitos e satisfação das necessidades fundamentais da população, principalmente da população pobre que fica desassistida.

Importante entender que o mercado nesse contexto não se interessa e não vê fonte de lucro nesse setor, portanto são serviços de acesso plenos a quem tem como pagar, para quem pode pagar; este sim estão habilitados aos serviços. Levemos em conta que apenas 33% da população brasileira participam do mercado de consumo e atenção a classe média está em torno de 60% endividada.

Quando sartori fala que está saneando o Estado para poder investir, a pergunta a ser feita é: se o Estado vai privatizar, onde ele vai investir? Uns vão dizer: na educação, na saúde. Enganam-se! A saúde e a educação estão sendo sucateadas para ser entregues a iniciativa privada via PPP - Parcerias Público Privadas, mais privada do que pública. Sartori quer dizer que o Estado vai investir nas empresas privadas, o que já está implícito em seu projeto de privatizações e nas PPP's, tirando o compromisso do Estado com serviços importantes para os rio-grandenses.

O governador sartori não diz qual as origens da dívida, porque não interessa responsabilizar os beneficiados, não diz onde foi o dinheiro das privatizações do desgoverno britto. E para completar, contratou uma consultoria de 23 milhões junto ao grupo GERDAU, que deve aos Estado 4 bilhões. Por que será? Se a divida é do Estado e quem tem que fazer auditoria são os poderes constituídos como o Tribunal de Contas e/ou PGE - Procuradoria Geral do Estado e até a FEE - Fundação de Economia e Estatística do RS. Deu para a GERDAU para esta dar o parecer, a viabilidade dos interesses privados. Aqui prevalece a máxima: o Estado no capitalismo é tutelado por uma classe e esta classe é a burguesia. Dá para entender?

Esse é jogo de interesses não fica explicito para a maioria do povo. E eles vem com a conversa de que, “AGORA o Brasil e o Rio Grande do Sul só gastam o que arrecadam”, isso é mais uma demagogia diante da crise que foi empurrada com a barriga durante e depois da quebra da bolsa de valores em 2008 no EUA.

Lembram da marolinha do lula? A marolinha era um tsunami. Para arejar a memória, é preciso compreender que a dívida pública do Brasil quando lula assumiu em 2003 era de 600 bilhões e depois só veio crescendo como o reformismo desenvolvimentista despejou dinheiro para as empresas privadas e banqueiros de várias formas (a mão invisível do mercado), com a marolinha extrapolou e, hoje, está na casa do 3 trilhões. Com relação a esse corte de 69 bilhões no início do segundo governo dilma, mais o corte de 8,9 bilhões de julho de 2015, parece ser o resultado do caprichoso investimento que resulta de um cálculo muito próximo a soma da COPA DO MUNDO DE FUTEBOL + OLIMPÍADAS/2016.

Portanto, os argumentos soam como um mar de demagogias e que mais uma vez quem paga a conta é a saúde, educação (já tão degradadas), salários, o emprego, quebra de milhares de pequenas e médias empresas, retirada de direitos, inflação, aumento da gasolina, energia elétrica. No final das contas quem realmente ganha são os grandes capitalistas, as grandes corporações nacionais e internacionais e quem paga a conta são os trabalhadores. Dilma e Sartori fazem o mesmo jogo e os segundo tem respaldo para suas desculpas no primeiro, isto resulta em mais jogos de enganos no Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Verdades desagradables de las recientes elecciones brasileñas

A continuación, un lúcido análisis a cargo de Osvaldo Coggiola, que dice lo que pocos analistas se atreven a decir acerca de las últimas elecciones brasileñas y lo que se puede esperar del nuevo gobierno ... ¿de Dilma o de Serra?



BRASIL: ENTRE PAYASOS Y EVANGÉLICOS
Osvaldo Coggiola

El dato principal de las elecciones brasileñas del 3 de octubre fue el elevado número de votos anulados, en blanco y abstenciones, totalizando casi 27% (más de 33 millones y medio). Los 46,9% (47,65 millones) de Dilma Roussef, candidata oficialista, se transforman así en aproximadamente 35% del padrón electoral total (136 millones). En las semanas ...(clic abajo para continuar)
previas, sin embargo, se le adjudicaban más de 50% de los votos válidos emitidos (más exactamente 52%, o 47% del padrón total, según Datafolha, un porcentaje del que Dilma se alejó nada menos que el 12%, o sea, más de 16 millones de electores…). Por el mismo procedimiento, los 33,1 millones de votos del "opositor" José Serra (32,6% de los votos válidos emitidos), quedan reducidos a poco más del 20% del padrón electoral total, lo que no impidió al ex intelectual paulistano "agradecer a Dios", éste el gran protagonista de las elecciones (a través de sus concesionarios autorizados en Brasil, la jerarquía católica y los "obispos" de las empresas evangélicas). El Secretario de Comunicación del PT, André Vargas, acusó a Serra de ser "anticristiano" porque, cuando era Ministro de Salud (bajo el gobierno de Fernando Henrique Cardoso), introdujo la "píldora del día siguiente" en las farmacias.

Dilma, supuesta depositaria del "80% de popularidad" de Lula y su gobierno, llegó a los mencionados 35% (45% distantes del bendito 80%) con los votos del PMDB, una verdadera cueva de corruptos, que empató en número de votos al PT. "La izquierda registró el mejor resultado electoral de su historia" dijo, sin embargo, otro seudo intelectual, contabilizando las victorias de la coalición del Frente Popular en ocho estados, así como el crecimiento de la bancada del PT de 79 a 88 diputados (de un total de 513), y de 8 a 15 senadores. No habría que desesperar, entonces, por la "frustración de la expectativa creada por las encuestas de una eventual victoria en la primera vuelta para presidente", que se debería a "los efectos de las campañas de difamación - sobre el aborto, lucha contra la dictadura, etc. - así como el efecto que el caso de Erenice tuvo efectivamente para disminuir el resultado final de Dilma". Para este sujeto, Emir Sader se llama, acusar a Dilma de defender el derecho democrático y humano al aborto (que evitaría miles de muertes anuales) sería una "difamación". En Brasil, hasta los ateos oficiales reciben órdenes del Vaticano. El tal "caso de Erenice", piadosamente evocado, fue la revelación de que la ignota Erenice Guerra, amiga y sucesora de Dilma en la Casa Civil - coordinación ministerial - montó, en el escaso período en que ocupó el cargo, un vasto "propinoducto", no escarmentada (el dinero siempre habla más fuerte o, como dicen los norteamericanos, money talks) por los sucesivos escándalos de corrupción que sacudieron los ocho años del gobierno de Lula. Exame, órgano del gran capital, propuso por eso "reglamentar el lobby", o sea, institucionalizar la corrupción, o sea, no hacer de esa práctica, obviamente favorable al gran capital, un argumento contra el PT.

La derecha histórica (el DEM, ex PFL) continuó barranca abajo, con 42 diputados (tenía 105 en 1999…). El otro factor de la caída electoral de Dilma Roussef fue, entonces, la votación de la candidata "verde", la declaradamente evangélica Marina Silva, ex ministra del Medio Ambiente del gobierno Lula y ex integrante del PT, con 19,6 millones de votos, o 19,3% de los votos válidos emitidos. Se habló de "onda ecológica" (la votación del PV, en elecciones presidenciales precedentes, fue relativamente insignificante, y el partido no aumentó su número de diputados, 14) y hasta, según el cineasta Arnaldo Jabor, de que "en medio a una programación mecánica de marketing, apareció un ser vivo: Marina", sincera y desafiantemente "cristiana, anti-aborto y anticomunista" (como si hubiera que desafiar a alguien para ser todas esas cosas). Marina fue la candidata de la mafia evangélica, que tiene en Brasil un predicamento enorme, al punto que designó al vicepresidente de Lula (José Alencar). Obtuvo un voto popular de inspiración reaccionaria. Ahora, para conseguir los votos evangélicos que le faltan en el segundo turno, la candidata de Lula se pronunció contra el derecho al aborto, contrariando declaraciones precedentes. Afirmó, en reunión con líderes religiosos, que era contraria al aborto y que no enviaría al Congreso Nacional, siendo electa, la propuesta de flexibilización de la legislación sobre el tema. Una encuesta del Instituto Ibope, divulgada el 2 de octubre, mostró que Dilma había perdido, en dos semanas, el 7% de las intenciones de voto entre los evangélicos, que supuestamente representan 20% del total del electorado brasileño. El futuro gobierno deberá curvarse a los dictámenes de la casta reaccionaria de los Edir Macedo y Cia.: a esta bajada de calzones la jerarquía petista la llama de ¡"promover o encontro entre o Vermelho e o Verde"! Dilma Roussef es la representante de banqueros y contratistas de la obra pública (incluido Elke Batista, cuarto hombre más rico del mundo), y de las Fuerzas Armadas. Sus principales "proyectos" tienen que ver con la industria armamentista y, aun así, osan defenderla ¡"contra el golpismo"!

El gran ganador de la elección fue, por todo lo dicho, el payaso Tiririca - el más votado para diputados, con más un millón trescientos mil votos. Los consiguió con dos consignas demoledoras: "Vote Tiririca que pior não fica"; "No tengo idea de lo que hace un diputado federal, pero vote por mi y se lo cuento". Que "las cosas no pueden ser peores", desmiente la pretensión acerca de la gran mejora social de las masas brasileñas; es cierto, sí, que los bancos y los especuladores internacionales han ganado como nunca en la historia bajo el gobierno de Lula. La segunda afirmación denuncia a un régimen político de espaldas al pueblo - lo contrario de lo que se supone que ha hecho Lula. ¿No es precisamente la función de los payasos exponer la realidad tal como es?

No habrá "polarización política" en la segunda vuelta, no existe una polarización entre "izquierda" (PT) y "derecha" (PSDB): Serra y Dilma-Lula son dos expresiones de la pequeña burguesía "progresista" de Brasil: tienen el mismo origen político y han seguido una evolución similar. Dilma Roussef seguramente vencerá el segundo turno, es la candidata de las fracciones mayoritarias del gran capital. El gobierno de una camarilla bonapartista, sin embargo, amenaza transformar al PT y a la coalición lulista en un campo de batalla por el control de un presupuesto estatal en retroceso debido a la crisis mundial. La derecha opositora (PSDB y aliados) no tiene programa alternativo, pues el programa de la burguesía y el capital financiero fue ejecutado por Lula en sus ocho años de gobierno, el gobierno con más representantes directos del gran capital de toda la historia republicana del Brasil. Aunque mejoró su representación en el Congreso, el PT deberá contar con aliados para llegar a una bancada que le permita gobernar; para ello deberá seguir pagando peajes a la politiquería corrupta. Hay que subrayar, sin embargo, que la derecha histórica ha casi desaparecido del panorama político del país (su principal figura, el senador Marco Maciel, ni siquiera fue reelegido); el perdedor PSDB, agente de la gran burguesía, pero no de derecha histórica, quedó con 56 diputados (tenía 59). La derecha pesada se concentra en el PMDB, con 80 diputados y la vicepresidencia (y, seguramente, una fracción decisiva del futuro gabinete).

La izquierda "clasista" hizo una elección espantosamente baja: el PSOL obtuvo 0,9% (poco menos de 900 mil votos); el PSTU, el 0,08%, poco más de 84 mil votos (90% menos que en las elecciones de 2006); el PCB, 0,04% (39 mil votos); el PCO, 0,01% (12 mil votos), esto pese a haber defendido (el PCO) hasta el "Bolsa Familia" (un subsidio a la pobreza, que no consume más que 0,4% del PBI, usado como instrumento político de manipulación de las masas por los punteros gubernamentales). En el periodo pre-electoral volvieron a intentar concretar un frente de izquierda, a pesar de sus orientaciones contradictorias, lo que dejó a la vista del electorado un escenario de mezquindades políticas, que se cobraron un precio. La unidad sin principios estaba acompañada por un feroz faccionalismo. Esta izquierda no tiene ascendencia política en el país, a pesar de su actividad en el movimiento sindical. En el largo período de ascenso del PT, la izquierda operó a su sombra; la ruptura de 2004, por parte de lo que luego sería el PSOL, fue circunstancial, no programática, y estuvo piloteada para preservar las posiciones de un grupo de parlamentarios. De conjunto, en el marco de condiciones favorables del mercado mundial para el Brasil, el Frente Popular que comanda el PT ha demostrado toda su capacidad para contener y regimentar al movimiento obrero, dividir a las masas y aislar políticamente a la izquierda que se presenta como revolucionaria pero no deja de ser sólo democratizante, cuando no simplemente bombera.

El PSTU ha llamado al "voto nulo" en el segundo turno; Plinio de Arruda Sampaio, veterano y venerado candidato presidencial del PSOL, llamó inclusive a un frente de izquierda por el voto nulo, que probablemente se concretará. Esta "unidad de la izquierda" es aparente e ilusoria, no basada en un programa. En el PSOL, su principal componente electoral (llegó en primer lugar en las elecciones para el gobierno del estado de Amapá), se avecina una crisis enorme, no por haber caído del 7% al 1% en la elección presidencial, sino porque su "candidata presidencial natural", Heloísa Helena (¡también cristiana y anti-aborto!) renunció a defender el capital político de sus 7% - apoyando solapadamente a Marina Silva - para candidatearse al senado en su estado de Alagoas, fracasando (llegó en tercer lugar, con dos cargos en disputa). El "fenómeno Heloísa Helena", que tuvo repercusión internacional, se ha esfumado, política y hasta electoralmente: o la izquierda se replantea su política de substituir el programa por "candidaturas viables", o caerá más abajo de lo que ya está.

Dilma Roussef ya advirtió que su eventual gestión será marcada por el "ajuste". Es que Brasil, dentro de la crisis capitalista mundial, puede ser el próximo eslabón. Brasil ha sido el teatro de una intensa especulación financiera, que ha inflado su capacidad de consumo y, hasta cierto punto, de inversión. La valorización del real es la expresión de la intensa actividad especulativa que ha generado el ingreso de capitales, que se financia con las bajas tasas de interés que rigen en los países "desarrollados" (y que especula con las altas tasas del Brasil). El Ministro de Economía ("Fazenda"), Guido Mantega, ha denunciado la "guerra monetaria", pero todos los intentos para frenar la corriente especulativa han fracasado (como los impuestos al ingreso de capital volátil). Esto ha provocado un déficit creciente en las cuentas internacionales del país, a pesar de los altos precios de las materias primas que exporta Brasil. El ingreso de capitales ha provocado también un crecimiento enorme del endeudamiento interno, situado ya en el billón de dólares (el simbólico "trillion" inglés). El déficit en cuenta corriente del país tendrá un récord histórico este año, la deuda externa ha crecido casi 14% en el primer semestre, durante el cual la fuga (oficial) de capitales ha superado los 15 mil millones de dólares. Lo único que le falta a Brasil es que se encienda la mecha. Para que la izquierda juegue su papel político debería librarse de los parásitos del presupuesto estatal, y basarse en un programa transitorio apoyado en la organización independiente de la clase obrera, el campesinado y la juventud explotada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ESPANHA, GRÉCIA, FRANÇA, BRASIL:


A luta dos trabalhadores pelos seus direitos é a mesma!
Não podemos pagar pela crise gerada pelos capitalistas!

Nesta 4ª feira, dia 29, acontece uma Greve Geral na Espanha como forma de resistência da classe trabalhadora local contra as medidas dos patrões e do governo Zapatero para a crise internacional do capitalismo. Dentre estas medidas, destaca-se o ataque ao sistema previdenciário, considerado “deficitário”. Além disso, os patrões querem uma reforma trabalhista que lhes garanta maiores facilidades para demitirem os trabalhadores.

Aqui em nosso país já conhecemos bem essa ladainha liberal, que vem tanto pela mão de governos da direita tradicional e do patronato (FIESP, FIERGS, Febraban,...) como pela mão dos governos que exploram um passado de esquerda e contam com a cumplicidade de dirigentes sindicais pelegos que facilitam a exploração, como é o caso do governo Lula.

As crises capitalistas sempre atingem mais os trabalhadores, em especial os mais precarizados. Os responsáveis são os capitalistas, os governos e o sistema financeiro, não os trabalhadores, para quem a economia sempre vai mal. A resposta às crises deve passar necessariamente pela garantia de mais e melhores direitos, não o oposto!
Temos visto na Grécia um exemplo do poder da classe trabalhadora em resistir a “reformas” que só servirão para transferir ainda mais dinheiro ao sistema financeiro, o que resulta em serviços públicos mais precários e eliminação de direitos trabalhistas. Também a classe trabalhadora francesa vem dando lições de resistência aos ataques da burguesia aos seus direitos.

Somamos nossas forças ao movimento dos trabalhadores espanhóis, que se expandiu também para Portugal, Grécia, Bélgica e outros países, o que mostra que a luta da classe trabalhadora é internacional.

No Brasil, algumas categorias conduzem duras lutas contra os patrões e o governo. Os bancários, p. ex., iniciam uma greve por mais salário e contra o desmonte da Caixa como banco público e a venda de ações do Banco do Brasil.

No mesmo momento, há uma luta contra a privatização dos Correios, que Lula quer transformar numa empresa S/A. Nos petroleiros, as terceirizações e as precárias condições de trabalho empurram os trabalhadores para a mobilização.

Fazemos um chamado de unidade e luta para resistirmos conjuntamente a todos os ataques aos direitos trabalhistas e para avançarmos rumo a novas conquistas.

Solidariedade aos trabalhadores europeus! A luta de lá é a mesma daqui!
Preparar a luta para resistir aos ataques que se anunciam!
Nenhum direito a menos, avançar em novas conquistas!


Assinam: INTERSINDICAL/Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora. Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA),
Movimento Revolucionário e Unidade Classista/PCB.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mensagem de Socorro e Vanderlei da brigada dessalines do Haiti, para o MST-Brasil

Companheiras e companheiros da ENFF,


Estamos em Missão no Haiti há quase 6 meses, entre muitas coisas, que por aqui passamos, tanto pessoais, quanto coletivas, junto ao povo Haitiano, queremos registrar que a cada momento nos encontramos a pensar como nossa ação pode ir para além da ajuda técnica/material, para que se diferencie de tantas ajudas humanitárias que por aqui encontramos.


Sabemos que o MST e a Via Campesina tem resgatado o internacionalismo, por acretitar que a luta dos trabalhadores é internacional. Em nossas místicas ecoamos o grito:“Trabalhadores de todo o mundo uni – vos” de Marx, contudo sabemos que essa tarefa a cada dia se torna mais exigente, a partir do envolvimento concreto com realidades que move em nós muitos sentimentos. Primeiro sentimento de alegria por saber que somos capazes de compartilhar nossas vidas com esse povo historicamente massacrado e explorado, mas também por ser um povo historicamente resistente e lutador. O segundo sentimento é de profunda indignação por ver de perto a ação criminosa, desumana e brutal do imperialismo.


Esses sentimentos nos levam a perceber que é preciso aprofundar mais o sentido dessa tarefa internaciolista em sua essência, lembrando a referência marxista do trabalho voluntário que aparece nos contextos dos processos revolucionários, que sempre tentamos resgatar como os sábados comunistas da Revolução Russa, o trabalho voluntário da Revolução Cubana entre outros. Acreditamos que a luz dessas experiências, deve se fortalecer o trabalho voluntário desenvolvidos por nossas Brigadas Internacionalistas.


Vale destacar que o fato da brigada Dessalines está no Haiti já tem seus efeitos pedagógicos, que nossa presença pode causar. A Presença internacionalista, simbólica, apaixonada nas intencionalidades, não só de boca, mas com nossos corpos, nossa organicidade, disciplina e mística, tudo isso é por demais importante, mas no atual momento da luta de classes, em que o imperialismo com toda sua força vem dominando o mundo, sentimos que é preciso arrancar de nós uma ação revolucionária mais consequente, não somente no Haiti, mas onde nossa luta puder alcançar. Já temos a certeza que não é fácil, mas essa é uma coisa que deve ser construída e aprofundada em vista do socialismo que desejamos.


Em relação a nossa Brigada, percebemos que temos aprendido e amadurecido com essa experiência no Haiti, visto que boa parte da militância que veio é muito nova, alguns com pouca formação política, mas com muita força de vontade, todos(a) enfrentam as dificuldades aqui com muita disposição, dificuldades estas que inclui também não ter recebido até o momento, nenhuma ajuda de custo por menor que seja, mas isso não nos diminue o entusiasmo nem o compromisso na realização da tarefa.


Quanto ao que estamos fazendo, praticamente quase toda a militância já estão nas bases dos movimentos, mesmo tendo demorado muito a saída de alguns. Sobre o idioma, todos(a) já conseguem se comunicar bem, uns estão mais avançados que outros por conta que tiveram mais tempo nas bases. Vanderlei desde o início de maio está no movimento MPP, contribuindo numa oficina de móveis, e eu Socorro, atuando nos projetos, no centro da brigada que fica em outro departamento, somente a partir de julho, depois do seminário da Brigada, também estou na sede do MPP, onde além dos projetos da brigada vou contribuir em alguns projetos deste movimento. O MPP é um movimento bem estruturado, com boa equipe técnica e infra - estrutura e com uma história de 37 anos.


No Haiti já encontramos quase todas as pessoas que participaram dos cursos Latinos.


Na questão da saúde, Vanderlei pegou bactéria no intestino e logo depois uma Tifóide, que o fez perder um pouco das banhas que tinha em excesso.


Desejamos a toda Companheirada da ENFF a mesma força que move a luta dos povos em todo o mundo.


“Venceremos, venceremos
mil cadenas habra que romper
venceremos, venceremos,
la miseria sabrémos vencer!”


Seguimos Firmes!

Abraços camaradas

Socorro e Vanderlei


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Martin Carnoy: "Aproveitar melhor o tempo de aula é o caminho cubano"

Pesquisa de economista americano, realizada em países da América Latina, mostra que as práticas de classe são o motivo do sucesso na ilha.



http://revistaescola.abril.com.br/





Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

MARTIN CARNOY "Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção."


Em 1997, uma pesquisa conduzida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) testou os conhecimentos em Matemática e linguagem de 4 mil alunos de 3ª e 4ª séries de 13 países latino-americanos. Os cubanos têm desempenho muito melhor que os das outras nações. Em 2005, num novo exame, novamente Cuba ocupou o topo da lista. Qual o segredo da ilha para obter resultados tão bons? A pergunta motivou Martin Carnoy, que leciona Educação e Economia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, a realizar um estudo comparativo entre Cuba, Chile e Brasil. Após filmar aulas de Matemática (disciplina em que o desempenho foi mais desigual nos três países) em 36 escolas e entrevistar funcionários da área de Educação de todos os níveis de governo, além de professores, diretores, estudantes e pais, o americano concluiu que boa parte das diferenças está dentro das próprias salas. "Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção." Isso, no entanto, dentro de um ambiente ideologizado e repressivo, o que sugere a necessidade de adaptar as soluções para um contexto democrático. A convite da Fundação Lemann, Carnoy esteve no Brasil em agosto para lançar o livro A Vantagem Acadêmica de Cuba, em que relata as descobertas da pesquisa. Na ocasião, ele detalhou a NOVA ESCOLA o que viu nos três países.

De acordo com sua pesquisa, por que os alunos de Cuba obtêm resultados superiores aos dos outros países da América Latina?
MARTIN CARNOY Há diversos fatores em jogo, mas eu diria que o principal é o uso eficiente do tempo em sala. Filmamos aulas de Matemática da 3ª série em 36 escolas de Cuba, do Chile e do Brasil e descobrimos que, na ilha, elas são mais focadas na aprendizagem do que nos outros dois países. Como escrevo em meu livro, a qualidade de um sistema educacional depende da qualidade das experiências desenvolvidas em sala de aula.

Com qual atividade o professor brasileiro gasta mais tempo?
CARNOY Com o trabalho em grupo. Na média das escolas em que pesquisamos, 30% do tempo é dedicado a essa tarefa. No Chile, o índice foi ainda maior, 34%, enquanto em Cuba caiu para 11%. O grande problema é que, na maioria das vezes, os brasileiros estão apenas sentados juntos, ou seja, com as carteiras unidas, mas sem interagir para resolver problemas matemáticos. Cada um trabalha por si ou apenas conversa com os colegas. O verdadeiro trabalho em equipe, que inclui a discussão para resolver a questão proposta, ocorre muito pouco tanto no Brasil como no Chile.

O que toma mais tempo das aulas nas escolas de Cuba?
CARNOY Lá, 41% do tempo é reservado às tarefas individuais. A vantagem é que os alunos realmente trabalham em 38% do período resolvendo problemas e fazendo exercícios. Enquanto isso, o professor circula entre as carteiras, orientando e tirando dúvidas. Por outro lado, o período dedicado à cópia de instruções é baixo: apenas 2%.

No Brasil, o tempo usado com cópia é maior do que na ilha?
CARNOY Sim. É três vezes superior ao verificado em Cuba. Numa das salas brasileiras que observamos, a garotada chegou a ficar uma hora copiando enunciados de problemas no caderno, algo que poderia ser resolvido com uma fotocópia ou uma folha mimeografada. Para piorar, não foi explicado o porquê daquele trabalho. Não estou dizendo que o quadro-negro não deva ser utilizado: ele é importante para apresentar conceitos e discuti-los, mas acho que seu uso deve ser rápido. Passar a aula toda escrevendo é, sem dúvida, uma perda de tempo.

Que outras diferenças importantes a pesquisa revelou no que se refere ao uso de tempo?
CARNOY Descobrimos que no Chile e no Brasil despende-se o dobro dos minutos em transições de atividades ou interrupções, como pedidos de silêncio. Isso indica que a prática cubana é mais eficiente, mas também pode ter a ver com o tamanho médio das turmas. Em Cuba, as classes que analisamos tinham em média 17,9 crianças, enquanto nas brasileiras havia 27,9, e nas chilenas, 37,1.

O estudo enfoca ainda o tipo de pergunta feito à meninada. O que os dados demonstram?
CARNOY Dividimos as questões em três categorias: as repetitivas, as que têm respostas curtas e as mais complexas, que exigem a explicação do raciocínio usado - em Matemática, é essencial descrever o processo que se está aprendendo. Em Cuba, perguntas desse último tipo aparecem em 55% das aulas. Percebi que no Brasil o mesmo não ocorre. Aqui, predominam as perguntas repetitivas, geralmente respondidas em coro. Isso quando são feitas, pois em 25% das aulas brasileiras a que assistimos elas não existiram. Também há pouca discussão sobre os equívocos. Quando alguém comete um erro, o educador geralmente apaga e chama outro para o quadro. Seria muito mais produtivo perguntar: "Onde está o problema? Por que a solução está incorreta?" Do contrário, ninguém entenderá onde errou.

O material didático apresenta diferenças significativas nos três países?
CARNOY No Brasil, os livros didáticos são abrangentes, mas pouco profundos. Digo que têm 1 quilômetro de diâmetro e 1 centímetro de profundidade. Eles também possuem muitas informações teóricas, provavelmente para servir como guia de apoio ao docente, já que a formação dele é fraca. Na maioria das vezes, ele não consegue apresentar todo o conteúdo trazido pelo material. Em Cuba, há menos variedade de temas, mas cada assunto é explorado detalhadamente e com mais exercícios. O resultado é que no Brasil é bem menor a exigência em termos de habilidades cognitivas.

Como todos esses fatores interferem no desempenho dos alunos?
CARNOY Entre as três nações, o Brasil ficou em último no nível de proficiência matemática. Em uma escala que vai até 5, ele tirou 2,2, enquanto o Chile ficou com 3,2, e Cuba, com 3,8. Numa das salas brasileiras, a compreensão dos conceitos não atingiu nem o nível básico, pois as atividades se baseiam quase exclusivamente na memorização e na cópia mecânica. O país também teve a pior posição quanto à média de atenção dos estudantes e ao grau de disciplina. Pela linguagem corporal e pelas atitudes em sala, é visível quando os brasileiros ficam entediados. Aí, se desligam da tarefa e passam a brincar ou a participar de conversas paralelas. No outro extremo estão os cubanos, que têm um envolvimento maior. Muito disso se deve ao bom planejamento. Quando alguém termina uma tarefa, já se apresenta outro desafio. Então, não dá tempo de se aborrecer.

Por que os educadores cubanos conhecem os alunos melhor do que os brasileiros?
CARNOY Primeiro porque a rotatividade dos estudantes cubanos é bem menor do que nas escolas brasileiras. Eles tendem a ficar por vários anos na escola em que ingressam. Segundo porque em Cuba os mestres seguem com a mesma turma da 1ª à 6ª série. Além de terem maior familiaridade com ela, já conhecem os problemas e se esforçam para que não se repitam no ano seguinte.

De que maneira a equipe gestora colabora para a qualidade do ensino?
CARNOY O ponto principal é que, em Cuba, diretores e vice-diretores supervisionam de perto o trabalho docente entrando constantemente em sala para ver se o currículo está sendo cumprido e como é ensinado. Os educadores estão acostumados a ser apoiados didaticamente e ser avaliados pelos gestores. É um trabalho focado no aprendizado. Além disso, os diretores conhecem muito bem os estudantes e as medidas adotadas para garantir que cada um avance.

Além do que ocorre dentro da escola, que outros fatores podem influenciar a aprendizagem?
CARNOY O modelo que utilizamos inclui o chamado capital social gerado pelo Estado, que diz respeito à atuação do governo na organização do sistema educacional. Ao definir o currículo, a distribuição de alunos pelas escolas, o recrutamento e a formação docente em serviço, o Estado tem um impacto importante na atmosfera da sala. Isso se reflete no comportamento dos pequenos, nas poucas faltas dos professores e no compromisso deles e dos gestores com a melhoria da aprendizagem, além da expectativa dos pais em relação à escola. Somam-se a esse cenário a garantia de condições de saúde e de segurança e o combate ao trabalho infantil, que também são essenciais à aprendizagem. No entanto, em virtude da atuação da administração governamental centralizada e hierárquica, os métodos de ensino e o currículo são rigidamente impostos. Como não se trata de uma democracia, o ambiente estimulante para o estudo não ocorre com a participação das famílias em reuniões de conselhos escolares, por exemplo.

A formação dos professores em Cuba é de melhor qualidade?
CARNOY Sim, especialmente em Matemática. Primeiro porque os estudantes aprendem um bom conteúdo no Ensino Médio e isso tem um efeito importante na forma de atuar quando se tornaram professores. Segundo porque a formação inicial tem foco claro em como ensinar o currículo nacional. No Brasil, além de a Educação Básica ser mais fraca, a formação inicial ou é insuficiente, ou é excessivamente teórica. Os recém-formados sabem muito sobre teorias do ensino e pouco sobre como ensinar.

Como a ilha consegue atrair bons profissionais pagando salários de cerca de 35 reais?
CARNOY Os salários lá são fixados pelo Estado - que supre necessidades básicas, como moradia e alimentação - e, de fato, os educadores ganham mal. Mas, como a economia de mercado é muito pequena, as outras profissões também são mal remuneradas. Essa situação vem mudando nas províncias turísticas, onde as economias são dolarizadas e uma arrumadeira de hotel pode ganhar o triplo de um professor. Por enquanto, quem se sai bem no Ensino Médio ainda é atraído para o Magistério, considerado uma profissão de relativo prestígio. No Brasil, é preciso recuperar o salário do setor para que ele se equipare ao de outras ocupações de nível superior e atraia os melhores. O Chile deu um passo importante: nos últimos 13 anos, triplicou o salário dos docentes. Como resultado, a nota mínima para ingresso nas faculdades de Educação subiu até 10% entre 1998 e 2001.

Seu livro afirma ainda que a desigualdade também interfere no resultado educacional. Como isso ocorre?
CARNOY Em geral, as crianças frequentam escolas com colegas muito parecidos em termos socioeconômicos. No Brasil, 80% das famílias que estão entre os 20% mais pobres da pirâmide social mandam os filhos para escolas que atendem moradores de lares com rendas similares. De um lado, o resultado é uma concentração dos que têm origem semelhante em uma mesma instituição. Nas escolas de classe baixa, como a clientela tem uma procedência familiar muito parecida - em geral, com pais pouco escolarizados -, não há bons modelos em que se inspirar. Além disso, nossa pesquisa mostra que esse tipo de escola atrai os piores mestres, que possuem expectativas reduzidas sobre o que a garotada pode aprender.

Para finalizar, quais lições de Cuba o Brasil não deveria seguir?
CARNOY Penso que por aqui existe muito mais liberdade de crítica e de questionamento. Há mais caminhos para ser criativo no Brasil do que em Cuba. A possibilidade de um profissional de Educação dizer "Eu não concordo com isso" e não ser punido de alguma forma simplesmente por não se ajustar à ideologia dominante é fundamental.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A Vantagem Acadêmica de Cuba, Martin Carnoy, 272 págs., Ed. Ediouro, tel. (11) 3051-7000, 19,90 reais

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rebelo em verde, amarelo, branco, azul anil ...


por Michelle Amaral da Silva última modificação 14/05/2009 15:57
Colaboradores: Mário Maestri

Rebelo propõe ser impossível escrever história isenta da guerra, pois as análises sobre ela variariam segundo os “autores e as conjunturas”

14/05/2009


Mário Maestri

Leia mais:
Nota esclarece discussão da questão indígena no PCdoB


Aldo Rebelo serviu-se de simples proposta de deputados paraguaios ao Parlamento Mercosul para publicar, no poderoso Estado de São Paulo, de 1º de maio, dia internacional dos trabalhadores, desbragada defesa da ação criminal do Império, quando da destruição do Paraguai como nação independente, em 1864-1870. A diatribe foi publicada dias antes da chegada de Fernando Lugo, na procura de rediscussão do acordo imposto pela ditadura brasileira, nos anos 1970, quando reinava no Paraguai Alfredo Strossner, o sinistro ditador morto há alguns anos, em Brasília, em exílio dourado, concedido sem qualquer ranger de dentes.


Rebelo não se opõe a “Memorial da Guerra da Tríplice Aliança" a ser organizado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Indigna-se, porém, com a possibilidade de que tenha como objetivo rememorar o “genocídio levado a cabo contra o povo paraguaio”, que define como “ignomínia contra o Brasil”. Para apoiar sua defesa incondicional da ação do Império contra a pequenina nação, desenvolve desbragada manipulação nacional-patriótica da verdade e do método históricos, ao estilo “verde, amarelo, branco, azul anil....”, dos anos 1970. Nada estranho nos atuais tempos bicudos, se o deputado não se assinasse comunista.


Abraçando o irracionalismo e o relativismo histórico, Rebelo propõe ser impossível escrever história isenta da guerra, pois as análises sobre ela variariam segundo os “autores e as conjunturas”. Fulmina as leituras do “passado com as lentes do presente”, talvez sugerindo que deva ser analisado com os olhos do passado ou do futuro! Defende que, para se ter “conclusões irrefutáveis” sobre “aspectos controversos da guerra”, faltariam sobretudo “muitos documentos a apresentar”. Proposta paradoxal para apoiador de governo que rejeita caninamente a exigência dos historiadores ao direito de consulta de documentos sobre o conflito classificados como secretos pelo atual governo!



O Mal Uso da História

Rebelo empreende igualmente passeio sumário na historiografia do conflito. Sempre apoiado na atual historiografia nacional-patriótica restauracionista, esclarece que as “primeiras interpretações tecidas nos panteões oficiais” – em geral por oficiais das forças armadas – teriam sido sucedidas por “criticismo exarcebado”, que define como “revisionismo infantil”. Fulmina, assim, sem ter a coragem de citar, o estudo Genocídio americano: uma história da Guerra do Paraguai, do jornalista Júlio Chiavenatto, que, apesar de seus indiscutíveis limites, contribuiu corajosamente, durante a ditadura, ao esclarecimento da ação – esta sim ignominiosa – do governo imperial no Paraguai.


Promove paradoxal defesa do imperialismo inglês no Prata, ao propor que o Império Britânico, além de não ter responsabilidades no conflito, teria tentado “pôr panos quentes na desavença”! Destaque-se que, em Cartas dos campos de batalha do Paraguai, o diplomata britânico sir Richard F. Burton [1821-1890] registrou, sem papas na língua, a visão geral das classes dominantes da grande potência imperialista: “Minhas simpatias vão para o Brasil, pelo menos enquanto sua ‘missão’ for desaferrolhar [...] o grande Mississipi do Sul.”


Na sua empolgação nacional-patriótica, desatento à própria linguagem – surpreendente para autor de proposta de lei supostamente destinada a proteger a língua portuguesa da ingerência externa –, afirma nada menos do que o “nosso [sic] Império escravista” seria “pacifista”, escamoteando com sua apologia as múltiplas intervenções imperialistas do Segundo Reinado no Prata, entre 1851-1876! Registre-se a paradoxal apresentação do exército imperial como vanguarda da Abolição! [...] o Segundo Reinado era pacifista [...], e foi a guerra que conferiu a esta força militar fôlego e consciência para se reorganizar e se consolidar como instituição decisiva, a ponto de ser protagonista das rupturas históricas representadas pela Abolição [...].”


Para inocentar os crimes realizados na guerra, apoiado em “pesquisadora americana [sic]” – estadunidense, prezado deputado! –, impugna a estimativa de 1,1 milhões de habitantes para o Paraguai, que reduz para 320 mil, dos quais “60 mil” teriam morrido “durante a guerra”. O paradoxal no raciocínio é que, se esses números forem corretos, o Paraguai teria perdido em torno de 20% de sua população! Um verdadeiro e indiscutível genocídio! A minoração apologética extremada da população paraguaia deixa também em péssimos panos o Império que, com mais de nove milhões de habitantes, necessitou de seis anos, dezenas de milhares de mortos e recursos impressionantes para se impor a país, segundo proposto, na época, com uma população menor do que a da província do Rio Grande do Sul – 430 mil habitantes, em 1872!


Guerra entre nós, paz com os senhores!

A avaliação histórica de Rebelo do grande conflito é de relativismo patriótico paradoxal. No conflito, o Paraguai teve suas razões e seus heróis, ao igual que o Brasil. “Cabe-nos”, apenas, “perfilar os heróis de cada lado”, cantando, cada um, paraguaio e brasileiro, loas aos seus feitos patriótico-militares. Os combatentes paraguaios merecem a honra eterna de seus compatriotas”, como “os mais de 50 mil brasileiros mortos merecem e aguardam o reconhecimento plena da Pátria, pois foi por ela e em nome dela que pereceram [...]” – propõe o deputado.


Visão que liquida qualquer possibilidade de construção de interpretação geral da história, desde o ponto de vista dos povos e dos oprimidos, ao reduzi-la a realidade de valores e parâmetros essencialmente nacionais-patrióticos, que irmana oprimido e opressores. No frigir dos ovos, Rebelo substitui o grito sintética sobre a falta de contradição entre os oprimidos de todo o mundo, lançado há 161 anos, com a velha proposta nacional-patriótica de que os “proletários e povos de todo o mundo devem unir-se .... sob o mando das suas respectivas classes dominantes!”


Sem dúvidas a “historiografia ainda tem um longo caminho a percorrer” para elucidar todos os aspectos daquela guerra fratricida. Porém, ao contrário do que propõe Rebelo, não há hoje dúvidas, entre os especialistas não dogmáticos, sobre o caráter socialmente avançado do Paraguai, nascido das suas singularidades históricas que deprimiram o surgimento de classes proprietárias e comerciais, ensejando o desenvolvimento de poderosa classe de pequenos camponeses proprietários ou arrendatários, sobretudo das grandes fazendas públicas do país. Principal base social dos governos nacional-jacobinos paraguaios do dr. Francia e de Lopez pai e filho.


Contra-Revolução Liberal

O sentido da Guerra contra o Paraguai explicita-se plenamente após o conflito, quando o país, sob governos fantoches e liberais, foi obrigado a endividar-se para pagar, por décadas, indenizações draconianas ao Brasil e à Argentina e perdeu boa parte de seus territórios em favor desses países. A Guerra constituiu sobretudo espécie de implantação sob as forças das armas, com o apoio indiscutido da Inglaterra, de ordem liberal-mercantil no país. A partir dos anos de ocupação militar pelos exércitos do Império brasileiro, privatizaram-se aceleradamente as fazendas públicas, os ervais, as reservas florestais e constituíram-se grandes latifúndios, em geral propriedades de estrangeiros – argentinos, ingleses, brasileiros, paraguais colaboracionistas, etc.


Desde a independência, em 1810, até o fim do sangrento conflito, em 1870, o Paraguai fora caso único de estabilidade política e social na América do Sul. Ao desorganizar para todo o sempre o poderoso campesinato de origem guarani, derrotado e profundamente dizimado durante a guerra, o conflito lançou aquela nação em uma situação de instabilidade e ditaduras militares, permanentes cortejadas e manipuladas pelos grandes interesses econômicos sobretudo do Brasil e da Argentina.


Alfredo Strossner manteve, de 1954-1989, uma das mais longevas, corruptas e desapiedadas ditaduras latino-americanas, ao dar as costas à Argentina e obter o apadrinhamento permanente dos sucessivos governos brasileiros. Foi durante o seu governo que os ditadores em turno no Brasil ditaram as condições draconianas que permitiram a construção da Usina Hidroelétrica de Itaipu Bi-nacional. Fernando Lugo elegeu-se defendendo precisamente uma rediscussão desses acordos espúrios e a devolução parcial das terras arrancadas ao campesinato paraguaio, hoje em boa parte nas mãos de grandes sojicultores brasileiros.


Por uma História e Política dos Povos

Os crimes cometidos contra a população e a nação paraguaias são de exclusiva responsabilidade das classes dominantes brasileiras, como um todo, e das facções liberais argentinas e uruguaias de então. No Brasil, na Argentina, no Uruguai, a população pobre partia, não raro, manietada e tratada como gado, para ir lutar em conflito que literalmente abominava, pois tudo tinha a perder e nada a ganhar na luta contra os irmãos paraguaios.


Na Argentina, os gauchos desertaram e levantaram-se em armas aos milhares contra os governos liberais de Mitre e Sarmiento que agrediam sua autonomia provincial e os direitos nacionais paraguaios. No Brasil, a negativa do homem livre em partir para o Prata obrigou a compra e libertação de cativos destinados a morrer sob bandeira negreira que manteria nos grilhões, por ainda quase vinte anos, seus irmãos. Durante a guerra, os quilombos brasileiros regurgitaram de desertores, que compreendiam que, se “deus é grande, o mato é maior!”


Ao contrário do que afirmam os proprietários das riquezas e do poder e seus intelectuais arrendados, não houve, ontem, como não há hoje, contradições entre os trabalhadores e trabalhadoras, entre os homens e as mulheres de bem das nações latino-americanas. O “Memorial da Guerra da Tríplice Aliança” que devemos construir deverá cimentar a aliança dos trabalhadores, pobres e oprimidos latino-americanos e celebrar o martírio dos populares e combatentes guaranis, brasileiros, argentinos e uruguaios, ceifados no altar dos mesquinhos interesses das suas classes dominantes nacionais.


Mário Maestri, 60, é doutor em História pela UCL, Louvain, Bélgica. Foi preso e refugiado durante a Ditadura Militar brasileira. É atualmente comunista sem partido. E-mail: maestri@via-rs.net

quarta-feira, 15 de abril de 2009

NOSTÁLGICOS DA DITADURA


, por PCB conselho editorial - Diretório Municipal de Alegrete/RS - março/2009

Ao ser substituído no posto, o até então chefe do Comando Militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho, despediu-se com um discurso de exaltação ao golpe de 64. Se fosse em outro país do cone sul, hoje sairia preso, no nosso Brasil, muitos que apoiaram a ditadura seguem em cargos públicos e usufruem do poder.

Nesse contexto, não foi casual a introdução do neologismo "ditabranda" no repudiado editorial da "Folha de S. Paulo". Os maiores jornais brasileiros, que cresceram como conglomerados de negócios sob o manto protetor do autoritarismo, não por acaso definem como adequado para o atual momento político o mesmo objetivo: lavar a imagem da ditadura. Entre eles, Folha, O Globo, RBS, etc....A linha editorial dos jornalões trabalha, todo santo dia, e com competência.

Em Alegrete, ficamos 18 anos sob o camando de um prefeito, Rubens Pillar, de triste memória, um entusista e alcagoete do Golpe, ficaram suas viúvas e seguidores que, volta e meia, mostram suas garras.

Quem fala em "ditabranda" quer, de imediato, "democradura". Quem fala em "choque de ordem", com o teor da criminalização dos pobres e dos movimentos sociais, prepara a "ordem de choque". Barbas de molho, todo cuidado é pouco com os nostálgicos da ditadura…

segunda-feira, 30 de março de 2009

"45 anos de Ditadura"

clube de cultura
O Clube de Cultura promove ciclo de palestras "45 anos de Ditadura" de hoje, 30/03, até a sexta, 03/04, na R.Ramiro Barcellos 1853. Sempre às 19h. As inscrições são feitas no local com o valor de R$10 cada dia ou R$50 para todo o ciclo. Mais informações pelo 51-33316920.






30/3 - Cinema de Jango a Figueiredo
(Nilo Piana de Castro, professor do Colégio Aplicação UFRGS)


31/3 - O Golpe de 64 e seu significado
(Charles Sidarta Machado, doutorando em História UFRGS)
Coração de Estudante no Golpe Militar
(Fabio Catani, professor de História do curso pré-vestibular Mottola)


1/4 - Ditabranda e ditamidiática
(Wladimyr Ungaretti, professor de Jornalismo UFRGS)


2/4 - Do Golpe de 64 ao AI-5
(Carla Rodeghero, professora História UFRGS )
e Anistia política 30 anos depois

(Caroline Bauer, doutoranda em História, UFRGS)


3/4 - A ditadura brasileira e conexões repressivas com o Mercosul (1964-73)
(Ananda Simões Fernandes, mestranda em História UFRGS )
A Operação Condor no Brasil (Enrique Padrós, professor História UFRGS)


Sempre às 19h
Inscrições - Clube de Cultura (de segunda à sexta, das 14 às 18h)
Investimento R$ 50 todo o ciclo; R$ 10 cada dia
Estudante paga meia-entrada
Certificados a partir de 75% de presença

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Instrumento voador da Desgovernadora Yeda Crusius do RS

Deu no RS INSURGENTE

Desculpem-me, prezados leitores, mas não dá para levar este governo a sério.


"Deputados da situação, defendendo a proposta da governadora para comprar um instrumento voador, no parlamento".

Percebam a linguagem dos parlamentares ligados a governadora Yeda Crusius. Este é o idioma que ela fala com o povo gaúcho.

Vejam o vídeo:

Voa passarinho, voa! Voa passarinho, voa!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Comitê de Solidariedade ao Povo Palesino RS/Brasil

9 de Janeiro de 2009
Companheiros:

* Após a produtiva reunião de hoje pela manhã, repasso as deliberações tomadas pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino tomadas pelas entidades presentes:
* A retomada do Comitê de Solidariedade será oficializada em ato público, dia 13 de janeiro, as 10h, no plenarinho da Assembléia Legislativa. Após, haverá caminhada até a esquina democrática, onde as entidades presentes e a comunidade árabe-palestina RS farão ato de repúdio à invasão israelense e ao genocídio que hoje acontece na Palestina.
* O Comitê de Solidariedade constituido é suprapartidário, intersindical, interreligioso e multiracial, aberto a todos os defensores da paz e àqueles que lutam contra o imperialismo mundial.
* O que acontece na Palestina, a despeito do que preconiza mídia oficial não pode ser chamado de guerra, mas sim o massacre de uma população civil desarmada, a população palestina, pelo 4° maior exército do mundo. A isto se chama genocídio.
* Para burlarmos o boicote da´grande mídia às informações verdadeiras sobre as agressões israelenses, contaremos com outros meios de comunicação: internet, jornais sindicais, panfletos. Estes meios serão fundamentais para alertar ao povo sobre as atrocidades cometidas pelo exército de Israel contra a população palestina.
* Finalmente, o massacre que ocorre na Palestina não pode ser caracterizado como uma disputa racial ou religiosa. Não são judeus contra árabes, mas sim o imperialismo representado por Israel e sustentado pelos EUA e outras potências imperialistas contra um povo que resiste a este império.
São bandeiras de luta:
1) A luta pela imediata retirada das tropas israelenses do território palestino;
2) O imediato reconhecimento do Estado Palestino;
3) O boicote aos produtos israelenses;("A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o "made in Israel" para driblar a repulsa mundial, mas tem o código de barras iniciado com o número 0729".)
4) Rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel;
5) Não ao acordo Mercosul/Israel;
6) Responsabilização pelas atrocidades cometidas por Israel.
Entidades Participantes:
Centro Brasileiro de Defesa da Soberania dos Povos e Luta Pela Paz- CEBRAPAZ, Federação das Associações Árabe-Palestinas do Brasil FEPAL , Sociedade Arabe Palestina do RS SOPAL, Psol, PCdoB, PCB, PSTU, , Mov.Avançando Sindical, Juventude Avançando, Comitê pela Libertação da Palestina, União da Juventude Socialista, União da Juventude Comunista, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Sociedade Palestina, SEMAPI, CUT RS, CTB RS, CONLUTAS RS, OAB RS, SINDIPETRO RS, Associação Cultural José Martí, Associação de Médicos e Amigos de Cuba, Deputada Federal Manuela Dávila, Deputado Estadual Adão Villaverde, Vereadora Fernanda Melchiona, Gab. Marisa Formolo, Gab. Raul Carrion, Gab. Maria do Rosário, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, União das Associações de Moradores de Porto Alegre, Corrente Prestista, Clube de Cultura, Sindicato dos Assistentes Sociais.

Regina Abrahão
*
Economize papel - Só imprima este e-mail se for realmente necessário.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Blindagem do Brasil à crise externa é de ‘papel crepom’

ENTREVISTA COM REINALDO GONÇALVES, professor de economia na UFRJ
PDF Imprimir E-mail
Escrito por Valéria Nader
02-Out-2008 - correio da cidadania, sao paulo.

A gravidade da crise econômica mundial, originada na débâcle do mercado de hipotecas subprime dos Estados Unidos, parece realmente não mais se constituir uma surpresa ou novidade a nenhum leigo. Assim como também não é desconhecida a possibilidade de ainda estarmos frente somente a uma ponta do iceberg, qual seja, pode haver mais catástrofes à vista.

Quanto às repercussões na economia brasileira, a dúvida é, no entanto, o que predomina entre os cidadãos que acompanham atônitos a maior depressão desde a crise de 1929. A despeito das enormes descidas morro abaixo da Bolsa de Valores de São Paulo, deparam-se esses cidadãos com estatísticas muito favoráveis relativamente ao crescimento da economia e da renda, à diminuição do desemprego, dando conta estas estatísticas até mesmo de um incremento da classe média no país, a qual teria tomado o lugar da pobreza. Nossas reservas externas seriam, ademais, grandes o suficiente para reforçar os nossos sólidos fundamentos econômicos e garantir a estes trópicos um bom lugar na travessia da tormenta.

Não é, infelizmente, esta otimista noção quanto à crise mundial e suas repercussões internas que transparece da aguçada análise que o economista e professor da UFRJ, Reinaldo Gonçalves, teceu a este Correio.

Confira abaixo a entrevista completa.

Correio da Cidadania: A crise atual da economia americana tem colocado vários teóricos e estudiosos diante do seguinte dilema: o capitalismo vive uma crise estrutural profunda? Qual o teor e profundidade dessa crise a seu ver, especialmente quando sabemos que os ativos financeiros são cerca de 4 vezes superiores ao PIB mundial na atualidade?

Reinaldo Gonçalves: Essa crise é particularmente séria por ter três dimensões: a principal é a financeira, com essa crise sistêmica dos EUA. Há também um transbordamento para o lado real da economia, ou seja, uma desacelaração forte do investimento, da geração de renda e do emprego. Já o terceiro aspecto, é que ela tem ocorrido em um momento de aceleração inflacionária não desprezível na economia mundial. Há, portanto, três vetores: o financeiro, o real e um último relativo aos preços. É uma crise diferente desde que conheço o capitalismo, nada comparável à crise de 29, que teve origem em problemas no lado real da economia, quando havia muito investimento, muita capacidade produtiva; os investimentos se reduziram, o emprego e a renda também e, depois, como conseqüência de o lado real não andar bem, o lado financeiro explodiu. Nesse momento não há nenhuma pressão de empresas na economia dos EUA e nem na mundial.

Essa crise, do ponto de vista da sua natureza, é mais séria e abrangente do que as outras.

CC: Os EUA vão manter sua hegemonia mundial após essa crise? Segundo a economista Maria da Conceição Tavares, se não resolverem tudo antes das eleições, perderão a hegemonia, já que não têm mais reservas, que estão com a China, mas somente dívidas.

RG: Creio que essa crise não abala a hegemonia norte-americana, pois ela é variada. Tem uma vertente claramente cultural, outra militar (muito expressiva), outra tecnológica (também muito importante) e finalmente uma força monetária e financeira enorme. A moeda chave do sistema monetário internacional é o dólar, que responde por mais de 70% das operações do sistema financeiro. Dessa forma, o sistema financeiro americano é o pilar do sistema financeiro internacional. E esse sistema depende em grande medida do próprio envolvido, da esfera financeira norte-americana. No caso da China, a maior parte das reservas em dólar é de títulos privados associados ao mercado norte-americano. À medida que o risco mundial aumenta, a tendência é que se corra para os EUA e para seu tesouro. Portanto, não vejo nenhuma razão para imaginar que, num horizonte previsível de 10, 15 anos, haverá uma troca de hegemonia, pois na verdade ela se dá em múltiplas frentes.

CC: Qual a sua opinião sobre as intervenções estatizantes que o governo americano tem feito para lidar com a crise que se originou nas hipotecas subprime e também sobre esse novo pacote, inicialmente de 700 bilhões de dólares, que está patinando no Congresso? Terão alguma efetividade?

RG: Certamente sou a favor do pacote, que tenta travar uma crise financeira que abrange todo o mundo. Se a crise se restringisse só aos EUA, seria problema deles, neste caso poderíamos torcer contra. Mas o fato central é o transbordamento. Os EUA não são o Brasil. Se a crise acontecesse aqui, não teria importância em nenhum canto do mundo, mas está se sucedendo nos EUA e tem repercussão internacional. Acho que essas medidas são corretas. O governo Bush tentou primeiro aumentar a liquidez do sistema financeiro, depois mexeu com a taxa de juros, e ainda houve as operações de resgate, estatizando aquelas empresas de crédito imobiliário e seguros, como a Fannie Mae e a Freddie Mac. Quanto ao pacote, tem o sentido de gerar recursos às empresas e bancos de investimento que se envolveram em toda essa crise e eventualmente estabilizá-los. O problema é saber se essas novas medidas vão destravar ou não o sistema, já que são uma nova tentativa do governo americano. 700 bilhões de dólares, ademais, não é muito dinheiro, correspondem a 6% do PIB americano. Lembremos que o Lula no Brasil todo ano gasta mais de 10% do nosso PIB com juros. Portanto, 6% do PIB americano é pouco dinheiro, é provável que tenham até de aumentar a quantidade de recursos a curto prazo. A questão central é, portanto, a sociedade americana querer controlar o Executivo no uso desses recursos públicos.

CC: Pelas repercussões que essa crise pode ter, não se trata, portanto, de punir os culpados, mas de salvar os inocentes.

RG: Acho que o tema central deste pacote, que certamente será aprovado, é a punibilidade. Numa democracia como a americana, mesmo com todos os seus problemas, as instituições são robustas de acordo com os padrões internacionais. Há duas questões em jogo: um contrapeso ao Executivo, de um lado, e essa punibilidade, de outro. Dada a existência de fatores como informações privilegiadas, burocracia administrativa, corrupção e fraudes, nas sociedades avançadas, como a dos EUA, há uma preocupação em punir os responsáveis. O que houve é que o projeto do Bush não estava muito claro a respeito dessa punição. Esse imbróglio passa, deste modo, pela falta de um acordo em torno de dois pontos citados: a punibilidade e o controle do capital sobre recursos públicos, o que mostra a força da sociedade. No Brasil, um governador, meia dúzia de senadores e deputados, que mais funcionam como despachantes, atravessam os corredores de Brasília, vão à sala da presidência, passam a fatura e assim são liberados bilhões de reais, como ocorreu no Proer (programa de salvamento de bancos no governo FHC) e como acontece nas renegociações de dívidas de grandes empresas, reproduzindo o expediente de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos.

Para sorte do mundo, a sociedade americana é uma sociedade robusta e a morosidade, ao final das contas, tem algo de positivo, podendo levar a um acordo mais eficaz.

CC: Quanto à saúde da economia brasileira, muito se aventa a noção de nossos sólidos fundamentos econômicos, o que nos garantiria um lugar seguro pra atravessar a tormenta. Teríamos 200 bilhões de dólares em reservas externas, um bom colchão, mas ao mesmo tempo é sabido que os capitais especulativos, voltados a aplicações de curto prazo, representam hoje mais de 50% de nosso passivo externo (investimentos externos, mais capitais de curto prazo e outros investimentos). Estamos mesmo tão robustos?

RG: O Brasil tem uma enorme vulnerabilidade externa. Ela ocorre na esfera comercial, produtiva, tecnológica, monetária, financeira. A estabilidade do Brasil na verdade é falsa, é uma estabilidade de papel crepom. As reservas internacionais brasileiras correspondem hoje ao valor da dívida externa, enquanto a dívida interna é 5 vezes maior que as reservas, com um valor superior a 1 trilhão de reais. Somente o passivo de curto prazo está em torno de 600 bilhões de dólares, ou seja, três vezes as reservas. Além disso, com essa liberalização financeira e cambial, o Brasil, que é uma casa da mãe Joana do capital, permite tanto a estrangeiros como a brasileiros converterem seus ativos monetários em dólar e mandá-los ao exterior. O fato de o Brasil depender só em 15% do mercado americano para as suas exportações é ilusão, pois aumentamos muito nossa dependência em relação aos mercados mexicano, chileno e chinês. E esses foram três mercados que aumentaram muito suas dependências dos EUA. Assim, indiretamente, o Brasil continua tão dependente quanto antes do mercado americano para as exportações. Dessa forma, repetindo o que já disse anteriormente, o Brasil tem uma blindagem de papel crepom e, assim que chover no sistema econômico internacional, ficaremos nus no meio da avenida, exatamente como já está acontecendo e acontecerá daqui em diante.

CC: Estão também os leigos brasileiros diante do seguinte paradoxo: em meio à crise, a economia brasileira estampou no início de setembro dados muito favoráveis, com maiores investimentos industriais e consumo das famílias no primeiro semestre, o que garantiria um crescimento do PIB de 5% nesse ano, ancorado na ampliação, portanto, do mercado interno. Ademais, o IBGE acaba de divulgar dados sobre a diminuição da taxa de desemprego e aumento da renda. O que você teria a dizer sobre estas estatísticas?

RG: Na realidade, a economia mundial cresceu de 2003 a 2007 e o Brasil, ainda que tenha pegado carona nesse movimento, ficou atrás dele, crescendo bem abaixo da média. Em 2007, o Brasil teve um crescimento substantivo no finalzinho do ano. A partir do final de 2007, no entanto, a economia mundial começou a descer a ladeira. Na realidade, em setembro, o Brasil ainda estava vivendo o impacto do crescimento do ano passado, o que duraria todo o primeiro semestre deste ano. Daqui para frente, toda a pressão recairá sobre o país. Com o agravante de que, quando o mundo acelera, o Brasil acelera menos; quando o mundo cai, o Brasil cai mais rápido.

Quanto à questão do mercado interno, o ponto é o seguinte: o mercado interno depende da inserção do país no mercado internacional. Ou seja, o governo Lula aprofundou a vulnerabilidade externa estrutural do país, tanto do ponto de vista da intensificação de nossa dependência com relação à exportação de produtos primários, especialmente as commodities, como pela fragilidade do sistema nacional de inovações. E o aumento da desnacionalização da economia criou uma maior dependência do mercado de capitais e do sistema financeiro mundial.

Portanto, o Brasil, ao invés de se fortalecer, aumentou a liberalização e a desregulamentação comercial e financeira, que intensificam sua vulnerabilidade externa estrutural. Estamos tão fracos como há 5, 10 anos. E essa dependência do mercado interno para com o internacional significa o seguinte: quando se tem uma mudança de câmbio, há um impacto inflacionário imediato, já que o coeficiente de importações aumentou muito.

Com esse impacto inflacionário bem maior hoje, o que o Banco Central brasileiro vai fazer é aumentar ainda mais a taxa de juros. Aumentando a taxa de juros, restringe-se o crédito e acirra-se o aperto fiscal, ou seja, a economia brasileira vai travar. É uma questão de tempo, já deve estar até ocorrendo, e certamente já haverá desaceleração em 2008 em comparação a 2007, e em 2009 relativamente a 2008. Todas as previsões são de uma forte desaceleração da economia brasileira. Ou seja, o Brasil está descendo a ladeira. Esperemos, no entanto, que o vagão brasileiro sofra uma desaceleração, e não um descarregamento, como ocorreu em 1999 e em 2002/03. O governo Lula só fez transformar o Brasil num país mais vulnerável estrutural e economicamente.

CC: Ou seja, o reiterado aumento de juros pelo Banco Central por si só já desmente esse crescimento sustentado e, ainda por cima, ancorado no mercado interno.

RG: Exatamente. Na verdade, é uma fraude dizer que o Brasil tenha blindagem. Na mínima turbulência do sistema econômico internacional, estaremos em meio a grande tempestade, que, aliás, já começou.

CC: Sabendo estar o desempenho da economia brasileira tão atrelado ao setor de commodities, "reprimarizando" nosso comércio e indicando nossa fragilidade estrutural, a que você atribui esse vai e vem recente, com grandes altas e grandes baixas de preços, repercutindo na inflação interna? Trata-se de um movimento vinculado ao crescimento da economia mundial ou originário de fortes ações especulativas?

RG: O problema das commodities é que elas são intrinsecamente voláteis em seus preços. As receitas delas oriundas são, assim, também voláteis. Não se trata, portanto, de uma questão de especular no sistema mundial do comércio, mas sim da instabilidade de preços e das receitas de exportação derivadas de commodities, o que não é nenhuma novidade.

O que acontece no caso brasileiro? O primeiro ponto a se lamentar é que o governo Lula está enforcado não só pela dívida interna, mas também pelos projetos orientados para a exportação de produtos primários, o etanol, soja, açúcar etc. O segundo problema é que, daqui em diante, com essa desaceleração da economia mundial, a tendência é os preços das commodities caírem, o que já vem acontecendo, aliás.

Assim, o Brasil já está sofrendo as conseqüências dessa instabilidade das commodities. No horizonte de curto e médio prazo, a tendência, com a queda de preços, é o aumento déficit das contas externas brasileiras, já se deteriorando de forma acelerada. Portanto, essa crescente dependência do comércio internacional em relação às commodities, ao lado da crescente deficiência em infra-estrutura, ademais atualmente fortemente atrelada ao setor de commodities, fazem com que o Brasil tenha uma estrutura produtiva cada vez mais vulnerável, ou seja, uma vulnerabilidade externa maior na esfera comercial e produtiva.

Dessa forma, a questão é: com a queda dos preços das commodities, o que acontecerá com a dívida do agronegócio? Será renegociada pela enésima vez com tratamento preferencial? O que vai acontecer com os investimentos em infra-estrutura que são orientados para as commodities? Vão se tornar menos rentáveis? Mas quem pagará por isso? Vai recair tudo sobre o povo e a sociedade?

Sem dúvida alguma, todo esse cenário implicará num menor dinamismo da economia brasileira, que reflete a realidade da carta de investimentos medíocres que o país possui, seja nos padrões brasileiros ou internacionais. E essa dependência das commodities significará novamente uma condição muito precária para investimentos, acompanhada de baixa geração de renda e emprego. E o mercado interno sofre com isso. Aumenta-se a taxa de juros, o crédito diminui e, por fim, temos mais crise financeira.

CC: Você tem algum prognóstico positivo em meio a esse quadro sombrio?

RG: A questão é que o Brasil perdeu uma excelente oportunidade, entre 2003 e 2007, de fazer reformas estruturais relevantes e reduzir sua vulnerabilidade externa estrutural. Isso derivou de uma estratégia equivocada do governo Lula entre esses anos, e o crescimento medíocre da economia brasileira atesta esse fato.

O padrão de inserção internacional é muito frágil, sofremos uma dominação forte do setor financeiro, com um governo medíocre e covarde.

Agora, o Brasil tenta retomar sua trajetória, mas a economia internacional vai deixar o país literalmente pendurado e a blindagem de papel crepom desaparecerá, o que conduzirá o país a uma recessão. Entraremos numa forte desaceleração do crescimento. Esperemos que não signifique uma crise econômica e política mais profunda. Até 2010, muita água vai correr embaixo dessa ponte, que certamente vai trepidar bastante.

Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

Colaborou o jornalista Gabriel Brito.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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