sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Notícia RS: Um gaúcho é o principal opositor de Serra do Sol



O gaúcho JOÃO PAULO QUARTIERO é o principal oposicionista à demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Morador da região há pouco mais de TRINTA anos, QUARTIERO produz arroz em uma região da União que foi ocupada ilegalmente pelos produtores rurais. Ele também é prefeito de Pacairama. O gaúcho lidera a resistência dos agricultores à demarcação da terra, alegando que os indígenas representam perigo à soberania nacional na região. Segundo QUARTIERO, a presença dos indígenas pode incentivar a entrada de organizações não-governamentais estrangeiras que teriam como principal objetivo expropriar matéria-prima da Amazônia. No entanto, o próprio produtor já foi multado pelo Ibama por desmatamento e degradação de área permanente.

Agência Chasque de notícias

Comentário oportuno:
Deve ter feito curso de aprendiz de latifundiário no Rio Grande do Sul, ou é dos italianos de cunho fascista.

Grisa

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Para a honra, Medalha de Ouro




Reflexões do companheiro Fidel Castro


Se for feita uma estatística sobre o número de instalações, campos esportivos e equipamentos sofisticados por milhão de habitantes que acabamos de ver nos últimos Jogos Olímpicos: piscinas de natação, de saltos de pólo aquático; solos artificiais para disputas de campo e pista, hóquei sobre grama; instalações para basquete, para voleibol; de águas rápidas para caiaque; pistas para bicicletas de velocidade, polígonos de tiro, etc., etc., poderia se afirmar que não estão ao alcance de 80% dos países representados em Beijing, o equivalente a milhares de milhões de pessoas que habitam o planeta. A China, imenso e milenário país com mais de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, investiu 40 bilhões de dólares nas instalações olímpicas e ainda precisará de tempo para satisfazer as necessidades esportivas de uma sociedade em pleno desenvolvimento.

Se forem somadas as pessoas que habitam Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão, Vietnã, Filipinas e outros, sem contar os quase 900 milhões de africanos e mais de 550 milhões de latino-americanos, será possível ter uma idéia das pessoas que no mundo carecem de tais instalações esportivas.

É à luz destas realidades que devemos analisar as notícias que giraram em torno dos Jogos Olímpicos de Beijing.

O mundo desfrutava da Olimpíada porque dela precisávamos, porque desejávamos ver os sorrisos e as emoções dos atletas participantes, e em especial dos primeiros lugares, que recebiam o prêmio por seu empenho e disciplina.

A qual deles poderia se culpar das colossais desigualdades do planeta em que nos tocou viver? Como esquecer, por outro lado, a fome, a subnutrição, a ausência de escolas e professores, hospitais, médicos, medicamentos e meios elementares de vida que padece o mundo!

Sabemos o que evidentemente desejam aqueles que saqueiam e exploram o planeta que habitamos. Por que desataram a violência e agravaram os perigos de guerra no mesmo dia que se iniciaram os Jogos Olímpicos? Estes acabam de decorrer em apenas 16 dias.

Agora, quando já passou o efeito da anestesia, o mundo volta aos seus angustiosos e crescentes problemas.

Dias atrás escrevi sobre nosso esporte. Vinha denunciando há muito tempo as repugnantes ações mercenárias contra essa atividade revolucionária e em defesa do valor e da honra dos nossos atletas.

Enquanto aconteciam as competições, meditava sobre estas questões. Talvez não teria tomado tão rápido a decisão de escrever algo sobre o tema se não tivesse acontecido o incidente do atleta cubano de taekwondo, Ángel Valodia Matos —campeão olímpico há 8 anos em Sidney— cuja mãe morreu quando competia e ganhava a medalha de ouro a 20 mil quilômetros de sua pátria. Assombrado por uma decisão que lhe pareceu totalmente injusta, protestou e lançou um chute contra o árbitro. Haviam tentado comprar ao seu próprio treinador, estava pré-disposto e indignado. Não pôde se conter.

O atleta costumava enfrentar valentemente as lesões que costumam ser freqüentes no taekwondo. O árbitro suspendeu o combate quando estava ganhando de três a dois. Não foi o único caso. É muito grande o poder do árbitro nesse tipo de disputa e nenhum o dos atletas. Aos dois cubanos, taekwondoca e treinador, ficou proibida a participação por toda a vida em competições internacionais.

Vi quando os juízes roubaram descaradamente as brigas de dois boxeadores cubanos nas semi-finais. Os nossos combateram com dignidade e valentia; atacavam constantemente. Tinham esperanças de ganhar, apesar dos juízes; mas foi inútil: estavam condenados de antemão. Não vi a de Correa, a qual também arrebataram.

Não estou obrigado a guardar silêncio com a máfia. Esta faz arranjos para corromper as regras do Comitê Olímpico. Foi criminoso o que fizeram com os jovens de nossa equipe de boxe para complementar o trabalho dos que se dedicam a roubar atletas do Terceiro Mundo. Em seu enfurecimento, deixaram Cuba sem uma só medalha de ouro olímpica nessa modalidade.

Cuba jamais comprou um atleta ou um árbitro. Há esportes onde a arbitragem está muito corrompida e nossos atletas lutam contra o adversário e o árbitro. Antes o boxe cubano, reconhecido internacionalmente por seu prestígio, teve que enfrentar as tentativas de suborno e corrupção para arrancar à dentadas as medalhas de ouro para o país comprando boxeadores altamente treinados e curtidos, como fazem com jogadores de beisebol ou outros destacados esportistas.

Os atletas cubanos que competiram em Pequim em vez de ouro trouxeram prata, bronze ou um lugar destacado nas competições, têm um enorme mérito como representantes do esporte amador que deu origem ao ressurgimento do movimento olímpico. São exemplos insuperáveis no mundo.

Com que dignidade competiram!

O profissionalismo foi introduzido nas Olimpíadas por interesses comerciais, que transformaram o esporte e os esportistas, como dissemos, em simples mercadorias.

Foi exemplar a conduta da equipe olímpica de Cuba no besisebol. Duas vezes derrotaram em Pequim a seleção dos Estados Unidos, o país que inventou esse esporte que por interesses das grandes empresas comerciais foi expulso das Olimpíadas. Em 2008 foi por hora seu último ano de participação olímpica.

A partida final com a Coréia do Sul foi considerada como a mais tensa e extraordinária que já aconteceu em uma Olimpíada. Foi decidida no último inning com três cubanos em base e um out.

Os jogadores profissionais adversários eram como máquinas projetadas para rebater; seu pitcher, um canhoto de velocidade, bolas variadas e precisão exata. Tratava-se de uma excelente equipe. Os cubanos não praticam o esporte como profissão lucrativa; são educados, como todos nossos atletas, para servir ao seu país. Se não for assim, a Pátria, pequena em tamanho e com limitados recursos, os perderia para sempre. Não é possível calcular sequer o valor dos serviços recreativos e educativos que ao longo de sua vida prestam à nação, em todas as províncias e na Ilha da Juventude.

No voleibol, a equipe derrotou a seleção norte-americana na fase eliminatória, vindo em ascensão do último da parte baixa de uma escada para mais de 50 degraus. Uma façanha que, ainda que regressem sem medalhas, passará à história.

Mijaín ganhou com orgulho, em difícil prova com um rival russo, a primeira medalha de ouro para Cuba.

Dayron Robles ganhou o ouro com ampla margem. A chuva ensopou a pista em chamas. Sem a umidade que ainda restava, teria podido quebrar facilmente o recorde olímpico, além do mundial que tinha imposto semanas antes no difícil e milimétrico evento dos 110 metros com barreiras. É um atleta disciplinado e tenaz com 21 anos e nervos de aço.

Yoanka González ganhou a primeira medalha cubana de ciclismo em uma Olimpíada.

Leonel Suárez, que obteve em decatlo medalha de bronze, completará 21 anos em setembro. Os resultados atingidos em cada um dos dez eventos de seu quase inacessível esporte impressionam.

São tantos os atletas com grandes méritos, homens e mulheres, que não pode ser enumerado aqui, mas que é impossível esquecê-los.

Mais de 150 atletas de nossa pequena ilha participaram na Olimpíada de 2008 e batalharam em 16 dos 28 esportes que ali se competiu.

Nosso país não pratica o chauvinismo nem comercializa com o esporte, que é tão sagrado como a educação e a saúde do povo; pratica, em troca, a solidariedade. Há anos criou uma Escola Formadora de Professores de Educação Física e Esportes, com capacidade para mais de 1.500 alunos do Terceiro Mundo. Com esse mesmo espírito solidário celebra o triunfo dos velocistas jamaicanos, que obtiveram 6 medalhas de ouro; do saltador panamenho com ouro; do boxeador dominicano com igual título, ou o das jogadoras de vôlei brasileiras que venceram avassaladoramente à equipe dos Estados Unidos e ganharam a liderança.

Por outro lado, milhares de instrutores esportivos cubanos cooperaram com países do Terceiro Mundo.

Estes méritos de nosso esporte não nos eximem nem um pouco de responsabilidades presentes e futuras. Nas disputas esportivas mundiais, pelas causas assinaladas, produziu-se um salto de nível. Não vivemos hoje as mesmas circunstâncias da época em que chegamos a ocupar relativamente cedo o primeiro lugar do mundo em medalhas de ouro por habitante, e claro que isso não voltará a se repetir.

Constituímos ao redor de 0,07% da população mundial. Não podemos ser fortes em todos os esportes como os Estados Unidos, que possui pelo menos 30 vezes mais população. Nunca poderíamos dispor nem de 1% das instalações e equipes de diversa natureza, nem dos climas variados de que eles dispõem. Outro tanto ocorre com o resto do mundo rico, que possui pelo menos duas vezes o número de habitantes dos Estados Unidos. Esses países somam ao redor de bilhões.

O fato de que participem mais nações e as disputas sejam mais duras é em parte uma vitória do exemplo de Cuba. Mas dormimos sobre os loureiros. Sejamos honestos e reconheçamos todos. Não importa o que digam nossos inimigos. Sejamos sérios. Revisemos a cada modalidade, cada recurso humano e material que dedicamos ao esporte. Devemos ser profundos nas análises, aplicar novas idéias, conceitos e conhecimentos. Distinguir entre o que se faz pela saúde dos cidadãos e o que se faz pela necessidade de competir e divulgar este instrumento de bem-estar e de saúde. Podemos não competir fora do país e o mundo não se acabaria por isso. Penso que o melhor é competir dentro e fora, enfrentarmos todas as dificuldades e fazermos um uso melhor de todos os recursos humanos e materiais disponíveis.

Preparemos-nos para importantes batalhas futuras. Não nos deixemos bajular pelos sorrisos de Londres. Ali terá chauvinismo europeu, corrupção arbitral, compra de músculos e cérebros, custo impagável e uma forte dose de racismo.

Nem sequer sonhar que Londres atingirá o grau de segurança, disciplina e entusiasmo que conseguiu Pequim. Uma coisa é certa: terá um governo conservador e talvez menos belicoso que o atual.

Não esqueçamos a honradez, honestidade e prestígio profissional de que gozam nossos árbitros internacionais e os cooperantes esportivos.

Para nosso atleta de taekwondo e seu treinador, nossa total solidariedade. Para os que regressam hoje, o aplauso de todo o povo.

Recebamos aos nossos esportistas olímpicos em todos os cantos do país. Ressaltemos sua dignidade e seus méritos. Façamos por eles o que esteja ao nosso alcance.

Para a honra, Medalha de Ouro!

Fidel Castro Ruz, Havana, 24 de agosto de 2008, 21h05
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=42392

terça-feira, 26 de agosto de 2008

YEDA FAZ HONRARIAS A FHC, COM A INFÂMIA DO PONCHO VERDE

em http://rsinsurgente.blospot.com

Essa burguesia guasca que mantém a arrogância da oligarquia-pastoril como cabedal de sua existência e interesses, no episódio vergonhoso da rendição dos farroupilhas, na maior demonstração de covardia e traição ao povo gaúcho.

Poncho Verde representa o massacre do serro de Porongos, quando o farrapo Davi Canabarro entregou os soldados negros ao império. Esse crime é de responsabilidade dos farroupilhas, nessa guerra entre senhoriais.A infâmia como diz o prof. Mario Maestri, abriu portas para a rendição em Poncho Verde, onde entregariam os soldados negros restantes.

O RS comemora a semana farroupilha e ainda passa a mentira que esta revolta é uma revolução, quando foi um movimento elitista, sem nenhum conteúdo social. E tanto que referenciam a identidade dos gaúchos no herança portuguesa e rejeitam a guarani. A história contada pela burguresia guasca é vergonhosa, covarde e de submissão a todo e qualquer poder estrangeiro. Essa é a verdadeira história.

A Yeda faz parte desta covardia e com FHC-, a que dá e o que recebe, merecem o Poncho Verde, pois são dois corruptos e entreguistas do Brasil, para os grandes capitalistas internacionais.

" Sepé Tiaraju, vive! Viva 7 de fevereiro 1756, o herói que morreu por estas terras, por este povo, pela Republica Guarani, o sangue que jorrou pela verdeira identidade dos Gaúchos.

Por Runildo Pinto

Fiz este comentário sobre o artigo, HORARIAS, MEDALHAS e comendas, (clique no título para ler o artigo) do Jornalista

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Parque do Tradicionalismo Escravista

clique na figura e leia o livro - Sepé Tiaraju: 250 anos depois



Por Runildo Pinto



Gaúchinhos de meia-tijela


Eles estão chegando e já estão cercando o Parque. Cercar, é coisa bem deles!!!

Os gaúchinhos de churrasco e bombacha estão chegando, e os ideólogos das elites sul-rio-grandenses ficam rindo à toa, pelo reforço da hegemonia oligárquica. Uma população inteira submetida, ignora sua verdadeira história e suas origens identitárias. Reúnem milhares de pessoas em um Parque na região central de Porto Alegre, à beira do Guaíba, para comemorar a "semana farroupilha", que na verdade não é uma semana. Começa por volta do dia 23 de agosto e se estende até o final do mês de setembro, um mês inteiro de apologia ao latifúndio pastoril e burguesia urbana sul-rio-grandense. Estes tradicionalistas, são os que tem a "brasilidade e a gauchesa", baseados no invasor - os Portugueses-, nesses dominadores, exploradores, escravistas e assassinos de Índios, Caboclos, Mestiços e Negros.

Revolta farroupilha a pseudorevolução

A guerra farroupilha foi um conflito dos senhores província contra os senhores do império, não era nada de popular. Esta revolta não tinha nenhum caráter transformador, nenhum compromisso social. Foi um levante dos fazendeiros, contra o centralismo do império, às tímidas concessões regenciais.

Não houve democracia racial farroupilha. Negros e Brancos, acampavam e morriam separados. Eram brancos os oficiais dos soldados negros.

O movimento farrapo interpretou as reivindicações dos criadores do meridião do RS e a revolta não galvanizou todo o Rio Grande do Sul. Farroupilhas apoiavam-se no latifúndio e na escravatura. Os chefes farroupilhas jamais prometeram terra aos gaúchos e liberdade aos cativos, como Artigas no Uruguai.

Apologia ao latifúndio

Estes são aqueles que exaltam a atrasada e raivosa estrutura do latifúndio-pastoril

Estes que tem como fundamento a propriedade privada da terra, que fazem o aliciamento da cultura e simulam hábitos dos vencidos como seus, para criar uma hegemonia e perpetuar os interesses alheios ao povo.

O Tradicionalismo Guasca

O núcleo fundamental do tradicionalismo, do qual deve emanar o comportamento e a cultura, é a estância simbólica. A arte da elite preferencialmente palaciana. Admitiam-se somente as expressões "aceitas". Na verdade, a oligarquia real e universal. O Tradicionalismo não é sequer uma extensão cultural da oligarquia, de cuja propriedade retirou seu ícone fundante. Sequer abagualada e xucra, pois poderia remeter para a insubmissão. Sequer o "gaúcho" possui um lugar na estrutura do CTG. Alí se encontram o peão, o agregado, o posteiro, o capataz, todas as figuras obedientes, dos submissos, atreladas ao mando da sede, do núcleo inquestionável do poder do patrão. A truculência da elite rio-grandense na política nacional e platina deu-lhe o classificativo depreciativo de "gaúcho" (grupo social de ladrões de campo, salteadores, gente sem hábitos civilizatórios etc..) Por diversos processos, acabou em gentílico. Pois o Gaúcho remete à insubordinação, ao não confiável, à marginalidade, à ameaça à propriedade, ao comportamento incontrolável e, inclusive, abagaceirado. Na realidade, o Gaúcho , na história foi proscrito pela elite deste Estado e o continua, além de expropriar-lhe o nome característico, a designação identitária típica do sul do Brasil, que a classe abastada emulou à seu favor.


Estrutura do CTG é a estrutura do latifúndio:

- Patrão

- Capataz

- Peão

-Prenda

Esta é a face do latifúndio, preconceituosa, machista e raivosa!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

NOVO ATO DE SERVILISMO DO GOVERNO BRASILEIRO

O governo do Sr. Lula deu mais um passo na sua vassalagem ao imperialismo. Agora decidiu colaborar militarmente com os EUA nos seus exercícios de guerra contra o Iran. A fragata brasileira "Greenhalgh" já está a caminho das costas iranianas, onde atuará sob o comando estado-unidense.
Antes, no Haiti, após a derrubada do governo eleito, por meio de uma intervenção militar dos EUA & França, é a tropa brasileira que faz o trabalho sujo de reprimir o movimento popular.
Ver também: U.S. Armada En Route to the Persian Gulf: "Naval Blockade" or All Out War Against Iran? .

A humilhação da Geórgia & de Bush

Revisita à "batalha" de Tskhinvali

por Mike Whitney [*]

A Geórgia e as repúblicas indeendentes de facto.















Não há instalações militares na cidade de Tskhinvali. De facto, não há ali quaisquer objectivos militares. É um centro industrial com serrarias, fábricas de manufacturas e áreas residenciais. É também o lar de 30 mil ossetianos do Sul. Quando o presidente georgiano Mikheil Saakashvili ordenou que a cidade fosse bombardeada por aviões de guerra e artilharia pesada na última quinta-feira, ele sabia que estaria a matar centenas de civis nas suas casas e arredores. Mas ele ordenou o bombardeamento ainda assim.

Não houve "Batalha de Tskhinvali", isso é outra ficção. Uma batalha implica que há uma força opositora que resiste ou retalia. Não foi o caso ali. O exército georgiano entrou na cidade sem oposição. Afinal de contas, como podem civis desarmados travar unidades armadas? A maior parte das pessoas da cidade já fugiu para a Rússia através da fronteira ou escondeu-se nas suas caves enquanto os tanques e veículos blindados disparavam sobre qualquer coisa que se movesse.

O que se verificou na Ossétia do Sul em 7 de Agosto não foi uma invasão ou um sítio, foi um massacre. O povo não tinha maneira de se defender contra um exército moderno plenamente equipado. Foi um crime de guerra.

Em menos de 24 horas, o exército russo foi deslocado para a zona de guerra e expulsou o exército georgiano sem um combate. Michael Binyon colocou isto assim no London Guardian: "O ataque foi rápido, penetrante e mortal — o suficiente para por os georgianos em fuga num pânico humilhante".

Na verdade, os georgianos fugiram com uma tal pressa que muitas das suas armas foram deixadas para trás. Foi uma derrota completa, mais um olho negro para os conselheiros dos EUA e Israel que treinaram a corja de criminosos a que chamam de exército georgiano. Em breve vendedores nas ruas de Tskhinvali estarão a apregoar armas que foram abandonadas com um sinal de zombaria: "M-16 do exército georgiano, nunca utilizado, abandonado".

No momento em que o exército era expulso, a área central estava engolfada em chamas e os corpos daqueles que foram mortos por franco atiradores juncavam as ruas e os passeios. Muitas das pessoas que ficaram para trás eram simplesmente demasiado velhos ou doentes. Ao invés disso, eles amontoaram-se nas suas caves à espera de que o bombardeamento cessasse. Foi um banho de sangue. O único hospital da cidade foi alvejado deliberadamente e destruído; mais um crime de guerra. No fim do dia, mais de 2000 pessoas estavam mortas numa operação que foi claramente concebida com a assistência do Bush da Casa Branca. Bush considera Saakashvili como o seu principal cliente na região; eles são amigos. Ele é o instrumento da América para tarefas sujas no Cáucaso. A missão de Saakashvili era fazer com que Putin super reagisse militarmente e demonstrasse aos aliados europeus que a Rússia ainda representa uma ameaça à sua segurança nacional. Felizmente, muitos europeus vêem a artimanha e sabem que o conflito teve origem em Washington.

Na sua maior parte, os americanos ainda estão no escuro quanto ao que realmente aconteceu na semana passada. Há um grande vídeo posto a circular na Internet por um cidadão russo que vive nos EUA desde há 10 anos. Ele resume o papel dos media estado-unidenses com grande precisão. Diz ele: "Os media ocidentais – especialmente a CNN – está a alimentá-lo com excremento de cavalo. A Rússia não invadiu a Geórgia primeiro". O youtube pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=0c26Q-qxDEA

A cobertura dos media ocidentais tem sido péssima. Quase todo artigo e notícia de TV começa com acusações de agressão russa, escondendo o facto de que o exército georgiano bombardeou e invadiu a capital da Ossétia do Sul um dia antes de o primeiro tanque russo ter cruzado a fronteira. No momento em que os russos chegaram, a cidade já era um matadouro e milhares de pessoas estavam mortas.

Estes factos não estão em discussão por aqueles que acompanharam os desenvolvimentos quando eles se verificaram. Agora os media estão a rever os factos para instilar percepções no público, assim como eles ficcionaram as armas de destruição maciça no Iraque. Muitas pessoas pensam que a imprensa aprendeu a sua lição depois de se ter revelado que utilizou informação falsa a fim de preparar o caminho para a guerra no Iraque. Mas isso não é verdade. Os media corporativos – especialmente a Fox New, CNN e PBS (o presunçoso canal que se finge liberal) – continua a operar como o braço de propaganda do Pentágono. É vergonhoso.

Num referendo em 2006, 99% dos ossetianos do Sul disseram apoiar a independência em relação à Geórgia. Votaram 95% dos eleitores e a votação foi monitorada por 34 observadores internacionais do ocidente. Nenhum contestou os resultados. A província tem estado sob a protecção de forças de manutenção da paz russas e georgianas desde 1992 e tem sido um estado independente de facto desde então. Se Putin aplicasse o mesmo padrão de Bush no Kosovo, ele declararia unilateralmente a Ossétia do Sul como independente da Geórgia e então rir-se-ia para as Nações Unidas (Se é bom para os kosovares é bom para os ossetianos). Mas Putin e o recém-eleito presidente russo Dmitry Medvedev tomaram uma atitude conciliatória em relação à comunidade internacional e tentaram resolver a questão através de canais diplomáticos.

Ainda assim, a operação da Rússia na Ossétia do Sul acendeu uma tempestade de fogo no establishment político dos EUA e tanto democratas como republicanos estão a exigir que a Rússia "receba uma lição". Condoleeza Rice voou para Tíflis na sexta-feira e ordenou às tropas de combate russas que se retirassem da Geórgia imediatamente. Saakashvili culminou os comentários de Rice dizendo que as tropas russas eram "assassinos a sangue frio" e "bárbaras". Chega de reconciliação.

A retórica hiperbólica de Saakashvili foi seguida por um anúncio surpresa da Polónia de que havia aprovado planos de Bush para instalar o Escudo de Defesa de Mísseis (Missile Defense Shield) na Europa do Leste. O sistema é suposto defender a Europa da possibilidade de ataques dos chamados "estados vilões" como o Irão, mas o Kremlin sabe que isto é destinado a neutralizar seu arsenal nuclear.

O novos "escudo" será integrado num sistema de armas nuclear mais vasto dos EUA, colocando a maior parte das armas letais do mundo a apenas umas poucas centenas de milhas da capital da Rússia. É uma ameaça clara à segurança nacional da Rússia e nada diferente de armas nucleares em Cuba.

O presidente Medvedev fez esta declaração depois de ouvir a decisão da Polónia: "Tal decisão demonstra claramente tudo o que dissemos recentemente. A instalação de novas forças anti-mísseis na Europa é destinada à Federação Russa".

Foi o presidente Ronald Reagan, o bem amado dos neoconservadores, que decidiu remover armas nucleares de alcance curto do teatro europeu. Agora, ironicamente, é o seu herdeiro ideológico, George W. Bush, que está em vias de recomeçar a Guerra Fria colocando um sistema nuclear de alta tecnologia junto ao perímetro da Rússia. O Bush mais jovem já quebrou o compromisso do seu pai com Mikail Gorbachev de nunca expandir a NATO para além da Alemanha. Actualmente, Bush está a pressionar a fim de ganhar para a NATO dois antigos estados soviéticos, a Ucrânia e a Geórgia. Se forem aprovados, então qualquer futura disputa com a Rússia contraporá os Estados Unidos e a Europa contra Moscovo. Não é de admirar que Putin esteja a tentar sabotar o processo.

A administração Bush tem estado a planear uma confrontação com a Rússia há mais de um ano. De facto, Raw Story relatou operações conduzidas pelos militares em 14 de Julho de 2008 que provavelmente foram um ensaio geral para o actual conflito. Segundo a Raw Story:

"Na segunda-feira (14 de Julho) tropas dos EUA começaram exercícios militares próximos à fronteira russa na Ucrânia ex-soviética e estavam prontos para lançá-los na Geórgia, em meio a relações tensas entre Moscovo e Washington. Uma cerimónia que inaugurava o exercício Sea Breeze-2008 NATO foi afastada da costa ucraniana do Mar Negro devido a protestos anti-NATO e uma reacção de responsáveis na Rússia. A Sea Breeze-2008 inclui forças da Arménia, Azerbaijão, Bélgica, Grã-Bretanha, Canadá, Dinamarca, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Letónia, Macedónia e Turquia... Os exercícios militares conjuntos EUA-Geórgia serão efectuados na base militar Vaziani, a menos de 100 quilómetros da fronteira russa com um total de 1650 soldados a participarem".

Assim, parece que a administração Bush, a trabalhar em conjunto com o Pentágono, tinha planos de contingência para tratar de um ataque repentino com a Geórgia. A questão real é se: planearam eles iniciar estas hostilidade para avançar a sua própria agenda regional? Ninguém sabe ao certo.

Agora que o exército de Geórgia treinado pelos americanos foi humilhado frente ao mundo, Bush tenta desesperadamente salvar a face pedindo que à Rússia que permita a US Air Force entregar ajuda humanitária através de aviões militares C-17 a dezenas de milhares de georgianos que foram deslocados no combate.

[*] fergiewhitney@msn.com

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/whitney08162008.html


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
17/Ago/08

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O NEGRO NO BRASIL: NÃO SOMOS IMIGRANTES


Por João Pedro Fernandes dos Santos

Iniciando este artigo, de pronto vou fazer a seguinte afirmação: os povos da África são os únicos que chegaram ao Brasil (de modo forçado, é lógico) sem estarem, na época, sendo perseguidos pelos seus co-continentais, nem chegaram aqui pelo privilégio de seus parentes no poder central do Brasil Colônia. Eis um dos diferenciais que marcam a presença do negro no Brasil em relação às outras etnias (raças), principalmente, porque a diáspora não foi um processo de decisão dos povos da África.

Os europeus que aqui chegaram desde o descobrimento do novo mundo, quanto à decisão de saírem de sua terra natal, foi embasada na fuga das mazelas que assolavam o velho continente, sem contar com um número expressivo de criminosos e degenerados que trocaram suas condenações de diversos crimes no balcão de negócios do poder judiciário da Coroa Portuguesa, na época da colonização e início do povoamento do Brasil. Parcela destes criminosos e degenerados é a gênese da formação da elite dominante brasileira.

Nesta viagem histórica, veremos que os europeus começam a sair do velho continente a partir do ciclo das navegações, quando se inicia, na Europa, um novo processo econômico, o mercantil-colonialista (pré-capitalismo). Este se espalha pelo mundo, fazendo ruir a sociedade feudal e toda sua falsidade moral-religiosa-monarquista, abrindo espaço para um novo período histórico para a humanidade, tão escravagista quanto o anterior.

Também, é claro, fugiam das epidemias que assolavam a Europa de ponta a ponta. Em verdade, o europeu veio para o Brasil e para o novo mundo fugindo da escravidão, da falta de oportunidades, da falta de terra, da perseguição religiosa e política. Um exemplo clássico de fuga é a fuga de D. João VI, a família real e sua nobreza que aqui chegaram em 1808, “com o rabo entre as pernas”, com medo de Napoleão.

É óbvio que aqueles que mandavam no Brasil sentiam-se muito mais próximos dos seus na Europa do que dos africanos escravizados. Com esse sentimento, construíram uma política de acesso às riquezas e às terras do Brasil para sua parentada. Como afirmei no início, é o privilégio dos parentes no poder, decidindo a sorte dos seus na Europa. Um exemplo é a atitude da Princesa, Dona Maria Leopoldina, esposa do Príncipe D. Pedro I, que lhe solicita um lugar para sua gente, o povo alemão, pois este passava fome e outras dificuldades por falta de terra na Europa. Isso num contexto de política racista oficial de branqueamento do povo brasileiro, defendida pelo patriarca da independência, José Bonifácio.

É óbvio que, com a liquidação do período feudal, a concentração de terras nas mãos da ex-nobreza européia, travestida agora de liberais pré-capitalistas, não deixava espaço para os servos (indivíduo subserviente, escravos) na velha ordem econômica e política que terminava. Inevitavelmente, a saída para estes era rumarem em direção ao novo mundo. Com certeza, se fosse à elite dominante (a nobreza) que viesse para o novo mundo, assim como no período em que aqui permaneceu a família real portuguesa, a escravidão seria mais terrível e por certo, por um tempo muito mais longo.

A certeza do surto de desenvolvimento que surgiu no novo mundo com a chegada do imigrante justifica-se porque estes tinham o conhecimento de ofícios e técnicas em todas as áreas de trabalho, não havia, ainda, se submetido à divisão parcelar do trabalho da revolução industrial. E, em período mais recente, meados do século passado, muitos saíram da Europa fugindo da perseguição do nazifascismo.

Chegando aqui, os europeus tiveram a linha do horizonte como princípio e fim de sua liberdade, já não tinham mais os limites dos feudos, nem o quadrilátero dos galpões das fábricas na nova ordem de escravidão assalariada. Aqui o europeu teve todas as oportunidades que o africano não teve, já que vivia sob o rebenque da escravidão. Nesta síntese, podemos verificar que o europeu saiu da escravidão para a liberdade, ao contrário do que aconteceu com o africano, quando foi seqüestrado em seu continente era livre e aqui se torna escravo.

O africano, sob o regime de escravidão, teve que suportar, em um primeiro momento, a intenção de sua liquidação enquanto ser humano. O sistema na sua incursão comercial triangular acresceu em valor monetário o preço do individuo africano, ao mesmo tempo em que o submetia ao mais cruel processo de escravidão e esvaziava de valor a sua essência humana. Como via de regras, os castigos e suplícios tangiam o esvaziamento da essência humana do africano.

O desejo era transformá-lo em um objeto sem qualquer valor e arrancar dele toda uma tradição secular, a memória da cultura em construção até aquele momento na África. Como início desta política, a primeira decisão era liquidar qualquer traço familiar entre os africanos que chegassem ao Brasil. Isso como reforço, já que antes de saírem do continente africano, homens, mulheres e crianças eram obrigados a dar voltas em torno de uma árvore que era conhecida como “a árvore do esquecimento”.

A solução encontrada para liquidar de vez com qualquer traço familiar era organizar as senzalas de forma pluri-étnica, em um espaço habitavam diferentes povos, diferentes culturas, diferentes falares africanos, religiões de regiões distintas. A liquidação da família africana se dava pelo fato de esta ser vendida separadamente, a mãe era vendida para o norte, o pai para o sul e os filhos ninguém sabe para onde. Tal fato era importante na visão dos senhores de escravos para dificultar uma possível organização dos africanos escravizados e a possibilidade de estes se rebelarem contra seus senhores.

Os africanos escravizados e seus descendentes sofreram todos os tipos de castigos e suplícios até inimagináveis, tal brutalidade tem sua gênese na tradição inquisitorial da Igreja Católica Apostólica Romana e no caldo cultural da barbárie política expansionista do Império Romano contra aqueles povos que lutavam, impedindo os avanços do exército romano sobre seus territórios. Além, é claro, do desejo das monarquias ibéricas de uma articulação com o comércio internacional, já que Portugal e Espanha e, especialmente, Portugal vivia tempos terríveis em sua economia, era uma nação sem lastro e com todas as rotas do comércio fechadas.

Da necessidade de solucionar a crise de uma economia em frangalho na nova ordem econômica que se estabelecia, a burguesia comercial e a Coroa Portuguesa aventuram-se nesta expansão ultramarina na conquista de riquezas e nova terras. Daí resulta o tráfico humano da África e, conseqüentemente, a escravidão negra no novo mundo.

Por toda a promiscuidade patrocinada pelo senhor de escravos, na senzala, tanto aqui, como na África, penso que, por sua crueldade, esse comportamento é a gênese dos campos de concentração nazista. Por outro lado, há o positivo, tenho clareza de que a senzala é a primeira grande escola da comunidade negra em nosso país. Nela, ultrapassamos os limites da (in)existência humana, da língua, da cultura e ali aprendemos a esperança, a fraternidade e acima de tudo, a união para lutarmos contra o estatuto da escravidão.

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Desde que nossos ancestrais pisaram em solo brasileiro, foi pensando em como fugir da escravidão e voltar para Angola-Janga, voltar para a África. Lutam de todas as formas pela liberdade, o Quilombo dos Palmares é um exemplo, logo que o africano chega, começa essa luta que só terminou em 1888, quando 95% do povo negro já estava liberto. A abolição oficial não respondeu às necessidades e anseios que os escravos demandavam pelos longos anos de trabalho forçado. Não houve indenização e ainda centenas de milhares de homens e mulheres, oriundos das senzalas, foram enganados pelos senhores de escravos, pois exigiram que estes trabalhassem por mais um longo período de tempo para pagar-lhes o que o governo não lhes havia indenizado pelo fim do sistema de escravidão.

A comunidade negra, no término da escravidão, é quem deveria ser indenizada, no mínimo, deveria receber algumas glebas da terra para sobreviver e começar uma nova etapa civilizatória no Brasil. Mas o negro nem muito obrigado recebeu, enquanto os imigrantes europeus receberam animais vacum e cavalar, instrumentos para trabalhar a terra, sementes e outros materiais e ainda escolherem o lugar, a terra que lhes conviesse para morar e trabalhar.

O negro agora livre encontra lugares insalubres e distantes do centro das cidades, os morros, as favelas e cortiços, lugares sempre visados pelos órgãos de repressão e pela policia. Além, é claro, de um dispositivo institucional que o criminalizava na forma da lei por ser oriundo do sistema de escravidão, o negro era proibido de morar na cidade. Na cidade de São Paulo, por exemplo, os negros foram expulsos do centro para dar vazão ao ideário do projeto de metrópole com características européias e, até meados da década de 50, na Rua Direita, na capital paulista, havia guardas impedindo negros de transitar por ela.

Na pós-abolição, houve um reforço na política de branqueamento do povo brasileiro em que era proibido empregar homens e mulheres da raça negra em trabalhos de destaque e visibilidade, trabalhos ditos de ordem superior. Neste momento histórico, permaneciam as estruturas mentais e sociais da política escravista, reforçando os estereótipos de que ser negro, no Brasil, era ser um cidadão de segunda classe, de raça inferior. Essas condições, para o negro, representavam a continuidade, a perpetuação do passado que odiava e não podia extinguir.

O que importa ressaltar é que o negro nunca foi submisso ao sistema de escravidão, sempre se rebelou, lutou de todas as formas antes e depois da “abolição”, construindo uma visão negra da história do Brasil, sem a fantasia das elites, do poder de estado e de sua cultura positivista. Em verdade, alguns negros de visão conseguiram dar saltos de qualidade em suas vidas. Para nós, são grandes exemplos, porém individuais, no espaço de cada um, fazendo seu trabalho de chamar o povo negro para dar uma resposta ao racismo e ao preconceito da sociedade brasileira.

Mas, como veremos abaixo, o povo negro tem uma tradição de luta coletiva, mas, pelo fato de a elite brasileira estar sempre em luta intestina pelo poder central, nossas organizações sempre foram, primeiramente, cooptadas e depois, perseguidas e fechadas à força, por ordem direta de quem estava de plantão no poder central da república. Reduz-se, assim, nosso esforço coletivo a uma luta individual, tendo sempre a intenção de criminalizar o movimento negro no Brasil.

Também podemos fazer uma síntese histórica de nossas lutas coletivas em diversos momentos, desde 1535, quando chegaram os primeiros africanos no Brasil. Após vencermos todas as dificuldades das senzalas, lutamos em defesa dos Quilombos espalhados pelo Brasil, organizamos a Revolta do Malês, a Insurreição dos Haussuás, a Sociedade Secreta dos Nagôs Obgoni, a Insurreição Nagô de 1835, a dos Alfaiates, as Irmandades Religiosas Negras, a Conjuração Baiana, a Cabanagem, a Balaiada e muitas outras insurreições em que a luta foi intensa contra as forças legais, defensoras do sistema de escravidão brasileiro. Os negros combateram desesperadamente pela liberdade, preferindo morrer a se entregarem e voltarem ao cativeiro. E no início do século XX, em 1910, o negro, mais uma vez, levantou sua voz e demonstrou sua força e coragem na Revolta da Chibatas, onde se põe em pé, diante da brutalidade da Marinha Brasileira, seu líder, o marinheiro João Candido, “O Navegante Negro”.

O povo brasileiro, no século XX, principalmente na República, experienciou a força reacionária das elites (descendentes da aristocracia colonial-escravagista) no poder central e nos estados, sempre contrárias às manifestações, às lutas pela democracia e a sua participação nos espaços institucionais de nosso país. Assim, o povo em geral sofreu com a brutalidade no século XX, o que somente o negro sofreu antes e depois da abolição, brutalidade esta que foi ainda mais cruel com o povo negro, porque neste momento, há uma reafirmação da negação da memória do negro.

Não sendo suficiente a censura material, criou-se outra censura invisível, reduzindo toda a manifestação cultural-religiosa e científica do afro-brasileiro à simples manifestação folclórica. Nesta investida, o ideário racista brasileiro buscou reforço nas ciências sociais e naturais, numa ofensiva pseudo-cientifica contra a memória do afro-brasileiro. A abolição da memória do negro teve diversas formas no Brasil, reforçadas na literatura, no discurso político e no subconsciente coletivo. A idéia do bom senhor, por exemplo, e de que a sinhazinha era boa, amiga de suas escravas, além de outras formas mais sutis de castração de nossa memória pelo estupro civilizatório que sofremos.

Nossa luta hoje é coletiva, cuja meta é construirmos um projeto que nos leve a um novo patamar civilizatório, desmontando a idéia de que há um “lugar do negro” na sociedade brasileira, onde ele deva manter-se, longe das manifestações legítimas dos processos de avanços e de participação efetiva nos espaços de poder da sociedade e do Estado Brasileiro. Para tal empreendimento, defendemos as ações afirmativas, as leis de cotas nas universidades e no serviço público, a educação publica e de qualidade, investimentos substanciais no ensino superior e básico, na saúde, na habitação, na produção de alimentos, contra a monocultura e a plantação intensiva de vegetais para biodiesel e celulose, que leva a escassez e carestia de alimentos.

O resgate de nossa memória histórica enquanto negro significa a valorização de nossa contribuição positiva no desenvolvimento da cultura, da arte e das ciências no Brasil e, para aqueles que desejam nos manter em guetos e favelas e tentam reduzir nossas manifestações mais caras à pura artesania, folclore e carnaval, reafirmamos que nós nos orgulhamos de sermos afro-brasileiros e que lutaremos até as últimas conseqüências por nossos direitos humanos.

Hoje, o afro-brasileiro está inserido no seu tempo histórico, é seu principal protagonista e, certamente, imbuído da construção de uma sociedade, valorizada em princípios éticos e pluri-raciais, que leva a esta sociedade o reconhecimento dos valores negros, do espírito negro, do sangue de nossa raça, da participação negra na construção social. Tal reconhecimento é o maior acontecimento deste início de século. Este acontecimento é válido porque há milhões de negros neste continente, raiz da raça, que se tornam conscientes de seu sangue, de seu espírito e de seus direitos. Lutam diuturnamente por sua autodeterminação moral e intelectual.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
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  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
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  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
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  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira