quinta-feira, 26 de junho de 2008

Lênin e a Revolução






O livro Lênin e a Revolução, do filósofo francês Jean Salem nos envolve numa reflexão necessária para os nossos dias. O resgate humano do caráter dos comunistas, criminalizados por sua justa conduta rebelde e transformadora, o necessário reconhecimento dos processos revolucionários, firmando na história legítima a honrada trajetória de gerações de revolucionários que dedicaram suas vidas pelo progresso da humanidade.

Nessa libertação histórica, desmistificar das consciências o anticomunismo, a causas das perseguições a militância e do processo atestado pela história e genuíno da sociedade soviética. Da revolução proletária que abalou o mundo, mostrando o contraste ideológico e político da ascensão de uma classe social, gerada no ventre da revolução industrial, ao poder.

Desvendar, revelar as novas gerações o espaço correspondente aos exagerados números das vítimas do socialismo real. Quando acontecem do outro lado, os resultados são amenizados e encarados como uma situação compreensível e obviamente justa, de acordo com a irremediável força das circunstâncias. Como o massacre das cidades vietnamitas Hiroxima e Nagazaki, que matou mais de 300 mil pessoas. Submeter a humanidade a catarse da idéia que o extermínio nazis e o lançamento de bombas são dois fenômenos contidos na inteligência humana como uma método virtuoso e de direito que permite massacrar num tempo mínimo o máximo de pessoas, é fazer manifesto à irracionalidade de uma convicção pragmática inescrupulosa a pretexto da prática desses ideólogos capitalistas. Como se todo o processo revolucionário soviético se resume ao período stalinista.

Jean Salem, escreve sobre a atualidade do pensamento de Lênin e suas teses a respeito do tema revolução. A obra está composta por três partes: na primeira parte toma de facto a liberdade de dizer algumas verdades a seu gosto e explica como Lénine entrou na sua vida. A segunda parte responde ao título do livro. Trata as teses de Lénine sobre a revolução. A terceira parte que é uma espécie de panfleto sintético «Dez minutos para acabar com o capitalismo», resultou de uma conferência «muito digna» do Partido Comunista Francês dos nossos dias, para falar sobre a actualidade do marxismo em dez minutos.

Para o leitor ter uma preliminar com o conteúdo do livro "Lênin e a Revolução", acesse aqui à entrevista com Jean Salem no jornal português Avante!





Número de páginas: 112
Preço: R$ 12,00



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Pirâmide do Capitalismo







"Um projeto político verdadeiramente popular só se constrói com princípios éticos inegociáveis".
(Frei Betto)


Dado o momento crítico em que vive o Estado do Rio Grande do Sul, após a eleição da (Des)governadora Yeda Crusius que instituiu o rescaldo do autoritarismo como forma de governar, resolvi voltar ao editorial do jornal, Correio da Cidadania - O desafio do exemplo, 12-Mai-2008 para demonstrar que a democracia numa sociedade de classes, com o modelo neoliberal e pós-moderno, desfez qualquer conceito que garantisse o mínimo de isonomia e muito menos de isogoria.

O Editorial no primeiro momento, questiona as condições de uso dos produtos de mercadorias, tanto no capitalismo como na sociedade socialista, estabelecendo o critério das necessidades, descolando a construção da nova sociedade dos princípios humanitários e solidários, da ética; como se não estivessem implícitos e/ou explicita presença nessa construção, como se o processo fosse puramente economicista, quando afirma: “...o consumo desmedido tornou-se o objeto e o sentido da vida humana..”. Confirmando o raciocínio do autor condicionado à idéia burguesa da regulação e do mercado, isto é; pensa na lógica capitalista.

No segundo momento, a visão do editorial mantém o condicionamento burocrático das idéias, sobre o planejamento da sociedade socialista, ainda baseada na concepção de que o povo dá o poder “a alguém-classe social...etc...”, se abstendo da mente que o poder é ganho por uma determinada classe que o ascende. A compreensão que deve dar-se sobre a organização revolucionária é que essa deve emergir na dinâmica dos movimentos sociais, do âmago desses a habilitação do organismo de vanguarda. Assim, não o povo, mas a classe emergente não dá poder a ninguém, a detém, o conquista e adquire sua emancipação.

Simplificar a questão colocando a democracia como um conceito universal., plantando a idéia que este conceito engloba a todos os cidadãos (sem distinção de classe) de uma país, à obrigação política horizontal e solidária entre seus membros é equivocada ou intencional o alcance dessa reflexão que o editorial quer dar. Esconde a luta de classes e universaliza o conceito burguês de democracia, quando reúne no máximo a consulta, o debate e a votação e escamoteia a dominação de uma classe sobre a outra, no caso do capitalismo a ditadura burguesa.

Portanto, a realidade que nos afronta com a políticas neoliberais que permite o vale-tudo ao mercado, as intervenções do império norte-americano na administração de seus interesses no mundo de forma cada vez mais autoritária e belicista e como exemplo destas concepções faz patente no Rio Grande do Sul, o (des)governo Yeda Crusius, à prática dos negócios lucrativos com os bens do estado em beneficio das corporações empresariais e para isso se manter, há que conter os de baixo, os movimentos sociais quanto mais organizados maior a repressão, como o caso do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Essa conduta da classe burguesa exacerbada, é operada: ora, veladamente (seja no ambiente de trabalho ou no convívio social, seja na força da lei); ora, usa artifício do constrangimento como pratica de cooptação; ora, com medidas explicitamente violentas.

Cabe, então, reproduzir o artigo e os comentários que os Camaradas Grisa e Runildo fizeram quando foi veiculado o editorial em questão.


Editorial:



O desafio do exemplo

12-Mai-2008 - Correio da Cidadania

O capitalismo é um sistema de produção de mercadorias. Comparada com os milhares de anos em que a economia foi organizada para produção de bens de uso, a produção de mercadorias é bem recente (800 anos).

O socialismo propõe que a humanidade volte a organizar-se para a produção de bens de uso. Para a imensa maioria das pessoas, é difícil imaginar como isso se fará em sociedades complexas, cujas necessidades (reais ou artificialmente criadas) aumentaram enormemente e nas quais o consumo desmedido tornou-se o objetivo e o sentido da vida humana.

Regrediremos à época das comunidades tribais?

Os socialistas respondem: "Pelo contrário, nossa proposta é a construção de uma sociedade mundial, na qual a economia seja planejada. Por meio do planejamento será possível levantar as necessidades, hierarquizá-las, priorizá-las e distribuir a produção segundo critérios de equidade".

A fundamentação técnica desse discurso não apresenta maiores dificuldades, ainda mais na era da computação e da internet. Ora, os exemplos concretos não corroboram o discurso socialista. As experiências socialistas mais relevantes de economia planejada centralmente - Rússia, China, Cuba e países do leste europeu - apresentaram resultados ambivalentes, pois, apesar dos aspectos muito positivos, tanto no plano econômico quanto no plano da democracia social, o preço pago foi superior ao que a maioria das pessoas está disposta a pagar.

A crítica maior não diz respeito principalmente às restrições ao consumo, que o planejamento impôs à população nos países socialistas, mas sim à forma pela qual o Estado socialista decidiu o que deveria ser produzido e como a produção deveria ser distribuída. O que a maioria teme - e com razão - é o arbítrio do Estado no planejamento econômico e, portanto, a interferência exagerada na sua liberdade de trabalhar, mover-se e decidir sobre sua vida.

Isto nos permite tratar o problema em um plano mais geral e mais profundo: como devem ser tomadas as decisões no regime socialista?

Se os socialistas que ainda alimentam a esperança de reconstruir o socialismo quiserem ter êxito, precisam somar ao seu discurso exemplos de processos decisórios democráticos. Caso contrário, enredar-se-ão num círculo vicioso inextricável: a idéia não avança por falta de exemplos; como não avança a idéia, não pode haver exemplos.

A superação desse círculo vicioso depende apenas dos socialistas. Nada os impede de dar, aqui e agora, o exemplo que falta para convencer as pessoas de que o socialismo pode ser democrático. Basta que organizem, no âmbito interno de seus partidos, processos transparentes de decisão a respeito das posições a adotar nas questões constantes da pauta política do país. Nesse plano, militantes e dirigentes são autônomos e não dependem de ninguém senão de si próprios para organizar processos decisórios baseados na consulta prévia a cada um dos membros do partido. Portanto, processos que possibilitem a participação democrática de todos, sem exceção, tanto no debate quanto na votação para estabelecer a vontade da maioria.

Nunca é demais lembrar que o partido revolucionário deve prefigurar, na sua vida interna, as grandes linhas da organização social que pretende instaurar se o povo vier a lhe dar o poder. O exemplo da democracia interna vale mais do que mil discursos.


Comentários:


Escrito por José Ernesto Alves Grisa em 13-05-2008 14:21


O conceito prático de democracia, é um conceito problemático que foi \"absorvido\" por parte da esquerda que ficou a reboque das inspirações das revoluções burguesas, que não só contaminou o conceito, como constitui-o como um valor universal,mesmo que virtual. Portanto, é um conceito que para a burguesia serve bastante e para a pseudoesquerda melhor ainda, pois substitui a necessidade da revolução. Para que tem o que ganhar na institucionalidade é o ovo de colombo, está na hora de trocar o disco.


Ninguém fala em ditadura Burguesa!


Escrito por Runildo Pinto em 20-05-2008 11:43


Marx gravou na sua avaliação um conceito certeiro para a supremacia de uma classe sobre a outra na evolução dos meios de produção e da hegemonia de classe " a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante. Assim não podemos dizer que a democracia é universal enquanto existir classes sociais em disputa. A democracia no estado burguês "...institui a cidadania como ação de contra-poderes para garantia de direitos graças a participação nas lutas políticas. Se os direitos, conquistados nos embates do espaço público e na luta de classes, são privatizados ao se transformar em serviços vendidos e comprados como mercadoria, o cerne da democracia é ferido mortalsmente e a despolitização da sociedade é uma decorrência necessária..(Marilena Chaui)." Dai pergunto: Democracia, cadê a democracia? A quem queremos enganar?

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Triunfo da Ignorância






As relações privadas entre os homens formam-se, parece, segundo o modelo do bottleneck industrial. Até na mais reduzida comunidade, o nível obedece ao do mais subalterno dos seus membros. Assim, quem na conversação fala de coisas fora do alcance de um só que seja comete uma falta de tacto. O diálogo limita-se, por motivos de humanidade, ao mais chão, ao mais monótono e banal, quando na presença de um só "inumano". Desde que o mundo emudeceu o homem, tem razão o incapaz de argumentar. Não necessita mais do que ser pertinaz no seu interesse e na sua condição para prevalecer. Basta que o outro, num vão esforço para estabelecer contacto, adopte um tom argumentativo ou panfletário para se transformar na parte mais débil.

Visto que o bottleneck não conhece nenhuma instância que vá além do factual, quando o pensamento e o discurso remetem forçosamente para semelhante instância, a inteligência torna-se ingenuidade, e isso até os imbecis entendem. A conjura pelo positivo actua como uma força gravitória, que tudo atrai para baixo. Mostra-se superior ao movimento que se lhe opõe, quando com ele já não entra em debate. O diferenciado que não quer passar inadvertido persiste numa atitude estrita de consideração para com todos os desconsiderados.

Estes já não precisam de sentir nenhuma intranquilidade da consciência. A debilidade espiritual, confirmada como princípio universal, surge como força de vida. O expediente formalisto-administrativo, a separação em compartimentos de tudo quanto pelo seu sentido é inseparável, a insistência fanática na opinião pessoal na ausência de qualquer fundamento, a prática, em suma, de reificar todo o traço da frustrada formação do eu, de se subtrair ao processo da experiência e de afirmar o "sou assim" como algo definitivo, é suficiente para conquistar posições inexpugnáveis. Pode estar-se seguro do acordo dos outros, igualmente deformados, como da vantagem própria. Na cínica reivindicação do defeito pessoal pulsa a suspeita de que o espírito objectivo, no estádio actual, liquida o subjectivo. Estão down to earth, como os antepassados zoológicos, antes de se alçarem sobre as patas traseiras.

Theodore Adorno, in "Minima Moralia"

EM DEFESA DA UNIDADE SINDICAL E POPULAR





, por Secretaria de Comunicação

Dirigimo-nos aos sindicalistas combativos, aos militantes dos movimentos sociais, à vanguarda socialista nacional e internacional e aos lutadores do povo que, nas fileiras da resistência operária e popular, se opõe ao neoliberalismo, ao imperialismo e ao governo Lula e suas tentativas de pulverizar, cooptar e derrotar o movimento de reorganização dos trabalhadores brasileiros para fazer um alerta.

A última Plenária Nacional da Conlutas aprovou resoluções que, em nossa opinião, sepultaram as possibilidades de que ela possa atuar como o pólo mais progressivo na busca da unidade dos setores combativos socialistas e revolucionários que hoje se encontram fragmentados.

Coube ao PSTU, que detém a "maioria" da Coordenação Nacional da Conlutas, dar a última palavra: Todos os setores internos da Conlutas poderiam apresentar resoluções, mas se eles não tivessem acordo, as propostas seriam encaminhadas ao Congresso e submetidas à votação para que se aferisse o voto majoritário. O que aparentemente pode demonstrar democracia esconde a política da maioria artificial.

A Conlutas foi construída a partir de acordos entre os grupos que a compõem, uma estrutura aberta, transitória, que tem dentro de seus organismos e também com os setores com os quais discute a Unificação vários debates de caráter estratégico: o mais importante deles é o caráter da nova Central que queremos construir, e consequentemente, qual a base social real que sustentará esta nova estrutura.

O MTL defende, de forma pioneira, a unidade e a organização do conjunto dos trabalhadores nas condições atuais do MUNDO DO TRABALHO. Entendemos ser importantes os avanços que foram feitos na Conlutas, no sentido de se rumar para esta concepção, no entanto, este debate é um debate em curso, inicial e não podemos nos submeter ao voto de uma maioria artificial em um Congresso que será composto de 26,36% de sindicatos, 0,91% de Federações, Confederações e Sindicatos Nacionais; 24,16% de minorias e oposições; 8,83% de setores populares urbanos; 8,57% de movimentos do campo; 5,97% dos cortes de opressão e 25,19% de estudantes.

Na medida em que há um debate estratégico aberto, com posições distintas representativas na realidade da classe e no processo de reorganização em curso, não legitimaremos o PSTU a estabelecer maioria artificial a partir de um processo de eleição de delegados sem controle, a representação estudantil, por exemplo equivale a 25% da delegação do Congresso da Conlutas.

Somos daqueles que achamos fundamental construir alianças estratégicas e unidade nas lutas com o movimento estudantil e de juventude, compreendemos o papel histórico e conjuntural dos estudantes, é só observar as recentes ocupações de reitorias, que teve como simbólica a vitoriosa luta dos estudantes da UNB, para saber o papel deste setor nas lutas de resistência de nossa classe. Mas essa aliança não está concluída de fato na realidade, no cotidiano da Conlutas e nos nossos calendários de mobilização a presença e engajamento deste setor não referendam este nível de representação ORGÂNICA no Congresso, nem nos Fóruns da Coordenação Nacional da Conlutas em que uma pequena oposição a um Centro Acadêmico pode participar com o mesmo peso de voto de um Sindicato de 500 mil trabalhadores na base e que tenha 100 mil filiados. É UMA DISTORÇÃO PROPOSITAL CUJO OBJETIVO É INFLAR A REPRESENTAÇÃO DE CÍRCULOS PARTIDÁRIOS REDUZINDO A REPRESENTATIVIDADE DO MOVIMENTO SINDICAL E PARTICULARMENTE DO MUNDO DO TRABALHO, utilizando-se da legitimidade do movimento estudantil.

Mas nós do MTL já conhecíamos esta realidade e estas contradições na base da Conlutas, o que mudou? A DECLARAÇÃO FORMAL DO PSTU DE QUE A ÚNICA FORMA DE SE TRATAR AS DIFERENÇAS É NO BATE CRACHÁS DENTRO DO CONGRESSO, e a reafirmação desta declaração, consolidada na votação da resolução sobre o ELAC (Encontro latino-americano e caribenho), onde a Conlutas se transforma em protagonista e impulsionadora de um "espaço de organização" (nome que deram, temporariamente, como afirma a própria resolução, para substituir na forma, a Coordenadora de Lutas que pretendem construir), enclausurando-se numa articulação orgânica com a ultra-esquerda latino-americana, fechando suas portas à pluralidade de posições internacionais existentes em seu interior e fora dela.

Lembramos que mesmo a CUT, só se incorporou organicamente aos fóruns da social-democracia em seu terceiro Congresso, e condenamos o fato do PSTU querer dar esse curso a Conlutas, a revelia das opiniões internas contrárias, já no seu primeiro Congresso.

Os companheiros responderam a nosso chamado para que não efetivassem esta política, nos acusando de querer calar a Conlutas na sua avaliação sobre os Governos de Hugo Chaves na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador. Não é verdade, defendemos a liberdade e a autonomia da Conlutas em relação ao Estado, aos Governos e aos Partidos, não assinamos embaixo de qualquer medida, de qualquer Governo contra os trabalhadores, seus direitos e suas lutas. Mas opinamos que os processos políticos e eleitorais encabeçados por estes Governos se enfrentam com as oligarquias e com o Imperialismo defendendo na prática os interesses dos trabalhadores latino-americanos. Não colocamos um sinal de igual entre eles e os pró-imperialistas que os atacam. Mas em nenhum fórum propusemos apoio a estes governos, muito pelo contrário, estávamos entre aqueles que corretamente defendiam que a Conlutas por ser um organismo de frente única, não poderia fechar uma única posição sobre estes processos, e correr o mundo dando esta interpretação como se fosse a de toda a Entidade.

Outro ponto fundamental que nos impulsionou a optar pela saída da Conlutas foi o recuo que os companheiros do PSTU fizeram em relação ao processo de reorganização e a unificação orgânica com setores da Intersindical. Apresentaram uma Resolução, onde recuam da dinâmica anterior de dar prioridade a busca dessa unificação, dizendo que estamos vivendo um quadro de refluxo, que a reorganização se daria de forma mais lenta do que o pensado anteriormente, e que por isto a principal tarefa do Congresso para garantir a unificação seria a de Fortalecer e consolidar a Conlutas, apresentando como política, as tarefas de filiar e garantir os repasses financeiros dos sindicatos. A lógica prioritária para tratar o processo de reorganização foi substituída pela política de anexação e a de buscar a disputa fracional na base das correntes que compõem a Intersindical.

Essa crítica que fazemos aos companheiros do PSTU, no entanto, não pode significar também, concordância com a omissão da Intersindical até agora, de responder aos reiterados chamados que foram impulsionados por nós no interior da Conlutas e aprovados unitariamente, no sentido da reorganização de um Fórum Nacional de Lutas e da construção de espaços comuns, onde poderíamos fazer o debate de estratégia e realizar de fato este primeiro ato de unificação, que deverá buscar muitos outros importantes e diferentes setores que não estão nem na Conlutas, nem na Intersindical. Esta omissão e letargia permitiram ao PSTU priorizar a auto-afirmação orgânica de uma Nova Central Sindical, que na prática se contrapõe a Intersindical, desprezando a necessidade da unidade e fusão com ela e com outros setores sindicais de esquerda.

Colocamos ainda que a batalha por estas posições políticas no interior da Conlutas, não foram travadas apenas pelo MTL, como pode ser comprovado pelas assinaturas no Manifesto do Bloco interno da Conlutas, que foi publicizado ao movimento a cerca de um mês atrás, setores políticos como os companheiros do MAS (prestistas), CST, MÊS, FOS, Conspiração Socialista e outros independentes, representados através de sindicatos, oposições, movimentos sociais urbanos, trabalhadores do campo em 16 Estados, expressaram publicamente estas posições. Não foi um debate superestrutural, pelo contrário, elegemos nossos delegados fazendo este debate. Inclusive não apenas o MTL, mas também os companheiros do MÊS e do MAS já declararam sua ruptura com a Conlutas. Respeitamos a postura do restante dos companheiros do bloco em permanecer na Conlutas, mas nos surpreendemos com seu respaldo público a uma "Nota Oficial", que contradiz em conteúdo muitos argumentos que foram usados por estes mesmos companheiros no Manifesto que assinaram. Mas esta contradição é dos companheiros e eles é que tem de responder aos setores sociais que representam.

O MTL segue apostando na unidade de todos nós, no entanto, opta por fazê-lo a partir de suas próprias trincheiras, o que não quer dizer que priorize a lógica da autoconstrução em detrimento da unidade. Não é verdade que nossa resolução de saída da Conlutas seja intempestiva e desavisada, declaramos em todos os fóruns da Conlutas que apesar de muito importante, não era estratégica e sim o pólo mais avançado para se fazer o debate da reorganização, isto está escrito em nossa tese ao Congresso a disposição de todos, sempre deixamos explicito no interior da Conlutas nossa posição, caso se cristalizasse em uma Central, sem os outros setores, que impusesse votações de maioria sem que fosse concluído o debate de estratégia e as definições de base social nós daríamos a batalha com independência.

Por tudo isto, o MOVIMENTO TERRA TRABALHO E LIBERDADE, vem a público declarar que não se submeterá a este caminho que consideramos sectário e autoproclamatório.

Intensificaremos o combate em defesa da unidade orgânica de todos os lutadores do povo numa nova Central que organize todo o Mundo do Trabalho e que priorize a unidade e as alianças com o povo pobre, independente de onde ele esteja organizado. Queremos construir uma Central Sindical e Popular autônoma, independente, de lutas, democrática, aberta, plural e vocacionada para dialogar com as massas e disputar com a CUT, a Força Sindical e todas as outras centrais traidoras, a direção da Classe Trabalhadora Brasileira. Achamos que nós do MTL, a Conlutas, a Intersindical, setores progressistas da Igreja, o MST e muitos outros setores que organizam lutadores sociais tem a obrigação de encontrar o caminho da unidade para construir esta alternativa para a classe.

Lutar por terra, trabalho e liberdade unificando os socialistas e lutadores sociais na luta sindical e popular segue sendo nosso compromisso.


MTL - Movimento Terra Trabalho e Liberdade
17 de junho de 2008

www.mtl.org.br
mtl@mtl.org.br

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Corrente Prestista rompe com a Conlutas.










O Movimento Avançando Sindical e os delegados ao 1º Congresso Nacional da Conlutas, eleitos em torno das posições defendidas na Tese Avançando Rumo ao Socialismo, vem comunicar publicamente a decisão de não participação neste Congresso, bem como, de nossa saída da Coordenação Nacional de Lutas e de suas instâncias deliberativas. Esta decisão tem como fundamento duas questões centrais na luta da classe trabalhadora brasileira: a solidariedade internacional e a reorganização dos instrumentos nacionais de luta do proletariado.

A Conlutas surgiu num momento decisivo para os trabalhadores brasileiros, tornando-se o mais importante pólo de resistência às contra-reformas sociais do governo Lula, que desde 2004, após a definitiva e irrecuperável degeneração da CUT, vinha organizando as principais lutas e enfrentamentos. Seu papel relevante no "Encontro Nacional contra as Reformas Neoliberais", em março de 2007, as mobilizações do 23 de maio, o Plebiscito Popular de setembro de 2007, e a marcha a Brasília em outubro do ano passado é garantia do seu registro na história recente da classe trabalhadora brasileira.

No entanto, de forma contínua e paralela uma outra história ocorria nos bastidores da organização do 1º Congresso Nacional da Conlutas. A realização do Encontro Latino Americano e Caribenho (ELAC), que foi construído por fora das instâncias da Conlutas, já que os propósitos desse encontro não seriam consensuais. O ELAC é uma articulação do PSTU e da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores ? setor da 4ª Internacional ao qual se vincula o PSTU) que à sombra da Conlutas vai reunir alguns setores da esquerda na América Latina que hoje tem posturas que são contrárias aos processos de transformações sociais na Venezuela, Equador e Bolívia. Exemplo disto foi a posição do PSTU, que defendeu o "Não" no referendo sobre a nova constituição venezuelana, enviando alguns de seus militantes do Brasil para fazer campanha naquele país. Portanto, trabalhou contra os avanços políticos e econômicos impulsionados na nova constituição proposta pelo Governo Chávez, tais como: redução da jornada de trabalho; ampliação da aposentadoria aos trabalhadores autônomos; reforma agrária; proibição de monopólios estrangeiros em solo venezuelano, etc.

Qual será a postura do PSTU e seus aliados internacionais no referendo revogatório de Evo Morales, na Bolívia? A julgar pelo esquematismo sectário expresso no texto da Conlutas que convoca o ELAC, considerando "todos" os governos latino-americanos e caribenhos como "lacaios" do imperialismo, podemos antecipar as conseqüências políticas equivocadas e contraproducentes deste "espaço organizativo" a ser criado no ELAC.

Nesse sentido, estamos denunciando as posturas e ações que buscam envolver a Conlutas e suas entidades em uma estratégia de colocar os trabalhadores brasileiros contra o avanço da revolução bolivariana na Venezuela, Bolívia e Equador, bem como sua oposição à heróica revolução cubana, que resiste ao mais longo bloqueio econômico imposto pelo imperialismo estadunidense. Essa tática do PSTU e das outras forças internacionais que comporão o ELAC não é uma simples abstenção em relação à gravidade da conjuntura latino-americana, e sim um engajamento contra os processos de avanços hoje em curso em alguns destes países, tática que colabora, mesmo que de forma não intencional, com a política imperialista de derrotar os governos de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Defendemos a independência e autonomia das organizações populares de massa e do movimento sindical diante de qualquer Estado. Ao mesmo tempo, é nosso princípio defender todos os avanços na defesa das necessidades e dos interesses proletários e populares e todas as políticas que estejam efetivamente contrapostas ao domínio do imperialismo, dos monopólios e do latifúndio. Portanto, não compactuaremos com qualquer "espaço organizativo", nacional ou internacional, que se oponha à revolução bolivariana em nosso continente. Nesse momento em que se arma uma poderosa aliança contra-revolucionária entre o imperialismo norte-americano, o Estado colombiano e as oligarquias nativas, que, a qualquer custo, tentam derrotar os processos em curso (separatismo na Bolívia; invasão militar no Equador; ameaça militar à Venezuela e a construção de uma base militar na fronteira Colômbia-Venezuela), se opor sem vacilo a esse bloco capitaneado pelos EUA em nosso continente é uma tarefa e um dever prioritário no trabalho de solidariedade do povo brasileiro e do qual a política do ELAC está claramente na contramão.

Com isto, denunciamos para todas as forças conseqüentes na América Latina e Caribe que heroicamente travam uma luta contra o imperialismo que essa posição sectária não é, definitivamente, uma posição dos trabalhadores brasileiros. E que nos mantemos firmes e solidários no internacionalismo proletário e, portanto, com a luta pela efetiva auto-determinação dos povos oprimidos contra o domínio dos monopólios e do imperialismo! E que apoiamos entusiasmados as conquistas que travam ao lado de governos revolucionários, como o de Hugo Chávez, alvo dos principais ataques do imperialismo neste momento histórico. Na Venezuela, Equador e Bolívia saudamos seus governos progressistas que ao lado de seu povo e contra o imperialismo vem impulsionando a luta pelas nacionalizações de setores estratégicos, combatendo as privatizações, universalizando o ensino, a saúde e a previdência pública e erradicando o analfabetismo. Uma luta contra as oligarquias nativas sócias do imperialismo e seus instrumentos de dominação. Enfim nos solidarizamos com o avanço, mesmo com muitas dificuldades, que esses processos vêm travando rumo ao socialismo, colocando esses países numa conjuntura radicalmente diferente da verificada no Brasil.

Condenamos como arrogante a pretensão dos que se arvoram a pontificar "modelitos" abstratos sobre as vias da transformação social: defendemos o direito de cada povo auto-determinar as formas de luta adequadas à particularidade de sua formação social e às condições históricas concretas da luta de classes e do processo revolucionário de cada país.

Ao fechar uma posição e uma articulação política internacional usando o nome da Conlutas o PSTU fecha também a Conlutas para um processo de reorganização do movimento sindical no Brasil, movimento que está em aberto por força da conjuntura e dificuldades próprias da correlação de forças vigentes no Brasil hoje. Esta é a segunda questão fundamental para nossa tomada de posição frente a Conlutas.

Desde o início da formação da Conlutas nos preocupou a concepção organizativa que reduziu a pauta sindical e a luta do proletariado explorado a um mero "Grupo de Trabalho" (GT ? Secretaria) entre outros (etnia, educação, mulheres, etc.). Além disso, nunca concordamos com os critérios de representação que vem permitindo que um grêmio secundarista ou movimentos sem base de representação definida tenham o mesmo peso de voto de sindicatos com dezenas de milhares de filiados (permitindo assim a infiltração política de círculos partidários em detrimento das organizações representativas do mundo do trabalho). Este problema vinha sendo contornado apenas porque, até recentemente, as deliberações eram construídas através da busca de um amplo consenso coletivo. Ou seja, nunca fomos para votos em questões fundamentais e divergentes acerca da conjuntura latina ou mesmo da concepção e da natureza do novo instrumento que estávamos construindo.

No entanto, na última reunião da coordenação nacional da Conlutas, o PSTU utilizou-se deste tipo de representação artificial rompendo com a política que priorizava a busca de unidade e aprovando uma articulação política internacional usando o nome da Conlutas. Esta política é para nós uma evidência da concepção equivocada ? partidarizante e aparelhista ? com que o PSTU (que detém a "maioria" na deformada e deformante estrutura organizativa atual) está se conduzindo. Com esta política o PSTU cristaliza a divisão das forças que querem lutar, fecha a Conlutas para o processo de unir todas as nossas forças na reorganização do movimento proletário e popular e na construção de pólo unitário de resistência às contra-reformas do governo Lula e de viabilização da necessária ofensiva por transformações sociais orientadas para o socialismo.

A tarefa prioritária com que nos defrontamos é buscar organizar, mobilizar, conscientizar e unificar o universo extremamente diverso e repleto de contradições das forças que sofrem a exploração e a opressão do bloco dominante sob hegemonia do grande capital internacionalizado. A solução radical dos graves problemas que afetam a maioria do nosso povo não será alcançada sem a participação efetiva dos movimentos populares organizados e unificados em torno de um programa de transformações capazes de imprimir um novo rumo à política do Estado. Um rumo que tenha por objetivo contemplar os interesses da maioria e não o de grupos privilegiados. Devemos começar pela formação de um pólo de resistência proletário e popular, pela construção de organizações do mundo do trabalho autônomas e classistas, que caminhem no sentido da unidade entre trabalhadores do campo e da cidade, do setor público e privado, bem como "formalizados" e "precarizados".

Hoje a construção deste movimento está em aberto, para tanto, os instrumentos da classe trabalhadora brasileira precisam retomar sua autonomia frente aos patrões, governos e partidos. O processo de domestificação da CUT ? que se consolida com a sua postura governista ? ainda está recente na memória e experiência sindical Brasileira. Compreendemos que um elemento importante deste processo foi a partidarização da CUT e a subordinação de sua estratégia à lógica partidária. É exatamente este processo que denunciamos na postura do novo "campo majoritário", que, de forma oportunista, agora aparelha a Conlutas (PSTU) assim como aparelhou a CUT (PT), submetendo as necessidades do proletariado à lógica de uma organização partidária. Só que com uma diferença: a CUT de fato se constituiu numa central ao longo do tempo e a Conlutas ensaiava um processo de reorganização que deveria ser muito mais amplo que ela própria.

Romper com a Conlutas, então, não significa desistir da luta por uma nova central de trabalhadores, do campo e da cidade, com ou sem emprego, que cumpra o papel que a CUT não cumpre mais. Pelo contrário, só fortalece essa luta, pois a postura de um partido em fechar a Conlutas em si mesma (através de critérios ilegítimos para ter o controle do aparato) não contribui para uma unificação superior rumo à nova central. À medida que se fortalece o projeto de um partido em fossilizar a Conlutas, fica enfraquecida a perspectiva de uma unidade superior.
A articulação da unidade de todas as forças populares e de todos os que sofrem qualquer tipo de exploração e opressão gerada pela ordem burguesa e pelo domínio do capital, não pode apagar o protagonismo e centralidade do proletariado como um todo (os trabalhadores produtivos e improdutivos que são economicamente coagidos a vender a sua própria força de trabalho) na luta por uma alternativa socialista viável. Em particular, é estrategicamente importante enfrentar com sucesso o desafio decisivo de organizar o proletariado industrial que produz mais-valia, revitalizar o movimento classista nas grandes empresas fabris.

Em nossa tese levantávamos a necessidade de organização da Conlutas Mundo do Trabalho (Conlutas ? MT), tanto para corrigir os graves erros de concepção no interior da Conlutas como para de fato constituir um espaço de aglutinação política e social para a formação de uma central de trabalhadores da cidade e do campo, empregados ou não, que aglutinasse todas as forças sociais vinculadas ao mundo do trabalho, sem ficarmos restritos ao meio sindical oficial. Agora, por fora da Conlutas, prosseguimos no nosso empenho pela UNIDADE DOS QUE LUTAM CONTRA O CAPITAL E O IMPERIALISMO e pela articulação de um Encontro Nacional do Mundo do Trabalho em 2009, tendo por objetivo formar uma CENTRAL DE TRABALHADORES. Esta articulação deve incluir a Conlutas e a Intersindical, mas também todos os outros movimentos e organizações de massa do mundo do trabalho dispostos a enfrentar as contra-reformas impostas pelo capital monopolista e interessadas em lutar por um programa de profundas transformações sociais. Esta Central de Trabalhadores será capaz de contribuir de modo decisivo para aglutinar e unificar as forças sociais dos explorados e oprimidos da nação brasileira na sua luta contra os monopólios, o latifúndio e o imperialismo.

Nossa saída da Conlutas não se trata, em absoluto, de sectarizar com qualquer setor (inclusive o grupo político que hoje detém "a maioria" na Conlutas), mas de não permitir e nem compactuar com qualquer partido que consolide lógicas institucionais que pretendam substituir a participação ativa de todo o proletariado e demais classes populares na construção das organizações de massa e do projeto de emancipação social dos explorados e oprimidos. Esse passo atrás que a Conlutas deu não significa o fim da reorganização que se abriu no Brasil, significa sim que é preciso agora avançar dois passos à frente com aqueles que compreendem a necessidade de uma UNIDADE SUPERIOR. O processo de reorganização dos trabalhadores e das massas populares apenas se iniciou e nenhuma iniciativa existente se basta em si. É preciso esvaziar todas as pretensões exclusivistas e particularistas que cristalizam a divisão. Só a unidade de todos aqueles que iniciaram a luta contra as políticas pró-imperialista do governo Lula pode de fato iniciar uma reorganização capaz de derrotar o sindicalismo de Estado da CUT.

Sendo assim, estamos retirando nossa tese "Avançando rumo ao Socialismo" do Iº Congresso Nacional da Conlutas e chamando todos os delegados, todas as entidades sindicais e organizações populares para, a partir de agora, somarmos forças por fora dessa coordenação na batalha pela construção de uma nova central de trabalhadores combativa, classista e de fato autônoma e independente em relação ao Estado, aos governos, aos patrões e aos partidos políticos.

Por fim, entendemos que a rearticulação de todas as forças conseqüentes e classistas hoje existentes no Brasil precisa partir de um conjunto de princípios que não permita a partidarização do movimento e nem o esmagamento de possíveis minorias por maiorias eventuais conseguidas a partir de critérios casuísticos e oportunistas. Um conjunto de políticas que permita a aglutinação de amplas forças sociais que sejam contrárias às retiradas de direitos pretendidas pelo governo Lula e que lutem por outras conquistas para os trabalhadores brasileiros e que isso não é e não pode ser antagônica à defesa das mesmas bandeiras na América Latina e no Caribe. O fim do analfabetismo, a ampliação dos direitos previdenciários, a universalização efetiva da educação e da saúde gratuitas, a nacionalização das riquezas estratégicas, a diminuição da jornada de trabalho, são bandeiras que unificam a maioria das forças populares brasileiras e poderão unificar todo o nosso povo explorado e oprimido. Assim sendo, os governos que promovem essas políticas são nossos aliados. Esses pressupostos aglutinam a maioria das forças conseqüentes e reais do proletariado brasileiro, e é baseando-se neles que podemos reconstruir o pólo proletário e popular da luta de classes no Brasil. Reafirmamos nosso compromisso de continuar contribuindo com esses objetivos.



ASSINAM



Edson Flores- Presidente do SINDIPETRO/RS
Edileuza Garcia Fortuna- Presidente do SINDSAUDE/SC
Amauri Soares- Presidente APRASC
Geraldo Barbosa- Presidente ADESSC/ANDES
Rossano Sczip- Executiva Estadual SINTE/SC
Carla Martins de Oliveira- Coordenadora SINTE/FPOLIS
Rodrigo Guidini Sonni- Coordenador SINTE/JARAGUÁ DO SUL
José Sidney Miranda- Coordenador SINTE/Mafra
Sonia Rita Soares- SINTE/BLUMENAU
Leandro Bineck- Conselheiro SINTE/SC
Clarilton Ribas- ANDES/AD
Fórum em defesa da Universidade Estadual de Goiás
José Vanderlei Feltrin- Oposição ASSURGS
Alexandre Santos- Oposição ADUFG/GO
Jussara Bail Moleta- SINDAG-SUL/PR
Lucinéia S. Martins- Pós-Graduação-UFG/GO
Maria Goretti Lima Grossi- Oposição CPERS/RS
Pitias Alves Lobo- Oposição ADUEG- UEG/GO
Sérgio Gazen- Oposição SINDSAÚDE/DF
Antônio Carlos C R Viana ? Op. Bancario/DF
Silvio Pelegrini- MAS
Adirson O. Bernardes- SINTE/SC
Alexandre Silva Brandão ? MAS
Aline Aparecida Justino- DCE/UFSC
Amilton Laudelino da Silva- SINDSAÚDE/SC
Andréia Maria- SINTE/SC
Ângela Maria Schiocchet- SINTE/SC
Antonio Edílson Medeiros- APRASC
Antônio F. da Silva- APRASC
Armindo Maria- APRASC
Carlos Antônio Lastra - Professor/DF
Cássio Spósito- DCE/UFSC
Cícero de Jesus Pettres- SINTE/SC
Cicero de Oliveira França- SINDSAÚDE/SC
Claudemir da Rosa- APRASC
Cleusa Piana- SINTE/SC
Cristiane Muller- SINTE/SC
Cristiano da Silva de Carli- DCE/UFSC
Eliana Mara A. Turbay- SINTE/SC
Elias Sarantopoulos- Op. CPERS/RS
Elisandro Lotin de Souza- APRASC
Erizeuda Silva Lima- SINDSAÚDE/SC

Estevão Fontoura Ribeiro- SINDIPETRO/RS
Everson Henning- APRASC
Fausto Graeff Campolli- Grêmio IEE/SC
Fausto Moura- DCE/UFSC
Flavio Busnello- Professor Universitário/RS
Flori Mathias- APRASC
Gerson Luiz da Cruz- SINTE/SC
Giovana Bendlin Miranda- SINTE/SC
Gustavo Sabino Alcântara Silva- CAXIM/GO
Ione Rita Frazon- SINTE/SC
Joaci Ismael da Silva - Base SINDSAÚDE/DF
João Genario da Silva- SINTE/SC
Juça Montbeler- SINDSAÚDE/SC
Julio Eduardo Bertoline- SINTE/SC
Kelen Rosso- DCE/UFSC
Loreni Dutra- SINTE/SC
Luiz Carlos Rodrigues- APRASC
Mara Regina Joaquim Garcia- SINDSAÚDE/SC
Maria Ana de Agapito- SINDSAÚDE/SC
Maria de Lourdes da Silva- SINDSAÚDE/SC
Maria Maksemovicz- SINDSAÚDE/SC
Maristela Campos da Silva - Base SINDSAÚDE/DF
Mislene Pickcius- SINTE/SC
Nelson Rosencheck- SINTE/SC
Pedro Paulo B. Sobrinho- APRASC
Pedro Paulo da Chagas- SINDSAÚDE/SC
Ricardo Landal- SINDIPETRO/RS
Rita Isabel Gonçalves- SINDSAÚDE/SC
Roberta Hahn- DCE/UFRGS
Rodrigo Baggio- DCE/UFRGS
Rodrigo Fernandes Ribeiro- DCE/UFSC
Rosirene Paula de Alvarenga- SINTE/SC
Simone Bihain Hagemann- SINDSAÚDE/SC
Solange Zeithammer- SINTE/SC
Suzane Hoppe- PUC/RS
Valdivino AndradeSilva - Base SINDSAÚDE/DF
Valéria Santos de Oliveira- Base SINDSAÚDE/DF
Valério Rodrigues- SINDSAÚDE/SC
Wagner Boni- DCE/UFSC
Zaira T. Wagner- SINTE/SC
Movimento Avançando Sindical- MAS
Juventude Avançando- JA
Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes- CCLCP

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O pragmatismo do PT: na vala comum, nadando à lama.





O PARTIDO










"... a luta interior dá força e vitalidade ao partido; a melhor prova de fraqueza de um partido é sua posição difusa e a extinção de fronteiras nitidamente traçadas; o partido reforça-se depurando-se..."

(trecho de uma carta de Lassale a Marx, de 24 de junho de 1852)

A maior traição vivida pela esquerda brasileira.

Além de aprovar a aliança com o PSDB em Aracaju, a Executiva Nacional do PT decidiu autorizar a parceria dos petistas com o DEM - que faz ferrenha oposição ao governo Lula - para a disputa à Prefeitura de Volta Redonda (RJ). Mais: em Campinas, o PT apoiará a candidatura à reeleição do prefeito, Hélio de Oliveira Santos (PDT), com o aval do DEM.

Apesar do apelo do PSB para que a base aliada aderisse à campanha do prefeito Serafim Corrêa, o PT aprovou coligação com o PPS, partido que também faz oposição ao Planalto e estava fora do arco de alianças recomendadas pelo comando da sigla. Não houve acordo, porém, em Cabo Frio (RJ): como duas alas do PT se digladiavam - uma querendo unir-se ao PSDB e outra, ao PMDB -, o partido proibiu o casamento e mandou a seção municipal lançar candidato próprio

quinta-feira, 19 de junho de 2008

UMA AÇÃO ORQUESTRADA CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS





















Amigos e Amigas da luta pela terra,

Enviamos abaixo a Nota divulgada sobre os despejos ocorridos ontem em Coqueiros do Sul, em duas áreas que estavam cedidas às famílias acampadas. Gostaríamos de alertá-los que já existem pedidos do Ministério Público para despejo dos acampamentos de São Gabriel (de uma área que é pré-assentamento) e dos acampamentos de Nova Santa Rita e Pedro Osório, que estão em áreas de assentamento. Estes pedidos já se encontram com Juízes das respectivas Varas e poderão ser executados a qualquer momento.

Contamos com seu apoio neste momento de repressão, não apenas ao Movimento Sem Terra, mas ao conjunto dos movimentos sociais,

Um forte abraço e boa luta,

Coordenação Estadual MST-RS

UMA AÇÃO ORQUESTRADA CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS


Métodos e Argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitam a Ditadura Militar no Rio Grande do Sul.


No dia de ontem (17/06), centenas de famílias de trabalhadores Sem Terras foram despejados de dois acampamentos pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul no município de Coqueiros do Sul. A duas áreas pertencem a pequenos proprietários e estavam cedidas para a instalação das famílias. Os Barracos e plantações foram destruídos, além das criações de animais, que foram espalhados, para que as famílias não pudessem leva-los. Cumprindo ordens do Poder Judiciário, as famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi no final da tarde.

É preciso lembrar que este acampamento a beira da estrada para onde foram levadas, é o mesmo local de onde foram despejadas há um ano. Até quando estes trabalhadores vão permanecer lá? Quanto tempo levará até o próximo despejo?

O despejo de ontem não se trata apenas de mais um ato de violência e intransigência da Governadora Yeda Crusius e da Brigada Militar. Há um nefasto projeto político em curso no Rio Grande do Sul, envolvendo a proteção dos interesses de empresas estrangeiras, que são também grandes financiadoras de campanha, a supressão de direitos civis e a repressão policial. A ação faz parte de uma estratégia elaborada pelo Ministério Público Estadual para impedir que qualquer movimento social possa se organizar ou manifestar-se. Juntos, o Ministério Público Estadual e a Brigada Militar ressuscitam os métodos e práticas da ditadura militar, ameaçando qualquer direito de reunião, de organização ou de manifestação.

Na ação civil que determinou o despejo ontem, os promotores deixam claro sua inspiração pelo golpe militar de 1964, ao lembrarem que o golpe que restringiu as liberdades civis no Brasil, “ pacificou o campo”.

O despejo de uma área cedida, a ameaça de multa a seus proprietários se voltarem a apoiar o MST e as promessas de que novos despejos ocorrerão nos acampamentos em São Gabriel (num pré-assentamento), em Nova Santa Rita e em Pedro Osório (ambos em áreas de assentamentos) são decisões autoritárias que ameaçam não apenas o Movimento Sem Terra, mas estabelecem uma política de repressão para todo e qualquer movimento social.

Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados, não se vê nada para recuperar os R$ 44 milhões roubados dos cofres públicos para o financiamento eleitoral no esquema do DETRAN.

Da mesma forma, quando grandes empresas estrangeiras criam empresas-laranjas e adquirem terras ilegalmente no Rio Grande do Sul, que somente agora foram indeferidas pelo executivo, não se vê nenhuma ação do Ministério Público, judiciário ou do executivo estadual.

No ano passado, após a Marcha à Fazenda Guerra, o Ministério Público propôs um termo de ajuste onde o Poder executivo federal assumia o compromisso em assentar mil famílias até o mês de abril deste ano. Nos causa estranheza que não hajam mais cobranças do Ministério Público para o cumprimento do acordo, que este mesmo poder propôs. E ainda, que agora decrete o despejo das famílias, que poderiam estar assentadas e produzindo alimentos, caso o mesmo acordo tivesse sido respeitado.

Há interesses que ainda se encontram ocultos nas ações desta semana e nas medidas que o MPE anuncia. O certo é que a volta dos regimes autoritários e repressivos, a serviço de interesses obscuros, ameaça a todo o povo gaúcho.

Coordenação Estadual MST - RS

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Acerca de uma ordem de Uribe emitida por Chávez e outros desatinos







, por Dax Toscano [*]







O presidente Hugo Chávez Frías demonstrou, ao longo da sua permanência no governo, manter uma postura consequente com os interesses dos sectores populares na Venezuela; do mesmo modo, seu discurso e suas acções contra o imperialismo ianque foram frontais. Chávez exprimiu pela palavra e com actos concretos sua solidariedade internacionalista com os povos latino-americanos, ainda que muitas acções lamentavelmente se hajam canalizado através dos governos da região e não através do trabalho directo com organizações revolucionárias e progressistas latino-americanas.

Apesar do exposto, o presidente Chávez, sobretudo a partir da derrota sofrida no referendo realizado a 2 de Dezembro de 2007 a fim de decidir acerca de uma mudança constitucional proposta principalmente por ele, cujo objectivo fundamental era dar maior poder ao povo e possibilitar a aceleração das mudanças revolucionárias na Pátria de Bolívar, assumiu em diversas ocasiões atitudes, através da sua palavra, que contradizem sua constante pregação pela construção do socialismo, a luta anti-imperialista e a defesa dos interesses do povo venezuelano. Diante do exporto, é necessários efectuar algumas precisões.

1. É evidente que o presidente Chávez se encontra sequestrado pelo aparelho burocrático que o cerca. Há uma mudança completa na conduta do líder da revolução bolivariana. Sua prática o demonstra. Já não existe um contacto directo com o povo. As aparições públicas fazem-se nas grandes concentrações, bastante desgastadas, em coliseus ou avenidas onde o povo escuta passivamente os discursos de Chávez. O contacto directo com as pessoas, com a classe trabalhadora, não se dá. Os grupos próximos ao presidente são os burocratas oportunistas disfarçados de bolivarianos e, agora, também de socialistas. São os reformistas, representantes do chamado socialismo do século XXI, corpo de ideias elaboradas pelo senhor Heinz Dieterich, personagem chave no estancamento da revolução venezuelana e latino-americana que a todo custo tem pretendido evitar que a classe operária assuma o controle do processo revolucionário.

2. Essa desvinculação das bases que formam o movimento revolucionário bolivariano é uma das causas que leva Chávez a não encontre o rumo adequado para a revolução e a tão relembrada construção do socialismo. Há que ressaltar neste contexto, como um elemento importante, o projecto de construção de um partido de massas. Contudo, esse partido deve ter um corpo de princípios teóricos coerentes que permitam levar adiante, na prática e através de uma luta permanente, a tomada do poder para construir a sociedade socialistas. Se esse partido está conformado e estruturado da mesma maneir que o Estado ou o governo, se não se desburocratiza em primeiro lugar, não chegará a constituir-se como vanguarda da revolução. Se a organização revolucionária não propõe a destruição da velha ordem capitalista, se fala da conciliação de classes e, portanto, não luta para afectar os interesses da oligarquia e do imperialismo, não avançará em absoluto na sua consolidação como partido revolucionário.

3. O isolamento do povo fez com que Chávez não compreendesse a dimensão das exigências populares, das bases revolucionárias, chegando inclusive a acusar esses sectores de serem os responsáveis pela derrota no referendo de Dezembro de 2007. Talvez pelo seu mal estar, não se deu conta de que os verdadeiros culpados – para além do imperialismo ianque, da CIA, da oposição fascista e da falsimedia que efectuaram uma poderosa campanha de terrorismo económico e mediático contra o seu governo – foram seus ministros, seus assessores e personagens servis que trabalham no governo. Também há que dizer com clareza que Chávez está inflado, o que o levou a manter uma cegueira frente ao evidente. O povo exige o aprofundamento da revolução e Chávez respondeu que é necessário reduzir o andamento do processo de mudanças. Foi Chávez que não compreendeu as exigências do povo e foi ele que não se colocou à altura das circunstâncias.

4. Cegueira, vaidade, irreflexão, má assessoria podem ser os elementos que fizeram com que Chávez lançasse declarações absurdas contra os que, segundo ele, são extremistas por quererem acabar com a grande propriedade privada. Chávez, ao invés de avançar politicamente, retrocedeu à sua antiga posição de defesa da terceira via que é o que representa realmente o famoso socialismo do século XXI. Pretender levar adiante a conciliação de classes foi um dos mais graves erros do líder bolivariano, o que deu mais força à direita. Chávez deveria ter claro que onde existe a grande propriedade privada, principalmente sobre a banca, sobre a terra e as indústrias básicas e de serviços, há exploração social. Enquanto Chávez fazia essas declarações, a oligarquia venezuelana, em obediência aos planos do imperialismo ianque, continuava, e ainda continua, com a especulação de produtos e o desabastecimento dos alimentos nos mercados. Esses são os empresários e capitalistas honestos do quais fala Chávez. Tão equivocada foi a sua posição que num cenário onde estavam reunidos os sectores comprometidos com a revolução, o povo indignado perante o primeiro revés eleitoral do chavismo começou a lançar acusações e insultos contra a burocracia de T-shirt e boina vermelha, diante do que Chávez desgostoso começou a repreende-los, ao invés de escutar a voz do povo.

5. O cúmulo do absurdo deu-se quando o presidente Hugo Chávez, ingenuamente, concedia a amnistia a um grupo de golpistas que foram os responsáveis directos das mortes e assassinatos de vários pessoas em Abril de 2002. Fê-lo como um sinal de boa vontade? Ou como sinal de fraqueza? Seja qual for a razão, Chávez, mais uma vez, com essa medida beneficiava os sectores da oposição fascistas e deixava de lado as famílias de Puente Llaguno, da avenida Baralt, o que, inclusive, significou um agravo à memória de Danilo Anderson. Chávez deve recordar que aquele que não aprende com a história está condenado a repeti-la. A luta é pelo poder, não só pelo governo; e nessa luta a oligarquia e o imperialismo utilizará todos os meios ao seu alcance para manter a ordem estabelecidas. Chávez na sua ingenuidade pode crer que a sua moderação fará que eles se moderem, mas eles, em troca, interpretarão como sinal de fraqueza e começarão a golpear com mais força.

6. A nível internacional Chávez também se mostrou incoerente. Primeiro lança ataques contundentes contra o narco-paramilitar Uribe, para a seguir acabar dando-lhe a mão e a rir com o genocida do povo colombiano na Cimeira do Rio celebrada na República Dominicana. O presidente Chávez deve ser consistente tanto com o que diz como com o que faz. Não deve actuar de acordo para que, como a falsimedia quer que o faça, digam que é um moderado, um personagem politicamente correcto.

7. O show não culminou. A seguir a outros rounds entre Chávez e seus diplomatas contra o fascista colombiano, nos quais os insultos e as acusações iam e vinham, principalmente após o circo montado pelos computadores supostamente de propriedade do comandante Raúl Reyes e do relatório da Interpol, o presidente venezuelano, consciente ou inconscientemente, mais uma vez deu mostras de querer congraçar-se com o seu homólogo colombiano, desta vez emitindo disposições para as FARC-EP com um discurso que nem o próprio Uribe teria feito tão bem: "libertem os prisioneiros em troca de nada", "deixem a luta armada, isso já passou à história", "vocês são a desculpa para os ataques dos EUA na região". Parece que Chávez não leu a carta de Simón Trinidad, prisioneiro político do império, na qual cita Nelson Mandela o qual diz que "a forma de luta não a determinam os oprimidos e sim os opressores". O presidente Chávez deve dar-se conta de que não são as FARC-EP as que querem continuar alçada em armas por estarem obcecadas com esse tipo de luta. É o estado colombiano que, através da prática da violência institucionalizada, obriga os revolucionários a defenderem-se e a combater legitimamente pela armas o poder opressor.

8. Clausewitz disse que a guerra não é senão a continuação da política por outros meios. A FARC-EP são uma organização político-militar, não apenas militar. Parece que Chávez não quer recordar que quando as guerrilhas aceitaram negociar a paz e inclusive participar nos processos eleitorais da democracia burguesa colombiana, foram assassinados 5000 membros da União Patriótica. O que se passaria agora se os guerrilheiros chegassem a desmobilizar-se? Acaso não é uma lição o que sucedeu com o M-19? Não é um ensinamento o que aconteceu com os guerrilheiros na Guatemal e em El Salvador? Os paramilitares ficariam muito satisfeitos por matar seus inimigos desarmados. Chávez pede que as FARC-EP acabem com a luta armada sem perceber que os que têm o poder poderão continuar a fazer uso da violência sem que os outros tenham capacidade resposta. É um absurdo pedir que se acabe com uma estrutura organizativa popular criada com base no suor, sacrifício, dor e morte. Do mesmo modo é uma ingenuidade pensar que as FARC-EP devem desmobilizar-se para a seguir conseguir espaços políticos dentro da ordem burguesa. Isso fizeram-no os guerrilheiros do M-19 como Carlos Pizarro ou Navarro Wolf. As FARC têm um projecto mais amplo cujo objectivo é mudar a estrutura de um Estado fascistóide, corrupto, pro-ianque que mergulhou a maioria da população na pobreza.

9. Chávez advogou também pelos prisioneiros em poder das FARC-EP, fundamentalmente por Ingrid Betancourt. O comandante Pastor Alape fez uma reflexão sobre isto: A saúde de Ingrid e do resto dos prisioneiros em poder das FARC-EP também deveria levar o mundo a pensar na saúde dos milhões de colombianos e colombianas que vivem na pobreza. Por outro lado, o presidente Chávez também deveria propor com a mesma ênfase que se libertassem os prisioneiros em mãos do Estado colombiano e que estão a ser torturados nos cárceres.

10. O açodamento de Chávez nas suas declarações levou-o a dizer que as FARC-EP são o pretexto dos EUA para criar conflito na região. Como conhecedor da história, Chávez deve saber que os Estados Unidos desde o século XIX tem criado conflitos entre os povos da América. Os EUA historicamente pretenderam tornar inimigos nossos países. Para isso valeram-se de governos títeres e de ingénuos que, temerosos frente ao seu poderio militar, querem conciliar com esses governos títeres. As FARC-EP, ao contrário do que assinala Chávez, constituem garantia para que o imperialismo não tenha lançado ataques mais contundentes contra a região.

11. O presidente Chávez está no seu direito de exprimir suas posições em relação a quaisquer temas. Mas não pode pretender converter-se no guia espiritual da luta de outros povos. Deve manter respeito e consequência com as organizações revolucionárias que demonstraram ser firmas na luta contra o imperialismo e as oligarquias crioulas na América Latina. Só os povos são os que decidem. Eles são os verdadeiros actores e sujeitos da mudança. Não os mecenas de qualquer tipo. O que diria Chávez se as FARC-EP ou outra organização revolucionária lhe pedisse que lhe possibilitasse a saída ao ar da RCTV? Ou o que faria se lhe exigissem que se isolasse de Cuba porque essa é a desculpa do imperialismo para perturbar a região?

12. Chávez deve definir com quem mantém relações estreitas: se com os governos ou com os povos e suas organizações revolucionárias.

Nesta luta o caminho que resta está entre fazer uma verdadeira revolução socialista ou uma caricatura de revolução. E, finalmente, Chávez deve aprender que quando as palavras estão a mais o melhor é manter silêncio.

Quito, 11 de Junho de 2008

Ver também:

UNIDADE CLASSISTA





Olhem a saudação dela! (comentário Raoul)











Espiem, na imagem abaixo, o pragmatismo do PT, aliança com PP que é o mesmo PDS, Arena da ditadura militar. PT, sssSeentido, direeiiita volver!!!!!! Agora quer aliança com o PSDB. Parva Política Brasileira! (comentário Raoul)













Camarada!

O Fascismo não é um privilégio só do PSDB, aqui em Osório ele está também no PT.
Após ouvir o discurso de membros da chapa2, na sala dos "professores", a minha indignação foi tal que, me obriguei a escrever algo.
Segundo a candidata Terezinha a chapa é composta por uma ELITE DE PROFESSORES, e o candidato a tesoureiro afirmou que está na hora de tirar os funcionários de escola da direção do núcleo.

, por Paulo R. R. Sanches

e-mail: paulor.r.sanches@bol.com.br

UNIDADE CLASSISTA


Porque apoiamos a Marli e estamos na CHAPA1!


A Marli, essa, merendeira, negra e atrevida, desafia o sistema cotidianamente. Esse sistema injusto e desigual, enfrentando o preconceito “Hitleriano Mussolinista” dos que não conseguem suportar o fato de uma funcionária dirigir (com muita competência) um núcleo que historicamente foi dirigido por professores. Apesar da diretoria ser de nove membros esses individualistas só conseguem enxergar o a figura do Diretor Geral. Esses “Berlusconianos Sarkosystas”* prestam um grande favor a governadora Yeda/Detran ao vociferar (babando pelo canto da boca) todo seu ódio de classe (mesmo sendo trabalhadores assalariados não reconhecem essa condição, se sentem uma elite), quando afirmam que Funcionário de Escola não deveria poder dirigir o CPERS. Não sabem os reacionários que estão dividindo a categoria exatamente no momento em que temos o dever de estarmos juntos, Professores e Funcionários, para combater os desmandos desse (des)governo. Que é nossa obrigação unir forças com os colegas trabalhadores da CORSAN, CEEE, BANRISUL, PROCERGS, SAÚDE, etc., para evitar o fim do Serviço Público de qualidade no RS.

Todo nosso apoio à CHAPA 1, que representa muito bem a categoria, em sua composição respeita a proporcionalidade de professores (6) e de funcionários (3) na chapa.

Mas esse pensamento culturalmente atrasado, não é o pensamento da maioria da categoria, ele já foi refutado na eleição anterior quando a chapa em que a colega Marli concorreu como Diretora Geral venceu o pleito. Esperamos que isso se repita, do contrário o Litoral Norte vai estar dando um passo atrás em relação ao que está acontecendo na América Latina, onde o Movimento Sindical volta a se organizar para a luta contra o capital.

É preciso a unidade dos trabalhadores para vencer essa luta.

Aos velhos carcomidos preconceituosos, por favor, continuem de pijamas, vendo pela janela a banda passar. A banda da Justiça, da Igualdade e da Solidariedade. Não atrapalhem quem quer avançar nas conquistas.

Uma boa luta a todos!


ATÉ A VITÓRIA, SEMPRE!


  • Verbas públicas exclusivamente para a educação pública. (10% do PIB)

  • Expansão das redes públicas de ensino.

  • Valorização dos Profissionais de educação (melhores salários e formação continuada).

  • Ensino Básico em horário integral.

  • Gestão democrática das verbas e das unidades escolares.

  • Criação dos fóruns populares de educação. A luta pela educação é de toda a sociedade

  • Educação voltada para os interesses da classe trabalhadora.

  • Por uma educação pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade.


NENHUM DIREITO A MENOS . AVANÇAR EM NOVAS CONQUISTAS

OUSAR LUTAR. OUSAR VENCER.

UNIDADE CLASSISTA NA INTERSINDICAL


*Mandatários da Itália e França respectivamente. O primeiro fez a saudação fascista em sua posse e elogiou Hitler. O segundo quer expulsar os imigrantes.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
  • Hegemonias e Emancipações no século XXI - Emir Sader Ana Esther Ceceña Jaime Caycedo Jaime Estay Berenice Ramírez Armando Bartra Raúl Ornelas José María Gómez Edgardo Lande
  • HISTÓRIA COMO HISTÓRIA DA LIBERDADE - Benedetto Croce
  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira