quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Feliz Aniversário Comandante Fidel Castro

Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.



BRASILEIROS EM HONDURAS


Comunicado 1


Chegamos hoje à noite a Tegucigalpa, capital de Honduras, formando uma delegação de brasileiros, organizada pela Casa da América Latina, para expressar a solidariedade de organizações políticas e sociais de nosso país que realizam amanhã (11 de agosto) manifestações de repúdio ao golpe de Estado perpetrado pelas oligarquias e o imperialismo neste país, com a destituição do Presidente eleito, Manuel Zelaya, nos marcos de uma jornada mundial de apoio ao povo hondurenho.

Ainda no trajeto, passando por El Salvador, mantivemos contato com dirigentes da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), que hoje governa aquele país, onde conversamos com os companheiros Nídia Diaz e Elias Romero, deputados do Parlamento Centro Americano, que também manifestaram sua preocupação com a situação política de Honduras e suas conseqüências para a integração latino-americana.

Chegando ao aeroporto da capital, Tegucigalpa, fomos recebidos por uma representação da Embaixada brasileira no país. Em seguida, encontramo-nos com uma delegação da Via Campesina, em nome da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado.

Já formalizamos nossa entrada no país e já estamos devidamente alojados.

Amanhã, vamos acompanhar as manifestações programadas pela resistência, que incluem uma greve geral e uma grande concentração na capital, para onde convergem desde sexta-feira hondurenhos vindos de todos os cantos do país. Juntamente com delegações de outros países, que também estão aqui para dar apoio e respaldo político às mobilizações, procuraremos contribuir, modestamente, para denunciar toda e qualquer tentativa dos golpistas de impedir a livre manifestação do povo hondurenho.

Reafirmamos nosso compromisso em dar continuidade à luta contra uma nova escalada golpista em nosso continente, e para que se reforce a unidade dos povos da América Latina na luta antiimperialista e por um mundo justo, livre e fraterno.

Tegucigalpa, 10 de agosto de 2009

Amauri Soares

Deputado Estadual (SC)

Ivan Pinheiro

Secretário Geral do PCB

Marcelo Buzetto

Dirigente Nacional do MST

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A origem do latifúndio no Brasil


Por João Pedro Stedile

Freqüentemente afloram argumentos de que os atuais grandes proprietários de terras as adquiriram com o suor do seu trabalho. Outros, menos dissimulados, evocam simplesmente o direito “sagrado” e absoluto à propriedade da terra. Se comprou e pagou, se está registrada em cartório, é dele e pronto!
Mas qual é a origem mesmo da grande propriedade no Brasil? Terá sido fruto mesmo do trabalho acumulado de gerações?
Até a chegada dos europeus, em 1500, este território era habitado por aproximadamente 5 milhões de pessoas, aglutinadas em mais de 200 povos indígenas, com território, culturas, hábitos diferenciados; a propriedade do solo não era privada. Era apenas um bem da natureza utilizado coletivamente por todos os membros dos diferentes povos. Assim, os brasileiros que aqui viviam tratavam a terra como um bem comum, em que todos tinham o direito de explorá-la para sobreviver.
A chegada do europeu colonizador significou uma ruptura nesse sistema, já que um dos objetivos da colonização era se apoderar dos bens existentes, especialmente a terra e os recursos naturais, de minérios e florestas. Esse conflito, que se estabeleceu à força da pólvora e do controle ideológico da religião, impôs uma derrota aos povos que aqui viviam. Vencedor, Portugal passou então a gerir os bens da natureza de acordo com suas leis.
A primeira forma de distribuição de terra foram as Capitanias Hereditárias, concessão de uso em que a Coroa destinava grandes extensões do território a donatários, amigos e prestadores de serviço à Coroa. Os donatários e concessionários tinham o direito de repartir e distribuir parcelas desses territórios a outros que lhes interessasse ou para viabilizar o aumento da exploração.
Ao longo do período colonial e até o final do século 19 prevaleceu esse sistema em que a terra era um bem da Coroa portuguesa, com concessão de uso para aqueles que se dispusessem a explorá-la, que tivessem condições para isso (recursos para compra de escravos, por exemplo) e que tivessem serviços prestados à Coroa.
Em meados do século 19, o Brasil passou por grandes transformações sociais. Crescia a luta dos negros escravos, multiplicavam-se os quilombos. Intensificavam-se as pressões externas e internas contra o tráfico de negros oriundos da África. Na sociedade brasileira, setores liberais, de classe média, com vocação republicana, também se opunham e lutavam contra a escravidão.
Preocupada com essa pressão e percebendo a inevitabilidade da libertação dos escravos, a Coroa tratou de legislar sobre a aquisição da terra no Brasil, de forma a garantir que a posse e a propriedade da terra mantivessem o caráter mais restrito possível, ou seja, acessíveis apenas para uma minoria das elites da nobreza. E, sobretudo, para garantir que os escravos libertos não tivessem o direito de acesso à terra, tão abundante, e se mantivessem na condição de trabalhadores assalariados nas fazendas. Aceitavam terminar com a senzala, mas queriam manter a mão-de-obra cativa nas grandes fazendas de cana, de café.
Por outro lado, na Europa, nessa época, a tensão social agravava-se com uma crise generalizada no campo, pela escassez de terras e pela existência de multidões de camponeses sem-terra. Para os camponeses pobres da Europa, a migração para o continente americano é a possibilidade de realizar o sonho de ter um pedaço de terra.
Foi nesse contexto que D. Pedro II promulgou a Lei nº 601, de 18 de setembro de l850, conhecida como a primeira Lei de Terras do Brasil, pela qual definiu a forma como seria constituída a propriedade privada da terra em nosso País. Já que, até aquela data, o direito a propriedade era reservado à Coroa. Os usuários detinham apenas concessão de uso e não a propriedade legal.
A lei de 1850 determinava que somente poderia ser considerado proprietário quem legalizasse suas terras em cartórios oficiais, pagando certa quantia em dinheiro para a Coroa.
Assim, a principal conseqüência social da Lei de Terras de l850 é que manteve os pobres e negros na condição de sem-terra e, por outro lado, legalizou, agora como propriedade privada, as grandes extensões de terra, na forma de latifúndio. Todos os antigos concessionários da Coroa, com a vigência da Lei de Terras, corriam aos cartórios ou às casas paroquiais que mantinham registros, pagavam certa quantia pela terra e legalizavam suas posses. Assim, imensas áreas, antes de propriedade comunal-indígena, depois apropriadas pela Coroa, agora eram finalmente privatizadas nas mãos de grandes senhores, que se transformaram de amigos da Coroa em senhores das terras, em latifundiários.
Cabe ressaltar que, mesmo dentro de um regime de propriedade privada, capitalista, como o dos Estados Unidos, foram impostos limites e condições que normatizaram a distribuição das terras. O presidente Abrahm Lincoln implantou uma lei de colonização das terras públicas que se baseava no critério de que a terra deveria ser apenas de quem nela trabalhasse. E com base nesse critério, estabeleceu-se que cada família que quisesse trabalhar e viver na terra, teria o direito assegurado a 160 acres.
Com essa Lei, foram distribuídas, entre l862 e l880, cerca de 60 milhões de hectares de terras públicas federais e outros 120 milhões de hectares de terras públicas estaduais, beneficiando no total mais de 3 milhões de famílias de agricultores. Estes, tendo acesso à posse da terra, se transformaram em pequenos e médios agricultores, e logo consumidores de produtos industriais, como instrumentos de trabalho para agricultura, maquinaria e produtos de consumo familiar. Graças a esse processo de democratização da terra, foi possível desenvolver uma pujante agricultura, que aumentou imediatamente a produção e gerou um enorme mercado interno para a indústria nacional instalada no norte do país. Essas bases transformaram o país dividido e dilacerado pela guerra civil na maior potência econômica industrial no final do século.
Já no Brasil foi criada uma base legal que deu origem à propriedade privada da terra, justamente para fomentar e estimular apenas a grande propriedade fundiária, consolidando o latifúndio.
Portanto, a raiz de nosso subdesenvolvimento, de nossa pobreza, e de nossa desigualdade social, está no latifúndio.

As elites não precisam e não querem dividir o latifúndio.

A propriedade da terra nos países desenvolvidos

A expressão reforma agrária não foi uma bandeira de luta levantada pelos movimentos camponeses. Eles se atinham ao ideal de terra para trabalhar. A reforma agrária, como sinônimo de uma política de distribuição da propriedade da terra, por parte do Estado, surgiu no final do século passado na Europa, por parte das burguesias industriais. Após muitas décadas de desenvolvimento do capitalismo industrial, as elites industriais perceberam que havia limitações de mercado interno em seus países, porque a maioria da população vivia ainda no meio rural e na condição de camponeses sem-terra e nessa condição não tinham renda para adquirir os bens produzidos pela indústria. Assim, identificaram no monopólio da grande propriedade da terra um empecilho para o desenvolvimento do próprio capitalismo. E para esse problema agrário advogou-se uma solução: a reforma agrária.
Portanto, a reforma agrária surgiu como uma proposta de política do Estado. Assim, reforma agrária não se restringe a assentamentos rurais. Ela é, essencialmente, a democratização da propriedade rural.
Essas políticas de reforma agrária, ou de democratização da propriedade da terra, visando transformar camponeses sem-terra em produtores autônomos de mercadorias, com acesso ao mercado, com renda suficiente para adquirir produtos da indústria e, portanto, capazes de dinamizar o mercado interno, foram aplicadas em muitos países. Primeiro, se aplicaram nos países da Europa Ocidental, onde havia um desenvolvimento maior do capitalismo industrial e, portanto, necessitavam de mercado interno para seus produtos. Depois, logo após a I Guerra Mundial, foi aplicada em 18 países da Europa Central e Oriental. E após a II Guerra Mundial, foi aplicada no sul da Itália, e no Sudeste asiático, particularmente, no Japão, na Coréia e na província de Formosa.
Com essa mesma perspectiva, pode-se dizer que a lei de colonização de l862 nos Estados Unidos, embora não tenha o nome de reforma agrária,se constituiu num importante instrumento de democratização do acesso à propriedade da terra.
Todos esses exemplos mencionados até aqui se referem a processos de reforma agrária nos marcos e dentro de uma política para o capitalismo. Houve outros processos de reforma agrária, nos marcos de revoluções populares, anticolonialistas, ou da transição para o socialismo, que não são objetos de referência nesse caso.
Aqui, cabe a pergunta: se os processos de reforma agrária foram impulsionados para ampliação do mercado interno e na busca de um maior desenvolvimento, mesmo dentro do capitalismo, por que a reforma não foi feita no Brasil?
No Brasil, desde que aqui aportaram os portugueses, se aplicou um capitalismo colonial dependente. No período de l500 a 1900 vigorou um modelo econômico, que organizou a sociedade brasileira, durante 400 anos, unicamente para produção agrícola de exportação. A prioridade era produzir o que a Metrópole desejava, ou seja, aqueles produtos de origem tropical que não eram possíveis produzir no hemisfério norte, por causa do frio: cana, café, cacau, couro da pecuária extensiva, algodão. Infelizmente, para a difusão dessa monocultura exportadora, exigia-se grandes extensões de terra, ainda mais que o trabalho não era assalariado ou de parceiros (como no feudalismo europeu), mas sim de escravos. Desse modelo gerou-se apenas duas classes sociais: a oligarquia rural exportadora e os escravos. Ora, esse modelo de capitalismo dependente, sustentado pela mão-de-obra escrava, se fundou nas raízes da grande propriedade. Ou seja, o capitalismo nasceu no Brasil de braços dados com a grande propriedade latifundiária. Portanto, o capitalismo não se baseia em mercado interno, portanto não precisa criar produtores autônomos e mais consumidores.
Esse modelo agroexportador, que está na raiz de nossa sociedade, entrou em crise de l900 a 1930. As razões da crise foram a conjugação de diversos fatores, entre eles: a crise da I Guerra Mundial, que reduziu as exportações agrícolas, a queda no preço internacional do café e, sobretudo, pelo fato de que aquele modelo não conseguia mais produzir os bens necessários para as demandas da sociedade brasileira.

A Revolução de 30: novo modelo econômico

A crise desencadeada pela incapacidade de a agricultura exportadora sustentar o desenvolvimento do País resultou na chamada “Revolução de 30”, que implantou um novo modelo econômico: o da industrialização do País. De l930 até l980 todos os esforços da sociedade foram dirigidos à industrialização. Observa-se um processo acelerado de produção de mercadorias de origem industrial e de crescimento econômico. Mas esse novo modelo não rompeu com as raízes da formação econômica do País. Embora o poder político agora estivesse majoritariamente em mãos das elites industriais, persistiam os laços com as oligarquias rurais que, ao contrário do que aconteceu com os senhores feudais na Europa, perderam poder político, mas não perderam as terras.
Instituiu-se então uma parceria entre as oligarquias rurais e a elite industrial. A agricultura de exportação funcionava como captadora de dólares para financiar a implantação da indústria. Por outro lado, no sul do País, os pequenos agricultores originários do processo de colonização deveriam produzir para o mercado interno, com um rigoroso controle dos preços dos produtos agrícolas por parte do Estado, para garantir uma cesta básica a custos reduzidos e, por conseguinte, viabilizar os baixos salários pagos aos operários.
A pequena agricultura nunca conseguiu acumular e constituir um forte mercado interno consumidor, como aconteceu na Europa e Estados Unidos, porque aqui seu papel era financiar a subsistência do novo operariado.
E as pressões do crescente contigente de camponeses sem-terra que iam sendo excluídos pela concentração da propriedade da terra foram em direção às cidades, atraídos pela possibilidade de se transformar em operários. Essa mão-de-obra farta e barata foi se constituindo no exército industrial de reserva, de origem camponesa.
No período de l930 a l980, o Brasil inverteu sua matriz de localização populacional. Antes, 80% da população estava localizada no meio rural; com o modelo de industrialização, em algumas décadas 80% da população passou a morar ou se empilhar nas grandes metrópoles.
Ao contrário do processo de urbanização lento e gradual, distribuído em centenas de pequenas cidades, no Brasil o êxodo rural esteve direcionado para os grandes aglomerados humanos. Assim, a origem das grandes metrópoles brasileiras com todos os seus problemas, como a marginalidade social, carência de moradia, de emprego, tem sua causa na manutenção do latifúndio.
Nesse novo modelo de organização da produção na sociedade brasileira, os lucros auferidos pela elite urbana do setor comercial, exportador, industrial e financeiro são aplicados, em parte, na compra de grandes extensões de terra. Grandes grupos econômicos, industriais e comerciais transformaram-se em proprietários de enormes extensões de terra, com 200, 300 mil hectares cada uma. Dados cadastrais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) registram que as pessoas jurídicas, ou seja empresas, particularmente de origem estrangeira, são proprietárias de mais de 30 milhões de hectares de terra no Brasil.
Assim, além da oligarquia rural agroexportadora de origem colonial, aparece no cenário, agora, uma burguesia agrária, grande proprietária de terra, que mescla seus interesses entre a agricultura, o comércio, as finanças e a indústria. Nessa perspectiva de classe, a burguesia industrial no Brasil não tem nenhum interesse na realização da reforma agrária para desenvolver o mercado interno, pois teria que desapropriar suas próprias terras.
Por outro lado, o modelo de desenvolvimento industrial brasileiro está fundado num processo de concentração de renda que permite às indústrias maximizar suas taxas de lucro com a conjugação de dois fatores: pagamento de salários miseráveis e produção de bens de consumo para uma classe média. Ou seja de mercado reduzido, e não de massas, como acontece nos países desenvolvidos.
Ora, se as elites não precisam dividir a terra para acumular lucros, aumentar mercado, elas jamais tomarão a iniciativa de fazer a reforma agrária. Um processo de reforma agrária, de distribuição da propriedade da terra, terá de vir necessariamente da pressão dos trabalhadores e dos camponeses pobres, que dependem da terra para trabalhar e progredir.

O latifúndio é incompatível com democracia e justiça social

É impossível construirmos uma sociedade mais democrática no Brasil sem destruir o latifúndio. É impossível resolver os problemas da pobreza no meio rural, da desigualdade social no Brasil, sem derrotar o latifúndio. É impossível resolver o problema do desemprego no Brasil sem utilizarmos a agricultura como atividade absorvedora de mão-de-obra. Particularmente nas condições do País, em que a maior parte dos trabalhadores desempregados possuem baixo nível de escolaridade e estão cada vez mais distante de recrutamento pelos setores da indústria e de serviços.
A derrota e destruição do latifúndio não dependem apenas dos trabalhadores rurais sem terra. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está convencido de que apenas a ocupação dos latifúndios não é suficiente para derrotá-los. O latifúndio faz parte da estrutura econômica de nosso País, da estrutura política, dos interesses das classes dominantes em geral, que, apesar de atuarem em diversas atividades econômicas, em sua grande maioria possuem grandes propriedades rurais.
A derrota do latifúndio só vai ocorrer, em nosso País, quando houver uma grande mobilização social e nacional para implementar um outro modelo econômico. Um modelo que reorganize a economia brasileira, voltada para a produção de bens e serviços que atendam às necessidades da população e não apenas guiados pelo lucro, ou por interesses de acumulação do capital. Um modelo econômico que se caracterize pela justa distribuição das riquezas produzidas e da renda gerada, para que cada brasileiro tenha as mesmas oportunidades de trabalho, de educação, de moradia. Num modelo econômico que tenha esse caráter popular, certamente a agricultura terá uma nova função na sociedade, garantindo a produção de alimentos para toda população, servindo de base para geração de empregos para milhões de trabalhadores.
Portanto, para derrotar o latifúndio, é preciso derrotar o atual modelo econômico, como um todo, que é excludente e subordinado aos interesses do capital internacional e financeiro. E essa não é uma tarefa apenas dos sem-terra, dos pobres do campo, dos trabalhadores rurais. Mas é uma tarefa do povo brasileiro, de todos os que se identificam com os ideais de um país socialmente justo, democrático e solidário.

III Seminário Margem Esquerda: István Mészáros e os desafios do tempo histórico

Convite - Seminário


III Seminário Margem Esquerda

István Mészáros e os desafios do tempo histórico

De 18/8 a 1/9 de 2009

USP, UERJ, UFRJ, UFRGS, CUFSA, UNESP, UNICAMP, CEFET-MG e UNB


O III Seminário Internacional Margem Esquerda tem por tema a obra de István Mészáros.
Discípulo do também húngaro Georg Lukács, Mészáros é considerado um dos maiores pensadores marxistas da atualidade. Sua obra é fundamental para o entendimento do sistema do capital, bem como de sua crise estrutural e da sua necessária superação. Alguns dos mais importantes intelectuais do Brasil e do exterior ajudam a construir sua trajetória de reflexão e de lutas, sob o legado marxista. Esperamos que o seminário, para além da análise e do balanço da obra de grandes autores clássicos e contemporâneos, abra novos caminhos e perspectivas. Convidamos todos a participarem desta construção.


Acompanhe a programação no blog da Boitempo - www.boitempoeditorial.wordpress.com
Mais informações pelo email seminariomeszaros@boitempoeditorial.com.br

Programação completa

USP (São Paulo) - Auditório da História (FFLCH)

18/8, terça-feira

14h: O poder da ideologia

Miguel Vedda, Osvaldo Coggiola, Virginia Fontes e Wolfgang Leo Maar

19h: Trabalho e alienação

Giovanni Alves, Jesus Ranieri, Ricardo Antunes e Ruy Braga


19/8, quarta-feira

14h: Marx, Lukács e os intelectuais revolucionários

Antonino Infranca, Emir Sader, Maria Orlanda Pinassi e Ricardo Musse

19h: Para além do capital - a crise estrutural do capital

Edmilson Costa, François Chesnais, Jorge Beinstein e Leda Paulani


20/8, quinta-feira

14h: Para além do capital - lógica destrutiva e questão ambiental

Brett Clark, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Mohamed Habbib e Plínio de Arruda Sampaio

19h: Educação e socialismo

Afrânio Mendes Catani, Décio Saes, Isabel Rauber e Roberto Leher


21/8, sexta-feira

14h: Marxismo, lutas sociais e revolução na América Latina

Aldo Casas, Francisco de Oliveira, Gilmar Mauro e Lúcio Flávio de Almeida

19h: CONFERÊNCIA - A necessária reconstituição da dialética histórica

István Mészáros (precedidO por um solo de Bach em viola, por Susie Mészáros)


UNESP (Araraquara) -
Anfiteatro B

24/8, segunda-feira

19h30: A crise estrutural do capital

Aldo Casas, Gilmar Mauro e Maria Orlanda Pinassi


UNICAMP (Campinas) -
Auditório I (IFCH)

25/8, terça-feira

14h: A crise estrutural do capital

Aldo Casas, Caio Navarro de Toledo, Plínio de Arruda Sampaio Jr. e Ricardo Antunes


CUFSA (Santo André) -
Auditório do Colégio da FSA

26/8, quarta-feira

19h30: Crise do capital e perspectivas do trabalho

Antonio Rago Filho, Everaldo de Oliveira Andrade, Livia Cotrim, Miguel Vedda


UERJ (Rio de Janeiro) -
Auditório 11

25/8, terça-feira

18h: A necessária reconstituição da dialética histórica

István Mészáros; comentários de Emir Sader e Gaudêncio Frigotto


UFRJ (Rio de Janeiro) -
Auditório Pedro Calmon

26/8, quarta-feira

17h30: Perspectiva do socialismo hoje

Carlos Nelson Coutinho, Jorge Giordani e José Paulo Netto

19h30: Conferência - A necessária reconstituição da dialética histórica

István Mészáros (precedido por um solo de Bach em viola, por Susie Mészáros)


UFRGS
(Porto Alegre)

27/8, quinta-feira (Salão de festas da reitoria)

18h: Conferência - A necessária reconstituição da dialética histórica

István Mészáros; comentários de Jorge Giordani


28/8, sexta-feira (Auditório da Faculdade de Economia)

14h: A transição para além do capital em Mészáros

Carla Ferreira, Jorge Giordani e Nildo Ouriques


CEFET-MG (Belo Horizonte) -
Auditório do Campus 1

27/8, quinta-feira

15h: Para além do capital: crise do capital e perspectivas do trabalho

Ester Vaisman, Milney Chasin, Nicolas Tertulian e Rodrigo Dantas


UNB (Brasília) -
Anfiteatro 09/ICC-Norte

1/9, terça-feira

15h: A crise estrutural do capital e o desafio do socialismo no século XXI

Gilson Dantas, Rodrigo Dantas e Valério Arcary


Todas as atividades terão ENTRADA LIVRE e serão gratuitas. Informações sobre certificados em
boitempoeditorial.wordpress.com

LOCAIS DAS MESAS
USP: Anfiteatro da História - FFLCH
UNESP: Anfiteatro B
UNICAMP: Auditório I - IFCH
CUFSA: Auditório do Colégio
UERJ: Auditório 11
UFRJ: Auditório Pedro Calmon
UFRGS (27): Salão Festas Reitoria
UFRGS (28): Auditório da Economia
CEFET-MG: Auditório Campus 1
UNB: Anfiteatro 9/ICC-Norte


Promoção: Revista Margem Esquerda e CENEDIC-USP
Comissão Organizadora: Emir Sader, Ivana Jinkings, Maria Orlanda Pinassi, Ricardo Antunes, Rodrigo Nobile e Ruy Braga; I
nformação e contato: Ruy Marques (seminariomeszaros@boitempoeditorial.com.br)


Boitempo Editorial
Débora Prado
Assessoria de Imprensa
+ 55 11 2305 1641
+ 55 11 8382 4978
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

DIA DE AÇÃO GLOBAL POR HONDURAS



Convidamos todas as organizações e todos os militantes progressistas para um Ato Público de repúdio ao golpe militar em Honduras, em atenção ao chamamento da Via Campesina, apoiado pelos movimentos sociais e políticos hondurenhos que compõem a resistência popular no país (veja abaixo).

(MST, CMP, MTD, Via Campesina, Assembléia Popular, Casa da América Latina, Jubileu Sul, PCB, PSOL, PSTU, Conlutas, Intersindical, Rede Contra a Violência, Comitê da Palestina, PACS, MLB )

11 DE AGOSTO (terça-feira), a partir das 17 horas, na Cinelândia (Rio de Janeiro)


A todos os povos do mundo:

Tendo passado mais de um mês do golpe militar em Honduras, com 38 dias de uma incansável luta de milhares de camponeses, mulheres, indígenas, professores, estudantes, sindicalistas, e gente simples das cidades e do campo, que lutam para derrotar o golpe e restaurar a democracia e a dignidade, a repressão dirigida pelos golpistas não atingiu o espírito de luta do heróico povo hondurenho.

Esta luta entrou agora em uma fase crucial, pois o movimento camponês hondurenho e a Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado convocaram aos movimentos sociais, sindicais e democráticos, para uma Marcha Nacional que se inicia neste dia 5 de agosto e culminará no dia 11 de agosto em Tegucigalpa e San Pedro Sula.

Em apoio a esta Marcha Nacional e às nossas irmãs e irmãos camponeses e a todo o povo hondurenho, a Via Campesina lhes faz um chamado a um Dia de Ação Global por Honduras, no próximo dia 11 de agosto, visando empreender a solidariedade mais ampla, levando a cabo mobilizações, atos políticos e culturais, ações de pressão e negociação e qualquer atividade possível que ajude o avanço da luta popular hondurenha na derrota do golpe militar.

Solicitamos que nos informem o mais breve possível de seus planos de ação e trabalho neste Dia de Ação Global de Honduras.

GLOBALIZEMOS A LUTA, GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!

Henry Saragih, coordenador geral da Via Campesina

Para escrever para a Via Campesina Honduras:

Wendy Cruz: wendycruzsanchez@yahoo.ca

Mabel Marquez: mabelmarquez07@gmail.com

Mais informação sobre a resistência ao golpe de Estado em Honduras:

http://www.movimientos.org/honduras.php
Agora nos podem seguir também pelo Twitter:

http://twitter.com/mingahonduras

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Presidente da União de jornalistas de Cuba

Entrevista realizada pelo Jornal A Verdade na XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, em Florianópolis-SC/Brasil. (Jornalista Paulo Roberto Tiecher de Jesus)


TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ
Presidente da União de jornalistas de Cuba. Foi combatente clandestino durante a ditadura Batista (1957-1958), Militante do movimento Revolucionário 26 de julho, e preso politico em 1958. Secretário Geral Partido Unido da Revolução Socialista nos municípios havaneros de Campo Florido e Jaruco (1962-64), é deputado da ANPP (Assembléia Nacional do Poder Popular da Republica de Cuba), sendo vice presidente da Comissão das Relações Internacionales Asanblea Nacional e representante de Cuba no Foro Interparlamentar das Américas (FIPA).

A VERDADE: Como Cuba reage ao bloqueio midiático, e como os outros povos podem ajudar a romper o bloqueio?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Em primeiro lugar, o mais difícil para os cubanos é manter, nesses tempos, a independência. Um patriota cubano, José Martí, disse que a independência custa caro, e é preciso decidir a viver sem ela ou pagar seu preço. Os cubanos, muito perto do país que não respeita a independência, decidiram pagar esse preço. Digo isso porque se Cuba houvesse decidido ser uma neocolônia dos Estados Unidos, onde governasse o embaixador estadunidense, não teríamos esses problemas. Mas esse tempo acabou. Os Estados Unidos surgiram como potência quando nós surgimos como nação. Os Estados Unidos queriam estender seu território, ocupar Cuba, mas Cuba tinha dentro, cubanos que não queriam isso. Então se alguém me pergunta qual a característica principal dos cubanos, se é a música, a alegria, a improvisação, eu digo que é o antimperi alismo. Embora não manifestem militantemente ou eloqüentemente seu rechaço a um império, que quer assimilá-los, de uma maneira ou de outra, está presente, inclusive na emigração. Os que se vão, por melhoras econômicas ou diferenças políticas, levam dentro o gene do antiimperialismo. Posso dizer com absoluta responsabilidade, que os balseiros são a esquerda de emigração cubana, porque não se foram de Cuba por problemas de classe, porque eram do regime de Batista ou eram gente rica. Não, foram para remeter dinheiro para a família, no período especial. Creio que isso também está mudado, porque tem dentro de si muito claro o sentimento de nação independente. Explico isso, embora não esteja na pergunta, porque é base para entender muitas coisas. Nesse mesmo enfrentamento, os Estados Unidos, como eram mais fortes, descarregaram todo seu poder contra Cuba. E Cuba não pode responder, sua resposta é moral, sua resposta é o exemplo, a resistência, e isso não tem valor. Cuba é uma potência moral. Eu falei com uma mulher que vive em Cuba e foi ver sua família nos Estados Unidos, ao regressar disse: “Vi muitas coisas. Tudo que falta em Cuba, vi nos Estados Unidos, mas o que sobra em Cuba, não vi lá.” A solidariedade, a amizade, o apoio mútuo, o desinteresse, o altruísmo. Cuba é um país religioso, no sentido da fé, do altruísmo, do sacrifício pelos demais, que muitas religiões esqueceram, fazem negócios. Também há uma devoção ao passado, aos que deram tudo, aos patriotas, essa consciência, essa herança ajuda a enfrentar o bloqueio, que é brutal. Como já vivemos há 50 anos, as vezes não nos damos conta de que há coisas com uma raiz no bloqueio. Porque complica muito, se queremos comprar arroz temos que buscá-lo no outro lado do planeta. Trazer em barco, são 15 dias. O mesmo se passa com os medicamentos. Os Estados Unidos estenderam sua economia, suas empresas pelo mundo e impedem suas empresas no exterior de fazerem suas operações com Cuba. Por exemplo, um hotel do México, o Sheraton não pode hospedar cubanos. Um banco suíço, uma potência financeira, teve que pagar uma multa de 100 milhões porque teve operações com Cuba. Nós temos que fazer muitas operações clandestinas. Nós temos que comprar muitas coisas no mercado negro mundial, pagar mais. Um barco vindo de qualquer parte do mundo, que chegue em Cuba, não pode atracar num porto dos Estados Unidos por seis meses. É uma espécie de quarentena. Nenhuma linha quer fazer isso, por isso cobra mais. Outro exemplo, al gum medicamento de que eles tenham a patente, contra a dengue, a tecnologia, se Cuba quer comprar um avião, não pode comprar nos Estados Unidos. Se vai comprar na Alemanha, e tem um equipamento dos Estados Unidos, por exemplo, um computador, este país não o pode vender para Cuba. Se Cuba quer vender um equipamento médico para qualquer outro país, não o pode comprar um cidadão estadunidense se tem um componente cubano. Se um estadunidense compra um equipamento que tenha um componente cubano, os Estados Unidos o castigam. Eles mantém tribunais, a culpa, para os que mantém comércio com Cuba. É uma aberração total, algo demente, louco, esquizofrênico. O bloqueio é algo esquizofrênico. Um cidadão norteamericano não pode comprar um charuto cubano em Paris. Eles perseguem onde quer que vá, ao que comercia com Cuba. É um país poderoso que persegue dessa forma a um país pequeno. Os cubanos que vivem nos Est ados Unidos são o único grupo emigrante que não pode ir a Cuba quando quer, que não podem enviar dinheiro quando quer. Agora Obama liquidou as restrições postas por Bush, mas permanecem as que havia antes de Bush. Os cubanos lá residentes só podem ir a Cuba uma vez a cada 3 anos. Também diminuiu a quantidade de dinheiro que podem enviar a seus familiares em Cuba. Agora como aparece nos meios de comunicação? É como se uma gotinha de água fosse um tsunami. O níquel cubano não pode ir para as indústrias metalúrgicas estadunidenses, para a indústria automobilística. No caso dos desportistas, é igual, os equipamentos como cronômetros, laboratórios antidoping, tudo que contenha tecnologia estadunidense é muito difícil. São fatores que estimulam o antiimperialismo, mas Cuba não quer o bloqueio. Dizem que Cuba usa o bloqueio para justificar suas dificuldades, mas não é vedade.

A VERDADE: Se Cuba quiser comprar um avião, e o Brasil tem a Embraer, como se comporta o governo brasileiro? Facilita ou aceita o bloqueio?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Vou explicar outra complicação. Cuba não tem acesso a crédito. Para comprar um avião, tem que buscar quem o tenha para vender e forneça crédito. Ninguém compra avião a vista. Tem que conseguir um banco para comerciar o financiamento, e isso é um problema, porque Cuba não está no FMI, no Banco Mundial, no Banco Interamericano, e os bancos comandados pelos Estados Unidos não fornecem crédito, em nenhum serviço.

Aí há muitas coisas. Uma empresa que não seja dos Estados Unidos, de turismo, por exemplo, de cruzeiro, faz convênio com Cuba, e depois é comprada pelos Estados Unidos. Abre-se um processo de discussão, por causa da propriedade, e isso se passa amiúde e ficamos com a tecnologia, mas sem reposição. No setor dos meios de comunicação, com todos os equipamentos, impressão, maquinário de fotografia, afeta os jornalistas credenciados. Cuba não pode ter jornalistas nos Estados Unidos, enquanto se algum jornalista dos Estados Unidos quiser vir a Cuba, que venha. Como não somos demagogos nem cínicos, estamos pela verdadeira liberdade de expressão, há cerca de 160 correspondentes estrangeiros em Havana. São italianos, franceses, espanhóis, norteamericanos, a AP, a CNN, e nos Estados Unidos há só um jornalista cubano, e na ONU. Se lá houver um terremoto ou o utro problema qualquer, não poderemos cobrir. É a expressão da impotência de um grande país que precisa fazer isso, e os meios de comunicação tem contribuído para ocultar esse drama do público norteamericano, que nada sabe do bloqueio. Se algum dia o bloqueio for suspenso, muita gente não saberá. Então quais os efeitos da nossa profissão? O bloqueio cria uma psicologia na população e também nos jornalistas. Como cubano sofre o bloqueio, mas como jornalista se passa um fenômeno psicológico negativo, mau. Se tudo o que se diz de Cuba é mau, tudo o que digo para lá, é bom. E isso não é bom, não é positivo.

(...É como diz o refrão, é levar água para o moinho, vamos aumentar a lenha para o fogo). E nós como jornalistas sabemos que isso é ruim, que isso é uma tendência ruim que temos que superar para que o povo cubano mantenha a credibilidade).

Há certa educação política da população que compreende que há coisas que não se pode dizer. Se há um empresário canadense, espanhol, israelense ou de qualquer parte do mundo querendo construir um hotel em Cuba, ou uma cadeia de hotéis, os Estados Unidos o pressionam, dizendo que nem o empresário nem seus familiares poderão entrar nos Estados Unidos. Pode ser um industrial rico, que tenha um filho estudando nos Estados Unidos, o pressionam, e que faz um jornalista que tenha essa informação? Publica-a, mas se for nos Estados Unidos não a publica, fica em segredo. Imagine, nosso papel é informar e temos que calar, é uma autocensura, e isso produz dano. Porque às vezes calo sobre o que devo e sobre o que não devo. É um conflito permanente. Até que ponto a informação pode ajudar ao adversário. Nós temos um código de ética, e está tudo isso. Cuidar disso, das reações que podem ser negativas, identificar como uma falta, no jornalismo cubano pode ser sancionado o jornalista que faz apologia reiterada, triunfalismo reiterado, porque produz dano.

Outra manifestação do bloqueio é na Internet. Cuba está rodeada de cabos submarinos, de fibras óticas, todos de empresas norteamericanas, e Cuba não pode conectar-se. Temos que baixar Internet de satélite, e é muito caro. Agora com a colaboração do governo da Venezuela vai se estender um cabo pela Jamaica e Cuba, mais de mil quilômetros. Não só para receber, queremos também transmitir. Conectar a sociedade cubana com a norteamericana.

A VERDADE: Cuba foi expulsa da OEA. Que fará, agora que poderá voltar?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Cuba considera que foi uma boa notícia, uma boa reação. Que não foi obra da caridade norteamericana, mas da nova América Latina que está surgindo e não aceita o passado. Resolveram suspender a sanção à Cuba. Antes se dizia que Cuba estava a serviço da União Soviética, que já não existe. O mais duro foi quando se calaram quando houve a invasão de Playa Girón, quando mataram os professores, quando o bloqueio foi imposto não disseram nada, por ocasião dos atentados de Posada Carriles nada disseram, e está solto, então consideramos que a OEA não nos faz falta. Isso não resolve problemas em nenhuma parte. Se Cuba estivesse lá, seria uma voz a denunciar, uma voz inconveniente. Nós não temos nenhum interesse em voltar à OEA. Agradecemos profundamente, pois se busca reparar uma injustiça. Agora mesm o, poderiam ter feito uma declaração sobre o bloqueio, Posada Carriles saiu do Panamá e está solto apesar de condenado pelos tribunais da Venezuela e que se fez com esse terrorista?

A VERDADE: É mais importante para Cuba a extinção do bloqueio do que a volta à OEA?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Claro, claro, em primeiro lugar nós estamos em todas as organizações do mundo. Nas Nações Unidas, agora nos elegeram para a Comissão de Direitos Humanos, estamos nos não alinhados, estamos no UNESCO, na OMC, em toda parte, e temos relações com 179 países, para demonstrar que nós não estamos isolados. Já temos um espaço no mundo, e também com médicos, com professores, com desportistas. Nós propusemos ao Ocidente entrarmos com os médicos e ele com os recursos necessários para acabar com a SIDA/AIDS na África, e estamos esperando a resposta.

A VERDADE: Os Estados Unidos insistem que Cuba não respeita os direitos humanos. Como analisas o fato de estar na Comissão de Direitos Humanos da ONU e ser acusados de violá-los?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Nós consideramos que direitos humanos são indivisíveis. Não há direitos civis e direitos pela vida, são uma coisa só, e querem aplicar a Cuba os menos importantes. E nós não consideramos que sejam direitos humanos. O fato de não haver partidos não quer dizer que não haja direitos humanos. O tipo de democracia que quando surgiu não havia partidos. Em Cuba não há liberdade para organizar um partido. (...) O q há nos Estados Unidos é uma falsidade. Na União Européia agora mesmo, houve 45% de abstenção. E isso não resulta nada em sua vida. Os programas eleitorais quase todos iguais, ou muito parecidos, e o que vota é o dinheiro Em Cuba não vota o dinheiro, mas as pessoas. Liberdade de expressão, é impossível crer que alguém possa limitar a expressão. Há limites para a liberdade de expressão. Por exemplo, a apologia do fascismo, do racismo. Misturam liberdade de expressão com liberdade de imprensa, que não é mais do que liberdade para os negócios. Em Cuba todos os setores sociais tem órgãos de imprensa, tem meios de imprensa, rádios, tem até televisor, as organizações tem jornais, os periódicos mais importantes de Cuba não são do estado. Em Cuba o estado é o que menos meios tem e nem mesmo há um ministério de informação. Há rádio e televisão nacionais, mas a televisão local é a sociedade que organiza, é o município, a província quem organiza o conteúdo que se publica. Em Cuba não se publica nada contra o povo cubano. As vezes se escandalizam com os cem mil que se vão, mas nada se diz quanto aos que ficam, e são dez milhões e novecentos mil. A que país se abrem as portas, com trabalho garantido, dos Estados Unidos sem que todo mundo vá para lá? Os mexicanos tem um muro a separá-los dos Estados Unidos.

A VERDADE: Como o povo cubano reage ante a ação dos cubanos de Miami?

TUAL PÁEZ HERNÁNDEZ: A televisão, a rádio, são parte de um sistema do governo federal, sobretudo rádio e TV Martí. Nós não temos nenhum inconveniente em que o povo cubano escute e veja a rádio e TV Martí, mas não queremos que isso lhe seja imposto. Nós nos defendemos e fazemos interferência. Nós exigimos da televisão cubana a cada ano, que apresente seiscentos filmes norteamericanos, no canal aberto. Pela televisão aberta para a população. Porque queremos e não porque nos seja imposto. A televisão Martí interfere na nossa programação. Tem uma má programação. É uma programação do que se passa na província, do que se passa no país. É uma indústria que vive disso, lhe interessa ganhar dinheiro. A rádio e a TV Martí ganham 34 milhões de dólares todos os anos, e as outras, ganham 79 milhões de dólares para a subversão, usando a terminologia da Guerra Fria. Usam informações do governo, jornalistas independentes, especialistas, assessores.

A VERDADE: Os Repórteres Sem Fronteira atuam em Cuba?

TUBAL PÁEZ HERNÁNDEZ: O dinheiro dos Estados Unidos, se segue sua pista, e logo se descobre onde vai. Está provado q Repórteres Sem Fronteira recebe dinheiro da NET, uma organização federal dos Estados Unidos, e está a serviço da política e dos donos. Nós denunciamos, mas é uma organização fantasma, q tem um escritório em Paris.

A VERDADE: Cuba é um país pequeno, que recebe solidariedade de organizações de muitos países. Como Cuba vê isso?

TUAL PÁEZ HERNÁNDEZ: Considero que a solidariedade é um sentimento de amor. Se não fosse a solidariedade Cuba não existiria. Cuba é fruto de duas coisas- a decisão dos cubanos e da solidariedade.A solidariedade é obra de pessoas boas, e elas existem em todas as partes, e para nós é um estímulo, um alimento. Nós lutamos não só pelos onze milhões de cubanos, mas também pelos milhões no mundo que tem esperança. Agora, a solidariedade terá durante muito tempo que enfrentar a máquina de propaganda. Também há movimento de solidariedade com os palestinos. É uma razão a mais para lutarmos até a morte pelos amigos que caíram. Por exemplo, na Guatemala, onde foram treinados os mercenários que invadiram Cuba, assassin aram a nove guatemaltecos na rua. O tema dos 5 presos nos Estados Unidos, já penetrou nos parlamentos. A solidariedade é importante para combater a mentira.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Soledad, como um poema - O livro “Soledad no Recife”

05/08/2009

A filha de Soledad com o autor, no lançamento do livro em São Paulo

Soledad, como um poema

“Agora, quase 37 anos depois desse episódio, um escritor pernambucano, Urariano Mota, lança um romance sobre o caso, tendo como personagens centrais o narrador – que o escritor garante ser ficcional embora, como leitor, é difícil acreditar dado o texto poético, apaixonado, platonicamente apaixonado – e Soledad Barrett Viedma, a Sol, bela paraguaia de 28 anos, uma mulher sublime, militante da VPR, que, não se sabe como, tornou-se mulher do homem insensível e traidor que se tornou seu algoz.

Soledad no Recife é um livro de ficção, mas – acredito – só no modo de contar, no texto que parece um poema em que o autor se esqueceu de quebrar em versos. É um romance de valor histórico muito importante nestes tempos em que se tenta recuperar a história recente de um período que os adeptos da ditadura, da tortura, das mortes de opositores, tentam fazer que seja apagado da memória do Brasil e dos brasileiros.”

(Mouzar Benedito, no Observatório da Imprensa, que reproduz texto do seu blog Via Política, http://www.viapolitica.com.br/principal.php)i



Escrito por urariano às 12h27
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21/07/2009

Autógrafos

Quarta-feira, 29 de julho às 18h30

Livro: SOLEDAD NO RECIFE


Autor: Urariano Mota

Editora: Boitempo

Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Loja 151 - Artes - São Paulo/SP

Sobre o título:


Nesta quarta-feira, a Livraria Cultura receberá Urariano Mota para uma sessão de autógrafos do livro 'Soledad no Recife'. Com um texto poético que percorre as veredas dos testemunhos e das confissões, o escritor Urariano Mota revive neste romance a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e a traição que culminou em sua tortura e assassinato pela ditadura militar. Delatada pelo próprio companheiro Daniel, conhecido depois como Cabo Anselmo, Soledad morre com um grupo de militantes socialistas, na capital pernambucana, pelas mãos da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. O episódio, conhecido como 'O massacre da chácara São Bento', revelou-se um extermínio calculado, bem diferente do confronto armado que a mídia, censurada, divulgou. Com caderno fotográfico, o livro traz ainda outras homenagens à Soledad, como o poema de Mario Benedetti, 'Muerte de Soledad Barret'.



Escrito por urariano às 15h00
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30/06/2009

Soledad no Recife em julho

Publicado no site Vi o Mundo, http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/soledad-no-recife-em-julho/

Edição, entrevista e texto: Conceição Lemes

Eu a “conheci” ao ler uma coluna do jornalista e escritor pernambucano Urariano Mota, em Direto da Redação. Fascinou-me na hora. Uma jovem idealista, corajosa, doce e linda, muito linda.Foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida, depois de ser entregue ao delegado Sílvio Paranhos Fleury, traída pelo cabo Anselmo , de quem trazia um filho na barriga. O texto era tão terno, carinhoso, delicado. Confesso que me passou pela cabeça os dois terem sido namorados.

Emocionou-me tanto a história, que, imediatamente, quis saber mais de Soledad. Daí nasceu esta conversa com Urariano, que lança, em julho, o livro “Soledad no Recife” pela editora Boitempo. Ele é autor do romance “Os Corações Futuristas”, cuja paisagem é a ditadura Médici.

Viomundo -- Por que Soledad? Na sua coluna, você diz que só agora teve condições de mergulhar nas entranhas daquele momento. Por quê?

Urariano Mota -- Há temas que nos perseguem, embora nem sempre a gente perceba. No meu primeiro livro, o romance “Os corações futuristas”, houve Cíntia, uma brava socialista. Já no destino trágico de Cíntia havia um destino de Soledad. A "diferença" é que Cíntia se apoiava em outra pessoa, em outra militante. Enquanto Soledad, pelo menos quero crer e me empenhei muito por isso, Soledad é a pessoa. É a própria pessoa, pelo menos desejo ter realizado isso.

Por que só agora, 36 anos depois? De um ponto de vista pessoal, estou mais apto e cônscio de minhas fronteiras. De um ponto de vista mais geral, digamos, objetivo, o crime contra Soledad é o caso mais eloqüente da guerra suja da ditadura no Brasil. A traição que ela sofreu expressa, com vigor, a traição contra jovens do sentimento mais generoso, que é o sentimento de humanidade, do mundo.

Viomundo -- Era tua amiga? Como ela era?

Urariano Mota -- Eu sou fundamentalmente um escritor. Isso quer dizer, expresso minha experiência vivida, sempre. Ou em fatos biográficos, testemunhados e sofridos, ou em fatos imaginados, recompostos, ressurgidos, que são também, para a literatura, para o artista, fatos testemunhados e sofridos. Soledad não era, ela é minha amiga. Mas não trocamos palavras em sua curta vida. Este livro diz a ela, fala as palavras que não podemos trocar, no Recife da ditadura Médici.

Mais de uma pessoa, para não dizer quase todas as pessoas, pensam que Soledad foi minha namorada, que eu a conheci pessoalmente. Isso vem da narração e da forma apaixonada do relato. Essa impressão surge, veio e vem do livro. Mais de um leitor já recebeu essa impressão. Isso se deve à mistura, em um só corpo, de pessoas e fatos absolutamente reais, documentados, sabidos, ao sentimento que tenho daqueles dias. O documento vivido pela segunda vez. Então, é claro, o elemento "ficcional" virou factual. Como ela era, como ela é, o livro dirá.

Viomundo -- É citado o massacre da chácara São Bento. Que lembrança isso traz?

Urariano Mota -- As notícias, publicadas em todo o Brasil em janeiro de 1973, dos seis "terroristas” mortos no aparelho da São Bento, são absolutamente falsas. As "notícias" de terroristas mortos, naquele tempo, eram reproduzidas com a mesma redação e teor em toda a imprensa brasileira. Vinham da agência de segurança nacional. Jamais houve o “massacre da chácara São Bento”. Houve a execução fria, planejada, de seis bravos militantes. A chácara foi o teatrinho criado para a execução de seis bravos.

Soledad Barret Viedma e Pauline Reichstul – há testemunho público disso - foram assaltadas em uma butique no Recife, de surpresa espancadas sob pistolas e seqüestradas. Em uma mangueira, por trás da butique, a proprietária notou depois sangue, vômito e urina. Isso de modo público, à vista de todos. Jarbas Pereira Marques, outro militante, que aparece entre os terroristas da chácara, foi retirado da livraria onde trabalhava, à luz do dia.
Digo isso no livro, e repito aqui: em uma ditadura, até as datas dos jornais são falsas.

Viomundo -- Soledad foi traída pelo cabo Anselmo, que a delatou ao delegado Fleury. Você conheceu o cabo Anselmo? O que sente por ele?


Urariano Mota -- Eu estudo o seu caráter há muitos e muitos anos. Ele é objeto de minha permanente observação e pesquisa. No entanto, jamais vi na rua o cabo Anselmo. Eu o conheço por seus cadáveres, que ele arrasta como uma cauda. Fui, sou amigo de quem ele perseguiu, traiu e matou.

Ninguém podia imaginar que ele fosse uma infiltração. Anselmo pertence à família dos agentes duplos, dos instrumentos de política que se chamam espiões. Isso quer dizer: ele é um mundo de mentiras. Ele era e é um sistema em que mentiras armam mentiras, que constroem mentiras, sempre. Isso quer dizer, enfim, que tudo quanto esse instrumento dizia e disser, falar, deve ser posto sob absoluta desconfiança, porque ele mente por sistema, por hábito, por defesa, por ataque e natureza. Não se pode acreditar em uma só das suas palavras. Quando ele diz eu amo, eu respeito, o bom senso deve traduzir de imediato, ele odeia e despreza.

Sou de opinião que não importa o seu último nome. Porque ele não tem outro nome nem outra face. Jonas, Daniel, José, com barba, sem barba, magro, gordo, com novos olhos, novas orelhas, novo nariz, nova boca, não importa. Ele será sempre, para onde for, cabo Anselmo, aquele que gerou a morte da sua companheira, que trazia um filho no ventre.

Viomundo -- Soledad morreu jovem, linda. Se ela vivesse no Brasil de hoje, o que estaria fazendo Soledad, em quem votaria, o que a preocuparia?

Urariano Mota -- É a pergunta mais difícil. Mas sei, ou posso ter a esperança de que ela estaria no movimento socialista, com um apoio crítico ao governo Lula. Continuaria linda, pelo fogo que tomava o seu corpo e sua vida, que não se apaga, não arrefece, apenas fica mais maturado. Como um vinho decantado que embriaga melhor.

Para ela, viva neste 2009, digo o que escrevi no livro:

Soledad não é só a mulher bonita, de um ponto de vista físico, cuja fotografia revela apenas uma estação do seu ser. Uma estação imóvel do seu peito dinâmico, e de tal modo que dará ao fotógrafo o que se diz de um mau desenhista, “isto não se parece com ela, não saiu parecido”. E se pedirá então ao fotógrafo o absurdo, a saber, que a máquina, a mecânica, reproduza um ser, a textura, cor e delicadeza da orquídea, da pessoa mesma. Como se fosse possível da flor um close que a isolasse do ar que ela respira, do campo em torno, do cheiro que exala, em resumo, como se fosse possível reproduzir o complexo, a conspiração de sentidos que se dirigem para um único fim, a pessoa, o ser vivo, poderoso em nos despertar amor, afeição, paixão, tar a e paz, que buscamos como a uma miragem. Ainda assim, se sabemos que na flor há um ser inalcançado na fotografia, se comparamos, se transpomos mal, imagine-se então Soledad no lugar dessa flor do campo. Imaginamos mal e mau, já vêem. Flor não se rebela nem canta. Flor nos desperta canção e rebeldia, quando machucada. Mas a pessoa de Soledad, ainda que lembre essa flor - e é irrecusável não lhe ver a pele como o tecido de uma pétala -, e assim a lembraremos pelo vento forte e traiçoeiro que se prepara para a muchucar e destruir, ainda assim, como a superar tal associação, ainda que nos persiga como só uma idéia é capaz de perseguir, hoje, neste dia do seu aniversário, ela está mais bela que antes.

¡Arriba, Sol!


Como aperitivo, encante-se com mais estes dois momentos de"Soledad no Recife"

Primeira vez em que Urariano fala de Soledad no livro

Eu a vi primeiro numa noite de sexta-feira de carnaval. Fossem outras circunstâncias, diria que a visão de Soledad, naquela sexta-feira de 1972, dava na gente a vontade de cantar. Mas eu a vi, como se fosse a primeira vez, quando saíamos do Coliseu, o cinema de arte daqueles tempos no Recife. Vi-a, olhei-a e voltei a olhá-la por impulso, porque a sua pessoa assim exigia, mas logo depois tornei a mim mesmo, tonto que eu estava ainda com as imagens do filme. Num lago que já não estava tranquilo, perturbado a sua visão me deixou. Assim como muitos anos depois, quando saí de uma exposição de gravuras de Goya, quando saí daqueles desenhos, daquele homem metade tronco de árvore, metade gente, eu me encontrava com dificuldade de voltar ao cotidiano, ao mundo normal, “alienado”, como dizíamos então. Saíamos do cinema eu e Ivan, ao fim do mal digerido O anjo exterminador. Imagens estranhas e invasoras assaltavam a gente.

A vontade que dava de cantar retornou adiante, naquela mesma noite. No Bar de Aroeira, no pátio de São Pedro, naquela sexta-feira gorda. Como são pequenas as cidades para os que têm convicções semelhantes! Estávamos eu e Ivan sentados em bancos rústicos de madeira, na segunda batida de limão, quando irromperam Júlio, ela e um terceiro, que eu não conhecia. Ela veio, Júlio veio, o terceiro veio, mas foi como se ela se distanciasse à frente – diria mesmo, como se existisse só ela, e de tal modo que eu baixei os olhos. “Como é bela”, eu me disse, quando na verdade eu traduzi para beleza o que era graça, graça e terna feminilidade.


A morte de Soledad

Chegamos agora mais perto de Soledad Barret Viedma. Excluo-me, na medida do possível, da qualidade daquele que a amou em silêncio.

Há quem considere que a morte de Soledad, nas circunstâncias que conhecemos mais tarde, deu-se em razão de sua ternura. Isso é mais que um namoro, um interlúdio, para dizer que ela esculpiu a própria sorte, porque, diabo, era terna e verdadeira. Com a evidência de um escândalo. Prenhe de ternura até as raias do suicídio. Esse elogio torto, digno da reencarnação e pele de um Anselmo 2, é como um açúcar no sal de sua execução. Um doce, um mel, a lhe correr sobre os lábios entre coices, descargas elétricas e afogamentos. Conviria melhor ser dito que ela, por suas qualidades raras de pessoa, estava condenada.



Escrito por urariano às 08h51
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21/06/2009

SOLEDAD NO RECIFE


Andrés Colmán Gutiérerz *

Este artigo foi publicado no suplemento cultural Correo Semanal, do jornal Última Hora, do Paraguai, no sábado 20 de junho de 2009. Para quem puder acessá-lo em PDF, verá uma foto inédita de Soledad Barret Viedma, que revoluciona até os peitos de pedra.


El regreso de Soledad Barrett


Andrés Colmán Gutiérerz *





Era tan dulce y hermosa que hubiera llegado a ser "Miss Paraguay, carátula, almanaque", dice el poeta Mario Benedetti. Pero la sangre de su abuelo, el gran periodista, escritor y luchador anarquista Rafael Barrett, la tironeaba desde las raíces, conduciéndola a un destino de entrega a la lucha social y política, que forjó su corta, heroica y trágica historia.

Poco se sabe de Soledad Barrett Viedma, nacida el 6 de enero de 1945, hija de Alejandro Rafael Barrett López, único hijo del recordado autor de El dolor paraguayo. En Sâo Paulo hay una escuela y en Río de Janeiro una calle que llevan su nombre, pero en el Paraguay su historia es aún desconocida, apenas fragmentos filtrados a través del clásico poema de Benedetti y la canción de su compatriota uruguayo Daniel Viglietti.

Ahora, Soledad Barrett es rescatada por el novelista brasileño Urariano Mota, quien la conoció personalmente en su Recife natal, y vivió de cerca su trágico fin, cuando, luego de haber militado en organizaciones de la izquierda uruguaya, llegó hasta el Nordeste del Brasil, en 1971, para unirse a filas de la Vanguardia Popular Revolucionaria (VPR), la legendaria guerrilla brasileña, liderada por el capitán Carlos Lamarca, en la lucha por derrocar a la dictadura militar del vecino país.

Soledad en Recife es el título del libro que publicará la Editorial Boitempo, en julio. Se trata de una novela de no-ficción o reportaje novelado, que recrea la valiente entrega de la joven paraguaya a la lucha revolucionaria, y cómo acabó entregada a los represores por su propio amante, el supuesto guerrillero Daniel, quien en realidad era "el cabo Anselmo", un doble agente de la dictadura.

Urariano Mota, nacido en Recife y residente en Olinda, es autor de la consagrada novela Os coraçôes futuristas, que retrata los sombríos años de la dictadura Médici en el Nordeste brasileño, en los años 70.

"Soledad Barrett marcó profundamente mi juventud, cuando la vi en mi ciudad, en 1973. Después de su muerte, tomé conocimiento de tres grandes crímenes: a) su propia y vil ejecución; b) la traición del cabo Anselmo, su propio esposo; c) la muerte de un amigo mío entre los seis ?terroristas' que fueron exterminados con ella", relata el escritor al Correo Semanal.

"Yo tengo por Soledad Barrett amor y admiración, como el libro lo narra en voz más alta que esta declaración", afirma Urariano Mota, acerca de su nueva obra.

"Esta admiración se extiende a su abuelo, el gran Rafael Barrett, escritor olvidado fuera del Paraguay. Así como lo menciono en el libro, Rafael Barrett transmitió a Soledad no solamente la sangre, la herencia de caracteres, sino que él fue su inspiración y su influencia hasta la trágica muerte", declara el novelista.

Eran años de dictadura y terror. También de lucha revolucionaria y amor. Soledad tenía 25 años de edad cuando perdió a su esposo, el brasileño José María Ferreira de Araújo, capturado y asesinado por los militares, en 1970.

En el fragor de la lucha se reencontró con Daniel, antiguo compañero de José María, a quien había conocido en Cuba. Era un militar que lideró la "revuelta de los marineros", en 1964, contra el Gobierno de João Goulart, y se había convertido en héroe para los guerrilleros. Pero la dictadura lo había captado como agente y tenía la misión de delatar a sus compañeros.

Soledad halló en él a un nuevo compañero, sin desconfiar que lo iba a traicionar. La paraguaya estaba embarazada de 5 meses, cuando el padre de su bebé la entregó a los militares, junto con otros cinco miembros de la VPR, el 8 de enero de 1973. Fueron secuestrados y salvajemente torturados hasta la muerte, en una granja de las afueras de Recife, en el caso conocido como "A masacre da chácara de São Bento".

A pocos días de haber cumplido 28 años de edad, la revolucionaria nieta del gran Rafael Barrett acabó su vida de manera violenta, para ser recordada por los versos de Mario Benedetti: "Soledad, no moriste en soledad, por eso tu muerte no se llora, simplemente la izamos en el aire...".

Treinta y seis años después, la guerrillera paraguaya Soledad Barrett vuelve a vivir, gracias a la pluma de un apasionado escritor brasileño.

El escritor brasileño Urariano Mota publica en julio su libro Soledad en Recife, que rescata la heroica y trágica historia de la luchadora y guerrillera paraguaya, nieta del gran Rafael Barrett.


* Periodista, escritor, guionista. Publicó las novelas "El último vuelo del pájaro campana" (1995, Premio de Narrativa El Lector, reeditada en 2007), "El país en una plaza" (2004), el album de cómic "Mediodía en la tierra de nadie (El asesinato del periodista Santiago Leguizamón)" (2006) y el libro de cuentos "El Principito en la Plaza Uruguaya". Recibió el Premio Vladimir Herzog (Brasil, 1985) y el Premio Nacional de Periodismo Santiago Leguizamón (Paraguay, 2000). Es periodista del diario Ultima Hora. Director de Libertad de Expresión del Foro de Periodistas Paraguayos (Fopep).






Escrito por urariano às 14h24
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04/06/2009

A hora de Soledad Barret Viedma

Urariano Mota

Amigos, aquilo que há muitos e muitos anos eu sentia por todos os poros e sentidos, aquilo que meu faro pressentia, que a hora de Soledad Barret Viedma se acercava, agora chegou. Em julho, a Boitempo Editorial publica o meu, o nosso livro, “Soledad no Recife”.

Para quem não sabe, Soledad Barret Viedma foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida e traída, depois de entregue a Fleury pela marido, o Cabo Anselmo.

Um dos leitores de Soledad no Recife assim se expressou:

“O livro alcança e fere vários tipos de leitores, desde os que já conhecem a história do ‘massacre da chácara São Bento’ até os que a desconheçam totalmente.

É um relato candente, comovido e comovente, construído desde um ponto de vista original, qual seja, o de uma voz narrativa pertencente a quem tenha conhecido os dois protagonistas históricos da trama, Daniel, aliás, Cabo Anselmo (ou será o contrário?), e Soledad, a jovem idealista assassinada, com os demais companheiros. O relato recupera um clima de época através das letras de música com muita habilidade.

É um relato testemunhal, no sentido bíblico da palavra, e ao mesmo tempo confessional. É testemunhal porque visa dar testemunho, contar uma verdade, trazer à luz fato que revela e elucida”.

Portanto, amigos, não foi em vão esperar tanto tempo.

“Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel, serrana bela;

Mas não servia ao pai, servia a ela,

E a ela só por prêmio pretendia....

... Dizendo: - Mais servira, se não fora

Para tão longo amor tão curta a vida”.

A bela e brava Soledad Barret Viedma volta à vida em julho. Em todas as livrarias.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
  • Hegemonias e Emancipações no século XXI - Emir Sader Ana Esther Ceceña Jaime Caycedo Jaime Estay Berenice Ramírez Armando Bartra Raúl Ornelas José María Gómez Edgardo Lande
  • HISTÓRIA COMO HISTÓRIA DA LIBERDADE - Benedetto Croce
  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira