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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

BRASILEIROS EM HONDURAS


Comunicado 1


Chegamos hoje à noite a Tegucigalpa, capital de Honduras, formando uma delegação de brasileiros, organizada pela Casa da América Latina, para expressar a solidariedade de organizações políticas e sociais de nosso país que realizam amanhã (11 de agosto) manifestações de repúdio ao golpe de Estado perpetrado pelas oligarquias e o imperialismo neste país, com a destituição do Presidente eleito, Manuel Zelaya, nos marcos de uma jornada mundial de apoio ao povo hondurenho.

Ainda no trajeto, passando por El Salvador, mantivemos contato com dirigentes da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), que hoje governa aquele país, onde conversamos com os companheiros Nídia Diaz e Elias Romero, deputados do Parlamento Centro Americano, que também manifestaram sua preocupação com a situação política de Honduras e suas conseqüências para a integração latino-americana.

Chegando ao aeroporto da capital, Tegucigalpa, fomos recebidos por uma representação da Embaixada brasileira no país. Em seguida, encontramo-nos com uma delegação da Via Campesina, em nome da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado.

Já formalizamos nossa entrada no país e já estamos devidamente alojados.

Amanhã, vamos acompanhar as manifestações programadas pela resistência, que incluem uma greve geral e uma grande concentração na capital, para onde convergem desde sexta-feira hondurenhos vindos de todos os cantos do país. Juntamente com delegações de outros países, que também estão aqui para dar apoio e respaldo político às mobilizações, procuraremos contribuir, modestamente, para denunciar toda e qualquer tentativa dos golpistas de impedir a livre manifestação do povo hondurenho.

Reafirmamos nosso compromisso em dar continuidade à luta contra uma nova escalada golpista em nosso continente, e para que se reforce a unidade dos povos da América Latina na luta antiimperialista e por um mundo justo, livre e fraterno.

Tegucigalpa, 10 de agosto de 2009

Amauri Soares

Deputado Estadual (SC)

Ivan Pinheiro

Secretário Geral do PCB

Marcelo Buzetto

Dirigente Nacional do MST

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Vários Artigos sobre Honduras

Honduras contra a história

"Na América Latina, o papel da Igreja católica quase sempre foi o papel dos fariseus e dos mestres da lei que condenaram Jesus na defesa das classes dominantes. [...] Agora, no século XXI, o método e os discursos se repetem em Honduras como uma chibatada do passado."


Essa é a opinião do escritor uruguaio e professor da Lincoln University, Jorge Majfud, em artigo para o jornal argentino Página/12, 15-07-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


A Bíblia refere que, certa vez, os mestres da lei levaram uma mulher adúltera diante de Jesus. Pretendiam apedrejá-la até a morte, segundo a lei de Deus os obrigava, que então dizem que era também a lei dos homens. Mestres e fariseus quiseram provar Jesus, do que se induz que este já era conhecido pela sua falta de ortodoxia com relação às leis mais antigas. Jesus sugeriu que quem estivesse livre de pecado atirasse a primeira pedra. Assim, ninguém pôde executar a lei escrita.


Dessa forma e de muitas outras, a própria Bíblia foi mudando a si mesma, apesar de ser uma soma de livros inspirados por Deus. As religiões sempre se orgulharam de ser grandes forças conservadoras, que, enfrentadas pelos reformistas, se converteram em grandes forças reacionárias. O paradoxo está radicado em que toda religião, toda seita foi fundada por algum subversivo, por algum rebelde ou revolucionário. Por algo pululam os mártires, perseguidos, torturados e assassinados pelos poderes políticos do momento.


Os homens que perseguiam a adúltera se retiraram, reconhecendo com os fatos os seus próprios pecados. Mas ao longo da história o resultado foi diferente. Os homens que oprimem, matam e assassinam os supostos pecadores sempre o fazem justificados em alguma lei, em algum direito e em nome da moral. Essa regra, mais universal, foi a aplicada no próprio julgamento de Jesus. Em sua época, ele não foi o único rebelde que lutou contra o Império Romano. Não por casualidade ele foi crucificado junto com outros dois réus. Por associação, quis-se significar que um réu a mais estava sendo julgado. Nem sequer um dissidente religioso. Nem sequer um dissidente político. Invocando outras leis, tirou-se do meio o subversivo, que colocava em questão a "pax romana" e o colaboracionismo da aristocracia e das hierarquias religiosas de seu próprio povo. Tudo foi realizado segundo as leis. Mas a história reconhece-os hoje pelos seus métodos.


O governo de George Bush nos deu assunto de sobra e em grande escala. Todas as guerras e as violações às leis nacionais e internacionais foram acometidas em defesa da lei e do direito. Por seus interesses sectários, ele será julgado pela história. Por seus métodos seus interesses serão conhecidos.


Na América Latina, o papel da Igreja católica quase sempre foi o papel dos fariseus e dos mestres da lei que condenaram Jesus na defesa das classes dominantes. Não houve ditadura militar, de origem oligárquica, que não recebesse a benção de bispos e de sacerdotes influentes, legitimando assim a censura, a opressão e o assassinato em massa dos supostos pecadores.


Agora, no século XXI, o método e os discursos se repetem em Honduras como uma chibatada do passado.


Por seus métodos os conhecemos. O discurso patriota, a complacência de uma classe alta educada na dominação dos pobres sem educação acadêmica. Uma classe dona dos métodos de educação popular, como são os principais meios de comunicação. A censura, o uso do exército em ação de seus plano, a repressão das manifestações populares, a expulsão de jornalistas, a expulsão pela força de um governo eleito por votação democrática, seu posterior requerimento diante da Interpol, sua ameaça à prisão dos dissidentes se regressassem e sua posterior negação pela força ao fato de que regressem.


Para ver melhor esse fenômeno reacionário, vamos dividir a história humana em quatro grandes períodos:


1) O poder coletivo da tribo concentrado em um membro forte de uma família, em geral um homem.


2) Um período de expansão agrícola unificado por um totem (algo assim como um sobrenome vencedor) e depois um faraó ou imperador. Nesse momento, surgem as guerras e se consolidam os exércitos mais primitivos, não tanto para a defesa, mas sim para a conquista de novos territórios produtivos e para a administração estatal da sobreprodução de seu próprio povo e a opressão de seus povos escravos. Essa etapa continua com suas variações até os reis absolutistas da Europa, passando pela era feudal. Em todos, a religião é um elemento central de coesão e também de coação.


3) Na era moderna, temos um renascimento e uma radicalização da experiência grega de democracia representativa. Só que, neste momento, o pensamento humanista inclui a ideia de universalidade, de igualdade implícita de todo ser humano, a ideia da história como um processo de aperfeiçoamento e não de inevitável corrupção e o conceito de moral como um produto humano e relativo a um determinado tempo.


E, talvez, a ideia mais importante, já desde o filósofo árabe Averróis: o poder político não como a pura vontade de Deus, mas sim como o resultado dos interesses sociais, de classes etc. O liberalismo e o marxismo são duas radicalizações (opostas em seus meios) dessa mesma corrente de pensamento, que também inclui a teoria da evolução de Charles Darwin. Esse período de democracia representativa foi a forma mais prática de reunir as vozes de milhões de homens e mulheres em uma só casa, o Congresso ou Parlamento.


Se o humanismo é anterior às técnicas de popularização da cultura, ele também é potencializado por estas. A imprensa, os livros de bolso, os jornais de baixo preço no século XIX, a necessária alfabetização dos futuros operários foram passos decisivos para a democratização. No entanto, ao mesmo tempo, as forças reacionárias, as forças dominantes do período anterior rapidamente conquistaram esses meios. Assim, se já não era possível demorar mais a chegada da democracia representativa, era possível sim dominar seus instrumentos. Os sermões medievais nas igrejas, funcionais em grande parte aos príncipes e duques, se reformularam nos meios de informação e nos meios da nova cultura popular, como o rádio, o cinema e a televisão.


4) No entanto, a onda democrática seguiu seu caminho, com frequência regado a sangue pelos sucessivos golpes reacionários. No século XXI, a onda do humanismo renascentista continua. E com ela continuam os instrumentos para torná-la possível. Como a Internet, por exemplo. Mas também as forças contrárias, as reações dos poderes constituídos pelas etapas anteriores. E, na luta, vão aprendendo a usar e a dominar os novos instrumentos. Quando a democracia representativa não acaba de amadurecer, já surgem as ideias e os instrumentos para passar para uma etapa de democracia direta, participativa, radical.


Em alguns países, como hoje em Honduras, a reação não é contra essa última etapa, mas sim contra a anterior. Uma espécie de reação tardia. Mesmo que, na aparência, implique em uma escala menor, tem uma transcendência latino-americana e universal. Primeiro porque significa uma chamada de atenção diante da recente complacência democrática do continente. E, segundo, porque estimula o "modus operandi" daqueles reacionários que navegaram sempre contra as correntes da história.


Antes, anotamos as provas de por que o presidente deposto em Honduras não violou nenhuma lei, nenhuma Constituição. Agora, podemos ver que a sua proposta de uma enquete popular era um método de transição entre uma democracia representativa para uma democracia direta. Aqueles que interromperam esse processo colocaram marcha ré para a etapa anterior.


A quarta etapa era intolerável para uma mentalidade bananeira que se reconhece por seus métodos.
A disjuntiva latinoamericana
A América Latina se debate entre aprofundar as transformações progresistas, iniciadas por governos de corte anti-neoliberal, ou o regresso das mesmas políticas por governos de direita. Os últimos acontecimentos apontam para esse embate. A análise é do analista político Emir Sader em artigo no Página/12, 15-07-2009. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Uma reviravolta espetacular caracteriza a América Latina nesta década, transformou-se de território privilegiado de políticas neoliberais no elo mais fraco da cadeia neoliberal. Governos que de diferentes formas enfrentam os modelos neoliberais têm proliferado, chegando a dez. A pesar da revista britânica The Economist anunciar que com a crise esses governos não proliferariam mais – porque a crise imporia uma agenda de direita, centrada no ajuste fiscal e no combate à violencia –, desde então triunfou o governo de Mauricio Funes da Frente Farabundo Martí em El Salvador.

Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, a direita tem tentado, de diferentes maneiras, recobrar a sua força, derrubar esses governos e recuperar a apropriação do Estado em suas mãos. O golpe de 2002 na Venezuela, a tentativa de “impeachment” de Lula em 2005, as sucessivas ofensivas dos grandes agricultores na Argentina, o separatismo na Bolívia. Atualmente, o golpe em Honduras, a derrota eleitoral do governo na Argentina e a escolha de Pepe Mujica como candidato da Frente Ampla no Uruguai, são outras tantas das últimas escaramuças entre as duas forças que ocupam o campo político na América Latina ao longo dessa década.

A América Latina se debate entre aprofundar as transformações progressistas operadas por esses governos ou a restauração da direita. Onde debilitam-se esses governos não ganha nenhum setor de esquerda, mas sim, fortalece-se a direita. As primeiras correntes que fracassaram na luta anti-neoliberal foram as provenientes da chamada ultra-esquerda – sejam grupos políticos de corte doutrinário ou organizações sociais que não conseguiram romper com a visão corporativa da “autonomía dos movimentos sociais”. O campo político polarizou-se então entres esses governos – mais moderados ou mais radicais – e a direita.

A possível eleição de Mujica como candidato da Frente Ampla representa claramente a perspectiva de aprofundamento das transformações anti-neoliberais. Sua condição como favorito nas pesquisas aponta para essa direção. Ao contrario, a derrota do governo argentino representa a tentativa de freiá-las e de retomada da direita. O golpe em Honduras, dependendo do seu desenlace, pode terminar com um governo que dava passos na direção anti-neoliberal, ou permitir que o retorno de Zelaya retome com mais força essa dinámica.

O mesmo se pode dizer do Brasil: as eleições presidenciais de 2010 podem fazer que o governo de Lula seja um longo parêntesis à dominação da direita ou com a vitória de Dilma Rousseff, o aprofundamento das transformações. Dilma Rousseff cresce rápidamente nas pesquisas apoiada em 80% de respaldo popular do governo de Lula.

Tudo aponta para uma grande vitória de Evo Morales e do MAS nas eleições de dezembro desse ano, garantindo a continuidade e o aprofundamento do proceso de fundação do novo Estado boliviano. Os efeitos da crise sobre os países do continente reduzem as margens das políticas de conciliação das classes desenvolvidas por governos como os da Argentina, Brasil, Uruguai, entre outros, obrigando-os a definições entre continuar com as concessões ao grande empresariado – em particular ao capital financiero – ou a intensificação das políticas sociais como eixo obrigatório de um governo anti-neoliberal.

Há visões que nunca consideraram esses governos como distintos dos seus antecessores neoliberais. Para esses – que combinam catastrofismo e derrotismo – não aconteceria nenhuma mudança significativa, uma direita substituiría outra. As visões que se limitam ao plano da crítica estão à margem dos procesos reais de enfrentamento ao neoliberalismo no continente. O futuro da América latina se decide entre o aprofundamento das transformações apenas em seu começo, ou processos de restauração conservadora, em que serão derrotados no campo popular e as esquerdas em sua totalidade.

O futuro continua em aberto, uma disputa hegemônica frente ao esgotamento do neoliberalismo e as alternativas, entre o velho que insiste em sobreviver e o novo que encontra dificuldades para nascer é o que marca o presente latino-americano.
A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

"Distração" dos Estados Unidos permite que a situação golpista em Honduras se cristalize e incentiva setores conservadores em outros países da América Central. A análise é de Immanuel Wallerstein, pesquisador sênior na Universidade Yale, e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-07-2009.

Eis o artigo.


O governo de George W. Bush foi o momento da maior onda de vitórias dos partidos à esquerda do centro na América Latina, em mais de dois séculos. O governo de Barack Obama corre o risco de ser o momento da vingança da direita na região.

O motivo pode ser o mesmo: a combinação entre o declínio do poderio americano e a posição central que os EUA ainda mantêm na política mundial. Os EUA são incapazes de se impor, mas ainda assim são vistos como aliados necessários por quase todo o mundo.

O que aconteceu em Honduras? O país vem sendo há muito tempo um dos mais seguros pilares das oligarquias latino-americanas -uma classe dominante arrogante e insubmissa, com estreitas conexões com os EUA, em um país que abriga uma grande base militar americana. As Forças Armadas do país são cuidadosamente recrutadas de maneira a evitar qualquer contágio por oficiais com simpatias populistas.

Como oriundo da classe dominante, a expectativa era a de que Zelaya continuasse a jogar o jogo como os presidentes hondurenhos sempre jogaram. Mas, em vez disso, sua posição política começou a ganhar tons esquerdistas. Zelaya empreendeu programas internos que, na verdade, faziam alguma coisa pela vasta maioria da população - construção de escolas em regiões rurais remotas, aumento no salário mínimo, criação de clínicas de saúde. Após dois anos, aderiu à Alba, a organização de cooperação internacional fundada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Depois, ele propôs realizar um plebiscito sobre a opinião da população quanto à possível convocação de uma Assembleia Constituinte. A oligarquia berrou que isso era uma tentativa de mudar a Constituição para que Zelaya

pudesse disputar um segundo mandato. Mas, como o plebiscito seria realizado na mesma data em que a eleição de seu sucessor, a alegação era claramente falsa.

Por que, então, o Exército conduziu um golpe de Estado, com apoio da Corte Suprema, do Legislativo e da Igreja Católica? Dois fatores foram decisivos: a opinião desses grupos sobre Zelaya e sua opinião sobre os EUA. Para a oligarquia hondurenha, Zelaya traiu sua classe e por isso merece ser punido, para servir como exemplo.

E quanto aos EUA? Quando o golpe aconteceu, alguns dos mais ruidosos comentaristas de esquerda da blogosfera o definiram como "golpe de Obama". Mas isso ignora a realidade. Nem Zelaya, nem seus partidários nas ruas, nem Chávez e nem Fidel Castro analisam a situação de maneira tão simplista. Todos eles percebem a diferença entre Obama e a direita americana (políticos ou comandantes militares) e expressaram repetidamente uma análise muito mais balanceada.

Parece bastante claro que a última coisa que o governo Obama desejava era um golpe como esse. O golpe, na verdade, foi uma tentativa de forçar Obama a uma atitude. E essa posição foi sem dúvida encorajada por importantes figuras da direita americana, entre as quais Otto Reich, o americano de origem cubana que assessorava Bush sobre a política regional. Foi algo parecido com a tentativa do presidente Mikhail Saakashvili, da Geórgia, de forçar uma ação dos EUA, ao invadir a Ossétia do Sul. Aquela também foi uma ação empreendida com a conivência da direita dos EUA. Mas não funcionou porque os soldados da Rússia impediram.

Obama está vacilando desde o golpe em Honduras. E por enquanto a direita hondurenha e dos EUA está contente por ter conseguido reverter a política americana. Bastam algumas de suas declarações mais absurdas como prova. O chanceler hondurenho apontado após o golpe, Enrique Ortez, afirmou que Obama era "um negrinho que não sabe nada de nada". O embaixador dos EUA protestou contra o insulto, e Ortez terminou transferido a outro posto.

A direita dos EUA é mais polida, mas não menos feroz. O senador republicano Jim DeMint, a deputada de origem cubana Ileana Ros-Lethinen e o advogado conservador Manuel Estrada vêm insistindo em que o golpe era justificado porque, na verdade, não foi um golpe, e sim uma defesa da Constituição hondurenha. E Jennifer Rubin, uma blogueira de direita, publicou um post intitulado "Obama está errado, errado, errado sobre Honduras".

A direita hondurenha está tentando ganhar tempo, até que se encerre o mandato de Zelaya. Caso consigam realizar esse objetivo, terão vencido. E as direitas guatemalteca, salvadorenha e nicaraguense estão assistindo a tudo, ansiosas por promover golpes contra os governos de seus países.

A esquerda chegou ao poder na América Latina devido ao momento econômico propício e à distração dos EUA. Agora, a distração continua, mas o momento econômico é pior. E a esquerda leva a culpa por estar no poder, ainda que na verdade haja pouco que os governos de esquerda possam fazer quanto à economia mundial.

Será que os EUA podem fazer algo mais com relação ao golpe? Bem, é evidente que sim. Primeiro, Obama poderia oficialmente classificar o golpe como golpe. Isso faria com que passasse a valer a lei americana que dispõe que toda a assistência dos EUA a Honduras seja suspensa. Ele poderia retirar o embaixador americano do país.

Poderia dizer que não há nada a negociar, em lugar de insistir em "mediação" entre o governo legítimo e os líderes do golpe.

Por que não faz tudo isso? É simples. Há pelo menos quatro outros itens de grande urgência em sua agenda: a confirmação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte; a confusão no Oriente Médio; sua necessidade de aprovar ainda neste ano seu pacote de saúde; e a pressão pela abertura de um inquérito sobre os atos ilegais do governo Bush. Lamento, mas Honduras ocupa o quinto lugar.

Assim, Obama vacila. E ninguém ficará satisfeito. Zelaya pode ser restituído ao seu posto, mas talvez só daqui a três meses. Tarde demais. Melhor ficar de olho na Guatemala.


Para ler mais:

Mediação, que corre contra o relógio, preocupa países latinos

"Cada dia que passa os golpistas se tornam mais robustos, com prejuízos para o povo de Honduras. É um retrocesso para toda a América Latina", lamentou ontem, o chanceler do Equador, Fander Falconí. "Creio que a comunidade internacional já se pronunciou de modo firme e categórico. Neste momento, pode-se agregar pouco mais."

A reportagem é de Flávia Marreiro e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-07-2009.

A frase ilustra o ânimo dos países da região ao analisar a crise hondurenha, 18 dias após o golpe que tirou Manuel Zelaya do poder, quando se reduz a aposta nas chances de sucesso no diálogo entre governo golpista e deposto, sob a mediação do presidente costa-riquenho, Óscar Arias.

A discussão, então, desloca-se para as eleições gerais de Honduras, marcadas para novembro e mantidas, a princípio, pelos golpistas - se chegarem a acontecer, serão reconhecidas no exterior? - e para o debate sobre o papel de Washington nas negociações.

Vários países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), liderados pela Venezuela, argumentam que os EUA têm como pressionar economicamente o governo golpista mais do que têm feito. Washington cortou parte dos programas de ajuda (US$ 16,5 milhões) e congelou a parceria militar com Tegucigalpa.

Quando o presidente deposto, dois dias atrás, exigiu voltar ao poder após a próxima rodada de negociações na Costa Rica, Washington reagiu pedindo que não fossem criados "prazos artificiais". Em resposta, ouviu pedidos para que os EUA publicamente digam que não reconhecerão eleições hondurenhas, se feitas sob o governo de Roberto Micheletti.

"As mensagens dos atores internacionais não podem ser ambíguas. Quando temos resquícios de ambiguidade, isso fortalece aos golpistas", disse Falconí, questionado sobre a atitude americana.

O Brasil apostou as fichas nas fracassadas gestões da OEA (Organização dos Estados Americanos), lideradas pelo secretário-geral José Miguel Insulza. Além do mais, a entidade já tomou a medida mais dura que poderia adotar: a suspensão de Honduras.

Depois disso, houve poucas manifestações brasileiras, embora, a princípio, declarações anteriores do governo o aproximem das pressões bolivarianas públicas a Washington.

Na semana passada, o chanceler Celso Amorim, disse, em Paris, que "eleições conduzidas por um governo ilegítimo já estão inquinadas de ilegitimidade", deixando claro que o Brasil não apoiaria uma solução semelhante.

Quanto às pressões econômicas, o ministro sublinhou o peso dos EUA e dos organismos multilaterais na questão.

O trecho da resolução da OEA que exorta os países a revisarem suas relações com Honduras, sob os golpistas, foi incluído por exigência do Brasil, segundo o embaixador do país na entidade, Ruy Casaes.

Quanto à possibilidade de convocar uma nova reunião do Grupo do Rio, para uma nova onda de pressão política de Micheletti, o Itamaraty afirmou que o país "não se opõe" a ela.

As consultas sobre a possível reunião estão sendo feitas pela Chancelaria do México, que tem a presidência rotativa do mecanismo diplomático regional que abarca 23 países.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Noticias Managua - O Golpe em Honduras

publicação autorizada

Compas,

estamos aqui, em plena efervescência da luta política, contra o golpe militar em Honduras veja alguns aspecto para irmos tomando em conta:


1. O golpe

Para os centro americanos, tem sido um pavor, pois a eles remonta uma velha historia dos anos 70 e 80 onde, Honduras era a base militar dos americanos para impor suas ditaduras nesta região, então a analise é que a historia possa esta se repetindo mais uma vez, principalmente para o enfrentamento do bloco econômico e popular que se esta conformando em nosso continente e que tem sido já uma ameaça ao império, falo da ALBA.

Honduras hoje tem um exercito formado por mais de 20 mil soldados, e seus generais são estudantes da escola das Américas, escola de golpes e torturas dos Estados Unidos para a America Latina, o embaixador atual de Honduras foi o mesmo que estava no comando da embaixada da Venezuela durante o golpe contra Chávez em 2002, de maneiras que logo as declarações de Obama, não tem muito efeito pratico por fala de defesa da democracia hondurenha e do presidente Zelaya, mais mantém por debaixo uma política intervencionista com o Pentágono e a CIA, inclusive com os seus sócios mais próximo como é o caso de Israel que já declarou reconhecer os golpista de Honduras.

As declarações do golpista de Honduras Micheletti de que não respeita as decisões da OEA, nos indica que ele esta com muito respaldo, inclusive político e econômico do império através de seus agentes, e também nos indica que não se trata de um golpe a Honduras somente se não dar um freio na ALBA e dar um duro recado a região Centro America, os demais países já tem essa analise por aqui inclusive El Salvador que também tem uma linha mais progressista e que poderia fazer parte dessa articulação da ALBA, do outro lado Panamá com seu gerente recém empossado, tem prometido, vender o pais e fazer acordos com EUA com os TLCs e com Colômbia para o combate ao narcotráfico, sempre com a mesma mentira de combate ao terrorismo.


2. Os movimentos:

Aqui na região tem se notado que os movimentos estão mais articulados e todos muitos atentos e solidários com o povo hondurenho e contra o golpe militar, inclusive movimentos que estavam separados por questões políticas agora se unificaram contra o golpe, existem mobilização de todas as partes, aqui na Nicarágua, Sandinistas e Aliança continental, movimento de mulheres, movimento campesinos encabeçado pela Via Campesina na ATC, estão sempre reunidos para traçar planos e estratégias política de fazer ações conjunta contra o golpe.

Já em Honduras a Via Campesina que também encabeça a resistência campesina esta unificada com todos os outros movimentos campesinos, ontem chegou a noticia que já tinha mobilização com mais de 50 mil pessoas e isso, já é considerado muito bom, por causa da repressão que estão tendo e pela massa que começa a perder o medo de ir às ruas protestarem.

O bloqueio da fronteira tem surtido um efeito bom para os movimentos, mesmo sabendo que a população mais pobre é a que mais esta sofrendo por começa a faltar produtos mais básicos como alimento, e também os empresários da fronteira já saíram protestando contra o golpe por conta do prejuízo que estão tomando, a fronteira que em proporções de circulação de gente é comparada com a fronteira Brasil/Paraguai. Durante nossa ação de ontem só havia chegado um carro de gente para a passagem, ou seja o povo que circulava livremente agora esta resguardado cada um em seu território.


3. O ato da fronteira:

Las Manos, assim é o nome do lugar onde estávamos ontem durante todo dia, fronteira com Honduras, região de montanhas fria e produtora de café.

O ato foi de muito impacto na região, a ação contou com 3 zonas de fronteira fechada durante quase todos o dia com manifestação e segue fechada por parte do governo da Nicarágua, na região de LAS MANOS éramos uns quase mil manifestantes principalmente mulheres com seus filhos enganchados de lado e com outros arrastados pela mão, impressionante a participação das mulheres inclusive na condução do ato e nas falas, o ato também teve uma repercussão nacional cobertura pelos meios de comunicação da Nica e de Honduras, e também durante nossas fala foram transmitida simultaneamente para os outros 2 pontos de protesto, existe já notável um desgaste por causa do bloqueio tanto dos militares que estão como locos correndo por toda parte do países como também dos comerciantes e da população que não se envolve muito nos assuntos do pais.


4. Enfrentamento e tensões mais prolongadas que o esperado:

Com as ultimas declaração do Micheletti de não respeito a OEA, nos aponta que vamos viver um período de enfrentamento mais longo que se imaginava por aqui, inclusive com a entrada de Zelaya neste sábado, que inclusive já esta suspensa por parte do presidente Zelaya que deve seguir hoje para EUA e logo domingo pode ser que vá direto com outros presidentes da região, tudo vai depender da mobilização interna e da correlação também interna, portanto as mobilizações devem seguir crescendo dentro de Honduras mais também terá que crescer fora de lá também.

Ai que seguir dando combate em focos de mobilização com dispersão rápida para irmos desgastando, os golpistas que tem um poder e controlam os militares, a luta deve seguir em um constante crescimento, para criar as condições de retorno do presidente, que pode ser domingo ou durante essa semana que se inicia.


5. Conclusão:

Estamos vivendo um momento importe onde os movimentos voltam a discutir bandeiras de lutas conjuntamente, e que é preciso mais que nunca derrotar as oligarquias hondurenhas para que não se repita os anos 60/80, por que esse projeto de intervenção militar já esta claro, assim eles atuam na Bolívia, Venezuela, Paraguai, Equador e Cuba, as linhas jornalística é uma só, desmoralizar pessoalmente, atacar moralmente e depois intervir militarmente, os meio de comunicações golpistas e a igreja estão muitos mais articulados para realizar seus golpes, que os movimentos sociais, temos que aproveitar esse momento para aglutinar forca política e organizativa na construção de uma pátria grande, ou poderemos reviver os anos de chumbo em todo continente.

Por ultimo que se aclara aqui na região é que EUA de Obama é a mesma coisa ou pior que Bush, por que tem dado declarações de boa praça mais tem efeito pratica suas declarações de maneira que o império seguiu sua política dura contra os pobres do mundo.


Managua, 4 de julho de 2009

Alexandre Conceiçao

MST

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Declaración del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos ante el artero golpe de Estado en Honduras


En la mañana de hoy y en los momentos en que el pueblo hondureño se aprestaba a expresar su voluntad en una consulta popular convocada por su gobierno legítimamente constituido, un artero golpe de estado militar secuestró y sacó violentamente del país al presidente Manuel Zelaya, quien desde Costa Rica ha denunciado este horrendo hecho y demandado el restablecimiento de la democracia en esa nación.

Las fuerzas golpistas también secuestraron y maltrataron a la canciller del gobierno legítimamente constituido, Patricia Rodas, cuya libertad el gobierno de Cuba ha exigido de manera inmediata.

Los golpistas, en la misma acción, secuestraron a los embajadores de Venezuela, Nicaragua y Cuba, a quienes golpearon antes de volverlos a poner en libertad.

El Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, al tiempo que condena esta acción golpista, violatoria del derecho internacional y de la libre determinación de los pueblos, llama a todos los hombres y mujeres del mundo, y en particular al Movimiento de Solidaridad con Cuba, a solidarizarse con el hermano pueblo hondureño, que hoy enfrenta una asonada militar.

Igualmente, los exhortamos a levantar la voz de la amistad y de la solidaridad para impedir que el pueblo de Honduras sea víctima de esa aventura fascista encabezada por sectores de las fuerzas armadas, la extrema derecha y el gran capital hegemónico de ese país que intenta usurpar el poder.

Instamos además al Movimiento de Solidaridad con Cuba a mantenerse informado y a difundir la información veraz sobre los acontecimientos que hoy afectan a nuestros hermanos hondureños, para lo cual pueden consultarse los sitios web del ICAP (www.icap.cu), de los órganos de prensa cubanos, como www.granma.cubaweb.cu, www.juventudrebelde.cu, www.trabajadores.cu, y otros como www.telesurtv.net.

LA ÚNICA ALTERNATIVA ES LUCHAR Y RESISTIR Y LA ÚNICA OPCIÓN SERA SIEMPRE LA VICTORIA

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Golpe de Estado en Honduras: El primer golpe de Estado de Obama


Boma dia a todos! Ficamos felizes em poder acompanhar a vitória do povo Hondurenho contra o golpe! Enquanto a mídia internacional se preocupa com a morte de Michael Jackson, nós temos o compromisso de divulgar a tentativa de golpe para o maior número de pessoas possível e prestar nossa solidariedade a Honduras!

Viva o Povo Hondurenho!! !
"Até a vitória sempre!"


Ver como pdf 28-06-2009
Golpe de Estado en Honduras
El primer golpe de Estado de Obama


Traducido para Rebelión y Tlaxcala por Paloma Valverde y Manuel Talens


[Nota: ­­­­En estos momentos son las 11 y cuarto de la mañana, hora de Caracas. Manuel Zelaya, presidente de Honduras, está hablando en directo en TeleSur desde San José (Costa Rica). Ha confirmado que esta madrugada unos soldados irrumpieron abriendo fuego en su residencia y lo amenazaron de muerte, a él y a su familia, si se oponía al golpe de Estado. Se vio obligado a acompañar a los soldados, que lo transportaron a la base aérea, desde donde voló a Costa Rica. Ha solicitado que el gobierno de Estados Unidos emita un comunicado en el que condene el golpe, pues lo contrario significaría su aquiescencia.]

Caracas (Venezuela).- El mensaje de texto que sonó en mi teléfono móvil esta mañana decía así: “Alerta, Zelaya ha sido secuestrado, golpe de Estado en marcha en Honduras. Difúndelo.” Ha sido un duro despertar en un domingo por la mañana, sobre todo para los millones de hondureños que se estaban preparando para ejercer por primera vez su sagrado derecho al voto en un referéndum consultivo sobre la convocatoria de una Asamblea Constituyente para reformar la Constitución. Supuestamente, la disputa se centra en el referéndum convocado para hoy, que no es vinculante, sino sólo una encuesta de opinión para determinar si una mayoría de hondureños desean, o no, que se inicie un proceso para modificar su Constitución.

Una iniciativa de este tipo nunca había tenido lugar en esta nación centroamericana, cuya constitución es tan limitada que sólo permite una mínima participación del pueblo hondureño en sus procesos políticos. Dicha constitución, redactada en 1982, en el momento álgido de la guerra sucia del gobierno de Reagan en Centroamérica, fue diseñada para instituir que quienes detentaban el poder tanto económico como político pudiesen mantenerlo con las mínimas interferencias del pueblo. Zelaya, elegido en noviembre de 2005 por la plataforma del Partido Liberal de Honduras, había propuesto la encuesta de opinión para determinar si la mayoría de los ciudadanos estaban de acuerdo en que era necesaria una reforma constitucional. Su propuesta fue apoyada por la mayoría de los sindicatos y movimientos sociales del país. De haber tenido lugar, y dependiendo de los resultados, se habría organizado un referéndum durante las próximas elecciones de noviembre para votar sobre la convocatoria de una Asamblea Constituyente, pero la encuesta prevista para hoy no era vinculante de acuerdo con la ley.

De hecho, varios días antes de que tuviera lugar, la Corte Suprema de Honduras la declaró ilegal a petición del Congreso. Es de señalar que ambos, Congreso y Corte Suprema, están controlados por mayorías contrarias a Zelaya y por miembros del ultraconservador Partido Nacional de Honduras (PNH). La ilegalización dio lugar a manifestaciones masivas favorables al presidente Zelaya. El 24 de junio, el presidente destituyó al jefe del alto mando militar, el general Romeo Vásquez, después de que éste se negase a permitir que los militares distribuyesen el material electoral para la consulta de hoy. El general Vásquez mantuvo el material bajo estricto control militar y se negó a distribuirlo, incluso a los seguidores del presidente, con la excusa de que la Corte Suprema había declarado ilegal la consulta prevista y, por lo tanto, no podía obedecer la orden presidencial. Al igual que sucede en Estados Unidos, el presidente de Honduras es el Comandante en Jefe y tiene la última palabra en cualquier acción militar, por lo que ordenó la destitución del general. Ángel Edmundo Orellana, ministro de Defensa, también dimitió como respuesta a esta situación cada vez más tensa.

Pero al día siguiente la Corte Suprema de Honduras restituyó en sus funciones al general Vásquez, tras declarar “inconstitucional” su destitución. Miles de hondureños se echaron a las calles de Tegucigalpa, la capital del país, en apoyo al presidente Zelaya, como muestra de su determinación de asegurar que la consulta no vinculante tuviera lugar. El viernes pasado, el presidente y un grupo de centenares de seguidores, marcharon a la cercana base aérea para recuperar el material electoral previamente secuestrado por los militares. Aquella noche, Zelaya celebró una conferencia de prensa nacional junto a un grupo de políticos de diferentes partidos y movimientos sociales, en la que hizo un llamamiento a la paz y a la unidad en el país.

Ayer sábado se informó que la situación en Honduras era tranquila. Sin embargo, en la madrugada de hoy domingo un grupo de aproximadamente sesenta militares armados asaltaron la residencia presidencial y tomaron como rehén a Zelaya. Tras varias horas de confusión, empezaron a filtrarse informaciones según las cuales el presidente había sido transportado a la cercana base aérea y llevado a la vecina Costa Rica. Hasta el momento no existen imágenes del presidente y se desconoce si su vida está en peligro.

Sobre las 10 de la mañana, hora de Caracas, Xiomara Castro de Zelaya, la esposa del presidente, denunció en directo en TeleSur que en la madrugada del domingo los soldados irrumpieron en su residencia disparando, golpearon al presidente y lo secuestraron. “Fue un acto cobarde”, dijo la primera dama refiriéndose al secuestro, que tuvo lugar a una hora en la que nadie pudo reaccionar. Castro de Zelaya hizo también un llamamiento para que mantuvieran con vida a su marido e indicó que incluso ella desconoce su paradero. Añadió que sus vidas siguen estando en “grave peligro” y pidió que la comunidad internacional denunciase este golpe de Estado y actuase con rapidez para reinstaurar el orden constitucional del país, lo cual incluye el rescate y regreso del democráticamente elegido Zelaya.

Evo Morales y Hugo Chávez, presidentes de Bolivia y Venuela, han realizado declaraciones públicas la mañana de hoy domingo, en las cuales condenan el golpe de Estado en Honduras y han hecho un llamamiento a la comunidad internacional para que reaccione, se restaure la democracia y el presidente constitucional regrese a su puesto. El miércoles pasado, 24 de junio, tuvo lugar en Venezuela un encuentro extraordinario de los países miembros del ALBA (Alternativa Bolivariana para las Américas), de la que forma parte Honduras, con el fin de dar la bienvenida a la organización a Ecuador, Antigua, Barbados, San Vicente y las Granadinas. Durante el encuentro, al que asistió Patricia Rodas, ministra de Exteriores de Honduras, se leyó una declaración de apoyo al presidente Zelaya en la que se condenaba cualquier intento socavar su mandato y los procesos democráticos de Honduras.

Informes provenientes de Honduras establecen que el Canal 8 de la televisión pública ha sido tomado por las fuerzas golpistas. Hace pocos minutos TeleSur anunció que los militares hondureños están cortando la electricidad del país. Según ha informado la ministra Rodas en TeleSur: “Las comunicaciones telefónicas y la electricidad están cortadas. Las televisiones emiten dibujos animados y telenovelas y no informan al pueblo de Honduras de lo que está sucediendo.” La situación es muy parecida a la del golpe de Estado de abril de 2002 contra el presidente Chávez en Venezuela, cuando los medios jugaron un papel clave, en primer lugar manipulando la información como apoyo al golpe y, con posterioridad, eliminando cualquier información una vez que el pueblo empezó a manifestarse y terminó por derrotar a las fuerzas golpistas rescatando a Chávez, que también fue secuestrado por los militares, y restaurando el orden constitucional.

Honduras es una nación que ha sido víctima el siglo pasado de dictaduras y múltiples intervenciones de Estados Unidos, entre ellas varias invasiones militares. La última intervención importante del gobierno estadounidense en Honduras tuvo lugar durante los años ochenta, cuando el gobierno de Reagan financió escuadrones de la muerte y paramilitares con el fin de eliminar cualquier “amenaza comunista” en Centroamérica. En aquel momento, John Negroponte era el embajador estadounidense ante el gobierno de Honduras y fue el responsable directo de la financiación y entrenamiento de los escuadrones de la muerte hondureños que asesinaron e hicieron desaparecer a miles de ciudadanos en la región.

El viernes pasado, la Organización de Estados Americanos (OEA) convocó una reunión extraordinaria con el fin de discutir la situación en Honduras. Con posterioridad emitió un comunicado en el que condenó las amenazas a la democracia y autorizó el viaje a Honduras de un grupo de representantes de la OEA. No obstante, el viernes, Philip J. Crowley, secretario de Estado adjunto estadounidense, se negó a definir la posición del gobierno estadounidense con respecto al posible golpe de Estado contra el presidente Zelaya y, en su lugar, emitió una ambigua declaración de la que se desprendía que Washington apoyaba a la oposición al presidente Zelaya. Mientras que la mayoría de los gobiernos latinoamericanos declararon sin ningún género de duda su más rotunda condena de los planes golpistas de Honduras y su inquebrantable apoyo al presidente constitucionalmente elegido, el portavoz estadounidense afirmó: “Nos preocupa la ruptura del diálogo político entre los políticos hondureños sobre la consulta constitucional del 28 de junio. Instamos a las partes a que busquen una solución democráticamente consensuada al actual callejón sin salida político, que sea conforme a la constitución y a las leyes hondureñas acordes con los principios de la Carta Democrática Interamericana.”

Hoy domingo, a las diez y media de la mañana, Washington todavía no ha emitido ninguna declaración relativa al golpe de Estado en Honduras. La nación centroamericana es muy dependiente de la economía estadounidense, que le asegura una de las principales fuentes de ingresos, las transferencias de dinero que envían los hondureños que trabajan en Estados Unidos bajo el programa de “estatuto temporal protegido”, instaurado durante la guerra sucia de Washington en la década de los ochenta a causa de la enorme inmigración a territorio estadounidense para escapar de la zona de guerra. Otra fuente importante de ingresos de Honduras es USAID, que aporta más de 50 millones de dólares anuales para programas de “promoción de la democracia”, los cuales habitualmente dan apoyo a las ONG y a los partidos políticos favorables a los intereses de Estados Unidos, como ha sido el caso en Venezuela, Bolivia y otras naciones de la región. El Pentágono también mantiene la base militar de Soto Cano en Honduras, con aproximadamente quinientos soldados y numerosos aviones y helicópteros de combate.

Patricia Rodas, ministra de Exteriores, ha dicho que ha intentado repetidamente ponerse en contacto con Hugo Llorens, embajador de Estados Unidos en Honduras, el cual hasta el momento no ha respondido a ninguna de sus llamadas. El modus operandi del golpe de Estado deja bien claro que Washington está implicado. Ni el ejército hondureño, cuya mayoría ha sido entrenada por las fuerzas estadounidenses, ni las elites políticas y económicas del país derrocarían a un presidente democráticamente elegido sin el apoyo y respaldo de Washington. Las fuerzas conservadoras de Honduras han sometido al presidente Zelaya a ataques cada vez más frecuentes por su creciente relación con los países del ALBA, en particular con Venezuela y el presidente Chávez. Muchos están convencidos de que este golpe pretende asegurar que Honduras no seguirá acercándose a los países más izquierdistas y socialistas de América Latina.


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Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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