terça-feira, 7 de junho de 2011

Honduras: A incorporação dos golpes de Estado na democracia da OEA do século XXI


Por Ollantay Itzamná


ALAI AMLATINA, 02/06/2011.- A Organização dos Estados Americanos reincorpora o Estado hondurenho, depois de cerca de 2 anos após sua expulsão, sem exigir antes o cumprimento elementar dos princípios básicos de justiça.

“Não exigimos que ressuscitem nossos mortos. Por justiça pedimos a prisão para aqueles que instauraram um regime de morte com o golpe de Estado em Honduras. Agora que a OEA reincorpora o Estado hondurenho, como se aqui não existisse passado nada, aqueles que nos massacraram riem de nossa cara. Não exigimos nem vingança, nem esquecimento. Exigimos justiça”. Assim, expressou dona Maira seu sentimento de indignação e impotência ante o silêncio da justiça e do retorno do Estado hondurenho à OEA.

Perante este fato, as e os hondurenhos se perguntam: O golpe de Estado que chateou inclusive a OEA foi uma piada? Foram fantasmas que, empunhando rifles, expulsaram o Presidente do país? Onde, diabos, estavam aqueles que torturaram e assassinaram mais de 200 pessoas antes e depois do golpe?

São anjos imaculados vindos do céu que assassinaram 12 comunicadores sociais durante o regime atual? Onde estão os autores intelectuais e materiais do golpe de Estado? Em que prisão penal cumpre sentença Roberto Micheletti Bain, os magistrados da Suprema Corte de Justiça, os militares e os congressistas que destituíram o Presidente, inclusive com uma assinatura falsificada de renúncia?

Assim se premia os autores do golpe de Estado em Honduras:

Roberto Micheletti Bain foi condecorado como herói nacional por seu cúmplice Oscar Andrés Rodríguez (cardeal), nada menos que no Santuário de la Virgen de Suyapa, em 2010. Há alguns meses, foi denunciado por roubar energia elétrica e não pagar os serviços de água para suas empresas. Atualmente, é um dos principais apologistas dos golpes de Estado para domesticar governos progressistas na região. Por acaso este não é um arquétipo de Frankenstein para a democracia na América?

Os magistrados da Suprema Corte de Justiça (15), que galvanizaram o golpe de Estado, continuam assessorando e administrando a justiça para os seus e encarcerando as e os insubordinados no país. Expulsaram do sistema judiciário os juízes que denunciaram a criminalidade da ruptura da ordem constitucional e blindaram juridicamente, de qualquer tentativa de destituição, o Procurador Geral que promoveu o golpe. Fizeram a pantomima de julgar Manuel Zelaya, por supostos atos de corrupção, só para amedrontá-lo. Esta é a justiça que a OEA respalda com sua última resolução!

Os políticos que legalizaram o golpe seguem escrevendo leis perversas, em 15 minutos, no Congresso Nacional. Da perspectiva do interesse dos empresários privados, o golpe de Estado teve por finalidade legalizar a transferência rápida às mãos privadas dos bens do país (recursos naturais). Durante o golpe, se aprovou a Lei Geral de Água (que mercantiliza a água). As e os legisladores, nestes dois anos de quebra constitucional, se constituíram em simples facilitadores de concessões de rios, praias, solos e bosques às mãos privadas. Por acaso estes atos não são delitos de lesa humanidade?

Negociaram leis, como a do Plano de Nação e Visão de País (até 2038), Lei de Inversão Pública Privada (pela qual o Estado perde e os privados ganham), Lei Antiterrorista (que criminaliza o protesto social), Lei de Promoção de Emprego por Horas (que sepulta as 8 horas de trabalho). Revogaram o Decreto 18-2000 que redistribuía terras aos camponeses sem terra. Agora, logo após ter regulamentado a partilha das cidades modelo, negociam a Lei das Minas, sempre em 15 minutos e às costas do povo. É isto democracia para a OEA?

O General Romeo Vásquez V., autor material e intelectual do golpe, foi e é premiado com o cargo de gerente da empresa nacional de telecomunicações, Hondutel. A Marinha Mercante e Migrações são prêmios entregues a militares que executaram o golpe. René Osorio, militar que encabeçou o pelotão de armados que irrompeu na casa presidencial em 28 de junho, agora é Chefe das Forças Armadas de Honduras.

A perseguição, seguida de tortura e assassinato, é uma política de Estado vigente no regime atual. Nestes momentos perseguem, a partir de uma denúncia, Obispo Luis A. Santos só porque se opôs ao golpe de Estado e ao regime de morte instaurado em Honduras, país em que a cada 43 minutos cai uma pessoa crivada de balas.

Neste contexto, a OEA, com sua última resolução, não só legitima os autores do golpe de Estado premiados em Honduras, mas legitima justifica o retrocesso de mais de um século em matéria de direitos humanos no país, e a reincorporação do golpe de Estado na democracia latino-americana do século XXI. Os governos do continente que permitem o retorno de Honduras ao seio da OEA, nas condições atuais, cavam sua própria tumba (e a de seus sucessores) nas quais seus tiranos, cedo ou tarde, os enterrarão.

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=129607

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza




A Venezuela se tornou perigosa para os lutadores sociais e revolucionários do mundo?


Escrito por Tribuna Popular


EDITORIAL, TRIBUNA POPULAR WEB.-

Novamente um breve comunicado do Ministério do Poder Popular do Interior e Justiça (MPPIJ) informou que, no estado de Barinas, foi detido o cantor e combatente revolucionário, Guillermo Enrique Torres Cueter, conhecido por seu nome artístico como Julián Conrado. Mais uma vez, Conrado foi apresentado pelo organismo de Estado venezuelano como um criminoso solicitado pela Interpol e que seria entregue, outra vez, sem julgamento, ao governo terrorista da Colômbia.

“(...) informaram as autoridades do Governo da República da Colômbia de que se iniciaram os trâmites correspondentes para colocá-lo à ordem da justiça desse país, segundo os procedimentos correspondentes”, assinala o comunicado do MPPIJ.

No caso anterior, o do jornalista e diretor da ANNCOL, Joaquín Pérez Becerra, também acusado pelo governo da Colômbia e qualificado pelo governo da Venezuela como “terrorista”, o Presidente Chávez assumiu toda a responsabilidade, porém não deu a conhecer as razões, entregou-o à Colômbia de onde tinha saído há quase 20 anos, fugindo da repressão e da morte.

É de conhecimento público que, durante estes quase 12 anos de Governo venezuelano do Presidente Chávez, que se define como revolucionário e bolivariano, outros casos similares permitiram que militantes de movimentos sociais e políticos de caráter revolucionário, tenham sido entregues aos governos que o perseguiam por seu compromisso e consciência revolucionária.

Uma das características próprias de um Estado com governo revolucionário, com perspectiva socialista ou, menos ainda, só progressista, mas que enfrenta com dignidade e soberania o imperialismo, da mesma forma como o Governo da Venezuela vem demonstrado seu caráter antiimperialista, é a de solidarizar-se com as lutas assumidas por cada povo pela emancipação. Assim, seu território se converte em espaço de defesa da vida para os perseguidos políticos.

No caso de Conrado, o presidente colombiano, celebrando a captura deste combatente, apontou outros detalhes preocupantes e reveladores. Durante a cerimônia de graduação de oficiais da Escola Militar de Cadetes ‘José María Córdova’, de Bogotá, o mandatário destacou que o operativo de prisão contou com a ajuda de autoridades colombianas.

“Anteontem, numa operação realizada pelo Governo venezuelano com ajuda de autoridades colombianas – inteligência de nossa Polícia –, capturou-se 'Julian Conrado'", a quem qualifica como narco-terrorista.

O revelador desta afirmação de Santos é que existiria um “acordo” entre o Presidente Chávez e Santos para a cooperação em termos de serviços de inteligências para a captura de combatentes colombianos que cheguem a nosso país para salvar suas vidas da perseguição e massacres cometidos pela oligarquia colombiana, como é de todos sabemos.

Se já é de gravidade este acordo, o que é pior ainda e que é de todos conhecido, é a relação e ajuda em termos de serviços de inteligência e militar existente entre o Mossad israelense e a CIA norte-americana com o Governo e Estado colombiano. O objetivo é perseguir os chamados “terroristas” que, na verdade, militantes revolucionários de todo o mundo, que lutam por tornar realidade o lema de que “OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.

Não é exagerado assinalar que com este “acordo” de cooperação entre serviços de inteligência da Colômbia e Venezuela, indiretamente e acreditamos que sem querer, se está fazendo o jogo e/ ou sendo parte da rede mundial do imperialismo para capturar quadros revolucionários de esquerda com o objetivo de destruir as lutas de nossos povos.

O Partido Comunista da Venezuela (PCV), com o caso de Pérez Becerra, já advertiu sobre a necessidade de um debate nacional e internacional sobre a entrega de revolucionários ao governo narco-paramilitar da Colômbia. Também solicitou ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) um espaço para analisar esta situação que se criou. Porém, até o momento, esse espaço não foi obtido.

Esta nova situação criada com a detenção de “Julián Conrado” e o compromisso de entrega imediata que o MPPIJ assinalou em seu comunicado, sem levar em conta as leis nacionais e internacionais e a própria Constituição Bolivariana da Venezuela, nos obriga, através do Tribuna Popular, enquanto aguardamos um comunicado oficial do PCV, advertir aos revolucionários e revolucionárias do mundo de que a Venezuela deixou de ser um lugar seguro para os lutadores populares.

Por último, cabe assinalar que o Presidente Santos recordou, hoje, sobre a operação Fénix, na qual foi abatido 'Raúl Reyes', que, inicialmente, as autoridades colombianas acreditaram que um dos guerrilheiros dados como morto era, aliás, ‘Julián Conrado’, o que foi descartado ao se realizarem as investigações sobre o caso.

“Hoje [ele] está em lugar seguro e o Presidente Chávez disse que nos entregará”, acrescentou o Presidente Santos ao celebrar a captura.

Nós do Tribuna Popular expressamos toda a nossa solidariedade e compromisso revolucionário com o combatente Julián Conrado e serão em nossas páginas a expressão de solidariedade internacionalista e de combate por sua liberdade e a de todos os combatentes antiimperialistas do mundo.

Exigimos a aplicação dos direitos que a Constituição Bolivariana da Venezuela assegura!

Que seu caso seja submetido aos Tribunais de Justiça guardando, ao menos, o devido processo e respeito pelos direitos do combatente detido.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Solidariedade à luta dos Bombeiros do Rio de Janeiro por melhores salários e condições de trabalho.

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http://www.bombeirosdobrasil.com/


Protestos

Onda de protestos continua e bombeiros fazem manifestação na Ponte Rio-Niterói

Publicada em 05/06/2011 às 22h14m O Globo

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RIO - As manifestações de oficiais do Corpo de Bombeiros do Rio por melhores salários ganharam força neste domingo. Por volta das 21h30m, um grupo de aproximadamente 50 bombeiros iniciou um ato na altura do vão central da Ponte Rio-Niterói. Os manifestantes desceram de um ônibus e chegaram a caminhar em uma das quatro faixas de rolamento da via, sentido Rio.

Munidos de faixas e cartazes, os oficiais caminharam por aproximadamente dez minutos. Depois, retornaram ao ônibus e seguiram viagem.

Muitos motoristas passaram pelo local buzinando em apoio à manifestação. Quando chegou um veículo da concessionária que administra a via, os bombeiros interromperam o protesto. Muitos revelam ainda ter medo de represálias ou mesmo de novas prisões. Porém, prometem novas ações, enquanto houver colegas presos.



Manifestação dos Bombeiros na Alerj – transferência dos presos para Niterói – manifestação na Ponte Rio Niterói - domingo 5 de junho de 2011 - Fotos (o globo - Ângelo Antonio Duarte, Fábio Rossi, Paulo Nicolella)

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Presos são transferidos para unidade do Corpo de Bombeiro em Charitas, Niterói

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Bombeiro de Niterói chora ao receber colegas presos

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Fotos da humilhação sofrida por bombeiros

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Reparem o bombeiro ao fundo usando um saco plástico preto como cobertor

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Lamentável!

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Nem animais podem ser engaiolados desta maneira

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Dormindo no papelão

Pombo: um guerrilheiro revolucionário que lutou com Che na Bolívia


Encontrei em NA PRÁXIS

Harry Villegas Tamayo conheceu Che aos 16 anos, na Sierra Maestra, em 1957. Com o triunfo da revolução cubana, em 1959, tornou-se um dos guarda-costas mais constantes do comandante. Em 1963, quando Che convocou ex-combatentes para uma guerrilha na Argentina, Villegas se ofereceu, mas foi recusado - por ser negro, sua presença levantaria suspeitas na Argentina.


Em 1965, quando estava no Congo Belga (ex-Zaire e, depois de 1997, República Democrática do Congo), Che pediu a Fidel que mandasse Villegas ao continente africano. Nessa época Che escolheu para ele o codinome Pombo. Depois de sete meses, os cubanos se retiraram sem conseguir massificar o movimento guerrilheiro. Che (agora sob o codinome Tatu) foi à Tanzânia e Pombo o acompanhou a Praga, antes de voltarem a Cuba. No dia 4 de novembro de 1966, Che chegou à Bolívia, na região de Ñancahuazú. Pombo tinha chegado antes, tendo passado pelo Brasil para entrar no país, com o intuito de levantar as características do local. Onze meses depois, no dia 8 de outubro, Che caiu prisioneiro do Exército boliviano, com a ajuda dos Estados Unidos. Foi assassinado no dia seguinte.



Pombo e mais cinco guerrilheiros (Ñato, Inti, Dario, Urbano e Benigno) conseguiram fugir e, durante seis meses - menos Ñato, que morreu no meio do caminho - percorrem mais de 600 quilômetros clandestinamente até cruzar a fronteira com o Chile. Desses sobreviventes, além de Pombo, outros dois combatentes ainda estão vivos: Urbano, que mora em Havana, e Benigno, que está em Paris, desde 1995. Dario morreu em 1968, mesmo ano em que Inti foi assassinado, numa tentativa de reorganizar a guerrilha na Bolívia.

A partir de 1976, Pombo ainda esteve à frente das tropas cubanas enviadas a Angola para lutar ao lado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contra a Unita e a FNLA, sustentadas pelo regime de apartheid da África do Sul, e pelos Estados Unidos, respectivamente.

Pombo hoje é general de Brigada das Forças Armadas Revolucionárias, vice-presidente da Associação de Combatentes da Revolução Cubana, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, deputado na Assembléia Nacional e um dos raros condecorados com a honra de "Herói da República de Cuba".



Aos 65 anos, Pombo é o único guerrilheiro vivo que lutou com Che Guevara nas montanhas da Sierra Maestra, no Congo e na Bolívia. Foram dez anos de convivência com o comandante, até a sua morte, em 1967.

Na semana passada, ele esteve no Brasil para participar da conferência internacional "Pensamento e Movimentos Sociais na América Latina e Caribe: Imperialismo e Resistências", promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Via Campesina. Não foi a primeira vez que ele pisou em solo brasileiro. Em 1966, quando a guerrilha de Che se instalou na Bolívia, Pombo passou por São Paulo e por Campo Grande (MS) como estratégia para sua entrada no país vizinho sem chamar atenção.

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Pombo explica que o desfecho trágico da guerrilha na Bolívia, quando Che foi assassinado, teve origem na "traição" do Partido Comunista Boliviano e na decisão de Che de não abandonar uma coluna de guerrilheiros que havia se perdido do seu grupo. Ao comentar a situação da América Latina, Pombo diz que a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo.

De onde vem o codinome Pombo? Sabe-se que, no Congo, Che usou números na língua local para renomear os guerrilheiros. Em Swahili - uma das línguas mais faladas na África - , Che passou a se chamar Tatu (que significa três), José Maria Tamayo tornou-se Mbili (dois) e Victor Dreke, Moja (um).

Harry Villegas Tamayo "Pombo" - Eu não estava entre os primeiros que foram para o Congo, e que receberam codinomes de números. Eu estava no Exército Ocidental quando o presidente Fidel Castro me disse que Che havia mandado me chamar na África. Só que, com o aumento do número de guerrilheiros, era complicado continuar dando nomes referentes a números porque ficavam muitos compridos. Che decidiu, então, procurar nomes em um dicionário. Escolheu para mim o nome Pombo Poljo, que significa néctar verde. Da mesma forma, escolheu Tumaini Tuma para nomear Carlos Coelho.

Antes do Congo, o senhor havia se oferecido para ir junto com um grupo de guerrilheiros à Argentina, mas Che não quis. Como foi a sua reação?

Pombo - No momento da saída do grupo, eu não entendi. Só depois percebi que, por ser negro, seria muito difícil me camuflar entre os argentinos. Então Che disse que eu não iria enquanto a guerrilha não adquirisse uma determinada força e até que ele próprio também já tivesse ido. Hermes Peña e Alberto Castellano foram se juntar a Jorge Massetti (jornalista argentino que entrevistou Che e Fidel, em 1958, na Sierra Maestra, e comandou a primeira guerrilha guevarista na Argentina, em 1963).

Como foi o seu primeiro contato com Che?

Pombo - Era 1957, eu tinha 16 anos e já participava de uma célula no meu povoado, ao pé da Sierra Maestra. Pichávamos paredes com propaganda do Movimento Revolucionário 26 de Julho, fazíamos ações contra as redes de eletricidade e a todo instante íamos presos. Como estávamos coladinhos à Sierra, resolvemos subi-la. Foi quando entramos em contato com um pelotão da coluna de Che. Pediram para que esperássemos porque Che estava percorrendo outros pelotões. Quando ele chegou, sua figura me impressionou: era esbelto, mas usava uma boina esfarrapada e desengonçada. Ele perguntou o que fazíamos ali. Respondemos que tínhamos ido lutar contra a tirania batistiana (de Fulgêncio Batista, ditador apoiado pelos Estados Unidos). Ele retrucou: "Com o quê?" Mostrei um pequeno fuzil 22 e ele começou a rir e disse: "Você acha que com isso vai derrubar Batista? Desce a montanha, se esconde atrás de um arbusto, dá uma gravata num dos soldados que estão aos montes por aí e lhe tire o fuzil". Eu pensei que fosse fácil. Voltei para o meu povoado, onde havia muitos chivatos (informantes do Exército), mas me denunciaram. Consegui escapar do cerco e troquei minha arma por uma escopeta calibre 12. Não era o que Che havia pedido, os soldados nem usavam escopetas. Mas, ao voltar, Che me disse que o importante não era a arma, mas a minha decisão de lutar contra a tirania.

A certeza de vencer era muito forte na Sierra Maestra?

Pombo - A certeza sempre nos acompanhou. Uma coisa que tem Fidel, tinha Che, e é própria de todo revolucionário, é a confiança na vitória, nas massas. Por isso Fidel disse que com cinco fuzis e sete pessoas a revolução estava feita (ao sobreviver com poucos homens após o desastroso desembarque do Granma, onde sobraram, ao todo, 12 homens dos 82 iniciais). Porém, quando seria a vitória, ninguém sabia. Che pensava que fosse demorar mais.

Existiam outros estrangeiros na Sierra, além de Che?

Pombo - Sim. Um mexicano, um francês e, entre os vários estadunidenses, até um sargento veterano da Guerra da Córeia (1950-1953), que foi instrutor e chefe da vanguarda no deslocamento da coluna de Che para o centro da ilha.

O que Che acharia de ver o seu rosto estampado em camisetas, a serviço da máquina capitalista?

Pombo - Penso que ele não gostaria. Eu nunca vi o Che usando uma camiseta de Marx ou de Lênin. Mas eu acho que, se uma pessoa traz o Che no peito, com orgulho, para se sentir motivada, para divulgar quem foi Che, para que se vinculem a ele, essa camiseta é útil. A camiseta ajuda a lembrar. Se você não vê o Che nas camisetas, não pensa nele.

Para a revolução, Che acabou sendo mais importante morto? Como seria se ele estivesse vivo, hoje, com 77 anos? [Nota do Blog Na Práxis - Essa entrevista é de 2005]

Pombo - Penso que ele seria mais importante vivo. Não tanto em relação a sua importância, mas ao que poderia fazer de útil. Ele era um homem com um pensamento em desenvolvimento, com uma capacidade extraordinária de autodidática, com espírito de investigação. Estava escrevendo um livro sobre a economia política do socialismo. Pensava em escrever sobre sua concepção, do ponto de vista filosófico, de como construir uma sociedade socialista para a América, que não fosse a mesma da Europa ou da Ásia. Tinha em mente que, no continente, somos muito parecidos, mas não somos todos cubanos. Hoje, em Cuba, Che representaria uma grande ajuda a Fidel.

Como Che conciliava a vida familiar com a vida revolucionária?

Pombo - O mais importante, para ele, era formar uma sociedade mais justa. Quando prenderam um filho de um dos nossos líderes da independência, Carlos Manoel Céspedes (primeiro fazendeiro a libertar seus escravos para lutarem contra os espanhóis), lhe impuseram a condição de que abandonasse a luta para o rapaz ser libertado. E Céspedes disse: "Não, eu sou o pai de todos os cubanos" - razão pela qual nós o chamamos de Pai da Pátria. Da mesma forma, se Che tivesse que decidir entre a sua família e a construção do socialismo, ou os interesses da pátria, ele decidiria pelos interesses da pátria. Mas isso não quer dizer que Che renegasse a família. Porque ele queria muito bem à sua família. Mas não no sentido estreito, de sua mulher, de seus filhos. Num sentido mais amplo, com uma confiança absoluta na sociedade. Ele sabia que, por sua luta, seus filhos teriam direito à educação, assim como todos os cubanos. Che não se desprende do elemento familiar. Não é como os inimigos do marxismo dizem, que o marxismo destrói a família. Mas o contrário, a família é a base, é a célula da sociedade.

Como Che tratava as crises de asma em meio à guerrilha?

Pombo - Com um tipo de inalador. Quando isso não era possível, Che usava o que os médicos chamam de "motivações primárias". Isto é, na crise, fazia seu corpo reagir a algo maior. Provocava um pequeno corte, para que a infecção gerasse uma febre e assim saía do ataque de asma.

Por que Kabila (líder da resistência anticolonialista congolesa, que em 1997 viria a se tornar presidente da República Democrática do Congo, ex-Zaire) recusava um encontro com Che?

Pombo - Na época, nós não entendíamos como a África funcionava. Só viemos descobrir depois, quando ficamos por 15, 20 anos em Angola. No Congo, começamos a enfrentar uma sociedade que não tinha um conceito de nação, mas um conceito de tribo. Não que o conceito de nação possa ser criado artificialmente, como os colonizadores quiseram impor. Mas um povo que queira lutar por sua pátria precisa ter um conceito de nação. Para nós, isso não fazia sentido porque não temos tribo, somos uma mistura de espanhóis, africanos e chineses. Não temos índios. Eles desapareceram de Cuba. Os espanhóis não tiveram nem a idéia de fazer uma reserva, como fizeram os estadunidenses, e manter ali alguns índios para mostrar a todos: "Vejam, estes são os homens que eram donos de todas estas coisas que estão aqui, e agora não têm nada". Nem isso fizeram os espanhóis. Chefe do que eles chamavam de "exército paralelo", Kabila se encontrou apenas uma vez com Che porque guerrear não fazia parte de sua natureza. Não era um homem latino-americano. Não era como Bolívar, que dizia: "Vamos!". Nunca houve um líder africano à frente de sua tropa, o que era uma coisa inconcebível para um latino, que leva, conduz o povo. Eles não necessitavam nem do contato conosco, não necessitavam da fala, eles mandavam tudo gravado.

Se a guerrilha comandada por Masetti na Argentina tivesse tido êxito, Che não teria ido ao Congo?

Pombo - Sim, realmente, Che foi ao Congo para esperar que as condições na América ficassem mais favoráveis. Fidel lhe ofereceu para ficar em Cuba, mas Che achava que já havia cumprido seu papel com os cubanos e queria ir a outro lugar. Em 1964, ele havia voltado de uma conferência na Organização das Nações Unidas, onde denunciou que os capacetes azuis haviam permitido o assassinato de Lumumba (revolucionário congolês). A meu ver, Che, que admirava Lumumba, se sentiu comprometido com a situação e decidiu ir ao Congo pensando que o movimento de Lumumba estivesse mais vertebrado, mas não estava.

A captura de Ciro Bustos e de Régis Debray (na tentativa de sair da área guerrilheira, foram presos pelo Exército boliviano) foi preponderante para a desestruturação da guerrilha na Bolívia?

Pombo - Não. Nós nos vimos sem a base. Com a experiência da Sierra Maestra, já sabíamos que o camponês só se incorpora quando vê alguma possibilidade de êxito, e uma forte possibilidade de respaldo. De início, nós tínhamos organizado nossa participação na luta boliviana por meio do Partido Comunista, que contava com milhares de militantes jovens dispostos a se engajar na luta. Mas Monje (então presidente do Partido Comunista Boliviano) mudou de lado, nos traiu. Che nunca soube se por covardia política ou pessoal. Ao nos trair, cortou nosso vínculo com o partido, acabou com a fonte onde íamos nos nutrir para gerar uma guerrilha forte, que Che queria desenvolver por um tempo limitado para poder expandi-la à Argentina e ao Peru, onde estavam Bustos e Chino. Não por acaso, de Ñancahuazú, na Bolívia, podia se chegar à Argentina e ao Peru, pela Cordilheira Oriental dos Andes.

Como foram os quatro meses de desencontros nas selvas da Bolívia, entre a coluna de Che e a outra em que estavam Joaquim e Tania (revolucionária alemã-argentina)?

Pombo - Fizemos todo o possível. Che não desistia de achar o grupo de Joaquim. Tanto que ele nos manteve demasiado tempo por ali, mesmo não tendo a intenção de combater na região Sul da Bolívia. Por fim, o Exército nos descobriu e fomos obrigados a iniciar o combate ali mesmo. Originalmente, pensávamos em começar a guerrilha na região Central da Bolívia, no Chapare, onde havia um camponês amigo de Inti - um dos guerrilheiros do grupo de Che _, que organizava os camponeses. Esse camponês não estava comprometido, mas Inti acreditava que ele se incorporaria. Tínhamos, mais ao norte, a possibilidade de que pudessem se incorporar à guerrilha os estudantes recrutados na América, na Europa, na União Soviética, em Praga, além de um conjunto de estudantes de Cuba.

Se houvesse o encontro entre os dois grupos no dia 31 de agosto de 1967, teria sido mera coincidência? (eles se desencontraram por questão de horas, estavam em linha reta, a 3 quilômetros de distância).

Pombo - Convergimos ao mesmo ponto por coincidência. Nosso grupo estava indo para o Chapare. Estávamos bem próximos quando escutamos pelo rádio que o grupo de Joaquim combatia mais ao sul. Então, demos meia volta e nos metemos novamente na zona guerrilheira, atrás deles. Quase os encontramos antes de eles caírem na emboscada (em que morreram). Só voltamos ao Sul na tentativa de encontrar o grupo de Joaquim. Nunca havíamos previsto ir ao Sul porque sabíamos que era mais desprovido de bosques e de água. Foi só por isso que descemos demais ao Sul e se criaram as condições para a emboscada do dia 26 de setembro (onde 3 guerrilheiros são mortos), e, depois, para o desfecho de 8 de outubro (quando Che é feito prisioneiro e morto, no dia seguinte, junto com outros guerrilheiros).

Como era Tânia?

Pombo - Uma mulher excepcional. Suas raízes latinas (era argentina, mas passou a juventude na Alemanha) foram de grande ajuda. Ela tinha a tarefa de ir à Bolívia criar condições de confiabilidade, até que lhe dessem instruções. Houve até um momento em que ela foi um pouco esquecida pela nossa Inteligência. A idéia de Che era preservá-la para que, se necessário, ela pudesse esconder alguém em lugar seguro. Mas ela acabou vindo para a guerrilha. Che tentou tirá-la de lá, o que foi impossível, porque ela já havia sido identificada. Assim, se estragou um trabalho de clandestinidade de três anos. Tânia foi uma revolucionária com grande capacidade de sacrifício. Quando lhe disseram para casar com um boliviano porque fazia falta ela não ter a nacionalidade boliviana, ela se casou. E quando disseram que era preciso dar um fora no boliviano porque ela tinha que sair do país, e que ela devia dar um jeito dele entender, ela o convenceu. Então ela foi "estudar" na Bulgária. Ela era extremamente disciplinada.

Che estaria contente com o desenvolvimento da revolução cubana?

Pombo - Acho que sim, porque quando ele saiu de Cuba fez um avaliação dos avanços da revolução, e justamente decidiu ir porque chegou à convicção de que o processo era irreversível. De que as massas haviam tomado consciência do seu papel de vanguarda, que, para Che, era o partido, era Fidel. Ele acreditava que a vanguarda precisa formar parte da massa a todo instante, sem ser a massa. Che dizia que esse vínculo, de tão próximo, deve fazer com que aquele que está à frente escute a respiração de quem vem atrás.

Por que Benigno traiu a revolução cubana?

Pombo - Para Benigno, pesou a questão material. Quando ele se foi, o processo revolucionário cubano passava por uma etapa difícil, mas não a pior. Os problemas de Cuba não eram graves. Ele tinha uma pequena finca (chácara). Nós somos guajiros (camponeses), não tínhamos base cultural, nem intelectual. Quando você participa de uma luta como essa, começam a te dizer que você é o máximo, e se você acredita, se equivoca. Benigno deixou isso subir à cabeça e acreditou que era herói. Era, sim, uma pessoa de mérito, mas o que fizemos, muitos outros cubanos também fizeram. Estiveram na Venezuela, na Colômbia, na Guatemala e não ficaram conhecidos. O fato de ter participado da epopéia em que morreu Che o atingiu. Além disso, ele se casou com uma mulher da Inteligência Cubana, que falava inglês, francês. Acho que ela tem um peso nisso porque se ela fosse firme quando ele lhe propôs essas coisas, tendo ela mais capacidade intelectual que ele, ela o influenciaria para o caminho correto. Outro problema é que, como camponeses, temos a mente pródiga, imaginamos coisas. Benigno acabou publicando um livro fantasioso, mentiroso, em grande parte.

Por que Benigno sustenta que Fidel abandonou Che?

Pombo - Isso é uma maldade. Benigno tem que agradar o imperialismo, e para isso, tem que dizer as coisas que o imperialismo gosta de ouvir. Quando Che foi à África, com mais de uma centena de cubanos, Fidel não o abandonou. Quando os africanos consideraram que não era conveniente Che estar ali, e ele saiu de lá para Praga, com a Inteligência Cubana dando apoio todo o tempo, Fidel não o abandonou. Quando Che decidiu começar a luta na sua pátria, Fidel permitiu que ele pegasse vinte e tantos companheiros que haviam estado com ele na Sierra, Fidel não o abandonou. O que acontece é que, se Fidel mandasse mais de cem homens à América Latina, como fez 20 anos depois, mandando um exército de 50 mil homens comigo a Angola, a atitude seria vista como intervenção.

A guerrilha, hoje, ainda é um caminho para a libertação dos povos da América Latina?

Pombo - Eu não diria nem que não, nem que sim. Depende das condições concretas de cada país e de cada momento. Hoje, é muito arriscado o surgimento de um movimento guerrilheiro em qualquer país, com a tecnologia que tem o exército inimigo, fundamentalmente o dos Estados Unidos. Mas também não é impossível porque existem guerrilhas na Colômbia, por exemplo, e mesmo com toda essa tecnologia não conseguiram aniquilá-la.

Como o senhor vê o MST?

Pombo - A capacidade organizativa dos sem-terra me impressiona. Eles não podem perder nunca sua convicção. Depois de assentados, não devem se desvincular do movimento. Não importa que você tenha a terra. Por você ter lutado por ela, deve se manter unido, com terra ou sem terra, por solidariedade humana, não digo nem por companheirismo. Isso é o que pode unir as pessoas ao Che. Esse amor pelo próximo que está um pouco mais além dos ditos parâmetros normais, e que lhe deu um conceito superior como ser humano.

O senhor acredita que Chávez vai assumir o papel de Fidel nos próximos anos?

Pombo - O papel de Chávez é assumir a dirigência do seu povo para depois assumir o mesmo papel sobre o restante do continente. Não podemos esquecer que o inimigo de Chávez é o país mais poderoso do mundo. E ele tem sabido lidar com a situação, solidamente, com o apoio das massas pobres, e tendo ainda que ganhar a classe média. O movimento de Chávez é novo. Tem a ver com um socialismo distinto, dentro do pluripartidarismo. Nós, cubanos, somos o farol, mas a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo por seu potencial econômico, por seu tamanho, por ter fronteiras com tantos países que podem irradiar ainda mais aquilo que o Che queria fazer na Bolívia. Nesse sentido, Chávez tem muito mais vantagens do que nós, lá no meio do Caribe.

A Luta pela África: estratégias das potências



Por Larissa Durlo Grisa



O texto analisado é composto pelo prefácio escrito por Pereira, pela introdução e pela primeira parte do livro “A Luta pela África: estratégias das potências”, num total de 78 páginas. Tendo em vista que o texto é denso e, por vezes, tem caráter descritivo, essa resenha não pretende esgotar todos os temas levantados e sim fazer um levantamento geral das questões que possam contribuir com o desenvolver da discussão na disciplina. Além disso, tendo em vista que a escrita do texto corresponde a um contexto anterior, marcado pela guerra fria e a bipolaridade, algumas hipóteses e previsões levantadas pelo autor não serão compiladas.

O prefácio dessa edição consiste em uma compilação de informações e reflexões acerca da história recente da África pós-independente com o intuito de introduzir o tema ao leitor brasileiro. Nesse prefácio, são apontadas questões econômicas, políticas e sociais do contexto africano, tais como a política neocolonial dos países industrializados em relação ao continente, ou seja, a inserção periférica do continente no sistema capitalista mundial, a deterioração dos termos de troca, as migrações internas relacionadas à urbanização e ao inchamento de grandes cidades, o déficit alimentar relacionado à agricultura de exportação e ao aumento de áreas de desertificação em algumas regiões, etc. Algumas questões são especificamente mais bem conceituadas como o artificialismo dos Estados atuais que é apontado sob três aspectos: 1) o traço arbitrário das fronteiras coloniais, que são mantidas como regra pelo temor à pulverização de Estados; 2) o fato de que o Estado precede a nação, tendo em vista que as fronteiras não delimitam unidades culturais e étnicas e 3) o choque político e cultural provocado pela herança abrupta de aparelhos e instrumentos políticos e ideológicos europeus aos quais as lideranças africanas não se tinham ainda habituado. Outros pontos relevantes apontados por Pereira dizem respeito à fragilidade das classes sociais africanas, no qual o autor, utilizando o conceito de formações sociais, afirma que as populações africanas que viviam sob o tipo tributário foram incorporadas abruptamente ao modo de produção capitalista, acarretando numa subalternidade das antigas classes dominantes e ascensão de uma camada de intelectuais urbanos que controla o Estado moderno. O quadro é de um campesinato empobrecido e um operariado incipiente e desorganizado. Do ponto de vista ideológico, Pereira afirma que as ideologias de vanguarda elaboradas pelas camadas intelectuais como a Negritude e o Pan-africanismo, formaram-se como uma negação às ideologias colonialistas que afirmavam a inferioridade racial do negro. Nesse sentido, essas afirmações africanas se opunham ao racismo branco dentro da mesma visão racializada transtribal ou pan-étnica, porém, “caducaram” junto com a derrocada do pensamento racial homogeneizante e a emergência das identidades étnicas locais.

O objetivo de Gérard Chaliand é analisar a situação da África, sobretudo a subsaariana, enquanto objeto de disputas das potências industriais, visando a um esclarecimento das causas históricas e globais dos acontecimentos que marcavam o início dos anos 1980, tais como os conflitos violentos, os jogos estratégicos das potências no contexto da guerra fria, o interesse econômico nas fontes de matérias-primas, a fome, a miséria e falta de estrutura, ou, nas palavras do autor, a fraqueza1 da maioria dos Estados africanos subsaarianos. A primeira parte do livro, intitulada “Interesses em jogo e contexto africano”, inicia com uma afirmação que depois é retomada em várias partes do texto: de que a partir de 1975, com a “retirada” dos portugueses, a África negra deixou de ser um terreno de influência exclusivamente ocidental, e esse vazio passa a ser disputado por novas potências, sobretudo a URSS e os Estados Unidos, que, desde o aparecimento da bomba nuclear, administram as crises, as guerras limitadas no terceiro mundo, disputando as influências políticas, econômicas e ideológicas. Nesse contexto, a África aparece não como uma prioridade, mas como uma “cartada” geoestratégica importante. Chaliand faz um balanço sobre os processos de independência dos países africanos, defendendo, o uso do termo “descolonização”, pois daria conta dos processos em que, na maioria dos casos, a transmissão do poder se realizou sem grandes choques e através de agentes favoráveis às antigas metrópoles. Para caracterizar os Estados nacionais, Chaliand também afirma ser inadequado o conceito de Estado-nação para esses países africanos, tendo em vista a heterogeneidade das populações dentro de um mesmo território que fora demarcado arbitrariamente.

Dentre vários fatores negativos apontados para a fragilidade dos Estados africanos, além dos climáticos e sociais, Chaliand destaca que a africanização das funções nos recentes Estados se dá de forma débil, tanto pela inexistência de quadros qualificados, como pela escolha de modelos externos herdados das antigas metrópoles ou importados de países socialistas. Chaliand aponta para a “falta de imaginação” dos estados africanos em criar modelos mais adequados às suas realidades. Porém, afirma que houve seleções nessa adaptação do modelo estatal, pois, se do ponto de vista institucional e organizacional o modelo europeu foi copiado, o seu espírito de democracia não foi assimilado, pois o autoritarismo e a estrutura autocrática continuam como traço dominante. Nesse sentido, as forças armadas, o exército, que se constitui, às vezes, como única força organizada tem tomado o poder em vários estados através de golpes de Estado e instaurado ditaduras étnicas.

A partir desse ponto, Chaliand aponta para a diversidade da África subsaariana que, apesar de possuir aspectos comuns, apresenta uma realidade muito diversa do ponto de vista de riqueza em recursos materiais e humanos, situa a região do Sahel como sendo a mais miserável, tanto em recursos agrícolas, como de minérios; o oeste e o leste com alguns pontos de riqueza, sobretudo ligados à exploração do petróleo, porém com pouca distribuição entre a população, e a região sul como a mais rica e com melhores meios para se desenvolver. Também aponta problemas comuns a essas regiões, como o déficit alimentício, o crescimento demográfico, a deterioração dos termos de troca, a urbanização não planejada, a desqualificação do interior- campesino, a falta de estrutura sanitária, a opulência e corrupção das elites - que não investem na estrutura de seus países, a predominância de interesses e conflitos étnicos, a frágil estratificação social, ausência de lideranças que tenham uma base de massa, as migrações internas e externas e a baixa escolaridade.

Nesse sentido, o autor vai apontando como, especificamente em cada país, no processo de independência, essas condições gerais negativas acima descritas se fizeram presentes em maior ou menor grau. O autor sublinha a experiência de Cabo Verde como sendo uma exceção na qual a elite governante apresentou consciência das limitações dos recursos disponíveis, agiu sem logomania e com modéstia em relação ao padrão de vida, pensando nas necessidades da população em primeiro lugar. Ele faz um levantamento da descolonização das colônias portuguesas pela luta armada, apontando a fragilidade das forças combatentes e também analisou os casos de conflitos autonomistas ou secessionistas, como no Sudão. Eritréia e lutas pela mudança do estatuto territorial ou de Regime, como o Saara Ocidental e Chade, que envolvem problemas territoriais, étnicos e religiosos, sobretudo ligados aos muçulmanos e à influência árabe que tenta expandir-se para o sul - o Sahel e tenta dominar o Mar Vermelho, envolvendo em suas lutas a presença de potências como a URSS e a França. Aponta como uma especificidade da África subsaariana o fato de que seus conflitos são travados por intermédio de corpos expedicionários estrangeiros, que envolvem interesses econômicos, sendo a dimensão ideológica importante, embora não determinante.

O texto Chaliand faz uma reflexão sobre os estudos de alguns pensadores que, na escrita sobre a África subsaariana camuflam um pensamento racista e paternalista por meio de expressões pouco abstratas como “baixo nível de forças produtivas”, “atraso”, afirmando que há um hiato entre o que pensam esses especialistas e o que escrevem, apontando para a necessidade de um espírito crítico e franco sobre o objeto de estudo. Nesse sentido, Chaliand justifica e autoriza a sua utilização no conceito de “fraqueza africana” ao longo se seu texto, afirmando que é necessária a busca das razões históricas dessas fraquezas, que não são inatas. Nesse sentido, aponta para o modo de vida dos “tempos imemoriais” para a compreensão da baixa produtividade exigida tanto pelo modelo capitalista como socialista e para o “atraso profundo” se comparado com a “evolução” das sociedades sedentárias do norte do continente e da Ásia. Nesse sentido, Chaliand se legitima na fala de Amílcar Cabral sobre a morosidade e o despreparo da luta armada. Chaliand faz a ressalva de que essas suas colocações se dão segundo a óptica do sistema produtivista que é dominante no mundo e que não tem escapatória a não ser que se crie um modelo radicalmente diferente.

Antes de trabalhar as intencionalidades políticas dos países industriais na África, Chaliand faz um levantamento das riquezas minerais que estão em jogo nesses interesses. Esse levantamento, que aponta a especificidade de cada país produtor, não destoa do esquema cardeal apresentado acima que reforça a pobreza do Sahel em relação à riqueza do sul, com algumas contribuições no que diz respeito à falta de estruturas para a exploração da produção na maioria dos países e a dependência de países externos, ou da potência regional - África do Sul – para o transporte e produção. A partir disso, Chaliand descreve os principais interesses dos países industrializados, a começar pela URSS, que, ao auxiliar os movimentos de libertação nas ex-colônias portuguesas, têm um interesse estratégico em ocupar os espaços vazios, ampliando o mundo comunizado; ocupar uma posição no Atlântico (Angola e Moçambique) - acesso a mares quentes, bases marítimas e centros de escuta; fechar o progresso da influência chinesa e diminuir a liberdade de ação dos adversários. Os meios para isso são a ajuda militar, formação de estudantes e estagiários e ajuda econômica. A ajuda soviética também se deu através da utilização de tropas cubanas, que tiveram influência no treinamento militar, técnico e médico. Essas tropas cubanas foram de extrema importância na vitória das forças de libertação e assessoramento, porém, os cubanos tiveram certa autonomia de decisão e política em relação à orientação da URSS.

Não existiu uma política americana global na África subsaariana. Ela esteve condicionada a interesses econômicos específicos em cada país, tais como a riqueza mineral e a abertura de investimentos, como no caso da Guiné, Libéria, Nigéria, Zaire (Congo), e Quênia. Nesse sentido, a política também se caracterizou por dar apoio às soluções reformistas aceitáveis adotas pelos Estados para impedir a radicalização dos nacionalistas africanos. Além disso, no contexto analisado, a África negra aparece secundariamente nos interesses estado-unidenses, que, marcados pelo traumatismo vietnamita, focam-se mais na América Latina, chegando, algumas vezes, a abrir mão de intervir em conflitos locais. A ação chinesa na África é ímpar, com ajuda econômica limitada e distribuída a um grande número de países, ela se caracteriza pela realização de projetos de infra-estrutura, como estradas de ferro e sedes de governo e é caracterizada como ligada essencialmente a dados político-estratégicos de longo prazo que, na prática, definiram-se contra os soviéticos.

Quanto à Europa ocidental, a potência que mais se destaca nas intervenções na África é a França. Com um número alto de capital investido e apresentando laços íntimos com suas ex-colônias, a França, por interesses ideológicos, políticos e econômicos, estabeleceu muitas alianças com as direções africanas, através de “ajudas” quanto à educação, assistência técnica e sanitária. Chaliand acentua que a política francesa não visa somente a defender seus interesses, proclama-se como defensora dos interesses europeus ocidentais na África. Para além do ocidente, a influência árabe e muçulmana também atua no continente, sobretudo através de conversões e expansão de escolas corânicas, assim como em termos de “ajuda” financeira, empréstimos, etc. A última influência apontada pelo autor diz respeito ao Japão que, desde 1979, tem lançado uma ofensiva diplomática na África negra, sobretudo para o comércio de matérias primas de que ele necessita, como o amianto, o manganês, o cromo, petróleo, etc.

Chaliand conclui o texto apontando a fraqueza dos Estados africanos como causa das intervenções estrangeiras, que colocam a África subsaariana como um objeto de disputa entre as potências exteriores.

Questão:

Tendo em vista que o autor pontuou questões sobre a escrita da história da África como sendo realizada de forma preconceituosa ao longo dos anos, por que ele não enfatizou a agência negra em sua análise, ou seja, mais que a atuação das potências e das condições estruturais do capitalismo global, por que não trabalhou mais as especificidades de cada governo quando ascendeu ao poder ou de cada organização partidária em buscar aliados, ou seja, porque não investigou as opções, as possibilidades de escolha dentro das condicionalidades existentes?

1O autor caracteriza como fraquezas africanas: fraqueza demográfica, das estruturas sociais, inexistência de estruturas nacionais e baixo nível das forças produtivas. p. 26. Além disso, dependência monetária, econômica e política e desigualdade na distribuição de renda.


TEXTO: A Luta pela África: estratégias das potências. Editora Brasiliense: 1982.

AUTOR: Gérard Chaliand

PREFÁCIO: José Maria Nunes Pereira

domingo, 5 de junho de 2011

Absuelto profesor Miguel Ángel Beltrán, que estaba preso por ser presunto ideólogo de las FARC


La de Miguel Ángel Beltrán es la primera acusación judicial que se cae por cuenta de la jurisprudencia de la Corte Suprema de Justicia, que declaró ilegales las pruebas provenientes de los PC de ‘Raúl Reyes’.
Viernes 3 Junio 2011

Tras dos años de permanecer tras las rejas, acusado de rebelión y concierto para delinquir, fue ordenada la excarcelación del docente Miguel Ángel Beltrán, a quien las autoridades colombianas identifican como ‘Jaime Cienfuegos’ y miembro del Frente Internacional de las FARC.


Beltrán, graduado en licenciatura en Ciencias de la Educación con especialidad en Ciencias Sociales de la Universidad Distrital , y en Sociología en la Universidad Nacional de Colombia, antes de ser detenido fue profesor en universidades en Colombia, y se encontraba en México con el ánimo de adelantar estudios en la Universidad Nacional Autónoma de México, UNAM.


En mayo de 2009, Beltrán fue deportado desde México en una operación conjunta con las autoridades colombianas y capturado a su llegada al aeropuerto de Bogotá. La Fiscalía y la Procuraduría habían solicitado su condena basados en supuestas comunicaciones del acusado con el abatido cabecilla de las Farc alias ‘Raúl Reyes’.


Según dijo en su momento el director de la Policía General Óscar Naranjo, Beltrán era "muy cercano y asesor de 'Raúl Reyes'"


La Juez Cuarta Especializada de Bogotá determinó que no había suficiente material probatorio para condenar a Beltrán, basada en una reciente jurisprudencia de la Corte Suprema de Justicia que declaró como ilegal cualquier prueba proveniente de los computadores de ‘Reyes’. Así las cosas, procedió a ordenar la libertad del acusado previo pago de 10 salarios mínimos.


“Triunfó la verdad, el pensamiento crítico no es terrorismo. Fueron dos años duros”, fueron las primeras palabras a la prensa pronunciadas por Beltrán tras conocer el fallo, cuya argumentación completa se dará a conocer en audiencia el próximo 8 de junio.


Testimonio a favor

Un ciudadano mexicano que colaboró con los organismos de inteligencia colombianos en su país declaró ante un organismo internacional que el Beltrán no pertenece a las FARC.


Según reveló Noticias Uno, el testigo había afirmado recientemente ante la oficina de Alto Comisionado para los Derechos Humanos de Naciones Unidas en México que el colombiano Miguel Ángel Beltrán no es integrante del Frente Internacional de ese grupo guerrillero.


Pese a que eso fue lo que le informó en su momento al Departamento Administrativo de Seguridad (DAS), cuerpo de seguridad para el que trabajaba, al extranjero -cuyo nombre se mantiene en reserva – se le respondió que “Beltrán era uno de los mayores trofeos de los gobiernos de Colombia y México”.


El noticiero aseguró que el testigo se preparó en la Escuela Superior de Guerra de Bogotá y trabajó, según su declaración, bajo las órdenes del excoordinador de operaciones del DAS Fabio Duarte Traslaviña, quien actualmente está detenido.


El mexicano afirmó en su declaración que le hizo seguimiento durante varias semanas a Beltrán, así como también a la exsenadora Piedad Córdoba.Según el noticiero, el testigo será tenido en cuenta en los juicios que adelantan por el escándalo de las interceptaciones ilegales del DAS.


¿Quién es?

Es un hombre de 46 años. Un académico neto, de bajo perfil, voz pausada, reflexivo, disciplinado, y querido por sus alumnos y compañeros de trabajo. Proviene de una familia humilde de Bogotá. Su padre es un policía jubilado, y su madre, ama de casa.


Se le conocía como un simpatizante de la Unión Patriótica y del Partido Comunista, pero nunca como un activista ni vocero de estas organizaciones. Durante los años 90 estuvo en México Justificarestudiando una maestría en Flacso y un doctorado en la UNAM, donde al parecer frecuentaba a Marcos Calarcá, miembro de la Comisión Internacional de las Farc.


De hecho, en el año 2000 la inteligencia colombiana tomó una foto donde aparece Beltrán con Calarcá, Olga Marín y otro miembro de las FARC, en México. Sin embargo, en ese momento estaba en curso el proceso de paz del Caguán y en México había licencia para que los miembros de esta guerrilla se reunieran con diferentes personalidades.


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sexta-feira, 3 de junho de 2011

CONVITE:: VOCÊ ACHA QUE TEMOS O QUE COMEMORAR NO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE?

CONVITE

VOCÊ ACHA QUE TEMOS O QUE COMEMORAR NO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE?

O RELATÓRIO DO DEPUTADO ALDO REBELO PARA MUDAR O CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO É UM ATENTADO CONTRA VIDA!

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

Se a resposta é, ao lado da vida, você é um (a) dos nossos (as). Já faz tempo que estamos nessa batalha para impedir o insulto ao povo brasileiro que lamentavelmente aconteceu na Câmara Federal, aprovando o relatório da destruição de Aldo Rebelo do PCdoB com apoio de 410 deputados, contra a natureza e as futuras gerações. Anistiaram milhares de criminosos que atentaram contra a natureza, derrubando nossas matas, destruindo biomas, assoreando nossos rios, e como se tudo isso não bastasse, deram a estes, passe livre para aprofundar a devastação.

Já fizemos Audiência Pública, já falamos na imprensa, realizamos debates, já fomos pra rua denunciar e não estamos parados. Precisamos de mais gente nessa caminhada. Neste domingo, Dia Mundial do Meio Ambiente, estaremos no Brique da Redenção a partir das 10 horas, junto ao Monumento do Expedicionário, fazendo nossa manifestação de repúdio a esse levante dos capitalistas do agronegócio, que só pensam em acumular grana e poder. Lá estaremos com cadeiras de praia, chimarrão, faixas de protesto e panfletos para entregar a população batendo um bom papo sobre a situação ambiental de nosso país. Teremos também importante apresentação teatral de jovens do Grupo Levanta Favela.


Todos (as) lá!

O quê? Manifestação Pública no Dia Mundial do Meio Ambiente
Onde? No Brique da Redenção, próximo ao Monumento do Expedicionário.
Dia e hora: 05 de junho, domingo, 10 horas.

NO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE,

NADA A COMEMORAR VENHA PROTESTAR!

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
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  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira