segunda-feira, 3 de agosto de 2009

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO - Acompanhou o Cmte. Che Guevara em todas as campanhas militares

autorizada publicação: jornalista Paulo Roberto Tiecher de Jesus, do jornal A VERDADE.

Entrevista realizada na XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba - Florianópolis-SC/Brasil

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO: É General de Brigada e Herói Nacional de Cuba. Membro da Associação Nacional de Combatentes, do Comitê Central do PCC (Partido Comunista de Cuba) e deputado da Assembléia Nacional do Poder Popular (ANPP) de Cuba. Foi o único que acompanhou Che Guevara em todas as campanhas militares: em Sierra Maestra, na Campanha de Las Villas, na África e na Bolívia, Ele publicou seu diário "Pombo: um homem da Guerrilha de Che".
A VERDADE: Que papel representou Sierra Maestra para a vitória da Revolução?

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO: Sierra Maestra tem um lugar onde se concentra toda a luta que abriu caminho para a tomada do poder pela Revolução, embora não se possa falar da Revolução pela luta insurrecional em Sierra Maestra. Nela se desenvolveu a luta insurrecional, foi o berço da Revolução, porque dela emana a possibilidade de que surja o exército rebelde, se derrote a tirania batistiana. Portanto, quando se chega ao governo, se pode fazer todas as mudanças, políticas, sociais, culturais. Isso dá origem ao nascimento e desenvolvimento da Revolução. Como toda Revolução que nasce, há que lutar pela democracia.

A VERDADE: Como o Che conseguiu conciliar a luta com a asma?

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO: Eu diria que ele não conciliou. A conciliação é um acordo, e o Che resistiu com uma vontade tenaz. O Che construiu sua mente com deleite, dignificou a si mesmo, desde criança teve como norma fazer exercícios, esportes, natação. Nas condições propícias da Sierra Maestra, tinha algum medicamento, mas padeceu muitos ataques de asma, por vezes nem podia caminhar, mas resistia pela força da vontade.

A VERDADE: Como foi a batalha de Santa Clara?

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO:A batalha de Santa Clara acelera a derrota da tirania batistiana, porque a guerra havia começado no Oriente, onde se concentraram as grandes forças e já Fidel Castro se encontrava às portas de Santiago de Cuba, que é a segunda cidade. Ao aparecer um movimento, uma guerrilha no centro do país, e ao se derrubar El Guindado, que Batista havia construído com a esperança de levar reforços ao Oriente, e perder esse posto, se sentiu realmente perdido. Isso acelerou a queda de Batista. Fidel Castro disse que na Batalha de Santa Clara, o Che havia demonstrado sua maestria, pois nunca havia estudado arte militar e mesmo assim, na organização do combate se graduou como estrategista. Com muito poucas forças, havia derrotado um adversário que estava na defesa com um número de soldados superior. Normalmente, na correlação de forças entre a defesa e a ofensiva, militarmente quem está na ofensiva, deve ter no mínimo uma superioridade de 3 a 1, e em Santa Clara foi de 10 a 1 a favor do exército de Batista. Na União Soviética, na Grande Guerra Pátria, quando partiram para a contra-ofensiva, a correlação de forças favoráveis era de 200 a 1. Isso deixa clara a importância da correlação de forças. Como o Che demonstrou sua maestria? A decisão de não atacar todos os pontos ao mesmo tempo, mas sitiando cada lugar e aniquilando os pontos de resistência de forma gradual e movendo magistralmente as forças, e isso o diz quem participou de quase todos os combates.

A VERDADE: A Comissão de Direitos Humanos da OEA aprovou um relatório afirmando que Cuba desrespeita os direitos humanos. Como o governo cubano vê essa resolução?

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO: A resolução é positiva, porque se estava cometendo contra Cuba uma grande injustiça. Éramos acusados de violadores dos direitos humanos e não dos direitos civis. Há uma diferença entre direitos humanos e direitos civis. Os direitos civis formam parte dos direitos humanos. O primeiro direito humano é o direito a vida. O direito a educação, a saúde, são os primeiros direitos, porque definem a vida do ser humano, definem a qualidade do ser humano. Depois vem os direitos civis, que tem que ver com o desenvolvimento. Não há na América, e possivelmente no mundo, ninguém que tenha direitos humanos mais justos que em Cuba. Não há quem tenha feito mais, pela educação de todo um povo, e que todo um povo possa ser profissional, e que todo um povo possa escolher o que quer estudar, não há quem tenha feito mais pela saúde do ser humano do que Cuba, onde todos os serviços são gratuitos. O que não temos é porque não nos permitem comprar a tecnologia, não nos permitem ter acesso a ela. Quer coisa mais desumana do que se passou no Chile? Querem dominar-nos pela fome, pela subversão. Os direitos políticos em Cuba tem todo um sistema institucional dos direitos jurídicos, que estão dados pela existência de uma promotoria que defende os interesses do estado. Estão dados por um conjunto de leis, está tudo institucionalizado e cada cubano tem acesso. Agora, há a questão dos delinqüentes. Em Cuba 70% das sanções impostas se cumpre na cadeia. Há limitações domiciliares. Quem comete um delito pode cumprir pena num campo de trabalho. Não se pode confundir a situação humana com a dos 5, foram presos por 17 meses numa cela, sem razão a não ser as políticas. Meteram-nos num buraco sem ver suas famílias. Em Cuba quando alguém vai preso se submete aos tribunais em 48 horas, não se viola nenhum direito. Em Cuba, diz-se, há manifestações como a dos Estados Unidos, em que a polícia bate nas pessoas. Isso quem o diz é a CNN...

A VERDADE: A última questão é a volta de Cuba para a OEA?

HARRY ANTONIO VILLEGAS TAMAYO: A América está mudando, e tomaram consciência de que o mais justo é estabelecer justiça para os cubanos, porque nos expulsaram injustamente. Os Estados Unidos impuseram nosso afastamento, porque mudamos nosso sistema social, porque havíamos dado alguns passos para nos acercarmos da União Soviética. E porque nos aproximamos da União Soviética? Porque não quiseram mais comprar-nos açúcar, e a União Soviética sim. Tiraram-nos o petróleo e a União Soviética nos forneceu. Os Estados Unidos consideraram que nós havíamos criado um sistema marxista-leninista, quando nós ainda não o havíamos criado. Nós queríamos criá-lo, o tínhamos em mente, mas ainda não se havia manifestado. Fomos sancionados e nos isolaram. Agora reconheceram o crime que cometeram conosco , nos pediram desculpas e suspenderam a sanção. Suspender a sanção não resolve o problema. Querem obrigar-nos para voltar à OEA, que organizemos partidos como os que há nos Estados Unidos. Em Cuba há milhões de partidos, pois qual a função de um partido? Eleger seu candidato. Em Cuba se seleciona o candidato, por povoado, por bairro. Todo cubano pode participar nas eleições. Querem que renunciemos a nossa democracia, que adotemos a deles. Quem pode ser senador nos Estados Unidos? Quanto gastou Obama para chegar à presidência? Quem pode ser representante dos Estados Unidos? Só os deputados. Em Cuba toda a sociedade participa do processo. Em Cuba são os operários, são os camponeses, são os estudantes, são os militares. Tem processo de revocação, nos Estados Unidos não, no Chile não. Isso é mais democrático. Temos que ir a OEA? Temos que pensar como pensou Hatuey, um índio que veio da República Dominicana e os espanhóis o ataram num poste para queimá-lo. Os espanhóis lhe perguntaram se queria batizar-se cristão e assim ir para o Céu. Ele respondeu, perguntando se os espanhóis também iriam para o Céu. Ao ouvir deles que sim, lhes disse: Então eu não quero ir, quero distância de vocês... Então se os Estados Unidos estão na OEA, não queremos entrar nela. Queremos uma organização de estados da América Latina. Os europeus são melhor do que nós? Tem mais diferenças que nós. Nem falam a mesma língua, nem tem os mesmos interesses, tiveram milhões de guerras entre eles, mas chegaram a conclusão de que a única forma de resistir aos Estados Unidos é unir-se. E os latino-americanos? Quando vamos nos convencer de que a única forma de resistir é unidos?

sábado, 1 de agosto de 2009

PERSONA NON GRATA



O Comitê Gaúcho de Lutas Contra o Neoliberalismo vem publicamente declarar seu repúdio a presença na Universidade Federal de Pelotas – Ufpel - de Nelson Jobim. Esse é um político tradicional, fruto das oligarquias dominantes, com passagem por todos os poderes constituídos ( STF, Congresso Nacional e Governo Federal; FHC e Lula ). A última desse ministro que nada defende o Brasil foi, a pretexto de combater o narcotráfico, fechar um acordo com a Colômbia que permite a violação de nosso território por aeronaves daquele país, justo no momento em que o governo do narcotraficante Álvaro Uribe, cede quatro bases para os ianques se instalarem.

A consolidação do domínio econômico e militar da América Latina tem sido uma das principais prioridades do governo dos Estados Unidos. O crescente processo de militarização no Continente tem como objetivo assegurar o controle de recursos naturais, principalmente na região amazônica. O poderio militar dos EUA é um dos principais instrumentos de recolonização da América Latina. Esse processo no continente tem gerado o aumento das violações de direitos humanos e da repressão a movimentos sociais, o deslocamento e a migração forçada de milhões de pessoas, a destruição do meio-ambiente, a perda da soberania e da autodeterminação dos povos..

Temos que nos opor a esse tipo política, que compromete a segurança e a soberania de nosso país. Denunciarmos a mídia burguesa que sempre servil ao império e não tem dado qualquer destaque a essa militarização e desmascararmos também esse ministro que fantasiado de milico, tem seguidamente posado na mídia, como defensor da soberania do Brasil.

Fora Jobim lacaio dos ianques!

Fora com todas as bases militares ianques do continente!

Apóiam esse documento:

Coordenadora Continental Bolivariana - Capitulo Brasil Luis Carlos Prestes; Juventude Cinco de Julho; PCML Partido Comunista Marxista Leninista – Br- Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo

Entrevista CAMILO ROJO ÁLVAREZ, sobre os 5 Heróis Cubanos Presos no EUA

Cedido pelo Jornal A VERDADE - jornalista Paulo Roberto Tiecher de Jesus


CAMILO ROJO ÁLVAREZ: Advogado, filho de Jesús Rojo Quintana, uma das vítimas do atentado contra o avião da empresa Cubana de Aviación, em 1976, na costa de Barbados. Ele representa o comitê dos familiares das vítimas do terrorismo em Cuba. É um dos Advogados dos cinco antiterrorristas injustamente presos em território estadunidense. Tem participado de numerosos encontros internacionais para denunciar os atos terroristas que têm sido praticados contra Cuba.

A VERDADE: Qual a atual situação jurídica dos 5 patriotas cubanos presos nos EUA?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: Nesse momento estamos aguardando a decisão da Suprema Corte dos EUA, que deverá se pronunciar dia 15. Ela só aceita 2% dos casos. Daí a importância da solidariedade, das cartas, para reforçar a pressão para que a Corte aceite o caso. Além disso, se dia 15 a Corte não aceitar o caso, juridicamente não há mais o que fazer. Que restaria a fazer? A única possibilidade de que os 5 venham a ser libertados está na solidariedade.

A VERDADE: Como está a situação dos familiares, podem visitá-los?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: A punição injusta não está restrita aos 5 presos. Também suas famílias sofrem por não poder visitá-los. É o caso de Olga e Áurea, que não podem visitar seus maridos. Já se passaram onze anos sem visitas.

A VERDADE: É possível fazer uma comparação do tratamento dispensado pelos EUA a Posada Carriles e aos 5 patriotas cubanos? Ou seja, Posada é o terrorista bom e os 5 são os terroristas maus?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: Terrorismo não é mau nem bom.Terrorismo é toda ação da qual resultam pessoas inocentes mortas e feridas, além de danos materiais. Hoje mesmo, 12 de junho, a Justiça estadunidense acaba de dizer que o julgamento de Posada ficará para primeiro de fevereiro de 2015, ou seja, a justificação que dá é para que os advogados de Posada se preparem melhor. É uma evidente manipulação da Justiça. É um evidente “jeitinho” da Justiça estadunidense. Não se explica, com os elementos de prova que há, com os testemunhos que há, com os documentos desclassificados da CIA que se tenha de adiar o julgamento de um homem acusado de terrorismo. Apesar de tudo, seguem adiando o julgamento. Em relação aos atentados de Havana, adiaram o julgamento para primeiro de fevereiro de 2009.

A VERDADE: Há algum pedido de indenização pela prisão injusta dos cinco cubanos presos?

CAMILO ROJO ÁVAREZ: Cuba está pedindo justiça. Não pedimos indenização, não há dinheiro no mundo que pague o que nos fizeram e nem o que nos fazem, com suas politicas injustas e desumanas.

A VERDADE: Há em Cuba algum respaldo da população a esses grupos terroristas?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: Em Cuba não há apoio da população a essas pessoas. O que há é ação de governo estrangeiro incentivando tais atos.

A VERDADE: O governo dos EUA tenta evitar a ação desses grupos ou escamoteia a questão, fazendo que não sabe?

CAMILOROJOÁLVAREZ: O governo estadunidense paga a esses grupos.

A VERDADE: Os atentados serviram para maior união do povo cubano em defesa dos ideais da revolução, do socialismo, em torno do governo?

CAMILOROJO ÁLVAREZ: O povo cubano vem se fortalecendo desde 1959. Tem-se claro a necessidade de preparar o povo quanto a pressão do adversário. Se ainda lhe tiram um amigo, isso dá a medida de que semeiam em seu coração o total desprezo por nossos filhos. Hoje o povo cubano sabe que Posada Carriles, um terrorista, está livre, e os cinco cubanos, que não são terroristas, estão presos. O povo cubano se dá conta da injustiça que está cometendo o governo estadunidense, e de que democracia querem que apliquemos – a mesma que tem os EUA?

A VERDADE: Como o governo brasileiro se posiciona em relação aos cinco? Qual a ajuda política que dá para a libertação dos cinco?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: O governo brasileiro tem escrito à Suprema Corte dos EUA. O governo brasileiro nos tem ajudado, mas a ajuda poderia ser bem mais produtiva, não se atendo somente a figuras de retórica, poderia ser uma ajuda mais prática e efetiva, porém estou seguro de que Lula deseja ver os cinco cubanos livres. Estou seguro de que Lula quer a prisão dos terroristas.

A VERDADE: Como poderiam as organizações populares, como a Associação Cultural José Martí, os partidos de esquerda, apoiar mais efetivamente a luta?

CAMILOROJOÁLVAREZ: Que se dirijam a seus senadores, a seus governantes, e que esses senadores e governantes se pronunciem em nome do povo brasileiro junto ao Senado dos EUA. Isso constituiria um grande apoio. Nesse momento, não podemos perder tempo escrevendo documentos. O importante é pressionar nossos senadores, nossos deputados, nossos governantes, para que exijam dos deputados, dos senadores e do governo estadunidense a aplicação da Justiça.

A VERDADE: As agências de notícias apresentam aos cinco como terroristas, não fazendo o mesmo em relação a Posada Carriles. Como Cuba faz o contraponto?

CAMILO ROJO ÁLVAREZ: Tenho uma má experiência com jornalistas estadunidenses, pois me entrevistaram e não publicaram tudo que lhes disse. Dizem que em Cuba não há livre expressão, mas o que há com os jornalistas estadunidenses que censuraram o que lhes disse? Só nossos amigos tem rompido o silêncio midiático, como fez o presidente Chávez nas Nações Unidas, quando falou de Posada Carriles.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O que acontece em Xinjiang?


Domenico Losurdo, para a revista alema Jungue Welt- julho 09
Tradução de Jaime Clasen
publicado no Brasil na coluna da editora REVAN, Rio de Janeiro.

Lembram-se do que acontecia nos anos da guerra fria e, sobretudo, na sua fase final? A imprensa ocidental nunca se cansava de noticiar o tema dos fugitivos da ditadura comunista em busca da conquista da liberdade. Na segunda metade da década de 1970, depois da derrota que sofreram o governo fantoche de Saigon e as forças de ocupação estadunidenses, o Vietnã finalmente reunificado era pintado como uma enorme prisão, da qual fugia o boat people desesperado, junto com sua fortuna e arriscando a vida. E com as variações de caso a caso, esse tema era repetido a propósito de Cuba, da República Democrática Alemã e de qualquer outro país excomungado pelo “mundo livre”.

Hoje, todos podem ver que das regiões orientais da Alemanha, da Polônia, Romênia, Albânia, etc., apesar da liberdade finalmente conquistada, o fluxo migratório para o Ocidente continua e até se acentua. Só que esses migrantes não são mais recebidos como combatentes pela causa da liberdade, mas são muitas vezes rejeitados como delinquentes, pelo menos potenciais. As modalidades da grande manipulação agora se tornaram claras e evidentes: a fuga do sul para o norte do planeta, da área menos desenvolvida (em cujo âmbito era colocado também o “campo socialista”) para a área mais desenvolvida e mais rica, esse processo econômico foi transfigurado pelos ideólogos da guerra fria como uma empresa política e moral épica, exclusivamente inspirada pelo sublime desejo de chegar à terra prometida, ou seja, o “mundo livre”.

Uma manipulação análoga está ocorrendo debaixo de nossos olhos, na China. Como explicar os graves incidentes que se verificaram em março de 2008 no Tibete e que, em escala mais ampla, nesses dias, estão se espalhando pelo Xinjiang? No Ocidente, a “grande” imprensa de “informação”, mas também a “pequena” imprensa de “esquerda” não têm dúvidas: tudo se explica com a política liberticida do governo de Pequim. No entanto, deveria fazer refletir o fato de que, mais do que instituições estatais, a fúria dos manifestantes tem como alvo a etnia han e, sobretudo, os negócios dos han.

Contudo, em qualquer livro de história se pode ler que, no Sudeste asiático (em países como a Indonésia, a Tailândia, a Malásia) a minoria chinesa, que muitas vezes graças também à cultura empreendedora que tem por trás, tem um peso econômico nitidamente superior à sua dimensão demográfica, é regularmente “o bode expiatório e a vítima de verdadeiros progrom”. Sim, no Sudeste asiático “o êxito econômico dos Hua quiao [os chineses de ultramar] é acompanhado de ciúmes que desembocam regularmente em explosões de violência antichinesa, que às vezes acabam perturbando as relações diplomáticas. Foi, em particular, o caso da Malásia durante a década de 1960, da Indonésia em 1965, quando as desordens internas foram o pretexto para o massacre de diversas centenas de milhares de pessoas. Trinta anos mais tarde, as revoltas que caracterizaram na Indonésia a queda do ditador Suharto e que golpearam sistematicamente a comunidade chinesa, chamaram de novo a atenção para a fragilidade da situação”. Não por acaso, o ódio antichinês foi muitas vezes comparado ao ódio antijudeu. Com o extraordinário desenvolvimento que estão conhecendo o Tibete e o Xinjiang, também nestas regiões tendem a se reproduzir os progrom contra os han, que são atraídos pelas novas oportunidades econômicas e que frequentemente veem os seus esforços coroados pelo sucesso. O Tibete e o Xinjiang atraem os han do mesmo modo que Pequim, Xangai e as cidades mais avançadas da China atraem os empresários e os técnicos ocidentais (ou chineses de ultramar), que muitas vezes desempenham um papel importante em setores onde podem ainda fazer valer a sua especialização superior. Não tem sentido explicar os graves incidentes no Tibete e no Xinjiang com a teoria da “invasão” han, uma teoria que certamente não funciona para o Sudeste asiático. Por outro lado, também na Itália e no Ocidente, a luta contra a “invasão” é o cavalo de batalha dos xenófobos.

Agora, porém, concentremo-nos no Xinjiang. Em 1999, a situação vigente nessa região foi descrita pelo general italiano Fábio Mini na revista “Limes” da seguinte maneira: está em curso um extraordinário desenvolvimento, e o governo central chinês está comprometido em “financiar, com retorno quase zero, imensas obras de infraestrutura”. Pelo que parece, o desenvolvimento econômico anda junto com o respeito pela autonomia: “A polícia local é composta em sua grande maioria por uigures”. Apesar disso, não falta a agitação separatista, “parcialmente financiada por extremistas islâmicos, como os talibãs afegãos”. Trata-se de um movimento que “se mistura com a delinquência comum” e que está manchada de “hediondez”. Os atentados parecem visar em primeiro lugar os “uigures tolerantes ou ‘colaboracionistas’” ou os “postos policiais”, controlados, como vimos, pelos uigures. Em todo caso – concluía o general, que não escondia as suas simpatias de natureza geopolítica pela perspectiva separacionista – “se os habitantes do Xinjiang fossem chamados hoje a um referendo sobre a independência, provavelmente votariam em maioria contra”. E hoje?

Na “Stampa”, Francisco Sisci relata de Pequim que “muitos han de Urumqi se lamentam pelos privilégios de que gozam os uigures. Estes, de fato, como minoria nacional muçulmana, em nível de igualdade têm condições de trabalho e de vida muito melhores do que seus colegas han. Um uigur no trabalho tem a permissão de parar mais vezes durante a jornada para cumprir com as cinco orações muçulmanas tradicionais do dia [...] Além disso, podem não trabalhar nas sextas-feiras, dia feriado muçulmano. Em teoria, deveriam compensar no domingo. Na verdade, nos domingos as delegacias estão desertas [...] Outro ponto crítico para os han, submetidos à dura política de controle familiar que ainda impõe o filho único, o fato é que os uigures podem ter dois ou três filhos. Como muçulmanos, portanto, têm salário maior, em virtude de que, não podendo comer carne de porco, devem comprar carne de ovelha, que é mais cara”.

Então não tem sentido, como faz a propaganda filo-imperialista, acusar o governo de Pequim de querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures.

Naturalmente, junto com o perigo representado pelas minorias, por um lado, envenenadas, em certos setores, pelo fundamentalismo e, por outro lado, incitadas pelo Ocidente, é preciso ter presente o perigo do chauvinismo han, que também nesses dias se faz sentir; e é um problema para o qual o Partido Comunista Chinês sempre chamou a atenção, desde Mao Tse-dung até Ju Jintao. Mas aqueles que, à esquerda, estão inclinados a transfigurar o separatismo dos uigures, fariam bem em ler a entrevista publicada, algumas semanas antes dos últimos acontecimentos, por Rebiya Kadeer, a líder do movimento separatista uigur. Do seu exílio estadunidense, falando com uma jornalista italiana, a referida senhora assim se exprime: “Veja, você gesticula como eu, tem a mesma pele branca; você é indoeuropeia, gostaria de ser oprimida por um comunista de pele amarela?” Como se vê, o argumento decisivo não é a condenação da “invasão” han, nem sequer o anticomunismo. Antes, a mitologia ariana, ou “indoeuropeia”, exprime toda a sua repugnância pelos bárbaros de “pele amarela”.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
  • Hegemonias e Emancipações no século XXI - Emir Sader Ana Esther Ceceña Jaime Caycedo Jaime Estay Berenice Ramírez Armando Bartra Raúl Ornelas José María Gómez Edgardo Lande
  • HISTÓRIA COMO HISTÓRIA DA LIBERDADE - Benedetto Croce
  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira