segunda-feira, 11 de junho de 2007

Os diferentes sabores dos domingos (1ª parte)

E você era a princesa que eu quis coroar

E era tão linda de se admirar

Que andava nua pelo meu país.


Foi nos anos setenta, do século passado, um pouco da nossa adolescência. O primeiro compromisso social era a missa das 10, não era propriamente um compromisso religioso, íamos para olhar a Beth, nossa musa inspiradora das manhãs de domingo, sua mini saia e suas pernas róseas, mil imaginações. Na saída, reuníamos a turma e ganhávamos a Gaspar, nenhum comentário sobre o sermão do padre, mas sobre ela, alguns se gabavam de ter ganhado um olhar, outros comentavam sua roupa, seu cabelo. Eu, muito pouco ou quase nada de olhada recebi, não fazia mal, quem sabe no domingo seguinte, era pouco provável, mas o platonismo aceita tudo, ainda mais dela, que além de linda era parente do padre, e isto, para época, não era pouca coisa.

A primeira parada obrigatória era na esquina da Casa do Povo (que do povo mesmo não tinha nada), comprar as carrapinhas que ali um vendedor alto e silencioso vendia, e era só no domingo. Mais adiante, a cigarraria do seu Chiquinho Padula, outra parada obrigatória, olhar as capas das revistas da semana, a Placar, o Fantasma, Cavaleiro Negro, etc. Conforme a mesada, que era semanal, comprava-se alguma revista, mas isso não era muito comum, comprávamos uns chicletes ou picolé e íamos em direção ao Cine Glória para ver o que ia passar no matine da uma (1 hora). Depois de olhar os cartazes, nos dispersávamos rapidamente, tínhamos que ir almoçar com família e voltar rápido para o cinema. Almoço de domingo lá em casa era sempre com a família, era uma das questões de honra do pai e nós cumpríamos, lembro que domingo sempre tinha pastel (mas os bons mesmo eram os da Marieta) e refrigerante, naquela época, ele (o refri) não era tão banalizado, lá em casa, só aos domingos.

Após um rápido encontro para reunir a turma na frente da cigarraria, era questão de minutos e brotava gente de todas as esquinas, marchávamos até o cinema, alguém recolhia o dinheiro para as entradas, mas antes, outra parada obrigatória – comprar sorvete do seu Romeu no Bacacheri – um gosto impar (o Tubino disse que vai ressuscitar o sorvete com a mesma fórmula). Excitados, entrávamos em fila no cinema, ficávamos alguns minutos no hall de entrada, alguns encontravam suas namoradinhas e sumiam para os locais mais despovoados “do escurinho do cinema”, eu nunca entendi o porquê. Outros iam se abastecer de balas (as de goma eram minhas preferidas), chicletes (os de caixinha era a novidade, porém mais caro) e chocolates (bastão de leite nunca mais vi).


Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboi era você além das outras três

Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões

Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para os matines.


Sentávamos numa fila só, expectativa grande, apagava a luz, a gritaria e a bateção de pé era infernal e ensurdecedora, sacos de pipoca eram estourados e voavam para todos os lados, e alguns com o conteúdo dentro, o lanterninha, alucinado, em passos largos, ia, sem parar, de ponta a ponta do corredor. A cada fileira em que passava, a frase do estigma lhe rompia os tímpanos: “O lanterninha é o bixo!”. Começava a musiquinha do canal 100, futebol, sempre o Flamengo contra alguém, no Maracanã: tararãaa, época do Fio Maravilha, vi o Luizinho do América fazer dois gols no Flamengo e virar cambalhota, virei americano no Rio. A sessão era dupla, quase sempre um faroeste e um filme de guerra, cultura norte-americana direto na veia. John Waine matando muito índio, ou o Guliano Gemma, meu preferido, nos filmes de guerra, geralmente, os ianques massacravam algum povo em nome da paz e da liberdade, no cinema, não perderam nenhuma para o Vietnan. No meio disso tudo, momentos sublimes, quando o mocinho beijava a mocinha, era um frisson geral: ohhhhhh! Quando estávamos com a namoradinha, ia-se no embalo, roubar um beijo.


Finja que agora eu era o seu brinquedo

Eu era o seu pião, o seu bicho preferido.

Vem, me dê a mão, agente agora já não tinha medo.

No tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido


Falando em maldade, a ditadura militar “comia frouxo”, pouco ficamos sabendo das atrocidades na época, já era meados da década de 70, e nós também íamos nos transformando, estávamos ficando maiores, íamos mudando em muita coisa, uma delas, passamos do cinema da uma para o das quatro (por pouco tempo) e já ganhamos o direito de ir à noite (mas essa é outra estória). Quanto à missa das 10, a ampla maioria já não ia mais, a Beth tinha ido embora para outra cidade, a perda foi significativa, mas não irreparável, logo encontramos outra musa coletiva – a Italianinha – por isso, muitos, após o cinema da uma, iam para a Sociedade Italiana, ganhar inspiração, mas, na maioria das vezes, contentavam-se em ver o jogo de bocha. Agora, havia chegado a hora de descobrir os sabores mágicos da noite.

Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim.

Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim

(Canção João e Maria – Chico Buarque de Holanda)



José Ernesto Alves Grisa

Professor de Sociologia e Extensão Rural

Desemprego e precarização, por István Mészáros - Parte 1

Desemprego e precarização: Um grande desafio para a esquerda (1).

Autor: István Mészáros*

Segunda parte
Terceira parte

Introdução

Escolhi este assunto para a nossa discussão por duas razões principais. Primeiro, porque a questão afeta todas as cambiantes da esquerda. Pois no nosso tempo nenhuma secção da força de trabalho pode considerar-se imune à desumanizante dureza do desemprego e da precarização. De fato "eventualização" ("casualisation") é mais apropriadamente chamada em algumas línguas de "precarização" ("precarisation"), embora em geral seja tendenciosamente mal representada como "emprego flexível" desejável. Uns poucos meses atrás uns 25 mil empregados do Wesminster Bank tiveram de enfrentar a perspectiva do desemprego (redundancy); hoje os trabalhadores da empresa automobilística Rover - uma parte da bancarrota da orgulhosa corporação transnacional BMW - são lançados aos lobos da insegurança total. A questão não é se o desemprego ou a "precarização flexível" vai ameaçar as pessoas ainda empregadas, mas sim quando elas irão partilhar as agruras da precarização forçada.

A segunda razão principal para nos preocuparmos com esta questão é porque ela representa um inultrapassável problema estrutural para o capital. Assim, é impensável que a esquerda possa desenvolver uma estratégia viável para o futuro sem dar um lugar central à questão vital do desemprego e da precarização.

Tenciono hoje considerar três aspectos principais daquilo que está em jogo.

1) A "globalização" do desemprego e da precarização, afetando mesmo as partes do mundo capitalisticamente mais desenvolvidas.

2) O mito da "flexibilidade" com o qual a pílula amarga é coberta de açúcar. Pois do que estamos a falar é de fato a grave tendência socioeconômica da equalização descendente (downward equalisation) da taxa de exploração diferencial.

3- A única solução factível para os problemas que enfrentamos é abandonar as trocas socioeconômicas reguladas pela submissão à tirania do "tempo de trabalho necessário" (também chamado "trabalho necessário") para a emancipação através do "tempo disponível" como a alternativa positiva ao modo de reprodução social metabólica do capital.

Como ponto de partida, podemos considerar a questão da redução da semana de trabalho para 35 horas a qual, não por acaso, veio a apresentar-se nos últimos tempos.

Parte I
A "globalização" do desemprego

Socialistas em vários países europeus — assim como na América do Norte e do Sul — estão a combater pelo objetivo de reduzir o tempo de trabalho para 35 horas por semana sem perda de pagamento. Esta importante reivindicação estratégica não está de forma alguma livre de dificuldades. Pois ela destaca tanto os prementes problemas do desemprego por todo o mundo como as contradições do sistema sócio-econômico que, por sua própria perversa necessidade, impõe a incontáveis milhões as dificuldades e os sofrimentos que decorrem do desemprego.

Assim, o combate pelas "35 horas de trabalho" não pode ser uma reivindicação sindicalista tradicional, confinada aos mecanismos há muito estabelecidos das negociações salariais. Ao contrário, tem de estar plenamente consciente não só da magnitude da tarefa e das implicações a longo prazo das questões em causa e também da inevitável resistência tenaz da ordem sócio-econômica, a qual deve seguir os seus próprios imperativos a fim de anular qualquer concessão que possa ser feita na esfera legal/ política sob condições temporariamente favoráveis aos sindicatos e aos seus representantes políticos à esquerda. Compreensivelmente, portanto, na Itália por exemplo, o partido da Rifondazione no seu modo de levantar o problema simultaneamente sublinha a preocupação com o aumento do emprego e da melhoria das condições de vida ("per l'occupazione & per migliorare la vita") e a necessidade de mudar a sociedade ("per cambiare la società") a fim de assegurar o objetivo desejado de abreviar o tempo de trabalho numa base viável. Pois o êxito final neste assunto só é factível através de uma troca sustentada — uma reciprocidade dialética — entre o combate pelo objetivo imediato do tempo de trabalho reduzido significativamente e a progressiva transformação da ordem social estabelecida, a qual não pode contribuir para resistir e anular tais reivindicações.

Aqueles que negam a legitimidade destas reivindicações, exaltando em alternativa as virtudes do seu querido sistema, continuam a idealizar o modelo americano para resolver o problema do desemprego bem como todos os males sociais inseparáveis do mesmo. Ainda assim, um exame rápido do estado real dos negócios revela que as confortáveis idealizações dos EUA pertencem ao reino da fantasia. Pois, como enfatizou um editorial de The Nation :

“A taxa de pobreza no último ano, 13,7%, era mais elevada do que em 1989, apesar de sete anos de crescimento quase ininterrupto. Aproximadamente 50 milhões de americanos — 19% da população — vive abaixo da linha nacional de pobreza. Aqueles na pobreza incluem uma em cada quatro crianças abaixo dos 18 anos, um em cada cinco cidadãos adultos e três em cada cinco famílias monoparentais. Em dólares constantes, os rendimentos médios semanais dos trabalhadores caíram de US$ 315 em 1973 para US$ 210, enquanto os 5% mais ricos ganhavam uma média de US$ 6440 (não contando seus ganhos de capitais). ... O número de americanos sem seguro de saúde mantinha-se em 40,6 milhões em 1995, um aumento de 41% desde meados da década de setenta. Em 1995, quase 80% dos não assegurados estavam em famílias onde o chefe da família tinha um emprego”. [1]

É assim que aparece o róseo modelo americano desde que se esteja disposto a abrir os olhos. Podemos também acrescentar aqui um número mais significativo fornecido recentemente pelo Gabinete do Orçamento do Congresso dos EUA, não objetável nem mesmo para os piores apologistas do capital. Ele informa-nos que o rendimento dos um por cento mais ricos da população é equivalente àquele dos 40 por cento da base. E ainda mais importante: também se verifica que este número aterrador realmente duplicou nas últimas duas décadas, em conseqüência da crise estrutural do capital. Assim, nenhuma camuflagem cínica da deterioração das condições de trabalho, não importa quão ilusoriamente adulterada com a benção da "flexibilidade", pode esconder as sérias implicações desta tendência para o futuro da expansão e acumulação do capital.

As estatísticas do desemprego podem, naturalmente, ser trapaceadas ou definidas e redefinidas de forma totalmente arbitrária não só nos EUA como em todos os países do assim chamado "capitalismo avançado". Na Grã-Bretanha, por exemplo, mesmo os apologistas profissionais do sistema do capital — os editores do London Economist — tiveram de admitir que os números do desemprego foram "revistos" 33 vezes pelo governo a fim de fazê-los parecer mais apresentáveis. Sem mencionar o fato de que qualquer um que trabalhe 16 horas por semana na Grã-Bretanha é contado como se desfrutasse de um emprego a tempo inteiro. E, ainda mais surpreendentemente, no Japão — um país que até recentemente era saudado como um caso paradigmático de "capitalismo dinâmico avançado" — "qualquer um que efetue trabalho assalariado por mais de uma hora na última semana do mês deixa de ser incluído nas estatísticas de desemprego". [2] Mas quem pode ser enganado por tais artifícios de manipulação econômica e política? Pois não importa quão arranjada e tortuosa seja a adulteração do estado de coisas existente, o desafio potencialmente muito grave do desemprego não pode ser evitado em qualquer dos países capitalisticamente mais avançados. Dessa forma, seja o que for que os números das estatísticas apologéticas possam sugerir, já não é mais possível ocultar o alarme acerca dos registros de desemprego em ascensão constante no Japão e o aprofundamento da recessão econômica que isto implica.

Na realidade, a dramática ascensão do desemprego nos países capitalistas avançados não é um fenômeno recente. Ela surgiu no horizonte — depois de 25 anos de uma expansão do capital no pós-guerra relativamente sem perturbações — com o princípio da crise estrutural do sistema do capital como um todo. Surgiu como a característica necessária e sempre em agravação desta crise estrutural. Conseqüentemente, argumentei em 1971 que sob as condições em desdobramentos do desemprego

O problema não é mais apenas a condição difícil dos trabalhadores não qualificados mas também a de vastas quantidades de trabalhadores altamente qualificados que estão agora a perseguir, em acréscimo ao primitivo mar de desempregados, os escassos empregos disponíveis. Além disso, a tendência da amputação "racionalizante" já não está mais confinada aos "ramos periféricos da indústria envelhecida" mas abrange alguns dos mais desenvolvidos e mais modernizados sectores da produção — desde estaleiros navais e aviação à eletrônica, e do engineering à tecnologia do espaço. Assim, já não estamos preocupados com os "normais", e bem aceites, subprodutos do "crescimento e desenvolvimento" mas sim com sua tendência para uma travagem, nem na verdade com os problemas periféricos dos "bolsões de subdesenvolvimento" e sim com uma contradição fundamental do modo de produção capitalista como um todo que converte até as últimas conquistas do "desenvolvimento", da "racionalização" e da "modernização" em fardos paralisantes de subdesenvolvimento crônico. E, acima de tudo, a agência humana que se considera como a receptadora final já não são as pessoas "desfavorecidas" socialmente e sem poder, multidão apática e fragmentada, mas todas as categorias de trabalho qualificado e não qualificado: i.e, objetivamente a força de trabalho total da sociedade. [3]

Desde o tempo em que estas linhas foram escritas testemunhamos um decuplicar do desemprego na Grã-Bretanha e alhures. Tal como estão as coisas hoje, mesmo de acordo com os números oficiais — grosseiramente subestimados —, há mais de 40 milhões de desempregados nos países industrialmente mais desenvolvidos. Deste número, a Europa conta com mais de 20 milhões, e a Alemanha — outrora elogiada por produzir o "milagre alemão" — ultrapassou a marca dos 5 milhões. Um país como a Índia — altamente louvado nos órgãos tradicionais de sabedoria econômica pelos seus feitos como um país em saudável desenvolvimento — tem não menos de 336 milhões de pessoas nos seus registros de desemprego, [4] e muitos milhões mais sem trabalho adequado que deveriam ser contados mas não são registrados. Além disso, a intervenção do FMI nos países "em desenvolvimento", verdadeira organização dos EUA para ditar comandos, piora a condição difícil dos desempregados ao pretender melhorar as condições econômicas dos países afetados. Tal como afirma outro editorial de The Nation:

“A economia do México pode parecer estar bem, mas o seu povo está em estado lastimável. Desde a salvação (bailout) do FMI, as camadas médias foram esmagadas; 25 mil pequenos negócios foram à falência; 2 milhões de trabalhadores perderam os seus empregos no mesmo período. Em termos de dólar, os salários afundaram 40 por cento. O FMI tinha de destruir a economia interna a fim de salvá-la”. [5]

Ao mesmo tempo, os antigos países pós-socialistas pertencentes ao sistema de tipo soviético, desde a Rússia à Hungria — os quais no passado não sofriam de desemprego, apesar de terem de administrar suas economias com altos níveis de subemprego, tiveram de acomodar-se, muitas vezes sob a pressão direta do FMI, às condições desumanizantes do desemprego maciço. A Hungria, por exemplo, foi felicitada pelo FMI [6] por "estabilizar" o desemprego em cerca de 500 mil. Na realidade o número é consideravelmente superior, e ainda aumenta. Mas mesmo 500 mil, em termos da relativamente pequena população húngara, é o equivalente a ter 6,5 milhões de desempregados na Grã-Bretanha ou na Itália, e algo em torno dos 8 milhões na Alemanha. Na Federação Russa a situação é igualmente má, e em vias de tornar-se pior, incluindo ultrajes como não pagar os salários de mineiros e outros trabalhadores por muitos meses. O Vietnam apresenta um exemplo particularmente trágico. Após a heróica vitória do seu povo sobre a longa e devastadora guerra intervencionista do imperialismo americano, a paz está a ser perdida sob a pressão da restauração capitalista. [7] E mesmo a China não é exceção à regra geral de desemprego em ascensão, apesar do modo muito especial como a sua economia é controlada politicamente. Um relatório confidencial, mas que veio à luz, preparado pelo seu Ministério do Trabalho, adverte o governo chinês de que dentro de uns poucos anos o desemprego no país está destinado a atingir o número estarrecedor de 268 milhões — apontando também para o perigo de grandes explosões sociais a decorrerem disso — a menos que medidas apropriadas (mas não especificadas) sejam adotadas para conter a presente tendência. [8]

É assim que alcançamos um ponto no desenvolvimento histórico no qual o desemprego é uma característica dominante do sistema do capital como um todo. Na sua nova modalidade, constitui uma rede fechada de inter-relações e inter-determinações pelas quais agora é impossível encontrar remédios e soluções parciais para o problema do desemprego em áreas limitadas, em agudo contraste com as décadas de desenvolvimento do pós-guerra nuns poucos países privilegiados em que políticos liberais podiam falar acerca de "Pleno emprego numa sociedade livre" (Full Employment in a Free Society) . [9]

Nos últimos anos tem havido muita conversa propagandeando as virtudes universalmente benéficas da "globalização", deturpando a tendência da expansão global e integração do capital como um fenômeno radicalmente novo destinado a resolver todos os nossos problemas. A grande ironia da tendência real de desenvolvimento — inerente à lógica do capital desde os primórdios da constituição do seu sistema há séculos atrás, que alcançou a sua maturidade no nosso tempo de uma forma inextricavelmente ligada à crise estrutural do sistema — é que o avanço produtivo deste modo antagônico de controlar o metabolismo social lança uma porção cada vez maior da humanidade na categoria de mão-de-obra supérflua. Já em 1848, no Manifesto Comunista, Marx insistia em que a fim de oprimir uma classe devem ser-lhe asseguradas certas condições sob as quais esta possa, pelo menos, continuar a sua existência servil. ... [Mas] a burguesia é incapaz de continuar a ser por muito mais tempo a classe dominante da sociedade e a impor à sociedade como lei reguladora as condições de vida da sua classe. Ela é incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar ao seu escravo a própria existência no seio da escravidão, porque é obrigada a deixá-lo mergulhar num tal estado em que tem de ser ela a alimentá-lo ao invés de ser alimentada por ele. 10

Dessa forma, ironicamente, o desenvolvimento daquele que é de longe o mais dinâmico sistema produtivo da história culmina por proporcionar (rendering) um número cada vez maior de seres humanos supérfluos para a sua maquinaria de produção , embora — de acordo com o caráter incorrigivelmente contraditório do sistema — longe de supérfluos como consumidores . A novidade histórica do tipo de desemprego no sistema globalmente realizado é que as contradições de qualquer parte específica complicam e agravam o problema em outras partes e, consequentemente, no todo. Pois a necessidade de produzir desemprego, "downsizing", etc, necessariamente levanta-se dos imperativos antagônicos do capital de perseguir o lucro e acumulação ao qual não pode concebivelmente renunciar, nem tão pouco conter-se de acordo com princípios de satisfação racional e humana. O capital ou mantém o seu inexorável impulso em direção aos objetivos de auto-expansão, não importa quão devastadoras sejam as consequências, ou deixa de ser capaz de controlar o metabolismo social da reprodução. Aqui não pode haver qualquer meio-termo ou mesmo a mais ligeira atenção a considerações humanas. Eis porque pela primeira vez desde sempre na história ascende um sistema dinâmico — e em suas implicações finais dinamicamente destrutivo — de controle social metabólico auto-expansivo, o qual expele brutalmente, se necessário, a esmagadora maioria da espécie humana do processo de trabalho. Este é o significado profundamente perturbante de "globalização".

Quando o capital alcança este estágio de desenvolvimento não há maneira de corrigir as causas da sua crise estrutural; ele pode apenas trapacear com efeitos e manifestações de superfície. Consequentemente, desde que o capital "já não pode alimentar o seu escravo", as "personificações" do seu sistema (para utilizar a expressão de Marx) tentar resolver o problema pela reversão mesmo do limitados benefícios concedidos ao trabalho na forma do "Estado providência" ("Welfare State") — durante o período do pós-guerra de despreocupada expansão do capital — através do ataque e abolição do dito "Estado providência". Assim, nos EUA, os desempregados são obrigados a submeterem-se aos ditames dos "programas de trabalho do governo" (work-fare") se quiserem receber quaisquer benefícios sociais. E, exatamente do mesmo modo, na Grã-Bretanha está a ser tentada a mesma transferência do "Welfare" para o "work-fare" pelo governo de um partido que outrora considerou-se socialista. Em consequência, quando uma manchete a oito colunas de um jornal liberal britânico (que acontece ser muito amigo do governo do "New Labour") anuncia: "Dizem aos desempregados: alistem-se no Exército ou percam os benefícios" [11] , tal manchete dá uma antevisão das medidas que aguardam a juventude desempregada. Isto, mais uma vez, sublinha o fato, tal como os outros aspetos do nosso problema mencionados até aqui, que a agora plenamente cumprida globalização do desemprego e da precarização não pode ser reparada sem a substituição radical do próprio sistema do capital. Não muitos anos atrás era confiantemente previsto que todos os males sociais conhecidos, mesmo nas mais "subdesenvolvidas" partes do mundo, seriam ultrapassados pela "modernização" universal, em conformidade com o modelo americano. Caracteristicamente, contudo, somos agora confrontados por algo diametralmente oposto àquele quadro róseo. Pois as condições outrora confinadas, nos contos da "teoria do desenvolvimento" e da sabedoria governamental, às supostamente temporárias dificuldades do "subdesenvolvimento" estão agora a tornar-se claramente visíveis mesmo nos mais desenvolvidos países capitalistas.

Notas

1 "Underground Economy", The Nation , January 12/19, 1998, p. 3.

2 Japan Press Weekly , 16 May 1998.

3 István Mészáros, The Necessity of Social Control, Isaac Deutscher Memorial Lecture, delivered at the London School of Economics and Political Science on 26 January 1971. Merlin Press, London, 1971, pp. 54-55; reprinted in Mészáros, Beyond Capital, Merlin Press, London 1995 and Monthly Review Press, New York 1996. Quotation is from pp.889-890.

4 "Enquanto o número total de pessoas desempregadas registradas em agências de empregos manteve-se em 336 milhões em 1993, o número de pessoas empregadas no mesmo ano segundo a Planning Commission era apenas de 307,6 milhões, o que significa que o número de pessoas desempregadas registradas é mais elevado do que o número de pessoas empregadas. E a taxa da porcentagem de aumento de emprego é quase desprezível". Sukomal Sen, Working Class of India: History of the Emergence and Movement 1830-1990. With an Overview up to 1995, K.P. Bagchi & Co., Calcutta 1997, p. 554.

5 "Waterloo in Asia?", The Nation , January 12/19, 1998, p. 4. Os interesses americanos são cinicamente perseguidos e impostos sempre que a oportunidade dá ocasião. Assim, "responsáveis americanos, que efetivamente vetaram a criação de um Fundo Regional Asiático independente do FMI, e portanto de Washington, também fizeram saber — mais recentemente no caso da Coréia — que nenhuma ajuda americana direta virá até que os países aflitos concordem com as exigências do FMI. Dessa forma, as autoridades tailandesas concordaram em remover todos os limites sobre a propriedade estrangeira de empresas financeiras e estão a promover legislação que permita aos estrangeiros possuírem terra, o que era um tabu. Mesmo antes do pedido de ajuda ao FMI, Djacarta aboliu suas restrições à propriedade estrangeira de ações comercializadas publicamente, um movimento replicado por Seul quando concedeu aos investidores estrangeiros acesso aos US$64 mil milhões a longo prazo, garantidos por títulos de empresas no mercado, cujo acesso eles procuraram durante anos". Walden Bello, "The End of the Asian Miracle", The Nation , January 12/19, 1998, p. 19.

6 Cumprimentos do FMI, certamente, significam muito pouco, se é que alguma coisa, mesmo nos seus próprios termos de referência. Caracteristicamente, "quando a economia tailandesa estava direccionada para perturbações, o FMI ainda estava louvando o 'registo consistente de saudáveis políticas de administração macro-económica' do governo". Walden Bello, "The End of the Asian Miracle", loc. cit., p. 16. Analogamente, nos poucos meses decorridos desde que o FMI "salvou" a economia sul coreana, o desemprego realmente duplicou no país.

Ver também um artigo criterioso de János Jemnitz, "A review of Hungarian politics 1994-1997", Contemporary Politics, Vol. 3, No. 4, 1997, pp. 401-406.

7 Ver o primoroso livro de Gabriel Kolko, Vietnam: Anatomy of a Peace, Routledge, London and New York, 1997. Ver também Nhu T. Le's passionate rejoinder in his review of Kolko's book in The Nation , "Screaming Souls", 3 November 1997.

8 Anthony Kuhn, "268 million Chinese will be out of jobs in a decade", The Sunday Times , 21 August 1994.

9 Ver o livro de Lord Beveridge com o mesmo título e o seu importante papel no estabelecimento do "Welfare State" britânico.

10 Marx and Engels, Manifesto of the Communist Party, Progress Publishers, Moscow 1971, p. 44. Ver o artigo profundamente compreensivo de Marshall Berman sobre o 150º aniversário do Manifesto, "Unchained Melody", The Nation, 11 May 1998, pp. 11-16.

11 "Jobless told: join Army or lose benefit" de Stephen Castle (Political Editor), Independent on Sunday , 10 May 1998. Outra manchete na mesma página relata reacções ao nível miserável com que o salário mínimo foi introduzido pelo governo britânico do "New Labour" com o título: "Union fury as Labour sets minimum wage at £3.60."

Entrevista al historiador Eric Hobsbawm

Entrevista al historiador Eric Hobsbawm
"Creo que el marxismo todavía tiene un campo de acción considerable"

Clarín

El más prestigioso historiador del siglo XX, Eric Hobsbawm, analiza el futuro de la democracia, en un mundo imperial. Al cabo de una vida de intensa militancia, reflexiona sobre la vigencia actual del marxismo. Su concepción de la Historia, las dificultades de una disciplina acechada por el escepticismo y el conformismo de la permanente especialización. Ayer, al cumplir 90 años, reflexionó sobre el tiempo que pasó y el tiempo por venir.

Cuando cumplió 85 años, el historiador Eric Hobsbawm, el más reconocido intelectual marxista de la actualidad, publicó su autobiografía, Años interesantes. Para un especialista, interesado en sus aportes a la historiografía del siglo XX, quizás este libro no fuera más que una colorida guía por los modos en que él fue abordando cada cuestión —el siglo XX, la formación de la clase obrera, la tensión entre capitalismo y revolución—; una serie de curiosidades biográficas que definieron ciertos temas y una preferencia filosófica y política. Pero para todo lector apasionado por el mundo en que vivimos y por los ecos remotos de su pasado inmediato, la vida de Hobsbawm es una lectura preciosa, prácticamente única, en la que se conjugan la tragedia familiar y la construcción personal con los acontecimientos históricos que hicieron del siglo XX un tiempo terrible y hermoso, una "edad de los extremos". Una pieza comparable, en su valor literario y testimonial, a la autobiografía de Nina Berberova, a las memorias de Vladimir Nabokov o al conjunto que forman la novela G, de John Berger, y algunos de sus relatos breves.

Una importancia central que tiene la narración de la propia vida, en el caso de un lúcido observador y analista del siglo XX, es que él "estaba ahí". Nacido "en el año de la Revolución Rusa", estaba ahí cuando se desintegró el imperio británico —se desintegraron, al menos, los efectos simbólicos de ostentar el ejercicio del poder gubernamental en las colonias—, y sobre todo cuando el mundo decimonónico y sus valores cayeron derrotados a los pies de la "vida moderna" —los propios padres de Hobsbawm: un ciudadano británico y su joven esposa austríaca, miembros de la parte más cosmopolita de la comunidad judía de Viena, se vieron allí hundidos en la miseria—. Hobsbawm estaba ahí cuando subió Hitler al poder y cuando fue vencido. Cuando se desmoronó el Muro de Berlín y, con él, toda una era de "socialismo real". Hobsbawm estaba ahí , recorriendo Latinoamérica y siguiendo el rastro de sus movimientos insurreccionales justo en los años que van desde la revolución cubana al surgimiento de las guerrillas setentistas. Y estaba ahí viendo caer las Torres Gemelas de Manhattan, oyendo cómo Washington se declaraba "único protector de cierto orden mundial" y decretaba así la clausura del siglo XX. El 11 de septiembre de 2001, Hobsbawm estaba ahí , en una cama de hospital en Londres: "No existe lugar mejor que ése, lugar por excelencia de una víctima en cautiverio —escribió—, para reflexionar sobre el aluvión extraordinario de palabras e imágenes orwellianas que inunda a la prensa escrita y la televisión". Pero además, Hobsbawm —que hoy cumple 90, y todavía escribe artículos, publica libros y responde largas entrevistas telefónicas— sigue estando ahí. Desconfía de la perdurabilidad del imperio americano, señala las ingenuidades de la utopía altermundista, piensa que es preciso ser "un historiador escéptico" y, a la vez, esperar lo mejor del proyecto liberador del marxismo, al que sin dudas reivindica.

En una entrevista en Libération decía que "hay que devolverle al marxismo su elemento mesiánico". A pesar de que el pensamiento político (sobre todo el marxismo) aspira a "salvar" a grandes porciones de la humanidad, la tendencia secular es a evitar el mesianismo. ¿La utopía marxista tiene aún una oportunidad mesiánica en este siglo?


No en la forma en que creíamos en ella, es decir la de una economía planificada centralmente que prácticamente eliminaba el mercado, sino bajo la forma de un sistema deliberadamente orientado a incrementar la libertad humana y el desarrollo de las habilidades humanas. Creo que, así, el marxismo todavía tiene un campo de acción considerable.

¿Y las utopías altermundistas?


Lo positivo es que son anticapitalistas y han vuelto a plantear la cuestión de que el capitalismo en su totalidad debe ser criticado. Lo negativo es cierta falta de realismo. Respecto de la globalización, por ejemplo: se la puede controlar en parte pero no se puede decir que se la va a revertir. Veo varias utopías en el movimiento altermundista pero, por ahora, ninguna que sea universalmente aplicable como las aspiraciones socialistas de los siglos XIX y XX. Mucho del utopismo altermundista está más cerca de los viejos anarquistas, que decían: Acabemos con el capitalismo, acabemos con el régimen malvado y después, de alguna manera, todo resultará bien . Hay versiones políticamente más útiles: algunas ONG aprendieron a actuar globalmente y pueden ejercer verdadera presión en campos importantes como el ambiental.

En su último libro, "Guerra y paz en el siglo XXI", afirma que la democracia está rodeada de retórica vacía: se ha convertido en un concepto incuestionable que, sin embargo, enmascara situaciones inaceptables de injusticia. ¿Sería posible recuperar un sentido auténtico de democracia? ¿Tendría sentido?


La retórica vacía de la democracia sirve de justificación a las conquistas imperiales, pero la crítica principal a la democracia como retórica de propaganda es más amplia. En general se la usa para justificar las estructuras existentes de clase y poder: " Ustedes son el pueblo y su soberanía consiste en tener elecciones cada cuatro o seis años. Y eso significa que nosotros, el gobierno, somos legítimos aun para los que no nos votaron. Hasta la próxima elección no es mucho lo que pueden hacer por sí mismos. Entretanto, nosotros los gobernamos porque representamos al pueblo y lo que hacemos es para bien de la nación ". Una crítica: la democracia queda reducida a una participación ocasional en las elecciones, porque oficialmente en una democracia uno no está autorizado a emprender otras acciones políticas que no sean las legítimas y pacíficas.

Varios politólogos franceses piensan mejorar la democracia fortaleciendo el debate institucional.


Sí, pero mi objeción es mucho más amplia: no digo únicamente que la democracia no puede quedar reducida sólo a las elecciones, tampoco puede quedar reducida al debate. Lo que el pueblo hace y es debe influir en el gobierno, de formas variadas. Su influencia no puede quedar reducida a una forma particular de constitución. Por otra parte, muchos problemas del siglo XXI escapan al marco de los estados nacionales. La democracia existe sólo dentro de los estados nacionales así que, nos guste o no, tenemos que encontrar otras formas de abordar problemas globales. Es difícil de saber cuáles van a ser porque, hasta ahora, nada reemplazó a los estados.

Cuando habla de "pueblo" piensa en movimientos sociales, los de Argentina, por ejemplo.


Por supuesto. Cualquier movimiento es sumamente importante, siempre que el gobierno tome en cuenta la opinión del pueblo.

Usted estudió la forma en que, históricamente, muchos movimientos perdieron eficacia al convertirse en usinas de clientelismo, usados por el populismo.


"Populismo" es un término que se usa en sentido demasiado general. La mayoría piensa que el populismo está asociado a la derecha política pero también puede estar asociado a la izquierda o al centro. "Populismo" simplemente quiere decir gobiernos que tratan de hablar directamente con la gente; lo pueden hacer con diferentes propósitos. Perón era populista en un sentido y Chávez, en otro. No diría que necesariamente el populismo como tal debe ser aceptado por completo o rechazado. La esencia de la democracia es que el gobierno tiene que tomar en cuenta lo que el pueblo quiere y no quiere. No hay ningún mecanismo eficaz para hacerlo: el gobierno representativo no es muy eficaz. A veces funcionan mejor la prensa o los movimientos directos.

¿Tiene futuro la "multitud" entendida como sujeto político, tal como piensa Toni Negri?


Debo decirle que no soy un gran admirador de él. No tengo muy buena opinión de Negri. Y creo que el término "multitud" es demasiado general. Hay que definir qué se entiende por "multitud". Se la podría estructurar por clases, por nacionalidad o de otras formas, pero decir "multitud" no nos lleva muy lejos.

El concepto de "clase social" también fue objetado (Philip Furbank lo atacó sociológica e históricamente). ¿En qué cifraría la importancia política del concepto de clase?


Es un concepto que de hecho se mantiene. Cualquiera que analice resultados electorales verá que se los descompone por clase, sección y nivel de educación (hoy día esto también significa clase). Hoy la política no está dominada por movimientos conscientes de que representen una clase, pero eso no significa que la clase haya dejado de ser importante. Algunas clases son hoy menos relevantes (la clase industrial trabajadora) pero eso no quiere decir que las clases hayan dejado de existir. Es un gran error subestimar la importancia de la clase. Y es un gran error suponer que una clase representa a las otras.

El Atlas y el mundo entero


"El 8 de febrero de 1929, a última hora de la tarde, al regresar de una de sus cada vez más desesperadas idas y vueltas a la ciudad en busca de dinero, fruto de su trabajo o de algún préstamo, mi padre cayó fulminado delante de la puerta principal de casa". Así narra Eric Hobsbawm el más directo impacto de la Depresión en su memoria de 12 años. Dos años después iba a morir su madre. Pero hasta entonces, la extrema vulnerabilidad en que se hallaba su familia le había resultado casi inadvertida. El primer indicio de "lo dura que era la situación" lo había tenido —cuenta— luego de mostrar la lista de libros que pedían sus profesores del secundario: entre ellos el costoso Atlas Kozenn. "¿Es absolutamente imprescindible que lo tengas?", se había alarmado su madre. El libro finalmente se compró, pero —escribe Hobsbawm—: "la sensación de que en esa ocasión se había hecho un sacrificio importante siempre me acompañó". En su biblioteca, Hobsbawm conserva el viejo Atlas Kozenn un poco maltrecho y lleno de dibujitos en los márgenes . Dice que todavía lo consulta. Su obra, que abarcó el mundo entero en transformaciones sucesivas, quizás haya sido una forma de reconocer el valor de aquel sacrificio.

Ese mundo, que de nuevo se transforma mientras avanza la globalización capitalista, no verá desaparecer las unidades políticas reconocibles. Por ahora, al menos —afirma Hobsbawm—, no verá desaparecer los Estados nacionales. "La globalización debilitó muchos poderes del Estado. Hay una tendencia a globalizar la economía, la ciencia, las comunicaciones, pero no a crear grandes organizaciones supranacionales. Muchos Estados son irrelevantes o existen en función de la globalización (viven del turismo o como paraísos fiscales), pero hay cinco o seis que determinan lo que pasa en el mundo, y otros, más chicos, son importantes porque imponen límites a la globalización. La globalización capitalista, por ejemplo, insistía en el libre movimiento de todos los factores de la producción —dinero, bienes—, sin restricción y por todo el mundo. Pero la mano de obra es un factor de la producción que no ha instaurado el libre movimiento, y una de las razones es política (los Estados no lo permiten porque podría crear enormes problemas políticos a nivel nacional). El Estado no está desapareciendo; coexiste con la globalización, o sea, con un puñado de corporaciones, pero no desaparece."

El proyecto de Unión Europea, dice, es todavía dudoso. ¿Cuáles son los aspectos más dudosos?


No hay una identidad europea. En la UE, las decisiones las toman los gobiernos nacionales; las elecciones, incluso las europeas, se llevan a cabo en términos de política nacional. La expansión de la UE a 27 Estados lo hace aún más evidente: no creo que tenga futuro como Estado federal único y, hasta que no lo tenga, no tendrá un electorado efectivo ni será la base efectiva de la democracia. Eso no quiere decir que sea una mala organización. Al contrario, parece buena.

Una grandeza económica.


Económica y algo más: ha logrado establecer ciertos patrones comunes en materia de leyes aceptadas como superiores a las leyes nacionales de los Estados. Quizá lo más cercano a una federación.

La UE acaba de sancionar una ley que castiga a quien niegue el Holocausto. Usted estuvo en contra del juicio al historiador David Irving (acusado de negar la "solución final"): "La misma expresión —dijo— pertenece a una era en la que la condena moral reemplazó a la historiografía". ¿Qué opina de esta ley?

No creo que se pueda establecer o negar la verdad histórica por medio de la legislación. Fue un error sancionar leyes que consideren un delito negar el Holocausto, y es un error de los franceses tratar de promulgar una ley sobre el genocidio de los armenios, y fue un error del gobierno de Chirac insistir en que hay que enseñar que el imperio francés fue positivo. Es la opinión general de los historiadores profesionales —no hace falta aclarar que difícilmente tengamos simpatía alguna por los nazis o la masacre de los armenios por los turcos. Sólo que ésa no es la manera de establecer la verdad.

Usa un ejemplo futbolístico para señalar diferencias entre los EE.UU. y el antiguo imperio británico. ¿Le gusta el fútbol?

No soy fanático pero todos somos parte de una cultura futbolística. Lo que digo es que hay un conflicto básico entre la lógica del mercado, una lógica global, y el hecho de que las emociones de la gente están atadas al equipo nacional. Por un lado, los clubes y la competencia entre los principales clubes de los principales países europeos son los que dan el dinero. Pero allí no hay nada nacional (como sabe, hubo un momento en que mi equipo, el Arsenal, no tenía prácticamente ningún jugador nacido en Inglaterra). Para estos grandes clubes, las selecciones nacionales son una distracción. No les gusta prestar a sus jugadores para que entrenen con sus selecciones. Pero las selecciones nacionales tienen que entrenar. Por lo tanto, para los clubes —empresas capitalistas, naturalmente— la selección nacional es una distracción y sin embargo no pueden prescindir de ella porque lo que mantiene al fútbol en funcionamiento es la competencia internacional.

Esa distracción y las tensiones que plantea son un atractivo mayor. Los partidos no serían tan intensos si no estuvieran esas emociones en juego.


Sí. Y en muchos sentidos, muchos países que antes no tenían identidad, como algunos de Africa, adquieren identidad a través de esto. Porque es más fácil imaginarse como parte de una gran unidad a través de once personas en una cancha que a través de abstracciones.

¿Cómo influyen las emociones en su oficio de historiador?


El historiador tiene que ser infinitamente curioso; tiene que poder imaginar las emociones de personas que no se le parecen. No se puede llegar al fondo de un período histórico si no se trata de averiguar cómo era. Alguien dijo una vez, muy acertadamente, que el pasado es otro país. Los historiadores son, de alguna manera, escritores, novelistas: tienen que imaginar pero no pueden inventar, deben guiarse por los hechos. Y el historiador tiene sus propios sentimientos pero ellos no deben interferir con las pruebas. En este sentido, el gran modelo es el francés Marc Bloch. No sólo era un maravilloso historiador: en su primer gran libro también imaginó una sociedad que creía que el rey estaba en contacto directo con el Cielo y que, por eso, la mano del rey podía curar sus males. Bloch tenía sus propias emociones, se unió a la Resistencia y murió a manos de los alemanes durante la Guerra. No era en absoluto una persona neutral.

El historiador no inventa los hechos, pero descubre —en los textos, en los documentos, en el análisis— cosas que estaban allí y nadie había visto. "Descubrir" e "inventar" son palabras muy próximas, aun etimológicamente. Descubrir o inventar el Big Bang ¿no es lo mismo?

Creo que los historiadores comienzan con ciertos problemas que surgen de cómo han sido criados, cómo piensan, etc. No llegan a la historia como cámaras que sólo filman (hasta las cámaras deben ser dirigidas hacia algo). Y además, los historiadores producen algo definitivo, permanente. No se pueden discutir las pruebas; sí las interpretaciones. Alguno cree que Elvis Presley no murió: está equivocado. Quien niega el Holocausto está equivocado. De allí partimos. Qué pien se usted de Elvis, cómo interpreta el Holocausto, hay infinitas discusiones posibles.

¿Su concepción de la historia cambió en todos estos años?


Básicamente no ha cambiado.

Trabaja con el tiempo: ¿alguna vez pensó qué es el tiempo?


Bueno, ahora pienso que tenemos que expandir nuestros horizontes por fuera de la vida humana. La humanidad abarca una pequeña porción de la historia del mundo, siguiendo patrones astronómicos o incluso geológicos. La agricultura se inventó hace quizá 10.000 años. Pero uno debe tratar de ver el cuadro completo. Uno de los grandes aciertos de Marx fue tratar de ver el desarrollo completo de la raza humana en perspectiva, desde que salió de las cavernas hasta el desarrollo de las sociedades. Eso no significa que uno no se pueda concentrar en períodos más breves. De hecho, uno debe hacerlo: los antropólogos solían entrenarse haciendo trabajo de campo sobre un determinado pueblo, y los historiadores se entrenan eligiendo determinado tema. Pero hoy el gran peligro de la historia es la excesiva especialización y que se enseñe la historia no como un progreso general de la especie humana sino como una serie de retazos elegidos según un criterio cualquiera. Y es muy importante que los historiadores se comuniquen, que escriban para que se los pueda entender, no sólo para otros especialistas.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Leiam o que esta "fera da mídia brasileira" escreveu. E não respondeu as minhas ponderações!


O que o Marcelo Tas escreveu em seu blog.

Venezuela: viva la revolucion digital!

Chavez, o bufão sulamericano, já aprontou de tudo. Mas nunca pensou que os venezuelanos só fossem se levantar contra sua fanfarronice quando tirasse a novela diária deles. Nem eu.

Pelo jeito, a telenovela é o calcanhar de aquiles para os ditadores da América Latrina. Mais espertos foram os ditadores militares brasileiros, que censuravam os jornalistas, mas deixaram intocada, ou quase, a ficcão. Fingiam-se de mortos, ou não estou te "enteindeindo", diante das metáforas dos coronéis caricatos, tipo Chavez, de Dias Gomes.

Lá na Venezuela, a população está nas ruas, uma multidão de dependentes químicos das telelágrimas cafonas, porque o bufão mor tirou do ar a dose diária de ficcão barata deles.

Mereceria um estudo das meninas da Ciências Sociais da USP. Mas elas estão "em greve", aliás porque se inspiram em Chavez. Melhor seria se a inspiração fosse o outro Chaves, do SBT, que elas também já cultuaram um dia em sua infância recente.

Well, mas estou aqui apenas para sugerir uma ação imediata aos hermanos da Venezuela. Por que vocês não aproveitam essa crise e saltam na frente, inaugurando de verdade a primeira estação de TV da América Latrina na internet! Sim, isso já é possível. Senão vejam só, aí acima, a National Geographic, a melhor revista publicada no Brasil, já tem no YouTube, o seu canal de televisão. Imagens preciosas, como o almoço desse simpático ursinho esfomeado, estão disponíveis com um clique.

Por isso, minha proposta é séria, companheiros bolivarianos da Venezuela. Coloquem suas telenovelas no YouTube. Chavez ia se roer de inveja e preocupação.

A revolução já começou. Mas como sempre poucos notaram. A revolução nunca será televisionada, alguém já disse isso.

Se você quer conhecer melhor o canal da National Geographic na internet, clique aqui.
http://marcelotas.blog.uol.com.br/

Escrito por Marcelo Tas às 10h02

Meu comentário no blog do Marcelo Tas -[Runildo Pinto] [ed3208@hotmail.com] [Porto Alegre] [50] [Tecnico em microinformática]
Marcelo Tas! Admiro a tua criatividade desde os tempos do castelo ratimbum e depois no programa sobre informática na cultura ou tve, não lembro bem. Mas achava que tu por seres assim tão dinâmico tinha uma visão bem mais apurada sobre democracia e sabia ver a diferença da democracia tradicional, da popular. Pelo teu escrito no blog em relação as emissoras de tv e ao governo Chávez. Vi que és tão convencional quanto a imprensa "oficial" privada. Manifestações massivas? Aproveita e lê os artigos abaixo:Fim da RCTV acua a mídia golpista O fim da outrora poderosa RCTV abre nova fase na luta contra a ditadura midiática na América Latina. Não é para menos que todos os veículos privados da região chiaram contra a medida Altamiro Borges EBATE ABERTO Venezuela: canal RCTV vence seu prazo A não renovação da concessão à RCTV depois de vinte anos se justifica plenamente por estar prevista por lei. Mas contam também repetidas violações da Constituição por parte da emissora. Luciano Wexe

31/05/2007 18:49

O que sugiro a ele para obter mais esclarecimentos.
Ver o vídeo: o documentário "The revolution will not be televised" (A revolução não será televisionada), filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O'Briain, apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular reação do povo. Vídeo com legendas em português. http://video.google.com/videoplay?docid=-3258871973505291549&hl=en

A revolução não será televisionada

Discurso de Aleida, filha do Che, quando do recebimento de seus restos por Fidel Castro, em Cuba

Vêm convertidos em heróis, eternamente jovens, valentes, fortes, audazes

"Te pedimos, Comandante, que nos dê a honra de receber seus restos; mais que nossos pais, são filhos deste povo que tão dignamente você representa"

Palavras de Aleida Guevara March, filha do Che, em solene cerimônia, à chegada dos restos dos guerrilheros caídos na Bolívia •

Querido Comandante:

Faz mais de trinta anos que nossos pais se despediram de nós: partiram para continuar os ideais de Bolívar, de Martí, um continente unido e independente, mas tampouco eles lograram ver o triunfo.

Estavam conscientes de que os grandes sonhos só se realizam com imensos sacrifícios. Não voltamos a ver-los.

Nessa época a maioria de nós éramos muito pequenos; agora somos homens e mulheres, e vivemos, quiçá pela primeira vez, momentos de muita dor, de intensa tristeza. Conhecemos como ocorreram os fatos e sofremos por eles.

Hoje chegam a nós seus restos, mas não chegam vencidos; vêm convertidos em heróis, eternamente jovens, valentes, fortes, audazes.

Ninguém pode tirar-nos isso; sempre estarão vivos juntos a sus filhos, em seu povo.

Eles sabiam que quando assim decidiram, poderiam regressar a Pátria e que nosso povo os receberia com amor e curaria suas feridas, e sabiam que você, senhor Comandante, seguiria sendo seu amigo, seu chefe.

Por isso é que te pedimos, Comandante, que nos dê a honra de receber seus restos; mais que nossos pais, são filhos deste povo que tão dignamente você representa.

Receba a seus soldados, a seus companheiros, que regressam à Pátria.

Nós também te entregamos nossas vidas.

Até à Vitória Sempre

Pátria ou Morte! Venceremos!

Os marxistas e a religião



Rodrigo Ricúpero
Doutorando em História do Brasil pela USP
Outros textos deste(a) autor(a)


• Respeitamos o sentimento religioso assumido por boa parte dos trabalhadores do país. Temos um respeito ainda maior por aqueles que querem transformar a sociedade e são religiosos, pois não utilizam as religiões, em suas diversas formas, para manter a dominação dos poderosos. Ao contrário, são partes da mobilização popular, como os setores das Pastorais Sociais que se incorporaram ao Encontro do dia 25 de março (que em geral são bastante críticos em relação ao Papa).

Mas não podemos deixar de falar da interpretação marxista da religião. A insegurança em relação à vida leva as pessoas a buscarem um consolo nas religiões, acreditando em uma outra vida e em uma explicação fácil para o que acontece (tudo é “a obra de Deus”). Isso se fortalece nos momentos de crises econômicas, de grandes calamidades ou quando se perde a expectativa de transformar a sociedade. As pessoas acabam se voltando para saídas místicas, tanto nas religiões tradicionais ou em crenças esotéricas. A expansão das seitas pentecostais e dos católicos carismáticos do Padre Marcelo são exemplos dessa tendência.

A saída religiosa no fundo é a tentativa das pessoas de escapar dos problemas concretos da sociedade, sem enfrentá-los, compensando as desilusões e misérias da vida com promessas celestiais.

Essa opção não exige nada além da própria crença, sem se opor à ordem vigente e a seus representantes, que a incentivam e a utilizam. A burguesia se utiliza das religiões para manter a exploração capitalista, da mesma forma que outras classes dominantes no passado. O fatalismo, a passividade e a submissão são conseqüências ideológicas comuns da aceitação de que tudo que acontece é “vontade de Deus”, e que haverá uma “vida eterna e feliz depois da morte”.

“A religião é o ópio do povo”, é uma das mais conhecidas frases de Karl Marx que demonstra como é o ser humano que faz a religião. Em outras palavras, que não foi Deus que criou homens e mulheres, mas, ao contrário, foram eles quem criaram Deus, deuses que os assombram e os oprimem.

Marx quer dizer com isso que a incapacidade do ser humano em compreender sua relação com a natureza e as verdadeiras relações sociais faz com que ele procure nos céus a resposta para sua situação, ou, como ele afirmou: “a miséria religiosa é, por um lado, a expressão da miséria real, e, por outro, o protesto contra a miséria real”. Ou seja, o ser humano procura na religião a saída para a sua miséria concreta.

Não temos, tampouco, nenhum acordo com a utilização de valores religiosos para pautar questões de Estado, como leis e direitos. Como também é inaceitável que a Igreja, como instituição, intervenha no Estado e dele se beneficie, como acontece no capitalismo. A Igreja possui empresas, escolas, terras, e muitas vezes obtém lucros pela fachada “filantrópica”.

Não cabe aqui, em poucas linhas, convencer da superioridade da concepção materialista. Os marxistas defendem a ampla liberdade de consciência e que cada um escolha livremente no que acredita ou não. Para Lênin, “o Estado não deve ter nada que ver com a religião, as sociedades religiosas não devem estar ligadas ao poder de Estado. Cada um deve ser absolutamente livre de professar qualquer religião que queira ou de não aceitar nenhuma religião, isto é, de ser ateu, coisa que todo o socialista geralmente é. São absolutamente inadmissíveis quaisquer diferenças entre os cidadãos quanto aos seus direitos de acordo com as crenças religiosas”.

O importante para os revolucionários é que se acredite que são homens e mulheres que fazem sua própria história e que, acabar com a miséria e a opressão é uma tarefa concreta e imediata, que não pode ser jogada para o reino dos céus.

[ 4/5/2007 18:42:00 ]

Da Ocupação da Reitoria da USP - Comunicado a Sociedade

Enviado por: "Raphael K. Mouro" espectro_permanente@yahoo.com.br

Seg, 21 de Mai de 2007 2:55 pm

Extraído do Blog da Ocupação: http://ocupacaousp. blog.terra. com.br/ Comunicado a Sociedade

São Paulo, 21 de maio de 2007

Os estudantes da USP que ocupam a reitoria desde o dia 03/05, reunidos em plenária, decidiram vir a público prestar esclarecimentos com relação às informações veiculadas na imprensa sobre o movimento, assim como nossas resoluções sobre as reuniões propostas pela reitoria e a Polícia Militar.
Nosso movimento defende a educação pública contra os ataques do governador José Serra e a conivência das reitorias das Universidades Estaduais paulistas. É por isso que somos contra os decretos assinados pelo governador no início deste ano, que ferem não somente a autonomia de gestão financeira, mas principalmente comprometem o caráter reflexivo e crítico que deve caracterizar ensino, pesquisa e extensão, na medida em que privilegiam as “pesquisas operacionais” - aquelas que favorecem o lucro privado em detrimento dos interesses da maioria da população. Exemplo claro disto é a alocação da FAPESP na Secretaria de Desenvolvimento, separada das Universidades. Reiteramos que estes decretos vieram agravar o processo de sucateamento da educação pública, já manifestado nos vetos ao aumento de verbas para as Universidades. Ocupamos a reitoria em protesto contra seu silêncio e omissão, para sermos escutados e abrirmos o debate com a sociedade.
Fomos acusados de “vândalos” e “violentos” por termos danificado uma porta. Violentos não seriam os governos que impedem a maioria da população de ter acesso à Universidade Pública, que é elitista e racista por responsabilidade dos mesmos que hoje nos criminalizam? Violentos não seriam os que têm punido juridicamente manifestações políticas, como esta ocupação? Violentos não seriam os que destroem a educação pública e reprimem os que querem defendê-la? Violenta não seria a polícia que reprime, dia a dia, a população pobre, negra, os trabalhadores e os movimentos sociais? Frente a toda essa violência, uma porta não é nada.
José Serra nos chamou de “mentirosos e desinformados” e declarou que a autonomia não foi ferida. É um ataque lamentável, como os que ele mesmo desfere contra o ensino público e que devem ser repudiados pela população. A respeito da gestão das verbas da Universidade, Pinotti em entrevista à Folha de S. Paulo declarou: “Suponha que haja um remanejamento maluco. Cabe ao governador dizer não.” Isso fere claramente a autonomia, pois deixa a critério do governo o que é “maluco”. E sabemos que “maluco” para eles é investir na Universidade Pública, gratuita e de qualidade.
É falsa a afirmação de que somos contra a transparência das contas da Universidade. Defendemos a publicização de toda a movimentação financeira interna da Universidade, o que também deve incluir as contas das fundações de direito privado, que usurpam o dinheiro e a estrutura da Universidade Pública para beneficiar um punhado de grandes empresas privadas e a burocracia acadêmica. Porém, a mera prestação de contas é insuficiente. A USP já disponibiliza os dados de seus gastos para a toda a população na internet. O Siafem (Sistema Estadual de Controle e Registro de Gastos), ao contrário, não é aberto ao público (é necessária uma senha para acessá-lo, disponível apenas para o Judiciário e o Legislativo) . O argumento da transparência é falso, trata-se de uma centralização das decisões e informações. O mesmo governo que se declara a favor da transparência não publicou a previsão e a arrecadação do ICMS dos meses de março e abril, argumento dado para a não definição do reajuste
salarial dos servidores. E mais, queremos que o destino das verbas seja definido não somente por uma minoria de professores, como é hoje, mas democraticamente, pela comunidade universitária em diálogo com a população, para que não esteja de acordo somente com os interesses de uma minoria.
Combatemos a concepção que trata como “privilégios” direitos sociais inalienáveis, como educação, saúde e previdência. O resultado deste processo é que direitos sociais que deveriam ser garantidos para todos são transformados em mercadoria que só alguns podem adquirir. É por isso que dizemos à população que o discurso do governo “contra o elitismo da Universidade” é oportunista. Não somos nem “privilegiados” nem “corporativistas” . Defendemos a universidade dos ataques que vem sofrendo e lutamos para transformá-la, para que seja de fato pública, tanto em seu acesso e permanência à população que mais necessita, quanto no caráter do conhecimento nela produzido. É por isso que chamamos a sociedade para lutarmos juntos pela real democratização das Universidades Públicas.

Estão agendadas duas reuniões para hoje (21/05/2007) : uma com a reitoria e outra chamada pelo Comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar. Frente a isso, declaramos que:

1 – Apoiados por professores, pela Assembléia de estudantes e de funcionários da USP, dentre outros segmentos da sociedade civil, diversas Universidades e movimentos sociais reiteramos nosso repúdio a qualquer punição, seja ela de caráter administrativo ou judicial, contra qualquer integrante do movimento de ocupação da reitoria da USP, sobre o qual recaia qualquer implicação processual em razão deste movimento político.

2 – Com relação à reunião com a PM: o que está sendo proposto não se trata de uma negociação. A única negociação possível é com a reitoria. Defendemos a autonomia da Universidade e negociar com a PM seria um ataque a esta autonomia que estamos defendendo. Por isso, não participaremos da reunião e mandaremos apenas representantes jurídicos para entregar oficialmente este comunicado e defender nosso movimento e nossas reivindicações. É importante lembrar que reintegrações de posse com uso de força policial não ocorrem na USP desde os obscuros anos da ditadura militar, quando centenas de pessoas foram presas e torturadas por lutar pela democracia na Universidade e no país. Não vamos compactuar com uma intervenção que reinstitui práticas ditatoriais e, se houver uso da força policial, resistiremos.

3 – Com relação à negociação com a reitoria e nossa pauta: sempre estivemos abertos à negociação, por isso aceitamos a reunião proposta para hoje, às 8h30. Esperamos que a reitoria avance no atendimento às nossas reivindicações, que não são somente moradia e autonomia como a imprensa tem veiculado. Temos uma pauta com 17 pontos, que segue em anexo. Esperamos que a reitoria avance com relação à proposta do dia 08/05, já rejeitada em Assembléia Geral do Estudantes da USP, que contou com mais de 2000 estudantes. Como nossas decisões são feitas democraticamente em fóruns de participação direta, a avaliação do resultado desta reunião será feita na próxima Assembléia Geral dos Estudantes da USP, a se realizar no dia 22 de maio, às 18h, em frente à reitoria.

4 – Chamamos toda a população a participar das nossas atividades, pois nossa luta é em defesa da educação pública. Haverá um ato público no dia de hoje, às 14h, em frente à reitoria, contra a repressão policial e em defesa da educação pública, para o qual chamamos todos os trabalhadores, estudantes, intelectuais, parlamentares, sindicatos, organizações políticas e movimentos sociais, para defendermos a legitimidade da nossa luta. Será realizada no dia 22/05 a Assembléia Geral dos Estudantes da USP. E no dia 23/05, quando nossa greve se fortalecerá com a entrada de outros setores das universidades, nos somaremos ao Dia Nacional de Lutas em defesa dos direitos sociais, com um ato no MASP (Av. Paulista), às 14h.

Contamos com o apoio dos que se o opõem à repressão e defendem uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.
Quem são os cinco cubanos encarcerados
nos Estados Unidos?

Cinco jovens profissionais que decidiram dedicar suas vidas, longe de sua pátria, à luta contra o terrorismo na cidade de Miami, centro principal das agressões contra Cuba.

Antonio Guerrero (Miami, 1958) Engenheiro em Construção de Aeródromos, poeta, dois filhos. Fernando González (Havana, 1963), casado, graduado do Instituto de Relações Internacionais (ISRI), do Ministério de Relações Exteriores de Cuba. Gerardo Hernández (Havana, 1965), casado, graduado do ISRI, caricaturista. Ramón Labañino (Havana, 1963), casado, três filhas, graduado de Licenciatura em Economia na Universidade de Havana, e René González (Chicago, 1956), casado, duas filhas, piloto e instrutor de vôo.


Antonio Guerrero Rodríguez

Nasceu o dia 16 de outubro de 1958 em Miami, no seio de uma família humilde. Seus pais são Antonio Guerrero Cancio (falecido) e Mirta Rodríguez Pérez.

Sua história estudantil começa em 1962, com um desenvolvimento em ascensão em todos os níveis educacionais e participação em atividades extra-escolares, com interesse especial em esportes como o beisebol e o futebol.

Em 1974 ingressa na União de Jovens Comunistas (UJC) ocupando o cargo de secretário organizador do Comitê de Base.

Ao concluir o instituto pré-universitário se ganha uma bolsa para estudar na antiga URSS Engenharia em Construção de Aeródromos. Em 1983 se gradua com um índice acadêmico de 4.7 e 5 pontos na tese de grau.

A seu regresso a Cuba é trabalha na Cubana de Aviação e começa a trabalhar como especialista C em arquitetura de aeródromos ocupando rapidamente o cargo de chefe de seção de aeródromos. No aeroporto foi secretário geral do comitê de base e secretário ideológico do Comitê UJC.

Em 1989 se lhes outorga a militância no Partido Comunista de Cuba (PCC).

Neste período contrai casamento com Delgis Cabrera Pontes e desta união nasce seu filho maior Antonio Guerrero Cabrera (Tonito), quem reside junto a sua mãe em Santiago de Cuba.

Se manteve trabalhando nas tarefas do aeroporto “Antonio Maceo”, onde recebeu avaliação de excepcionalmente positivo na principal obra que lhe foi atribuída, a ampliação da pista de dito aeroporto, tomada como exemplo de modelo construtivo e em cuja inauguração participou o Comandante em Chefe, a quem lhe explicou pessoalmente os pormenores da obra.

Em 1991, casa-se com a cidadã de origem panamenho Nitzia Pérez Barreto e ambos vão viver a Panamá. Desta união nasce seu segundo filho Gabriel Eduardo Guerrero.

Posteriormente se translada a os EE.UU., onde desempenha vários trabalhos eventuais até que através de uma amizade lhe oferece um emprego temporário melhor remunerado no departamento de obras públicas da Estação Aérea Naval de Cayo Osso.

Nos EE.UU. teve uma vida austera e singela, obtendo limitados rendimentos econômicos através de seu trabalho como ajudante num ateliê de manutenção em Cayo Osso.

Ali conheceu à norte-americana Margaret Becker (Maggie), com quem conviveu vários anos e contraiu casamento em 1998.

Durante sua permanência nos Estados Unidos atuou em silêncio, tratando de evitar as ações terroristas que organizaram, financiado e executado contra Cuba os elementos da extrema direita anticubana em Miami.

O 12 de setembro desse próprio ano Antonio Guerrero foi detento junto a outros quatro compatriotas pelo Escritório Federal de Investigações de Estados Unidos.

Durante 17 meses e 48 dias se lhe manteve em confinamento em solitário, isolado de seus outros colegas e dos demais presos.

Num juízo com evidente caráter político, Antonio Guerrero foi sancionado a corrente perpétua e a 10 anos de prisão, pelos supostos delitos de conspiração para cometer espionagem e ser agente estrangeiro não declarado.

Cumpre suas condenações no cárcere de máxima severidade de Florence, estado de Colorado.

Em seu caso se violam a quinta e sexta emendas da Constituição norte-americana, referentes ao devido processo e a um juízo rápido e imparcial. Não se cumprem, ademais, o Regulamento do Escritório de Prisões dos Estados Unidos e as regras mínimas das Nações Unidas para o Tratamento aos Reclusos, ao negar-se a Antonio em reiteradas oportunidades o direito à assistência médica.

Durante seu confinamento Antonio Guerrero tem escrito numerosos poemas, nos que se reflete sua confiança no futuro e seu amor à humanidade. Uma boa mostra de sua obra se encontra no livro "Desde minha altura" e no disco compacto "Regressarei", com versos de Guerreiro musicalizados por vários artistas cubanos.


Fernando González Llort

Nasce na Cidade da Havana o dia 18 de agosto de 1963. De procedência social obreira. Filho de Magali Llort Ruiz e Fernando Rafael González Quiñones. Tem duas irmãs: Marta e Lourdes. Está casado com Rosa Aurora Freijanes Coca.

Em 1968 inicia seus estudos e em todos os níveis de ensino se caracterizou por sua seriedade e dedicação, obtendo bons resultados docentes e com marcante participação em atividades produtivas, culturais e desportivas.

Em 1981 ingressa nas filas da União de Jovens Comunistas (UJC), como resultado de sua ascendente trajetória estudantil e política.

Do ano 1981 ao 1987 cursa estudos universitários no Instituto Superior de Relações Internacionais “Raúl Roa García”, ocupando diversos cargos na Federação de Estudantes Universitários (FEU) e na UJC, onde se projeta como dirigente estudantil exemplar. Gradua-se com diploma de ouro.

Durante seus estudos universitários se destaca ademais na promoção de eventos culturais, e participa ativamente nos festivais de teatro do centro de estudo.

Entre 1987-1989 cumpre missão internacionalista na República Popular da Angola numa brigada de tanques, recebendo ao finalizar sua missão as medalhas “Combatente Internacionalista” de segunda classe e “Pela Vitória Cuba - República Popular da Angola”, assumindo com estoicismo os rigores da contenda militar.

Como resultado da sua trajetória em 1988 se lhe outorga a militância no Partido Comunista de Cuba (PCC).

A raiz do incremento das atividades terroristas e provocações que têm lugar na década dos 90, Fernando sai a cumprir missões de controle e obtenção de informação sobre o acionar de vários cabeças e membros de diferentes organizações contra-revolucionarias radicadas na Florida.

Em junho de l998 as autoridades cubanas tinham entregado a uma missão de importantes especialistas do Escritório Federal de Investigações (FBI) volumosos expedientes e gravações, em cassetes de áudio e vídeo, sobre os planos terroristas dos grupos anticubanos radicados em Miami. Prometeram dar resposta às evidências apresentadas por Cuba. O dia 12 de setembro desse mesmo ano Fernando González Llort e outros 4 compatriotas foram detidos pelo FBI.

Desde então os cinco cubanos guardam injusta, humilhante e dura prisão, que incluiu 17 meses e 48 dias de confinamento em solitário em celas de castigo, sem ter cometido indisciplinas.

O juízo a Fernando e o resto de seus compatriotas se realizou na cidade de Miami completamente hostil para os acusados, violando-se as quinta e sexta emendas da Constituição dos Estados Unidos.

As autoridades puseram obstáculos a o trabalho da defesa ao demorar o acesso à documentação classificada e não entregar evidências do processo.

As irregularidades registradas durante o juízo a Fernando constituem também violações da Convenção Americana sobre os Direitos Humanos e do regulamento do Bureau de Prisões de Estados Unidos, bem como do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, e das Regras Mínimas para o tratamento dos Reclusos, estes dois últimos, documentos das Nações Unidas.

Fernando González Llort foi condenado a l9 anos de prisão pelos supostos delitos de ser agente estrangeiro não declarado e falsa documentação. Encontra-se no cárcere de máxima segurança em Oxford, Estado de Wisconsin.


Gerardo Hernández Nordelo

Nasce na Cidade da Havana o dia 4 de junho de 1965 no seio de uma família humilde, sendo o terceiro filho e o menor do casamento. Filho de Gerardo Hernández Martí (falecido) e Carmen Nordelo Tejera.

Sua infância se desenvolve na Víbora, caracterizando-se por ser muito ativo, estudioso e aplicado. Desde cedo foi admirado por sua educação formal, ressaltando-se sua esmero no trato, ajuda e respeito para os anciãos.

Transita de maneira marcante pelos diversos níveis de ensino do país, caracterizando-se por seus altos rendimentos acadêmicos e por seus dotes de dirigente juvenil.

No ano 1980 se lhe outorgou a condição de aspirante à União de Jovens Comunistas (UJC).

Começa seus estudos universitários em agosto de 1983, no Instituto Superior de Relações Internacionais e em 1988 contrai casamento com Adriana Pérez O´Connor.

Cumpre missão internacionalista na República Popular da Angola em 1989, sendo localizado numa brigada de tanques, destacou-se por sua valentia e decisão em 54 missões combativas. Em 1990, ao concluir sua missão, foi condecorado com as medalhas “Combatente Internacionalista” e “Pela Amizade Cuba-República Popular da Angola”.

No ano 1993 se lhe outorga a militância no Partido Comunista de Cuba (PCC).

Em meados dos anos 90 cumpre missões nos EE.UU., dirigidas a prevenir a Cuba de ações de corte terrorista planificadas e executadas por organizações contra-revolucionarias radicadas em Miami.

Nesse país laborava fazendo trabalhos como artista gráfico. Viveu em condições de austeridade, com os meios imprescindíveis e sem luxos de nenhum tipo.

Foi detido o dia 12 de setembro de l998 e submetido a cela de castigo e isolamento durante 17 meses e 48 dias, sem ter cometido indisciplina alguma, sendo objeto de tratos cruéis, desumanos e degradantes.

Durante todo o processo legal as autoridades norte-americanas puseram obstáculos a o trabalho da defesa ao demorar o acesso à documentação classificada e não entregar as evidências do processo.

Apesar do manipulado do juízo e das tensões próprias de um processo como esse, Gerardo despregou durante o mesmo seus dotes de caricaturista, ridicularizando a atuação de quem, longe de dar justiça, preguearam-se às exigências da extrema direita anti-cubana.

No caso de Gerardo Hernández se violaram a quinta e sexta emenda da Constituição dos Estados Unidos referentes ao devido processo, um juízo rápido e com um júri imparcial, além da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Também foi violado o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, bem como as regras mínimas para o tratamento dos Reclusos, documentos das Nações Unidas.

Gerardo Hernández Nordelo foi condenado a duas correntes perpétuas e 15 anos de prisão pelos supostos delitos de conspiração para cometer assassinato, conspiração para espionar, ser agente estrangeiro não declarado e falsa documentação. Encontra-se confinado na prisão de alta segurança de Lompoc, California.

Ao jovem cubano se lhe impede receber a visita de sua esposa, Adriana Pérez O´Connor, em franca violação de seus direitos como réu e da Declaração Universal de Direitos Humanos.


Ramón Labañino Salazar

Nasceu o dia 9 de junho de 1963 no seio de uma família humilde, de origem camponês, no município do Marianao. Filho de Nereyda Salazar Verdui (falecida) e Holmes Labañino Castillo.

No município habanero da Lisa Ramón realizou os estudos primários, secundários e pré-universitários, com muito bons resultados acadêmicos, destacando-se por sua participação em atividades produtivas e desportivas.

No período dos anos 1980-86 cursou os estudos universitários na especialidade de Economia, até graduar-se com Diploma de Ouro. Na universidade se destacou nas atividades desportivas, participou em todos os jogos Caribe e alguns Manicatos, e foi ao mesmo tempo o graduado mais destacado na cátedra militar durante os 5 anos da carreira.

Se lhe outorgou a militância na União de Jovens Comunistas (UJC) em 1987 e posteriormente, em 1991 o rendimento no Partido Comunista de Cuba (PCC).

Em junho de 1990 contrai casamento com sua atual esposa, Elizabeth Palmeiro Casado, com quem tem duas filhas: Laura Labañino Palmeiro e Lizbeth Labañino Palmeiro. De um casamento anterior tem a sua filhas maior, Ayli Labañino Cardoso. Apesar de suas ausências do país, prestou-lhe muito atendimento a suas filhas, expressando constantemente seu grande carinho por elas e manifestando sua preocupação por seu desenvolvimento e educação.

Devido ao cumprimento de suas missões no exterior, não pôde compartilhar com sua esposa os momentos da gravidez nem o nascimento de suas duas filhas menores.

Desde princípios da década do 90 sai a cumprir missão em EE.UU., encarregando-se de importantes e riesgosas tarefas, dirigidas contra os grupos contra-revolucionários radicados em Miami, que cobijados pelo império incrementaram ostensivelmente a realização de atividades terroristas e de desestabilização durante a década do 90 contra nosso país.

O dia 12 de setembro de 1998 Ramón foi detido nos Estados Unidos num operativo do Bureau Federal de Investigações contra uma suposta rede de espiãs. Encarcerado desde então não foi até o 21 de janeiro do 2001 que pôde comunicar-se com sua família, pela primeira vez em 17 meses, através de uma carta.

O dia 17 de junho, Ramón e seus quatro colegas acusados de conspiração para cometer espionagem, emitiram uma mensagem ao povo norte-americano, onde explicam as razões de sua presença nesse país.

O dia 3 de agosto do 2001 o Parlamento cubano emitiu uma declaração de condenação da situação em que se encontravam os cinco cubanos injustamente prisioneiros em EE.UU.

O dia 12 de dezembro do 2001 se efetuou a vista de sentença contra Ramón Labañino Salazar em decorrência da qual, uma vez apresentados os alegados do relatório de pré-sentença e também a informação de seu advogado defensor, finalmente foi sentenciado à pena de corrente perpétua mais 18 anos. Ramón deu leitura a seu alegado de autodefesa.

O dia 29 de dezembro desse ano o Parlamento cubano, em sua sessão especial, outorgou o Título Honorífico de "Herói da República de Cuba" aos cinco cubanos antiterroristas condenados a arbitrárias penas de cárcere; concedeu a Ordem "Mariana Grajales" às mães e a Ordem "Ana Betancourt" às esposas. Aprovou-se chamar ao ano 2002 "Ano dos Heróis Prisioneiros do Império".


René González Sehwerert

Nasceu em Chicago, Estados Unidos, o dia 13 de agosto de 1956, no seio de uma família cubana de procedência obreira que tinha emigrado para esse país.

Seu pai, Cándido René González Castillo, era trabalhador siderúrgico em Indiana, nos Estados Unidos, enquanto sua mãe, Irma Teodora Sehwerert Mileham, dedicava-se aos afazeres domésticos. Ambos tinham cooperado com o Movimento revolucionário 26 de Julho que em Cuba se enfrentava à ditadura do Fulgencio Batista

O dia 2 de outubro de 1961 seus pais decidem regressar e estabelecer-se definitivamente na Ilha, em companhia de seus dois filhos, incorporando-se de imediato a família à construção da nova sociedade.

Desde pequeno René refletia caráter forte e nobres sentimentos; tinha inclinação pela mecânica. Com resultados satisfatórios cursou todos os níveis de ensino, onde se destacou nas atividades desportivas e sociais.

Em 1974 se apresentou voluntariamente ao Serviço Militar General, pese a que sua condição de estrangeiro lhe possibilitava ficar livre dessa responsabilidade. Três anos depois cumpre também de maneira voluntária, como milhares de cubanos, missão militar em Angola, onde foi designado chefe do claustro de professores que davam classes a soldados e a oficiais para elevar seu nível cultural.

Entre 1979 e 1982 realiza estudos na escola de aviação "Carlos Ulloa", em San Julián, na ocidental província de Pinhal do Rio, e depois de graduado serviu de professor na formação de pilotos da Força Aérea Cubana.

Em 1985 é designado chefe da esquadrilha aérea da base de San Nicolás de Bari, na Havana, e chefe da seção de aeronáutica desportiva.

No final do ano 1990 parte para os Estados Unidos.

Em Miami consegue ter acesso a diferentes organizações contra-revolucionarias que utilizam o território norte-americano para organizar e realizar ações terroristas e provocações constantes contra Cuba, com o propósito de desatar uma confrontação militar entre a Ilha e os Estados Unidos.

Sua vida nessa nação se desenvolveu sob condições de austeridade e sacrifício, tendo como única fonte de rendimento pessoal seu trabalho como instrutor de pilotos.

O dia 12 de setembro de l998 René González e outros quatro compatriotas foram detidos pelo Bureau Federal de Investigações de Estados Unidos.

A acusação formal não se produziu até quatro dias depois.

Durante 17 meses e 48 dias se lhes manteve em confinamento solitário, sendo impossível manter uma comunicação adequada com os advogados para preparar a defesa com as garantias mínimas do devido processo.

Foi condenado em Miami, berço da extrema direita cubano-americana, a 15 anos de privação de liberdade pelo suposto delito de ser agente estrangeiro não declarado. Foi enviado primeiro à prisão de máxima segurança em Loreto, estado da Pennsylvania, e recentemente transladado à da Carolina do Sul.

Sua esposa, Olga Salanueva Arango, é engenheira industrial. Em janeiro de 1997 viajou a Estados Unidos para unir-se a seu esposo, acompanhada de sua filha maior Irma González Salanueva. Em 1998, poucos meses antes de ser detido René, nasceu em território norte-americano a menor de suas filhas, Ivette González Salanueva.

A raiz da detenção do René e do resto dos colegas começou um processo de ameaças e pressões psicológicas e econômicas para a Olga e a suas filhas, com o objetivo de que traísse a seu esposo e a sua pátria.

O dia 16 de setembro do 2000 a Olga foi detida no cárcere estatal em Fort Lauderdale, Florida, ficando a pequena Ivette sob a tutela da bisabo de René, em Zarazotta.

Em novembro do 2000 a deportaram a Cuba e não lhe autorizaram viajar com sua filha menor.

No caso de René González se violam a quinta e sexta Emendas da Constituição de Estados Unidos, referentes ao devido processo legal e a gozar do direito de um juízo rápido e por um júri imparcial.

Ademais se violam outras regras do Tratamento dos Reclusos , da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o artigo 10 da Convenção sobre os Direitos do Menino, por ter impedido comunicação pessoal com sua pequena filha Ivette, que só contava quatro meses de nascida quando o René foi detido.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
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  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
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  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
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  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
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  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
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  • O Estrangeiro - Albert Camus
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  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
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  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

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  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira