quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O PODER, O CARÁTER, A VIA DA REVOLUÇÃO E A UNIDADE DA ESQUERDA.



Comandante Schafik Handal* (Partido Comunista Salvadorenho)

Atenção: este texto foi escrito nos primeiros anos da década de 1980

O ABC do marxismo-leninismo ensina que o problema fundamental da revolução é o problema do poder; o afastamento na prática desta verdade é, em nosso julgamento, um dos fatores principais que, se não fosse corrigido a tempo, poderia ter-nos deixado fora da linha de frente da revolução salvadorenha.

Na América Latina, tiveram lugar duas grandes revoluções verdadeiras, a de Cuba e a da Nicarágua e, em nenhum dos dois casos, os Partidos Comunistas estiveram à frente. No caso da Nicarágua, a experiência com o partido irmão foi desastrosa, excetuando-se a parte dele que desde 1978 se incorporou à luta armada.

Estamos convencidos de que a ausência prática de uma clara conduta da luta pelo poder é o fator principal que explica estes resultados. Esta mesma questão tem estado na base, cremos nós, das equivocadas caracterizações de certos processos sociais e políticos reformistas na América Latina como “revoluções”. Na prática esta caracterização não se confirmou, mas serviu para determinar um papel de simples força de apoio para os partidos irmãos dos respectivos países.

Outra expressão deste mesmo problema é o papel exagerado e, em alguns casos, a absolutização do papel que se fixa para o Programa Econômico-Social para determinar o caráter da revolução, o curso da luta por sua vitória e da defesa e consolidação da mesma. No Chile, durante o governo de Allende, por exemplo, tanto os participantes da Unidade Popular, como as forças assim chamadas ultra-esquerdistas, davam uma importância central e decisiva ao Programa Econômico-Social. Para os outros, tudo consistia em radicalizar esse programa, rebaixar seus limites. Entretanto, ninguém elaborou nem aplicou uma orientação correta para resolver realmente o problema do poder, nem para defender o governo de Allende.

Refiro-me ao caso chileno porque creio que é quase de laboratório: é curioso que quando apareceram objetivamente os processos e correntes que configuravam a possibilidade de resolver revolucionariamente o problema do poder, nem uns nem outros o captaram. Tenho em conta a configuração dentro do exército chileno de uma corrente que compreendia bastante claramente a necessidade de solucionar o problema do poder. A dimensão e transcendência desse fato pode ser apreciado nas anotações do Gal. Prat em seu diário durante 1973 (1). É também curioso como a reação entendeu com precisão esse assunto. Tudo o que a reação fez no Chile durante o governo de Allende, estava dirigido para esmagar a possibilidade de perder o poder e quando se configurou esta corrente no exército, seu esforço concentrado esteve dirigido para desfazer-se de Prat e seus companheiros.

Como atuaram as forças revolucionárias frente a esse fenômeno? Ninguém definitivamente defendeu Prat e a parte do exército que ele encabeçava. Uns o sacrificaram em interesse de manobras políticas acreditando honradamente que estas trariam a saída da crise; e, os outros, consideraram que a presença de Prat no governo era “a presença da burguesia”, que o pacto com Prat era “a traição à revolução” e decidiram constituir-se na “oposição operária camponesa”.

Quando a corrente de Prat era forte e predominante, quando derrotou o “Tancazo” (junho/1973), as massas intuíram a importância daquele momento para resolver revolucionariamente o problema do poder; se lançaram à rua, como todos sabemos, exigindo golpear profundamente a reação, fechar o parlamento, depurar o exército, mas a direção daquele processo não tomou resolutamente em suas mãos estas bandeiras. Não estou defendendo a idéia de que tudo se resolveria no Chile organizando a luta em torno de Prat; creio sim, que o aparecimento da corrente encabeçada por ele e a onda de massas que seguiu à sua vitória sobre Tancazo foi o mais próximo que houve durante o governo da Unidade Popular para a solução do problema do poder para a revolução. Essa possibilidade apareceu objetivamente e se constituiu assim numa prova para medir a clareza das forças revolucionárias para a tese do marxismo-leninismo de que “o problema do poder é o problema fundamental de toda revolução”.

A história da revolução mundial tem referendado esta verdade, várias vezes. Não é um programa econômico-social o central, o decisivo. Os ritmos na aplicação do programa social, a realidade das mudanças econômico-sociais estão na dependência das condições nacionais e internacionais em que se realiza cada revolução.

Os revolucionários têm a possibilidade de escolher o ritmo melhor, inclusive de fazer pausas e até retrocessos se for necessário, com a condição de que conquistem o poder e o retenham firmemente em suas mãos. A revolução de Outubro e a NEP (nova política econômica) (2) são exemplos da necessária desaceleração das mudanças econômico-sociais. Em Cuba, o programa econômico-social do Movimento 26 de julho de fato era só o discurso de Fidel “A história me absolverá”, desconhecido para as grandes massas majoritárias do povo antes do triunfo da revolução. Na experiência da revolução cubana foi necessário acelerar, sem embargo, a radicalização das transformações econômico-sociais para defendê-la frente às asfixiantes medidas contra-revolucionárias empreendidas pelo imperialismo ianque. A atual experiência da Nicarágua, onde o ritmo e a profundidade das transformações econômico-sociais teve de graduar-se, é outra constatação prática da tese da qual já falamos e se poderia citar exemplos da Europa oriental e África.

É necessário esclarecer profundamente a dialética do problema do poder e o Programa Econômico-Social. Tem-se que voltar ao delineamento leninista novamente; toda questão traçada por Lênin em suas Teses de Abril, de 1917, apontava a tomada do poder pelo proletariado revolucionário e seu partido, para esclarecer e unir em torno destes as forças das grandes massas camponesas e populares em geral para realizar a tarefa.

As “Teses de Abril” continuam sendo o modelo de como compreender o problema do poder e como determinar a conduta do partido na situação revolucionária.

Responder à pergunta de por que o movimento comunista da América Latina e outras regiões do Terceiro Mundo deixou de ter no centro de sua atuação a luta pelo poder, é um assunto complexo; nós não temos uma resposta satisfatória; seguramente há várias. Vou referir-me a uma: parece-me que a solução do problema do caráter e da via da revolução está vinculada a este assunto.

O CARÁTER E A VIA DA REVOLUÇÃO

Em Cuba ficou demonstrada uma regularidade da revolução na América Latina: a revolução que aqui amadurece é a revolução socialista. Ficou também demonstrado em Cuba que não se pode ir ao socialismo, que não se pode realizar revolução socialista senão com bandeiras democráticas anti-imperialistas, que não se pode realizar até o fundo a revolução democrática anti-imperialista nem se pode defender suas conquistas sem se atingir o socialismo.

Dito de outra maneira: não se pode atingir o socialismo senão pela via da revolução democrática anti-imperialista, mas tampouco se pode consumar a revolução democrática anti-imperialista sem atingir o socialismo. De maneira que entre ambas há uma ligação essencial indissolúvel, são facetas de uma única revolução e não duas revoluções. Se olhamos de agora para o futuro, o que se apresenta é a revolução democrática anti-imperialista e que não se apresenta com uma revolução à parte, senão como a realização das tarefas próprias da primeira fase da revolução socialista.

Sendo assim, compreende-se melhor que não pode haver revolução sem resolver a fundo o problema do poder e que não é necessário esperar que as grandes massas tenham uma consciência socialista para conceber a tomada revolucionária do poder. Em Cuba, não havia consciência socialista generalizada antes da vitória de 1° de janeiro de 1959. Parece-me que, se o problema do caráter da revolução é enfocado desta maneira, a atividade dos partidos revolucionários não pode deixar de ter em seu centro o problema do poder.

Não sei de onde surgiu este esquema, mas nosso partido, e me parece que muitos outros partidos comunistas da América Latina, temos trabalhado durante decênios com a idéia de duas revoluções e víamos a experiência cubana com uma “peculiaridade excepcional”. Reagimos tantas e tantas vezes contra a colocação esquerdista da luta pela implantação direta, sem estágios, do socialismo e chegamos a nos convencer de que a revolução democrática não é necessariamente uma tarefa a ser organizada e promovida principalmente por nós. Que poderíamos nos limitar e nos conformarmos em ser força de apoio e assegurar a amplitude do leque das forças democráticas participantes.

Assim, a revolução democrática antiimperialista se nos apresentava como uma “via de aproximação”, que pode alcançar-se deixando na dianteira da ação setores “progressistas”, “anti-imperialistas”, das camadas médias (da intelectualidade, dos militares, etc.) e até da burguesia. As experiências peruana, panamenha e portuguesa (brevemente também a experiência do Gal Juan Torres na Bolívia), pareceram confirmar esta tese ainda que elas mesmas terminaram negando-a. Claro que em nenhum documento partidário se disse expressamente tal coisa, mas a conduta prática de nosso partido e de outros partidos irmãos foi essa. O que surge de tal conduta não é nem pode ser o partido da revolução mas sim o partido das reformas. O Partido Comunista Salvadorenho, para assumir seu papel revolucionário, teve que abandonar este esquema equivocado.

Nós estamos convencidos de que o movimento comunista latino-americano há que fazer uma grande luta ideológica para nos livrarmos desse peso reformista.

Não há dúvida que estou longe de pensar que esta é uma análise integral e suficientemente profunda. São simplesmente reflexões e preocupações, deduções de nossa própria experiência e sugestões para aqueles que trabalham na esfera cientifica, estudando o processo revolucionário mundial; são sugestões para voltar a este ponto, com freqüência, ainda que pareça um assunto elementar.

A questão da luta pelo poder está ligada a demasiadas coisas. Primeiramente com o problema da via da revolução e do caráter desta. Na América Latina a revolução socialista, há que arrebatar o poder à burguesia, há que destruir o aparelho burocrático militar da burguesia; isto nas condições atuais – e o será assim por muitíssimo tempo – não pode realizar-se pela via pacífica.

Na América Latina, esta tese já foi comprovada pela experiência de duas revoluções armadas triunfantes e pela derrota de dois intentos de consumar a via pacífica, nos dois países mais democráticos do continente: Chile e Uruguai. Em ambos os casos, exércitos “institucionalistas”, “profissionalistas” e as não tradicionais, tropas gorilas, tão difundidas em nosso continente, puseram a pique o barco e a navegação da revolução pacífica. Costa Rica, a “Suíça da América” – que “não tem exército” – encontra-se sacudida hoje por uma vertiginosa carreira repressiva, de organização e ação de bandos fascistas armados sobre o cenário de uma desenfreada crise econômica. Ninguém adere agora na Costa Rica à hipótese de uma evolução pacífica da revolução. A idéia da via pacífica para a revolução na América Latina está ligada ao reformismo, no meu entender.

Na sociedade latino-americana há muitas forças progressistas. Poderia se pensar que unindo estes setores progressistas pode-se influir sobre o que costuma chamar-se hoje “centros e aparelhos do Poder” e, pouco a pouco, ir modificando a essência do Estado, “tomar o poder por partes”. Se aceitamos que a revolução democrática anti-imperialista é parte inseparável da revolução socialista, não se pode realizar a revolução tomando pacificamente o poder por partes, será indispensável sob uma ou outra forma, desmantelar a máquina estatal dos capitalistas e seus amos imperialistas, erigir um novo poder e um novo estado. Em tais condições, resulta evidente que a via pacífica não é a via da revolução.

Manejar este problema da via da revolução na América Latina a partir de que é indiscutivelmente verdadeira (com força de dogma) a afirmação de que há possibilidades iguais, eqüitativas, pela via armada e via pacífica é, em nossa opinião um erro muito grande, inclusive se esta tese se formula como uma afirmação “em principio”. É igualmente um grave erro manejar a questão da via da revolução com um assunto puramente “tático”, sujeito a imprevisíveis variações”. Ambos esquemas são uma colocação eufemística da posição reformista, não revolucionária, que aliena o papel de vanguarda do partido comunista.

Logo, a via armada da revolução não exclui a luta pela realização das reformas econômico-sociais. Esta luta joga um importante papel na educação política das massas e as alianças; ademais as mudanças “profundas” do programa democrático antiimperialista são em essência reformas, já que por si só não podem abolir o capitalismo e, pelo contrário, podem reforçá-lo; o que imprime um caráter revolucionário a esse programa é a luta revolucionária pelo poder e a tomada revolucionária do poder.

Na experiência do Partido Comunista Salvadorenho, os errôneos enfoques e em certos aspectos fundamentais, menos que erros, debilidades teórico-ideológicas relacionadas com os problemas do poder, o caráter e a via da revolução, junto com a influência das concepções de nossos aliados democráticos no curso da luta eleitoral de onze anos, na qual participamos os comunistas, engendraram em nossas fileiras esquemas e ilusões reformistas. Desfazer-se delas requereu autocrítica franca e profunda, junto com medidas audazes e difíceis.

A participação do PCS na luta eleitoral foi acertada. A luta eleitoral se havia convertido objetivamente na arena principal da luta política nacional desde 1964, sobre a base da industrialização e do grande auge econômico (1963-1968) que então se lograva no marco dos convênios do Mercado Comum centro-americano e depois da reforma legal que permitiu a representação proporcional na Assembléia Legislativa. Não participar na luta eleitoral significava de fato colocar-se bastante à margem da luta política e ademais abandonar as massas ao controle ideológico da burguesia.

É certo que desde 1970 as organizações revolucionárias armadas, surgidas nesse ano, repudiaram a luta eleitoral e se abstiveram de participar delas. Mas também é certo, como o reconhece hoje a maioria dessas organizações irmãs, que o crescimento e desenvolvimento da luta armada recebeu bastante contribuição e participação dos comunistas nas freqüentes contendas eleitorais (três eleições presidenciais e seis eleições parlamentares e municipais entre 1966 e 1977).

Com efeito, a participação do PCS na luta eleitoral de onze anos, ainda que não com seu próprio nome por causa de sua ilegalidade, facilitou às massas trabalhadoras e populares em geral, fazer uma intensa aprendizagem política, conquistou a maioria para a causa democrática anti-imperialista, alertou em tempo ao povo e a todas as forças democráticas contra o perigo do fascismo, ajudou a precipitar a crise da ditadura militar como sistema político de dominação.

Não é em vão, escreveu Lênin em seu folheto “sobre o Estado” publicado em 1929: “...só o capitalismo, graças à luta urbana, permitiu à classe oprimida dos proletários adquirir consciência de si mesma e criar o movimento operário universal, os milhões de operários organizados em partidos no mundo inteiro, os partidos socialistas que dirigem conscientemente a luta das massas. Sem parlamentar, sem eleições, este desenvolvimento da classe operária, teria sido impossível”.

A vida demonstrou em El Salvador, que a participação eleitoral dos comunistas deu uma grande contribuição política ao movimento de luta pela revolução e que, olhando neste momento todo aquele período, pode-se afirmar que o atual movimento revolucionário, seu programa, sua linha, é uma síntese da luta armada e de massas das organizações irmãs, de suas elaborações ideológicas-políticas, da luta política e de massas, e a linha do PCS.

Apesar de tudo que tem de positivo de nossa participação eleitoral, é necessário insistir em assinalar que ela manteve vivas e, de certo modo, reforçou as manifestações ideológico-politicas do reformismo em nossas fileiras, começando pela Direção, embora nunca se tenha adotado oficialmente a via pacífica da revolução.

O movimento eleitoral levou a maioria do povo a enfrentar a fraude, a imposição e a repressão e assim, na prática – não somente por nós como também pelas grandes massas – se esgotaram as possibilidades da “via” das eleições para democratizar e transformar o país. Nós sabíamos que assim ocorreria e ajudamos as massas a realizar o aprendizado desta verdade levando-as a confrontar-se com ela e realizando uma propaganda esclarecedora sistemática. Na escola insubstituível de sua própria experiência, as grandes massas aprenderam a conhecer a verdadeira face da ditadura militar reacionária, seu fraudulento jogo com as eleições, livraram-se das ilusões, da “via” eleitoral e compreenderam que não há outro caminho para alcançar a democracia, a justiça social e o progresso a serviço do povo, que a derrubada da ditadura, cada dia mais sanguinária e opressiva, através da violência revolucionária. Repito, os comunistas ajudamos conscientemente as massas a realizar esse aprendizado. Em nossas campanhas eleitorais dizemos que não se devia esperar das urnas o poder, que estas eram um ponto de passagem no caminho e que o poder teria que ser conquistado com outra forma de luta.

Isto contribuiu para preparar as condições políticas para uma virada ampla das massas no sentido do apoio à luta armada e à incorporação de um crescente número de seus componentes como militantes e combatentes das organizações armadas.

Mas chegado este momento – em fevereiro de 1977 – e apesar que a comissão política do Comitê Central concordou em realizar a mudança de nosso partido para a luta armada que dará continuidade à luta política do povo, demoramos 2 anos em consumá-la. Tivemos que fazer um grande esforço analítico e autocrítico para encontrar as causas dessa demora. O êxito desse esforço pode ser alcançado, principalmente, porque logramos vencer o método frequentemente praticado em circunstâncias semelhantes, que consiste em lançar culpa uns aos outros no partido, ou de culpar outras organizações evitando-se enfrentar a verdade e chegando, por outro lado, a provocar fracionamentos. O fracionamento poderia ter marginalizado o partido da vida política do país. As conclusões do esforço analítico do PCS pode resumir-se assim: existiam obstáculos ideológicos e orgânicos que se chocavam contra as decisões de realizar a virada em favor da luta armada.

No que se refere aos obstáculos ideológicos, já falei. O principal obstáculo orgânico consistia em que quadros do partido, os quadros da direção nacional e os intermediários, que são o cérebro, os ossos e nervos do partido, de quem depende decisivamente a elaboração e o cumprimento dos acordos centrais não sabiam como organizar a passagem à luta armada, nem como combiná-la com a luta política. Sua formação era unilateral. Nossos quadros eram sumamente eficientes e, inclusive, inovadores para desenvolver a luta de massas não armada, para propaganda, para agitação, para o trabalho com os aliados democráticos, para o trabalho nas universidades, mas quando chegou a hora de implementar esta forma superior de luta não estávamos preparados para ela.

Tínhamos uma comissão militar, mas o conjunto de quadros do partido, que é o decisivo, não sabia como levar à prática as orientações acerca da luta armada. Para superar este obstáculo, a Direção empreendeu passos audaciosos, baseando-se nos acordos do VII Congresso, realizado na clandestinidade em abril de 1979. Foi abandonada a idéia de que a Comissão Militar é a encarregada de formar um aparelho militar, separado do corpo do partido, numa espécie de dispositivo que deve sair do seu misterioso esconderijo e entrar em ação quando chega o momento. A vida demonstrou que desse modo não se pode criar tão milagroso mecanismo. Os companheiros da Comissão Militar não tinham culpa. Essa situação era o resultado de um defeito essencial na política geral para a formação de quadros do Partido, política sem duvida vinculada às concepções reformistas não derrotadas totalmente.

Ademais, se a Comissão Militar houvesse logrado desenvolver esse tipo de aparato militar, haveríamos tido um enorme problema. No geral, segundo a experiência dos outros partidos, aqui mesmo na área centro-americana, isto acaba em enfrentamento entre a Comissão Militar e o resto da Direção. Na base das contradições entre as comissões militares e o resto do Partido, independentemente de se uns e outros levam razão em cada conflito concreto, encontramos este problema da incapacidade do conjunto do Partido para organizar e dirigir a luta armada quando chega o momento de fazê-lo.

Este problema só podia resolver-se convertendo o Partido, em seu conjunto, em chefe e ator não só de sua luta política como também de sua luta armada, tornando o grande combinador e dirigente de todas as formas de luta. Para lograr isso, tivemos que tomar medidas audazes: fizemos que um número rapidamente crescente dos membros do Comitê Central, da Comissão Política, dos Comitês Dirigentes Intermediários e uma grande massa do Partido e da Juventude Comunista de El Salvador, JCS, estudassem os problemas da luta armada revolucionária e se exercitassem na arte e na técnica militar, não para dedicar todos eles ao aparelho militar, se não para praticar a convicção de que a luta armada no Partido deve ser organizada realizada e dirigida pelo Partido, por seus organismos dirigentes e de base.

O acerto daquela orientação se confirmou nos fatos de que nossas forças armadas se multiplicaram muitas vezes, a partir dos dias seguintes ao VII Congresso e, o que é mais importante, combatem hoje com crescente capacidade e eficácia. Se nós não houvéssemos feito esta virada orgânica, as massas teriam continuado batendo às portas de nosso Partido, pedindo para incorporar-se e não teríamos podido assimilá-las, exceto a uns poucos indivíduos. O Partido teria ficado assim excluído da fila de frente da revolução, quiçá se haveria dividido e se liquidado.

Quero sublinhar que, a partir de nossa experiência, a conclusão é que as concepções reformistas com respeito ao problema do poder e à via da revolução vêm unidas à existência de uma estrutura orgânica partidária atrofiada, também reformista. Nossos partidos são capazes de organizar a luta sindical, a agitação e a propaganda política, as manifestações de massas, as greves, as campanhas eleitorais e demais atividades similares; porém, não mais que isso. Assim só podemos ser força de apoio.

A UNIDADE DA ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA

Ligada com todos estes problemas está a questão da unidade das forças de esquerda revolucionária, a atitude dos comunistas com respeito às organizações revolucionárias surgidas fora das estruturas do partido. É curioso e sintomático que os partidos comunistas tenhamos mostrado nos últimos decênios uma grande capacidade para nos entendermos com os vizinhos do lado direito, enquanto que em troca não logramos, na maioria dos casos, estabelecer relações, alianças estáveis e progressivas com nossos vizinhos do lado esquerdo. Entendemos perfeitamente todos os matizes a partir de nós para a direita, suas origens, sua significação, etc., mas com respeito aos que estão à nossa esquerda, não somos capazes de compreender a essência mesma do fenômeno de sua existência e características, nem sua significação histórica objetiva, nem nossas tarefas para com eles. Os comunistas latino-americanos não tivemos durante muito tempo uma linha consistente e sistemática para unir todas as forças da esquerda, incluída a esquerda armada.

Não há nada pejorativo nem depreciativo na denominação “vizinhos do lado direito”, é só um recurso para grafar a exposição destas idéias. Os comunistas salvadorenhos, nos orgulhamos e nos sentimos honrados pela amizade de uma grande parte desses aliados, firmes e conseqüentes lutadores pelos ideais democráticos, de independência e progresso social.

Nisto jogam seu papel vários fatores. O principal sem embargo é que, no geral – ainda que não em todos os casos – os que à nossa esquerda empunham as armas se comprometem em uma luta revolucionária real, cometem muitos erros típicos do esquerdismo em suas colocações políticas, atacando duramente o Partido dos comunistas, mas acerta num ponto fundamental: trabalham obcecados por organizar e promover a luta armada que na América Latina e em tantas outras regiões do terceiro mundo demonstrou ser a via da revolução. Na medida que persistem em sua luta, e seus erros não os fazem sucumbir, aprendem pouco a pouco de seus reveses, corrigem seus erros políticos e se libertam por fim de sua enfermidade esquerdista, ainda que muitas dessas organizações jamais logrem corrigir-se, se não sucumbem, vegetam inclusive por decênios, como grupos de catacumba. Deixam de ser revolucionários, derivam para o terrorismo individual. Uma correta linha de luta pela unidade da esquerda impulsionada pelos comunistas, poderia acelerar ou ajudar na correção dos erros esquerdistas. Mas os comunistas não podem jogar esse papel se não corrigem seus próprios erros de direita, seu reformismo.

Enquanto não chega à correção do reformismo, as relações entre os comunistas e a esquerda armada – fazendo de um lado toda retórica – se coloca na prática e essência como a relação entre a reforma e a revolução; e está claro que os reformistas podem entender-se melhor com outros reformistas. Essa, acredito, é a explicação de por que os comunistas latino-americanos sabemos nos entender melhor com os que estão à nossa direita do que com os que estão à esquerda.

Suponha-se que nisto estão implicados muitos outros aspectos do problema. Primeiro o fato de que possam surgir outras organizações revolucionárias à margem das estruturas de nossos partidos. O velho discurso dogmático de que o partido comunista é, por definição, “o partido da classe operária”, a “vanguarda de luta anti-imperialista e pelo socialismo”, etc., reduz e inclusive bloqueia nossa capacidade para compreender que nas condições sociais e políticas (de classe) engendradas pelo capitalismo dependente na América Latina, é impossível que tais organizações da esquerda armada deixem de surgir e de existir e que, portanto, é absurdamente indispensável realizar uma sistemática política para elas que combine a luta ideológica contra seus erros e a luta pela unidade com eles, baseada na elevação real do caráter revolucionário, do caráter classista e de vanguarda de nosso partido.

Entre as causas que tornaram possível o surgimento de organizações revolucionárias fora das estruturas do PCS, têm lugar importante os traços reformistas de sua política, os quais já pontifiquei, sua incompreensão dos problemas e possibilidades práticas para organizar e desenvolver a luta armada nas condições de nosso pequeno e densamente povoado país (um documento aprovado em março de 1968 praticamente descartava que se pudesse desenvolver a guerra de guerrilhas, exceto pra defender o poder revolucionário instaurado por meio de uma insurreição geral).

Mas os erros e debilidades do partido comunista não são a causa absoluta do surgimento de ditas organizações como foi alegado por alguns. Inclusive se o partido não tivesse cometido tais erros teriam surgido uma ou mais organizações esquerdistas, como o demonstraram experiências, entre elas a dos bolcheviques.

É que ademais de causas subjetivas existem também determinantes causas objetivas que têm suas raízes na estrutura de classe e nos fenômenos sociais próprios do capitalismo dependente, quando o modo de produção e a superestrutura estatal abrigam resíduos de formações sociais pré-capitalistas ou do capitalismo primitivo. Em El Salvador, os processos que impulsionaram uma brusca expansão do capitalismo dependente tiveram lugar nos anos 50 e, sobretudo, nos sessenta. Estes processos tiveram em cena novos sujeitos sociais, sem os quais é impossível entender o leque de todas as forças políticas que hoje se confrontam em El Salvador.

Examinemos a questão dos novos agentes populares. Surgiu uma nova classe operária do processo de industrialização daqueles anos, mais qualificada desde o ponto de vista técnico, porém com uma consciência de classe muito mais débil que a velha classe operária artesanal, produto de sua recente origem social camponesa e pequeno-burguesa provinciana; um proletariado e semi-proletariado agrícola muito ressentido por sua recente proletarização e, portanto, muito explosivo; um enorme setor marginal urbano produto da emigração rural provocada pelo desenvolvimento do capitalismo na agricultura; e um importante setor pequeno burguês intelectual, também marginal, nascido da expansão da educação média e universitária, que não tem correspondência com as capacidades internacionais que o estabelecimento econômico nacional proporciona.

quando entendemos esta questão dos novos agentes sociais criados pela expansão do capitalismo dependente, podemos compreender que a possibilidade do surgimento de verdadeiras organizações políticas revolucionárias fora das estruturas do partido comunista existe objetivamente, e que é próprio dos países de capitalismo dependente muito mais que dos países de capitalismo desenvolvido.

Trata-se de organizações que aderem ao marxismo-leninismo, que apresentam as perspectivas do socialismo, em que pese não estarem vinculadas ao Movimento Comunista Internacional.

Todavia, não faltam casos em que tais grupos degeneram em desprezíveis redutos de provocação e divisionismo ideológico.

Na América Latina, o discurso destas organizações é muito similar ao esquerdismo infantil criticado por Lênin, mas os agentes não são exatamente idênticos. Estas organizações aparecem, inclusive, onde há partidos comunistas desenvolvidos e reaparecem ainda quando derrotados e aniquilados fisicamente. Não são, pois, propriamente expressões da infância do movimento operário e dos partidos comunistas, que se supera pelo desenvolvimento destes, senão que se repete constantemente originando organizações com freqüência maiores que os respectivos partidos comunistas. Os partidos comunistas, na maioria de nossos países, são pequenos e pouco influentes, pese sua média de idade ao redor de meio século.

Na América Latina é este um fenômeno que possui sua própria sustentação social, majoritária na sociedade capitalista dependente. Daí que se analisarmos o problema só atendendo o discurso das organizações surgidas à margem do Partido (PC), pode se cometer o erro de pensar que se realizarmos uma luta ideológica e política enérgica contra o esquerdismo, desaparecerão estes grupos esquerdistas ou se reduzirão à insignificância. Este esquema fracassou na América Latina; não conduziu ao desaparecimento das organizações “esquerdistas”, nem à unidade das forças revolucionárias, senão ao enfrentamento dos partidos comunistas com as demais organizações revolucionárias. Favoreceu o fortalecimento de correntes reformistas nas fileiras comunistas e não contribuiu tampouco ao amadurecimento do próprio partido, se entendemos por maturidade não a idade mas sim a compreensão da vida que nos rodeia, a realidade social e política na qual se está imerso e a capacidade de mudá-la. Em numerosos casos algumas dessas organizações “esquerdistas” não só cresceram mais que o respectivo partido comunista, como também amadureceram antes dele e conduziram os trabalhadores e outras classes e camadas populares a realizar vitoriosamente a revolução democrática anti-imperialista e se transformaram, ou se transformam hoje no partido marxista-leninista que encabeça a construção do socialismo ou a marcha para este.

Penso que tem uma grande importância a análise das condições objetivas sobre as quais surge o fenômeno da proliferação das organizações de esquerda. Tratei de esboçar o problema, de colocá-lo no terreno objetivo e oferecê-lo assim à discussão. Estou convencido, repito, de que entender isto é já ganhar mais da metade das premissas necessárias para elaborar uma política correta de unidade das forças revolucionárias e do movimento revolucionário.

Eu sustento, pois, que independentemente de que os partidos comunistas cometam erros ou não, existem raízes na América Latina e outras regiões de similar desenvolvimento social no mundo para que surjam essas organizações. Isso se deduz de nossa experiência e não só dela. Podemos ver muito claramente esta verdade, se temos em conta que o PCS foi durante 40 anos um lutador solitário pelas idéias do socialismo e do comunismo, inclusive a única organização de esquerda no país (desde sua fundação em 1930, até o aparecimento de organizações da esquerda armada em 1970). Durante quarenta anos, nosso partido sofreu mais e durante mais tempo por sua enfermidade reformista (que o afetou em alguns momentos) e, sem embargo, puderam surgir novas organizações revolucionárias unicamente até depois de que o substancial desdobramento do capitalismo dependente mudou o panorama social, engendrou uma nova estrutura classista.

Durante mais de 5 anos, o PCS realizou uma ativa polêmica pública com as colocações e posições políticas das organizações da esquerda armada. A característica principal do estilo e do método de nossa polêmica constitui em descartar a utilização de adjetivos em substituição a análise e abordar analítica, clara e persuasivamente e o mais profundo possível temas fundamentais das discrepâncias entre nossas linhas gerais e entre nossas concepções ideológicas. Esforçamo-nos a expor e desenvolver nossa política de alianças, nossa tese sobre o caráter da revolução, nossa tática nas eleições, nossa opinião acerca das possibilidades da real configuração do fascismo nas condições da América Latina (possibilidade negada por algumas organizações) e sobre o processo de fascistização da velha ditadura militar que se desenvolvia em nosso país. Realizávamos nossa polêmica pronunciando-nos a favor da unidade da esquerda e no marco de uma luta expressa para alcançar dita unidade. Corresponde ao PCS o mérito de haver desfraldado primeiro e defendido mais sistematicamente a bandeira da unidade da esquerda.

Não obstante as virtudes de nossa polêmica, que sem dúvida contribuiu para esclarecer a temática teórico-política que confrontava o movimento revolucionário e democrático, houve nela uma debilidade: o tema da via da revolução não foi abordado; a dialética relacionada com o poder e o programa econômico-social só foi abordado nos dias seguintes ao triunfo da revolução popular sandinista. Este vazio na temática de nossa polêmica não foi casual: resultava das amarras reformistas a que me referi antes.

Palavras Finais

O PCS não é o único destacamento do movimento comunista latino-americano que realiza esta fundamental virada revolucionária. São vários os partidos que na América do Sul e Central aceitam o desafio da luta armada e a unidade das forças revolucionárias. Esta é a saída já em marcha de uma longa crise de nosso movimento e o peso que este agregará à luta pela revolução, uma vez sanado de suas enfermidades, será muito grande.

A revolução triunfará depois de aprender de seus reveses em nosso continente, que vive hoje uma situação revolucionária que vai estendendo-se desde a América Central e o Caribe que, dia a dia, é o epicentro do terremoto que está desaprumando o domínio imperialista, as ditaduras militares e a exploração oligárquica.

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Notas:

(1) “Uma vida Dedicada à Defesa da Constituição”, General Prat, Editora Fondo de Cultura Econômica, México.

(2) MEP: Nova Política Econômica aplicada por conselho de Lênin desde finais de 1921 e início de 1922 (depois da guerra civil e da intervenção militar estrangeira) que abarcou vários anos e compreendia a retirada temporária e a conseqüente reanimação do capitalismo, dentro de certos limites e a ofensiva posterior para o socialismo, na confluência dos anos 20 e 30.

*Schafik Handal, faleceu em 24.01.2006, quando retornava da posse de Evo Morales na presidência da Bolívia. Foi candidato derrotado pela FMLN à presidência da República de El Salvador em 2004.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Liberdade para Cesare Battisti já!

O Supremo Tribunal Federal (STF), arbitrariamente reabriu o processo de extradição de Cesare Battisti a partir do primeiro dia útil do ano de 2011, desrespeitando a Constituição e a sanção Presidencial que rejeitou a extradição no ultimo dia de Governo. Essa postura revanchista e submissa do Supremo ao se dobrar as pressões do governo italiano expõe a fragilidade da democracia brasileira. Porque inspira o golpismo, e qualquer ato do STF pode emitir uma interpretação de ocasião, favorecendo a ordem política e econômica estabelecida em detrimento dos direitos políticos e humanitários.


Cesare Battisti é um escritor italiano nascido em Roma em 1954, e que durante sua juventude foi integrante do grupo político, Proletário Armados pelo Comunismo (PAC) cujo propósito era derrubar a ordem política e econômica do governo neofascista.


A justiça burguesa italiana condenou Cesare Battisti à prisão perpétua em 1988, acusando-o de envolvimento no assassinato de quatro pessoas entre os anos 1977 e 1978. O julgamento ocorreu sem sua presença, ficando impedido de apresentar sua defesa. Chegou ao Brasil em 2004. Em 2007, foi capturado de forma arbitrária pela Polícia Federal, em colaboração com as polícias italiana, francesa e a Interpol.


O Ministério da Justiça concedeu refúgio político, em janeiro de 2009, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou-se a libertá-lo. A Lei brasileira 9474/97 proíbe terminantemente que um refugiado político possa estar preso. A prorrogação da decisão do governo brasileiro manteve Battisti preso sem nenhuma necessidade.


Violando todas as normas de respeito diplomático, o governo italiano novamente passou por cima das autoridades do nosso país e entrou ilegalmente com um mandado de segurança junto ao STF, atropelando abusivamente o direito internacional, o direito humanitário em geral e as instâncias do Poder Executivo. O governo Berlusconi exige que o pedido de extradição de Battisti seja julgado pelo STF. Desavergonhadamente, o STF aceita tal exigência, sendo que este tribunal não se encontra mais capacitado para isso, visto que a Lei 9474/97 determina a suspensão e arquivamento imediatos do processo de extradição. A concessão do refugio é um ato soberano do Estado! Cadê a soberania do Brasil?


Não podemos aceitar esta aberração humanitária, jurídica e política da justiça burguesa contra Battisti e contra a tradição histórica do Brasil de acolher refugiados políticos. Não podemos nos calar perante esta injustiça flagrante e a esta perseguição funesta, a qual Cesare Battisti vem sendo submetido há mais de 30 anos.


Setores reacionários da justiça burguesa querem criar condições políticas e jurídicas para negar a ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para que a Lei da Anistia não seja estendida aos torturadores da Ditadura Militar. Torturador não é para ser anistiado, mas para ser punido pelos seus crimes cometidos.


O povo brasileiro tem o direito à verdade sobre essa face sombria da história do país. Além da libertação de Cesare Battisti, faz-se necessário a abertura dos arquivos da Ditadura Militar, o esclarecimento das mortes e desaparecimentos de pessoas humanas e a responsabilização dos torturadores. Construamos uma força social para evitar este ato de exceção do STF, que com um só golpe totalitário rasga a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Federal e o Estatuto dos Refugiados.


Reafirmamos a necessidade da luta para superar o sistema capitalista responsável pela miséria e a degradação do ser humano nos dias atuais, que é à base de todos esses absurdos, e construir a sociedade da emancipação humana.


Assinam este: ACJM/RS – Associação Cultural José Martí, PCB/RS – Partido Comunista Brasileiro, UJC/RS – União da Juventude Comunista, RC – Refundação Comunista/Juventude LibRe/RS, PSOL/RS – Partido do Socialismo e da Liberdade, PSTU/RS – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

domingo, 16 de janeiro de 2011

Sobre as Palavras








Por, Runildo Pinto- 15/01/2011










Não se debruce sobre as palavras
Elas, as palavras
Nascem embarcadas.
Navegam sobre artérias,
Criam-se num mar de sangue!
Vivem no plexo febril dos indomados.

Não se debruce sobre as palavras
Elas podem hibernar numa caverna escura e fria,
Não são como ursos, por que são inquietações;
Como florestas: abrigam procedências,
Galhos que se movem em sons enigmáticos,
Principalmente à noite. E o húmus?

Não se debruce sobre as palavras
Elas não emprestam nada,
Representam a pedra rolando esôfago abaixo
Em categoria e direção.
O encéfalo ao luar arrebata!

Não se debruce sobre as palavras
Elas têm o movimento que se eleva da terra
Não vivem à sombra,
Se não tem consciência, morrem!
Somente a arte lhes dá vida, a saber: o Amor é erudito!
Portanto, busque o conjunto dessa expressão

Não se debruce sobre as palavras
Ouse atravessar o deserto até elas,
Destrua as asas do indiferentismo!
Deixe-as sofrerem de uma saudável insônia
Elas dão o sentido histórico da identidade
Em uma casa tomada.

Não se debruce sobre as palavras
Sem elas não viverás, nem sobreviverás, apenas passarás!
Serás conduzido, sem uso estabelecido e sem legado.
Voarás pelas ventas do dinossauro e nascerás nunca!
Há! Se a esperança fosse à fertilidade do caráter na escrita clássica.
Insignes! Somente no seio do povo, em paisagens rebeldes constroem a liberdade!

sábado, 15 de janeiro de 2011

AS CHUVAS E O PROLETARIADO: só para lembrar! E 2011?

As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro

No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.

Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.

O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.

Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.

Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.

É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.

Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!

Coletivo Marxista

ILUSÕES PERDIDAS


Por Juliano Medeiros

Unamérica soy!

Publicado em Diário Liberdade


O romance Ilusões Perdidas, de Honoré Balzac, foi escrito em 1843 e retrata os descaminhos do jovem poeta Lucien Chardon em busca de fama e reconhecimento. Mas este título também poderia resumir o sentimento daqueles que esperavam um "giro à esquerda" no governo de Dilma Roussef. Com menos de 15 dias desde a posse da nova presidenta, já é possível observar algumas tendências que demonstram porque Dilma deve frustrar qualquer expectativa de mudanças.


Logo após a vitória de Dilma, muitos especularam sobre quais seriam as linhas gerais de seu governo. Política econômica, relações exteriores e a postura diante de temas polêmicos como a legalização do aborto ou a regulação social do monopólio dos meios de comunicação foram temas que dominaram as análises nas primeiras semanas após a vitória da petista. O anúncio dos novos ministros também recebeu grande atenção, embora o perfil geral da composição não tenha sofrido alterações significativas.


Nos últimos dias, porém, os jornais divulgam um bombardeio de anúncios que incluem cortes orçamentários, restrição de investimentos e – o mais preocupante – medidas de caráter privatista, como a abertura do capital da Infraero, a privatização de aeroportos e a nova rodada de leilões do petróleo do Pré-Sal.


Em entrevista publicada na última segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times, o ministro Guido Mantega afirmou que a reforma administrativa na Infraero poderia melhorar a gestão de alguns dos principais aeroportos do país, tendo em vista a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Segundo o ministro, é preciso "melhorar a governança [da Infraero] e modernizá-la para preparar sua entrada na bolsa". Dias antes, membros do governo já haviam anunciado a intenção de enviar ao Congresso Nacional uma Medida Provisória que prevê a exploração privada de novos terminais em Viracopos e Guarulhos, passo decisivo para consumar a entrega dos serviços aeroportuários à iniciativa privada.


Na semana anterior, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou a realização dos primeiros leilões das reservas do pré-sal ainda neste ano. A partir dos leilões, o lucro obtido com a tão badalada exploração do pré-sal será partilhado entre a Petrobrás e empresas privadas nacionais e internacionais. Embora a Petrobrás tenha garantida a participação societária mínima de 30% nas áreas que forem licitadas, o regime de partilha ainda assegura lucros extraordinários aos investidores estrangeiros, o que tem sido denunciado pelos movimentos sociais, que reivindicam o controle estatal da Petrobrás sobre a totalidade da exploração e produção do petróleo dessas e de outras reservas. Aos que tinham esperanças de que Dilma pudesse retardar os leilões, o anúncio foi um verdadeiro balde de água fria.


No entanto, as medidas privatistas anunciadas até agora não são os únicos indícios de que Dilma manterá a mesma orientação conservadora herdada de seu antecessor. Como ocorreu nos oito anos do Governo Lula, a maior parte do Orçamento da União para 2011 será destinada à rolagem da dívida pública. A proposta é que R$ 678,5 bilhões sejam destinados a pagar os juros e a amortização da dívida. Este valor representa mais de um terço do total do orçamento que chegará, no ano que vem, a R$ 2,07 trilhões. A proposta prevê ainda a manutenção do superávit primário em 3,1% do PIB. Para isso, a equipe econômica do governo prevê cortes de até R$ 60 bilhões, valor equivalente a todos os gastos do Ministério da Saúde e de todos os órgãos vinculados à pasta (Funasa, Anvisa, postos de saúde, hospitais, SAMU, farmácias populares, entre outros).


Esses fatos desmontam a tese de que Dilma fará um governo qualitativamente diferente do que foram os oito anos de Lula. Além disso, poderíamos citar vários outros, como a negativa por parte do novo Ministro das Comunicações diante das propostas de regulação social dos meios de comunicação, ou as declarações de Dilma a favor da criação de um programa semelhante ao Prouni para o ensino médio, proposta fortemente rechaçada esta semana pela governista Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ensino (CNTE).


Ou seja, quem esperava grandes mudanças de rumo sob o governo Dilma pode abandonar suas ilusões: as medidas apontam um governo ainda mais privatista e comprometido com a manutenção do atual modelo econômico. Uma pena, com certeza.


--

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TRANSFORMANDO FLORES EM FRUTOS






Por Runildo Pinto – 13/01/2011 - Para Nathy Fagundes







Quem és tu?

InÍcio do caminho

Implícitos problemas

O da percepção, NÃO!

A necessidade de descobrires a ti mesma

É Uma tarefa difícil.

Nascemos imersos

Em um sistema que esconde a nossa natureza!

Nossa existência nasce reprimindo a essência

No nascedouro, na fonte!

Para servires, para não descobrires onde esta a vida,

Um autômato!

Para reproduzires em hábitos os interesses do sistema capitalista!

Parecendo serem seus, mas não os são verdadeiramente, não os são!

Privatizam a tua individualidade, alienam a tua atividade humana

Colocam todos os conflitos no útero da família,

E depois canalizam para o mercado de consumo,

criando artifícios na forma de entretenimento, drogas

E todo o tipo de próteses,

bengalas que a moeda pode sustentar.

Uma primeira lição ao nascer: desumanizar-se

Descubras, então:

De onde vens, onde passas e onde vai

Navegas no mundo

Que veio, faz trajetórias e vai!

O jogo de interesses que move esta sociedade global,

A dinâmica devastadora

entre

o idealismo,

iluminismo,

metafísica,

dialética

materialismo,

modernismo,

neoliberalismo<-->pós-modernismo

democracia,

liberalismo e conservadorismo

O dito liberar para conservar.

Ah! E a Filosofia?

Descubra o subjetivo e o objetivo, traga-a para a vida cotidiana!

E há mudanças de época e paradigmas...

Dentro e para cima do sistema que novamente vem nos envolver,

para não sentir, apenas repetir.

As pessoas sabem o que está acontecendo na época presente?

Se há mudanças e seus hábitos, gostos, desejos e vontade são autênticos?

Ou são produtos da dominação, incorporados como forma de existência?

Assim movem-se os seres humanos:

envolvidos pelos interesses oriundos dos meios de produção,

Tecnologia e mídia!

A sociedade move-se assim,

Mediada pela relação com a produção das mercadorias:

O sistema e seus instrumentos de dominação

E o poder?

Alguém ou alguma classe tem o poder?

Descubra o que é ideologia e hegemonia?

Senso comum!

Pergunte ao velho Antônio!

O velho MARX, já dizia:

“A ideologia dominante é a ideologia da classe dominante”.

E quem és tu?

E quem sou eu?

O que é classe social?

Luta de classes!

Será que as pessoas se confundem com mercadorias?

Será que as pessoas sabem o que é o Amor?

E a democracia, existe?

Ou direitos e deveres também viraram mercadorias?

Estamos plantados nas prateleiras,

Na ilusão do shopping center?

Quem sou eu?

Onde estou mergulhado?

O que me conduz?

O que dá sentido a minha vida?

Tenho esclarecimento ou tenho técnica que trabalha para o lucro?

O que precisamos para ter autoestima?

Parece-me que somente a dignidade a sustenta!

É simples, dignidade, e mais nada!

Agora!

Podemos e devemos transformar essa relação?

Somos o agente desta empreitada?

Cabe ao Governo?

Ah, o Governo!

Este tem a mão do sistema sobre nossas cabeças?

E o Povo? Onde está o povo?

Emancipemos essa classe, a do povo trabalhador!

Esta é a nossa tarefa de revolucionários,

A grande questão colocada pelo existencialismo:

O que fazemos com o que o capitalismo fez de nós!

O grande paradoxo da vida.

Forjar a liberdade, por que estamos condenados a ser livres.

construindo o ser humano novo, não alienado e não egoísta,

por isto, devemos ser agentes desse processo, desse devir!

Temos, antes, ser pessoas integras, com uma ética e moral inabaláveis,

No espírito revolucionário exemplar, como o do nosso guerrilheiro heróico, Che!

E sem vacilar,

Daremos a vida nessa luta em qualquer lugar do mundo!

À emancipação histórica da humanidade!

Parece que optamos por levar uma vida de resistência,

E não estamos errados, acertamos na mosca!

Sabemos onde mora a Felicidade!

E somos felizes por que não separamos dor de Amor!

Com um beijo fraterno do pai-drasto.

Pátria ou Morte!

Até a Vitória! Venceremos!

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
  • Hegemonias e Emancipações no século XXI - Emir Sader Ana Esther Ceceña Jaime Caycedo Jaime Estay Berenice Ramírez Armando Bartra Raúl Ornelas José María Gómez Edgardo Lande
  • HISTÓRIA COMO HISTÓRIA DA LIBERDADE - Benedetto Croce
  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira