sexta-feira, 17 de julho de 2009

Vários Artigos sobre Honduras

Honduras contra a história

"Na América Latina, o papel da Igreja católica quase sempre foi o papel dos fariseus e dos mestres da lei que condenaram Jesus na defesa das classes dominantes. [...] Agora, no século XXI, o método e os discursos se repetem em Honduras como uma chibatada do passado."


Essa é a opinião do escritor uruguaio e professor da Lincoln University, Jorge Majfud, em artigo para o jornal argentino Página/12, 15-07-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


A Bíblia refere que, certa vez, os mestres da lei levaram uma mulher adúltera diante de Jesus. Pretendiam apedrejá-la até a morte, segundo a lei de Deus os obrigava, que então dizem que era também a lei dos homens. Mestres e fariseus quiseram provar Jesus, do que se induz que este já era conhecido pela sua falta de ortodoxia com relação às leis mais antigas. Jesus sugeriu que quem estivesse livre de pecado atirasse a primeira pedra. Assim, ninguém pôde executar a lei escrita.


Dessa forma e de muitas outras, a própria Bíblia foi mudando a si mesma, apesar de ser uma soma de livros inspirados por Deus. As religiões sempre se orgulharam de ser grandes forças conservadoras, que, enfrentadas pelos reformistas, se converteram em grandes forças reacionárias. O paradoxo está radicado em que toda religião, toda seita foi fundada por algum subversivo, por algum rebelde ou revolucionário. Por algo pululam os mártires, perseguidos, torturados e assassinados pelos poderes políticos do momento.


Os homens que perseguiam a adúltera se retiraram, reconhecendo com os fatos os seus próprios pecados. Mas ao longo da história o resultado foi diferente. Os homens que oprimem, matam e assassinam os supostos pecadores sempre o fazem justificados em alguma lei, em algum direito e em nome da moral. Essa regra, mais universal, foi a aplicada no próprio julgamento de Jesus. Em sua época, ele não foi o único rebelde que lutou contra o Império Romano. Não por casualidade ele foi crucificado junto com outros dois réus. Por associação, quis-se significar que um réu a mais estava sendo julgado. Nem sequer um dissidente religioso. Nem sequer um dissidente político. Invocando outras leis, tirou-se do meio o subversivo, que colocava em questão a "pax romana" e o colaboracionismo da aristocracia e das hierarquias religiosas de seu próprio povo. Tudo foi realizado segundo as leis. Mas a história reconhece-os hoje pelos seus métodos.


O governo de George Bush nos deu assunto de sobra e em grande escala. Todas as guerras e as violações às leis nacionais e internacionais foram acometidas em defesa da lei e do direito. Por seus interesses sectários, ele será julgado pela história. Por seus métodos seus interesses serão conhecidos.


Na América Latina, o papel da Igreja católica quase sempre foi o papel dos fariseus e dos mestres da lei que condenaram Jesus na defesa das classes dominantes. Não houve ditadura militar, de origem oligárquica, que não recebesse a benção de bispos e de sacerdotes influentes, legitimando assim a censura, a opressão e o assassinato em massa dos supostos pecadores.


Agora, no século XXI, o método e os discursos se repetem em Honduras como uma chibatada do passado.


Por seus métodos os conhecemos. O discurso patriota, a complacência de uma classe alta educada na dominação dos pobres sem educação acadêmica. Uma classe dona dos métodos de educação popular, como são os principais meios de comunicação. A censura, o uso do exército em ação de seus plano, a repressão das manifestações populares, a expulsão de jornalistas, a expulsão pela força de um governo eleito por votação democrática, seu posterior requerimento diante da Interpol, sua ameaça à prisão dos dissidentes se regressassem e sua posterior negação pela força ao fato de que regressem.


Para ver melhor esse fenômeno reacionário, vamos dividir a história humana em quatro grandes períodos:


1) O poder coletivo da tribo concentrado em um membro forte de uma família, em geral um homem.


2) Um período de expansão agrícola unificado por um totem (algo assim como um sobrenome vencedor) e depois um faraó ou imperador. Nesse momento, surgem as guerras e se consolidam os exércitos mais primitivos, não tanto para a defesa, mas sim para a conquista de novos territórios produtivos e para a administração estatal da sobreprodução de seu próprio povo e a opressão de seus povos escravos. Essa etapa continua com suas variações até os reis absolutistas da Europa, passando pela era feudal. Em todos, a religião é um elemento central de coesão e também de coação.


3) Na era moderna, temos um renascimento e uma radicalização da experiência grega de democracia representativa. Só que, neste momento, o pensamento humanista inclui a ideia de universalidade, de igualdade implícita de todo ser humano, a ideia da história como um processo de aperfeiçoamento e não de inevitável corrupção e o conceito de moral como um produto humano e relativo a um determinado tempo.


E, talvez, a ideia mais importante, já desde o filósofo árabe Averróis: o poder político não como a pura vontade de Deus, mas sim como o resultado dos interesses sociais, de classes etc. O liberalismo e o marxismo são duas radicalizações (opostas em seus meios) dessa mesma corrente de pensamento, que também inclui a teoria da evolução de Charles Darwin. Esse período de democracia representativa foi a forma mais prática de reunir as vozes de milhões de homens e mulheres em uma só casa, o Congresso ou Parlamento.


Se o humanismo é anterior às técnicas de popularização da cultura, ele também é potencializado por estas. A imprensa, os livros de bolso, os jornais de baixo preço no século XIX, a necessária alfabetização dos futuros operários foram passos decisivos para a democratização. No entanto, ao mesmo tempo, as forças reacionárias, as forças dominantes do período anterior rapidamente conquistaram esses meios. Assim, se já não era possível demorar mais a chegada da democracia representativa, era possível sim dominar seus instrumentos. Os sermões medievais nas igrejas, funcionais em grande parte aos príncipes e duques, se reformularam nos meios de informação e nos meios da nova cultura popular, como o rádio, o cinema e a televisão.


4) No entanto, a onda democrática seguiu seu caminho, com frequência regado a sangue pelos sucessivos golpes reacionários. No século XXI, a onda do humanismo renascentista continua. E com ela continuam os instrumentos para torná-la possível. Como a Internet, por exemplo. Mas também as forças contrárias, as reações dos poderes constituídos pelas etapas anteriores. E, na luta, vão aprendendo a usar e a dominar os novos instrumentos. Quando a democracia representativa não acaba de amadurecer, já surgem as ideias e os instrumentos para passar para uma etapa de democracia direta, participativa, radical.


Em alguns países, como hoje em Honduras, a reação não é contra essa última etapa, mas sim contra a anterior. Uma espécie de reação tardia. Mesmo que, na aparência, implique em uma escala menor, tem uma transcendência latino-americana e universal. Primeiro porque significa uma chamada de atenção diante da recente complacência democrática do continente. E, segundo, porque estimula o "modus operandi" daqueles reacionários que navegaram sempre contra as correntes da história.


Antes, anotamos as provas de por que o presidente deposto em Honduras não violou nenhuma lei, nenhuma Constituição. Agora, podemos ver que a sua proposta de uma enquete popular era um método de transição entre uma democracia representativa para uma democracia direta. Aqueles que interromperam esse processo colocaram marcha ré para a etapa anterior.


A quarta etapa era intolerável para uma mentalidade bananeira que se reconhece por seus métodos.
A disjuntiva latinoamericana
A América Latina se debate entre aprofundar as transformações progresistas, iniciadas por governos de corte anti-neoliberal, ou o regresso das mesmas políticas por governos de direita. Os últimos acontecimentos apontam para esse embate. A análise é do analista político Emir Sader em artigo no Página/12, 15-07-2009. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Uma reviravolta espetacular caracteriza a América Latina nesta década, transformou-se de território privilegiado de políticas neoliberais no elo mais fraco da cadeia neoliberal. Governos que de diferentes formas enfrentam os modelos neoliberais têm proliferado, chegando a dez. A pesar da revista britânica The Economist anunciar que com a crise esses governos não proliferariam mais – porque a crise imporia uma agenda de direita, centrada no ajuste fiscal e no combate à violencia –, desde então triunfou o governo de Mauricio Funes da Frente Farabundo Martí em El Salvador.

Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, a direita tem tentado, de diferentes maneiras, recobrar a sua força, derrubar esses governos e recuperar a apropriação do Estado em suas mãos. O golpe de 2002 na Venezuela, a tentativa de “impeachment” de Lula em 2005, as sucessivas ofensivas dos grandes agricultores na Argentina, o separatismo na Bolívia. Atualmente, o golpe em Honduras, a derrota eleitoral do governo na Argentina e a escolha de Pepe Mujica como candidato da Frente Ampla no Uruguai, são outras tantas das últimas escaramuças entre as duas forças que ocupam o campo político na América Latina ao longo dessa década.

A América Latina se debate entre aprofundar as transformações progressistas operadas por esses governos ou a restauração da direita. Onde debilitam-se esses governos não ganha nenhum setor de esquerda, mas sim, fortalece-se a direita. As primeiras correntes que fracassaram na luta anti-neoliberal foram as provenientes da chamada ultra-esquerda – sejam grupos políticos de corte doutrinário ou organizações sociais que não conseguiram romper com a visão corporativa da “autonomía dos movimentos sociais”. O campo político polarizou-se então entres esses governos – mais moderados ou mais radicais – e a direita.

A possível eleição de Mujica como candidato da Frente Ampla representa claramente a perspectiva de aprofundamento das transformações anti-neoliberais. Sua condição como favorito nas pesquisas aponta para essa direção. Ao contrario, a derrota do governo argentino representa a tentativa de freiá-las e de retomada da direita. O golpe em Honduras, dependendo do seu desenlace, pode terminar com um governo que dava passos na direção anti-neoliberal, ou permitir que o retorno de Zelaya retome com mais força essa dinámica.

O mesmo se pode dizer do Brasil: as eleições presidenciais de 2010 podem fazer que o governo de Lula seja um longo parêntesis à dominação da direita ou com a vitória de Dilma Rousseff, o aprofundamento das transformações. Dilma Rousseff cresce rápidamente nas pesquisas apoiada em 80% de respaldo popular do governo de Lula.

Tudo aponta para uma grande vitória de Evo Morales e do MAS nas eleições de dezembro desse ano, garantindo a continuidade e o aprofundamento do proceso de fundação do novo Estado boliviano. Os efeitos da crise sobre os países do continente reduzem as margens das políticas de conciliação das classes desenvolvidas por governos como os da Argentina, Brasil, Uruguai, entre outros, obrigando-os a definições entre continuar com as concessões ao grande empresariado – em particular ao capital financiero – ou a intensificação das políticas sociais como eixo obrigatório de um governo anti-neoliberal.

Há visões que nunca consideraram esses governos como distintos dos seus antecessores neoliberais. Para esses – que combinam catastrofismo e derrotismo – não aconteceria nenhuma mudança significativa, uma direita substituiría outra. As visões que se limitam ao plano da crítica estão à margem dos procesos reais de enfrentamento ao neoliberalismo no continente. O futuro da América latina se decide entre o aprofundamento das transformações apenas em seu começo, ou processos de restauração conservadora, em que serão derrotados no campo popular e as esquerdas em sua totalidade.

O futuro continua em aberto, uma disputa hegemônica frente ao esgotamento do neoliberalismo e as alternativas, entre o velho que insiste em sobreviver e o novo que encontra dificuldades para nascer é o que marca o presente latino-americano.
A direita latina contra-ataca ante a hesitação de Obama

"Distração" dos Estados Unidos permite que a situação golpista em Honduras se cristalize e incentiva setores conservadores em outros países da América Central. A análise é de Immanuel Wallerstein, pesquisador sênior na Universidade Yale, e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-07-2009.

Eis o artigo.


O governo de George W. Bush foi o momento da maior onda de vitórias dos partidos à esquerda do centro na América Latina, em mais de dois séculos. O governo de Barack Obama corre o risco de ser o momento da vingança da direita na região.

O motivo pode ser o mesmo: a combinação entre o declínio do poderio americano e a posição central que os EUA ainda mantêm na política mundial. Os EUA são incapazes de se impor, mas ainda assim são vistos como aliados necessários por quase todo o mundo.

O que aconteceu em Honduras? O país vem sendo há muito tempo um dos mais seguros pilares das oligarquias latino-americanas -uma classe dominante arrogante e insubmissa, com estreitas conexões com os EUA, em um país que abriga uma grande base militar americana. As Forças Armadas do país são cuidadosamente recrutadas de maneira a evitar qualquer contágio por oficiais com simpatias populistas.

Como oriundo da classe dominante, a expectativa era a de que Zelaya continuasse a jogar o jogo como os presidentes hondurenhos sempre jogaram. Mas, em vez disso, sua posição política começou a ganhar tons esquerdistas. Zelaya empreendeu programas internos que, na verdade, faziam alguma coisa pela vasta maioria da população - construção de escolas em regiões rurais remotas, aumento no salário mínimo, criação de clínicas de saúde. Após dois anos, aderiu à Alba, a organização de cooperação internacional fundada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Depois, ele propôs realizar um plebiscito sobre a opinião da população quanto à possível convocação de uma Assembleia Constituinte. A oligarquia berrou que isso era uma tentativa de mudar a Constituição para que Zelaya

pudesse disputar um segundo mandato. Mas, como o plebiscito seria realizado na mesma data em que a eleição de seu sucessor, a alegação era claramente falsa.

Por que, então, o Exército conduziu um golpe de Estado, com apoio da Corte Suprema, do Legislativo e da Igreja Católica? Dois fatores foram decisivos: a opinião desses grupos sobre Zelaya e sua opinião sobre os EUA. Para a oligarquia hondurenha, Zelaya traiu sua classe e por isso merece ser punido, para servir como exemplo.

E quanto aos EUA? Quando o golpe aconteceu, alguns dos mais ruidosos comentaristas de esquerda da blogosfera o definiram como "golpe de Obama". Mas isso ignora a realidade. Nem Zelaya, nem seus partidários nas ruas, nem Chávez e nem Fidel Castro analisam a situação de maneira tão simplista. Todos eles percebem a diferença entre Obama e a direita americana (políticos ou comandantes militares) e expressaram repetidamente uma análise muito mais balanceada.

Parece bastante claro que a última coisa que o governo Obama desejava era um golpe como esse. O golpe, na verdade, foi uma tentativa de forçar Obama a uma atitude. E essa posição foi sem dúvida encorajada por importantes figuras da direita americana, entre as quais Otto Reich, o americano de origem cubana que assessorava Bush sobre a política regional. Foi algo parecido com a tentativa do presidente Mikhail Saakashvili, da Geórgia, de forçar uma ação dos EUA, ao invadir a Ossétia do Sul. Aquela também foi uma ação empreendida com a conivência da direita dos EUA. Mas não funcionou porque os soldados da Rússia impediram.

Obama está vacilando desde o golpe em Honduras. E por enquanto a direita hondurenha e dos EUA está contente por ter conseguido reverter a política americana. Bastam algumas de suas declarações mais absurdas como prova. O chanceler hondurenho apontado após o golpe, Enrique Ortez, afirmou que Obama era "um negrinho que não sabe nada de nada". O embaixador dos EUA protestou contra o insulto, e Ortez terminou transferido a outro posto.

A direita dos EUA é mais polida, mas não menos feroz. O senador republicano Jim DeMint, a deputada de origem cubana Ileana Ros-Lethinen e o advogado conservador Manuel Estrada vêm insistindo em que o golpe era justificado porque, na verdade, não foi um golpe, e sim uma defesa da Constituição hondurenha. E Jennifer Rubin, uma blogueira de direita, publicou um post intitulado "Obama está errado, errado, errado sobre Honduras".

A direita hondurenha está tentando ganhar tempo, até que se encerre o mandato de Zelaya. Caso consigam realizar esse objetivo, terão vencido. E as direitas guatemalteca, salvadorenha e nicaraguense estão assistindo a tudo, ansiosas por promover golpes contra os governos de seus países.

A esquerda chegou ao poder na América Latina devido ao momento econômico propício e à distração dos EUA. Agora, a distração continua, mas o momento econômico é pior. E a esquerda leva a culpa por estar no poder, ainda que na verdade haja pouco que os governos de esquerda possam fazer quanto à economia mundial.

Será que os EUA podem fazer algo mais com relação ao golpe? Bem, é evidente que sim. Primeiro, Obama poderia oficialmente classificar o golpe como golpe. Isso faria com que passasse a valer a lei americana que dispõe que toda a assistência dos EUA a Honduras seja suspensa. Ele poderia retirar o embaixador americano do país.

Poderia dizer que não há nada a negociar, em lugar de insistir em "mediação" entre o governo legítimo e os líderes do golpe.

Por que não faz tudo isso? É simples. Há pelo menos quatro outros itens de grande urgência em sua agenda: a confirmação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte; a confusão no Oriente Médio; sua necessidade de aprovar ainda neste ano seu pacote de saúde; e a pressão pela abertura de um inquérito sobre os atos ilegais do governo Bush. Lamento, mas Honduras ocupa o quinto lugar.

Assim, Obama vacila. E ninguém ficará satisfeito. Zelaya pode ser restituído ao seu posto, mas talvez só daqui a três meses. Tarde demais. Melhor ficar de olho na Guatemala.


Para ler mais:

Mediação, que corre contra o relógio, preocupa países latinos

"Cada dia que passa os golpistas se tornam mais robustos, com prejuízos para o povo de Honduras. É um retrocesso para toda a América Latina", lamentou ontem, o chanceler do Equador, Fander Falconí. "Creio que a comunidade internacional já se pronunciou de modo firme e categórico. Neste momento, pode-se agregar pouco mais."

A reportagem é de Flávia Marreiro e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-07-2009.

A frase ilustra o ânimo dos países da região ao analisar a crise hondurenha, 18 dias após o golpe que tirou Manuel Zelaya do poder, quando se reduz a aposta nas chances de sucesso no diálogo entre governo golpista e deposto, sob a mediação do presidente costa-riquenho, Óscar Arias.

A discussão, então, desloca-se para as eleições gerais de Honduras, marcadas para novembro e mantidas, a princípio, pelos golpistas - se chegarem a acontecer, serão reconhecidas no exterior? - e para o debate sobre o papel de Washington nas negociações.

Vários países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), liderados pela Venezuela, argumentam que os EUA têm como pressionar economicamente o governo golpista mais do que têm feito. Washington cortou parte dos programas de ajuda (US$ 16,5 milhões) e congelou a parceria militar com Tegucigalpa.

Quando o presidente deposto, dois dias atrás, exigiu voltar ao poder após a próxima rodada de negociações na Costa Rica, Washington reagiu pedindo que não fossem criados "prazos artificiais". Em resposta, ouviu pedidos para que os EUA publicamente digam que não reconhecerão eleições hondurenhas, se feitas sob o governo de Roberto Micheletti.

"As mensagens dos atores internacionais não podem ser ambíguas. Quando temos resquícios de ambiguidade, isso fortalece aos golpistas", disse Falconí, questionado sobre a atitude americana.

O Brasil apostou as fichas nas fracassadas gestões da OEA (Organização dos Estados Americanos), lideradas pelo secretário-geral José Miguel Insulza. Além do mais, a entidade já tomou a medida mais dura que poderia adotar: a suspensão de Honduras.

Depois disso, houve poucas manifestações brasileiras, embora, a princípio, declarações anteriores do governo o aproximem das pressões bolivarianas públicas a Washington.

Na semana passada, o chanceler Celso Amorim, disse, em Paris, que "eleições conduzidas por um governo ilegítimo já estão inquinadas de ilegitimidade", deixando claro que o Brasil não apoiaria uma solução semelhante.

Quanto às pressões econômicas, o ministro sublinhou o peso dos EUA e dos organismos multilaterais na questão.

O trecho da resolução da OEA que exorta os países a revisarem suas relações com Honduras, sob os golpistas, foi incluído por exigência do Brasil, segundo o embaixador do país na entidade, Ruy Casaes.

Quanto à possibilidade de convocar uma nova reunião do Grupo do Rio, para uma nova onda de pressão política de Micheletti, o Itamaraty afirmou que o país "não se opõe" a ela.

As consultas sobre a possível reunião estão sendo feitas pela Chancelaria do México, que tem a presidência rotativa do mecanismo diplomático regional que abarca 23 países.

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  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
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  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

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  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
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  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
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