Sou artista plástica e professora de História e Teoria da Arte, atuante na cidade de Porto Alegre.
Por ocasião da exposição que inaugurei na Galeria de Arte da FUNDARTE, em outubro último, e ao participar de conferência no Seminário Nacional em Arte Educação , promovido por aquela instituição na mesma época, tomei consciência da iminente desativação do curso de graduação em artes da FUNDARTE/UERGS, sediada em Montenegro.
O que vi e ouvi a esse respeito da parte de professores, pesquisadores, estudantes e participantes do seminário, oriundos de todo o Brasil, senhora governadora, deixou-me constrangida de pertencer ao estado sob sua gestão.
Atuando em Porto Alegre , oriento estudantes, artistas e professores de diversas regiões do Rio Grande do Sul e pude testemunhar a iniciação profissional de jovens graduados pela FUNDARTE que ingressam na comunidade de artistas e professores com o entusiasmo de quem sai de uma escola qualificada e da qual se orgulha.
Pergunto-lhe: já esteve na FUNDARTE? Dialogou com seus alunos e professores? Tem idéia do trabalho que realizam e da contribuição que, em seus poucos anos, a graduação da FUNDARTE proveu, em âmbito estadual? Tem ciência do nível de qualificação dos professores, que, por falta de perspectiva naquela instituição, têm-se colocado entre os primeiros classificados em concursos para instituições federais de ensino de nível superior? Está consciente da demanda pendente entre os jovens estudantes desde que a senhora deixou de autorizar novos concursos vestibulares?
Por omissão ou protelação – ambas inaceitáveis como justificativa do fechamento de uma instituição pública de ensino –, o concurso que regulamentaria o quadro de professores da FUNDARTE junto à UERGS permanece sem data para efetivar-se. Da mesma forma, os concursos vestibulares para ingresso de novos alunos permanecem sem previsão de realização. Não havendo quadro de professores e tampouco alunos para dar início a mais um ano letivo, parecerá justificada a desativação do curso. Será essa a conclusão a que a senhora espera que chegue a classe educadora e cultural de nosso estado? Seremos assim tão ingênuos a seus olhos?
Pessoalmente, senhora governadora, ainda me encontro sob o impacto da notícia a respeito de escolas do ensino fundamental fechadas em municípios do interior do estado sob o pretexto de falta de alunos, argumentado pela Secretaria Estadual de Educação. Para agravar essa impressão de abandono e indiferença por parte do Governo do Estado, os jornais de grande circulação divulgam a inexplicável demora na nomeação de um novo diretor da FAPERGS, o que deixou nossa principal instituição de fomento à pesquisa praticamente inativa ao longo de 2008.
Será essa a marca que seu governo deixará na educação e na pesquisa?
A desconstrução? O descaso? A imobilidade?
Desculpe-me a sinceridade, senhora governadora, mas ouso afirmar que, sem ações que evidenciem o contrário, tenderei a concluir que seu governo objetiva a imobilidade administrativa que flagela nossas instituições educacionais.
Esta carta é, também, uma manifestação de solidariedade para com aqueles estudantes que tristemente vêem anulada a instituição que os formou e aqueles que já não poderão candidatar-se a ela em um próximo concurso vestibular.Minha solidariedade dirige-se aos colegas artistas e professores da FUNDARTE que transferiram suas vidas das cidades de origem para se tornarem cidadãos de Montenegro, cidade que os abraçou nesse projeto que seu governo está em vias de extinguir por absoluta falta de ação. Minha solidariedade é para com a educação e a formação artística qualificadas que perdem terreno em nosso estado, sob sua gestão.
Senhora governadora, seja na qualidade de artista, palestrante, ensaísta ou professora, atuando junto a artistas, estudantes, professores e pesquisadores em artes, serei mais uma a assumir o compromisso de sensibilizar nossa comunidade em relação à triste realidade que presenciei em Montenegro.
por José Ernesto Grisa - Dirigente PCB/Alegrete-RS
Houve quatro candidaturas majoritárias:
PP- que governava o município há 18 anos, representação do ruralismo arcaico foi o grande derrotado das eleições, principalmente, depois da morte, em meio às eleições, do seu principal articular e ideólogo, José Rubens Pillar, O PP fez uma votação em torno de 12.000 votos, sua média anterior era de 16.500. Fez 3 vereadores.
PSDB/PDT/PPS/PSB – setorque representa o agronegócio nebuloso, apoiado pelo terceiro homem na hierarquia da RBS, Afonso Motta, provável candidato à deputado Federal, para formar a bancada da mídia privada no Congresso de 2010, fez 16.000 votos, um derrame de dinheiro. Fez 3 vereadores, 2 do PSDB e 1 do PDT.
PMDB/PT/DEM/PTB/PCdoB - venceu as eleições por 170 votos, fez em torno de 16500, representa o setor da elite urbana e classe média decadente, campanha com muito recurso, talvez sobras do mensalão, encarnou o espírito da mudança e conseguiu sensibilizar o eleitorado, cansado do projeto anterior. Elegeu 3 vereadores, 2 do PMDB e 1 do PT.
PSOL- Fez 1.300 votos, uma campanha egocêntrica de seu candidato, não provocou um debate de classe, e sim, propositivo, de um denuncismo radicalóide, vazio, não possibilitou a formação da frente com o PCB por ter uma postura mandonista, de ingerência sobre o nosso partido, afastando qualquer possibilidade de um entendimento, mínimo que fosse.
O PCB, limitou-se a um trabalho pedagógico de análise crítica do processo eleitoral, com distribuição de uma carta à sociedade, fazendo alusão à composição de classe das coligações (nosso panfleto foi bem aceito no meio dos estudantes e intelectuais), indicando um voto crítico no PSOL. Não atingimos o conjunto dos explorados, possuímos ainda uma organização bastante limitada no município, com poucos militantese quase nenhuma estrutura financeira.
El autoritarismo que ha caracterizado a los gobiernos ILEGITIMOS de Felipe Calderón y Ulises Ruiz Ortiz se ha agudizado en Oaxaca, el gobierno ha implementado operativos policíacos y parapolicíacos, en contra de integrantes de la APPO, bajo la supuesta lucha del combate al narcotráfico y la delincuencia organizada así como lo demuestran, los siguientes hechos: El día de hoy, 25 de octubre aproximadamente a las 1 de la mañana con lujo de violencia, sin presentar orden de cateo o denuncia alguna ingresaron al domicilio de Miguel Cabrera 649, colonia centro de la ciudad de Oaxaca, mas de una veintena de elementos de la PFP y de la AFI, destruyendo lo que encontraban a su paso, amenazando con armas de alto poder y golpeando al compañero Luis Ramón González López y a la compañera Isabel a sus hijos y nieto de tan solo 5 años, todos ellos integrantes del Comité de Defensa de los Derechos del Pueblo, organización participante en la Asamblea Popular de los Pueblos de Oaxaca (CODEPAPPO).
Bajo el pretexto de hacer un operativo en contra de la delincuencia organizada violan los derechos humanos de hombres mujeres y niños sin que la Comisión Estatal y Nacional de los Derechos Humanos hagan algo contra esta política de terrorismo de estado.
El CODEP-APPO tiene mas de 25 años, de estar en este espacio, mediante su Comité de Defensa de los Derechos de la Mujer (CODEM), en busca de una vivienda digna para 17 familias que habitan ahí, en su mayoría madres indígenas que solo cuentan con la protección y orientaciones de la organización para salir y sacar adelante a sus hijos, quienes han nacido y crecido ahí. Algunas somos maestras, otras realizamos trabajos domésticos para sostener a nuestras familias, la PFP y la AFI, acabaron con los pocos bienes materiales que poseemos, y atentaron contra el bienestar y la salud de nuestras pobres familias. Ahora se palpa claramente, que la reforma judicial federal, ha servido al gobierno para endurecer sus acciones contra integrantes de movimientos sociales, al autorizar cateos y allanamientos de magnitudes que caracterizaron a la GESTAPO.
Estos actos de violencia institucional (cateos domiciliarios, persecución, agresión y criminalización de la protesta social, asesinatos, encarcelamientos, desapariciones forzadas, persecuciones políticas) dictados por gobernadores como Ulises Ruiz Ortiz, y que ejecutan los cuerpos represivos a sus ordenes, de manera fascista; pretenden aterrorizar a quienes de manera decidida, conciente y pacíficamente hemos participado en la digna lucha de la APPO desde el 2006, en busca de justicia, democracia, apoyos para poder contar con beneficios sociales, como una vivienda digna; por las transformaciones profundas en nuestro estado que beneficien a las mayorías, por una nueva constitución que contemple el respeto a los derechos y garantías constitucionales de todos los Oaxaqueños y no solo de los ricos empresarios y sus gobiernos títeres.
Estos hechos se enlazan con las recientes ordenes de aprehensión liberadas en contra de varios integrantes de la APPO, a quien se esta inculpando injustamente del asesinato del fotógrafo de INDIMEDIA, BRADLEY ROLAND WILL, cuando todos sabemos por los mismos medios, que fueron gente, paramilitar, pagada por URO quien realizo este artero crimen.
El movimiento popular en lo estatal y nacional esta repuntando, por el cambio de la Dirigencia de la Sección 22 del SNTE-CNTE y por el heroico movimiento popular magisterial que se estadesarrollando en el estado de Morelos.
La alianza entre Felipe Calderón y Ulises Ruiz no detendrá la lucha del pueblo de Oaxaca y de México, es por ello que condenamos el trabajo sucio que esta haciendo en los tribunales de segunda instancia a ciudadanos que pertenecen a la APPO.
Por esta situación llamamos: 1. A que el pueblo en general exija el alto a la persecución de los integrantes del movimiento social en el Estado orquestada por Ulises Ruíz Ortíz en complicidad con la PGR en el Estado de Oaxaca.
2. A los organismos nacionales e internacionales de Derechos Humanos, a que estén alertas, preparados y listos para actuar, pues la escalada represiva, esta sobre los activistas sociales del estado.
3. Al magisterio Oaxaqueño, a que hoy mas que nunca unamos nuestros esfuerzos para exigir la salida de Ulises Ruiz Ortiz del gobierno de Oaxaca, además del castigo a los responsables por los crímenes de lesa humanidad cometidos al pueblo de Oaxaca.
4. Exigimos la libertad inmediata del compañero: Juan Manuel Martínez Moreno encarceladoinjustamente, acusado de participar en el asesinato de Brad Will; así como la de los compañeros de CODEDI-Xanica Abraham Ramírez Vásquez, y de Noel y Juventino García Cruz, presos desde el 2005, por defender su cabildo municipal nombrado por usos y costumbres y que URO a toda costa lo convirtió en priista, exigimos también la libertad de todos los que están injustamente detenidos, en las cárceles del estado y del país, desde el arribo del tirano a la gubernatura y de Felipe Calderón a la presidencia del país de manera ilegitima.
5. Llamamos a todos los sectores y organizaciones integrantes de la APPO a fortalecerla, para detener esta nueva ola represiva y continuar nuestra lucha, por las transformaciones profundas de Oaxaca.
6. A construir un plan de acción unitario donde participen todos los sectores sociales, con la finalidad de instalar una Asamblea Constituyente que proponga una constitución plena de beneficios para todos los oaxaqueños.
7. A impulsar con la organización de los pueblos y desde abajo la construcción del Gobierno Popular en beneficio de los pueblos indígenas y los pobres de Oaxaca.
¡ALTO A LA VIOLACION DE LOS DERECHOS HUMANOS EN OAXACA! ¡ALTO A LA PERSECUCION DE ESTADO! ¡FUERA ULISES RUIZ DE OAXACA! ¡LIBERTAD DE LOS PRESOS POLÍTICOS, PROCESADOS Y SENTENCIADOS! POR NUESTROS MUERTOS, DESAPARECIDOS, ENCARCELADOS Y PERSEGUIDOS POLITICOS NI UN PASO ATRÁS HASTA LA VICTORIA SIEMPRE Oaxaca de Juárez, Oaxaca Ciudad de la Resistencia, a 24 de octubre de 2008.
Meu filho, uma vez, questionou-me sobre a minha postura crítica diante dos desenhos animados: por que eu atribuía tudo a política? Respondi que nada era neutro na vida, que também os desenhos animados, as histórias em quadrinhos tinham um caráter dominador, que representava interesses dos ricos, dos poderosos que tem a faculdade de impor obediência sobre as pessoas, pois são donos das grandes empresas e fazem parte de uma classe social que mantém supremacia sobre as outras classes e seus interesses através do governo em cada país no mundo capitalista.
Sugeri que fossemos assistir, na TV, a programação infantil. O primeiro desenho que assistimos, representou o conteúdo de nossa conversa: um porquinho ajoelhado diante da bandeira dos Estados Unidos, sendo acusado de não referendar o significado daquele símbolo. O sentimento de culpa era evidente, o porquinho estava de joelhos e inclinava o corpo para frente levando as mãos até o chão numa situação de desespero, seu rosto enrugava-se e o temor fazia seu corpo tremer de angústia.
Meu filho compreendeu, naquele momento, que não se pode confiar, "em nada", se acreditar na primeira impressão estará fadada à escuridão da alienação e ajudando a formar uma massa homogênea, submissa ao poder absoluto do mercado de consumo.
Publico dois artigos de Gian Danton, que esclarece esta questão e indica a leitura do livro: Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
Para ler o Pato Donald: Comunicação de Massa e Colonialismo.
No início da década de 1970, um pequeno e divertido livrinho, publicado no Chile, caiu como uma bomba no mundo dos quadrinhos infantis. “Para Ler o Pato Donald”, de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, foi escrito num período em que o governo de Salvador Allende se debatia para sobreviver às pressões do imperialismo norte-americano.
A idéia de Dorfman e Mattelart era justamente denunciar a ideologia imperialista que dominava as aparentemente inocentes histórias infantis de Disney.
A primeira descoberta dos autores foi com relação à vida familiar. Não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias de Pato Donald e Companhia. Todos são tios ou sobrinhos de alguém.
Recentemente um desenhista espanhol descobriu uma HQ, escrita e desenhada por Carl Barks (o criador do Tio Patinhas e de boa parte dos personagens de quadrinhos da Disney), em que aparecem os pais de Donald. Tudo indica que essa história foi escondida por Disney, que queria que os personagens se identificassem com ele (Disney tinha dúvidas se era um filho legítimo e se considerava órfão).
Além de não ter laços familiares diretos, os personagens são movidos apenas pela ambição do dinheiro. Não há relações de amizade desinteressada, apenas relações comerciais.
O amor de Margarida, por exemplo, é exemplificado na conversação abaixo, reproduzida no livro:
Margarida: Se você me ensina a patinar esta tarde, darei uma coisa que você sempre desejou.
Donald: Quer dizer...?
Margarida: Sim... A minha moeda de 1872.
Sobrinho: Uau! Completaria nossa coleção de moedas, Tio Donald!
O exemplo demonstra que nas histórias da Disney as relações são sempre de interesse e quase sempre interesse financeiro.
No mundo de Disney, Patópolis representa os EUA e todos os povos não americanos são mostrados de forma depreciativa.
Os povos não civilizados, metáfora do Terceiro Mundo, são como crianças. Afáveis, despreocupados, ingênuos, felizes, têm ataques de raiva quando são contrariados, mas é muito fácil aplacá-los com quinquilharias. Aceitam qualquer presente, até mesmo os seus próprios tesouros. Alguns fazem artesanato. Não os compre, aconselham Dorfman e Mattelart, poderá consegui-los gratuitamente mediante algum truque.Desinteressados, esses povos bárbaros entregam todas as suas riquezas em troca de qualquer bugiganga, seja um relógio de um dólar ou bolhas de sabão.
Embora seja muitas vezes agente do imperialismo, Donald é também vítima desse mesmo imperialismo.
O Tio faz e desfaz dele e obriga-o a viajar às regiões mais longínquas do planeta e jamais o recompensa satisfatoriamente.
Alguns estudiosos posteriores se perguntaram porque Donald não se rebela contra a tirania do Tio. A resposta é simples: ele tem esperança de um dia herdar a riqueza de Patinhas.
Da mesma forma, a América Latina tem a esperança de se tornar um país desenvolvido. Criou-se até a expressão países em desenvolvimento para expressar essa vontade.
Mas o Tio Patinhas nunca morre. Aliás, é bastante provável que ele sobreviva ao sobrinho, pois é sempre Donald que se arrisca nas missões perigosas.
Criticado por muitos e elogiado por outros tantos, o trabalho de Dorfman e Mattelart deixou frutos, influenciando toda a pesquisa latino-americana de comunicação.
Muitos pesquisadores se debruçaram sobre os jornais, as revistas, a televisão e cinema e demonstraram o quanto essas mídias estão impregnadas de ideologia imperialista.
Quanto aos autores, tiveram trajetórias opostas. Mattelart voltou para a Europa, tornou-se um “pesquisador sério” e aparentemente rejeitou seus primeiros escritos.
Dorfman exilou-se nos EUA na época do ditadura Pinochet, tornando-se um autor de teatro, cinema e literatura. Seus escritos são sucesso de público e de crítica. O filme “A Morte e a Donzela”, com roteiro de Dorfman, é uma das obras-primas do cinema norte-americano da década de 90.
¨Para ler o pato Donald¨ começou a ser seriamente questionado por pesquisadores quando se descobriu que os autores haviam alterado as falas de alguns quadrinhos. Além disso, entrevistas feitas com Carl Barks mostram que, provavelmente, o conteúdo ideológico de direita tenha mais a ver com as convicções do desenhista do que com pressões patronais. Barks odiava Karl Marx.
Texto de Gian Danton, publicado originalmente no blog Idéias de Jeca-tatu, no dia 14/09/2008.
Agora que o mundo todo comemora o centenário de Disney, vale lembrar que o autor de Mickey e Pluto não é unanimidade. E nenhuma crítica foi tão feroz e teve tanta repercursão quanto um livrinho divertido publicado no Chile no início dos anos 70.
“Para Ler o Pato Donald”, de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, foi escrito num período em que o governo de Salvador Allende se debatia para sobreviver às pressões do imperialismo norte-americano.
A idéia de Dorfman e Mattelart era justamente denunciar a ideologia imperialista que dominava as aparentemente inocentes histórias infantis de Disney.
A primeira descoberta dos autores foi com relação à vida familiar. Não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias de Pato Donald e Companhia. Todos são tios ou sobrinhos de alguém.
Recentemente um desenhista espanhol descobriu uma HQ, escrita e desenhada por Carl Barks (o criador do Tio Patinhas e de boa parte dos personagens de quadrinhos da Disney), em que aparecem os pais de Donald. Tudo indica que essa história foi escondida por Disney, que queria que os personagens se indentificassem com ele (Disney tinha dúvidas se era um filho legítimo e se considerava órfão).
Além de não ter laços familiares diretos, os personagens são movidos apenas pela ambição do dinheiro.
Não há relações de amizade desinteressada, apenas relações comerciais.
O amor de Margarida, por exemplo, é exemplificado na conversação abaixo, reproduzida no livro:
Margarida: Se você me ensina a patinar esta tarde, darei uma coisa que você sempre desejou.
Donald: Quer dizer...?
Margarida: Sim... A minha moeda de 1872.
Sobrinho: Uau! Completaria nossa coleção de moedas, Tio Donald.
O exemplo demonstra que nas histórias da Disney as relações são sempre de interesse e quase sempre interesse financeiro.
No mundo de Disney, Patolândia representa os EUA e todos os povos não americanos são mostrados de forma depreciativa.
Há dois tipos de povos não Patolândios: um puramente bárbaro, morador de regiões como o Brasil, Polinésia e África; o outro evoluído, mas decandente.
Os povos não civilizados, metáfora do Terceiro Mundo, são como crianças. Afáveis, despreocupados, ingênuos, felizes, têm ataques de raiva quando são contrariados, mas é muito fácil aplaca-los com quinquilharias. Aceitam qualquer presente, até mesmo os seus próprios tesouros. Alguns fazem artesanato. Não os compre, aconselham Dorfman e Mattelart, poderá consegui-los gratuitamente mediante algum truque.
Desinteressados, esses povos bárbaros entregam todas as suas riquezas em troca de qualquer bugiganga, seja um relógio de um dólar ou bolhas de sabão.
Em uma das histórias, Donald viaja para a longíncua Congólia. Os negócios do Tio Patinhas não estão dando lucro porque o rei local proibiu seus súditos de comprarem presentes de natal e os obriga a dar-lhe todo o dinheiro.
Ao chegar de avião, Donaldo é tido como um poderoso mago e convertido em rei (como são supersticiosos esses subdesenvolvidos, pensa o leitor).
“O antigo rei não era homem sábio como você”, diz um congoliano. “Não nos permitia comprar presentes”.
Efetuadas as vendas de natal, Donald devolve a coroa ao rei com a condição de que ele sempre permita que seus súditos comprem presentes nas lojas do Tio Patinhas.
Moral da história: o rei aprende que para governar deve se aliar aos estrangeiros e que jamais deve intervir no lucro destes.
O livro de Dorfman a Mattelart desmascarou a propaganda imperialista presente em histórias como essa.
Embora seja muitas vezes agente do imperialismo, Donald é também vítima desse mesmo imperialismo.
O Tio faz e desfaz dele e obriga-o a viajar as regiões mais longínquas do planeta e jamais o recompensa satisfatoriamente.
Não é necessário voltar à década de 70 para constatar isso. A história “O Tesouro da Ilha Quac”, publicada em Tio Patinhas 365, de 1995, demonstra bem essa relação de exploração.
Donald está andando na rua quando vê o tio. Foge dele, pois está com o aluguel atrasado.
Patinhas, implacável, alcançam-o e anuncia que irão à ilha Quac em busca de um tesouro. Quando o sobrinho ameaça não ir, ele chantageia: “Você viajará comigo! Ou prefere pagar os meses de aluguel atrasado, hein?”.
Donald exige um pagamento e o sovina oferece um por cento da fortuna. Reação dos sobrinhos: “Eba! Viva o Tio Patinhas!”.
No navio, Donald faz todas as tarefas e ainda tem de pescar para alimentar a todos.
O tesouro é guardado por um grande dragão, mas o Tio Patinhas tem solução para tudo: joga no lago uma grande quantidade de frutas com sonífero.
Missão cumprida, Donald vai cobrar sua parte no tesouro. Recebe apenas um centavo, pois o tio descontou os alugueis atrasados.
Na história estão presentes alguns aspectos importantes da relação América Latina/Estados Unidos: a subserviência, a dívida externa usada como objeto de chantagem e pagamento ínfimo para os que trabalham, enquanto que os que apenas exploram a força de trabalho ficam com a verdadeira fortuna.
Alguns estudiosos posteriores se perguntaram porque Donald não se rebela contra a tirania do Tio. A resposta é simples: ele tem esperança de um dia herdar a riqueza de Patinhas.
Da mesma forma, a América Latina tem a esperança de se tornar um país desenvolvido. Criou-se até a expressão países em desenvolvimento para expressar essa vontade.
Mas o Tio Patinhas nunca morre. Aliás, é bastante provável que ele sobreviva ao tio, pois é sempre Donald que se arrisca nas missões perigosas.
Criticado por muitos e elogiado por outros tantos, o trabalho de Dorfman e Mattelart deixou frutos, influenciando toda a pesquisa latino-americana de comunicação.
Muitos pesquisadores se debruçaram sobre os jornais, as revistas, a televisão e cinema e demonstraram o quanto essas mídias estão impregnadas de ideologia imperialista.
Esses estudiosos criaram dois conceitos fundamentais para compreender situações como as expostas no livro “Para Ler o Pato Donald”: a comunicação vertical e a comunicação horizontal.
A comunicação vertical é aquele que vem de baixo para cima. Os receptores já a recebem pronta. Emissor e receptor não fazem parte da mesma comunidade e não compartilham dos mesmos laços culturais.
Não há espaços para questionamentos ou feedback ativo.
A comunicação vertical é típica do imperialismo cultural e, portanto, é uma comunicação repressora e autoritária.
Em oposição à comunicação vertical, os pesquisadores latino-americanos criaram o termo comunicação horizontal.
Nesse tipo de comunicação, as funções de receptor e emissor não são fixas, mas fazem parte de um processo em que ambas as partes podem interferir no conteúdo da mensagem. A comunicação horizontal é realizada por pessoas do mesmo grupo social das que vão receber a mensagem.
Exemplos de comunicação horizontal são as rádios comunitárias e os jornais de bairro.
Quanto aos autores, tiveram trajetórias opostas. Mattelart voltou para a Europa, tornou-se um “pesquisador sério” e aparentemente rejeitou seus primeiros escritos.
Dorfman exilou-se nos EUA na época do ditadura Pinochet, tornando-se um autor de teatro, cinema e literatura. Seus escritos são sucesso de público e de crítica.
O filme “A Morte e a Donzela”, com roteiro de Dorfman, é uma das obras-primas do cinema norte-americano da década de 90.
O nome do blog foi inspirado no filmeZurdode Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.
Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda. E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional. Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.
Vos abraço com todo o fervor revolucionário
Raoul José Pinto
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Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
Um homem, um povo - Marta Harnecker
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A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
Antígona, de Sófocles
As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
As três fontes - V. I. Lenin
CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
O Caminho do Poder - Karl Kautsky
O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
Orestéia, de Ésquilo
Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
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Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
Revolução Russa - L. Trotsky
Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina
ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA
1984 - George Orwell
A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
A hora da estrela - Clarice Lispector
A Leste do Éden - John Steinbeck,
A Mãe, MÁXIMO GORKI
A Peste - Albert Camus
A Revolução do Bichos - George Orwell
Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
Aleph - Jorge Luis Borges
As cartas do Pe. Antônio Veira
As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
Contos - Jack London
Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
Desonra, de John Maxwell Coetzee
Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
Ficções - Jorge Luis Borges
Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
O Alienista - Machado de Assis
O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
O Estrangeiro - Albert Camus
O homem revoltado - Albert Camus
O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
O livro de Areia – Jorge Luis Borges
O mercador de Veneza, de William Shakespeare
O mito de Sísifo, de Albert Camus
O Nome da Rosa - Umberto Eco
O Processo - Franz Kafka
O Príncipe de Nicolau Maquiavel
O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
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Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
Os Miseravéis - Victor Hugo
Os Prêmios – Júlio Cortazar
OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
São Bernardo - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano Ramos
VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)
ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA
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A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
O Diário do Che na Bolívia
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Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret
ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO
Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira