sexta-feira, 6 de junho de 2008

Arte engajada



Entrevista com Carlos Latuff
Por Jefferson Pinheiro e André de Oliveira, da Catarse – Coletivo de Comunicação

http://agenciasubverta.blogspot.com/2008/03/arte-engajada_27.html




“O Chico Caruso, num debate aqui na UFRJ, disse que não sou cartunista, sou ativista. Que quero botar fogo no mundo, enquanto ele e outros cartunistas como Jaquar e essa turminha querem construir uma mídia democrática para o Brasil: rá, rá, rá”.
Antes mesmo da entrevista começar, Latuff já botava a boca no trombone. Chegamos até ele para conversar sobre cultura livre, como parte de uma reportagem especial para a TV Brasil. Queríamos a palavra do artista que tem sua obra exposta nos folhetos zapatistas no México, no muro dos campos de refugiados palestinos no Líbano, nas revistas dos sindicatos coreanos, nos livros bielo-russos sobre anarquismo e em tantas outras causas humanistas de peso na atualidade.
Era preciso saber como ele encara toda essa influência do seu trabalho militante sendo negociado somente pelo valor da imagem e das idéias que elas trazem. Numa troca de custo zero, de livre uso por todas as pessoas que as quiserem reproduzir. Mas ouvimos mais. Latuff, além de construir novos padrões de compartilhamento da cultura, assume o engajamento político como essência de sua arte.

Catarse - Então, qual a tua arte, o teu trabalho?
O papel da arte não é ser correia de transmissão de políticas reacionárias. A arte que vale a pena hoje é aquela que questiona exatamente esses modelos. Ela tem que te colocar na parede, tem de fazer você sentir. Não precisa ser o tempo toda engajada, mas falta arte engajada.


Comparativamente, por exemplo, à época da ditadura, que você tinha muitos artistas que davam a cara para bater, que produziam arte de contestação no cinema, no teatro, na poesia, no desenho, pintura, escultura. Mas hoje, de acordo com o pensamento vigente, não existe mais necessidade de se levantar, de reagir, de questionar porque nós estamos na democracia. “Resistir só faz sentido quando você tem tanque na rua...” É um ledo engano pensar a liberdade dessa forma, porque hoje se vive num sistema autoritário, de pensamento único, em que a mídia dita para você o que é ou não verdade.

Democracia é o que tem lá nos Estados Unidos, que só dois partidos centralizam a disputa? Democracia é o Paquistão, porque os Estados Unidos apóia o regime? O governo norte-americano ao mesmo tempo em que diz que Cuba é uma ditadura, não se refere como ditadura ao governo do Paquistão, porque é pró-americano. Dizem que o Hamas ganhou as eleições legítimas, na Palestina. Houve observadores internacionais... Mas eles são considerados terroristas. Depois do 11 de setembro foi foda, inverteu tudo.

Então nem tudo pode ser arte engajada, porque senão fica chato. E nem tudo pode ser entretenimento, porque fica vazio. É preciso ter a combinação das duas coisas, que é o que não vemos atualmente. Hoje, é só entretenimento, e nele já tem a questão ideológica colocada, só que de maneira subliminar ou lúdica. As pessoas não percebem. Normalmente, o cara que assiste Jack Bower ou Tropa de Elite é daquele tipo: “Ah, eu não gosto de política, eu não sou político”. Mas já está sendo cooptado sem saber.

Tu acreditas no poder de transformação da tua arte?
Eu questionava se a charge poderia ser, de fato, um agente transformador. Eu pensava: “Porra, mas é só um desenho na revista, num jornal, na internet. Um desenho não pára um míssel, não pára uma bala”. Mas aí, conversei com um cara, em Gaza: “Vem cá, faz diferença meu trabalho para você”? Falou que sim, que dava ânimo para eles, levantava a moral. Aí ele me fez lembrar que um dos heróis do povo palestino é um cartunista: Najir Al Ali. Então pensei: “Caralho, é isso. Realmente faz diferença. A arte levanta a moral quando você está na crise, é um tapa no ombro, é um afago na hora que você precisa”.

As pessoas precisam conhecer teu trabalho para que ele tenha esse efeito, e até Gaza tem um caminho... Qual é a relação que tens com tua produção, na questão da distribuição, do uso das imagens?
Antes da internet, eu não tinha qualquer perspectiva de ter o meu trabalho exibido nacionalmente ou fora do Brasil, porque eu dependeria, teria de me vender para um grande truste de comunicação. Mas com a internet ficou plenamente possível a distribuição dessas imagens.

Quando você cria uma página na internet, um blog, ou envia um desenho por e-mail para alguém, existe um fluxo, é o que se diz de processo viral. Eu achava que esse fluxo se restringia ao mundo virtual. Mas aí é que vem a mágica do negócio: o sujeito vê aquele desenho na internet e tem a possibilidade de imprimir, reproduzir numa publicação. Fiz uma charge sobre o atentado contra Benazir Butto, e saiu em jornal de grande circulação lá na Turquia. Eles pegaram na internet.

Assim como acontece com o Comitê de Solidariedade aos Zapatistas, que pegava os meus desenhos e reproduzia em posters, folheto, panfleto, numa camisa. Os comitês de solidariedade à Palestina, ao Iraque, fazem da mesma maneira. E, aí, fodeu, aí corre… É um processo multiplicador. Eu não tenho controle sobre isso. É domínio público. E é isso que me importa, pois essas imagens apresentam uma visão diferente da grande imprensa burguesa e corporativa. São aquelas verdades inconvenientes que eles não querem que sejam vistas, mas a internet consegue quebrar esses bloqueios midiáticos. Então, para mim, como artista engajado, o copyleft é a melhor solução.

Tu não estás preocupado se pessoas ganham dinheiro com essa liberdade de uso das imagens? Como é tua arte ser de domínio público, de se apropriarem dela, mesmo que tu não saibas pra quê?
Aí vem o ativismo. Só é possível fazer isso com vistas a uma questão político-social. Não é uma questão monetária que está em jogo. Tem gente que usa esses desenhos para fins da militância, têm outros que são para embolsar, mas isso não é importante para mim. Por exemplo, a imagem do Che Guevara usando um kafia, aquele lenço que se coloca na cabeça... Aquele desenho, independente de neguinho faturar ou não, o que importa é que ele esteja rodando, esteja vivo.
Ano passado me mandaram uma fotografia de um campo de refugiados palestinos no Líbano e tinha esse desenho (mostra a camiseta que está usando) na parede. É isso que eu quero, que esses desenhos façam parte do ideário, do imaginário das pessoas, porque eles têm uma mensagem positiva sobre os palestinos que você não vê em lugar nenhum, porque o senso comum sobre os palestinos é que são terroristas, assassinos, fundamentalistas. Então, para quebrar o senso comum a melhor maneira, a que toca mais profundamente, é através da arte.

Muita gente vai soltar foguetes quando eu bater as botas, vai abrir champagne no dia em que eu morrer. Se você procurar no Google pelo meu nome, você vai ver gente que me ama e que me odeia. Num site chamado Likudnik, em Israel, me ameaçaram dizendo que Israel já deveria ter cuidado de mim de um jeito ou de outro. Então, é sempre possível que alguém tome uma providência contra mim. Mas aí vem o exemplo do Najir Al Ali, que foi assassinado em Londres. O trabalho dele continua rodando o mundo, o tempo todo. Isso é a vitória maior.


E como é isso de também usar a arte para sobreviver?
Tenho um trabalho paralelo que faço junto à imprensa sindical, desde 1990. Se construí uma carreira, consegui viver até hoje, comer, foi graças à imprensa sindical. Com meus pontos de vista, jamais poderia trabalhar na grande imprensa. A não ser que eu fosse uma espécie de Arnaldo Jabor, que me vendesse. Tem muita gente que tem um passado comunista ou de esquerda, que diante das “circunstâncias”, do chamado do canto da sereia da mídia, se vende. Franklin Martins era guerrilheiro, agora acho que é até ministro, né?

Eu achava que ter um passado guerrilheiro era credencial para alguma coisa. Porra nenhuma! Que aí, os caras ficam velhos e viram a casaca fácil! Como se essa coisa da queda do muro fosse a desculpa que precisavam: “Não tem mais a disputa ideológica de esquerda e direita… os tempos mudaram… agora é democracia”. Aí, os caras abrem as pernas. E vai trabalhar onde? Na Globo, para de repente bater nos movimentos que, no passado, ele tinha afinidade ideológica.

E a gente ainda vive numa luta de classes…
Evidente! Dizer que não existe luta ideológica é conversa fiada. Agora, “tudo é mercado”. É muito ruim, hein! Se fosse assim, bastava você pagar para ter publicado na grande imprensa qualquer conteúdo. Mas não é assim que a banda toca. Em 1999 eu queria fazer uns outdoors de uma exposição de charges sobre violência policial, com o título “A Polícia Mata”. Eu tinha o dinheiro, mas a empresa de outdoor se recusou. “Ué, mas não é o mercado? Não tinha o dinheiro?” Essas censuras são permanentes, continuam. Não é oficial, como na época da ditadura, mas agora você tem a censura do mercado, que é baseada também em questões ideológicas.

Eu lembro que a CUT tinha um esquema para montar uma emissora de televisão, com estúdio, tudo pronto, mas não conseguia a concessão. Como é que se dá concessão de rádio e TV? É uma questão mercadológica? Nada disso, é uma questão essencialmente ideológica. Mas tem sempre esses arautos do mercado, do liberalismo dizendo: “Não, caiu o muro, agora não tem mais esquerda e direita”.

Aqui que não tem! Neguinho bate no Chavez 24 horas! É uníssono. Não é possível que num país enorme como o Brasil, de norte a sul, todas as emissoras só batam no Chavez. Não pode haver essa unanimidade, tem de ter um contraponto. Até nos EUA, que são aquele monte de reaça, você tem contraponto. Sobre a guerra do Iraque, sobre a questão palestina, em Israel você tem o contraponto.

E o que tu achas sobre essas pessoas que transgridem com o direito autoral para fazer circular mensagens?
Tem um novo filme do Brian de Palma chamado “Redacted”, que já está na internet, devidamente legendado. Eu baixei e assisti. O Brian de Palma não tem trajetória de militância, é essencialmente um diretor hollywoodiano, comercial. Rapaz, esse “Redacted” é uma porrada, um soco no estômago. Mostra os eventos que antecederam ao estupro de uma menina de 15 anos, a sua execução e da sua família por soldados americanos em Samara, no Iraque. Se você não sabe que foi o Brian de Palma que filmou aquilo, você vai dizer que é o Michael Moore ou qualquer ativista de esquerda, comunista.

Fernando Botero, que não é artista engajado, é um pintor de galerias, viu aquelas imagens de prisioneiros sendo abusados em Abu Ghraib e resolveu fazer uma série de pinturas que incomodam as pessoas, e elas não estão à venda. A maioria das galerias dos EUA se recusou a exibir as pinturas. Ele, que sempre encheu o rabo de dinheiro com aquelas figuras rechonchudas, teve seu chilique. Então, mesmo que o sujeito não seja um ativista, se como artista, de vez em quando, comprar essas brigas, lutas justas, já está bom. Que você não vê um puto de um artista fazer concerto pela Palestina. Diversas outras campanhas que você possa imaginar, eles fazem: Darfur, as baleias, aquecimento global, o caralho de asas, mas você nunca tem da Palestina.

Eu espero que os artistas sejam tocados, porque a situação está muito feia. As idéias fascistóides estão brotando do chão como erva daninha, estão ganhando espaço, sendo bem recebidas pelas pessoas. A grande mídia tem servido de alto-falante para essas coisas. É preciso voltar a incomodar, o que não está mais acontecendo. Está todo mundo abraçando o pensamento comum: todo mundo só quer o entretenimento… E a ideologia vai sendo colocada na nossa bunda no entretenimento, mas ninguém sente. É preciso que os artistas tenham um ímpeto guerrilheiro.

Carlos Latuff é carioca e tem 39 anos. Começou sua carreira em 1989, como ilustrador numa pequena agência de propaganda. Em 1990, passou a trabalhar para a imprensa sindical. Após assistir a um documentário sobre os zapatistas, transformou sua arte em ativismo político, desenhando em favor de diversas causas. Seus cartuns são conhecidos no mundo todo e geram polêmica, principalmente por suas críticas a Israel e Estados Unidos, em oposição às guerras promovidas por esses países no Iraque, Afeganistão e Palestina.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Tributo à BO DIDDLEY (música de verdade é para sempre)




Morreu Bo Didley, um dos criadores do "rock'n'roll"

Miami, Flórida, 02 Jun - Bo Diddley, considerado um dos criadores do "rock'n'roll" com a canção "Bo Diddley", faleceu segunda-feira na sua residência na Flórida, aos 79 anos, em consequência de uma paragem cardíaca, informaram os "media".

As composições de Diddley, nome artístico de Ellas McDaniel, inspiraram gerações de músicos em todo o mundo.

O cantor, guitarrista e compositor morreu em Archer, no norte da Flórida. Em Agosto do ano passado tinha sofrido um ataque cardíaco.

Conhecido pela sua característica guitarra rectangular, os óculos e o chapéu preto com que aparecia nos concertos, é autor de êxitos como como "Craw-Dad", "Say Man", "Walkin'and talkin'", "Who do you Love", "Oh yeah", "Shave and Haircut" e "I'm a man".

Natural do Mississipi, antes de entrar no mundo da música trabalhou como carpinteiro e mecánico e costumava tocar nas ruas com os seus amigos.

O seu primeiro single, "Bo Diddley", lançado em 1955, deu a conhecer um novo ritmo, a partir de então conhecido como o "Bo Diddley beat".

Stédile "Janta" os Jornalistas da BAND TV










, por Raymundo Araujo Filho


São públicos os meus artigos criticando agudamente o Coordenador do MST João Pedro Stédile, no que tange a questão tática do não rompimento político dele com o (des)governo Lulla, colocando o MST nas ruas das cidades mais importantes, para urbanizar o debate sobre a Reforma Agrária, tirando o Movimento do isolamento que se encontra no interior do país.



No que tange às questões estratégicas sobre a Reforma Agrária, nunca tive divergências com a Direção do MST, pois a receita é simples e universal, para que os Assentamentos possam evoluir: Terra, Educação e Pequenas Agroindústrias, para @s pequen@s Agricultor@s.

Ontem, na entrevista concedida à equipe de jornalistas da BAND, capitaneada por Joelmir Betting, Fermando Mitre, Augusto Nunes e outro bobalhão que nem sei o nome, Stédile pode expor com exatidão várias questões colocadas como essenciais para o país, criticando o Neoliberalismo e as Transacionais e Grandes Oligopólios da Mineração e Agroindústrias.

E melhor, formulou críticas profundas e diretas ao (des)governo Lulla, à sua Política Econômica e à Paralização da Reforma Agrária. Este é o dado novo que começa a ser colocado de forma inequívoca e pública, mostrando que pode estar perto atitudes e posturas mais radicais de distanciamento deste (des)governo entreguista que temos.

Em que se pese a total distância em importância política entre o Coordenador do MST, de real importância e influência política, em relação a este que escreve (eu apenas penso), julgo que começa a se tornar fato possível uma tomada de posição de ruptura política com este (des)governo Lulla, o que, aí sim, poderia soar como palavra de ordem para que haja os embates políticos necessários para uma nova correlação de forças no país, e o desmascaramento desta política lesiva que sofremos, por aquele que foi eleito pra MUDANÇAS REAIS.

Um pequeno resumo das declarações do Stédile, nesta entrevista, nas palavras do próprio entrevistado (desminta-me quem puder, pois está gravado):

- O governo Lula não tem caráter popular, sequer de esquerda. É um governo de composição, onde setores conservadores e neoliberais são hegemônicos.

- O governo Lula tem de TOMAR VERGONHA NA CARA E PARAR DE MENTIR sobre a questão do número de assentados (e aí mostrou uma tabela do INCRA, onde diz que só em Santarém (PA) assentou 52 mil pessoas, entre outras DESLAVADAS mentiras.

- O Agronegócio é INCOMPATÍVEL com a Agricultura Familiar, pois vai na direção contrária desta, servindo apenas ao Capital Transacional, à Política Exportadora de Matérias Primas e à ocupação de grandes extensões de terras, com a expuldsão de gente do campo para as cidades.

- A solução para o Brasil é um tipo de desenvolvimento que privilegie o Mercado Interno e a distribuição de riquezas e dos meios de produção.

- As políticas compensatórias (Bolsa Família) agem como uma Anestesia, mas o principal problema que persiste é a TOTAL paralização da Reforma Agrária, deste governo.

- As hidrelétricas na Amazônia só servirão para gerar energia para mover as Siderúrgicas para exportarem matérias primas para os países ricos.

- Os biocombustíveis, notadamente o Etanol apenas ocuparão lugar da produção de alimentos, para facilitarem a exportação de combustíveis mais limpos para resolver parte dos problemas energéticos e de poluição do primeiro mundo, às custas da fome dos brasileiros.

- Quando arguído sobre a dispensa de uso de venenos pra o plantio de transgênicos, deu uma aula ao jornalista bobalhão que fez tal afirmação, mostrando que, ao contrário, estas sementes apenas existem para a aplicação casada dos venenos agrícolas das mesmas empresas.

- As OCUPAÇÕES (e não Invasões) de prédios públicos e áreas agrícolas sem função social, assim como área de grandes empreendimentos energéticos em desacordo com as Leis de Regulação Ambiental e Social existentes SÃO AMPARADAS POR LEI, EM SENTENÇA DEFINITIVA DO STF, com jurisprudência nacional e definitiva que ampara estas OCUPAÇÕES como LEGÍTIMAS. Impedindo assim, qualquer desocupação não negociada.

- Stédile disse: Sou completamente contra a presença de ONGs na Amazônia, por ocuparem a mando das empresas transacionais, os vácuos deixados pela ausência do Poder Público na Região. Que ponham lá o Exército e as Políticas Públicas necessárias para aquela gente.

- Os índígenas é que têm defendido as fronteiras brasileiras, e não o contrário. Não são eles a ameaça à integridade do território nacional.
(Neste momento exortou o Gen. Augusto Heleno a vir defender a Amazônia de seus reais predadores internacionais).

- A ocupação da Amazônia não se dará por via de invasão militar. Já está acontecendo pelo estabelecimento das empresas Transacionais e os Mega projetos excludentes da população pobre da região.

Estas, ao meu ver, foram as principais declarações do Stédile, pessoa insuspeita em suas reclamações, por estar até agora ao menos, em composição e não rompimento político com o governo federal.

Desminta-me quem puder! E não venham dizer que o Stédile está fazendo o jogo da direita .

segunda-feira, 2 de junho de 2008

DADOS SOBRE A SITUAÇAO SOCIOECONOMICA DA JUVENTUDE BRASILEIRA








Informações selecionadas a partir de estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Economica aplicada, do Ministerio do Planejamento) divulgadas em artigo do seu Diretor-presidente economista Marcio Pochmann( jornal valor economico 15 de maio 2008)
- Há 51 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos.
- 66% deles estão fora de salas de aula. Ou seja não estão estudando.
- Apenas 13% deles estão cursando curso superior.
- Apénas 48% dos que tem 17 e 18 anos estão estudando no ensino medio.
- A principal causa alegada para não estar estudando, entre os homens é ter que trabalhar para ajudar a familia e, a gravidez, entre as mulheres.
- 46% estão desempregados.
- E 50% dos 54% que estão empregados, trabalham sem carteira assinada. ou seja do total de jovens, apenas 27% tem emprego com carteira assinada, e por tanto direitos trabalhistas e previdenciarios. O que no futuro lhes trará muitos problemas.
- 31% de todos eles podem ser considerados miseráveis, pois possuem renda per capita inferior a meio salario minimo.
- 70% dos jovens considerados pobres, são negros.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Novo jeito de governar em Minas Gerais















Novo jeito de governar em Minas Gerais. Será que no Rio Grande do sul é diferente? (comentário Raoul José Pinto)





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Veja abaixo por que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que encontrar uma notícia negativa sobre o governador Aécio Neves (PSDB), especialmente em Minas Gerais. O documentário que fala sobre as relações entre Aécio Neves, TV Globo e jornal Estado de Minas foi produzido pela Current TV e exibido nos EUA e Inglaterra.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

El bombardeo de los símbolos/I: El fracaso del marxismo



Karl Marx por Pericoli

Karl Marx por Pericoli

Recientemente un grupo de investigadores españoles llegó a la concusión que la extinción de los neandertales hace más de veinte mil años -esos gnomos y enanitos narigones que pululan en los cuentos tradicionales de Europa- se debió a una inferioridad fundamental con respecto a los cromagnones.
Jorge Majfud
Escritor uruguayo y profesor de literatura latinoamericana en la Universidad de Georgia, EE.UU.
Según José Carrión de la Universidad de Murcia, nuestros antepasados homo sapiens poseían una mayor capacidad simbólica, mientras los neandertales eran más realistas y por lo tanto inferiores como sociedad. Nadie creería hoy en los mitos de aquellos abuelos nuestros, no obstante su utilidad se parece a la del geocentrismo ptolomeico que en su época sirvió para predecir eclipses.

Según una primitiva visión darwiniana -propia de los neoconservadores antidarwinianos-, el mundo sigue siendo una competencia entre neandertales y cromagnones. Sólo sirve ganar, porque “nuestros valores” son superiores, ya que son “los valores de Dios”. Otros pensamos lo contrario: este tipo de dinámica no podría llevar al éxito de los cromagnones sino a la extinción de ambos contendientes bajo la lógica arbitraria de Superman, según la cual “los buenos somos nosotros y por eso debemos aniquilar a los malos”. Hay una diferencia con nuestros tiempos: no estamos totalmente en aquella prehistoria y, si suscribimos mínimamente un posible progreso de la historia según los valores del humanismo, podemos interpretar que estas leyes darwinianas no se aplican en crudo en la especie humana o la cultura de cooperación y solidaridad es parte de la misma selección natural que ha superado el estado cavernícola.

No obstante todavía quedan en pié algunos principios de aquella época. Por ejemplo, la fortaleza que confiere una creencia sólida, sin importar su veracidad. Así se levantaron todos los imperios como el romano, el islámico y los subsiguientes europeos y americanos. Alguno de ellos tenía que estar teológicamente equivocado, pero todos tuvieron éxito gracias a algún tipo de fanatismo mesiánico. Así también se hundieron.

Si los antiguos mitos totémicos favorecieron a unas tribus sobre las otras, los modernos mitos sociales discriminan de forma más compleja favoreciendo a clases sociales, grupos o sectas financieras, intereses nacionales y a veces raciales, etc.

Veamos un ejemplo contemporáneo. No hace mucho alguien me señalaba con inconmovible obviedad la derrota del marxismo en el mundo.

-¿Por qué piensa usted que el marxismo ha fracasado? -pregunté.

-Basta con ver lo que ocurrió en la Unión Soviética y en los países socialistas y con terroristas como Che Guevara.

Este señor nunca había leído un solo texto de Marx o de sus continuadores, pero había visto mucha televisión y, sobre todo, había recibido algunos cursos sobre “lucha antisubversiva”, así que estaba dotado de una docena de lugares comunes sazonados con la elocuencia de la repetición.

-En realidad, sacar a un país analfabeto de la periferia y convertirlo por varias décadas en potencia mundial no parece un gran fracaso -comenté de puro contra, a pesar de mi profundo desprecio por los tiempos de Stalin y sus consecuentes.

-La lucha de clases, por ejemplo, es un acto criminal.

-Del todo de acuerdo. Sobre todo porque existe. Aunque ahora no se trate de princesas de sangre azul y campesinos criminales con cara de sapo.

Claro que ver a la Unión Soviética como el marxismo puesto en práctica es una arbitrariedad de propios y ajenos. De haber vivido Marx por entonces y en aquella tierra, igualmente hubiese sido exiliado a Inglaterra. No porque Inglaterra fuese un imperio bondadoso sino porque era un imperio arrogante, como todo imperio, que nunca se sintió amenazado por los intelectuales. Lo cual era una considerable ventaja para alguien que debía escribir un análisis histórico como El Capital para ser leído y discutido por los siglos por venir, aún cuando la Unión Soviética y el Imperio Británico hubiesen desaparecido.

Pero aún si asumiésemos que el marxismo ha fracasado como organización política eso no quiere decir que el marxismo haya fracasado como corriente de pensamiento y de acción social.

Paradójicamente, donde más vivo está hoy en día el marxismo es en las universidades norteamericanas, donde, de una forma o de otra, se lo usa como uno de los más recurrentes instrumentos de análisis de la realidad. De esa realidad que no quieren ver los realistas neandertales. Y no se puede decir que estos centros viven en las nubes porque, aún medido según los valores tradicionales de los “pragmáticos hombres de negocios”, son estas universidades a través de sus diferentes rubros los centros económicos que directa e indirectamente dejan al país astronómicas ganancias económicas, sin contar cada uno de los inventos, sistemas e instrumentos contemporáneos que se usan en los rincones más remotos del planeta, para bien y para mal.

Dejando de lado este detalle, bastaría con situarse en el siglo XVIII o en el XIX para darse cuenta que eso que llaman “marxismo” no ha fracasado sino todo lo contrario. (Claro que el marxismo inspiró barbaridades. Pero los bárbaros y genocidas se inspiran de cualquier cosa. Si no pregúntenle a cualquier religión si en su historia no tienen toneladas de perseguidos, torturados y masacrados en nombre de Dios y la Moral.) Sin la herencia del marxismo, el pensamiento actual, aún el antimarxista, se encontraría desnudo y perdido en el mundo del siglo XXI. Y no sólo le pensamiento. Una buena parte de los logros y del reconocimiento de las igualdades de los oprimidos -de la humanidad oprimida- fueron acelerados por esta corriente radical, desde las exitosas luchas sociales en el siglo XIX por los derechos de los obreros, por el combate de la esclavitud en América y la de campesinos en las venenosas factorías de la Revolución Industrial en Europa, por los derechos igualitarios de la mujer hasta la rebelión de los pueblos colonizados en el siglo XX. Todas revisiones y reivindicaciones que se continuaron con éxito relativo y siempre precario en el siglo XXI hasta olvidar que en su momento fueron combatidas como propias del Demonio o de subversivos resentidos, no pocas veces condenados por esa “voz del pueblo” hecha por el sermón a medida del interés de una minoría en el poder.

Algunos intelectuales de derecha han publicado que todos esos progresos humanistas se lograron gracias al “buen corazón” de los hombres y mujeres de fe religiosa. No obstante, sus iglesias e instituciones no sólo estuvieron históricamente allí, condenando estas luchas de liberación como “corrupciones inmorales del progreso”, justificando represiones y matanzas durante los tiempos de barbarie sino que además sus esferas de acción casi siempre tenían sus centros en el poder mismo, no para criticarlo sino para legitimarlo. Lo cual no es una condición natural de ninguna iglesia en particular, sino una de esas plagas que transmiten los humanos en cualquier otra esfera social, tal como lo revelan los pocos Evangelios que nos quedaron.

Por otro lado, el rechazo epidérmico a la tradición del pensamiento marxista tampoco se debe únicamente a un aparente ateísmo, ya que los Teólogos de la liberación demostraron que se puede creer en Dios, ser cristiano y al mismo tiempo suscribir con coherencia un pensamiento marxista o, al menos, progresista de la historia. De hecho podemos entender el cristianismo primitivo como un humanismo radical, opuesto a las estructuras jerárquicas y políticas del cristianismo posterior, surgido bajo la bendición y a la medida política del emperador Constantino.

Hasta ese momento, el cristianismo nacido de un subversivo condenado a muerte, llevaba tres siglos de derrotas y persecución por parte del Imperio. Pero también tres de sus mejores siglos, antes del espectacular éxito político del año 313.

Lincoln University of Pennsylvania, mayo de 2008



Jorge Majfud
Escritor uruguayo
http://majfud.50megs.com/
majfud@gmail.com



quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mito e ciência: a confluência turva do esclarecimento



por PAULO DENISAR FRAGA

Professor do Departamento de Filosofia e Psicologia da Unijuí, RS. Mestre em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, SP

http://www.espacoacademico.com.br/072/72fraga.htm

“Do mesmo modo que os mitos já levam a cabo o esclarecimento, assim também o esclarecimento fica cada vez mais enredado, a cada passo que dá, na mitologia. Todo conteúdo, ele o recebe dos mitos, para destruí-los, e ao julgá-los, ele cai na órbita do mito”.

(ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 26)

Prometheus - Elsie Russel Há sessenta anos, Theodor Adorno e Max Horkheimer escreviam em sua Dialética do esclarecimento, obra que no pós-guerra revolucionou a compreensão da modernidade: “De bom grado o censor positivista deixa passar o culto oficial, do mesmo modo que a arte, como um domínio particular da atividade social nada tendo a ver com o conhecimento; mas a negação que se apresenta ela própria com a pretensão de ser conhecimento, jamais” (1997: 37).

De fato, a modernidade capturada pelo positivismo nos excessos da luta do empirismo contra a metafísica, foi um dos alvos preferidos desses autores. Com a sua lei do desenvolvimento dos três estágios da humanidade (teológico ou fictício, metafísico ou abstrato e científico ou positivo), o positivismo consagrou as idéias da incompatibilidade entre eles e da fragmentação hierarquizada dos saberes, determinada pela imposição unilateral do último sobre os demais. A passagem acima denota a recusa de Adorno e Horkheimer a uma tal esquemática, deduzida da crença na supremacia civilizadora da racionalidade técnico-científica.

Com essa pista de leitura, este texto destaca um dos aspectos da Dialética do esclarecimento – o entrelaçamento entre mito e razão esclarecida –, cuja análise crítica, embora originalmente não restrita a isso, constitui-se, no fundo, num desmentido cortante não só dos resultados sociais da hegemonia positivista (o que em geral se chama de progresso), como igualmente dos seus pressupostos (que presumem a independência do estatuto da razão instrumental frente às formas anteriores que ela planeja suplantar).

De começo, convém observar que o conceito de esclarecimento (Aufklarüng) de Adorno e Horkheimer não se refere a uma época específica, nem mesmo ao século XVIII, conhecido como Século das Luzes ou da Ilustração. De natureza transepocal,

o termo é usado para designar o processo de “desencantamento do mundo”, pelo qual as pessoas se libertam do medo de uma natureza desconhecida, à qual atribuem poderes ocultos para explicar seu desamparo em face dela. Por isso mesmo, o esclarecimento de que falam não é, como o iluminismo, ou a ilustração, um movimento filosófico ou uma época histórica determinados, mas o processo pelo qual, ao longo da história, os homens se libertam das potências míticas da natureza, ou seja, o processo de racionalização que segue na filosofia e na ciência (ALMEIDA. In: ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 7-8).

Esta definição é indispensável para a compreensão das duas teses basilares da obra, segundo as quais “o mito já é esclarecimento e o esclarecimento acaba por reverter à mitologia” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 15).

A afirmação de que “o mito já é esclarecimento” significa que desde cedo a práxis ritual mítica dos sacerdotes logrou as divindades da natureza a que recorria: “Todas as ações sacrificiais humanas, executadas segundo um plano, logram o deus ao qual são dirigidas: elas o subordinam ao primado dos fins humanos, dissolvem seu poderio, e o logro de que ele é objeto se prolonga sem ruptura no logro que os sacerdotes incrédulos praticam sobre a comunidade crédula”. De maneira que “A astúcia tem origem no culto” (Ibid.: 58) – afirmação significativa para evidenciar que o mito já é esclarecimento, uma vez que, como mostra o excurso “Ulisses ou mito e esclarecimento”, a astúcia é o componente central da ação ulissiana em sua empreitada contra as potências míticas, constituindo-se numa característica típica da atitude esclarecida.

Mythos significa palavra, ou aquilo que se narra por meio do que se conta (ou se diz). Visavam não só explicar para o homem nascente e temeroso a dinâmica da lógica natural, como guardavam já o intuito de dominá-la concretamente. De tal modo que “o mito queria relatar, denominar, dizer a origem, mas também expor, fixar, explicar. Com o registro e a coleção dos mitos, essa tendência reforçou-se. Muito cedo deixaram de ser um relato para se tornar uma doutrina”. Isso porque “todo ritual inclui uma representação dos acontecimentos bem como do processo a ser influenciado pela magia. Esse elemento teórico do ritual tornou-se autônomo nas primeiras epopéias dos povos”. Assim, numa referência que inclui a perspectiva de Homero, Adorno e Horkheimer dizem que “os mitos, como os encontraram os poetas trágicos, já se encontram sob o signo daquela disciplina e poder que Bacon enaltece como o objetivo a se alcançar” (Ibid.: 23 – grifos PDF).

Essas condições permitem explicar, na dialética própria do esclarecimento, a tese segundo a qual “os mitos que caem vítimas do esclarecimento já eram o produto do próprio esclarecimento” (Id.). Entrementes, se ambos acham-se entrelaçados, são necessárias relações que expliquem a sua imbricadura.

Mito e esclarecimento têm em comum já a sua motivação de origem, qual seja, o fato do homem, enquanto um ser carente e finito, precisar defrontar-se com o que lhe traz à face o elemento da dissolução, isto é, da mortalidade. Comparando tal característica mútua, Olgária Matos escreveu que “tanto a mitologia quanto o Iluminismo filosófico (dos séculos XVII e XVIII) e científico encontram suas raízes nas mesmas necessidades básicas: sobrevivência, autoconservação e medo” (1987: 141).

No entanto, se mitologia e ciência moderna brotam da mesma razão de ser, guardam, na sua semelhança, diferenças procedimentais. Enquanto na magia o sacerdote, pela aproximação mimética, comunica-se com as forças naturais no intuito de influir em sua direção e apaziguar sua potência, a ciência moderna visa a identidade, a subsunção da natureza na subjetividade, cujo controle exige um distanciamento conceitual abstrativo. Tal “como a ciência, a magia visa fins, mas ela os persegue pela mimese, não pelo distanciamento progressivo em relação ao objeto” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 25).

Se a ciência opera pelo distanciamento abstrato, enquanto a magia recorre ao procedimento imitativo, isso se deve em grande medida a um pressuposto gnosio-epistêmico distinto, qual seja, a diferença que a linguagem racional guarda em relação à linguagem mágica.“O xamã esconjura o perigo com a imagem do perigo. A igualdade é o seu instrumento” (Ibid.: 30). No xamã, a palavra é dotada de propriedades fantásticas devido a que inexiste a cisão entre signo e imagem. Pela semelhança possibilitada em tal unidade, a palavra (ou o gesto imagético) com que o feiticeiro se comunica com as divindades da natureza adquire o poder fantástico de influenciar o curso dos acontecimentos naturais.

A propósito, “a doutrina dos sacerdotes era simbólica no sentido de que nela coincidiam o signo e a imagem. Como atestam os hieróglifos, a palavra exerceu originariamente também a função da imagem. Esta função passou para os mitos” (Id.). Trata-se, por isso, de uma relação onde ainda não predomina a intenção doadora de sentido do sujeito cognoscente, mas sim o parentesco do nome com a coisa (Cf. Ibid.: 25). Já no caso da ciência, tal contigüidade está desfeita, pois “é enquanto signo que a palavra chega à ciência. [...]. Enquanto signo, a linguagem deve resignar-se ao cálculo; para conhecer a natureza deve renunciar à pretensão de ser semelhante a ela. Enquanto imagem, deve resignar-se à cópia; para ser totalmente natureza, deve renunciar à pretensão de conhecê-la” (Ibid.: 31).

No mundo mágico o homem ainda se considera uma parte da natureza. E, como tal, ele a acessa pela semelhança da imagem. No mundo da ciência, onde o cógito se converteu, desde Descartes, no reduto de todos os critérios da certeza e da veracidade do conhecimento, o homem se fecha gnosiologicamente no eu penso, no seu ego. Afastando-se da natureza, ele precisa criar um mundo referencial para si, pois as coisas do mundo, agora apartadas dele, só se lhe tornam acessíveis através da manipulação técnico-teórica. O mito se converte em esclarecimento, enquanto a natureza em objetividade, onde “o preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder” (Ibid.: 24) – ou seja, da natureza.

Contudo, naquela substituição inicial, que subtraía o homem ao sacrifício, Adorno e Horkheimer já vêem o elemento de uma lógica discursiva em formação. Na prova que Deus fez a Abraão, onde, após pedir seu filho unigênito em sacrifício, ordena sua substituição por um carneiro (Cf. A BÍBLIA, Gn. 22, 1969: 26-27), já está presente o gênero da indiferença para com o exemplar.

Porém, a especificidade da substituição mágica ainda é insuficiente para se pôr à altura da intervenção universal da ciência, onde a “substituibilidade específica” dos rituais mágicos é finalmente superada pela “fungibilidade universal” da técnica científica. Fluidificando e suprimindo as distinções que ainda coabitavam ao tempo da magia, chega-se à rigidez da unicidade da matéria, onde a qualidade e a diversidade dos entes são recalcadas pela única relação reconhecida como legítima – a do império do sujeito doador de sentido frente a um mundo que em si mesmo já não tem sentido nenhum. Aqui, com efeito, a relação torna-se a da intenção, não mais a do parentesco.

Destarte, dizem os autores, “um átomo é desintegrado, não em substituição, mas como um espécime da matéria, e a cobaia atravessa, não em substituição, mas desconhecida como um simples exemplar, a paixão do laboratório” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 25). O termo paixão pode ser associado aqui à paixão de Cristo, de quem, vale lembrar, a tradição tornou canônico dizer que morreu na cruz para salvar a humanidade. Mutatis mutandis, é o mesmo que faz a ciência com a cobaia, cujo sacrifício universal encontra o seu silêncio inominável sob a pesada noção de que ele se efetua para o benefício do homem.

O anonimato da cobaia diz do progressivo afastamento metodológico que a ciência patrocina entre sujeito e objeto, pois este foi o seu pressuposto: “Para substituir as práticas localizadas do curandeiro pela técnica industrial universal foi preciso, primeiro, que os pensamentos se tornassem autônomos em face dos objetos, como ocorre no ego ajustado à realidade” (Ibid.: 25).

Mas o estatuto desse distanciamento diz mais ainda: diz da frieza calculadora com que a ciência lida com o mundo ao mesmo tempo em que o reduz ao modelo-padrão vertical com que opera essa lida. “De antemão, o esclarecimento só reconhece como ser e acontecer o que se deixa captar pela unidade. Seu ideal é o sistema do qual se pode deduzir toda e qualquer coisa” (Ibid.: 22). Não por acaso, Adorno e Horkheimer o chamam de totalitário.

Como que reeditando, numa versão perversa, uma espécie de navalha de Ockham, o esclarecimento resolveu, a seu modo, simplificar os entes: “A multiplicidade das figuras se reduz à posição e à ordem, a história ao fato, as coisas à matéria” (Id.). O que, em outras palavras, tem o mesmo significado do que Adorno escreveu em Mínima moralia: “O que não está reificado, nem pode ser contado nem medido, deixa de existir” (1992: 39).

Mas, para tanto, “a matéria deve ser dominada sem o recurso ilusório a forças soberanas ou imanentes, sem a ilusão de qualidades ocultas” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 21). Eis o aprendizado que vai fazer da lógica a senhora da ciência, movimento bem sublinhado por Max Horkheimer: “O mérito do positivismo consiste em ter transportado a luta do Iluminismo contra as mitologias para dentro do campo sagrado da lógica tradicional” (1976: 97).

Como se vê, ao cabo desse processo a ciência pretende radicalizar o seu afastamento dos mitos. Inclusive, para livrar-se deles, converte-os em alvos privilegiados de sua artilharia pesada. Entretanto, ainda que a ciência se apóie no progressivo distanciamento prático em relação ao objeto, uma vez que tende a subsumi-lo no princípio da identidade teórica, o seu critério de verificação, contraprova de sua eficácia, continua sendo a repetição. E é justo nisso que ela guarda o seu parentesco inextrincável com a mitologia.

Se os sacerdotes podiam confiar-se na eficácia da palavra/imagem enquanto operacionalidade mimética sobre a materialidade da natureza, é porque a noção de uma tal aproximação era tirada da apreensão do próprio movimento natural que, tomado como cíclico, permitia a interferência humana mediada pela comunicação mágica. Ou seja, a eficácia do procedimento simbólico dos sacerdotes repousa na repetição.

Ora, a ciência recorre ao que Adorno e Horkheimer chamam de “princípio da imanência”, isto é, “a explicação de todo acontecimento enquanto repetição” (1997: 26). Segundo eles, é com a noção da repetição que o esclarecimento quer inquirir a eficácia dos mitos. Afinal, grosso modo, científico é aquilo que pode ser comprovado sob as mesmas condições em diferentes espaços e temporalidades. É aquilo que não se dá aqui ou ali, sob as sombras do oculto e misterioso, mas algo que pode ser examinado pela experiência empírica e que, portanto, no fim das contas, adquire a qualidade de universal pelo mérito de ter-se comprovado pela repetição.

É, pois, sobre a figura da repetição que o formalismo científico apresenta seu critério procedimental, assim como o mito que esconjurava o medo da morte em cada novo evento com os mesmos recursos usados para algo ocorrido no passado. Mas o alcance da idéia da legitimidade pela repetição não se resume a um aspecto epistemológico isolado, neutral. É algo que vai se desdobrar também como repetição na vida social, ou seja, como conservadorismo contra as formas de negação do existente, de tal modo que, “na imparcialidade da linguagem científica, o impotente perdeu inteiramente a força para se exprimir, e só o existente encontra aí o seu signo neutro” (Ibid.: 35). A força da frase reitera um dos traços distintivos da Teoria Crítica: a recusa cabal ao hiato analítico entre conhecimento e sociabilidade.

Às costas do que prognosticava o mais tranqüilo cálculo positivista, a formalização do conhecimento não atinge só o objeto, incluindo o sujeito que, esquecendo-se de que também é um objeto, por tal afetação, torna-se igualmente passivo, ou seja, regride à qualidade que define o objeto. É o que Adorno observou na Introdução à controvérsia sobre o positivismo na sociologia alemã: “A subjetividade extirpou em si tudo que não é conforme a univocidade e identidade de sua pretensão de dominação; a si mesma, que em verdade também é objeto, não se reduziu menos do que os objetos” (1975: 230).

Refletindo sobre a concepção de conhecimento, Adorno e Horkheimer deixam claro que o suposto distanciamento abstrativo da ciência moderna, não passa de uma queda bruta na imediatidade, onde a figura da repetição mítica renasce no conhecimento como tautologia, quando o pensamento, esvaziado de suas mediações críticas, concede ao “factual a última palavra”. É nisso que ironicamente consiste o “triunfo da racionalidade objetiva, a submissão de todo ente ao formalismo lógico” (1997: 39).

Entretanto, se a filosofia de Adorno critica a tutela do sujeito sobre o objeto, nem por isso rende-se à simplificação inversa de oferecer uma supremacia unilateral ao objeto. É o que expressa a seguinte passagem da Dialética negativa: “o pensamento crítico resiste a procurar no objeto o trono vazio do sujeito; sentado nele, o objeto não seria mais que um ídolo. Do que se trata é de eliminar a hierarquia” (ADORNO, 1992: 183).

Nisto, eles dizem que se a “a equação do espírito e do mundo acaba por se resolver”, ela se dá, contudo, “apenas com a mútua redução de seus dois lados”. Pois “na redução do pensamento a uma aparelhagem matemática está implícita a ratificação do mundo como sua própria medida” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 38). Ou seja, pensamento e mundo se identificam. Não no compromisso reflexivo, mas na cumplicidade acrítica da imediatez – que bane o contraditório na sociedade como um excesso que corrói, pelo elemento da “mistura”, o critério seguro da exatidão das análises.

Ao distanciamento epistemológico do esclarecimento faltou um distanciamento (auto)crítico-reflexivo. A fatalidade acrítica do real, o irrevogável destino, a vitória do mesmo no final, enfim, todas as formas teóricas e sociais da repetição realizam a regressão do esclarecimento ao mito:

Quanto mais a maquinaria do pensamento subjuga o que existe, tanto mais cegamente ela se contenta com essa reprodução. Desse modo, o esclarecimento regride à mitologia da qual jamais soube escapar. Pois, em suas figuras, a mitologia refletira a essência da ordem existente – o processo cíclico, o destino, a dominação do mundo – como a verdade e abdicara da esperança (1997: 39).

Como sintetiza Rodrigo Duarte, ao banir o pensamento crítico e a esperança transformadora, “a racionalidade que aprendeu a se empobrecer, a se coisificar, a fim de se tornar instrumento de domínio da natureza, não consegue mais encontrar seu caminho de volta a si, e a inconsciência, outrora característica apenas da natureza, toma de assalto o âmbito da cultura”. A suprema racionalidade positiva converte-se em uma inerte e “perversa ‘naturalização’ do pensamento na sua obsessiva restrição a uma logicidade meramente analítica” (DUARTE, 1997: 49-50).

No esclarecimento a natureza é profanada de sua aura sagrada mitológica. O inanimado que o mito animava em seus rituais é novamente inanimado nos laboratórios da razão esclarecida. Mas, para inanimar tudo, o sujeito esclarecedor precisa operar ele mesmo de forma inanimada, porquanto acrítica. Esse seu método, contudo, o encarcera, não lhe permitindo escapar ileso. Assim, ele mesmo, sujeito animado, termina por identificar-se ao que é inanimado, pois a pretensa neutralidade da lógica frente às coisas faz o conhecimento regredir até a imediatidade, isto é, à lógica da própria coisa.

Doravante, se “a pura imanência do positivismo”, essa tendência de submeter tudo sob o controle da repetição, que aparece como “seu derradeiro produto”, na verdade “nada mais é que um tabu, por assim dizer universal”, cuja proibição maior é de que “nada mais pode ficar de fora, porque a simples idéia do ‘fora’ é a verdadeira fonte de angústia”, e se o esclarecimento pode ser definido como a “radicalização da angústia mítica” (ADORNO e HORKHEIMER, 1997: 29), é porque aquilo que está no esclarecimento é o que já estava de há muito nos mitos, ou seja, uma implacável lei de dominação do existente. E se o que residia nos mitos é radicalizado no esclarecimento, é porque o progresso deste outra coisa não é senão uma recaída na mitologia – “a maldição do progresso irrefreável é a irrefreável regressão” (Ibid.: 46).

No decurso desse evolver de raízes imemoriais, muito longe da pretensão auto-suficiente de poder liquidar tudo em que se possa expiar um resquício mítico, o esclarecimento acha-se ele mesmo enredado nos mitos. Sem mais poder renunciar à busca da luz, Prometeu continua amarrado no seu rochedo. Com ele vive, em ferida aberta, o dilema da ciência moderna: a dialética da autoconservação e do sacrifício, uma vez que a dominação da natureza externa pressupõe a da natureza interna.

A atualidade da vingança da natureza, e a barbárie que espreita a humanidade, são um dueto turvo do retorno do recalcado, cuja tragédia faz ver que há muito mais entre o céu e a terra do que supõe a vã filosofia positivista. Questionando o cientificismo, Adorno e Horkheimer fornecem uma teoria que abre espaço para saberes outros. Não por acaso, no fim da sua vida, Adorno apostou na mimese criativa da arte como um espaço em que ainda sobrevivia a utopia da reconciliação do homem com a natureza.

por PAULO DENISAR FRAGA

terça-feira, 27 de maio de 2008

Homenaje a Manuel Marulanda




Traducido para Cubadebate, Rebelión y Tlaxcala por Manuel Talens.
Dibujo de José Mercader.


Marulanda visto por José MercaderPedro Antonio Marín, más conocido como Manuel Marulanda Vélez y “Tirofijo”, era el líder máximo de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC). Fue, sin duda alguna, el campesino revolucionario más grande de la historia del continente americano. Durante sesenta años organizó movimientos campesinos y comunidades rurales y, cuando todas las vías democráticas legales se le cerraron de forma brutal, creó el ejército guerrillero más poderoso de América Latina y las milicias clandestinas que lo sustentaban. En su época de mayor apogeo, entre 1999 y 2005, las FARC contaban con casi 20.000 combatientes, varios cientos de miles de campesinos activistas y cientos de unidades de milicias comunales y urbanas. Incluso hoy, a pesar del desplazamiento forzoso de tres millones de campesinos como resultado de las políticas de tierra quemada y las masacres del gobierno, las FARC tienen entre 10.000 y 15.000 guerrilleros en sus numerosos frentes distribuidos por todo el país.

Lo que hace tan importantes los logros de Marulanda son sus habilidades organizativas, su agudeza estratégica y sus intransigentes posiciones programáticas, basadas en el apoyo a las exigencias populares. Más que cualquier otro líder guerrillero, Marulanda, tenía una compenetración sin par con los pobres de las zonas campesinas, los sin tierra, los cultivadores indigentes y los refugiados rurales durante tres generaciones.

Tras empezar en 1964 con dos docenas de campesinos que habían huido de pueblos devastados por una ofensiva militar dirigida por USA, Marulanda construyó metódicamente un ejército guerrillero revolucionario sin contribuciones económicas o materiales extranjeras. Más que cualquier otro líder guerrillero, Marulanda fue un gran maestro político rural. Las extraordinarias dotes organizativas de Marulanda se fueron refinando a través de su íntima vinculación con el campesinado. Como había crecido en una familia de campesinos pobres, vivió entre ellos cultivando y organizándolos: hablaba su mismo lenguaje, se ocupaba de sus necesidades diarias más básicas y de sus esperanzas de futuro. De manera conceptual, pero también a través de la experiencia cotidiana, Marulanda realizó una serie de operaciones políticas y militares estratégicas basadas en su brillante conocimiento del terreno geográfico y humano. Desde 1964 hasta su muerte, Marulanda derrotó o eludió al menos siete importantes ofensivas militares financiadas con más de siete mil millones de dólares de ayuda militar usamericana, que incluía miles de “boinas verdes”, cuerpos especiales, mercenarios, más de 250.000 militares colombianos y 35.000 paramilitares integrados en escuadrones de la muerte.

A diferencia de Cuba o Nicarangua, Marulanda construyó una base masiva organizada y entrenó una dirigencia en gran parte rural; declaró abiertamente su programa socialista y nunca recibió apoyo político o material de los denominados “capitalistas progresistas”. A diferencia de los corruptos y codiciosos gánsteres de Batista y Somoza, que saqueaban y se retiraban bajo presión, el ejército de Colombia era un formidable aparato represor, altamente entrenado y disciplinado, reforzado además por homicidas escuadrones de la muerte. A diferencia de otros muchos famosos guerrilleros “de afiche”, Marulanda fue un auténtico desconocido entre los elegantes editores izquierdistas de Londres, los nostálgicos sesentaiochistas parisinos y los socialistas eruditos de Nueva York. Marulanda pasó su tiempo exclusivamente en la “Colombia profunda”; prefería conversar y enseñar a los campesinos y enterarse de sus quejas a conceder entrevistas a periodistas occidentales ávidos de aventura. En lugar de escribir manifiestos grandilocuentes y adoptar poses fotogénicas prefería la pedagogía popular de los desheredados, estable y poco romántica pero sumamente eficaz. Marulanda viajó desde valles prácticamente inaccesibles a cordilleras, desde selvas a llanuras, siempre organizando, luchando... reclutando y entrenando a nuevos líderes. Evitó presentarse en los “foros de debate del mundo” o seguir la ruta de los turistas izquierdistas internacionales. Nunca visitó una capital extranjera y cuentan que jamás puso los pies en Bogotá, la capital de la nación. Pero tenía un amplio y profundo conocimiento de las exigencias de los afrocolombianos costeños; de los indiocolombianos de las montañas y la selva; de las ansias de tierra de millones de campesinos desplazados; de los nombres y direcciones de los terratenientes maltratadores que brutalizaban y violaban a los campesinos y a sus familiares.

Durante las décadas de los sesenta, los setenta y los ochenta, numerosos movimientos guerrilleros se levantaron en armas, lucharon con mayor o menor capacidad y, luego, desaparecieron asesinados, derrotados (algunos incluso se convirtieron en colaboradores) o se integraron en los partos y repartos electorales. Poco numerosos, luchaban en nombre de inexistentes “ejércitos populares”; la mayoría eran intelectuales, más familiarizados con los discursos europeos que con la microhistoria, la cultura popular y las leyendas de los pueblos a los que trataban de organizar. Fueron aislados, rodeados y arrasados; dejaron quizá una herencia bien publicitada de sacrificio ejemplar, pero no cambiaron nada sobre el terreno.

Por el contrario, Marulanda encajó los mejores golpes de los presidentes contrainsurgentes de Washington y Bogotá y se los devolvió al cien por cien. Por cada pueblo arrasado, Marulanda reclutó a docenas de campesinos luchadores, enfurecidos y desamparados, y los entrenó con suma paciencia para que fuesen cuadros y comandantes. Más que cualquier ejército guerrillero, las FARC llegaron a ser un ejército de todo el pueblo: un tercio de los comandantes eran mujeres, más del setenta por ciento eran campesinos, si bien se les asociaron intelectuales y profesionales, que fueron entrenados por cuadros del movimiento. Marulanda fue un hombre venerado por su estilo de vida excepcionalmente sencillo: compartió la lluvia torrencial bajo cubiertas de plástico. Millones de campesinos lo respetaban profundamente, pero nunca practicó el culto a la personalidad: era demasiado irreverente y modesto, prefería delegar las tareas importantes a una dirigencia colectiva, con mucha autonomía regional y flexibilidad táctica. Aceptó un amplio abanico de opiniones sobre tácticas, incluso si discrepaba profundamente de ellas. A principios de los ochenta, muchos cuadros y líderes decidieron probar la vía electoral, firmaron un “acuerdo de paz” con el presidente colombiano, crearon un partido –la Unión Patriótica– e hicieron elegir a numerosos alcaldes y diputados. Incluso obtuvieron cuantiosos votos en las elecciones presidenciales. Marulanda no se opuso públicamente al acuerdo, pero no abandonó las armas ni “bajó desde las montañas a la ciudad”. Mucho más lúcido que los profesionales y los sindicalistas que se postulaban en las elecciones, Marulanda comprendía al carácter extremadamente autoritario y brutal de la oligarquía y sus políticos. Sabía que los gobernantes de Colombia no aceptarían nunca una reforma agraria justa sólo porque unos “pocos campesinos analfabetos los derrotasen en las urnas”. En 1987, más de 5.000 miembros de la Unión Patriótica habían sido asesinados por los escuadrones de la muerte de la oligarquía, entre ellos tres candidatos a la presidencia, una docena de congresistas y mujeres y alcaldes y concejales. Los supervivientes huyeron a la selva y se reincorporaron a la lucha armada o se marcharon al exilio.

Marulanda era un maestro a la hora de romper los cercos y evitar las campañas de aniquilación, sobre todo las que diseñaron los mejores y más brillantes estrategas del centro de contrainsurgencia de los Cuerpos Especiales del US Fort Bragg y de la Escuela de las Américas. A finales de los noventa, las FARC habían ampliado su control a más de la mitad del país y bloqueaban autopistas y atacaban bases militares situadas a sólo 65 kilómetros de la capital. Muy debilitado, el entonces presidente Pastrana terminó por aceptar negociaciones serias de paz, en las que las FARC exigieron una zona desmilitarizada y un programa que incluía cambios estructurales básicos en el Estado, la economía y la sociedad.

A diferencia de las guerrillas centroamericanas, que cambiaron las armas por cargos electorales, antes de deponer las suyas Marulanda insistió en la redistribución de la tierra, en el desmantelamiento de los escuadrones de la muerte y en la destitución de los generales colombianos implicados en las masacres, en una economía mixta basada en buena medida en la nacionalización de los sectores económicos estratégicos y en la financiación a gran escala de los campesinos para el desarrollo de cosechas alternativas a la coca.

En Washington, el presidente Clinton asistía histérico a aquel espectáculo y se opuso a las negociaciones de paz, en especial al programa de reformas, así como a los debates públicos abiertos y a los foros de debate organizados por las FARC en la zona desmilitarizada, a los que asistía numerosa la sociedad civil colombiana. La aceptación por parte de Marulanda del debate democrático, la desmilitarización y los cambios estructurales desenmascara la mentira de los socialdemócratas occidentales y latinoamericanos y de los universitarios de centroizquierda, que lo acusaron de “militarista”. Washington trató de repetir el proceso de paz centroamericano engatusando a los jefes de FARC con la promesa de cargos electorales y privilegios a cambio de que vendiesen a los campesinos y a los colombianos pobres. Al mismo tiempo Clinton, con el apoyo de los dos partidos del Congreso, hizo aprobar un proyecto de ley de apropiación de dos mil millones de dólares para financiar el mayor y más sangriento programa de contrainsurgencia desde la guerra de Indochina, denominado “Plan Colombia”. El presidente Pastrana dio por terminado de forma abrupta el proceso de paz y envió soldados a la zona desmilitarizada para que capturasen a la cúpula de las FARC, pero cuando éstos llegaron, Marulanda y sus compañeros ya se habían ido de allí.

Desde el 2002 hasta ahora, las FARC han alternado los ataques ofensivos y las retiradas defensivas, en especial desde finales de 2006. Con una financiación sin precedentes y un apoyo tecnológico ultramoderno de USA, el nuevo presidente Álvaro Uribe –socio de narcotraficantes y organizador de escuadrones de la muerte– adoptó una política de tierra quemada para ensañarse con el campo colombiano. Entre su elección en 2002 y su reelección en 2006, más de 15.000 campesinos, sindicalistas, trabajadores de derechos humanos, periodistas y otros críticos fueron asesinados. Regiones enteras del campo fueron vaciadas: de la misma manera que en la Operación Phoenix usamericana en Vietnam, se contaminó la tierra de cultivo con herbicidas tóxicos. Más de 250.000 soldados y sus compinches paramilitares de los escuadrones de la muerte diezmaron amplias zonas del campo colombiano controladas por las FARC. Helicópteros proporcionados por Washington bombardearon la selva en misiones de búsqueda y destrucción (que no tenían nada que ver con la producción de coca o con el envío de cocaína a USA). Al destruir toda la oposición popular y las organizaciones campesinas y al desplazar a millones de colombianos, Uribe logró empujar a las FARC hacia regiones más remotas. Al igual que había hecho en el pasado, Marulanda asumió una estrategia de retirada táctica defensiva, abandonando territorio para proteger la capacidad de lucha de los guerrilleros en el futuro.

A diferencia de otros movimientos guerrilleros, las FARC no recibieron ningún apoyo material del exterior: Fidel Castro repudió públicamente la lucha armada y buscó lazos diplomáticos y comerciales con gobiernos de centroizquierda e incluso mejores relaciones con el brutal Uribe. Después de 2001, la Casa Blanca de Bush etiquetó a las FARC de “organización terrorista”, presionando a Ecuador y Venezuela para que restringiesen los movimientos fronterizos de las FARC en busca de abastecimientos. El “centroderecha” de Colombia se dividió entre los que prestaban un “apoyo crítico” a la guerra total de Uribe contra las FARC y los que protestaban infructuosamente contra la represión.

Es difícil imaginar que un movimiento guerrillero pueda sobrevivir frente a una financiación tan masiva de la contrainsurgencia, un cuarto de millón de soldados armados por el imperio, millones de desplazados de sus tierras y un presidente psicópata vinculado directamente con una cadena de 35.000 miembros de escuadrones de la muerte. Sin embargo, sereno y resuelto, Marulanda dirigió la retirada táctica; la idea de negociar una capitulación nunca se le pasó por la mente, ni a él ni a la cúpula de las FARC.

Las FARC no tienen frontera contigua con un país que lo apoye, como Vietnam la tenía con China; tampoco goza, como Vietnam, del suministro de armas de la URSS ni del apoyo masivo internacional de los grupos occidentales de solidaridad, como los sadinistas. Vivimos en una época en la que apoyar a los movimientos campesinos de liberación nacional no está “de moda”; en la que reconocer que el genio de líderes campesinos revolucionarios que construyen y mantienen la auténtica masa de los ejércitos populares es tabú en los pretenciosos, locuaces e impotentes Foros Sociales Mundiales, cuyo “mundo” excluye regularmente a los campesinos militantes y para los que “social” significa el constante intercambio de mensajes electrónicos entre fundaciones financiadas por ONG.

Es en este ambiente tan poco prometedor frente a las pírricas victorias de los presidentes de USA y Colombia donde podemos apreciar el genio político y la integridad personal de Manuel Marulanda, el más grande campesino revolucionario de América Latina. Su muerte no generará afiches o camisetas para estudiantes universitarios de clase media, pero vivirá eternamente en los corazones y las mentes de millones de campesinos de Colombia. Se le recordará siempre como “Tirofijo”, un ser de leyenda al que mataron una docena de veces y, a pesar de ello, regresó a los pueblos para compartir con los campesinos sus vidas sencillas. Tirofijo fue el único líder que era realmente “uno de ellos”, que durante medio siglo se enfrentó al aparato militar y mercenario yanqui y nunca fue capturado o derrotado.

Los desafió a todos en sus mansiones, sus palacios presidenciales, sus bases militares, sus cámaras de tortura y sus burguesas salas de redacción. Murió de muerte natural, después de sesenta años de lucha, en los brazos de sus queridos compañeros campesinos.

¡Tirofijo, presente!

El sociólogo James Petras nació en Boston el 17 de enero de 1937, de padres griegos, originarios de la isla de Lesbos. Ha publicado más de sesenta libros de economía política y, en el terreno de la ficción, cuatro colecciones de cuentos.

El escritor y traductor español Manuel Talens es miembro de Cubadebate , Rebelión y Tlaxcala , la red de traductores por la diversidad lingüística. En mayo de 2008 ha aparecido su libro de ensayos Cuba en el corazón.

Esta traducción se puede reproducir libremente a condición de respetar su integridad y mencionar al autor, al traductor y la fuente.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
  • Fenomenologia do Espírito. Autor:. Georg Wilhelm Friedrich Hegel
  • Fidel Castro: biografia a duas vozes - Ignacio Ramonet
  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
  • Hegemonias e Emancipações no século XXI - Emir Sader Ana Esther Ceceña Jaime Caycedo Jaime Estay Berenice Ramírez Armando Bartra Raúl Ornelas José María Gómez Edgardo Lande
  • HISTÓRIA COMO HISTÓRIA DA LIBERDADE - Benedetto Croce
  • Individualismo e Cultura - Gilberto Velho
  • Lênin e a Revolução, por Jean Salem
  • O Anti-Édipo — Capitalismo e Esquizofrenia Gilles Deleuze Félix Guattari
  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
  • O Marxismo de Che e o Socialismo no Século XXI - Carlos Tablada
  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira