terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O socialismo e o homem em Cuba

Socialismo
Ernesto “Che” Guevara

Che
Caro companheiro: acabo estas notas em viagem por África animado pelo desejo de cumprir, embora tarde, a minha promessa. Gostava de fazê-lo tratando o tema do título. Acho que pode ser interessante para os leitores uruguaios.

É comum ouvir da boca dos porta-vozes dos capitalistas, como um argumento na luta ideológica contra o socialismo, a afirmação de que este sistema social, ou o período de construção do socialismo ao que estamos nós expostos, caracteriza-se pela abolição do indivíduo em troca do Estado. Não pretenderei refutar esta afirmação sobre uma base meramente teórica, senão que estabelecer os fatos tal qual se vivem em Cuba e agregar comentários de índole geral.

Primeiro bosquejarei a grandes rasgos a história da nossa luta revolucionária antes e depois da tomada do poder.


Como já se sabe a data precisa na que se iniciaram as ações revolucionárias que culminariam no primeiro de janeiro de 1959 foi o 26 de Julho de 1953. Um grupo de homens dirigidos por Fidel Castro atacou na madrugada desse dia o Quartel "Moncada", na província de Oriente. O ataque foi um fracasso, o fracasso transformou-se em desastre e os sobreviventes foram parar na prisão, para reiniciar, após serem anistiados, a luta revolucionária.


Durante esse processo, no qual só existiam germes do socialismo, o homem era um fator fundamental. Confiava-se nele, individualizado, específico, com nome e sobrenome, e da sua capacidade de ação dependia o triunfo ou o fracasso do fato encomendado.


Chegou a etapa da luta guerrilheira. Esta desenvolveu-se em dois ambientes diferentes: o povo, massa ainda adormecida a quem havia que mobilizar, e a sua vanguarda, a guerrilha, motor impulsionador da mobilização, gerador de consciência revolucionária e de entusiasmo combativo. Foi esta vanguarda o agente catalisador, o que criou as condições subjetivas necessárias para a vitória. Também nela, no quadro do processo de proletarização do nosso pensamento, da revolução que se operava nos nossos hábitos, nas nossas mentes, o individuo foi um fator fundamental. Cada um dos combatentes da Sierra Maestra que atingira algum grau superior nas forças revolucionárias tem uma história de fatos notáveis no seu haver.


Em base a estes lograva os seus graus.


Foi a primeira época, heróica, na qual se disputavam por lograr um cargo de maior responsabilidade, de maior perigo, sem outra satisfação que o cumprimento do dever. No nosso trabalho de educação revolucionária, voltamos amiúde sobre este tema lecionador. Na atitude dos nossos combatentes vislumbrava-se o homem do futuro.


Noutras oportunidades da nossa história repetiu-se o fato da entrega total à causa revolucionária. Durante a crise de Outubro ou nos dias do ciclone "Flora" vimos atos de valor e sacrifício excepcionais realizados por todo um povo. Encontrar a fórmula para perpetuar na vida quotidiana essa atitude heróica é uma das nossas tarefas fundamentais do ponto de vista ideológico.


Em janeiro de 1959 estabeleceu-se o governo revolucionário com a participação de vários membros da burguesia entreguista. A presença do Exército Rebelde constituía a garantia de poder, como fator fundamental de força.


Produziram-se imediatamente contradições sérias, resolvidas em primeira instância, em fevereiro de 59, quando Fidel Castro assumiu a chefia do governo com o cargo de primeiro-ministro. Culminava o processo em julho desse mesmo ano, ao renunciar o presidente Urrutia perante a pressão das massas.


Aparecia na história da Revolução Cubana, agora com características nítidas, uma personagem que se repetirá sistematicamente: a massa.


Esse ente multifacetado não é, como se pretende, a soma de elementos da mesma categoria (reduzidos à mesma categoria, ademais, pelo sistema imposto), que atua como um manso rebanho. É verdade que segue sem vacilar os seus dirigentes, fundamentalmente Fidel Castro, mas o grau no que ele ganhou essa confiança responde precisamente à interpretação exata dos desejos do povo, das suas aspirações, e à luta sincera pelo cumprimento das promessas feitas.


A massa participou na Reforma Agrária e no difícil empenho da administração das empresas estatais; passou pela experiência heróica de Praia Girón; forjou-se nas lutas contra os distintos bandos de bandidos armados pela CIA; viveu uma das definições mais importantes dos tempos modernos na crise de Outubro e segue hoje trabalhando na construção do socialismo.


Vistas as coisas desde um ponto de vista superficial, podia parecer que têm razão aqueles que falam da subordinação do individuo ao Estado; a massa realiza com entusiasmo e disciplina sem iguais as tarefas que o governo fixa, já sejam de índole econômica, cultural, de defesa, desportiva, etc. A iniciativa parte em geral de Fidel ou do alto comando da revolução e é explicada ao povo que a toma como sua. Outras vezes, experiências locais são tomadas pelo partido e o governo para fazê-las gerais, seguindo o mesmo procedimento.


Porém o Estado erra às vezes. Quando se produz um desses equívocos, nota-se uma diminuição do entusiasmo coletivo por efeitos de uma diminuição qualitativa de cada um dos elementos que a conformam, e o trabalho paralisa-se até ficar reduzido a magnitudes insignificantes; é o instante de retificar.


Assim sucedeu em março de 1962 perante a política sectária imposta ao partido por Aníbal Escajante.


É evidente que o mecanismo não basta para assegurar uma sucessão de medidas sensatas e que falta uma conexão mais estruturada com a massa. Devemos melhorá-lo durante o curso dos próximos anos, mas, no caso das iniciativas surgidas nos estratos superiores do governo, utilizamos por agora o método quase intuitivo de auscultar as reações gerais frente aos problemas formulados.


Mestre nisto é Fidel, cujo particular modo de integração com o povo só se pode apreciar vendo-o atuar. Nas grandes concentrações públicas observa-se algo assim como o diálogo de dois diapasões cujas vibrações provocam outras novas no interlocutor. Fidel e a massa começam a vibrar num diálogo de intensidade crescente até atingir o clímax num final abrupto, coroado pelo nosso grito de luta e de vitória.


O difícil de entender para quem não viva a experiência da revolução é essa estreita unidade dialética existente entre o indivíduo e a massa, onde ambos se inter-relacionam e, à sua vez, a massa, como conjunto de indivíduos, inter-relaciona-se com os dirigentes.


No capitalismo podem ver-se alguns fenômenos deste tipo quando aparecem políticos capazes de lograr a mobilização popular, mas se não se tratar dum autêntico movimento social, em cujo caso não é plenamente lícito falar de capitalismo, o movimento viverá o que a vida de quem o impulsione ou até o fim das ilusões populares, imposto pelo rigor da sociedade capitalista. Nesta, o homem está dirigido por um frio ordenamento que, habilmente, escapa ao domínio da sua compreensão. O exemplar humano, alienado, tem um invisível cordão umbilical que o liga à sociedade no seu conjunto: a lei do valor. Ela age em todos os aspectos da sua vida, vai modelando o seu caminho e o seu destino.


As leis do capitalismo, invisíveis para o comum das gentes e cegas, atuam sobre o indivíduo sem que este se percate. Só vê a amplidão de um horizonte que aparece infinito. Assim o apresenta a propaganda capitalista que pretende extrair do caso Rockefeller - verídico ou não - uma lição sobre as possibilidades de êxito. A miséria que é necessário acumular para que surja um exemplo assim e a soma de ruindades que leva a uma fortuna dessa magnitude, não aparecem no quadro e nem sempre é possível às forças populares clarificar estes conceitos. (Caberia aqui a desquisição sobre como nos países imperialistas os operários vão perdendo o seu espírito internacional de classe sob a influência de uma certa cumplicidade na exploração dos países dependentes e como este fato, ao mesmo tempo, lima o espírito de luta das massas no próprio país, mas esse é um tema que sai da intenção destas notas).


De todo modo, mostra-se o caminho com obstáculos que, aparentemente, um indivíduo com as qualidades necessárias pode superar para chegar à meta. O prêmio observa-se ao longe; o caminho é solitário. Ademais, é uma corrida de lobos: só se pode chegar sobre o fracasso de outros.


Tentarei, agora, definir o indivíduo, ator desse estranho e apaixonante drama que é a construção do socialismo, na sua dupla existência de ser único e membro da comunidade.


Acho que o mais simples é reconhecer a sua qualidade de não feito, de produto não acabado. As taras do passado transladam-se ao presente na consciência individual e há que fazer um trabalho contínuo para erradicá-las.


O processo é duplo, por um lado age a sociedade com a sua educação direta e indireta, por outro, o indivíduo submete-se a um processo consciente de auto-educação.


A nova sociedade em formação tem que competir muito duramente com o passado. Isto faz-se sentir não só na consciência individual, na que pesam os resíduos de uma educação sistematicamente orientada ao isolamento do indivíduo, senão que também pelo caráter mesmo deste período de transição, com persistência das relações mercantis. A mercadoria é a célula econômica da sociedade capitalista; enquanto exista, os seus efeitos far-se-ão sentir na organização da produção e, por conseguinte, na consciência.


No esquema de Marx concebia-se o período de transição como resultado da transformação explosiva do sistema capitalista desfeito pelas suas contradições; na realidade posterior viu-se como se separavam da árvore imperialista alguns países que constituem as ramagens mais fracas, fenômeno previsto por Lenine. Nestes, o capitalismo desenvolveu-se o suficiente como para fazer sentir os seus efeitos de um modo ou outro sobre o povo, mas não são as suas próprias contradições as que, esgotadas todas as possibilidades, fazem saltar o sistema. A luta de libertação contra um opressor externo, a miséria provocada por acidentes estranhos, como a guerra, cujas conseqüências fazem recair as classes privilegiadas sobre os explorados, os movimentos de libertação destinados a derrocar regimes neocoloniais, são os fatores habituais do desencadeamento. A ação consciente faz o resto.


Nestes países não se produziu ainda uma educação completa para o trabalho social e a riqueza dista de estar ao alcance das massas mediante o simples processo de apropriação. O subdesenvolvimento por um lado e a habitual fuga de capitais face aos países "civilizados" por outro, fazem impossível uma mudança rápida e sem sacrifícios. Resta um grande tramo a percorrer na construção da base econômica e a tentação de seguir os caminhos trilhados de interesse material, como alavanca impulsionadora dum desenvolvimento acelerado, é muito grande.


Corre-se o perigo de que as árvores impeçam de ver o bosque. Perseguindo a quimera de realizar o socialismo com a ajuda das armas deterioradas que nos legara o capitalismo (a mercadoria como célula econômica, a rentabilidade, o interesse material individual como alavanca, etc), pode-se chegar a um beco sem saída. E chega-se lá após percorrer uma longa distância na que os caminhos se cruzam muitas vezes e onde é difícil perceber o momento no que se equivocou a rota. Entretanto, a base econômica adaptada tem feito o seu trabalho de sapa sobre o desenvolvimento da consciência. Para construir o comunismo, simultaneamente com a base material há que se fazer o homem novo.


Daí a importância de eleger corretamente o instrumento de mobilização das massas. Esse instrumento deve ser de índole moral, fundamentalmente, sem esquecer uma correta utilização do estímulo material, sobre tudo de natureza social.


Como já afirmei, nos momentos de perigo extremo é fácil potenciar os estímulos morais; para manter a sua vigência, é necessário o desenvolvimento de uma consciência em que os valores adquiram categorias novas. A sociedade no seu conjunto deve converter-se em uma gigantesca escola.


As grandes linhas do fenômeno som similares ao processo de formação da consciência capitalista na sua primeira época. O capitalismo recorre à força, mas, também, educa a gente no sistema. A propaganda direta realiza-se pelos encarregados de explicar a inelutabilidade de um regime de classe, já seja de origem divina ou por imposição da natureza como ente mecânico. Isto aplaca as massas que se vem oprimidas por um mal contra o qual não é possível a luta.


A continuação vem a esperança, e nisto diferencia-se dos anteriores regimes de casta que não davam saída possível.


Para alguns continuará vigente ainda a fórmula da casta: o prêmio aos obedientes consiste na chegada, após a morte, a outros mundos maravilhosos onde os bons são premiados, com o que se segue a velha tradição. Para outros, a inovação: a separação em classes é fatal, mas os indivíduos podem sair daquela à que pertencem mediante o trabalho, a iniciativa, etc. Este processo, e o de autodeterminação para o triunfo, devem ser profundamente hipócritas; é a demonstração interessada de que uma mentira é verdade.


No nosso caso, a educação direta adquire uma importância muito maior. A explicação é convincente porque é verdadeira; não precisa de subterfúgios: Exerce-se mediante o aparelho educativo do Estado em função da cultura geral, técnica e ideológica, por meio de organismos tais como o Ministério de Educação e o aparelho de divulgação do partido. A educação prende nas massas e a nova atitude preconizada tende a converter-se em hábito; a massa a vai fazendo sua e pressiona quem ainda não se educou. Esta é a forma indireta de educar as massas, tão poderosa como aquela outra.


Mas o processo é consciente; o indivíduo recebe continuamente o impacto do novo poder social e percebe que não está completamente adequado a ele. Sob a influência da pressão que supõe a educação indireta, trata de acomodar-se a uma situação que sente justa e cuja própria falta de desenvolvimento impediu-lhe fazê-lo até agora. Auto-educa-se.


Neste período de construção do socialismo podemos ver o homem novo que vai nascendo. A sua imagem não está ainda acabada; não o podia estar nunca já que o processo marcha paralelo ao desenvolvimento de formas econômicas novas. Descontando aqueles cuja falta de educação os faz tender ao caminho solitário, à auto-satisfação das suas ambições, há os que ainda dentro deste novo panorama de marcha conjunta têm tendência a caminhar isolados da massa que acompanham. O importante é que os homens adquiram cada dia mais consciência da necessidade da sua incorporação à sociedade e, ao mesmo tempo, da sua importância como motores da mesma.


Já não marcham completamente sós, por caminhos estreitos, extraviados, face a longínquos anseios. Seguem a sua vanguarda, constituída pelo partido, pelos operários avançados, pelos homens avançados que caminham ligados às massas e em estreita comunhão com elas. As vanguardas têm a sua vista posta no futuro e na sua recompensa, mas esta não se enxerga ao longe como algo individual; o prêmio é a nova sociedade onde os homens terão características diferentes: a sociedade do homem comunista.


O caminho é longo e está cheio de dificuldades. Às vezes por extraviar a rota, há que retroceder; outras, por caminhar com excessiva pressa, separamo-nos das massas; em algumas ocasiões, por fazê-lo lentamente, sentimos o alento próximo dos que nos pisam os calcanhares. Na nossa ambição de revolucionários, tratamos de caminhar tão depressa como seja possível, abrindo caminhos, mas sabemos que temos que nutrir-nos da massa e que esta só poderá avançar mais rápido se a alentarmos com o nosso exemplo.


Apesar da importância dada aos estímulos morais, o fato de que exista a divisão em dois grupos principais (excluindo, claro está, a fração minoritária dos que não participam, por uma razão ou por outra, na construção do socialismo), indica a relativa falta de desenvolvimento da consciência social. O grupo de vanguarda é ideologicamente mais avançado que a massa; esta conhece os valores novos, mas insuficientemente. Enquanto nos primeiros produz-se uma mudança qualitativa, os segundos só vem a meias e devem ser submetidos a estímulos e pressões de certa intensidade; é a ditadura do proletariado exercendo-se não só sobre a classe derrotada, senão que também, individualmente, sobre a classe vencedora.


Tudo isto entranha, para o seu êxito total, a necessidade de uma série de mecanismos, as instituições revolucionárias. Na imagem das multidões avançando face ao futuro, encaixa o conceito de institucionalização como o de um conjunto harmônico de canais, degraus, represas, aparelhos bem azeitados que permitam essa marcha, que permitam a seleção natural dos destinados a caminhar na vanguarda e que adjudiquem o prêmio e o castigo aos que cumprem ou atentam contra a sociedade em construção.


Esta institucionalidade da revolução ainda não se logrou. Procuramos algo novo que permita a perfeita identificação entre o governo e a comunidade no seu conjunto, ajustada às condições peculiares da construção do socialismo e fugindo ao máximo dos lugares comuns da democracia burguesa transplantados à sociedade em formação (como as câmaras legislativas, por exemplo). Têm-se feito algumas experiências dedicadas a criar paulatinamente a institucionalização da revolução, mas sem excessiva pressa. O maior freio que tivemos tem sido o medo a que qualquer aspecto formal nos separe das massas e do indivíduo, nos faça perder de vista a última e mais importante ambição revolucionária que é ver o homem libertado da sua alienação.


Apesar da carência de instituições, o que deve superar-se gradualmente, agora as massas fazem a história como o conjunto consciente de indivíduos que lutam por uma mesma causa. O homem, no socialismo, apesar da sua aparente estandarização, é mais completo; apesar da falta de mecanismo perfeito para isso, a sua possibilidade de se exprimir e fazer-se sentir no aparelho social é infinitamente maior.


Ainda é preciso acentuar a sua participação consciente, individual e coletiva, em todos os mecanismos de direção e de produção e ligá-la à idéia da necessidade da educação técnica e ideológica, de maneira que sinta como estes processos são estreitamente interdependentes e os seus avanços são paralelos. Assim logrará a total consciência do seu ser social, o que equivale à sua realização plena como criatura humana, partidas as cadeias da alienação.


Isto traduzir-se-á concretamente na reapropriação da sua natureza mediante o trabalho libertado e da expressão da sua própria condição humana por meio da cultura e da arte.


Para que se desenvolva na primeira, o trabalho deve adquirir uma condição nova; a mercadoria homem cessa de existir e instala-se um sistema que outorga uma cota pelo cumprimento do dever social. Os meios de produção pertencem à sociedade e a máquina é só a trincheira onde se cumpre o dever. O homem começa a libertar o seu pensamento do fato desagradável que supunha a necessidade de satisfazer as suas necessidades animais mediante o trabalho. Começa a se ver retratado na sua obra e a compreender a sua magnitude humana mediante o objeto criado, do trabalho realizado. Isto já não entranha deixar uma parte do seu ser em forma de força de trabalho vendida, que não lhe pertence mais, senão que significa uma emanação de si próprio, um achegamento à vida comum na que se reflete; o cumprimento do seu dever social.


Fazemos todo o possível para dar-lhe ao trabalho esta nova categoria de dever social e uni-lo ao desenvolvimento da técnica, por um lado, o que dará condições para uma maior liberdade, e ao trabalho voluntário por outro, baseados na apreciação marxista de que o homem realmente atinge a sua plena condição humana quando produz sem a compulsão da necessidade física de vender-se como mercadoria.


Claro que ainda há aspectos coativos no trabalho, ainda quando seja voluntário; o homem não tem transformado toda a coerção que o rodeia no reflexo condicionado de natureza social e ainda produz, em muitos casos, sob a pressão do meio (compulsão moral, chama-a Fidel). Ainda lhe falta atingir a completa recriação espiritual perante a sua própria obra, sem a pressão direta do meio social, mas ligado a ele pelos novos hábitos. Isto será o comunismo.


A mudança não se produz automaticamente na consciência, como tampouco se produz na economia. As variações são lentas e não são rítmicas; há períodos de aceleração, outros pausados e inclusive de retrocesso.


Devemos considerar, ademais, como apontávamos antes, que não estamos frente ao período de transição puro, tal como o vira Marx na Crítica do Programa de Gotha, senão em uma nova fase não prevista por ele; primeiro período de transição do comunismo ou da construção do socialismo.


Este transcorre em meio de violentas lutas de classe e com elementos de capitalismo no seu seio que obscurecem a compreensão exata da sua essência.


Se a isto agregarmos o escolasticismo que tem freado o desenvolvimento da filosofia marxista e impedido o tratamento sistemático do período, cuja economia política não se tem desenvolvido, devemos convir em que ainda estamos em fraldas e é preciso dedicar-se a investigar todas as características primordiais do mesmo antes de elaborar uma teoria econômica e política de maior alcance.


A teoria que resultar dará indefectivelmente preeminência aos dois alicerces da construção: a formação do homem novo e o desenvolvimento da técnica. Em ambos aspectos falta-nos muito por fazer, mas é menos excusável o atraso enquanto à concepção da técnica como base fundamental, já que aqui não se trata de avançar às apalpadelas, senão que de seguir durante um bom tramo no caminho aberto pelos países mais adiantados do mundo. Por isso Fidel insiste com tanta insistência sobre a necessidade da formação tecnológica e científica de todo o nosso povo e, ainda mais, da sua vanguarda.


No campo das idéias que conduzem a atividades não produtivas, é mais fácil ver a divisão entre necessidade material e espiritual. Desde há muito tempo o homem trata de libertar-se da alienação mediante a cultura e a arte. Morre diariamente as oito ou mais horas em que age como mercadoria para ressuscitar na sua criação espiritual. Mas este remédio porta os germes da própria doença: é um ser solitário o que procura comunhão com a natureza. Defende a sua individualidade oprimida pelo meio e reage perante as idéias estéticas como um ser único cuja aspiração é permanecer imaculado.


Trata-se só de uma tentativa de fuga. A lei do valor não é já um mero reflexo das relações de produção; os capitalistas monopolistas rodeiam-na de um complicado andaime que a converte em uma serva dócil, embora os métodos que empregam sejam puramente empíricos. A superestrutura impõe um tipo de arte no qual há que educar os artistas. Os rebeldes são dominados pela maquinaria e só os talentos excepcionais poderão criar a sua própria obra. Os restantes devem ser assalariados envergonhados ou são triturados.


Inventa-se a investigação artística à que se dá como definidora da liberdade, mas esta "investigação" tem os seus limites, imperceptíveis até o momento de chocar com eles, vale dizer, de formular-se os reais problemas do homem e a sua alienação. A angústia sem sentido ou o passatempo vulgar constituem válvulas cômodas à inquietação humana; combate-se a idéia de fazer da arte uma arma de denúncia.


Respeitando as leis do jogo conseguem-se todas as honras; as que poderia ter um macaco inventando cabriolas. A condição é não tratar de fugir da gaiola invisível.


Quando a revolução tomou o poder produziu-se o êxodo dos domesticados totais; o resto, revolucionários ou não, viram um caminho novo. A investigação artística cobrou novo impulso. Não obstante, as rotas estavam mais ou menos traçadas e o sentido do conceito fuga escondeu-se atrás da palavra liberdade. Nos próprios revolucionários manteve-se muitas vezes essa atitude, reflexo do idealismo burguês na consciência.


Nos países que passaram por um processo similar pretendeu-se combater as tendências com um dogmatismo exagerado. A cultura geral converteu-se quase num tabu e proclamou-se o summum da aspiração cultural uma representação formalmente exata da natureza, convertendo-se esta, logo, em uma representação mecânica da realidade social que se queria fazer ver; a sociedade ideal, quase sem conflitos nem contradições, que se procurava criar.


O socialismo é jovem e tem erros. Os revolucionários carecemos, muitas vezes, dos conhecimentos e da audácia intelectual necessárias para arrostar a tarefa do desenvolvimento de um homem novo por métodos diferentes aos convencionais, e os métodos convencionais sofrem da influência da sociedade que os criou. (Outra vez formula-se o tema da relação entre forma e conteúdo). A desorientação é grande e os problemas da construção material absorvem-nos. Não há artistas de grande autoridade que, por sua vez, tenham grande autoridade revolucionária.


Os homens do partido devem tomar essa tarefa entre as mãos e procurar o logro do objetivo principal: educar o povo.


Procura-se então a simplificação, o que entende todo o mundo, que é o que entendem os funcionários. Anula-se a autêntica investigação artística e reduz-se o problema da cultura geral a uma apropriação do presente socialista e do passado morto (portanto, não perigoso). Assim nasce o realismo socialista sobre as bases da arte do século passado.


Mas a arte socialista do século XIX também é de classe, mais puramente capitalista, quiçá, que esta arte decadente do século XX, onde se faz transparente a angústia do homem alienado. O capitalismo em cultura deu tudo de si e não fica dele senão o anúncio de um cadáver fedorento; na arte, a sua decadência de hoje. Mas, porque pretender procurar nas formas congeladas do realismo socialista a única receita válida?. Não se pode opor ao realismo socialista "a liiberdade", porque esta ainda não existe, não existirá até o completo desenvolvimento da nova sociedade; mas que não se pretendam condenar todas as formas de arte posteriores à primeira metade do século XIX desde o trono pontifício do realismo a ultrança, pois cair-se-ia num erro proudhoniano de retorno ao passado, pondo-lhe camisas-de-força à expressão artística do homem que nasce e se constrói hoje.


Falta o desenvolvimento dum mecanismo ideológico-cultural que permita a investigação e roce a má erva, tão facilmente multiplicável no terreno abonado do subsídio estatal.


No nosso país, o erro do mecanicismo realista não se deu, mas sim outro de signo contrário. E tem sido por não compreender a necessidade da criação do homem novo, que não seja o que representa as idéias do século XIX, mas tampouco as do nosso século decadente e morboso. O homem do século XIX é o que devemos criar, embora seja uma aspiração subjetiva e não sistematizada. Precisamente este é um dos pontos fundamentais do nosso estudo e do nosso trabalho, e na medida em que atingirmos êxitos concretos sobre uma base teórica ou, vice-versa, poderemos extrair conclusões teóricas de caráter amplo sobre a base da nossa investigação concreta, teremos feito um achegamento valioso ao marxismo-leninismo, à causa da humanidade.


A reação contra o homem do século XIX tem trazido a reincidência na decadência do século XX; não é um erro demasiado grave, mas devemos superá-lo, sob pena de abrir um largo canal ao revisionismo.


As grandes multidões vão-se desenvolvendo, as novas idéias vão atingindo adequado ímpeto no seio da sociedade, as possibilidades materiais de desenvolvimento integral de absolutamente todos os seus membros fazem muito mais frutífero o labor. O presente é de luta; o futuro é nosso.


Resumindo, a culpabilidade de muitos dos nossos intelectuais e artistas reside no seu pecado original; não são autenticamente revolucionários. Podemos tentar enxertar o negrilho para que dê peras; mas simultaneamente há que sementar pereiras. As novas gerações virão livres de pecado original. As probabilidades de que surjam artistas excepcionais serão tanto maiores quanto mais se tenha alargado o campo da cultura e a possibilidade de expressão. A nossa tarefa consiste em impedir que a geração atual, deslocada pelos seus conflitos, se perverta e perverta as novas. Não devemos criar assalariados dóceis ao pensamento oficial nem "bolseiros" que vivam do amparo do orçamento, exercendo uma liberdade entre aspas. Já virão os revolucionários que entoem o canto do homem novo com a autêntica voz do povo. É um processo que requer tempo.


Na nossa sociedade, jogam um grande papel a mocidade e o partido. Particularmente importante é a primeira por ser a argila maleável com a que se pode construir o homem novo sem nenhuma das taras anteriores. Recebe um trato acorde com as nossas ambições. A sua educação é cada vez mais completa e não esquecemos a sua integração ao trabalho desde os primeiros instantes. Os nossos bolsistas fazem trabalho físico nas suas férias ou simultaneamente com o estudo. O trabalho é um prêmio em certos casos, um instrumento de educação em outros, jamais um castigo. Uma nova geração nasce.


O partido é uma organização de vanguarda. Os melhores trabalhadores são propostos pelos seus companheiros para integrá-lo. Este é minoritário mas de grande autoridade pela qualidade dos seus quadros. A nossa aspiração é que o partido seja de massas, mas quando as massas tenham atingido o nível de desenvolvimento da vanguarda, é dizer, quando estejam educadas para o comunismo. E a essa educação vai encaminhado o trabalho.


O partido é o exemplo vivo; os seus quadros devem ditar cátedra de trabalho e sacrifício, devem levar, com a sua ação, as massas ao fim da tarefa revolucionária, o que entranha anos de dura luta contra as dificuldades da construção, dos inimigos de classe, as lacras do passado, o imperialismo ...


Quisera exprimir agora o papel que joga a personalidade, o homem como indivíduo dirigente das massas que fazem a História. É a nossa experiência, não uma receita.


Fidel deu à revolução o impulso nos primeiros anos, a direção, a tônica sempre, mas há um bom grupo de revolucionários que se desenvolvem no mesmo sentido que o dirigente máximo e uma grande massa que segue os seus dirigentes porque têm fé neles; e têm fé, porque eles souberam interpretar os seus anseios.


Não se trata de quantos quilogramas de carne se come ou de quantas vezes por ano pode ir alguém passear na praia, nem de quantas belezas que vêem do exterior podem comprar-se com os salários atuais. Trata-se, precisamente, de que o indivíduo se sinta mais pleno, com muito mais riqueza interior e com muito mais responsabilidade. O indivíduo do nosso país sabe que a época gloriosa que lhe toca viver é de sacrifício; conhece o sacrifício.


Os primeiros conheceram-no em Sierra Maestra e onde quer que se lutou; depois conhecemo-lo em toda Cuba. Cuba é a vanguarda de América e deve fazer sacrifícios porque ocupa o lugar de avançada, porque indica às massas de América Latina o caminho da liberdade plena.


Dentro do país, os dirigentes têm que cumprir o seu papel de vanguarda; e, há que dizê-lo com toda a sinceridade, em uma revolução verdadeira, à que se lhe dá tudo, da qual não se espera nenhuma retribuição material, a tarefa de revolucionário de vanguarda é à vez magnífica e angustiosa.


Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente; este deve unir a um espírito apaixonado uma mente fria e tomar decisões sem que se contraia um músculo. Os nossos revolucionários de vanguarda têm que idealizar esse amor aos povos, às causas mais sagradas e fazê-lo único, indivisível. Não podem descer com a sua pequena dose de carinho quotidiano em face aos lugares onde o homem comum o exercita.


Os dirigentes da revolução têm filhos que nos seus primeiros balbuciamentos aprendem a nomear o pai; mulheres que devem ser parte do sacrifício geral da sua vida para levar a revolução ao seu destino; o quadro dos amigos resposta estritamente ao quadro dos companheiros de revolução. Não há vida fora dela.


Nessas condições, há que ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e da verdade para não cairmos em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, no isolamento das massas. Todos os dias há que lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo, de mobilização.


O revolucionário, motor ideológico da revolução dentro do seu partido, consume-se nessa atividade ininterrupta que não tem mais fim do que a morte, a menos que a construção se atinja a escala mundial. Se o seu afã de revolucionário se embota quando as tarefas mais apremiantes se vêm realizadas a escala local e se esquece o internacionalismo proletário, a revolução que dirige deixa de ser uma força impulsionadora e some-se em uma cômoda modorra, aproveitada pelos nossos inimigos irreconciliáveis, o imperialismo, que ganha terreno. O internacionalismo proletário é um dever mas também é uma necessidade revolucionária. Assim educamos o nosso povo.


Claro que há perigos presentes nas atuais circunstâncias. Não só o do dogmatismo, não só o de congelar as relações com as massas no meio da grande tarefa; também existe o perigo das debilidades nas que se possa cair. Se um homem pensa que, para dedicar a sua vida inteira à revolução, não pode distrair a sua mente pela preocupação de que a um filho lhe falte determinado produto, que os sapatos das crianças estejam esburacados, que a sua família careça de determinado bem necessário, sob este razoamento infiltram-se os germes da futura corrupção.


No nosso caso, mantivemos que os nossos filhos devem ter e carecer do que têm e do que carecem os filhos do homem comum; e a nossa família deve compreendê-lo e lutar por isso. A revolução faz-se através do homem, mas o homem tem que forjar dia a dia o seu espírito revolucionário.


Assim vamos marchando. À cabeça da imensa coluna - não nos envergonha nem nos intimida dizê-lo - vai Fidel, depois os melhores quadros do partido e imediatamente, tão perto que se sente a sua enorme força, vai o povo no seu conjunto; sólida armação de individualidades que caminham face a um fim comum; indivíduos que têm atingido a consciência do que é necessário fazer; homens que lutam por sair do reino da necessidade e entrar no da liberdade.


Essa imensa multidão ordena-se; a sua ordem responde à consciência da necessidade do mesmo; já não é força dispersa, divisível em milheiros de frações disparadas ao espaço como fragmentos de granada, tratando de atingir por qualquer meio, em dura luta com os seus iguais uma posição, algo que permita apoio frente ao futuro incerto.


Sabemos que há sacrifícios diante de nossa rota e que devemos pagar um preço pelo fato heróico de constituir uma vanguarda como nação. Nós, dirigentes, sabemos que temos que pagar um preço por ter direito a dizer que estamos à cabeça do povo que está à cabeça de América.


Todos e cada um de nós paga pontualmente a sua quota de sacrifício, conscientes de receber o prêmio na satisfação do dever cumprido, conscientes de avançar com todos face ao homem novo que se vislumbra no horizonte.


Permita-me tentar umas conclusões:

Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais plenos; somos mais plenos por sermos mais livres.


O esqueleto da nossa liberdade completa está formado, falta a substância proteica e a roupagem; criaremo-las.


A nossa liberdade e o seu sustém quotidiano tem cor de sangue e estão cheios de sacrifício.


O nosso sacrifício é consciente; cota para pagar a liberdade que construímos.


O caminho é longo e desconhecido em parte; conhecemos as nossas limitações. Faremos o homem do século XXI nós mesmos.


Forjar-nos-emos na ação quotidiana, criando um homem novo com uma nova técnica.


A personalidade joga o papel de mobilização e direção em quanto encarna as mais altas virtudes e aspirações do povo e não se separa da rota.


Quem abre o caminho é o grupo de vanguarda, os melhores entre os bons, o partido.


A argila fundamental da nossa obra é a juventude: nela depositamos a nossa esperança e preparamo-la para tomar das nossas mãos a bandeira.


Se esta carta balbuciante aclarar alguma coisa, cumprirá o objetivo com o qual a mando.

Recebe a nossa saudação ritual, como um aperto de mãos ou uma "Ave Maria Puríssima": Pátria ou morte.


[Texto dirigido a Carlos Quijano e publicado no semanário Marcha, Montevidéu, março de 1965]


Ernesto “Che” Guevara (1928-1967), médico argentino, conheceu Raúl Castro, em 1954 no México, que o apresentou a Fidel Castro, tendo sido um dos comandantes do foco guerrilheiro da Sierra Maestra que germinou de 1956 a 1959 a Revolução Cubana.


[Com a vitória da Revolução em Cuba, Che tornou-se cidadão cubano em 1959. Torna-se uma das mais importantes lideranças do novo governo cubano. Foi Presidente do Banco Nacional de Cuba e Ministro da Indústria. Fiel à sua palavra de ordem "Criar um, dois, três, muitos Vietnam" deixou todos os cargos que exercia em Cuba e vai para a África ajudar à guerrilha do Congo e logo depois segue para a Bolívia onde tenta implantar um foco de guerrilha rural. Intensamente perseguido pelo exército boliviano comandado por norte-americanos, é preso em 8 de outubro de 1967 e, no dia seguinte, foi assassinado com 9 tiros. Em 1997, seus restos mortais foram localizados e transferidos para Cuba, onde foi enterrado na cidade de Santa Clara, palco de importante batalha que ele comandou contra a ditadura de Fulgencio Batista.]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A VITÓRIA DE CHÁVEZ – A QUESTÃO EQUATORIANA – SANTA CATARINA - A MÍDIA DA MENTIRA


, por Laerte Braga


A primeira notícia na segunda-feira, dia 24, divulgando os resultados das eleições na Venezuela, BOM DIA BRASIL, vendeu as “dificuldades para as intenções de Chávez permanecer no poder até 2012” . O presidente da Venezuela cumpre um mandato em que foi eleito por maioria absoluta de votos e que termina em 2012. Logo, que dificuldades?

O mandato é legítimo e as eleições de domingo 23 de novembro atestam a característica democrática da revolução bolivariana de Hugo Chávez.

O JORNAL DA BANDEIRANTES divulgou durante toda a semana notícias sobre fraudes com urnas eletrônicas em várias partes do Brasil. A vulnerabilidade do sistema já havia sido denunciada por especialistas, assim que o processo foi implantado. Todos defendiam a adoção do voto impresso além do voto eletrônico, como garantia para o eleitor.

Em agosto de 2002, logo após o golpe frustrado para derrubar Chávez, no referendo sobre seu mandato, o presidente aceitou a presença de observadores internacionais, dentre eles o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e adotou o voto impresso. Essa decisão deixou furiosa a oposição. Estava desmontada a fraude e Chávez venceu com tranqüilidade. Carter fez declarações públicas sobre a legitimidade da manifestação popular através do voto de apoio ao governo.

No Brasil, o então presidente do stf, ministro nelson jobim, hoje no Ministério da Defesa do governo Lula, orientou o senador eduardo azeredo, a impedir a vontade de alguns parlamentares de adotar o voto impresso na urna eletrônica. jobim garantiu o sistema e azeredo apresentou projeto para matar a idéia desse recurso, voto impresso. Segundo ambos o sistema era garantido.

Em todas as eleições desde a adoção do voto eletrônico as fraudes têm crescido e tem mostrado a vulnerabilidade do mesmo. Os especialistas no assunto garantem ser possível eleger qualquer candidato dentro de um esquema de fraudes. azeredo e jobim são políticos minúsculos no modelo político e econômico vigente, representam interesses dos donos do País.

O PSUV (PARTIDO SOCIALISTA UNIDO VENEZUELANO) ganhou 17 dos 23 governos estaduais em disputa, 264 prefeituras contra 65 dos partidos de oposição reunidos e a maioria dos legisladores municipais. Toda a oposição reunida teve quatro milhões duzentos e oitenta mil votos, contra quatro milhões quinhentos e trinta mil votos nas eleições do ano passado, ou seja, menos 250 mil votos.

Os demais jornais da GLOBO e a mídia no geral deram destaque às vitórias da oposição dimensionando-as de maneira a fazer o telespectador, leitor, ouvinte, a acreditar que o chavismo foi derrotado.

O presidente do Equador, Rafael Corrêa, recebeu uma auditoria da dívida externa pública de seu país e constatou a existência de inúmeras irregularidades em contratos com governos, empresas, bancos e agências internacionais de financiamento. Juros extorsivos, obras superfaturadas e realizadas aquém das exigências contratuais, pagamento de propinas, toda a sorte de falcatruas costumeira quando se trata de banqueiros, empresários, latifundiários, governos tucanos, etc.

Convocou a imprensa de seu país, divulgou os relatórios da auditoria, a íntegra do documento e anunciou que recorreria às instâncias internacionais cabíveis para suspensão do pagamento da dívida ilegítima. Empresas brasileiras e espanholas (corredores para o tráfico de financiamentos por bancos e agências internacionais) estão envolvidas. O caso mais claro e público é o da Norberto Odebrecht.

Construiu uma usina hidrelétrica fora dos termos contratados, superfaturou, comprou funcionários públicos equatorianos e os governantes anteriores (os dois anteriores a Corrêa).

Lula trepou nas tamancas, advertiu o Equador que o país estava dando calote, a mídia adotou a expressão calote como corriqueira no noticiário e o embaixador do Brasil em Quito foi chamado a Brasília. Aqui o diplomata explicou que o presidente Corrêa não suspendeu o pagamento, apenas recorreu contra o pagamento em tribunais internacionais e não vai pagar ao demonstrar a corrupção.

O problema do governo brasileiro é que todos esses acordos, a maioria, foram feitos no governo tucano de Fernando Henrique (tucano é sinônimo de corrupção). Ou, no caso de Itaipu, pela ditadura militar brasileira, com outro ditador, Stroessner, no Paraguai.

Se uma corte internacional julga um processo dessa natureza a favor do governo do Equador o Brasil vai se ver na contingência de investigar todos os contratos semelhantes e empresas como a Norberto Odebrecht serão varridas do mapa. Aqui e no exterior. Aqui, a Norberto Odebrecht, além de anunciante da GLOBO, faz parte do consórcio de empresas que constrói o metrô de São Paulo, aquele do buraco que matou algumas pessoas (Segundo José Serra um “acidente rotineiro nesse tipo de obra).

Pior que isso, toda a corrupção tucana que Lula tem escondido não se sabe por que, terá que ser mostrada. Todo o comprometimento da ditadura brasileira com a ditadura paraguaia terá que vir a público. O que Lula menos gosta é confronto. Com tanto equilibrismo ao longo desses seis anos para evitar esses conflitos perdeu forças para enfrentar essa gente e acabou presa de figuras como jobim, como geddel vieira lima, como mangabeira unger, como gilmar mendes e vai por aí afora.

Há no Congresso Nacional um requerimento aprovado de CPI das Empreiteiras. Como outro, de CPI dos Bancos. Mas cadê peito? A maioria esmagadora dos congressistas brasileiros recebe doações de campanha de empreiteiras e bancos. De latifundiários.

O Equador deixar de pagar é o de menos para o Brasil. Mas vir a público as políticas praticadas pelos governos brasileiros com países sul americanos, ou a América Latina de um modo geral, é complicado e rompe um círculo que envolve desde interesses do império norte-americano aos das grandes empresas, bancos e latifúndio, sócios majoritários do Estado brasileiro.

Onde essa gente vai ficar em novas “concorrências”? Como fazer para comprar presidentes corruptos de países amigos/irmãos e tudo terminar em contas multimilionárias em paraísos fiscais?

A decisão do governo do Equador é como aquelas demonstrações com peças de dominó em que derrubam várias a partir de deslocar a primeira. O modelo fica exposto, fica a nu.

As chuvas em Santa Catarina exibem a dimensão real das políticas neoliberais voltadas para a agricultura no estado (no País inteiro). A ocupação urbana desenfreada e predatória posta em prática por empresas e governos ao longo dos anos.

Santa Catarina é um dos mais belos estados brasileiros, com praias maravilhosas, paisagens fantásticas, uma espécie de monumento da natureza à beleza, à paz e a harmonia e que como todo o Brasil está sendo tomado pelos donos. No Ceará, em Fortaleza, uma das mais belas praias da cidade está sendo aterrada (isso mesmo, aterrada) para a construção de um condomínio de luxo.

Resta à mídia exibir o drama de pessoas atingidas pelo descalabro provocado pela inconseqüência dos governantes e das elites. Tentar transferir as responsabilidades para as chuvas exclusivamente sem especificar as razões reais de tantas chuvas e de tanta fragilidade nas cidades e no campo.

Sem analisar as conseqüências das políticas industriais e agrícolas de um modo geral, voltadas para interesses de grupos ou a transformação de cidades como Florianópolis, belíssima, em pardieiros futuros da especulação imobiliária e das elites refugiadas em condomínios de luxo. Só saem de lá, os filhos dessas elites, para agredir e assaltar “vagabundas” como fizeram faz pouco no Rio, em nome da moral, da pátria, da decência, etc, etc, bem como do dinheirinho sagrado para as drogas.

A mídia dramatiza e enfatiza situações de um e outro, mostra o estado de calamidade a que o povo do estado se vê atirado, mas não mostra que o governador do estado, Luís Henrique, está atolado em corrupção até a alma (se é que tem), responde a vários processos, tem o mandato em risco por abuso de poder econômico em campanhas eleitorais e assim, os donos de Santa Catarina. Família Bornhausen inclusive.

O País inteiro vive esse dilema. Mídia mentirosa, vendendo um mundo que não existe, incensando uma solidariedade que é natural ao brasileiro, uma vocação para a fraternidade que está dentro de cada um, mas que, por mais paradoxal que possa parecer, estão sendo, solidariedade e fraternidade, eliminadas na competição desvairada a que o ser humano é atirado em nome da sobrevivência da sociedade do tudo é normal desde que se vença.

O resultado é esse, o modelo é apenas um espetáculo de luzes e câmeras e falas ocas.

As pessoas não percebem que as cheias de Santa Catarina têm várias formas e matizes e estão sendo postas goela abaixo de cada uma, cada um, no mundo globalizado na ótica de dois trilhões de dólares para salvar bancos.

Chávez tem que ser demonizado. Corrêa tem que ser pressionado a trair seu povo e seus princípios. Claro, contrariam essa gente podre e sem escrúpulos que não tem o menor problema com as cheias em Santa Catarina e com toda certeza vai lucrar alguma coisa, como sempre lucra em todas as tragédias desse jaez.

Como não tem jeito de culpar índios ou camponeses sem terra pelas cheias, ou sem teto, ou desempregados, fica fácil atribuir tudo à providência divina.

Os verdadeiros culpados, esses não. São os anunciantes do monte de JORNAL NACONAL que pulula por aí em redes de tevê, em jornais impressos, revistas, rádios, o escambau.

Na mesma segunda-feira, na edição do JORNAL HOJE, o apresentador, logo após a exibição das imagens de devastação em Santa Catarina , disse o seguinte: “é, mas vamos mudar de assunto, vamos mostrar a ousadia das cores dos esmaltes para o verão”. E um mundo de mãos pintadas de amarelo, laranja, vermelho, tudo em matéria paga pelo complexo de beleza imposto em forma de feiúra aos que acreditam no deus mercado e seus santos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ALGUNOS INDICADORES DEL "POPULISMO CHAVISTA"



José Steinsleger La Jornada- México


Chávez: diez victorias y media


Con libérrimas garantías para la oposición (cosa que cualquier observador desprejuiciado calificaría de “insólitas”), el pueblo de Venezuela concurrirá a las urnas el domingo venidero. Esta vez, para elegir gobernadores y alcaldes.

Si los pronósticos aciertan, la revolución bolivariana volverá a imponerse en las urnas. Algunas firmas de encuestas pronostican que el Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) conseguirá 21 de 23 gobernaciones y 329 alcaldías del país (67 por ciento).

Tres comicios presidenciales (1998, 2000, 2006); tres referendos constitucionales (dos en 1999, uno en 2004); dos elecciones parlamentarias (1999, 2005); dos municipales y parroquiales (2000, 2005), y una más, regional (2004). Hugo Chávez sólo perdió el referendo para la reforma constitucional (diciembre de 2007).

Diez años de democracia real, y 11 victorias electorales consecutivas, incluyendo la que perdió por la mínima diferencia. Total y efectivo: diez y media victorias. ¿Qué “misterios” subyacen en el masivo apoyo que reciben Chávez y el gobierno que conduce?

Revisemos algunos indicadores de lo que algunos sabios llaman “metapolítica populista chavista” (periodo 1998-2007, datos oficiales).

• Pobreza extrema: bajó de 20.3 a 9.4 por ciento.

• Pobreza general: de 50.4 a 33.07.

• Brecha riqueza-pobreza: de 28.1 a 18.

• Mortalidad infantil: de 21.4 a 13.9 por cada mil nacidos vivos.

• Desocupación: de 16.06 a 6.3.

• Salario mínimo: de 100 mil bolívares, a 614 mil 790 (154 a 286 dólares –el más alto de América Latina–, sin incluir el “cesta-ticket”, y otros beneficios que reciben 2 millones 58 mil 373 trabajadores y trabajadoras de los sectores público y privado).

• Aumento del poder adquisitivo: 400 por ciento.

• Inflación promedio: gobierno de Jaime Lusinchi (1984-88) 22.7 por ciento; Carlos Andrés Pérez (1989-93) 45.3; Rafael Caldera (1994-98) 59.4; Hugo Chávez (1999-2007) 18.4 por ciento.

• Educación: de 3.38 a 5.43 por ciento (inversión social respecto del PIB).

• Educación prescolar: de 44.7 a 60.6.

• Educación básica: de 89.7 a 99.5

• Educación media y diversificada: de 27.3 a 41.

• Educación superior: de 21.8 a 30.2.

• Alimentación escolar: de 252 mil 284 a un millón 815 mil 977 beneficiarios.

• Acceso a Internet: de 680 mil a 4 millones 142 mil 68 usuarios.

• Salud: de 1.36 a 2.25 por ciento.

• Acceso al agua potable: de 80 a 92 por ciento

• Recolección de aguas servidas: de 62 a 82.

• Situación económica futura del país (“mucho mejor”, “un poco mejor”): 50 por ciento de los consultados por Latinbarómetro respondió “mucho mejor”, en tanto el promedio de los países latinoamericanos dijo “poco mejor” (31 por ciento).

• Situación económica actual (“muy buena”, “más buena”): 52 por ciento de los venezolanos respondieron “muy buena”, en tanto el promedio continental fue “buena” para 21 por ciento.

La encuestadora chilena Latinbarómetro, nada “chavista” por cierto, realizó un par de mediciones en torno al “grado de satisfacción con la democracia”. En 1998, Venezuela figuraba con 35 puntos, por debajo del promedio general. En 2007, la confianza creció a 59 por ciento.

En cuanto a desempeño del Estado y políticas públicas, 67 por ciento de los venezolanos piensan que el Estado puede resolver todos sus problemas, contra un promedio de 38 por ciento que en América Latina piensa igual.

Aprobación o desaprobación de la gestión del gobierno encabezada por Chávez: 61 por ciento respondió a Latinbarómetro positivamente, por debajo de 75 alcanzado en abril de 2002, cuando el fallido golpe de Estado respaldado por Washington y Madrid.

En 2007, la confianza depositada en Chávez fue de 60 por ciento, contra un promedio de 43 puntos respecto de otros gobernantes de América Latina.

Otra encuestadora, la famosa Gallup , preguntó a más de 50 mil personas del mundo: “en lo que a usted concierne, ¿cree que 2008 será mejor o peor que 2007?” Entre 54 países, Venezuela ocupó el quinto lugar: 53 por ciento de optimistas.

Tales son los datos que ocultan la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), el grupo español Prisa, y los medios electrónicos de embrutecimiento colectivo (CNN, Fox, Televisa, Tv Azteca, Venevisión, Tv Globo, Multimedios Clarín, etcétera).

Y ahora, una de tres, vote usted:

a) Chávez es un “Mussolini tropical”, como dijo un escritor viejito, con vuelo propio;

b) Chávez es un “caudillo tele-evangélico”, como dijo un escritor menos viejito, sin vuelo propio;

c) Chávez es un hombre querido y respetado por su pueblo, y está dispuesto a defender las grandes transformaciones habidas en el decenio pasado.

Tercer puente sobre el río Orinoco (Mercosur)

Con una inversión de 3.170.475.589,69 bolívares fuertes, este puente tendrá una longitud de 11.2 kilómetros, (11.200 metros). Su objetivo principal será mejorar el sistema vial nacional.

Cardiológico Infantil Latinoamericano

El Hospital Cardiológico Infantil Latinoamericano “Dr. Gilberto Rodríguez Ochoa”, ubicado en Montalbán, forma parte de una política de atención oportuna para los pacientes con necesidad de cirugía cardiovascular.

Desarrollo Urbanístico “Ciudad Lossada”

Una de las 5 nuevas ciudades satélite. Tendrá un total de 5.104 viviendas de 70 mts2 en 134 hectáreas; contempla un hospital de niños, preescolar, escuela, liceo, universidad, canchas deportivas, parque urbano, plazas y centros comunales.

Setecientos cincuenta y dos apartamentos del desarrollo habitacional

Petrocasas

Metro de Caracas (Nuevas Líneas y el novedosos Metrocable)

Metro de Caracas

Metro de Maracaibo

Metro de Valencia Venezuela

Estacion Monumental, Metro de Valencia, Venezuela

Estacion Monumental, Metro de Valencia, Venezuela

Estação Metro de Valencia Venezuela


Acessem meu fotoblog: http://www.venezuelabolivariana.nafoto.net e vejam belas imagens da Venezuela dos tempos atuais. Jacob David Blinder

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Esta crise exprime os limites históricos do capitalismo


por François Chesnais

Os resultados da sondagem são importantes. À vista do que se passou nos últimos dez dias, a percentagem de respostas que traduzem um desafio para com o capitalismo ou a vontade de dele sair talvez fosse ainda mais elevada. Ali sem dúvida entraram vários elementos: uma grande indignação quanto à facilidade com a qual os governo encontram somas imensas para ajudar os bancos, uma grande preocupação para os próximos meses quanto aos despedimentos que prosseguem e o recomeço de uma reflexão sobre a natureza do capitalismo e a necessidade de não aceitar que este sistema seja "o horizonte inultrapassável da humanidade".

Como responder a isto? Há que começar por esta última dimensão. Toda crise muito grande, e entrámos numa crise desta ordem, exprime "os limites históricos do capitalismo". É aí que os assalariados, cuja maioria não leu Marx, tomam consciência. Os limites estão contidos nas relações sociais de produção fundadas na propriedade privada dos meios de produção e na valorização do capital-dinheiro. Devido a estas relações, o movimento de valorização do capital e da sua reprodução infindável são o motor e a finalidade da produção. No sistema capitalista, recorda Marx, "a produção é uma produção para o capital" e não para a maioria da sociedade, pois "a conservação e a valorização do capital-valor repousam sobre a expropriação e o empobrecimento dos produtores".

A superprodução de mercadorias, enquanto milhões de pessoas estão na pobreza mesmo nos países mais ricos, é uma decorrência deste facto, que ainda se agravou no quadro da liberalização e da mundialização do capital efectuadas desde há quarenta anos. A queda do investimento, bem como a baixa da taxa, mas também da massa dos lucros apesar da super-exploração dos assalariados, vão a par com a insuficiência de poder de compra popular. Foi daí que vieram as crises que marcaram a história do capitalismo. Aquela que começou em Agosto de 2007 e que, desde meados de Setembro, experimenta uma fase de agravamento agudo, será tanto mais forte porque explode depois de capacidades de produção imensas, inconsideradas, terem sido criadas na Ásia (a Coreia já não pode mais fazer funcionar plenamente as suas) e depois de os Estados Unidos tem recorrido à criação, numa escala que se demonstra demencial, de meios de crédito para estender artificialmente a procura, por meio dos cartões de crédito e da extensão do crédito hipotecário que o capital teria desejado, tal como as guerras de G.W. Bush, "sem limites".

A tomada de consciência da gravidade das questões ecológicas é também uma das causas desta renovação da reflexão crítica sobre a natureza do capitalismo. Lançado num processo de valorização sem fim, de produção pela produção, o capital é devorador de recursos não ou muito lentamente renováveis, destruidor do ambiente, e, tomado como um todo, perfeitamente incapaz de por em acção as medidas necessárias à amenização do reaquecimento climático [1] . Os assalariados e os jovens sentem que vivem uma crise sistémica, na qual a crise financeira é simplesmente o primeiro episódio e certamente não o aspecto mais importante.

Como se poderia responder a isso? Actuando de modo, para seguir Marx mais uma vez, a que os meios de produção se tornem "meios para dar forma ao processo da vida em benefício da sociedade dos produtores". Isto implica uma mudança na propriedade dos meios de produção, mas sobretudo algo de bem mais importante, a saber: que os assalariados se tornem, de modo organizado e com plena consciência, "produtores associados". Ele já estão devido à divisão do trabalho entre indústrias e no interior mesmo de cada local de produção, mas eles não estão para si mesmos, eles estão para o capital, que toma incessantemente decisões que os afectam (ver os despedimentos de Sandouville). Tornando-se "produtores associados" no sentido pleno da expressão, os trabalhadores poderiam estabelecer, como diz Marx, "racionalidade e controlar seus intercâmbios de matérias com a natureza"; poderiam organizar a economia e toda a vida social "nas condições mais dignas e mais conformes à natureza humana".

NACIONALIZAÇÃO INTEGRAL DO SISTEMA BANCÁRIO

O desafio da crise, que não está senão no seu princípio, é o domínio sobre os meios que servem para produzir as riquezas, portanto sobre as decisões respeitantes ao que deve ser produzido, para quem e como. Existem reivindicações e formas de acção susceptíveis de abrir o caminho para uma saída social positiva. Os governos vêm em socorro dos bancos pondo à sua disposição fundos empenhados sobre os impostos futuros. Num número crescente de casos, eles são obrigados a recapitalizá-los adquirindo uma parte do seu capital. O termo "nacionalização" foi utilizado. Ele é totalmente abusivo. Os governos correm em socorro do capital financeiro num jogo em que a socialização das perdas segue-se a uma fase sem precedentes de privatização dos lucros. A primeira reivindicação colectiva imediata é a da nacionalização integral do sistema bancário. O controle do financiamento do investimento permitiria aos assalariados da Europa dar uma resposta simultânea ao emprego e às necessidades sociais, por programas pan-europeus de desenvolvimento dos serviços públicos, das energias renováveis, dos novos materiais de construção. O assalariados podem lutar por estes objectivos em França e encorajar os dos outros países da Europa a fazerem o mesmo.

Para além dos discursos políticos calmantes, todos os comissários europeus, todos os grandes banqueiros, têm sido perfeitamente claros. Trata-se de permitir ao sistema que continuem tal qual ele é. O núcleo duro do neoliberalismo (a livre circulação dos capitais, a colocação dos trabalhadores em concorrência generalizada mediante a deslocalização da produção e a sub-contratação, a privatização e a mercantilização dos serviços colectivos) não deve ser atingido. É este o sentido da mensagem do patrão da Renault. Uma outra reivindicação conjunta é portanto a da proibição dos despedimentos e a travagem completa de todas as medidas em curso para o desmantelamento da saúde, destruição dos Correios efectuada dia após dia antes da privatização propriamente dita, etc, etc. Aqui as reivindicações podem ser apoiadas por acções de auto-defesa dos assalariados e dos cidadãos, tanto nos locais de trabalho como nas localidades, nos hospitais, transportes, escolas e colégios. Por trás dos belos discursos dos responsáveis políticos está o objectivo de fazer com que os assalariados suportem o peso da crise, tanto pelo desemprego como pelos impostos. Não há senão a luta dos trabalhadores para que seja possível dar um basta e começa a concretizar a ideia de que "o capitalismo não ganhou", que ele pode combatido enquanto tal.
NT:
[1] Um falso problema. O autor foi influenciado pela propaganda aquecimentista do IPCC e pela desinformação jornalística. Não há aquecimento global e, mais provavelmente, o mundo está a entrar numa fase de arrefecimento global. Ver artigo do grande climatologista Marcel Leroux . Ver também o blog Mitos climáticos .

O original encontra-se em http://www.france.attac.org/spip.php?article9195

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Zumbi caçador de negro

Escrito por Mário Maestri
19-Nov-2008

A proposta de existência de escravidão em Palmares foi apresentada enfaticamente pela grande mídia quando das celebrações do terceiro centenário da destruição da Confederação e morte de seu último dirigente, em 1995. Seus objetivos eram encontrar gancho para a abordagem do transcurso e dessacralizar o sucesso referencial do movimento negro e do mundo do trabalho, naturalizando a opressão através da idéia de que os oprimidos também oprimem, logo e quando podem.

Em 1995, a discussão sobre a escravidão palmarina gorou apenas devido ao sucesso midiático do bate-boca sobre a eventual homossexualidade de Zumbi. Desde então, a afirmação retorna intermitentemente na mídia e em estudos historiográficos, sem que documentação histórica probatória seja apresentada. Continuamos a contar somente com frágeis referências a cativos que, libertados à força pelos palmarinos, adquiririam a plena cidadania apenas após recrutarem outros cativos para os quilombos.

Contribui igualmente para essa despropositada afirmação a frouxidão conceitual e epistemológica atual das ciências sociais, devido à quase geral renúncia à idéia do passado como fenômeno objetivo capaz de ser reconstituído essencialmente pela ciência histórica. A historiografia tem sido reduzida à mera reconstituição literária do ocorrido, e o passado à realidade maleável segundo os interesses do presente.

Saltos lógicos

Na falta de documentação, apóia-se a tese da escravidão quilombola na provável retomada de práticas escravistas africanas nos mucambos da serra do Barriga. A equação é simples: se na África tinha, por que diachos não teria também aqui? Destaque-se que a equação traz imbricada a velha apologia de que os negreiros apenas transferiam os homens e mulheres de uma escravidão de bárbaros para a servidão cristã e civilizada na América. E sem nem mesmo pagarem a passagem!

O artigo "O enigma de Zumbi", de Leandro Narloch, publicado na indefectível Veja (19 de novembro), após lembrar que a idéia de Palmares libertário surgiu nos anos 1960 e 70 sob "influência do pensamento marxista", afirma que, nos "novos estudos", o "retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séqüito de escravos para uso próprio". Folga dizer que o jornalista se cuidou em não citar os referidos "novos estudos".

A defesa da escravidão palmarina apoiou-se no silogismo de que não haveria sentido em falar "em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus" e seriam "impensáveis" nas culturas africanas. Corroborando a proposta, o historiador Manolo Florentino, autor de livro de título sugestivo – Paz das senzalas –, reconstrói o passado a partir de pinote lógico apoiado em premissas fajutas: "Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural [sic] que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo [sic] na cultura da África.".

Servidão doméstica

Por ignorância e oportunismo, os negreiros europeus identificaram como escravidão as múltiplas formas de servidão doméstica da África pré-colonial. Prisioneiros de guerra, condenados da justiça, indivíduos sem famílias, estrangeiros etc. eram incorporados às famílias extensas, com obrigações e direitos delimitados. Casavam, tinham bens, integravam a comunidade e, em poucas gerações, extinguia-se a lembrança da origem inferior. A posse comunitária da terra e o caráter semi-natural da economia impediam que tais formas de dominação se degradassem na exploração escravista americana, regida pelo açoite de mercado de fome pantagruélica. Identificar servidão africana e escravidão colonial é procedimento analítico inaceitável.

O caráter relativamente benigno daquela servidão devia-se em boa parte à incapacidade e falta de sentido nas sociedades domésticas africanas em investirem substancialmente recursos na subjugação desses agregados. Fenômeno ainda mais premente em comunidades de resistência, como os quilombos, que dependiam do consenso para furtarem-se aos ataques permanentes dos escravistas. É até interessante imaginar os mocambeiros ocupados no combate aos escravistas e de olho nos seus cativos, para que não fugissem e se ... aquilombassem!

E, mesmo que a África tivesse sido sociedade escravista – então, por que exportaria cativos? –, deduzir instituições do Novo Mundo de instituições da África Negra é outro tropeço epistemológico primário. Os quilombos palmarinos e todos os demais foram instituições americanas, e não africanas, nascidas da oposição à escravidão. Quando muito, e nem sempre, eles reelaboraram elementos culturais africanos, já que era materialmente impossível restaurar, no Brasil, a vida do continente negro.

Um Novo Mundo

Os próprios títulos angolanos utilizados em Palmares – nzumbi, nganga nzumba etc. – ganharam no Brasil conteúdos diversos aos que tinham na África. Nesse sentido, como já foi exaustivamente proposto, fenômenos como o kilombo dos yagas, nos sertões da atual Angola, muito pouco têm a ver, no essencial, com o fenômeno identicamente nomeado no Brasil escravista.

Entre as inúmeras sandices do jornalista da Veja, destaca-se certamente a pérola de que o palmarino "não lutava contra o sistema da escravidão". Proposta que reduz aquela população e todos os quilombolas à situação de verdadeiros energúmenos, já que viviam, apenas por querer, metidos na mata, em cima dos serros, por entre cobras e lagartos, longe das maravilhosas praias de areias brancas das Alagoas da época!

Desde os anos 1950, autores como Benjamin Péret, Clóvis Moura, Édison Carneiro, José Alípio Goulart, Décio Freitas empreenderam detidos estudos sobre as comunidades quilombolas que realçaram as inevitáveis contradições entre os mocambeiros e o interesse que tinham em manter-se distante dos escravizadores, sem perder a possibilidade de estabelecer trocas com os mesmos. Tudo isso tem, no mínimo, meio século de vida.

Sobretudo, esses e tantos outros autores sugeriram e apontaram o que foi essencial e único na experiência quilombola, nos limites determinadas pelas condições materiais da época: seu caráter necessariamente libertário, já que eram comunidades em contradição insuperável com a opressão escravista – desculpem- a formulação marxista. Uma liberdade que se materializava nas solas dos pés dos fujões e nos braços armados dos quilombolas, e não em discussões conceituais sobre a igualdade e a liberdade cívica entre os homens, em quimbundo ou latim!

Mário Maestri é historiador e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Contra el bloqueo y por la ayuda humanitaria a Cuba


El llamamiento del arquitecto Oscar Niemeyer lleva ochenta mil firmas recogidas
Rebelión

Nosotros, que abajo firmamos, nos dirigimos a todas las personas y en particular a los miembros de los gobiernos en los distintos niveles y a los dirigentes representativos de la opinión pública, para convocar a que se adhieran a este pedido urgente de socorro a Cuba. El pueblo cubano fue recientemente víctima de una secuencia de huracanes de fuerza extraordinaria, que causaron al país una enorme devastación. Aunque el número de muertos y heridos hayan sido relativamente pequeño, gracias a las medidas previas adoptadas por la Defensa Civil que retiró a la población de los lugares de riesgo, los daños materiales fueron devastadores. En resumen 450 mil edificaciones y casas fueron destruidas y decenas de miles de personas quedaron en abrigos de emergencia. La casi totalidad de las 700 mil hectáreas sembradas con caña de azúcar fueron inundadas o destrozadas, lo cual causó severas pérdidas a la cosecha y numerosos centrales azucareros quedaron parcialmente destruidos. Se echaron a perder 800 toneladas de hojas de tabaco, centenas de millares de toneladas de alimentos almacenados, innumerables instalaciones productivas fueron damnificadas.

En las difíciles condiciones materiales en que viven desde hace 50 años como consecuencia del bloqueo económico impuesto por Estados Unidos, el pueblo cubano sufre duramente las consecuencias de esta catástrofe natural. El gobierno de La Habana pidió al de Washington que suspendiera por seis meses el bloqueo, al fin de permitir la adquisición de medicamentos y equipos necesarios para resolver las emergencias de la Salud Pública, lograr la recuperación de las viviendas, reactivar los servicios públicos y la economía de la isla, pero los gobernantes de Washington de negaron conceder el pedido. Urge que todos sin distinción de corrientes políticas ni de segmentos sociales, vuelvan su atención para la tarea humanitaria de socorro al pueblo de Cuba. Es preciso presionar por todas las formas posibles al gobierno de Estados Unidos para que suspenda el bloqueo a Cuba. Es preciso que todos los que tengan medios de hacer llegar al pueblo cubano ayuda material y mensajes de solidariedad, lo hagan.

Río de Janeiro, 17 de septiembre de 2008

a) Oscar Niemeyer - Presidente de Honra del Comité de Defensa da Humanidad -Rede de Redes en Defensa da Humanidad - Capítulo Río de Janeiro

b) Marilia Guimaraes - Presidenta do Capítulo Río de Janeiro, brasileña, empresaria, Río de Janeiro, Brasil.

Este documento será entregado posteriormente al Gobierno Cubano. Pedimos a cada firmante que difunda este llamamiento para que logremos tener al mayor número de firmas y así lograr movilizar a la opinión pública internacional.

Quienes deseen firmar esta petición puede enviar su adhesión desde la página www.cdhrio.com.br. No olviden indicar: nombre completo, profesión, nacionalidad, país y ciudad donde reside.

Vale a pena deixar registrado no blog: Che Guevara, por Ricardo Piglia

, por http://www.idelberavelar.com/archives/2007/10/che_guevara_por_ricardo_piglia.php

Che_Guevara-07-b-py.jpg O que segue é uma tradução minha de trechos de "Ernesto Guevara, Rastros de Lectura", texto de Ricardo Piglia publicado no seu El último lector (Anagrama, 2005). O livro está disponível no Brasil pela Companhia das Letras, em tradução de Heloísa Jahn. O artigo sobre Guevara é longo (pags. 103-38) e exibe o brilhantismo habitual de Piglia. Abaixo, algumas seleções minhas. Ao saltar algo, indiquei a elipse com reticências [...]

ERNESTO GUEVARA, RASTROS DE LEITURA

de Ricardo Piglia (tradução I. Avelar)

Há uma tensão entre o ato de ler e a ação política. Certa oposição implícita entre leitura e decisão, entre leitura e vida prática. Esta tensão entre a leitura e a experiência, entre a leitura e a vida, está muito presente na história que estamos tentando construir. Muitas vezes o que se leu é o filtro que permite dar sentido à experiência; a leitura é um espelho da experiência, define-a, lhe dá forma.

[...]

Há uma cena na vida de Ernesto Guevara à qual também Cortázar chamou a atenção: o pequeno grupo que desembarca do Granma foi surpreendido e Guevara, ferido, pensando que está morrendo, recorda um relato que leu. Escreve Guevara, nas Passagens da guerra revolucionária: “Imediatamente me pus a pensar na melhor maneira de morrer nesse minuto em que parecia tudo perdido. Recordei um velho conto de Jack London, onde o protagonista apoiado num tronco de árvore se dispõe a acabar com a própria vida com dignidade ao saber-se condenado à morte nas zonas geladas do Alasca. É a única imagem de que me lembro.”

Pensa num conto de London, “To build a fire”, do livro Farther North, os contos de Yukon. Nesse conto aparece o mundo da aventura, o mundo da exigência extrema, os detalhes mínimos que produzem a tragédia, a solidão da morte. E parece que Guevara teria recordado uma das frases finais de London: “Quando havia recobrado o fôlego e o controle, sentou-se e recriou em sua mente o conceito de afrontar a morte com dignidade”.

Guevara encontra no personagem de London o modelo de como se deve morrer. Trata-se de um momento de grande condensação. Não estamos longe de um Dom Quixote, que procura nas ficções que leu o modelo da vida que quer viver. Com efeito, Guevara cita Cervantes na carta de despedida a seus pais. . . Não se trataria aqui só do quixotismo no sentido clássico, o idealista que enfrenta o real, e sim do quixotismo como forma de ligar a leitura e a vida. A vida se completa com um sentido que se toma do que se leu numa ficção.

[....]

Há uma foto extraordinária, na qual Guevara está na Bolívia, trepado numa árvore, lendo, em meio à desolação e à experiência terrível da guerrilha perseguida. Sobe numa árvore para isolar-se um pouco e fica lá, lendo.

No princípio, a leitura como refúgio é algo que Guevara vive contraditoriamente. No diário da guerrilha no Congo, ao analisar a derrota, escreve: “O fato de que eu escape para ler, fugindo assim dos problemas cotidianos, tendia a distanciar-me do contato com os homens, sem contar que há certos aspectos de meu caráter que não tornam fácil a intimidade”.

A leitura se assimila à persistência e à fragilidade. Guevara insiste em pensá-la como vício. “Minhas duas fraquezas fundamentais: o tabaco e a leitura”.

[...]

Na história de Guevara há distintos ritmos, metamorfoses, mudanças bruscas, transformações, mas há também persistência, continuidade. Uma série de longa duração percorre sua vida apesar das mutações: a série da leitura. A continuidade está ali, todo o demais é desprendimento e metamorfose. Mas esse nó, o de um homem que lê, persiste do princípio até o final.

[...]

o outro elemento que está presente é justamente o tipo de uso da linguagem. Devemos recordar que o identifica um modismo lingüístico ligado à tradição popular. É conhecido como “Che” porque sua maneira de usar a língua marca, de modo muito direto, uma identidade. Por outro lado, o uso do “che” o diferencia dentro da América Latina e identifica-o como argentino. Jovem, em suas viagens, às vezes exagera-o para chamar a atenção e conseguir que o recebam e hospedem: sabe o valor dessa diferença lingüística. Ao mesmo tempo, o “che” funciona como identidade de longa duração, quiçá o único sinal argentino, porque em tudo o mais Guevara funciona com uma identidade não-nacional, é o estrangeiro perpétuo, sempre fora de lugar.

O uso coloquial e argentino da língua se nota imediatamente em sua escrita, que é sempre muito direta e muito oral, tanto em suas cartas pessoais e diários como em seus materiais políticos [...] A carta final a Fidel Castro está assinada simplesmente “che” e assim ele assinava as cédulas do banco que dirigia. A prova da autenticidade do dinheiro em Cuba era sua assinatura (dificilmente haverá outro exemplo igual na história da economia mundial, alguém que autentica o valor do dinheiro com um pseudônimo).

[...] Claro, Guevara não propõe nada que ele mesmo não faça. Não é um burocrata, não manda os demais fazerem o que ele só opina. Esta é uma diferença essencial, a diferença que o converteu no que ele é. Ele paga com sua vida a fidelidade ao que pensa. É semelhante à experiência dos anarquistas do século XIX, quando tentam reproduzir a sociedade futura em sua experiência pessoal. Vivem modestamente, repartem o que têm, se sacrificam, definem uma nova relação com o corpo, uma nova moral sexual, um tipo de alimentação. Propõem-se como exemplo de uma nova forma de vida.

cheleyendo.jpg

E no final de Guevara as duas figuras [o leitor e o político] se unem outra vez, porque estão juntas desde o começo. Há uma cena que funciona quase como uma alegoria: antes de ser assassinado, Guevara passa a noite prévia na escolinha de La Higuera. A única que tem com ele uma atitude caridosa é a professora do lugar, Julia Cortés, que lhe traz um prato de guisado que a mãe está cozinhando. Então – e isto é o último que diz Guevara, suas últimas palavras --, Guevara mostra à professora uma frase que está escrita na lousa e lhe diz que está mal escrita, que tem um erro. Ele, com sua ênfase na perfeição, lhe diz: “falta um acento”. Faz esta pequena recomendação à professora. A pedagogia sempre, até o último momento.

A frase (escrita na lousa da escolinha de La Higuera) é: yo sé leer. Que seja esta a frase, que ao final de sua vida o último que registre seja uma frase que tem a ver com a leitura, é como um oráculo, uma cristalização quase perfeita.

Morreu com dignidade, como o personagem no conto de Jack London.


Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
  • A era do capital - HOBSBAWM, E. J
  • Antonio Gramsci – vida e obra de um comunista revolucionário
  • Apuntes Criticos A La Economia Politica - Ernesto Che Guevara
  • As armas de ontem, por Max Marambio,
  • BOLÍVIA jakaskiwa - Mariléia M. Leal Caruso e Raimundo C. Caruso
  • Cultura de Consumo e Pós-Modernismo - Mike Featherstone
  • Dissidentes ou mercenários? Objetivo: liquidar a Revolução Cubana - Hernando Calvo Ospina e Katlijn Declercq
  • Ensaios sobre consciência e emancipação - Mauro Iasi
  • Esquerdas e Esquerdismo - Da Primeira Internacional a Porto Alegre - Octavio Rodríguez Araujo
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  • Haciendo posible lo imposible — La Izquierda en el umbral del siglo XXI - Marta Harnecker
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  • O Demônio da Teoria: Literatura e Senso Comum - Antoine Compagnon
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  • O MST e a Constituição. Um sujeito histórico na luta pela reforma agrária no Brasil - Delze dos Santos Laureano
  • Os 10 Dias Que Abalaram o Mundo - JOHN REED
  • Para Ler O Pato Donald - Ariel Dorfman - Armand Mattelart.
  • Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio - Frederic Jameson
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira
  • Simulacro e Poder - uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Editora Perseu Abramo, 142 páginas)
  • Soberania e autodeterminação – a luta na ONU. Discursos históricos - Che, Allende, Arafat e Chávez
  • Um homem, um povo - Marta Harnecker

zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Antígona, de Sófocles
  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
  • Dialética do Concreto - KOSIK, Karel
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels
  • Do sonho às coisas - José Carlos Mariátegui
  • Ensaios Sobre a Revolução Chilena - Manuel Castells, Ruy Mauro Marini e/ou Carlos altamiro
  • Estratégia Operária e Neocapitalismo - André Gorz
  • Eurocomunismo e Estado - Santiago Carrillo
  • Fenomenologia da Percepção - MERLEAU-PONTY, Maurice
  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels
  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
  • Oliver Twist, de Charles Dickens
  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
  • OS TRABALHADORES DO MAR - Vitor Hugo
  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
  • Vidas secas - Graciliano Ramos
  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira