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terça-feira, 10 de maio de 2016

O TRÁGICO FIM DO LULISMO PEQUENO "BUR(RO)GUÊS"


por Runildo Pinto


O PT na tentativa de dar o contra golpe arrumou um deputado marionete e incompetente politicamente para fazer essa manobra politiqueira. O PT perdeu a vergonha, o escrúpulo e a dignidade a muito tempo, mesmo que se reformule, não vai deixar de ser um autêntico partido da ordem, que se tornou com esse pragmatismo de partido burguês. 

O lulismo esperava ingenuamente ou desesperadamente que iria enganar as aves de rapina da burguesia, tarde demais. Arrumou para se afundar mais. Na hora do pega, também, apelaram para os trabalhadores, mas estes estão em casa, somente os movimentos que perderam a autonomia de classe aparelhados pelo PT estão apoiando, como o MST, CUT e CTB. 

Mais uma desonra essa gangorra politiqueira do PT, continuam privatizando (aeroportos, portos), implementando o ajuste fiscal e querem apoio dos trabalhadores, mas vão ficar somente com os "militantes do partido" e com o "sindicalismo burocratizado". O que não mobiliza a massa de trabalhadores, porque não teve compromisso de classe, por governar para os ricos e fazer das demandas da classe trabalhadora, mercadoria.

A burguesia descartou o acordo de conciliação de classes para aprofundar na crise sua ganância pelo lucro, não é suficiente os trabalhadores pagarem pela conta, o "Deus Lucro", tem que se manter no céu, no universo do capital. Para isso é preciso acabar com os direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores. O Brasil vai virar o paraíso da exploração capitalista, o das terceirizações. Brasil! O retorno ao século XIX.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A criminalização dos lutadores sociais


Por Rodrigo Oliveira Fonseca*

Publicado em 25 September 2010

Quase sempre nos vemos às voltas com gente se esforçando para justificar nossas misérias, tentando passar a outros as pílulas que melhor lhes servem de alívio às dores – ou de estimulante ao sadismo, em casos mais raros, sérios e graves.

Com o benefício da distância no tempo, vemos com muito mais intensidade os disparates de algumas destas justificativas. Vamos à década de 1880, em que se delineava a formação da república brasileira. Dentre as forças políticas que se puseram na luta contra a monarquia, o positivismo serviu de ideologia charmosa para encobrir permanências e simular uma ruptura, deixando os princípios de lado [1] e trabalhando um imaginário republicano de Ordem e Progresso. Juntamente ao debate sobre o melhor regime político, havia outro, mais candente ainda, sobre a abolição da escravidão no país e a incorporação da massa dos negros libertos à produção assalariada – tema que deixava muitas dúvidas na cabeça dos proprietários-coronéis, em especial quanto à Ordem e ao Progresso de seus negócios.

No Jornal do Comércio, em 1883, Miguel Lemos, presidente da Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, publicou o texto A Incorporação do Proletariado Escravo e o Recente Projeto do Governo com o intuito de responder cientificamente a estes receios. Defendeu o caráter pacífico dos africanos e seus descendentes, a sua afetividade, o que seria uma condição excelente para a transformação deles em trabalhadores assalariados. Nas suas palavras lemos:

O africano é, naturalmente, venerador, e por isso submete-se; não é o medo, nem o interesse, que o mantém na escravidão, é o amor para com os senhores que eles reputam seus superiores. A submissão do africano é análoga à submissão do soldado ao general; repetimos, é fruto da veneração, e não do interesse [2]”.

Com veneração aos senhores, com adoração ao conforto da cela, o povo escravizado aparece aí estigmatizado como uma raça de essência escrava.

Mas se isto tivesse cabimento por que os escravizados eram tratados pelos senhores de engenho com a fórmula do PPP – pau, pão e pano? Em geral, assim que chegavam à propriedade, após serem comprados nos mercados, os cativos tomavam uma “surra disciplinadora” para jamais esquecerem-se dos riscos da desobediência aos seus senhores. Mesmo os clérigos católicos, defensores da moderação no tratamento dos
escravos, contra os excessos cometidos pelos senhores, mesmo eles acreditavam que somente a disciplina, o castigo e o trabalho poderiam controlar a superstição, a indolência e os maus modos dos africanos [3].

Alguém poderá então, com alguma malícia até, dizer que os cativos acabaram sofrendo o que se chama Síndrome de Estocolmo, a afeição da vítima pelo seu seqüestrador, ou o complexo de mulher de malandro, que acaba sentindo falta de apanhar. Eis então que surge outra justificativa, mais complexa e perversa que a de Miguel Lemos sobre a submissão à escravidão. Essa justificativa do mesmo modo não se sustenta, pois com
toda a crueldade das torturas às quais os cativos eram constantemente submetidos – não apenas em sua memorável recepção -, ainda assim a luta contra a escravidão por parte dos escravizados foi intensa e permanente.

Desse modo, não bastou a fórmula do pau, pão e pano, ou da disciplina, castigo e trabalho. Foi necessário criminalizar com toda a força a figura do cativo que não se enquadrava no perfil desejado de sujeito submisso (fosse ele submisso por “afeto”, fosse por medo e interesse). Os quilombos, aldeias formadas por escravos fugidos e outros marginalizados sociais, espalhavam-se pelas matas e montanhas em diversas regiões do país. Frente a isso, o posto de capitão do mato foi oficialmente criado na Bahia em 1625, para rastrear e capturar cativos foragidos, e em 1699 qualquer um que matasse um quilombola (o morador de quilombos) estaria isento de punições. O quilombola capturado vivo era marcado a ferro quente com um F no ombro, e se fosse
reincidente, diante desse atestado de antecedentes criminais, tinha uma orelha cortada [4].

Mais uma vez, então, encerro com questões:

Esse ódio voltado contra os que se desviam do imaginário de cordialidade e submissão, não segue de algum modo presente na atual criminalização dos lutadores sociais, sobretudo daqueles que lutam por terra e moradia?

Quais são as novas técnicas que marcam simbolicamente a marginalidade dos que hoje fogem da submissão a condições miseráveis?

E a pergunta que já fiz antes: estamos vivendo de passado?

Notas:

1. A frase original de onde saiu o lema inscrito em nossa bandeira é “O amor por princípio, a ordem por
base e o progresso por fim”, de autoria do filósofo positivista francês Auguste Comte.
2. Extraído do livro Onda Negra, Medo Branco; o negro no imaginário das elites – século XIX, de Célia Maria Marinho de Azevedo. Editora Paz e Terra, 1987.
3. Segundo Stuart Schwartz, no livro Segredos Internos: engenhos e escravos na sociedade colonial (1550-1835). Companhia das Letras, 1988.

* Rodrigo Oliveira Fonseca - Este autor possui 2 postagens n'A Identidade Bentes.

Jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em história social da cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), professor-bolsista e doutorando em estudos da linguagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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