sexta-feira, 29 de outubro de 2010

VENEZUELA: O PÓLO PATRIÓTICO E O APROFUNDAMENTO DA REVOLUÇÃO

Caracas, 15 de out. 2010, Tribuna Popular TP/Editorial Tribuna Popular Nº 180.- É certo que já passou o 26 de setembro. Já passaram as eleições parlamentares. Passou a campanha eleitoral. Passaram os tambores e os pratos. Porém, é certo também que a batalha política, ideológica e de massas continua.

A etapa do processo revolucionário venezuelano, que começou em 1998, está fortemente marcada – com avanços e retrocessos, gostemos ou não – pelos processos eleitorais.

Esta característica não é produto da vontade de ninguém em particular. É produto das condições específicas da Venezuela.

A atual fragilidade da revolução bolivariana está vinculada, justamente, ao marco da democracia liberal burguesa, na qual se desenvolve.

Esta experiência revolucionária em que avança nosso povo, pode perder-se. Não somente por conta de tropas estrangeiras, mas numa eleição regional, parlamentar ou presidencial.

O grave não é a possibilidade de perder uma eleição como essa, porque significaria que a perda se deu a favor da vontade popular. No entanto, esta vontade popular conta com importantes níveis de influência das forças reacionárias e de seus meios de manipulação de massas.

É grave, inclusive, que muito desta vontade popular se perdeu por erros próprios das chamadas forças do processo e por deficientes, burocratas e corruptas gestões governamentais.

É grave, inclusive, que a prostituição dos termos Socialismo e Socialista – mediante seu uso indiscriminado para se referir a um momento político e a ações de governo, que não cabem em tais conceitos – pode levar à decepção, à frustração desta vontade popular, fazendo com que a mesma passe a apoiar caminhos anti-populares.

O problema maior não são as eleições – inclusive, as de tipo liberal burguesa, que continuam acontecendo na Venezuela –, mas sim a estrutura do Estado, que segue sendo burguês.

Capa Tribuna Popular nº 180

Na mesma medida em que muda o Estado venezuelano – que é muito mais que o governo –, mudará o sistema eleitoral.

Nesta discussão, é necessário ter clareza de que o sistema eleitoral não é mais ou menos automatizado, não é o mais ou menos passível a uma auditoria, não é mais ou menos fidedigno da vontade popular.

O sistema eleitoral será realmente democrático na mesma medida em que esteja liberto das diversas formas de influência da burguesia, das forças internacionais reacionárias e de seus valores capitalistas.

Por isso, a batalha pelo aprofundamento da revolução deve continuar. Deve avançar organizada, coordenada e coesa nas ações para a liquidação do Estado burguês e pela construção do Estado democrático e popular. Deve substituir a estrutura e as formas de gestão da democracia liberal pelo Poder Popular.

Por isso, é de maior relevância a necessidade da reiterada cobrança expressa pelo PCV – e que o Presidente Chávez interpretou mediante sua proposta do Pólo Patriótico – de avançar na articulação das forças democráticas, progressistas e revolucionárias para constituir um espaço permanente de coordenação de políticas, uma estrutura orgânica não conjuntural nem restrita ao âmbito eleitoral, «com visão estratégica caracterizada por uma dinâmica interna, que estimule a discussão política e ideológica de fundo, e que favoreça a participação equitativa e democrática das forças revolucionárias em seu nível respectivo, respondendo ao princípio da “unidade na diversidade”».

Uma grande frente anti-imperialista e pela construção do novo Estado, estruturado em todos os níveis e frentes sociais.

Em definitivo, a expressão político-organizativa do germe da direção coletiva da Revolução venezuelana.

Ainda dá tempo. Façamos todos os esforços necessários para cumprir o que é uma necessidade histórica e um pedido popular.

Para esta e todas as tarefas por vir, o povo venezuelano e a revolução bolivariana poderão seguir contando com o Partido Comunista.

Fonte: Tribuna Popular Impressa Nº 180

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

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Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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