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Comentário de Runildo Pinto O arquétipo que a direita proclama, dado a sua imagem e semalhança, nada mais é do que fazer da vida uma mentira. A hipocrisia, sempre foi a mascara que as elites criaram para manter-se no cabedal de seus interesses. A acumulação de capital, depende de capacidade de manter o povo na ignorância e numa formação à idade adulta como seres primitivos. O moralismo conservador da burguesia reserva a si direito a impunidade e ao povo e seus defensores o calvário, o sacrifício pelo bem da sociedade. Aos "homens de bem", esses endinheirados e seus asseclas, o perdão, vítimas da fatalidade. A igreja, por sua vez, criou o celibatário e contra a natureza humanitária usurpou do homem a sua condição de alteridade e de amor, porque a propriedade da igreja deve-se guarda, não importando o sacrificio e a desumanidade imposta. O Presidente Lugo, encarna o homem engajado, luta pelo seu povo, homem que erra e que sente o amor pela igreja e pelos seres humanos, que se expõe sem o medo da existência e assume suas ações. O homem público que não nega seus atos. Lembro-me dos políticos no BRasil, que negam o fato mais evidente e negam até a morte, numa corvardia individualmente consciente. Abaixo, postamos o artigo solidário de Dom Tomás Balduino. Boa Leitura! ------------------------------------------------------------------------------------------------ Escrito por Dom Tomás Balduíno | |
24-Abr-2009 | |
Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,
Acompanhei as notícias que levaram ao conhecimento público o seu relacionamento com uma mulher e o nascimento de um filho. A mídia brasileira repercutiu seguidamente o fato, fazendo coro, de bom grado, com os membros paraguaios do Partido Colorado, destacando-se o congressista Víctor Bogado, que se arvorou em seu juiz e o apedrejou. Chegou até mim também uma parte da comunicação da Conferência Episcopal do Paraguai pedindo "perdão pelos pecados da Igreja" católica, numa implícita referência a você.
Não posso deixar de me manifestar neste seu caso. Sou impelido a isso pela nossa velha amizade, desde os bons tempos de sua participação nos encontros em São Paulo, no grupo ecumênico e latino americano de bispos. Sou impelido sobretudo pelo que eu conheço da sua trajetória, pelo que eu venho acompanhando e refletindo sobre o grande significado de sua providencial subida à Presidência da República do Paraguai, carregado pelo povo pobre do seu País, tornando esta Nação uma das auspiciosas referências do processo de libertação do nosso Continente.
E minha manifestação, depois ter ponderado com alguns irmãos e irmãs, é em primeiro lugar para dar-lhe os parabéns, fazendo eco à declaração do meu amigo e bispo Mons. Mário Melano Medina, seu compatriota, pelo seu ato de "valentia e sinceridade" ao reconhecer a criança. Uno-me também ao bispo metodista emérito Federico Pagura ao expressar-lhe, também em carta aberta, sua solidariedade: "ante tu decisión de hacer públicas tus relaciones com tu compañera, y tu compromisso de assumir plenamente tu responsabilidad de padre". Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher.
Os bispos paraguaios fizeram um ato público de pedido de perdão. É salutar que a Igreja o faça sempre. É, aliás, o que a liturgia nos propõe todas as vezes que celebramos a Eucaristia. É verdade que não vi o texto completo desta declaração dos bispos, mas pelo discurso que ouvi do Sr. Arcebispo de Assunção no Te Deum de sua posse como Presidente do Paraguai, receio que este pedido de perdão não se refira às omissões da Igreja com relação aos poderosos da política e ao sofrimento do povo durante os anos de tirania do governo paraguaio.
O risco de uma declaração apressada e ingênua da Igreja é de esta declaração se somar com a onda da mídia e com o bloco de forças da elite de oposição que ficam sempre à espreita de qualquer chance de desestabilização do seu governo, mesmo sob a capa do moralismo mais hipócrita.
Dou-lhe também os parabéns sobretudo porque o vejo disposto a continuar sua caminhada de luta com seu povo e a enfrentar as dificuldades atuais do seu governo, inclusive esta última. Por tudo isso, caro Amigo, receba a minha plena solidariedade.
O Senhor Jesus, que apareceu aos discípulos ressuscitado e chagado, esteja ao seu lado, o acompanhe, o ilumine, o faça sempre forte e corajoso diante destas e de outras dificuldades que certamente advirão na sua caminhada a serviço do seu admirável Povo.
Abraço-o com fraterna amizade.
Goiânia, 18 de abril de 2009 Dom Tomás Balduino Bispo emérito de Goiás
Dom Tomás Balduino, Bispo Emérito de Goiás – GO, é presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Originalmente publicado na Rede Adital – http://www.adital.com.br/
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