quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Veja quem são os jovens que protestam na Inglaterra com o sociólogo Silvio Caccia Bava

A globo se deu mal nessa, achou que o sociólogo Sílvio ia entra na linha da despolitização proposta pela emissora. Observem que os ancoras do jornal insistem em despolitizar.

LONDRES CHAMANDO: A DESTRUIÇÃO DÁ UM BEIJO NA BOCA DA SUCURSAL DO IMPÉRIO



Por Rodrigo Lima*

Londres chama para as cidades distantes.

Agora aquela guerra está declarada e a batalha começa.

Londres chama para o submundo.

Saiam do armário todos os garotos e garotas.

Londres chama, agora não olhem pra nós.

The Clash



Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.

Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.

Brecht

Os grandes meios de comunicação mundial tem repercutido desde o último sábado a forte onda de violência que se espalha feito rastilho de pólvora na Inglaterra. Originadas no bairro popular de Tottenham, no norte da capital, os confrontos se espalharam para as demais regiões, e para o centro da cidade, já tomando as ruas de cidades como Liverpool, Leeds, Manchester e Birmingham.

A imprensa burguesa tem atribuído os conflitos como um ataque de hordas de criminosos e delinqüentes, procurando vincular as causas da violência e do caos a diversidade étnica presente na periferia de Londres, criminalizando africanos, caribenhos e latinos como os grandes responsáveis pelas manifestações que vem se intensificando no país. Nada mais “natural” por parte da grande mídia em tempos de xenofobismo e racismo crescentes no velho continente.

A ferida que a imprensa burguesa e o governo britânico não querem tocar é no fato de que o estopim dessa revolta, não se deve ao assassinato de um trabalhador pelas mãos da polícia. É na verdade um reflexo dos efeitos da crise e das medidas de ajuste fiscal tomadas pelo governo conservador de James Cameron, que simplesmente produziu a maior contenção de gastos públicos pós-Segunda Guerra Mundial. Essa política fez aumentar o desemprego, que tem afetado sobremaneira os jovens e os imigrantes. A combinação de altas taxas de desemprego somadas aos cortes nas áreas sociais é uma receita explosiva que fez ferver um caldo de revolta adormecido na periferia da cidade. Somem-se a isso os elevados gastos em obras para as Olimpíadas de 2012 que já chegam à quantia de R$ 23,5 bilhões, e a bomba está pronta

Muito se tem noticiado sobre as revoltas, ocorridas na década de 1980, em bairros populares de Londres. Há certamente uma linha que unifica estas manifestações com as ocorridas atualmente. As políticas governamentais da Dama de Ferro e as de Cameron têm mais semelhanças que diferenças. Os jovens trabalhadores de hoje se deparam com um cenário de poucas perspectivas de trabalho, educação e lazer no curto e no médio prazo. A válvula de escape é a violência.

Como uma onda estas manifestações tendem a se intensificar, colocando em xeque o aparato policial inglês e o próprio sistema. Mas sem uma direção política revolucionária do movimento, ele tende a ser rapidamente contido e reprimido. Não se pode super-estimar essa revolta como um principio de revolução social ou algo do gênero. Ao contrário das manifestações juvenis presenciadas na Primavera Árabe, na Grécia, na Espanha ou no Chile, que apresentam um programa mínimo de reivindicações, as manifestações inglesas primam por um caráter espontaneista, que dificilmente refletirá em um acúmulo na organização dos jovens trabalhadores da Inglaterra.

Porém, por outro lado, estas mobilizações mostram o poder que os jovens têm em suas mãos. Que quando se voltam contra o sistema podem colocá-lo em crise, revelando suas mais profundas contradições, que muitas vezes permanecem adormecidas e ofuscadas pela ideologia dominante. Quem sabe estes dias de caos e desordem na terra da Rainha não plante algumas sementes nas possibilidades de organização da juventude contra um rio chamado capitalismo, que em épocas de crise faz suas margens reprimir e sufocar ainda mais as possibilidades de emancipação da juventude e da classe trabalhadora.

Cabe aos jovens ingleses fazerem este rio transbordar de revolta organizada, que possa, quem sabe não só sacudir as bases do sistema, como fazê-lo cair de seu pedestal, em uma perspectiva de um novo modelo de sociedade, o Socialismo.

Mas para isso não bastam palavras, é preciso organização, é preciso teoria, e é preciso prática. Com certeza nesse último quesito, as batalhas que se travam nas periferias da Inglaterra e do Mundo servem como uma grande escola para as mudanças que a juventude e os trabalhadores tanto precisam construir.


*Coordenação Nacional UJC

Fonte: http://www.ujc.org.br/index.php/artigos-sobre-a-ujc/21

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil

Apresentação do livro Memórias, autobiografia do revolucionário
comunista Gregório Bezerra, relançado pela Boitempo Editorial
Anita Leocadia Prestes*
É com profunda emoção que escrevo esta apresentação do livro de Memórias de Gregório Bezerra. Quando penso em Gregório, vejo diante de mim o povo brasileiro, os milhões de homens, mulheres e crianças do nosso país, maltratados e sofridos durante séculos de exploração e opressão.

Gregório é a legítima expressão desse povo, no que ele tem de mais autêntico e verdadeiro. É a genuína personificação dos explorados e oprimidos da nossa terra – jamais dos poderosos, dos exploradores. Estes sempre lhe dedicaram um indisfarçável ódio de classe, ódio dos opressores, conscientes do perigo, para os interesses dominantes, das “ideias subversivas” difundidas por homens como ele.

Na grande trincheira da luta de classes, Gregório sempre esteve do lado dos trabalhadores, dos desvalidos e dos oprimidos. Justamente por isso suportou constantes perseguições policiais, atrozes torturas e um total de 23 anos de cárcere em diversos presídios do Brasil. Teve de suportar a feroz campanha que os meios de comunicação a serviço dos interesses dominantes sempre moveram contra ele e contra os comunistas.

Conheci Gregório há muitos anos. Em 1946, eu tinha apenas nove anos de idade quando ele, eleito deputado federal por Pernambuco na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB), foi morar conosco, na casa de meu pai, Luiz Carlos Prestes. O partido havia conquistado a legalidade e elegera para a Assembleia Nacional Constituinte uma bancada comunista composta de um senador, Luiz Carlos Prestes, e catorze deputados, entre os quais Gregório Bezerra. Em nossa casa, além da família, moravam vários camaradas do PCB.

Bancada comunista na Assembleia Constituinte de 1946:
Gregório Bezerra, na fila superior, o 4º da esquerda para a direita


Gregório destacava-se, dentre todos, pela dedicação ao partido e à causa revolucionária que abraçara ainda jovem, mas sobretudo pelo humanismo que irradiava de sua pessoa. Ele sabia compreender os problemas de todos que o cercavam e relacionar-se bem e de maneira afetuosa tanto com as crianças quanto com os idosos, com pessoas importantes ou humildes, com homens ou mulheres. Gregório não incomodava; ao contrário, sempre ajudou em nossa casa e era capaz de manter permanentemente um convívio agradável com todos que o rodeavam. Lembro como minhas tias observavam que, de tantos companheiros que passaram por nossa casa, nenhum deixara tão boas lembranças e tantas saudades quanto ele.

Se Gregório sabia conversar com os adultos, também o sabia com as crianças, como era meu caso. Eis a razão por que guardo gratas lembranças dessa convivência que durou apenas dois anos, pois em 1948, após o fechamento do PCB pelo governo Dutra e a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas, ele foi sequestrado em pleno centro do Rio de Janeiro e levado clandestinamente para a Paraíba, onde, por meio de grosseira provocação policial, seria acusado de incendiar um quartel.
Mais tarde, eu já adulta, nossos caminhos, os meus e os dele, cruzaram-se algumas vezes na vida partidária. Foram, entretanto, encontros fugazes. Mas Gregório continuava sendo o mesmo companheiro atencioso, afável, amigo. Sempre acompanhei sua trajetória de dedicado militante comunista nos mais diversos pontos do país para onde o partido o enviava, seja na legalidade, seja na clandestinidade.

Foi com horror e indignação – como tantos outros brasileiros e também democratas de todo o mundo – que tomei conhecimento de sua prisão em Pernambuco, após o golpe militar de abril de 1964, e das bárbaras torturas a que fora submetido. Sua foto sendo arrastado seminu pelas ruas de Recife chocou a todos. Mas Gregório resistiu, apesar de já contar então com 64 anos de idade. Naquela ocasião, foi condenado a 19 anos de detenção. Mas então, em setembro de 1969, teve lugar no Rio de Janeiro o sequestro do embaixador norte-americano, promovido por organizações da esquerda armada. Em troca da vida do embaixador, os dirigentes desses grupos exigiram a libertação de quinze prisioneiros políticos que deveriam ser enviados para o exterior – entre eles estava o nome de Gregório Bezerra. Embora discordando desse tipo de ação, ele aceitou a libertação, divulgando, ao mesmo tempo, uma “Declaração ao povo brasileiro”, na qual explicava suas razões. Dizia então:
- Por uma questão de princípio, devo esclarecer que, embora aceite a libertação nessas circunstâncias, discordo das ações isoladas, que nada adiantarão para o desenvolvimento do processo revolucionário e somente servirão de pretexto para agravar ainda mais a vida do povo brasileiro e de motivação para maiores crimes contra os patriotas.
E adiante acrescentava:
- Não quero que, nesta hora, minha atitude ponha em risco a vida dos demais presos políticos a serem libertados. Nem desejo, como humanista que sou, o sacrifício desnecessário de qualquer indivíduo, ainda que seja o embaixador da maior potência imperialista de toda a história. Luto, por princípio, contra sistemas de força. Não luto contra pessoas, individualmente. Só acredito na violência das massas contra a violência da reação.
É uma declaração reveladora da personalidade de Gregório Bezerra: militante comunista dedicado e consequente, de firmeza inabalável na defesa de suas convicções revolucionárias e, por isso mesmo, insigne humanista. Reencontrei Gregório em Moscou, em 1973, onde ambos estivemos exilados, juntamente com outros compatriotas. Embora fisicamente alquebrado, como consequência das torturas a que fora submetido nos cárceres da ditadura militar, ele mantinha intacta a postura de profunda dignidade humana e as convicções de revolucionário comunista que sempre marcaram sua personalidade.

Forçado a viver no exílio, mesmo cercado do respeito, da admiração e do carinho dos companheiros soviéticos, assim como de exilados brasileiros e de outros países que então residiam na União Soviética, Gregório tinha seu pensamento permanentemente voltado para o Brasil. Sua maior aspiração era regressar à pátria e poder continuar lutando pelos ideais revolucionários a que dedicara toda sua vida.

Foram dez anos de exílio, até a conquista da anistia no Brasil, em agosto de 1979. Gregório seria um dos primeiros a regressar à terra natal, onde foi recebido com entusiasmo e carinho pelos trabalhadores, companheiros e amigos.

Durante os anos de exílio, Gregório, assim como Prestes, não deixou de contribuir para a luta pela anistia em nosso país. Viajou por diferentes países denunciando os crimes da ditadura militar. Com seu prestígio, tratou de mobilizar os mais diversos setores da opinião pública mundial em campanhas de solidariedade aos presos e perseguidos políticos no Brasil. Participou de congressos, conferências, seminários e entrevistas, sempre empenhado na luta pela democracia, contra o fascismo e por um futuro socialista para toda a humanidade, pois ele era também um militante internacionalista, para quem a luta do nosso povo não poderia jamais estar dissociada da luta dos trabalhadores do mundo inteiro.

Ao mesmo tempo, dedicou-se nesses anos a escrever suas Memórias, cuja nova edição em boa hora nos é proporcionada pela editora Boitempo. Sou testemunha de que Gregório escreveu seu livro sozinho e à mão. Companheiros residentes em Moscou naquela época se revezavam na datilografia das páginas já redigidas por nosso talentoso autor.

Gregório soube produzir um relato de sua vida, em linguagem simples e direta, sem qualquer afetação literária. Descreveu a vida de um camponês nordestino miserável, que se transformou em operário e soldado e, nesse processo, ingressou no Partido Comunista. Um militante que dedicou sua vida aos ideais comunistas, arcando com todas as consequências de tal escolha, sem jamais perder as características de grande figura humana.

Sou também testemunha do espírito de solidariedade e de companheirismo de Gregório durante aqueles difíceis anos de exílio, quando muitos companheiros entravam em desespero ou perdiam a perspectiva revolucionária. Gregório animava a todos que o procuravam, encorajava a quem estava abatido ou angustiado. Mostrava-se solidário com aqueles que precisavam de uma palavra ou de um gesto de amizade e de carinho. Seu apartamento em Moscou era um recanto aconchegante, onde se podia saborear algum prato da cozinha brasileira, por ele muito bem preparado, e de onde se saía reconfortado e confiante num futuro melhor.

Gregório era um otimista e infundia otimismo em todos que o procuravam, incluindo os jovens brasileiros que estudavam na URSS. Aos jovens, ele se esforçava por transmitir sua experiência e seus conhecimentos do Brasil para que, quando regressassem à pátria, estivessem preparados para enfrentar o futuro. A trajetória de vida de Gregório Bezerra é exemplar e deve servir de inspiração para os jovens de hoje, para aqueles que estão empenhados na realização de transformações profundas em nosso país que abram caminho para um futuro de justiça social e liberdade para todos os brasileiros. Futuro que, como nos ensina Gregório Bezerra, da mesma maneira que José Carlos Mariátegui, Fidel Castro, Che Guevara, Luiz Carlos Prestes e tantos outros revolucionários latino-americanos, só poderá ser alcançado com a revolução socialista. Gregório foi um comunista que jamais se dobrou diante das dificuldades e soube “endurecer sem jamais perder a ternura”, na feliz expressão cunhada por Ernesto Guevara.

Esperamos que a publicação desta nova edição das Memórias de Gregório Bezerra pela Boitempo constitua um estímulo à formação de jovens revolucionários em nosso país e em nosso sofrido continente latino-americano.
*Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes, Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense. Filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes.
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"Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: “Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo”. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros “Gregórios” que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída." (Boitempo Editorial)

Título: Memórias
Autor(a): Gregório Bezerra
Páginas: 648
Ano de publicação: 2011
Preço: R$ 74,00

terça-feira, 12 de julho de 2011

Manifesto de Solidariedade ao PCB


Até agora, mais de duzentos intelectuais, militantes e organizações progressistas, de vários Estados do Brasil e de vários países, se manifestaram em solidariedade ao PCB, diante de uma representação da Confederação Israelita do Brasil no Ministério Público Eleitoral, acusando o partido de anti-semitismo, conforme nota política que aqui republicamos, ao final das assinaturas. O manifesto está aberto a adesões, através do endereço secretariageral.pcb1@gmail.com.

SOLIDARIEDADE AO PCB

Prestamos nossa solidariedade ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) diante de representação judicial em que é acusado de “incentivar a discriminação e a proliferação da intolerância religiosa, étnica e racial em nosso país”.

Independentemente de nossa concordância ou não com as posições políticas do PCB, reconhecemos nele um partido político que, ao contrário da acusação, luta por uma sociedade laica, igualitária e fraterna, sem discriminações de qualquer natureza.

Esta absurda representação, além de constituir um atentado à livre organização partidária, fere todas as cláusulas pétreas da Constituição Brasileira que se referem à liberdade de organização e de expressão.

1. Anita Leocádia Prestes – professora universitária (RJ)

2. Alan Woods – dirigente da Corrente Marxista Internacional (CMI)

3. Ana Claudia de Almeida Garcia – advogada (RJ)

4. Alessandra Soares Gomes – assistente social (RJ)

5. Adelaide Gonçalves – historiadora, Universidade Federal do Ceará (CE)

6. Achille Lolo – editor de TV e correspondente do jornal Brasil de Fato em Roma (Itália)

7. Adriano Nascimento – professor – UFAL (AL)

8. André Moreau – jornalista e cineasta (RJ)

9. Angélica Lovatto – professora FFC/UNESP (SP)

10. Antonio Carlos Maciel – prof. , doutor, diretor do Campus Universitário da UF de Rondônia (RO)

11. Antonio de Campos – pres. da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos – APAP (PE)

12. Antonio Rago - professor da PUC/SP

13. Argemiro Pertence – engenheiro, diretor da Casa da América Latina (RJ)

14. Armando Boito - professor de Ciência Política da Unicamp (SP)

15. Associação Cultural José Marti (RJ)

16. Associação para o Desenvolvimento da Imprensa Alternativa – ADIA (RJ)

17. Aton Fon Filho – advogado (SP)

18. Augusto Buonicore – membro da Fundação Maurício Grabois, historiador (SP)

19. Aurélio Fernandes – Morena/Brigadas Populares

20. Beto Almeida – jornalista, diretor da Telesur

21. Caio Navarro Toledo – professor da Unicamp (SP)

22. Carlos A. Lozano Guillen – dir. do Semanário Voz e dirig. do Pólo Democrático Alternativo (Colômbia)

23. Carlos Alberto Barão – historiador (RJ)

24. Carlos Bauer – professor universitário (SP)

25. Carlos Casanueva – secretário geral do Movimento Continental Bolivariano – MCB (Chile)

26. Carlos Duarte – Presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo (SP)

27. Carlos Eugênio Clemente – ex Comandante da ALN - Aliança Libertadora Nacional (RJ)

28. Carlos Luis Casabianca – dirigente do Movimento das Vítimas da Ditadura de Stroessner (Paraguai)

29. Carlos Nelson Coutinho – professor universitário (RJ)

30. Casa da América Latina

31. Ceci Juruá – economista e pesquisadora (RJ)

32. Celso Frederico – professor universitário (SP)

33. Cesar Benjamin – editor (RJ)

34. César Labre – professor da UFMA (MA)

35. Chico Alencar – Deputado Federal – PSOL (RJ)

36. Claudia Santiago – jornalista (RJ)

37. Consulta Popular

38. Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes – CCLCP

39. Corrente Marxista Internacional (CMI)

40. Cristiano Ferraz – professor de história da UESB (BA)

41. CSP – CONLUTAS

42. Daniel Rodrigues – professor universitário (PE)

43. Danilo Matuscelli – professor universitário (SC)

44. Dirlene Marques – professora universitária (MG)

45. Duarte Pacheco Pereira – jornalista e escritor (SP)

46. Eliel Machado – professor da Universidade Estadual de Londrina (PR)

47. Eliete Ferrer – professora (RJ)

48. Eliomar Coelho – vereador do Rio de Janeiro – PSOL (RJ)

49. Elza Margarida de Mendonça Peixoto – professora universitária – UFEL – Londrina (PR)

50. Emanuel Cancella – Sindipetro (RJ)

51. Federação de Estudantes Universitários – FEU (Colômbia)

52. Fernando Cataldi – advogado (RJ)

53. Fernando Siqueira – presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (RJ)

54. Flávio Tavares – jornalista e escritor, autor, entre outros, de “O dia em que Getúlio matou Allende” (RJ)

55. Franklin Oliveira Jr – escritor e professor universitário (BA)

56. Frente Democrática pela Libertação da Palestina

57. Frente Popular pela Libertação da Palestina

58. Fundação Dinarco Reis

59. Gaudêncio Frigotto – Professor da UERJ (RJ)

60. Geraldo Pereira Barbosa – Executiva da Direção Nacional da Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (SC)

61. Gesa Linhares Correa – Direção Nacional do PSOL e Coordenação Nacional da Intersindical (RJ)

62. Gilberto Cervinski – Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MA)

63. Gilda Arantes – professora universitária (RJ)

64. Gilcilene Barão – professora da UERJ (RJ)

65. Glória Inês Ramírez – Senadora do Pólo Democrático Alternativo (Colômbia)

66. Guillermo Caviasga – historiador e professor (Argentina)

67. Günter Pohl – Comitê Central do Partido Comunista Alemão – DKP (Alemanha)

68. Hamilton Octavio de Souza – jornalista – Brasil de Fato e Caros Amigos – professor da PUC (S)

69. Haroldo Baptista de Abreu – professor da UFF (RJ)

70. Heloísa Greco – professora e militantes de direitos humanos – BH (MG)

71. Heloísa Fernandes – socióloga, professora da Escola Nacional Florestan Fernandes e da USP (SP)

72. Henrique Meira de Castro – ABRAPSO – Núcleo Bauru (SP)

73. Henrique Soares Carneiro – professor e doutor da USP (SP)

74. Horácio Martins de Carvalho – engenheiro agrônomo (PR)

75. Humberto Santos Palmeira - Dirigente Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores

76. Ildo Sauer – professor universitário (SP)

77. Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (MG)

78. Intersindical (Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora)

79. Intersindical (Instrumento de Luta, Unidade da Classe e Construção de uma Nova Central)

80. Iracy Picanço – professora da UFBA (BA)

81. Ivan Valente – Deputado Federal – PSOL (SP)

82. Ivana Jinkings – editora (SP)

83. Jacob David Blinder (médico sanitarista (BA)

84. Jaime Caycedo – Secretário Geral do PC Colombiano e Vereador em Bogotá (Colômbia)

85. James Petras – professor emérito da Universidade de Nova Iorque (USA)

86. Janira Rocha – Deputada Estadual – Rio de Janeiro – PSOL (RJ)

87. Jean Douglas Zeferino Rodrigues – PSOL Indaiatuba (SP)

88. Jefferson Moura – Presidente Regional do PSOL (RJ)

89. João Luiz Duboc Pinaud – Pres. Comissão de DH do IAB, Casa da América Latina e Assoc. Americana de Juristas (RJ)

90. João Claudio Platenik Pitillo – Diretor da FAFERJ (Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro)

91. João Paulo Rodrigues – dirigente do MST

92. João Pedro Stedile – dirigente da Via Campesina

93. João Quartim Moraes - professor universitário (SP)

94. Joel Barcellos – ator

95. Joel Filartiga – presidente da Coordenadora Paraguaia de Solidariedade a Cuba (Paraguai)

96. Jonas Duarte – professor de história da UFPB e pesquisar do CNPq (PB)

97. Jorge Beinstein – professor titular da Universidade de Buenos Aires (Argentina)

98. Jorge Figueiredo – editor de resistir.info (Portugal)

99. José Claudinei Lombardi – coordenador executivo do HISTE DBR – DEFHE-FE – UNICAMP (SP)

100. José Laercio Martuchelli Nogueira – estudante de astronomia UFRJ (RJ)

101. José Maria – Presidente Nacional do PSTU

102. Katia da Matta Pinheiro – historiadora, prof. Universitária, diretora da Casa da América Latina (RJ)

103. Laércio Cabral Lopes – professor universitário (RJ)

104. Laerte Braga – jornalista (MG)

105. Leandro Konder – professor universitário (RJ)

106. Lenin Novaes – jornalista, Pres. da Comissão de Liberdade de Imprensa e DH da ABI (RJ)

107. Lorene Figueiredo – professor da UFF (RJ)

108. Lincoln Penna –professor universitário, Presidente do MODECON (RJ)

109. Lincoln Secco - professor da USP (SP)

110. Luciana Fernandes Dias - professora de história da rede pública (RJ)

111. Luciano Martorano – cientista político, professor da Unicamp, da Revista Crítica Marxista (SP)

112. Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - Departamento de Ciência Política da PUC (SP)

113. Luis Acosta – professor da UFRJ e presidente da ADUFRJ – SSIND (RJ)

114. Luis Mergulhão – professor (RJ)

115. Luiz Bernardo Pericás - historiador e escritor (SP)

116. Luiz Ragon – diretor de Direitos Humanos da Casa da América Latina (RJ)

117. Luiz Rodolfo Viveiros de Castro (Gaiola) – militante comunista (RJ)

118. Manuel J. Montañez Lanza – politicólogo (Venezuela)

119. Marcello Cerqueira – advogado (RJ)

120. Marcelo Badaró – professor universitário (RJ)

121. Marcelo Botosso – professor (SC)

122. Marcelo Buzzetto – direção do MST-SP e do setor de Relações Internacionais do MST

123. Marcelo Durão – dirigente do MST (RJ)

124. Marcelo Freixo – Deputado Estadual – PSOL (RJ)

125. Marcelo Machado – dirig. nacional do MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados (RJ)

126. Márcio Lupatini – professor universitário (MG)

127. Marco Antonio Villela dos Santos – CeCAC – Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho (RJ)

128. Marcos Del Roio – professor universitário, Presidente do instituto Astrojildo Pereira (SP)

129. Marcus Robson Nascimento Costa – professor universitário, promotor aposentado (AL)

130. Maria de Fátima Felix Rosar – professora universitária – UFMA (MA)

131. Maria Inês Souza Bravo – professora universitária (RJ)

132. Maria Isa Jinkings - livreira

133. Marly Vianna – professora universitária (RJ)

134. Maurício Azêdo – jornalista (RJ)

135. Miguel Urbano Rodrigues – escritor e editor de odiario.info (Portugal)

136. Milton Temer – jornalista e dirigente nacional do PSOL (RJ)

137. Modesto da Silveira – advogado

138. Movimento Revolucionário Nacionalista/Brigadas Populares

139. Movimento Continental Bolivariano (MCB)

140. Movimento dos Trabalhadores Desempregados - MTD

141. Movimento dos Trabalhadores sem Terra – MST

142. Nader Alves Bujah – Comitê Democrático Palestino

143. Najeeb Amado – secretário geral do Partido Comunista Paraguayo (Paraguai)

144. Natalia Vinelli – jornalista, diretorra da Barricada TV (Argentina)

145. Nestor Kohan – Cátedra Che Guevara (Argentina)

146. Nise Jinkings – professora universitária – UFSC (SC)

147. Orlando Oscar Rosar – professor universitário – UFMA (MA)

148. Osvaldo Coggiola – professor de história da USP (SP)

149. Otto Filgueiras – jornalista (SP)

150. Partido Comunista Alemão – DKP (Alemanha)

151. Partido Comunista Colombiano (PCC)

152. Partido Comunista de Espanha (PCE)

153. Partido Comunista de Venezuela (PCV)

154. Partido Comunista do Equador (PCE)

155. Partido Comunista do México (PCM)

156. Partido Comunista dos Povos de Espanha (PCPE)

157. Partido Comunista Grego (KKE)

158. Partido Comunista Libanês

159. Partido Comunista Paraguayo (PCP)

160. Partido Comunista Peruano (PCP)

161. Partido do Povo Palestino

162. Partido Revolucionário dos Comunistas das Canárias

163. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU (Brasil)

164. Paulo Douglas Barsotti - professor da FGV (SP)P

165. Paulo Metri – diretor do Clube de Engenharia (RJ)

166. Paulo Moura – ambientalista e fotógrafo – Petrópolis (RJ)

167. Paulo Passarinho – economista e apresentador do Programa Faixa Livre (RJ)

168. Paulo Ribeiro Cunha – professor FFC-UNESP (SP)

169. Pedro Jorge de Freitas – professor da Universidade Estadual de Maringá (PR)

170. Pery Thadeu Oliveira Falcón – Centro de Estudos Victor Meyer (BA)

171. Pólo de Renascimento Comunista Francês (PRCF)

172. Raymundo Araujo – médico veterinário homeopata (RJ)

173. Ricardo Antunes – sociólogo (SP)

174. Ricardo Gebrim (SP) – dirigente da Consulta Popular

175. Ricardo Moreno – professor da UNEB e da Revista Dialética (BA)

176. Robério Paulino – professor da UFRN (RN)

177. Roberto Leher – professor da UFRJ (RJ)

178. Roberto Morales – fundador do PSOL – Brasil (RJ)

179. Ronald Barata – Movimento de Resistência Leonel Brizola

180. Rondon de Castro – docente; presidente da SEDUFSM/Andes – Santa Maria (RS)

181. Rosa Couto – Secretária da Consulta Popular (SC)

182. Rubim Aquino – professor e historiador (RJ)

183. Sandra Quintela – economista (RJ)

184. Sargento Amauri Soares – Deputado Estadual (SC)

185. Serge Goulart – direção nacional do PT, dirigente da CMI - Corrente Marxista Internacional (SC)

186. Sérgio Caldieri – jornalista, escritor, 1º Secretário do Conselho Deliberativo da ABI

187. Sérgio Lessa – professor da UFAL (AL)

188. Sérgio Miranda –ex Deputado Federal (MG)

189. Severino Nascimento (Faustão) – dirigente nacional da CUT (SP)

190. Silvana Aparecida de Souza – professora (PR)

191. Sindicato dos Advogados de São Paulo (SP)

192. Solange Rodrigues – jornalista e cineasta (RJ)

193. Takao Amano – advogado (SP)

194. Tarcizo de Lira Paes Martins – professor universitário (PB)

195. Tatiana Brettas – dirigente da Consulta Popular (RJ)

196. União da Juventude Comunista (UJC)

197. Unidade Classista (Brasil)

198. Valério Arcary – professor do IFSP e militante do PSTU (SP)

199. Via Campesina – Brasil

200. Victor Leonardo de Araujo – economista, pesquisador do IPEA (DF)

201. Virginia Fontes – professora e historiadora (RJ)

202. Vito Giannotti – jornalista (RJ)

203. Waldemar Rossi – membro da Coord. da Pastoral Operária e da Oposição Metalúrgica de SP

SIONISTAS QUEREM CRIMINALIZAR O PCB E TENTAM NO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL A CASSAÇÃO DO REGISTRO DO PARTIDO

(Nota Política do PCB)

Fomos informados de que uma entidade chamada CONIB (Confederação Israelita do Brasil) teria formalizado, no início deste mês, representação contra o PCB (Partido Comunista Brasileiro), junto ao TSE, alegando prática de “anti-semitismo”, por ter a página do partido na internet publicado artigo denominado “Os Donos do Sistema: o Poder Oculto; de Onde Nasce a Impunidade de Israel”.

Apesar de ainda não conhecermos os termos da representação (não divulgada por esta CONIB), inferimos que sua verdadeira intenção é tentar cassar o registro do PCB, como se isso fosse possível pelas leis brasileiras e como se pudessem calar a voz dos verdadeiros comunistas brasileiros. Nosso partido – o mais antigo do Brasil, fundado em 1922 - foi escolhido criteriosamente para esta ofensiva por razões que nos orgulham. Além de lutarmos pela superação do capitalismo, praticamos com firmeza e independência o internacionalismo proletário, a solidariedade a todos os povos em luta contra o imperialismo e o sionismo.

A nosso ver, trata-se de uma ação política, muito mais do que jurídica.

O texto é de autoria do jornalista argentino Manuel Freytas, divulgado originalmente num sítio eletrônico antiimperialista de seu país, denominado IAR Notícias, e reproduzido mundialmente por vários portais progressistas, listados ao final desta nota.

Segundo a apócrifa nota publicada pela citada CONIB (www.conib.org.br), o artigo divulgado pelo PCB se utiliza “de imagens apelativas, distorções da realidade e argumentos conspiratórios e claramente anti-semitas”.

Declara ainda que o artigo revela “alto grau de desconhecimento do cenário político-econômico internacional”, por repetir chavões da obra “Os Protocolos dos Sábios de Sião, farsa montada pela polícia czarista da Rússia, no século 19”. Assim, o PCB é acusado de “incentivar a discriminação e a proliferação da intolerância religiosa, étnica e racial em nosso país”.

Termina a nota afirmando que a representação baseia-se na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, com a “finalidade de evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”.

Diante deste fato, a Comissão Política Nacional (CPN) do Comitê Central do PCB vem a público se pronunciar:

1 – O PCB não se intimidará diante da pressão de organizações sionistas e de direita e continuará prestando ampla, geral e irrestrita solidariedade ao povo palestino, vítima da escandalosa impunidade de Israel, tema do artigo considerado ofensivo. Desrespeitando todas as Resoluções da ONU, o estado assumido como judeu continua ampliando a ocupação de territórios dos palestinos, derrubando suas casas, criando o chamado “Muro do Apartheid” , invadindo e cercando a Faixa de Gaza, onde impede a entrada de ajuda humanitária (inclusive alimentos e medicamentos), assassinando e prendendo militantes palestinos, mantendo mais de 11.000 deles em condições abjetas em seus cárceres. Mais do que isso, continuaremos a denunciar que Israel se transformou numa grande base militar norte-americana no Oriente Médio. O país é o primeiro destino da ajuda militar estadunidense no mundo e o único do Oriente Médio a ter direito a armas nucleares, sem permitir a inspeção internacional que exige de outros países.

2 – A ofensiva sionista e imperialista contra o PCB se deve também ao fato de que nosso Partido empresta e continuará emprestando seu apoio militante aos diversos Comitês de Solidariedade ao Povo Palestino que se consolidam e se multiplicam pelo Brasil. No nosso portal, este texto foi escolhido aleatoriamente, pois uma simples pesquisa pode verificar que os artigos e informações sobre a luta contra o Estado terrorista de Israel se contam às centenas, muitos deles mais contundentes que o escolhido pela confederação sionista brasileira para tentar intimidar e criminalizar o PCB. Publicamo-lo exatamente há um ano, mas só agora ele é “descoberto”

3 – É significativo que esta atitude intimidatória (que está se dando em vários países) ocorra no exato momento em que as duas maiores organizações políticas palestinas (Fatah e Hamas) anunciam a retomada de seus entendimentos e o desejo de dividir a responsabilidade pela administração dos territórios palestinos, que foram separados arbitrariamente pelas forças militares israelenses com o uso da violência e da ocupação.

4 – A unidade dessas duas organizações contraria os planos imperialistas de divisão sectária entre os palestinos – exatamente porque cria melhores condições para o reconhecimento internacional do Estado Palestino e para uma negociação pela paz na região -, tudo que Israel não deseja, apesar das reiteradas resoluções da ONU nesse sentido.

5 - Coincide também com a satanização do mundo muçulmano, este sim vítima de preconceitos e estigmatização, sem que a mídia burguesa se utilize de expressões como “anti-islamismo”, “anti-xiitismo”, “anti-sunitismo” etc. Coincide também com a proximidade da Assembléia Geral da ONU que, no próximo mês de setembro, discutirá o reconhecimento do Estado Palestino.

6 - Coincide também com a movimentação imperialista para ampliar a agressão militar no Norte da África e no Oriente Médio, para além do Iraque e do Afeganistão. Coincide com a descarada intervenção militar na Líbia, com as provocações contra a Síria e o Irã, acusados de solidários aos palestinos.

7 - As declarações das autoridades israelenses sobre a unidade dessas organizações palestinas deixam em evidência, inclusive para os que tinham dúvidas, que Israel não tem qualquer interesse na paz na região e muito menos na criação do Estado Palestino. Fica claro que o objetivo do sionismo é ocupar todo o território palestino, através dos assentamentos judeus ilegais, transformando o antigo território palestino no que chamam de Grande Israel.

8 – Não tememos qualquer processo judicial, porque conhecemos as leis brasileiras, que têm como cláusula pétrea constitucional o livre direito de expressão e a proibição da censura, que, no fundo, é o que intenta a suposta cúpula sionista no Brasil.

9 – Não tememos também porque sabemos que teremos a solidariedade firme e militante de centenas de organizações políticas e sociais e personalidades democráticas, não só do Brasil, mas de todo o mundo, uma vez que se dê curso à representação contra o PCB.

10 – Não há, em qualquer documento do PCB qualquer intolerância religiosa, étnica e racial contra qualquer povo ou comunidade. Criticar a direita sionista judaica não significa criticar a comunidade judaica que, no Brasil e no mundo, é composta também por militantes democratas, humanistas e comunistas, que lutam contra o Estado terrorista de Israel e se solidarizam com o povo palestino. O PCB tem uma vasta e orgulhosa tradição, desde a sua fundação até os dias de hoje, de contar com militantes e amigos de origem judaica.

11 - Os comunistas, em todo o mundo, somos contra qualquer discriminação e nacionalismos xenófobos, porque lutamos por um mundo de iguais, sem fronteiras, sem Estado, sem forças armadas, sem opressores e oprimidos. Nunca apresentamos qualquer crítica a qualquer religião, apesar de sermos um partido laico, desde este ponto de vista. Também estranhamos a CONIB alegar intolerância racial, pois acreditamos que todos os povos pertencem à raça humana.

12 - Os comunistas do mundo inteiro tiveram papel decisivo na luta contra o nazi-fascismo que vitimou os judeus, mas também a muitos outros povos. O povo russo, dirigido pelo PCUS, foi o que entregou mais vidas em defesa da humanidade.

13 – O sítio do PCB na internet é um espaço de difusão não apenas das opiniões do PCB, mas de outras organizações e personalidades com alguma afinidade política, porque objetiva também prestar informação e fomentar o debate sobre questões candentes, nacionais e internacionais. Na primeira página de nosso sítio na internet (www.pcb.org.br), deixamos claro que:

“Só publicamos nesta página textos que coadunam, no fundamental, com a linha política do PCB, a critério dos editores (Secretariado Nacional do CC). Quando não assinados por instâncias do CC, os textos publicados refletem a opinião dos autores”.

14 - Com o texto ora questionado pela central sionista brasileira temos uma identidade política, na medida em que denuncia a impunidade de Israel, os massacres que comete contra o povo palestino, o seu papel econômico e militar no contexto do imperialismo. Publicamo-lo como um artigo de opinião, como contribuição ao debate, mesmo que algumas das opiniões ali expostas possam ter caráter polêmico para o PCB e diferir, em alguns aspectos, de nossa análise marxista da luta de classes no âmbito mundial.

15 – Por esta razão – e de forma alguma para fugir de procedimentos judiciais que não tememos até porque são incabíveis – estamos aqui oficialmente convidando a direção da Confederação Israelita do Brasil a exercer o direito de resposta, no mesmo meio em que divulgamos o artigo criticado, ou seja, a página do nosso Partido, no tamanho que julgar conveniente para se contrapor aos argumentos expostos pelo autor do texto “Os Donos do Sistema”. Como certamente o texto da CONIB deverá ser uma exceção ao nosso critério da afinidade política, nos reservaremos o direito de publicá-lo com comentários de nosso Partido.

16 – Este convite, além de democrático, atende à preocupação da CONIB de que sua finalidade, ao adotar a medida judicial, é “evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”. Portanto, estejam à vontade para nos enviar para o nosso endereço eletrônico a manifestação de seu direito de defesa, que será publicado imediatamente com o mesmo destaque que mereceu o artigo atacado.

17 – Esperamos também que a recíproca seja verdadeira, ou seja, que a CONIB publique em sua página a íntegra desta presente nota política do PCB. Aproveitamos para sugerir que, no mesmo documento que nos mandarem, possamos conhecer suas posições em relação às Resoluções do último Congresso Nacional do PCB, a respeito do tema, e que transcrevemos aqui na íntegra:

“XIV Congresso Nacional do PCB (outubro de 2009):

DECLARAÇÃO DE APOIO À CONSTRUÇÃO DO ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR E LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO:

1) Pelo fim imediato da ocupação israelense nos territórios tomados em 1967, fazendo valer o inalienável direito à autodeterminação do povo palestino sobre estes territórios;

2) Aplicação de todas as resoluções internacionais não acatadas pelo sionismo;

3) Garantia aos refugiados (atualmente, 65% da totalidade do povo palestino) de retorno às terras de onde foram expulsos (Resolução 194 da ONU);

4) Libertação imediata dos cerca de 11.000 prisioneiros, entre eles Ahmad Saadat, Secretário Geral da FPLP, e outros dirigentes da esquerda;

5) Reconstrução da OLP, ou seja, reconstrução da unidade política necessária às tarefas que estão colocadas para o bravo povo palestino, com garantia de participação democrática de todas as forças políticas representativas dos palestinos;

6) Apoio irrestrito a todas as formas de resistência do povo palestino;

7) Destruição do muro do apartheid, conforme resolução do Tribunal de Haia;

8) Demolição e retirada de todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia/Jerusalém;

9) Fim imediato do bloqueio assassino a Gaza;

10) Pelo fomento de campanha internacional para levar os criminosos de guerra sionistas aos tribunais de justiça, dentre os quais, o Tribunal Internacional de Haia. Fomento de campanhas locais, nas cidades brasileiras, para julgamento dos criminosos de guerra em nossos tribunais;

11) Estabelecimento de sólida relação entre os partidos comunistas irmãos para concretizar ações de solidariedade e, em especial, apoio logístico à materialização desta luta;

12) Apoio a todas as iniciativas que visem estreitar laços entre os partidos da esquerda palestina, em especial a Frente Democrática pela Libertação da Palestina (FDLP), a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), Povo Palestino, em unidade concreta programática e de ação.

POR UM ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR, LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO! PELA TOTAL INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS EM 1967! PELO RETORNO DOS REFUGIADOS E JERUSALÉM CAPITAL! LIBERTAÇÃO DE TODOS OS 11.000 PRISIONEIROS PALESTINOS! PELA CONDENAÇÃO INTERNACIONAL DOS CRIMINOSOS DE GUERRA!

18 – Mas voltando ao artigo que gerou a representação, para que suas críticas se centrem na contestação às informações ali prestadas, ao invés de se esconderem sob o manto autoritário da acusação de “anti-semitismo”, sugerimos que releiam o texto, sem sectarismo nem preconceito. Verão que, apesar de polêmico e contundente, não tem qualquer intolerância religiosa, étnica e muito menos racial, porque os judeus, como todos os povos, são da mesma raça humana.

19 – O texto, em nenhum momento, atinge o conjunto do povo judeu, mas à sua liderança hegemônica - direitista, sionista e terrorista - deixando claro que nem todos os judeus concordam com seus métodos e que há vários intelectuais, organizações e militantes judeus que condenam e protestam contra o genocídio em Gaza e outras violências do Estado de Israel, o que, ao que tudo indica, não é o caso desta CONIB, cuja missão é impedir e desvirtuar o debate sobre Israel, com a única arma de que dispõe: um carimbo em que se lê apenas a expressão “ANTI-SEMITA”.

20 – O texto faz questão de eximir a religião judaica da violência do Estado de Israel, apesar deste se apresentar como estado judeu. Vejam estas passagens do artigo:

“Israel não invadiu nem perpetrou um genocídio militar em Gaza com a religião judia, senão com aviões F-16, bombas de rácimo, helicópteros Apache, tanques, artilharia pesada, barcos, sistemas informatizados, e uma estratégia e um plano de extermínio militar em grande escala. Quem questione esse massacre é condenado por "anti-semita" pelo poder judeu mundial distribuído pelo mundo”.

“O lobby sionista pró-israelense não reza nas sinagogas, senão na Catedral de Wall Street: um detalhe a ter em conta, para não confundir a religião com o mito e com o negócio”.

21 – Finalmente, apesar de algumas divergências que, como marxistas, possamos ter com aspectos do texto objeto desta polêmica, assinamos embaixo as seguintes declarações textuais do autor:

“As campanhas de denúncia de anti-semitismo com as quais Israel e organizações judias buscam neutralizar as críticas contra o massacre, abordam a questão como se o sionismo judeu (sustentáculo do Estado de Israel) fosse uma questão "racial" ou religiosa, e não um sistema de domínio imperial que abarca interativamente o plano econômico, político, social e cultural, superando a questão da raça ou das crenças religiosas”.

“A esse poder (o lobby sionista internacional), e não ao Estado de Israel, é o que temem os presidentes, políticos, jornalistas e intelectuais que calam ou deformam diariamente os genocídios de Israel no Oriente Médio, temerosos de ficarem sepultados em vida, sob a lápide do "anti-semitismo".

22 - A CONIB, com seu gesto de censura e de criminalização ao PCB, revela que é parte integrante deste lobby. Mas estejam certos que não calarão nem sepultarão o PCB em vida, tarefa que não foi possível nem para os traidores e nem pelas mais cruéis ditaduras de direita que marcaram a história do nosso Partido, que se confunde com a história do Brasil.

Observações:

1 - Segundo levantamento feito pela Federação Árabe-Palestina, apenas em 2011, a CIA destinou 120 milhões de dólares, para financiar o sistema de difamação da religião islâmica no Brasil. A entidade não dispõe de dados sobre os valores aplicados pelo lobby sionista em nosso país.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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