sábado, 15 de janeiro de 2011

AS CHUVAS E O PROLETARIADO: só para lembrar! E 2011?

As chuvas, o proletariado e a responsabilidade de Lula, Cabral e Paes na tragédia do Rio de Janeiro

No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.

Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.

O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.

Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.

Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.

É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.

Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!

Coletivo Marxista

ILUSÕES PERDIDAS


Por Juliano Medeiros

Unamérica soy!

Publicado em Diário Liberdade


O romance Ilusões Perdidas, de Honoré Balzac, foi escrito em 1843 e retrata os descaminhos do jovem poeta Lucien Chardon em busca de fama e reconhecimento. Mas este título também poderia resumir o sentimento daqueles que esperavam um "giro à esquerda" no governo de Dilma Roussef. Com menos de 15 dias desde a posse da nova presidenta, já é possível observar algumas tendências que demonstram porque Dilma deve frustrar qualquer expectativa de mudanças.


Logo após a vitória de Dilma, muitos especularam sobre quais seriam as linhas gerais de seu governo. Política econômica, relações exteriores e a postura diante de temas polêmicos como a legalização do aborto ou a regulação social do monopólio dos meios de comunicação foram temas que dominaram as análises nas primeiras semanas após a vitória da petista. O anúncio dos novos ministros também recebeu grande atenção, embora o perfil geral da composição não tenha sofrido alterações significativas.


Nos últimos dias, porém, os jornais divulgam um bombardeio de anúncios que incluem cortes orçamentários, restrição de investimentos e – o mais preocupante – medidas de caráter privatista, como a abertura do capital da Infraero, a privatização de aeroportos e a nova rodada de leilões do petróleo do Pré-Sal.


Em entrevista publicada na última segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times, o ministro Guido Mantega afirmou que a reforma administrativa na Infraero poderia melhorar a gestão de alguns dos principais aeroportos do país, tendo em vista a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Segundo o ministro, é preciso "melhorar a governança [da Infraero] e modernizá-la para preparar sua entrada na bolsa". Dias antes, membros do governo já haviam anunciado a intenção de enviar ao Congresso Nacional uma Medida Provisória que prevê a exploração privada de novos terminais em Viracopos e Guarulhos, passo decisivo para consumar a entrega dos serviços aeroportuários à iniciativa privada.


Na semana anterior, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou a realização dos primeiros leilões das reservas do pré-sal ainda neste ano. A partir dos leilões, o lucro obtido com a tão badalada exploração do pré-sal será partilhado entre a Petrobrás e empresas privadas nacionais e internacionais. Embora a Petrobrás tenha garantida a participação societária mínima de 30% nas áreas que forem licitadas, o regime de partilha ainda assegura lucros extraordinários aos investidores estrangeiros, o que tem sido denunciado pelos movimentos sociais, que reivindicam o controle estatal da Petrobrás sobre a totalidade da exploração e produção do petróleo dessas e de outras reservas. Aos que tinham esperanças de que Dilma pudesse retardar os leilões, o anúncio foi um verdadeiro balde de água fria.


No entanto, as medidas privatistas anunciadas até agora não são os únicos indícios de que Dilma manterá a mesma orientação conservadora herdada de seu antecessor. Como ocorreu nos oito anos do Governo Lula, a maior parte do Orçamento da União para 2011 será destinada à rolagem da dívida pública. A proposta é que R$ 678,5 bilhões sejam destinados a pagar os juros e a amortização da dívida. Este valor representa mais de um terço do total do orçamento que chegará, no ano que vem, a R$ 2,07 trilhões. A proposta prevê ainda a manutenção do superávit primário em 3,1% do PIB. Para isso, a equipe econômica do governo prevê cortes de até R$ 60 bilhões, valor equivalente a todos os gastos do Ministério da Saúde e de todos os órgãos vinculados à pasta (Funasa, Anvisa, postos de saúde, hospitais, SAMU, farmácias populares, entre outros).


Esses fatos desmontam a tese de que Dilma fará um governo qualitativamente diferente do que foram os oito anos de Lula. Além disso, poderíamos citar vários outros, como a negativa por parte do novo Ministro das Comunicações diante das propostas de regulação social dos meios de comunicação, ou as declarações de Dilma a favor da criação de um programa semelhante ao Prouni para o ensino médio, proposta fortemente rechaçada esta semana pela governista Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ensino (CNTE).


Ou seja, quem esperava grandes mudanças de rumo sob o governo Dilma pode abandonar suas ilusões: as medidas apontam um governo ainda mais privatista e comprometido com a manutenção do atual modelo econômico. Uma pena, com certeza.


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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TRANSFORMANDO FLORES EM FRUTOS






Por Runildo Pinto – 13/01/2011 - Para Nathy Fagundes







Quem és tu?

InÍcio do caminho

Implícitos problemas

O da percepção, NÃO!

A necessidade de descobrires a ti mesma

É Uma tarefa difícil.

Nascemos imersos

Em um sistema que esconde a nossa natureza!

Nossa existência nasce reprimindo a essência

No nascedouro, na fonte!

Para servires, para não descobrires onde esta a vida,

Um autômato!

Para reproduzires em hábitos os interesses do sistema capitalista!

Parecendo serem seus, mas não os são verdadeiramente, não os são!

Privatizam a tua individualidade, alienam a tua atividade humana

Colocam todos os conflitos no útero da família,

E depois canalizam para o mercado de consumo,

criando artifícios na forma de entretenimento, drogas

E todo o tipo de próteses,

bengalas que a moeda pode sustentar.

Uma primeira lição ao nascer: desumanizar-se

Descubras, então:

De onde vens, onde passas e onde vai

Navegas no mundo

Que veio, faz trajetórias e vai!

O jogo de interesses que move esta sociedade global,

A dinâmica devastadora

entre

o idealismo,

iluminismo,

metafísica,

dialética

materialismo,

modernismo,

neoliberalismo<-->pós-modernismo

democracia,

liberalismo e conservadorismo

O dito liberar para conservar.

Ah! E a Filosofia?

Descubra o subjetivo e o objetivo, traga-a para a vida cotidiana!

E há mudanças de época e paradigmas...

Dentro e para cima do sistema que novamente vem nos envolver,

para não sentir, apenas repetir.

As pessoas sabem o que está acontecendo na época presente?

Se há mudanças e seus hábitos, gostos, desejos e vontade são autênticos?

Ou são produtos da dominação, incorporados como forma de existência?

Assim movem-se os seres humanos:

envolvidos pelos interesses oriundos dos meios de produção,

Tecnologia e mídia!

A sociedade move-se assim,

Mediada pela relação com a produção das mercadorias:

O sistema e seus instrumentos de dominação

E o poder?

Alguém ou alguma classe tem o poder?

Descubra o que é ideologia e hegemonia?

Senso comum!

Pergunte ao velho Antônio!

O velho MARX, já dizia:

“A ideologia dominante é a ideologia da classe dominante”.

E quem és tu?

E quem sou eu?

O que é classe social?

Luta de classes!

Será que as pessoas se confundem com mercadorias?

Será que as pessoas sabem o que é o Amor?

E a democracia, existe?

Ou direitos e deveres também viraram mercadorias?

Estamos plantados nas prateleiras,

Na ilusão do shopping center?

Quem sou eu?

Onde estou mergulhado?

O que me conduz?

O que dá sentido a minha vida?

Tenho esclarecimento ou tenho técnica que trabalha para o lucro?

O que precisamos para ter autoestima?

Parece-me que somente a dignidade a sustenta!

É simples, dignidade, e mais nada!

Agora!

Podemos e devemos transformar essa relação?

Somos o agente desta empreitada?

Cabe ao Governo?

Ah, o Governo!

Este tem a mão do sistema sobre nossas cabeças?

E o Povo? Onde está o povo?

Emancipemos essa classe, a do povo trabalhador!

Esta é a nossa tarefa de revolucionários,

A grande questão colocada pelo existencialismo:

O que fazemos com o que o capitalismo fez de nós!

O grande paradoxo da vida.

Forjar a liberdade, por que estamos condenados a ser livres.

construindo o ser humano novo, não alienado e não egoísta,

por isto, devemos ser agentes desse processo, desse devir!

Temos, antes, ser pessoas integras, com uma ética e moral inabaláveis,

No espírito revolucionário exemplar, como o do nosso guerrilheiro heróico, Che!

E sem vacilar,

Daremos a vida nessa luta em qualquer lugar do mundo!

À emancipação histórica da humanidade!

Parece que optamos por levar uma vida de resistência,

E não estamos errados, acertamos na mosca!

Sabemos onde mora a Felicidade!

E somos felizes por que não separamos dor de Amor!

Com um beijo fraterno do pai-drasto.

Pátria ou Morte!

Até a Vitória! Venceremos!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tropas de Desestabilização*


José Luis Patrola e Thalles Gomes

“A Minustah deveria pacificar o país e hoje estamos pior. A Minustah mata haitianos", denunciou Ladiou Novembre, professor de ensino médio em Porto Príncipe, durante uma das dezenas de manifestações que eclodiram por todo o país nos últimos meses contra a ocupação militar da Minustah, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

De fato, 2010 tem sido o ano mais controverso da atuação da Minustah, que ocupa o território haitiano desde julho de 2004, quando foi criada sob o pretexto de que o Haiti representava “uma ameaça à paz e segurança da região”.

Durante os últimos seis anos foram recorrentes as denúncias de tortura, estupro e assassinato por parte de soldados da Minustah. Além disso, passados mais de onze meses desde o terremoto que abalou o país em 12 de Janeiro de 2010, as tropas da ONU ainda não foram capazes de dar uma resposta eficaz às vitimas do terremoto. Ruínas e acampamentos improvisados tomam as ruas da capital Porto Príncipe, mas não se vê nenhuma movimentação por parte das tropas militares para reconstrução de prédios e edifícios.

Ainda sob os efeitos dos estragos causados pelo terremoto, uma epidemia de cólera se alastrou pelo país a partir de meados de outubro, matando até a primeira quinzena de dezembro mais de dois mil haitianos e infectando outros 100 mil. Uma pesquisa divulgada no início de dezembro pelo jornal Le Nouvelliste confirmou aquilo que a população haitiana já suspeitava: foi a própria Minustah quem introduziu a cólera no Haiti. A pedido do governo da França, o epidemiologista francês Renaud Piarroux realizou uma investigação científica durante o mês de novembro e concluiu que a bactéria causadora da cólera foi trazida a solo haitiano pelo batalhão nepalês das Nações Unidas localizado no município de Mirebalais, às margens do Rio Lartibonite, que corta boa parte do país e é indicado como o principal foco de disseminação da epidemia.

A essa conjuntura calamitosa somaram-se conturbadas eleições presidenciais realizadas sob o aval da ONU no último dia 28 de novembro. Apesar dos apelos de diversos setores da população haitiana, de ONGs estrangeiras e inclusive da maioria dos candidatos, que solicitavam o adiamento da eleição até que a epidemia estivesse sob controle, a Minustah, junto com o Conselho Eleitoral Provisório [CEP], decidiram manter a data do pleito. O resultado foram eleições marcadas por diversas irregularidades como ausência e saque de urnas, atuação truculenta de militares, detenções, tiros e o assassinato de um jovem no departamento de Lartibonite, segundo informações da imprensa local e de observadores internacionais.

Os dias posteriores ao pleito foram marcados por denúncias de fraudes e marchas populares exigindo o cancelamento das eleições, sendo que pelo menos duas pessoas foram mortas em confronto com as tropas da ONU. Os aeroportos locais foram fechados. Os resultados preliminares divulgados em 07 de novembro pelo CEP mostraram a vitória em primeiro turno da ex-primeira-dama Mirlande Manigat, de 70 anos, com 31,37% dos votos, seguida por Jude Celestin, candidato do atual presidente Rene Preval, com 22,48%, enquanto o cantor Michel Martelly ocupava o terceiro lugar, com 21,85%.

Novos protestos foram registrados no país após o anúncio dos resultados, já que os simpatizantes de Martelly acreditam que fraudes levaram o candidato governista ao segundo turno, que deve acontecer em janeiro. Após as reiteradas denúncias e a pressão internacional, a Minustah e o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti anunciaram no dia 09 de dezembro que revisariam os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais.

É diante desse quadro de caos generalizado, com eleições fraudulentas, epidemia de cólera se alastrando a cada dia, ruínas e acampamentos improvisados causados por furacões e terremotos que se encontra o Haiti atualmente, o que faz emergir a pergunta sobre qual a real função da Missão da ONU no país e que papel ela joga na conjuntura atual do país e do continente. Mas para responder a essa questão é preciso compreender não só a formação em si do Haiti enquanto nação, como também inserir a Minustah dentro da trajetória de constante interferência de forças estrangeiras, armadas ou não, nessa formação.

Forças estrangeiras

O processo revolucionário que culminou com a independência haitiana em 1804 foi marcado por duras e sangrentas batalhas. Durante treze anos, mulatos e escravos daquela que era a colônia mais próspera das Américas derrotaram as três maiores potências bélicas do mundo. Os exércitos da Espanha, Inglaterra e França foram expulsos da pequena ilha caribenha e no dia primeiro de janeiro de 1804 o general Jean Jacques Dessalines declarou a independência do Haiti, até hoje a única revolução de escravos vitoriosa da história. Como afirma Gerald Mathurin, agrônomo e coordenador do movimento camponês KROS [Kòdinasyon Rejyonal Òganizasyon Sidès]: “Saímos do nada, de uma condição subumana, de uma massa de gente que não falava a mesma língua, que era açoitada dia e noite. E desta condição conseguimos com destreza e com visão liberar um país e fazer a independência. É um ato maior na história do mundo, porque vamos colocar em cena uma raça, uma qualidade de pessoas que antes se afirmava não serem humanos”.

Mas as potências ocidentais venderiam caro a derrota e continuaram com as ameaças de invasão do território haitiano. Isso obrigou os primeiros governantes haitianos a conformar uma verdadeira economia de defesa, investindo maciçamente na aquisição de armamentos e na construção de fortes por toda a costa haitiana, no intuito de impedir uma nova invasão e a recolonização do país.

Mas não era só com armas que as forças estrangeiras pressionavam o Haiti. A França, em conluio com os Estados Unidos, impuseram um embargo econômico ao novo país. Sem a possibilidade de aumentar suas divisas com a exportação de produtos, sem recursos para continuar resistindo às investidas militares, vendo os generais do antigo exército libertador imersos em disputas e assassinatos pelo poder, em 1825 o então presidente Jean Pierre Boyer sede à pressão francesa e concorda com o pagamento de uma suposta ‘dívida da independência’ a sua ex-metrópole, o que na prática sepultou de vez qualquer possibilidade de soberania econômica da jovem nação.

Conforma-se então, nas palavras do economista Camille Chalmers, “um Estado oligárquico, um Estado ao redor de novas classes dominantes que construíram seu poder marginalizando sistematicamente a classe camponesa que havia realizado a revolução antiescravista. Dessa forma, trata-se de um Estado que se constitui de maneira totalmente oposta à nação. Um Estado opressivo, um Estado oligárquico, um Estado depredador, que define seus interesses sobre o intercâmbio comercial com o estrangeiro e com o mercado capitalista”.

É desta cisão entre Estado e população que nascerá o clima de instabilidade política que permeará a história do Haiti até os dias de hoje. As seguidas intervenções estrangeiras que virão, ao invés de sanar essa situação, apenas a reforçarão.

É o que acontece em 1915, quando cerca de 20.000 marines estadunidenses invadem o país e lá permanecem até 1936, criando um Estado totalmente dependente e com um exército que obedece às ordens que vem diretamente de Washington, realizando assim a substituição da dependência do Haiti ante as potências européias pela dependência direta aos Estados Unidos.

Mas as intervenções não pararam por aí. Em 1957 o ditador François Duvalier chegou ao poder sob os auspícios do governo estadunidense. Durante os 29 anos de ditadura militar – primeiro com François Duvalier e, a partir de sua morte em 1971, com seu filho Jean Claude Duvalier – foram assassinados mais de 30.000 haitianos e a dívida externa do país subiu 40%.

Com a queda da ditadura dos Duvalier no final da década de oitenta, configura-se no Haiti um movimento de massas que busca resgatar a soberania nacional, um movimento popular que não estava lutando somente contra a ditadura, mas reivindicava também mudanças substanciais no contrato social. Uma nova repartição da riqueza, a realização da reforma agrária e o fim da marginalização do setor camponês. Foi esse movimento de massas que elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para a presidência em 1990. Este movimento tão forte foi duramente golpeado através de dois golpes de estado, em 1991 e 1994, com mais de 20.000 soldados dos Estados Unidos e toda uma estratégia de divisão, fragmentação e corrupção do movimento social popular através dos projetos de desenvolvimento das ONGs e das agências humanitárias como a USAID. Assim que, frente a esse movimento popular que tinha reivindicações claramente anti-neoliberais, montou-se todo um projeto neoliberal e grande parte da classe dominante haitiana aderiu a esse projeto, que foi implantado aproveitando a grande repressão ao movimento social. Estima-se que cerca de quatro mil haitianos foram mortos nesse período e mais de 12 mil militantes sociais forçados a exilar-se do país.

Novo século, novas ocupações

O século XXI se inicia com uma nova eleição de Jean Bertrand Aristide para a presidência do Haiti. Diante de um governo conturbado, que tenta conjugar frágeis aspirações soberanas com os interesses neoliberais imperialistas, a população haitiana presencia o surgimento de grupos paramilitares que, patrocinados pela CIA, iniciam o processo de desestabilização do governo em meados de 2003, até que em 2004 – ano do bicentenário da independência haitiana – Aristide é novamente deposto do poder após uma nova ocupação militar estadunidense.

A invasão dos marines é seguida pela resolução do Conselho de Segurança da ONU que determina a criação de uma missão de estabilização do Haiti, já que o país é visto como uma ameaça para a segurança do hemisfério. Formada por soldados de 36 países, tendo o exército brasileiro à frente e contando com a presença massiva de contingentes latino-americanos, as tropas da Minustah desembarcam em solo haitiano em abril de 2004, sob a falsa retórica de uma cooperação Sul-Sul que escamoteia uma ocupação militar no continente americano em pleno século XXI. Seus objetivos se dividem em quatro pilares fundamentais: estabilizar o país; pacificar e desarmar os grupos guerrilheiros e rebeldes; promover eleições livres e probas e fomentar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti.

Nos primeiros anos de ocupação militar, a Minustah se confrontou de fato com grupos armados e sequestradores que se escondiam em bairros pobres e representavam uma ameaça para a sociedade. Esses grupos foram eliminados ou presos, tanto que hoje o Haiti possui uma média de apenas 15 homicídios para cada 10 mil habitantes, enquanto países mais desenvolvidos como o Brasil e a África do Sul ostentam, respectivamente, 57 e 250 homicídios por 10 mil habitantes. A Minustah cumpria assim um de seus papéis, estabilizar o país frente às ameaças dos “bandos”. Lamentavelmente, a tropas da ONU não se preocuparam em eliminar ou prender os chefes dos grupos paramilitares patrocinados pela CIA, muito menos em garantir eleições probas e o desenvolvimento econômico do Haiti.

Crise estrutural

A vulnerabilidade causada pela epidemia de cólera, pela passagem de furacões e pelo terremoto de 12 de Janeiro não se origina em catástrofes naturais ou numa suposta falta de segurança no Haiti. A população haitiana se encontra nesta situação de constante vulnerabilidade devido aos graves problemas estruturais que assolam o país.

O Haiti é hoje a nação mais pobre do continente americano, com 56% da população abaixo da linha da pobreza, 39% analfabeta e com uma expectativa de vida de apenas 58,1 anos. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), um em cada dois haitianos não tem acesso à água potável e apenas 19% da população têm acesso ao sistema de saneamento básico. Apesar de ser uma sociedade essencialmente rural, com 66% da população vivendo no campo, as famílias camponesas não tem acesso a terra ou créditos, o que faz com que hoje o Haiti importe 80% dos alimentos que consome.

No Haiti, a miséria já existia antes de qualquer terremoto, furacão ou cólera.

Ao não lidar com os problemas estruturais, atuando para amenizar as conseqüências das tragédias ao invés de buscar combater suas causas, a atuação das forças estrangeiras só reforça a instabilidade e vulnerabilidade do país. Entretanto, longe de configurar um erro de estratégia ou falta de conhecimento, essa parece ser uma atitude prenhe de intencionalidade. Não por coincidência, o Haiti é hoje o 4º maior importador de arroz dos Estados Unidos, zonas francas ‘maquiladoras’ se espalham na fronteira com a República Dominicana enriquecendo através da super-exploração da força do trabalho, um contingente de cerca de três milhões de haitianos e haitianas serve de mão-de-obra barata no exterior e o ex-presidente estadunidense Bill Clinton foi escolhido para gerir os $9,9 bilhões de dólares a serem destinados à Comissão Provisória para a Reconstrução do Haiti (CIRH).

Ao que parece, a miséria haitiana gera lucros e suas tragédias alimentam o desenvolvimento alheio.

Diante dessa conjuntura, a grande pergunta que se coloca a população latino-americana e aos governos dos países que mantém seus exércitos ocupando o território haitiano há mais de seis anos é: que interesses defende realmente a Minustah e o que tem feito para ajudar o Haiti a superar sua crise estrutural?

Para Gerald Mathurin, a resposta parece ser simples: “Os militares que vieram antes, e os que vêm agora, têm sempre a mesma missão, têm sempre o mesmo objetivo, que é aplicar o projeto do imperialismo”.

*[Artigo publicado na Revista America Latina en Movimiento 461 http://alainet.org/publica/461.phtml]



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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

HIPOCRESÍA! NO MÁS!


En 20 de diciembre de 2010

*Vânia Mattos

**Traducción Bolívar Almeida


“Libertad es el derecho que todo hombre tiene a ser honrado, y a pensar y hablar sin hipocresía” . (José Martí)


Luchar por la libertad! Indudablemente, uno de los más grandes ideales de José Martí, en sus reflexiones y actos por la independencia de Cuba. Martí comprendió el dinamismo de la historia, y que toda guerra por la libertad es una batalla de ideas.

La libertad de pensar y hablar sin hipocresía de que habla Martí es, en nuestros dias, un poderoso instrumento en la lucha contra la tirania. Sabemos todos que muchas veces, las tiranias se disfrazan com ropas de ‘democracia’.

Atento, el gobierno revolucionario cubano, inspirado en los enseñamientos de José Martí, empéñase permanentemente en combatir y desenmascarar la tirania y las farsas capitaneadas por el imperialismo y sus seguidores, que usan los grandes medios, para desestabilizar gobiernos reconocidamente democráticos, máxime Cuba. El terrorismo midiático desinforma, diseminando su visión de mundo, es decir, imponiendo los valores que interesan a las clases dominantes locales y a Washington.

En ese contexto queremos contribuir para el debate sobre ‘libertad de expresión X censura’, que se hace hoy en Cuba, en Brasil, en Venezuela, en Ecuador, en Bolívia y otros países del mundo.Es necesario identificar, más que todo, el origen de las protestas de ‘censura’ y cuando se manifiestan. Además, percibir que las críticas a esos sectores nunca son recibidas como defensa de la democracia, sino como dictadura y cercenamiento de la libertad de expresión.

Vamos a los hechos

Recibi con preocupación correspondencia electrónica de un periodista brasileño, indignado y convencido de las informaciones publicadas por Reporteros Sin Fronteras, que denunciaban la prohibición de La Habana al viaje del disidente Guillermo Fariñas a Estrasburgo, para recibir el premio Sajarov, del Parlamento Europeo. Añadió, todavia, reportaje semejante publicada en el blog del periodista Ricardo Setti, también brasileño, y un link con materia de la revista Veja con el título: “Trás las restricciones de viajes impuestas a los cubanos, una verdadera industria migratoria alimentada por los Castros”. Sus fuentes, por supuesto, son Yoani Sánchez y Fariñas, ambos intransigentes opositores del gobierno cubano.


La réplica

“La calumnia es el discurso que divide a los amigos” (Platón)


Si el gobierno cubano se empeña en desenmascarar la farsa, es porque entiende la libertad no solo como proceso político. Es también un proceso civilizatório y cultural. Cuba sabe reconocer como héroes revolucionários aquellos que lucharon y todavia luchan para defender la pátria, y no para traicionarla.

Los médios no quieren aceptar sociedades críticas, que aprendieron a usar el conocimiento y las tecnologias para informar y auxiliar a los ciudadanos en sus decisiones. Tampoco quieren aceptar pérdida de fuerza y credibilidad, los gobiernos y personas que insisten en ignorar la deuda social construída por el modelo de desarrollo concentrador de renta y por el pasado esclavagista.

Donde está el origen de las acusaciones de que en Cuba hay censura? En los gobiernos opositores de la democracia, los grandes empresarios de la comunicación y sus subalternos, y de aquellos que quieren quitar a los ciudadanos el derecho a la información.

Esse grupo tiene miedo que el ciudadano informado cuestione lo que subyace a las maniobras midiáticas. Ellos saben que su práctica inconsecuente puede acabar con el imagen de seriedad de los medios. Tienen miedo del perjuicio que causan al irrespetar a los derechos individuales de los ciudadanos. Saben también, que la realidad es el punto de partida para la información, y que la mentira “los llevará de la violación ética a la criminalidad”.Tampoco desconocen que hacer periodismo exige um esfuerzo de preparación sobre el tema, y que el desconocimiento de la fuente puede perjudicar la credibilidad de la información. Y que el cuidado y el esfuerzo deben ser exigidos en la elaboración de las informaciones, que necesitan ser contrastadas, documentadas y expuestas con objetividad.

La revista Veja actúa como vocera de la exclusión social, política y cultural, y es criticada duramente en el Brasil por los sectores progresistas de la sociedad organizada. Es innecesario esfuerzo mental para percibir en sus reportajes, sus maniobras, para sembrar confusión. Su objetivo es constreñir y descualificar el gobierno cubano, máxime en el momento en que se debate un cambio importante para el futuro del pais.


Quien es Ghillermo Fariñas?


Nuestra indignación com la farsa, hace posible desmentirla y caer el velo que encubre la sana y justa verdad. Fariñas nómbrase partidario de la lucha ‘no violenta’ contra la Revolución cubana, pero la lucha que traba contra su país es cruel. Reconocido como grande actor midiático de la ‘disidencia cubana’, únese a los medios comandados por los Estados Unidos, para diseminar la farsa de que son, el y otros ‘presos de opinión’ (así quiere ser llamado), víctimas de la censura de la dictadura revolucionaria.

Guillermo Fariñas tiene estrecha relación con personas y organizaciones de la extrema derecha en Miami. Recibe de ellas dinero, comprobado en una carta de agosto de 2009, escrita por el a Ángel de Fana Serrano, terrorista de Miami vinculado a la organización paramilitar Alpha 66.

Activista de su propia causa, tiene aun amplio relacionamiento con la Sección de Intereses estadounidenses en La Habana y algunas sedes diplomáticas europeas que ejercen subversión contra Cuba, recibiendo para su actuación instrucciones, dinero y abastecimiento.

Con la salud debilitada por sucesivas huelgas de hambre, en fines de 2003 Fariñas obtuvo permiso extra penal del gobierno de Cuba. En todas sus huelgas de hambre ha recibido asistencia médica gratuita, como cualquier ciudadano cubano. El gobierno ni lo discrimina por su condición de mercenário, ni se dobla a su chantaje.

Hace algunos meses el gobierno español ofreció a Fariñas, la posibilidad de emigrar para aquel país. El ‘disidente’, para quien la vida en Cuba es un infierno, curiosamente se negó a emigrar hacia una potencia económica mundial. Prefirió quedarse en un país pobre y bloqueado. Abandonando Cuba, Fariñas se quedará sin la ventajosa ayuda financiera que recibe y el premio millonario otorgado recientemente por la Unión Europea.

Justificando el premio Sajarov para Guillermo Fariñas, el Parlamento europeo afirmo que las prisiones del ‘disidente’ son debidas a su ‘actuación política’.

Em 1995, Fariñas fue juzgado y condenado a tres años de prisión en libertad y al pago de una multa de 600 pesos, por agredir una compañera del hospital en que trabajaba, causándole múltiples lesiones, en el rostro y en los brazos.

La prensa internacional ha silenciado sobre el caso, que podría arañar la imagen de su protegido. Lo mismo con muchos sítios y la Wikipédia, que disminuyen el suceso, diciendo que la agresión ocurrió durante una discusión en la que Fariñas acusaba su víctima de corrupción.

En el año 2002, Guillermo Fariñas agredió violentamente un anciano, en la ciudad de Santa Clara, trás una discusión política. La víctima necesitó intervención quirúrgica en la que se le quitó el bazo. El agresor fue condenado a cinco años de detención. Otra vez, silenciaron los medios.

En pocas palabras, Fariñas es un mercenário, traidor de su pátria y de su pueblo. No es casualidad la ausencia de registro, en la prensa autonombrada libre, sobre disidentes de otros países que traicionaron sus patrias, aunque critiquen sus gobiernos.

Y los ‘presos de opinión’, defendidos por Fariñas, muchos libertados por un acuerdo hecho con la iglesia católica y el gobierno español, fueron condenados en tribunales de Cuba por recibir financiamiento del imperialismo estadounidense que, entre tantas acciones terroristas, somete la Isla al vergonzoso bloqueo condenado por toda la comunidad internacional.


El premio Sajarov


El premio a la libertad de conciencia, fue criado en 1988 por el Parlamento europeo, y lleva el nombre del físico nuclear soviético Andrei Sajarov, transformado en icono de la guerra fria y de la desestabilización del socialismo, por la propaganda de los gobiernos y medios del occidente capitalista.

Cabe al Parlamento, con sede en Estrasburgo, Francia, definir las propuestas y decidir los critérios para la premiación que ocurre alrededor del 10 de diciembre de cada año, cuando se conmemora el Dia de la Declaración Universal de los Derechos Humanos de las Naciones Unidas.

Con excepciones de otorgas como a la concedida al ex presidente sudafricano Nelson Mandela, en 1989, tanto las propuestas como las indicaciones al premio han primado por lo que se puede considerar maniobra ideológica y política. Eso ha garantizado, en los últimos años, la clasificación de candidatos anticomunistas, anticubanos y antivenezolanos.

Curiosamente el Parlamento europeo concedió el premio, por la tercera vez en los últimos nueve años, em el valor de 50 mil euros, a representantes de la llamada ‘disidencia’ cubana. En 2002, la otorga fue para Oswaldo Payá Sardinas, mercenário que, entre otras cosas, contribuyó durante varios años con las ofensivas de los EUA, de la derecha europea y de la mafia de Miami contra Cuba. Payá también apoyó el golpe midiático contra el presidente Hugo Chávez, de Venezuela. La segunda premiación, en el año 2005, fue para las Damas de Blanco, viejas conocidas de la Oficina de Intereses y de los diplomáticos de algunas embajadas europeas. Las Damas admiten publicamente que recibieron financiamiento de Santiago Alvarez y apoyo público de Luis Posada Carriles, conocidos y sanguinarios terroristas. En 2010, la candidatura de Fariñas fue defendida por el Partido Popular Europeo, principal interlocutor de la actual campaña del parlamento contra Cuba y seguidor de la política agresiva que el gobierno estadounidense impone a la Isla y su pueblo.

La indicación de Fariñas derrotó candidatos defensores de los derechos humanos de Vietnam, Etiópia, Eritrea y Siria, enseñando al mundo que el Parlamento europeo premia para violar el sagrado derecho de autodeterminación y la soberania de la mayoría del pueblo cubano.


Conclusión


En noviembre último participé, en Cuba, con compañeros y compañeras del Brasil y otros 20 paises, de la Brigada Internacional Contra el Terrorismo Midiático y reproduzco aqui parte de mi habla. Entonces, dije que los conceptos de democracia y derechos humanos, utilizados indiscriminadamente por tanta gente y tantos gobiernos, necesitan establecer sus sentidos, y que la claridad de eses conceptos ayuda a desenmascarar la mentira y a combatir posturas distorsionadas, maniqueas y agresivas del imperialismo y de su brazo auxiliar, los medios.

Si comprendo la libertad como parte de la esencia de un régimen democrático, reconozco como tal el gobierno cubano, por defender con bravura la soberania de su país, por sus esfuerzos para garantir los derechos económicos, sociales y culturales de su pueblo, siempre atento a los valores humanos directamente asociados a ellos.

Por otro lado es clara la tirania del gobierno estadounidense, imponiendo a Cuba un criminal bloqueo econômico, comercial, social, cultural, financiero y tecnológico y, también, internacional. Pasmen! Ellos llaman a eso de ‘embargo’ y afirman que es solo comercial.

La tirania es también evidente, por el imperialismo mantener, en cárceles privadas, Fernando Gonzáles, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández y René Gonzáles, presos en setiembre de 1998, cuando tentaban impedir acciones terroristas contra su país, de grupos extremistas cubanos residentes en los EUA.

El mismo gobierno imperialista destino, para el año fiscal de 2009, por la Agencia para el Desarrollo Internacional de los EUA (USAID), la suma de 15,62 millones de dólares para la denominada “disidencia cubana’, com el claro objetivo de desestabilizar el orden constitucional de la Isla. Las cuantías procedentes de otras instituciones y la de organizaciones financiadas por el gobierno estadounidense multiplican esa suma. Del punto de vista jurídico, ese financiamiento convierte a los ‘disidentes’ en agentes de una superpotência, actitud prohibida em cualquier país.

Las denuncias sobre las generosas cuantías que los 'disidentes' reciben de los EUA son antiguas. Su intensificación reciente es para desenmascarar la creciente y mentirosa campaña que el terrorismo midiático destila contra Cuba. Se puede encontrar buenas informaciones en: wikileaks, los mercenarios y el dinero de EE. UU. y www.rebelion.org/noticia, entrevista con Salim Lamrani, autor del libro Cuba, lo que los medios de comunicación no dirán nunca.

Llega de hipocresía! Mi eterno respeto a los verdaderos héroes que lucharon y a los que todavia luchan para defender a la pátria. Y mi respeto a la memória y a la libertad, resultado de lo que vemos, escuchamos, leemos y aprendimos com tantas y tantas personas que aprecian la verdad.

* Periodista y presidenta del Consejo Deliberativo de la ACJM/RS

** Historiador y miembro del Consejo Deliberativo de la ACJM/RS

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



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