segunda-feira, 11 de junho de 2007

Brasil: Aprofunda-se o processo de regressão

por Marco Antonio V. dos Santos [*]

"'Estamos nos transformando na grande roça do mundo',...
César Borges de Souza, vice-presidente da Caramuru Alimentos,
a maior empresa de processamento de grãos de capital nacional." [1]

Afirmamos em nosso documento " Regressão a uma Situação Colonial de Novo Tipo " [2] que a reconfiguração da formação econômico-social brasileira responde a sua inserção como país dominado no processo de reconfiguração do sistema imperialista, da economia mundial, ou " a movimentos de expansão e deslocamento da economia internacional ", como quer o BNDES em seu documento: "Por que os investimentos na indústria vão crescer". [3]

A partir desta análise mostramos que as mudanças na estrutura econômica da formação brasileira se expressavam, principalmente, num processo que se desdobrava em quatro movimentos distintos e, ao mesmo tempo, faces do mesmo processo;

1 – na formatação de uma nova estrutura industrial já não mais integrada horizontalmente e verticalmente pelo encerramento de um conjunto, ou de elos, parcelas das cadeias produtivas, de ramos de atividades industriais, segmentos industriais que se faziam desde a extração e manufatura de matérias primas e insumos ao produto final até o encerramento de setores da produção de bens de consumo, que assim passam a ser importados ou somente montados no país (nesse último caso, por monopólios estrangeiros). Com isso, perdem-se segmentos industriais relevantes ou rompem-se elos em cadeias produtivas. A desindustrialização é, portanto, um fenômeno constitutivo da regressão a uma situação colonial de novo tipo.

2 – na organização de um novo setor industrial voltado para a constituição de ilhas de produção e montagem de mercadorias, em empresas estrangeiras ou associadas, de média tecnologia, principalmente para exportação. Na pauta de exportações brasileira, a presença de produtos com alto valor agregado, oferta dinâmica e uso intensivo de tecnologia pode permitir conclusões equivocadas. Com algumas poucas exceções, estes produtos que figuram como exportação brasileira, em realidade, de made in Brazil só têm a fase de montagem do que foi produzido em outros países, nas cadeias de produção internacional, organizadas pelas empresas transnacionais imperialistas. Fase de montagem que requer um baixo nível de especialização e força de trabalho barata. A tecnologia e o conhecimento técnico incorporados a essas mercadorias se concentram em peças e componentes importados, e boa parte do valor agregado beneficia as empresas dos países imperialistas onde essas peças e componentes são produzidas, e que organizam estas redes de produção.

3 – na constituição de um setor agroindustrial voltado à exportação. Na exportação de commodities minerais. Assim, o pólo dinâmico da economia se transfere para setores voltados à exportação. Portanto, um conjunto de setores que se realizam no exterior. No geral, setores de elaboração de produtos primários. Ou seja, os novos setores dinâmicos têm seu ciclo produtivo concluído no exterior, realizado no exterior. Nesse sentido, o Brasil aprofunda a característica de país exportador de mercadorias intensivas em força de trabalho e derivadas da exploração de seus recursos naturais, baseando-se, para competir no mercado mundial, em sua disponibilidade de força de trabalho barata e de pouca qualidade. A especialização na produção e exportação de commodities é outra das características da regressão colonial.

4 – na montagem de um sistema com o objetivo de remunerar o capital financeiro, remunerando com altos juros o capital fictício que circula e só existe nas engrenagens da especulação, através da articulação entre um elevado superávit primário e altos saldos na balança comercial, que permitem remunerar o capital de "cassino". Capital este que corre para cá com total liberdade atrás das vantagens que só o Brasil e o governo do PT são capazes de dar. Para isto, configura um mecanismo a fim de executar uma punção sobre grande parcela da mais-valia produzida internamente, mesmo quando realizada no exterior, a favor do capital financeiro. Extorque do povo um elevado superávit primário em relação ao PIB, o que possibilita ao governo - mantendo a taxa de juros a mais alta na economia mundial - capturar uma parcela da mais-valia produzida e, comprando os dólares do saldo da balança comercial, transformá-los em remuneração ao capital financeiro beneficiado por estas altíssimas taxas de juros internas oferecidas. [Boletim do CeCAC, ano XII, nº1]

Podemos dizer que, desde que publicamos nosso texto, se aprofundou, tornando-se mais evidente, com suas características, emergindo mesmo da análise superficial de "indicadores", o processo de regressão, de adequação da formação brasileira aos " movimentos de expansão e deslocamento da economia internacional " e, concomitante, neste processo as frações da classe dominante que vinham com contradição em relação a aspectos do movimento de regressão convergiram, no principal, em sua direção.
Vamos analisar, a partir dos quatro movimentos/características que identificamos acima, com as quais conceituamos o processo de regressão, como este se desdobrou. Analisar como evolui o processo a partir de suas características.

A primeira, " ... uma nova estrutura industrial já não mais integrada horizontalmente e verticalmente... ".
Segundo, " ... na organização de um novo setor industrial voltado para a constituição de ilhas de produção e montagem de mercadorias, em empresas estrangeiras ou associadas, de média tecnologia, principalmente para exportação. ".
Terceiro, " ... na constituição de um setor agroindustrial voltado à exportação. Na exportação de commodities minerais. Assim, o pólo dinâmico da economia se transfere para setores voltados à exportação. ".
Quarto, " ... na montagem de um sistema com o objetivo de remunerar o capital financeiro,... ". (Boletim do CeCAC, ano XII, nº1)

É de fundamental importância, ao colocar em prática nossa crítica a partir da análise da formulação de economistas burgueses, dos economistas do BNDES, IEDI, particularmente, ter em conta que o ponto de vista de classe onde estão situados – o ponto de vista das diversas frações da classe dominante – os leva a ver ou a não ver, em suas análises, fenômenos ou a enfocá-los de seu ponto de vista e, assim, a identificá-los sob a forma determinada pelos interesses da classe que representam. Um bom exemplo disto está no documento do BNDES, " Visão do Desenvolvimento nº. 26 ".

Esta modalidade de cegueira ideológica se expressa por todos os documentos que analisamos. Nestes textos, partindo do ponto de vista de classe, os economistas das distintas frações da classe dominante brasileira, não podem ver que a mudança estrutural importante não é o crescimento ou queda de um índice ou de outro, porém a reconfiguração da economia brasileira condicionada pelos processos de reorganização da economia mundial. Aqui, o crescimento ou queda de um índice é resultado do processo de regressão sob a determinação da economia mundial, do imperialismo.

Partindo da análise dos textos do IEDI e de órgãos governamentais como o BNDES, podemos comprovar que, não só se aprofunda o processo de regressão, como também que as diversas frações da classe dominante passaram a alocar seus capitais em torno do novo " sentido da colonização ", a regressão, atendendo às determinações do sistema em busca da taxa de lucro.

O IEDI publicou em 23/03/07, portanto um ano e quatro meses depois de ter lançada a questão " Ocorreu uma Desindustrialização no Brasil? " [4] , a Carta nº. 252 " Desindustrialização e Dilemas do Crescimento Econômico Recente " que inicia afirmando: " Podemos dizer que a desindustrialização está aumentando... ", para concluir, " Em síntese, mesmo dotado de um parque industrial amplo e diversificado, verifica-se nos últimos anos um processo de desindustrialização no país,... ".

O trabalho do IEDI começa por apontar para o baixo ritmo de crescimento da economia brasileira, partindo do pressuposto correto de que numa economia capitalista é o crescimento da indústria que puxa o crescimento de toda a economia:

"O baixo dinamismo da economia brasileira, expresso em baixas taxas de crescimento do PIB, se constitui em um dos principais problemas macroeconômicos da atualidade. O crescimento da indústria de transformação, setor que por suas características de encadeamento de demandas ao longo das cadeias produtivas dentro e fora da indústria exerce um importante efeito de liderar a taxa de crescimento agregada, também tem crescido pouco." ("Carta IEDI nº. 252", p.2)

O problema não é que o PIB tenha crescido pouco, o problema é de que cresceu pouco por ter sido "puxado" para baixo pela "indústria de transformação", como aponta a nova carta onde o IEDI dá os índices do aprofundamento da " desindustrialização ", a partir deles podemos mostrar como se desenvolveram as características do processo de regressão que relacionamos acima:

A primeira, de que a estrutura industrial constituída anteriormente vem sendo substituída por " ... uma nova estrutura industrial já não mais integrada horizontalmente e verticalmente... ".

"Se um parque industrial está perdendo importância, seja em termos quantitativos ou qualitativos, esse processo pode se dar de duas formas, não excludentes. Na primeira, determinados setores industriais vão perdendo peso, em termos absolutos e/ou em relação ao total da indústria, não sendo isso compensado pelo ganho de importância de outros segmentos industriais. Esse processo é de maior gravidade, se os setores que encolhem são intensivos em tecnologia (setores de ponta)." ("Carta IEDI nº. 252", p. 9)

É isto o que vai caracterizar a "desindustrialização", " determinados setores industriais vão perdendo peso, em termos absolutos e/ou em relação ao total da indústria, não sendo isso compensado pelo ganho de importância de outros segmentos industriais. " Não só a indústria vai perdendo " determinados setores " como também vai perdendo setores " intensivos em tecnologia ".

"Uma atualização do estudo anterior aponta para um aprofundamento do processo de desindustrialização nos últimos dois anos. A menor taxa de crescimento da indústria de transformação relativamente aos demais setores da economia é um indicativo de que o processo de desindustrialização está progredindo. Mais ainda, observando os componentes da demanda agregada que mais cresceram no período, o expressivo crescimento das importações (9,3% em 2005 e 18,1% em 2006), com baixo incremento da produção da indústria de transformação (1,1% em 2005 e 1,9% em 2006), sugere que pode estar ocorrendo um forte processo de substituição de produção doméstica por importações" ("Carta IEDI nº. 252", p. 3).

O que vai mostrar o estudo é que setores ou elos da cadeia produtiva são desativados e substituídos pela importação de peças e componentes, por outro lado, nos setores em que se mantiveram com suas cadeias de produção completa não se deu a atualização dos processos produtivos. Mesmo quando se diz que estes setores não recuaram tecnologicamente, mas estagnaram, se está afirmando que estão empregando tecnologias já superadas ou em vias de superação na economia mundial (os trustes e cartéis transferem tecnologia "velha" retirando novos lucros delas) visto que esta vem vivendo um processo intensivo de incorporação de novas tecnologias, com o objetivo de aumentar a taxa de lucro, intensificando a exploração das classes dominadas.

"Uma conclusão geral sobre as mudanças na estrutura produtiva: a abertura econômica, se não provocou uma regressão tecnológica, também não promoveu um "upgrade" em termos de processos produtivos mais sofisticados." ("Carta IEDI nº. 252", p.2).

Segundo, " ... na organização de um novo setor industrial voltado para a constituição de ilhas de produção e montagem de mercadorias, em empresas estrangeiras ou associadas, de média tecnologia, principalmente para exportação .". (Boletim do CeCAC, ano XII, nº1)

O estudo do IEDI mostra que outra forma do que vai chamar de "desindustrialização", a reconfiguração da indústria no Brasil, se dá com o processo que denomina de " terceirização " da produção de peças e componentes e matérias-primas. Mostra que esse processo de " terceirização " expressando o que identifica como "desindustrialização", a reconfiguração da indústria brasileira, se dá quando a produção industrial de matérias-primas, peças e componentes é transferida para outras empresas e, no caso do Brasil, para o exterior, resultando na situação, por exemplo, da zona franca de Manaus, onde " ... a indústria apenas 'encaixa' peças e componentes que foram produzidas no exterior, ".

"A desindustrialização pode ocorrer também quando a forma como se produz sofre grandes alterações por meio da terceirização da força de trabalho e da produção de matérias - primas. Com a terceirização da mão-de-obra parte da produção da indústria é transferida para o setor serviços. Um exemplo são os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais que, até o final dos anos 1980 estavam, em grande medida, a cargo das próprias empresas industriais. No início dos anos 1990 essa produção passou para empresas do setor terciário. A terceirização da produção de matérias primas, peças e componentes é fruto da adoção da prática de linhas de produção mais especializadas no produto final. Nesse caso a produção industrial é transferida para outras empresas industriais no Brasil ou no exterior." ("Carta IEDI nº. 252", p. 9).

A terceira característica, a ". .. constituição de um setor agroindustrial voltado à exportação. Na exportação de commodities minerais. Assim, o pólo dinâmico da economia se transfere para setores voltados à exportação. ", (Boletim do CeCAC, ano XII, nº1) vem se acelerando rapidamente sob a determinação da economia mundial:

"Para investigarmos se está ocorrendo uma tendência recente à desindustrialização duas linhas de argumentação serão apresentadas. De um lado, a persistência da política econômica que combina elevadas taxas de juros e cambio apreciado tem desistimulado (sic) o crescimento da economia e da indústria em particular. Por outro lado, as mudanças na estrutura produtiva provocadas em grande parte pela abertura econômica, levaram a uma concentração maior da produção em setores com vantagens competitivas na exploração de recursos naturais em detrimento de setores mais tradicionais e mais empregadores de mão de obra e de setores de alta tecnologia, com vantagens competitivas dinâmicas no comercio internacional. Essa tendência à especialização em recursos naturais torna as exportações industriais do país mais vulneráveis às flutuações de preços no mercado internacional, com conseqüências negativas para a balança comercial a longo prazo." ("Carta IEDI nº. 252", p. 4).

Como mostra o documento do IEDI, a reconfiguração da economia brasileira para acompanhar o processo de reorganização da economia mundial, o que no texto está "traduzido" de forma a encobrir os determinantes externos, como " as mudanças na estrutura produtiva provocadas em grande parte pela abertura econômica ", " levaram ", como o texto do IEDI conceitua o processo, ou de melhor forma, determinaram (determinaram no sentido das delimitações impostas pelas leis que regem a reprodução do capital) "... a uma concentração maior da produção em setores com vantagens competitivas na exploração de recursos naturais, " e "... em detrimento de setores mais tradicionais e mais empregadores de mão de obra e de setores de alta tecnologia .". Como diz o documento, uma " tendência à especialização em recursos naturais ".

Os documentos do BNDES " Visão do Desenvolvimento ", confirmam as análises que vimos fazendo de que a formação econômico-social brasileira vive um processo de reconfiguração em razão das mudanças por que passa a economia mundial.

O Visão de nº. 21, " Investimentos vão crescer entre 2007 e 2010 ", se inicia estabelecendo uma relação entre o crescimento da economia brasileira e da economia mundial:

"Há fatores determinantes comuns na desaceleração da economia internacional e do Brasil a partir dos anos 1980. O principal deles foi a mudança que ocorreu na economia americana." ( "Visão" nº. 21 , p. 2).

Mais adiante, o texto do BNDES aponta, de forma atravessada, a " mudança estrutural importante " ocorrida na economia brasileira que, de acordo com o texto, se dá a partir de 2002.

"A partir de 2002, a economia voltou a se expandir a taxas um pouco mais elevada de 2,8% ao ano. Esse crescimento veio, no entanto, associado a uma mudança estrutural importante. Em contraste com o observado nas últimas décadas verificou-se a acumulação de elevados saldos em transações correntes da ordem de 1,5 % do PIB ao ano." ("Visão" nº. 21, p. 3).

Ora, a " mudança estrutural importante " não está na " acumulação de elevados saldos " e sim nas transformações que já vêm ocorrendo na economia brasileira bem antes de 2002. Mudança estrutural esta que leva ao resultado dos saldos em transações correntes e que só pode ser estudada no contexto do rearranjo da " economia internacional ".

Esta modalidade de cegueira ideológica se expressa por todo o documento, como por exemplo, quando diz que se reduziu a " vulnerabilidade externa ". Ora, a inserção do Brasil como fornecedor de commodities, da agroindústria, da agropecuária, minerais e até industriais, a reconfiguração da economia mundial, aumentou a vulnerabilidade do Brasil às crises ou processos de crescimento ou estancamento da economia mundial. Podemos dizer que hoje a economia do Brasil é muito mais vulnerável às oscilações da economia mundial do que quando alimentávamos uma dívida impagável (que gerou a moratória de 1987). Vulnerável no sentido de que aumentou, intensificou, a dominação imperialista, aprofundou a condição do Brasil de país dominado no sistema imperialista. E de uma forma específica que estamos conceituando de regressão a uma situação colonial de novo tipo.

É importante analisar os setores da economia que vão crescendo e onde se dão maiores investimentos para que possamos perceber o sentido para onde se move a formação econômica social brasileira nesta nova etapa do processo de dominação imperialista. O documento que estamos citando percebe, evidentemente, do seu ponto de vista, que a economia no Brasil se move em outro sentido.

"Pesquisa realizada pelo BNDES, em 2006, aponta que os investimentos em curso, em análise ou em perspectiva na indústria, na infra-estrutura e na construção residencial, já estão se movendo em direção a uma trajetória de aceleração ao longo dos próximos quatro anos." ( " Visão", n°. 19 , p. 4).

Ao não ser capaz de perceber que " os investimentos em curso ", dirigem-se para setores específicos da economia, os economistas do BNDES só são capazes de identificar " uma trajetória de aceleração " e, mesmo quando especificam os investimentos por setor, não são capazes de analisar o sentido em que se move a economia, apesar de que o documento classifica a maior parte dos investimentos como " autônomos " com relação à economia brasileira.

"A taxa de investimento está hoje em seus recordes históricos nas áreas de petróleo e gás e de extrativa mineral. Ambos os setores estão respondendo ao aumento da demanda e dos preços internacionais. Na siderurgia e em papel e celulose vislumbra-se um movimento importante de deslocamento para o Brasil de capacidade produtiva, hoje instalada em países desenvolvidos, atraído pela forte competitividade brasileira nestes setores." ("Visão", n°. 19, p. 5).

Do ponto de vista dos interesses da classe operária, o que a análise do BNDES exposta na citação acima mostra é que, nos setores da " indústria extrativa mineral " e de " petróleo e gás ", as taxas de investimentos atingem hoje recordes históricos, inclusive investimentos de capital externo com o objetivo explícito de atender ao aumento da demanda da economia mundial imposto pela transferência da indústria dos países imperialistas para a China. Reconfiguração da economia mundial que resulta para o Brasil num processo de "regressão", mais desemprego e exploração para os dominados.

Da mesma forma se dá com a transferência para cá dos setores da indústria, dos países imperialistas, siderúrgica e de papel e celulose. A razão exposta pelo BNDES para esse movimento, a " forte competitividade brasileira nesses setores ", pode ser traduzida, principalmente, pelo preço muito mais baixo da força de trabalho, e também pela proximidade das fontes de matérias-primas, além de outras vantagens, como bases produtivas já instaladas.

Na conclusão do seu texto, o BNDES destaca, "grosso modo", quatro grandes setores nos quais identifica esta aceleração de investimentos, sendo o primeiro próximo a R$ 300 bilhões, o de petróleo e gás, extrativa mineral, insumos básicos (siderurgia e celulose). No quadro que reproduzimos abaixo o BNDES identifica que esse setor é comandado pela dinâmica dos "mercados externos".

QUADRO RESUMO
Características Setores Perspectivas Investimentos Previstos 2007-2010
Comandados pela dinâmica dos mercados externos Petróleo e gás, extrativa mineral, insumos básicos (siderurgia e celulose) Investimento em forte expansão, intensivos em capital, projetos de longo prazo de maturação R$293 bilhões
Elevada elasticidade da demanda a juros Construção residencial e bens de consumo duráveis Demanda crescente, em função do aumento da renda e do crédito R$470 bilhões em Construção residencial (1) e R$44 bilhões em Automobilística e Eletrônica
Dependentes de orçamento fiscal Habitação popular, infra-estrutura urbana, saneamento, portos e ferrovias (investimentos permanentes) Restrições orçamentárias podem atrasar parte dos investimentos identificados R$62 bilhões em Saneamento, portos e ferrovias
Infra-estrutura empresarial Energia elétrica, telecomunicações, portos e ferrovias, Relevantes para a competitividade sistêmica, mas sujeitos a Incertezas R$147 bilhões de investimentos em Energia
(1) inclui habitação popular.
Debaixo de noções como as de "maior integração da economia brasileira com a internacional ", " integração internacional dessas empresas e setores ", o texto esconde que o processo expressa a maior integração do Brasil no lugar que lhe é determinado pelo imperialismo.

"Existe um grupo de setores que se beneficiou mais diretamente da maior integração da economia brasileira com a internacional. Esse benefício decorreu não só do crescimento acelerado desses mercados nos últimos anos, mas também de processos em curso de deslocamento para o Brasil de segmentos das cadeias industriais na siderurgia e na celulose hoje instalados em países do Hemisfério Norte. Nesse momento, o que se observa é que há vários blocos de investimentos em processos de efetivação que devem ampliar, ainda mais no futuro, a integração internacional dessas empresas e setores." ("Visão", n°. 19, p. 6).

São setores e empresas que se constituem ou se desenvolvem em função da requisição da nova fase da economia mundial, o que implica e implicou contradições no interior da classe dominante, determinando as políticas econômicas aplicadas pelo governo bem como as condições na qual a classe operária trava a luta de classes, inclusive do ponto de vista subjetivo.

É importante notar aqui que se trata do deslocamento para o Brasil de " segmentos das cadeias industriais " configurando a constituição de " uma nova estrutura industrial já não mais integrada horizontalmente e verticalmente... ". De segmentos transferidos para cá em virtude da " forte competitividade " oferecida pela economia brasileira, fundamentalmente, pelo aumento da exploração da classe operária que, sob o comando do PT na luta de classes, vê cair seus salários e aumentar o exército de reserva.

O segundo movimento – o de fornecimento de insumos para a reconfiguração da economia mundial: minerais e matérias primas, etc. – vai conformar outra característica do movimento que conceituamos como o de regressão colonial de novo tipo.

"Nesse sentido, o Brasil aprofunda a característica de país exportador de mercadorias intensivas em força de trabalho e derivadas da exploração de seus recursos naturais, baseando-se, para competir no mercado mundial, em sua disponibilidade de força de trabalho barata e de pouca qualidade. A especialização na produção e exportação de commodities é outra das características da regressão colonial." (Boletim do CeCAC, ano XII, nº 1)

Nos demais setores arrolados, principalmente os casos da habitação popular e infra-estrutura urbana, onde a análise do BNDES aponta grandes investimentos, a perspectiva não se sustenta. Primeiro, porque não há um crescimento significativo da massa de rendimentos, depois porque as metas de superávit primário não permitem investimentos para atender as necessidades da população de mais baixo nível de renda.

De outra forma se dá com a indústria automobilística e eletrônica, que tem sua produção voltada para a exportação ou para os setores de camada média de melhor nível de renda, beneficiada pelo crédito, pela redução dos juros e o aumento dos prazos.

De forma diferente se dá nos casos de energia elétrica, telecomunicações, portos, estradas e ferrovias, naquilo que o documento classifica como " infra-estrutura empresarial ", investimentos voltados para atender os interesses do grande capital no processo de reconfiguração.

É ilustrativo voltar para o " Visão do Desenvolvimento " de nº.19, no qual o BNDES levanta as perspectivas de investimentos na indústria, para que se perceba o sentido para onde caminha a formação econômico-social brasileira.

Primeiro o documento assinala a grandeza dos valores a serem investidos. Grandeza que não se pode comparar com a dos investimentos nos demais setores; segundo, o fato de que esses grandes investimentos na indústria estão voltados para configurar o setor industrial " autônomo, em relação ao mercado interno. " e voltado a atender a economia mundial.

"Os resultados da pesquisa são, de certa forma, surpreendentes, tanto pela magnitude dos valores de investimento levantados, quanto pelo fato de serem em sua maior parte autônomos ao mercado interno."

"A maior parte desses investimentos é de caráter autônomo, em relação ao mercado interno. Responde a movimentos de expansão e deslocamento da economia internacional. Reflete, por sua vez, a competitividade do Brasil e a capacidade de resposta de suas empresas ao cenário externo favorável,...". (" Visão ", nº. 19, p. 7)

Portanto, como reconhece o BNDES, não só estão previstos grandes somas de investimentos na economia brasileira para os próximos quatro anos, somas bem maiores do que as que vêm sendo investidas nos últimos anos, como também, estes investimentos vão no sentido de reconfigurar a formação econômica brasileira respondendo " a movimentos de expansão e deslocamento da economia internacional. ". Expansão e deslocamento na economia mundial em busca de maior taxa de lucro, em busca de superar sua crise.

Este montante de investimentos projetados tanto pelo Estado como pelo capital interno, como pelo capital de cartéis e trustes transnacionais, expressa um movimento no sentido de dar nova conformação à infra-estrutura econômica. Movimento que, se momentos atrás, provocou alguma fricção entre as diversas frações da classe dominante, frações já envolvidas no processo de reconfiguração e frações da burguesia brasileira voltadas para o mercado interno, hoje se faz sob o aplauso de todos.

Não podemos desconhecer a competência do BNDES para levantar os dados sobre os investimentos programados para a indústria para o período 2007-2010, e a amplitude do levantamento de que é capaz.


"O BNDES é o maior banco de desenvolvimento brasileiro. Esse papel lhe permite reunir um conjunto amplo de informações sobre os horizontes de investimento dos principais setores da economia." ("Visão", nº. 19, p. 1).

É exatamente a competência que lhe possibilita seu " papel " e o amplo conjunto de informações que reuniu " sobre os horizontes de investimento dos principais setores da economia ", que nos permite constatar que tal " magnitude " de " valores " de investimentos reconfigurando a forma de inserção da formação brasileira no sistema imperialista não poderia se dar sem a participação do principal da classe dominante brasileira.

De outra forma, a tese que estamos avançando é a de que, após um período de fricção entre setores da burguesia brasileira que acumulam internamente, principalmente da burguesia industrial, e setores da burguesia que haviam assumido o papel indutor no processo de reconfiguração da formação brasileira o principal dos diversos setores das classes dominantes integrou-se ao processo.

A outra expressão da unificação dos diversos setores da classe dominante em torno do processo de reconfiguração se dá pela unificação em torno do governo Lula, de todos os partidos, maiores ou menores, que expressam interesses menores ou maiores das classes dominantes.

Hoje o governo Lula reúne um arco que vai de Collor, Maluf, ACM, Jader Barbalho, et caterva até o PL, PP, PTB de Roberto Jefferson, o PV, PDT, PSB, PC do B e PT, e ainda mais, de Caiado da União Ruralista ao MST, dos banqueiros à CUT.

Poucas vezes se viu tal habilidade das classes dominantes em colocar lugar-tenentes operários a serviço de seus interesses.
Notas:
[1] Revista Forbes Brasil, Ano 7 – n° 153, 4 de abril/2007, pág. 46.
[2] Boletim do CeCAC , ano XII, nº. 1, 2006.
[3] Por que os investimentos na indústria vão crescer. Visão do Desenvolvimento nº. 19. BNDES. [
[4] Carta 183 , 25/11/2005. IEDI.

[*] Economista.

O original encontra-se em http://www.cecac.org.br/MATERIAS/Aprofunda-se_a_regressao.htm

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Os diferentes sabores dos domingos (1ª parte)

E você era a princesa que eu quis coroar

E era tão linda de se admirar

Que andava nua pelo meu país.


Foi nos anos setenta, do século passado, um pouco da nossa adolescência. O primeiro compromisso social era a missa das 10, não era propriamente um compromisso religioso, íamos para olhar a Beth, nossa musa inspiradora das manhãs de domingo, sua mini saia e suas pernas róseas, mil imaginações. Na saída, reuníamos a turma e ganhávamos a Gaspar, nenhum comentário sobre o sermão do padre, mas sobre ela, alguns se gabavam de ter ganhado um olhar, outros comentavam sua roupa, seu cabelo. Eu, muito pouco ou quase nada de olhada recebi, não fazia mal, quem sabe no domingo seguinte, era pouco provável, mas o platonismo aceita tudo, ainda mais dela, que além de linda era parente do padre, e isto, para época, não era pouca coisa.

A primeira parada obrigatória era na esquina da Casa do Povo (que do povo mesmo não tinha nada), comprar as carrapinhas que ali um vendedor alto e silencioso vendia, e era só no domingo. Mais adiante, a cigarraria do seu Chiquinho Padula, outra parada obrigatória, olhar as capas das revistas da semana, a Placar, o Fantasma, Cavaleiro Negro, etc. Conforme a mesada, que era semanal, comprava-se alguma revista, mas isso não era muito comum, comprávamos uns chicletes ou picolé e íamos em direção ao Cine Glória para ver o que ia passar no matine da uma (1 hora). Depois de olhar os cartazes, nos dispersávamos rapidamente, tínhamos que ir almoçar com família e voltar rápido para o cinema. Almoço de domingo lá em casa era sempre com a família, era uma das questões de honra do pai e nós cumpríamos, lembro que domingo sempre tinha pastel (mas os bons mesmo eram os da Marieta) e refrigerante, naquela época, ele (o refri) não era tão banalizado, lá em casa, só aos domingos.

Após um rápido encontro para reunir a turma na frente da cigarraria, era questão de minutos e brotava gente de todas as esquinas, marchávamos até o cinema, alguém recolhia o dinheiro para as entradas, mas antes, outra parada obrigatória – comprar sorvete do seu Romeu no Bacacheri – um gosto impar (o Tubino disse que vai ressuscitar o sorvete com a mesma fórmula). Excitados, entrávamos em fila no cinema, ficávamos alguns minutos no hall de entrada, alguns encontravam suas namoradinhas e sumiam para os locais mais despovoados “do escurinho do cinema”, eu nunca entendi o porquê. Outros iam se abastecer de balas (as de goma eram minhas preferidas), chicletes (os de caixinha era a novidade, porém mais caro) e chocolates (bastão de leite nunca mais vi).


Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboi era você além das outras três

Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões

Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para os matines.


Sentávamos numa fila só, expectativa grande, apagava a luz, a gritaria e a bateção de pé era infernal e ensurdecedora, sacos de pipoca eram estourados e voavam para todos os lados, e alguns com o conteúdo dentro, o lanterninha, alucinado, em passos largos, ia, sem parar, de ponta a ponta do corredor. A cada fileira em que passava, a frase do estigma lhe rompia os tímpanos: “O lanterninha é o bixo!”. Começava a musiquinha do canal 100, futebol, sempre o Flamengo contra alguém, no Maracanã: tararãaa, época do Fio Maravilha, vi o Luizinho do América fazer dois gols no Flamengo e virar cambalhota, virei americano no Rio. A sessão era dupla, quase sempre um faroeste e um filme de guerra, cultura norte-americana direto na veia. John Waine matando muito índio, ou o Guliano Gemma, meu preferido, nos filmes de guerra, geralmente, os ianques massacravam algum povo em nome da paz e da liberdade, no cinema, não perderam nenhuma para o Vietnan. No meio disso tudo, momentos sublimes, quando o mocinho beijava a mocinha, era um frisson geral: ohhhhhh! Quando estávamos com a namoradinha, ia-se no embalo, roubar um beijo.


Finja que agora eu era o seu brinquedo

Eu era o seu pião, o seu bicho preferido.

Vem, me dê a mão, agente agora já não tinha medo.

No tempo da maldade, acho que a gente nem tinha nascido


Falando em maldade, a ditadura militar “comia frouxo”, pouco ficamos sabendo das atrocidades na época, já era meados da década de 70, e nós também íamos nos transformando, estávamos ficando maiores, íamos mudando em muita coisa, uma delas, passamos do cinema da uma para o das quatro (por pouco tempo) e já ganhamos o direito de ir à noite (mas essa é outra estória). Quanto à missa das 10, a ampla maioria já não ia mais, a Beth tinha ido embora para outra cidade, a perda foi significativa, mas não irreparável, logo encontramos outra musa coletiva – a Italianinha – por isso, muitos, após o cinema da uma, iam para a Sociedade Italiana, ganhar inspiração, mas, na maioria das vezes, contentavam-se em ver o jogo de bocha. Agora, havia chegado a hora de descobrir os sabores mágicos da noite.

Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim.

Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim

(Canção João e Maria – Chico Buarque de Holanda)



José Ernesto Alves Grisa

Professor de Sociologia e Extensão Rural

Desemprego e precarização, por István Mészáros - Parte 1

Desemprego e precarização: Um grande desafio para a esquerda (1).

Autor: István Mészáros*

Segunda parte
Terceira parte

Introdução

Escolhi este assunto para a nossa discussão por duas razões principais. Primeiro, porque a questão afeta todas as cambiantes da esquerda. Pois no nosso tempo nenhuma secção da força de trabalho pode considerar-se imune à desumanizante dureza do desemprego e da precarização. De fato "eventualização" ("casualisation") é mais apropriadamente chamada em algumas línguas de "precarização" ("precarisation"), embora em geral seja tendenciosamente mal representada como "emprego flexível" desejável. Uns poucos meses atrás uns 25 mil empregados do Wesminster Bank tiveram de enfrentar a perspectiva do desemprego (redundancy); hoje os trabalhadores da empresa automobilística Rover - uma parte da bancarrota da orgulhosa corporação transnacional BMW - são lançados aos lobos da insegurança total. A questão não é se o desemprego ou a "precarização flexível" vai ameaçar as pessoas ainda empregadas, mas sim quando elas irão partilhar as agruras da precarização forçada.

A segunda razão principal para nos preocuparmos com esta questão é porque ela representa um inultrapassável problema estrutural para o capital. Assim, é impensável que a esquerda possa desenvolver uma estratégia viável para o futuro sem dar um lugar central à questão vital do desemprego e da precarização.

Tenciono hoje considerar três aspectos principais daquilo que está em jogo.

1) A "globalização" do desemprego e da precarização, afetando mesmo as partes do mundo capitalisticamente mais desenvolvidas.

2) O mito da "flexibilidade" com o qual a pílula amarga é coberta de açúcar. Pois do que estamos a falar é de fato a grave tendência socioeconômica da equalização descendente (downward equalisation) da taxa de exploração diferencial.

3- A única solução factível para os problemas que enfrentamos é abandonar as trocas socioeconômicas reguladas pela submissão à tirania do "tempo de trabalho necessário" (também chamado "trabalho necessário") para a emancipação através do "tempo disponível" como a alternativa positiva ao modo de reprodução social metabólica do capital.

Como ponto de partida, podemos considerar a questão da redução da semana de trabalho para 35 horas a qual, não por acaso, veio a apresentar-se nos últimos tempos.

Parte I
A "globalização" do desemprego

Socialistas em vários países europeus — assim como na América do Norte e do Sul — estão a combater pelo objetivo de reduzir o tempo de trabalho para 35 horas por semana sem perda de pagamento. Esta importante reivindicação estratégica não está de forma alguma livre de dificuldades. Pois ela destaca tanto os prementes problemas do desemprego por todo o mundo como as contradições do sistema sócio-econômico que, por sua própria perversa necessidade, impõe a incontáveis milhões as dificuldades e os sofrimentos que decorrem do desemprego.

Assim, o combate pelas "35 horas de trabalho" não pode ser uma reivindicação sindicalista tradicional, confinada aos mecanismos há muito estabelecidos das negociações salariais. Ao contrário, tem de estar plenamente consciente não só da magnitude da tarefa e das implicações a longo prazo das questões em causa e também da inevitável resistência tenaz da ordem sócio-econômica, a qual deve seguir os seus próprios imperativos a fim de anular qualquer concessão que possa ser feita na esfera legal/ política sob condições temporariamente favoráveis aos sindicatos e aos seus representantes políticos à esquerda. Compreensivelmente, portanto, na Itália por exemplo, o partido da Rifondazione no seu modo de levantar o problema simultaneamente sublinha a preocupação com o aumento do emprego e da melhoria das condições de vida ("per l'occupazione & per migliorare la vita") e a necessidade de mudar a sociedade ("per cambiare la società") a fim de assegurar o objetivo desejado de abreviar o tempo de trabalho numa base viável. Pois o êxito final neste assunto só é factível através de uma troca sustentada — uma reciprocidade dialética — entre o combate pelo objetivo imediato do tempo de trabalho reduzido significativamente e a progressiva transformação da ordem social estabelecida, a qual não pode contribuir para resistir e anular tais reivindicações.

Aqueles que negam a legitimidade destas reivindicações, exaltando em alternativa as virtudes do seu querido sistema, continuam a idealizar o modelo americano para resolver o problema do desemprego bem como todos os males sociais inseparáveis do mesmo. Ainda assim, um exame rápido do estado real dos negócios revela que as confortáveis idealizações dos EUA pertencem ao reino da fantasia. Pois, como enfatizou um editorial de The Nation :

“A taxa de pobreza no último ano, 13,7%, era mais elevada do que em 1989, apesar de sete anos de crescimento quase ininterrupto. Aproximadamente 50 milhões de americanos — 19% da população — vive abaixo da linha nacional de pobreza. Aqueles na pobreza incluem uma em cada quatro crianças abaixo dos 18 anos, um em cada cinco cidadãos adultos e três em cada cinco famílias monoparentais. Em dólares constantes, os rendimentos médios semanais dos trabalhadores caíram de US$ 315 em 1973 para US$ 210, enquanto os 5% mais ricos ganhavam uma média de US$ 6440 (não contando seus ganhos de capitais). ... O número de americanos sem seguro de saúde mantinha-se em 40,6 milhões em 1995, um aumento de 41% desde meados da década de setenta. Em 1995, quase 80% dos não assegurados estavam em famílias onde o chefe da família tinha um emprego”. [1]

É assim que aparece o róseo modelo americano desde que se esteja disposto a abrir os olhos. Podemos também acrescentar aqui um número mais significativo fornecido recentemente pelo Gabinete do Orçamento do Congresso dos EUA, não objetável nem mesmo para os piores apologistas do capital. Ele informa-nos que o rendimento dos um por cento mais ricos da população é equivalente àquele dos 40 por cento da base. E ainda mais importante: também se verifica que este número aterrador realmente duplicou nas últimas duas décadas, em conseqüência da crise estrutural do capital. Assim, nenhuma camuflagem cínica da deterioração das condições de trabalho, não importa quão ilusoriamente adulterada com a benção da "flexibilidade", pode esconder as sérias implicações desta tendência para o futuro da expansão e acumulação do capital.

As estatísticas do desemprego podem, naturalmente, ser trapaceadas ou definidas e redefinidas de forma totalmente arbitrária não só nos EUA como em todos os países do assim chamado "capitalismo avançado". Na Grã-Bretanha, por exemplo, mesmo os apologistas profissionais do sistema do capital — os editores do London Economist — tiveram de admitir que os números do desemprego foram "revistos" 33 vezes pelo governo a fim de fazê-los parecer mais apresentáveis. Sem mencionar o fato de que qualquer um que trabalhe 16 horas por semana na Grã-Bretanha é contado como se desfrutasse de um emprego a tempo inteiro. E, ainda mais surpreendentemente, no Japão — um país que até recentemente era saudado como um caso paradigmático de "capitalismo dinâmico avançado" — "qualquer um que efetue trabalho assalariado por mais de uma hora na última semana do mês deixa de ser incluído nas estatísticas de desemprego". [2] Mas quem pode ser enganado por tais artifícios de manipulação econômica e política? Pois não importa quão arranjada e tortuosa seja a adulteração do estado de coisas existente, o desafio potencialmente muito grave do desemprego não pode ser evitado em qualquer dos países capitalisticamente mais avançados. Dessa forma, seja o que for que os números das estatísticas apologéticas possam sugerir, já não é mais possível ocultar o alarme acerca dos registros de desemprego em ascensão constante no Japão e o aprofundamento da recessão econômica que isto implica.

Na realidade, a dramática ascensão do desemprego nos países capitalistas avançados não é um fenômeno recente. Ela surgiu no horizonte — depois de 25 anos de uma expansão do capital no pós-guerra relativamente sem perturbações — com o princípio da crise estrutural do sistema do capital como um todo. Surgiu como a característica necessária e sempre em agravação desta crise estrutural. Conseqüentemente, argumentei em 1971 que sob as condições em desdobramentos do desemprego

O problema não é mais apenas a condição difícil dos trabalhadores não qualificados mas também a de vastas quantidades de trabalhadores altamente qualificados que estão agora a perseguir, em acréscimo ao primitivo mar de desempregados, os escassos empregos disponíveis. Além disso, a tendência da amputação "racionalizante" já não está mais confinada aos "ramos periféricos da indústria envelhecida" mas abrange alguns dos mais desenvolvidos e mais modernizados sectores da produção — desde estaleiros navais e aviação à eletrônica, e do engineering à tecnologia do espaço. Assim, já não estamos preocupados com os "normais", e bem aceites, subprodutos do "crescimento e desenvolvimento" mas sim com sua tendência para uma travagem, nem na verdade com os problemas periféricos dos "bolsões de subdesenvolvimento" e sim com uma contradição fundamental do modo de produção capitalista como um todo que converte até as últimas conquistas do "desenvolvimento", da "racionalização" e da "modernização" em fardos paralisantes de subdesenvolvimento crônico. E, acima de tudo, a agência humana que se considera como a receptadora final já não são as pessoas "desfavorecidas" socialmente e sem poder, multidão apática e fragmentada, mas todas as categorias de trabalho qualificado e não qualificado: i.e, objetivamente a força de trabalho total da sociedade. [3]

Desde o tempo em que estas linhas foram escritas testemunhamos um decuplicar do desemprego na Grã-Bretanha e alhures. Tal como estão as coisas hoje, mesmo de acordo com os números oficiais — grosseiramente subestimados —, há mais de 40 milhões de desempregados nos países industrialmente mais desenvolvidos. Deste número, a Europa conta com mais de 20 milhões, e a Alemanha — outrora elogiada por produzir o "milagre alemão" — ultrapassou a marca dos 5 milhões. Um país como a Índia — altamente louvado nos órgãos tradicionais de sabedoria econômica pelos seus feitos como um país em saudável desenvolvimento — tem não menos de 336 milhões de pessoas nos seus registros de desemprego, [4] e muitos milhões mais sem trabalho adequado que deveriam ser contados mas não são registrados. Além disso, a intervenção do FMI nos países "em desenvolvimento", verdadeira organização dos EUA para ditar comandos, piora a condição difícil dos desempregados ao pretender melhorar as condições econômicas dos países afetados. Tal como afirma outro editorial de The Nation:

“A economia do México pode parecer estar bem, mas o seu povo está em estado lastimável. Desde a salvação (bailout) do FMI, as camadas médias foram esmagadas; 25 mil pequenos negócios foram à falência; 2 milhões de trabalhadores perderam os seus empregos no mesmo período. Em termos de dólar, os salários afundaram 40 por cento. O FMI tinha de destruir a economia interna a fim de salvá-la”. [5]

Ao mesmo tempo, os antigos países pós-socialistas pertencentes ao sistema de tipo soviético, desde a Rússia à Hungria — os quais no passado não sofriam de desemprego, apesar de terem de administrar suas economias com altos níveis de subemprego, tiveram de acomodar-se, muitas vezes sob a pressão direta do FMI, às condições desumanizantes do desemprego maciço. A Hungria, por exemplo, foi felicitada pelo FMI [6] por "estabilizar" o desemprego em cerca de 500 mil. Na realidade o número é consideravelmente superior, e ainda aumenta. Mas mesmo 500 mil, em termos da relativamente pequena população húngara, é o equivalente a ter 6,5 milhões de desempregados na Grã-Bretanha ou na Itália, e algo em torno dos 8 milhões na Alemanha. Na Federação Russa a situação é igualmente má, e em vias de tornar-se pior, incluindo ultrajes como não pagar os salários de mineiros e outros trabalhadores por muitos meses. O Vietnam apresenta um exemplo particularmente trágico. Após a heróica vitória do seu povo sobre a longa e devastadora guerra intervencionista do imperialismo americano, a paz está a ser perdida sob a pressão da restauração capitalista. [7] E mesmo a China não é exceção à regra geral de desemprego em ascensão, apesar do modo muito especial como a sua economia é controlada politicamente. Um relatório confidencial, mas que veio à luz, preparado pelo seu Ministério do Trabalho, adverte o governo chinês de que dentro de uns poucos anos o desemprego no país está destinado a atingir o número estarrecedor de 268 milhões — apontando também para o perigo de grandes explosões sociais a decorrerem disso — a menos que medidas apropriadas (mas não especificadas) sejam adotadas para conter a presente tendência. [8]

É assim que alcançamos um ponto no desenvolvimento histórico no qual o desemprego é uma característica dominante do sistema do capital como um todo. Na sua nova modalidade, constitui uma rede fechada de inter-relações e inter-determinações pelas quais agora é impossível encontrar remédios e soluções parciais para o problema do desemprego em áreas limitadas, em agudo contraste com as décadas de desenvolvimento do pós-guerra nuns poucos países privilegiados em que políticos liberais podiam falar acerca de "Pleno emprego numa sociedade livre" (Full Employment in a Free Society) . [9]

Nos últimos anos tem havido muita conversa propagandeando as virtudes universalmente benéficas da "globalização", deturpando a tendência da expansão global e integração do capital como um fenômeno radicalmente novo destinado a resolver todos os nossos problemas. A grande ironia da tendência real de desenvolvimento — inerente à lógica do capital desde os primórdios da constituição do seu sistema há séculos atrás, que alcançou a sua maturidade no nosso tempo de uma forma inextricavelmente ligada à crise estrutural do sistema — é que o avanço produtivo deste modo antagônico de controlar o metabolismo social lança uma porção cada vez maior da humanidade na categoria de mão-de-obra supérflua. Já em 1848, no Manifesto Comunista, Marx insistia em que a fim de oprimir uma classe devem ser-lhe asseguradas certas condições sob as quais esta possa, pelo menos, continuar a sua existência servil. ... [Mas] a burguesia é incapaz de continuar a ser por muito mais tempo a classe dominante da sociedade e a impor à sociedade como lei reguladora as condições de vida da sua classe. Ela é incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar ao seu escravo a própria existência no seio da escravidão, porque é obrigada a deixá-lo mergulhar num tal estado em que tem de ser ela a alimentá-lo ao invés de ser alimentada por ele. 10

Dessa forma, ironicamente, o desenvolvimento daquele que é de longe o mais dinâmico sistema produtivo da história culmina por proporcionar (rendering) um número cada vez maior de seres humanos supérfluos para a sua maquinaria de produção , embora — de acordo com o caráter incorrigivelmente contraditório do sistema — longe de supérfluos como consumidores . A novidade histórica do tipo de desemprego no sistema globalmente realizado é que as contradições de qualquer parte específica complicam e agravam o problema em outras partes e, consequentemente, no todo. Pois a necessidade de produzir desemprego, "downsizing", etc, necessariamente levanta-se dos imperativos antagônicos do capital de perseguir o lucro e acumulação ao qual não pode concebivelmente renunciar, nem tão pouco conter-se de acordo com princípios de satisfação racional e humana. O capital ou mantém o seu inexorável impulso em direção aos objetivos de auto-expansão, não importa quão devastadoras sejam as consequências, ou deixa de ser capaz de controlar o metabolismo social da reprodução. Aqui não pode haver qualquer meio-termo ou mesmo a mais ligeira atenção a considerações humanas. Eis porque pela primeira vez desde sempre na história ascende um sistema dinâmico — e em suas implicações finais dinamicamente destrutivo — de controle social metabólico auto-expansivo, o qual expele brutalmente, se necessário, a esmagadora maioria da espécie humana do processo de trabalho. Este é o significado profundamente perturbante de "globalização".

Quando o capital alcança este estágio de desenvolvimento não há maneira de corrigir as causas da sua crise estrutural; ele pode apenas trapacear com efeitos e manifestações de superfície. Consequentemente, desde que o capital "já não pode alimentar o seu escravo", as "personificações" do seu sistema (para utilizar a expressão de Marx) tentar resolver o problema pela reversão mesmo do limitados benefícios concedidos ao trabalho na forma do "Estado providência" ("Welfare State") — durante o período do pós-guerra de despreocupada expansão do capital — através do ataque e abolição do dito "Estado providência". Assim, nos EUA, os desempregados são obrigados a submeterem-se aos ditames dos "programas de trabalho do governo" (work-fare") se quiserem receber quaisquer benefícios sociais. E, exatamente do mesmo modo, na Grã-Bretanha está a ser tentada a mesma transferência do "Welfare" para o "work-fare" pelo governo de um partido que outrora considerou-se socialista. Em consequência, quando uma manchete a oito colunas de um jornal liberal britânico (que acontece ser muito amigo do governo do "New Labour") anuncia: "Dizem aos desempregados: alistem-se no Exército ou percam os benefícios" [11] , tal manchete dá uma antevisão das medidas que aguardam a juventude desempregada. Isto, mais uma vez, sublinha o fato, tal como os outros aspetos do nosso problema mencionados até aqui, que a agora plenamente cumprida globalização do desemprego e da precarização não pode ser reparada sem a substituição radical do próprio sistema do capital. Não muitos anos atrás era confiantemente previsto que todos os males sociais conhecidos, mesmo nas mais "subdesenvolvidas" partes do mundo, seriam ultrapassados pela "modernização" universal, em conformidade com o modelo americano. Caracteristicamente, contudo, somos agora confrontados por algo diametralmente oposto àquele quadro róseo. Pois as condições outrora confinadas, nos contos da "teoria do desenvolvimento" e da sabedoria governamental, às supostamente temporárias dificuldades do "subdesenvolvimento" estão agora a tornar-se claramente visíveis mesmo nos mais desenvolvidos países capitalistas.

Notas

1 "Underground Economy", The Nation , January 12/19, 1998, p. 3.

2 Japan Press Weekly , 16 May 1998.

3 István Mészáros, The Necessity of Social Control, Isaac Deutscher Memorial Lecture, delivered at the London School of Economics and Political Science on 26 January 1971. Merlin Press, London, 1971, pp. 54-55; reprinted in Mészáros, Beyond Capital, Merlin Press, London 1995 and Monthly Review Press, New York 1996. Quotation is from pp.889-890.

4 "Enquanto o número total de pessoas desempregadas registradas em agências de empregos manteve-se em 336 milhões em 1993, o número de pessoas empregadas no mesmo ano segundo a Planning Commission era apenas de 307,6 milhões, o que significa que o número de pessoas desempregadas registradas é mais elevado do que o número de pessoas empregadas. E a taxa da porcentagem de aumento de emprego é quase desprezível". Sukomal Sen, Working Class of India: History of the Emergence and Movement 1830-1990. With an Overview up to 1995, K.P. Bagchi & Co., Calcutta 1997, p. 554.

5 "Waterloo in Asia?", The Nation , January 12/19, 1998, p. 4. Os interesses americanos são cinicamente perseguidos e impostos sempre que a oportunidade dá ocasião. Assim, "responsáveis americanos, que efetivamente vetaram a criação de um Fundo Regional Asiático independente do FMI, e portanto de Washington, também fizeram saber — mais recentemente no caso da Coréia — que nenhuma ajuda americana direta virá até que os países aflitos concordem com as exigências do FMI. Dessa forma, as autoridades tailandesas concordaram em remover todos os limites sobre a propriedade estrangeira de empresas financeiras e estão a promover legislação que permita aos estrangeiros possuírem terra, o que era um tabu. Mesmo antes do pedido de ajuda ao FMI, Djacarta aboliu suas restrições à propriedade estrangeira de ações comercializadas publicamente, um movimento replicado por Seul quando concedeu aos investidores estrangeiros acesso aos US$64 mil milhões a longo prazo, garantidos por títulos de empresas no mercado, cujo acesso eles procuraram durante anos". Walden Bello, "The End of the Asian Miracle", The Nation , January 12/19, 1998, p. 19.

6 Cumprimentos do FMI, certamente, significam muito pouco, se é que alguma coisa, mesmo nos seus próprios termos de referência. Caracteristicamente, "quando a economia tailandesa estava direccionada para perturbações, o FMI ainda estava louvando o 'registo consistente de saudáveis políticas de administração macro-económica' do governo". Walden Bello, "The End of the Asian Miracle", loc. cit., p. 16. Analogamente, nos poucos meses decorridos desde que o FMI "salvou" a economia sul coreana, o desemprego realmente duplicou no país.

Ver também um artigo criterioso de János Jemnitz, "A review of Hungarian politics 1994-1997", Contemporary Politics, Vol. 3, No. 4, 1997, pp. 401-406.

7 Ver o primoroso livro de Gabriel Kolko, Vietnam: Anatomy of a Peace, Routledge, London and New York, 1997. Ver também Nhu T. Le's passionate rejoinder in his review of Kolko's book in The Nation , "Screaming Souls", 3 November 1997.

8 Anthony Kuhn, "268 million Chinese will be out of jobs in a decade", The Sunday Times , 21 August 1994.

9 Ver o livro de Lord Beveridge com o mesmo título e o seu importante papel no estabelecimento do "Welfare State" britânico.

10 Marx and Engels, Manifesto of the Communist Party, Progress Publishers, Moscow 1971, p. 44. Ver o artigo profundamente compreensivo de Marshall Berman sobre o 150º aniversário do Manifesto, "Unchained Melody", The Nation, 11 May 1998, pp. 11-16.

11 "Jobless told: join Army or lose benefit" de Stephen Castle (Political Editor), Independent on Sunday , 10 May 1998. Outra manchete na mesma página relata reacções ao nível miserável com que o salário mínimo foi introduzido pelo governo britânico do "New Labour" com o título: "Union fury as Labour sets minimum wage at £3.60."

Entrevista al historiador Eric Hobsbawm

Entrevista al historiador Eric Hobsbawm
"Creo que el marxismo todavía tiene un campo de acción considerable"

Clarín

El más prestigioso historiador del siglo XX, Eric Hobsbawm, analiza el futuro de la democracia, en un mundo imperial. Al cabo de una vida de intensa militancia, reflexiona sobre la vigencia actual del marxismo. Su concepción de la Historia, las dificultades de una disciplina acechada por el escepticismo y el conformismo de la permanente especialización. Ayer, al cumplir 90 años, reflexionó sobre el tiempo que pasó y el tiempo por venir.

Cuando cumplió 85 años, el historiador Eric Hobsbawm, el más reconocido intelectual marxista de la actualidad, publicó su autobiografía, Años interesantes. Para un especialista, interesado en sus aportes a la historiografía del siglo XX, quizás este libro no fuera más que una colorida guía por los modos en que él fue abordando cada cuestión —el siglo XX, la formación de la clase obrera, la tensión entre capitalismo y revolución—; una serie de curiosidades biográficas que definieron ciertos temas y una preferencia filosófica y política. Pero para todo lector apasionado por el mundo en que vivimos y por los ecos remotos de su pasado inmediato, la vida de Hobsbawm es una lectura preciosa, prácticamente única, en la que se conjugan la tragedia familiar y la construcción personal con los acontecimientos históricos que hicieron del siglo XX un tiempo terrible y hermoso, una "edad de los extremos". Una pieza comparable, en su valor literario y testimonial, a la autobiografía de Nina Berberova, a las memorias de Vladimir Nabokov o al conjunto que forman la novela G, de John Berger, y algunos de sus relatos breves.

Una importancia central que tiene la narración de la propia vida, en el caso de un lúcido observador y analista del siglo XX, es que él "estaba ahí". Nacido "en el año de la Revolución Rusa", estaba ahí cuando se desintegró el imperio británico —se desintegraron, al menos, los efectos simbólicos de ostentar el ejercicio del poder gubernamental en las colonias—, y sobre todo cuando el mundo decimonónico y sus valores cayeron derrotados a los pies de la "vida moderna" —los propios padres de Hobsbawm: un ciudadano británico y su joven esposa austríaca, miembros de la parte más cosmopolita de la comunidad judía de Viena, se vieron allí hundidos en la miseria—. Hobsbawm estaba ahí cuando subió Hitler al poder y cuando fue vencido. Cuando se desmoronó el Muro de Berlín y, con él, toda una era de "socialismo real". Hobsbawm estaba ahí , recorriendo Latinoamérica y siguiendo el rastro de sus movimientos insurreccionales justo en los años que van desde la revolución cubana al surgimiento de las guerrillas setentistas. Y estaba ahí viendo caer las Torres Gemelas de Manhattan, oyendo cómo Washington se declaraba "único protector de cierto orden mundial" y decretaba así la clausura del siglo XX. El 11 de septiembre de 2001, Hobsbawm estaba ahí , en una cama de hospital en Londres: "No existe lugar mejor que ése, lugar por excelencia de una víctima en cautiverio —escribió—, para reflexionar sobre el aluvión extraordinario de palabras e imágenes orwellianas que inunda a la prensa escrita y la televisión". Pero además, Hobsbawm —que hoy cumple 90, y todavía escribe artículos, publica libros y responde largas entrevistas telefónicas— sigue estando ahí. Desconfía de la perdurabilidad del imperio americano, señala las ingenuidades de la utopía altermundista, piensa que es preciso ser "un historiador escéptico" y, a la vez, esperar lo mejor del proyecto liberador del marxismo, al que sin dudas reivindica.

En una entrevista en Libération decía que "hay que devolverle al marxismo su elemento mesiánico". A pesar de que el pensamiento político (sobre todo el marxismo) aspira a "salvar" a grandes porciones de la humanidad, la tendencia secular es a evitar el mesianismo. ¿La utopía marxista tiene aún una oportunidad mesiánica en este siglo?


No en la forma en que creíamos en ella, es decir la de una economía planificada centralmente que prácticamente eliminaba el mercado, sino bajo la forma de un sistema deliberadamente orientado a incrementar la libertad humana y el desarrollo de las habilidades humanas. Creo que, así, el marxismo todavía tiene un campo de acción considerable.

¿Y las utopías altermundistas?


Lo positivo es que son anticapitalistas y han vuelto a plantear la cuestión de que el capitalismo en su totalidad debe ser criticado. Lo negativo es cierta falta de realismo. Respecto de la globalización, por ejemplo: se la puede controlar en parte pero no se puede decir que se la va a revertir. Veo varias utopías en el movimiento altermundista pero, por ahora, ninguna que sea universalmente aplicable como las aspiraciones socialistas de los siglos XIX y XX. Mucho del utopismo altermundista está más cerca de los viejos anarquistas, que decían: Acabemos con el capitalismo, acabemos con el régimen malvado y después, de alguna manera, todo resultará bien . Hay versiones políticamente más útiles: algunas ONG aprendieron a actuar globalmente y pueden ejercer verdadera presión en campos importantes como el ambiental.

En su último libro, "Guerra y paz en el siglo XXI", afirma que la democracia está rodeada de retórica vacía: se ha convertido en un concepto incuestionable que, sin embargo, enmascara situaciones inaceptables de injusticia. ¿Sería posible recuperar un sentido auténtico de democracia? ¿Tendría sentido?


La retórica vacía de la democracia sirve de justificación a las conquistas imperiales, pero la crítica principal a la democracia como retórica de propaganda es más amplia. En general se la usa para justificar las estructuras existentes de clase y poder: " Ustedes son el pueblo y su soberanía consiste en tener elecciones cada cuatro o seis años. Y eso significa que nosotros, el gobierno, somos legítimos aun para los que no nos votaron. Hasta la próxima elección no es mucho lo que pueden hacer por sí mismos. Entretanto, nosotros los gobernamos porque representamos al pueblo y lo que hacemos es para bien de la nación ". Una crítica: la democracia queda reducida a una participación ocasional en las elecciones, porque oficialmente en una democracia uno no está autorizado a emprender otras acciones políticas que no sean las legítimas y pacíficas.

Varios politólogos franceses piensan mejorar la democracia fortaleciendo el debate institucional.


Sí, pero mi objeción es mucho más amplia: no digo únicamente que la democracia no puede quedar reducida sólo a las elecciones, tampoco puede quedar reducida al debate. Lo que el pueblo hace y es debe influir en el gobierno, de formas variadas. Su influencia no puede quedar reducida a una forma particular de constitución. Por otra parte, muchos problemas del siglo XXI escapan al marco de los estados nacionales. La democracia existe sólo dentro de los estados nacionales así que, nos guste o no, tenemos que encontrar otras formas de abordar problemas globales. Es difícil de saber cuáles van a ser porque, hasta ahora, nada reemplazó a los estados.

Cuando habla de "pueblo" piensa en movimientos sociales, los de Argentina, por ejemplo.


Por supuesto. Cualquier movimiento es sumamente importante, siempre que el gobierno tome en cuenta la opinión del pueblo.

Usted estudió la forma en que, históricamente, muchos movimientos perdieron eficacia al convertirse en usinas de clientelismo, usados por el populismo.


"Populismo" es un término que se usa en sentido demasiado general. La mayoría piensa que el populismo está asociado a la derecha política pero también puede estar asociado a la izquierda o al centro. "Populismo" simplemente quiere decir gobiernos que tratan de hablar directamente con la gente; lo pueden hacer con diferentes propósitos. Perón era populista en un sentido y Chávez, en otro. No diría que necesariamente el populismo como tal debe ser aceptado por completo o rechazado. La esencia de la democracia es que el gobierno tiene que tomar en cuenta lo que el pueblo quiere y no quiere. No hay ningún mecanismo eficaz para hacerlo: el gobierno representativo no es muy eficaz. A veces funcionan mejor la prensa o los movimientos directos.

¿Tiene futuro la "multitud" entendida como sujeto político, tal como piensa Toni Negri?


Debo decirle que no soy un gran admirador de él. No tengo muy buena opinión de Negri. Y creo que el término "multitud" es demasiado general. Hay que definir qué se entiende por "multitud". Se la podría estructurar por clases, por nacionalidad o de otras formas, pero decir "multitud" no nos lleva muy lejos.

El concepto de "clase social" también fue objetado (Philip Furbank lo atacó sociológica e históricamente). ¿En qué cifraría la importancia política del concepto de clase?


Es un concepto que de hecho se mantiene. Cualquiera que analice resultados electorales verá que se los descompone por clase, sección y nivel de educación (hoy día esto también significa clase). Hoy la política no está dominada por movimientos conscientes de que representen una clase, pero eso no significa que la clase haya dejado de ser importante. Algunas clases son hoy menos relevantes (la clase industrial trabajadora) pero eso no quiere decir que las clases hayan dejado de existir. Es un gran error subestimar la importancia de la clase. Y es un gran error suponer que una clase representa a las otras.

El Atlas y el mundo entero


"El 8 de febrero de 1929, a última hora de la tarde, al regresar de una de sus cada vez más desesperadas idas y vueltas a la ciudad en busca de dinero, fruto de su trabajo o de algún préstamo, mi padre cayó fulminado delante de la puerta principal de casa". Así narra Eric Hobsbawm el más directo impacto de la Depresión en su memoria de 12 años. Dos años después iba a morir su madre. Pero hasta entonces, la extrema vulnerabilidad en que se hallaba su familia le había resultado casi inadvertida. El primer indicio de "lo dura que era la situación" lo había tenido —cuenta— luego de mostrar la lista de libros que pedían sus profesores del secundario: entre ellos el costoso Atlas Kozenn. "¿Es absolutamente imprescindible que lo tengas?", se había alarmado su madre. El libro finalmente se compró, pero —escribe Hobsbawm—: "la sensación de que en esa ocasión se había hecho un sacrificio importante siempre me acompañó". En su biblioteca, Hobsbawm conserva el viejo Atlas Kozenn un poco maltrecho y lleno de dibujitos en los márgenes . Dice que todavía lo consulta. Su obra, que abarcó el mundo entero en transformaciones sucesivas, quizás haya sido una forma de reconocer el valor de aquel sacrificio.

Ese mundo, que de nuevo se transforma mientras avanza la globalización capitalista, no verá desaparecer las unidades políticas reconocibles. Por ahora, al menos —afirma Hobsbawm—, no verá desaparecer los Estados nacionales. "La globalización debilitó muchos poderes del Estado. Hay una tendencia a globalizar la economía, la ciencia, las comunicaciones, pero no a crear grandes organizaciones supranacionales. Muchos Estados son irrelevantes o existen en función de la globalización (viven del turismo o como paraísos fiscales), pero hay cinco o seis que determinan lo que pasa en el mundo, y otros, más chicos, son importantes porque imponen límites a la globalización. La globalización capitalista, por ejemplo, insistía en el libre movimiento de todos los factores de la producción —dinero, bienes—, sin restricción y por todo el mundo. Pero la mano de obra es un factor de la producción que no ha instaurado el libre movimiento, y una de las razones es política (los Estados no lo permiten porque podría crear enormes problemas políticos a nivel nacional). El Estado no está desapareciendo; coexiste con la globalización, o sea, con un puñado de corporaciones, pero no desaparece."

El proyecto de Unión Europea, dice, es todavía dudoso. ¿Cuáles son los aspectos más dudosos?


No hay una identidad europea. En la UE, las decisiones las toman los gobiernos nacionales; las elecciones, incluso las europeas, se llevan a cabo en términos de política nacional. La expansión de la UE a 27 Estados lo hace aún más evidente: no creo que tenga futuro como Estado federal único y, hasta que no lo tenga, no tendrá un electorado efectivo ni será la base efectiva de la democracia. Eso no quiere decir que sea una mala organización. Al contrario, parece buena.

Una grandeza económica.


Económica y algo más: ha logrado establecer ciertos patrones comunes en materia de leyes aceptadas como superiores a las leyes nacionales de los Estados. Quizá lo más cercano a una federación.

La UE acaba de sancionar una ley que castiga a quien niegue el Holocausto. Usted estuvo en contra del juicio al historiador David Irving (acusado de negar la "solución final"): "La misma expresión —dijo— pertenece a una era en la que la condena moral reemplazó a la historiografía". ¿Qué opina de esta ley?

No creo que se pueda establecer o negar la verdad histórica por medio de la legislación. Fue un error sancionar leyes que consideren un delito negar el Holocausto, y es un error de los franceses tratar de promulgar una ley sobre el genocidio de los armenios, y fue un error del gobierno de Chirac insistir en que hay que enseñar que el imperio francés fue positivo. Es la opinión general de los historiadores profesionales —no hace falta aclarar que difícilmente tengamos simpatía alguna por los nazis o la masacre de los armenios por los turcos. Sólo que ésa no es la manera de establecer la verdad.

Usa un ejemplo futbolístico para señalar diferencias entre los EE.UU. y el antiguo imperio británico. ¿Le gusta el fútbol?

No soy fanático pero todos somos parte de una cultura futbolística. Lo que digo es que hay un conflicto básico entre la lógica del mercado, una lógica global, y el hecho de que las emociones de la gente están atadas al equipo nacional. Por un lado, los clubes y la competencia entre los principales clubes de los principales países europeos son los que dan el dinero. Pero allí no hay nada nacional (como sabe, hubo un momento en que mi equipo, el Arsenal, no tenía prácticamente ningún jugador nacido en Inglaterra). Para estos grandes clubes, las selecciones nacionales son una distracción. No les gusta prestar a sus jugadores para que entrenen con sus selecciones. Pero las selecciones nacionales tienen que entrenar. Por lo tanto, para los clubes —empresas capitalistas, naturalmente— la selección nacional es una distracción y sin embargo no pueden prescindir de ella porque lo que mantiene al fútbol en funcionamiento es la competencia internacional.

Esa distracción y las tensiones que plantea son un atractivo mayor. Los partidos no serían tan intensos si no estuvieran esas emociones en juego.


Sí. Y en muchos sentidos, muchos países que antes no tenían identidad, como algunos de Africa, adquieren identidad a través de esto. Porque es más fácil imaginarse como parte de una gran unidad a través de once personas en una cancha que a través de abstracciones.

¿Cómo influyen las emociones en su oficio de historiador?


El historiador tiene que ser infinitamente curioso; tiene que poder imaginar las emociones de personas que no se le parecen. No se puede llegar al fondo de un período histórico si no se trata de averiguar cómo era. Alguien dijo una vez, muy acertadamente, que el pasado es otro país. Los historiadores son, de alguna manera, escritores, novelistas: tienen que imaginar pero no pueden inventar, deben guiarse por los hechos. Y el historiador tiene sus propios sentimientos pero ellos no deben interferir con las pruebas. En este sentido, el gran modelo es el francés Marc Bloch. No sólo era un maravilloso historiador: en su primer gran libro también imaginó una sociedad que creía que el rey estaba en contacto directo con el Cielo y que, por eso, la mano del rey podía curar sus males. Bloch tenía sus propias emociones, se unió a la Resistencia y murió a manos de los alemanes durante la Guerra. No era en absoluto una persona neutral.

El historiador no inventa los hechos, pero descubre —en los textos, en los documentos, en el análisis— cosas que estaban allí y nadie había visto. "Descubrir" e "inventar" son palabras muy próximas, aun etimológicamente. Descubrir o inventar el Big Bang ¿no es lo mismo?

Creo que los historiadores comienzan con ciertos problemas que surgen de cómo han sido criados, cómo piensan, etc. No llegan a la historia como cámaras que sólo filman (hasta las cámaras deben ser dirigidas hacia algo). Y además, los historiadores producen algo definitivo, permanente. No se pueden discutir las pruebas; sí las interpretaciones. Alguno cree que Elvis Presley no murió: está equivocado. Quien niega el Holocausto está equivocado. De allí partimos. Qué pien se usted de Elvis, cómo interpreta el Holocausto, hay infinitas discusiones posibles.

¿Su concepción de la historia cambió en todos estos años?


Básicamente no ha cambiado.

Trabaja con el tiempo: ¿alguna vez pensó qué es el tiempo?


Bueno, ahora pienso que tenemos que expandir nuestros horizontes por fuera de la vida humana. La humanidad abarca una pequeña porción de la historia del mundo, siguiendo patrones astronómicos o incluso geológicos. La agricultura se inventó hace quizá 10.000 años. Pero uno debe tratar de ver el cuadro completo. Uno de los grandes aciertos de Marx fue tratar de ver el desarrollo completo de la raza humana en perspectiva, desde que salió de las cavernas hasta el desarrollo de las sociedades. Eso no significa que uno no se pueda concentrar en períodos más breves. De hecho, uno debe hacerlo: los antropólogos solían entrenarse haciendo trabajo de campo sobre un determinado pueblo, y los historiadores se entrenan eligiendo determinado tema. Pero hoy el gran peligro de la historia es la excesiva especialización y que se enseñe la historia no como un progreso general de la especie humana sino como una serie de retazos elegidos según un criterio cualquiera. Y es muy importante que los historiadores se comuniquen, que escriban para que se los pueda entender, no sólo para otros especialistas.

Por que Zurdo?

O nome do blog foi inspirado no filme Zurdo de Carlos Salcés, uma película mexicana extraordinária.


Zurdo em espanhol que dizer: esquerda, mão esquerda.
E este blog significa uma postura alternativa as oficiais, as institucionais. Aqui postaremos diversos assuntos como política, cultura, história, filosofia, humor... relacionadas a realidades sem tergiversações como é costume na mídia tradicional.
Teremos uma postura radical diante dos fatos procurando estimular o pensamento crítico. Além da opinião, elabora-se a realidade desvendando os verdadeiros interesses que estão em disputa na sociedade.

Vos abraço com todo o fervor revolucionário

Raoul José Pinto



ZZ - ESTUDAR SEMPRE

  • A Condição Pós-Moderna - DAVID HARVEY
  • A Condição Pós-Moderna - Jean-François Lyotard
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zz - Estudar Sempre/CLÁSSICOS DA HISTÓRIA, FILOSOFIA E ECONOMIA POLÍTICA

  • A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo - Lênin
  • A História me absolverá - Fidel Castro Ruz
  • A ideologia alemã - Karl Marx e Friedrich Engels
  • A República 'Comunista' Cristã dos Guaranis (1610-1768) - Clóvis Lugon
  • A Revolução antes da Revolução. As guerras camponesas na Alemanha. Revolução e contra-revolução na Alemanha - Friedrich Engels
  • A Revolução antes da Revolução. As lutas de classes na França - de 1848 a 1850. O 18 Brumário de Luis Bonaparte. A Guerra Civil na França - Karl Marx
  • A Revolução Burguesa no Brasil - Florestan Fernandes
  • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky - Lênin
  • A sagrada família - Karl Marx e Friedrich Engels
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  • As tarefas revolucionárias da juventude - Lenin, Fidel e Frei Betto
  • As três fontes - V. I. Lenin
  • CASA-GRANDE & senzala - Gilberto Freyre
  • Crítica Eurocomunismo - Ernest Mandel
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  • História do socialismo e das lutas sociais - Max Beer
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  • MANUAL DE ESTRATÉGIA SUBVERSIVA - Vo Nguyen Giap
  • MANUAL DE MARXISMO-LENINISMO - OTTO KUUSINEN
  • Manuscritos econômico filosóficos - MARX, Karl
  • Mensagem do Comitê Central à Liga dosComunistas - Karl Marx e Friedrich Engels
  • Minima Moralia - Theodor Wiesengrund Adorno
  • O Ano I da Revolução Russa - Victor Serge
  • O Caminho do Poder - Karl Kautsky
  • O Marxismo e o Estado - Norberto Bobbio e outros
  • O Que Todo Revolucionário Deve Saber Sobre a Repressão - Victo Serge
  • Orestéia, de Ésquilo
  • Os irredutíveis - Daniel Bensaïd
  • Que Fazer? - Lênin
  • Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
  • Reforma ou Revolução - Rosa Luxemburgo
  • Revolução Mexicana - antecedentes, desenvolvimento, conseqüências - Rodolfo Bórquez Bustos, Rafael Alarcón Medina, Marco Antonio Basilio Loza
  • Revolução Russa - L. Trotsky
  • Sete ensaios de interpretação da realidade peruana - José Carlos Mariátegui/ Editora Expressão Popular
  • Sobre a Ditadura do Proletariado - Étienne Balibar
  • Sobre a evolução do conceito de campesinato - Eduardo Sevilla Guzmán e Manuel González de Molina

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA

  • 1984 - George Orwell
  • A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • A Espera dos Bárbaros - J.M. Coetzee
  • A hora da estrela - Clarice Lispector
  • A Leste do Éden - John Steinbeck,
  • A Mãe, MÁXIMO GORKI
  • A Peste - Albert Camus
  • A Revolução do Bichos - George Orwell
  • Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
  • Ainda é Tempo de Viver - Roger Garaud
  • Aleph - Jorge Luis Borges
  • As cartas do Pe. Antônio Veira
  • As Minhas Universidades, MÁXIMO GORKI
  • Assim foi temperado o aço - Nikolai Ostrovski
  • Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  • Contos - Jack London
  • Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
  • Desonra, de John Maxwell Coetzee
  • Desça Moisés ( WILLIAM FAULKNER)
  • Don Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
  • Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
  • Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
  • Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago
  • Fausto - JOHANN WOLFGANG GOETHE
  • Ficções - Jorge Luis Borges
  • Guerra e Paz - LEON TOLSTOI
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
  • Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos
  • O Alienista - Machado de Assis
  • O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez
  • O Contrato de Casamento, de Honoré de Balzac
  • O Estrangeiro - Albert Camus
  • O homem revoltado - Albert Camus
  • O jogo da Amarelinha – Júlio Cortazar
  • O livro de Areia – Jorge Luis Borges
  • O mercador de Veneza, de William Shakespeare
  • O mito de Sísifo, de Albert Camus
  • O Nome da Rosa - Umberto Eco
  • O Processo - Franz Kafka
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel
  • O Senhor das Moscas, WILLIAM GOLDING
  • O Som e a Fúria (WILLIAM FAULKNER)
  • O ULTIMO LEITOR - PIGLIA, RICARDO
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  • Os Invencidos, WILLIAM FAULKNER
  • Os Miseravéis - Victor Hugo
  • Os Prêmios – Júlio Cortazar
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  • Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY
  • São Bernardo - Graciliano Ramos
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  • VINHAS DA IRA, (JOHN STEINBECK)

ZZ - Estudar Sempre/LITERATURA GUERRILHEIRA

  • A Guerra de Guerrilhas - Comandante Che Guevara
  • A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde - Omar Cabezas
  • Da guerrilha ao socialismo – a Revolução Cubana - Florestan Fernandes
  • EZLN – Passos de uma rebeldia - Emilio Gennari
  • Imagens da revolução – documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961-1971; Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá
  • O Diário do Che na Bolívia
  • PODER E CONTRAPODER NA AMÉRICA LATINA Autor: FLORESTAN FERNANDES
  • Rebelde – testemunho de um combatente - Fernando Vecino Alegret

ZZ- Estudar Sempre /GEOGRAFIA EM MOVIMENTO

  • Abordagens e concepções de território - Marcos Aurélio Saquet
  • Campesinato e territórios em disputa - Eliane Tomiasi Paulino, João Edmilson Fabrini (organizadores)
  • Cidade e Campo - relações e contradições entre urbano e rural - Maria Encarnação Beltrão Sposito e Arthur Magon Whitacker (orgs)
  • Cidades Médias - produção do espaço urbano e regional - Eliseu Savério Sposito, M. Encarnação Beltrão Sposito, Oscar Sobarzo (orgs)
  • Cidades Médias: espaços em transição - Maria Encarnação Beltrão Spósito (org.)
  • Geografia Agrária - teoria e poder - Bernardo Mançano Fernandes, Marta Inez Medeiros Marques, Júlio César Suzuki (orgs.)
  • Geomorfologia - aplicações e metodologias - João Osvaldo Rodrigues Nunes e Paulo César Rocha
  • Indústria, ordenamento do território e transportes - a contribuição de André Fischer. Organizadores: Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski e Eliseu Savério Spósito
  • Questões territoriais na América Latina - Amalia Inés Geraiges de Lemos, Mónica Arroyo e María Laura Silveira